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Instituto de Zootecnia inaugura centro de pesquisa em pecuária sustentável no interior paulista
Nova unidade em São José do Rio Preto terá foco em neutralidade climática, bem-estar animal, genômica e tecnologias para sistemas produtivos de baixo carbono.

O Instituto de Zootecnia (IZ-Apta), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, inaugurará na próxima sexta-feira (19), em São José do Rio Preto (SP), a Divisão Avançada de Pesquisa e Desenvolvimento da Pecuária Sustentável. Implantada em uma área de 220 hectares, a unidade tem como missão o desenvolvimento, a validação e a transferência de tecnologias voltadas à promoção de sistemas de produção pecuária sustentáveis, eficientes e alinhados aos compromissos nacionais e internacionais de mitigação das mudanças climáticas. No mesmo dia será inaugurado o Laboratório de Genômica que deve contribuir para seleção de animais mais produtivos e sustentáveis.
A unidade foi concebida com foco na neutralidade climática da produção de bovinos de corte, na intensificação sustentável dos sistemas produtivos e na integração entre sustentabilidade ambiental, segurança alimentar e bem-estar animal, com ênfase em arranjos como a Integração Lavoura-Pecuária e outras estratégias de uso racional da terra.
Destaca-se como o primeiro centro de pesquisa com animais de grande porte certificado pela Fair Food, reconhecimento que atesta o atendimento a elevados padrões de bem-estar animal, ética na pesquisa e produção sustentável, posicionando o IZ na vanguarda das exigências técnicas e mercadológicas internacionais.
De acordo com a pesquisadora do Instituto de Zootecnia Renata Helena Branco, diretora da unidade, o Centro foi estruturado para atuar como referência técnica e vitrine tecnológica para o setor produtivo. “A proposta é disponibilizar ao pecuarista e à indústria diferentes modelos de produção, com indicadores produtivos, ambientais e econômicos consolidados, de forma a subsidiar decisões técnicas baseadas em evidências científicas e promover a competitividade da pecuária brasileira”, destaca.
O Instituto de Zootecnia, que este ano comemora 120 anos, desenvolve pesquisas para elevar a produtividade, a eficiência e o bem-estar animal, e é pioneiro na pesquisa científica mundial com a raça Nelore, com papel fundamental no desenvolvimento da pecuária de corte no país. Enilson Ribeiro, coordenador do IZ, comenta que o grande desafio da pecuária hoje é seguir normas de sustentabilidade e bem-estar animal. “Criamos esta unidade para aumentar a sustentabilidade da pecuária, tornando-a mais competitiva no mercado internacional”.
Centro de Pecuária Sustentável do IZ
A unidade é sede do NeuTroPec – Centro de Ciência para o Desenvolvimento da Neutralidade Climática da Pecuária de Corte em Regiões Tropicais, iniciativa estratégica apