Notícias
Instrução Normativa 14 é debatida em encontro promovido pela ACSURS
Propriedades que pretendem fabricar com uso de medicamentos deverão estar previamente cadastradas para a atividade
A partir de uma reunião do Conselho Técnico Operacional (CTOS) do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa), sentiu-se a necessidade em oferecer ao produtor orientações sobre as novas exigências para as propriedades que fabricam sua própria ração. As palavras são do diretor executivo da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul – ACSURS, Fernando Gimenez, que na última quarta-feira (03) fez a abertura do encontro que reuniu em torno de 30 pessoas na sede da entidade.
O presidente da ACSURS, Valdecir Luis Folador, seguiu a programação apresentando aos técnicos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi/RS) um mapa da suinocultura no Rio Grande do Sul e a representatividade social deste grupo de suinocultores independentes. “São 551 famílias envolvidas na atividade, que emprega mais de dois mil profissionais”, explicou Folador.
Segundo estudo apresentado pelo dirigente, os produtores independentes reúnem 70 UPLs (Unidades Produtoras de Leitões), com mais de 52 mil fêmeas suínas produzindo. Suinocultores Crecheiros são representados por 44 famílias e Terminadores são 437 famílias.
Chefe do Serviço de Fiscalização de Insumos Pecuários (Sefip) da Superintendência do Mapa no Rio Grande do Sul, a médica-veterinária Alejandra Müller explicou aos produtores que o objetivo da Instrução Normativa 14 tem como objetivo garantir que o uso de antibióticos ou outros medicamentos seja regulado para respeitar os prazos de carência e também prevê que somente sejam incluídos na ração produtos veterinários na formulação do tipo “premix” e não o antibiótico puro. “Para grandes fábricas de ração ou integradoras já existe a IN 65/2006, que regulamenta a prática. As pequenas propriedades também poderiam ter se adequado à IN 65, no entanto, a medida tem mais de dez anos e até agora não houve adesões”, disse.
As propriedades que pretendem fabricar com uso de medicamentos deverão estar previamente cadastradas para a atividade. O produtor deverá preencher um requerimento com declaração de que o estabelecimento possui capacidade de fabricar rações com medicamento de uso veterinário a partir de premixes, núcleos ou concentrados com medicamentos e implementar procedimentos para prevenção da contaminação cruzada e para mistura homogênea dos produtos. “A propriedade deverá se comportar como uma fábrica de ração normal, porém, com uma fiscalização menor sobre ela, não havendo necessidade de registro no Mapa, somente cadastro”, disse Alejandra.
Após a apresentação da auditora fiscal, foi criado um Grupo de Trabalho para a criação de um documento com a estratificação da produção. “Vamos solicitar a exclusão do controle da ração destinada às UPLs (Unidades Produtoras de Leitões) e Creches desse cadastro, mantendo o controle somente para granjas de Recria e Terminação. Ou seja, vamos pedir que seja feito um aditivo ou uma instrução normativa intermediária a IN 65 e IN 14 e que se adeque a IN4, que é a instrução das Boas Práticas de Fabricação (BPF)”, explica o diretor executivo da ACSURS.
A entidade estará à frente do Grupo de Trabalho (GT), que vai contar com a participação dos suinocultores e técnicos Cláudio Sartor, Cléo Barbiero, Daniel Tres, Everson Walber, Flauri Migliavacca, Jean Fontana, Leandro Prochnow Correa, Maurício Feldmann, Rafael Acadrolli e Rogério Gobbi. O GT irá se reunir no próximo dia 16.
Fonte: Assessoria

Notícias Editorial
Mão de obra estrangeira ganha espaço estratégico nas cooperativas
Expansão das agroindústrias e menor oferta de trabalhadores locais reforçam a importância dos imigrantes no setor.

Há um dado que o agronegócio brasileiro ainda não incorporou com a gravidade necessária: em várias agroindústrias cooperativas do Sul do país, a presença de trabalhadores estrangeiros deixou de ser complementar. Em alguns casos, tornou-se condição operacional.
Essa constatação muda a forma como o tema deve ser tratado. Não se trata apenas de imigração. Tampouco de uma pauta restrita a recursos humanos. O que está em jogo é a capacidade de cooperativas manterem linhas de produção, cumprirem escalas, sustentarem abates, operarem unidades industriais, atenderem supermercados, ampliarem investimentos e preservarem a renda de milhares de famílias ligadas ao campo.

Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.
Quando uma cooperativa informa que estrangeiros representam 30% do quadro funcional, ou que em determinada unidade nove em cada dez trabalhadores vieram de outros países, o dado não pode ser lido como curiosidade demográfica. Ele revela uma mudança estrutural no mercado de trabalho. As agroindústrias cresceram, os municípios do interior mudaram, a oferta de trabalhadores locais ficou mais limitada e algumas funções passaram a encontrar menor adesão entre brasileiros. O espaço foi ocupado por haitianos, venezuelanos, paraguaios, cubanos, senegaleses, argentinos, colombianos, nigerianos e profissionais de tantas outras origens.
Esses trabalhadores não aparecem apenas nas estatísticas. Eles estão nas escalas de fim de semana, nas linhas industriais, nos setores operacionais, nos supermercados, nas fábricas, nos frigoríficos, nos turnos que garantem continuidade à produção. São parte da engrenagem que transforma grãos, proteína animal, leite, peixes, insumos, serviços e logística em atividade econômica concreta nas regiões onde as cooperativas estão instaladas.

Foto: Renan Pereira
A indústria continuou em cidades do interior, próxima da produção rural, mas parte crescente da força de trabalho passou a vir de fora do país. Essa é uma mudança profunda e ainda pouco discutida com a seriedade que merece.
Há também uma contradição evidente. O Brasil cobra competitividade das suas cooperativas, exige eficiência industrial, defende expansão das exportações e comemora recordes de produção. Mas muitas regiões que sustentam essa engrenagem não conseguem mais oferecer, sozinhas, trabalhadores em número suficiente para acompanhar o crescimento. A resposta tem vindo dos imigrantes.
Por isso, tratar essa mão de obra apenas como “alternativa” é reduzir o tamanho do fenômeno. Em muitas operações, ela já é parte da estratégia. E, se é estratégica, precisa ser tratada com planejamento: acolhimento, moradia, idioma, qualificação, integração cultural, segurança jurídica, transporte, saúde, liderança preparada e política pública. Contratar é apenas o primeiro passo. Integrar é o verdadeiro teste.
A automação será parte da resposta, mas não substituirá a discussão humana. Máquinas podem reduzir etapas manuais, aumentar produtividade e aliviar gargalos. Não resolvem, sozinhas, a necessidade de pessoas capacitadas, estáveis e integradas às equipes. O futuro das agroindústrias cooperativas dependerá menos de escolher entre tecnologia e trabalhadores, e mais de combinar ambos com inteligência.

Foto: Divulgação/Arquivo AEN
Os estrangeiros que hoje vestem uniforme nas cooperativas brasileiras também revelam que o desenvolvimento regional não depende apenas de fábricas, silos, aviários, granjas, supermercados ou caminhões. Depende de gente disposta a trabalhar, permanecer, aprender e reconstruir a própria vida longe do país de origem.
Reconhecer essa importância não é romantizar a imigração. É enxergar a realidade econômica sem filtro. Parte da agroindústria cooperativa brasileira já não seria a mesma sem esses trabalhadores. E qualquer projeto sério de crescimento precisará considerar que a força do cooperativismo, daqui para frente, também será medida pela capacidade de integrar quem chegou de fora para ajudar a manter de pé aquilo que o interior construiu.
A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.
Notícias
Oferta restrita mantém preços do trigo em alta no mercado interno
Levantamento do Cepea mostra valorização do cereal em junho, impulsionada pela retenção de estoques por produtores.
Notícias
Estoques globais redesenham as perspectivas para o milho
Oferta elevada limita ganhos nas cotações, enquanto exportações e clima seguem no foco do mercado.

O mercado de milho deve permanecer influenciado, no curto prazo, pelo avanço da colheita da segunda safra no Brasil e pelas perspectivas de uma produção elevada nos Estados Unidos. De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, esses fatores tendem a manter pressão sobre as cotações, enquanto o comportamento das exportações seguirá sendo um dos principais indicadores acompanhados pelo setor.

Foto: Giuliano De Luca/O Presente Rural
No cenário internacional, a expectativa é de uma safra norte-americana superior a 400 milhões de toneladas, o que mantém o balanço global de oferta e demanda em uma situação considerada confortável. Apesar disso, a consultoria aponta que a menor produção dos Estados Unidos em relação ao ciclo anterior deve contribuir para uma redução dos estoques globais ao longo da safra 2026/27.
Para o mercado brasileiro, a principal atenção está voltada ao avanço da colheita da segunda safra e aos rendimentos das lavouras, especialmente diante dos relatos de perdas provocadas pela seca em áreas do Centro-Sul. O volume final da produção será determinante para o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado interno.
As exportações também seguem no radar. Entre fevereiro e maio, os embarques brasileiros de milho somaram 3,3 milhões de toneladas, volume 29% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Os principais destinos foram Egito, Vietnã e Malásia, impulsionados pela demanda dos países asiáticos.

Foto: Divulgação
Mesmo com o bom desempenho recente, a Consultoria Agro Itaú BBA projeta desaceleração das exportações brasileiras ao longo da safra 2025/26, em razão da maior participação da Argentina no mercado internacional. A estimativa é que o Brasil exporte 40 milhões de toneladas de milho, abaixo das 41,6 milhões de toneladas embarcadas na safra 2024/25.
Outro fator acompanhado pelo mercado é a confirmação do fenômeno El Niño. Segundo a consultoria, a possibilidade de um evento de forte intensidade acende um alerta para a segunda safra de 2027, já que anos com esse padrão climático costumam registrar redução da produção nas principais regiões produtoras do país.
Apesar da pressão de curto prazo provocada pela ampla oferta e pelas condições favoráveis às lavouras norte-americanas, a expectativa de redução dos estoques mundiais pode dar sustentação aos preços em um horizonte mais longo.


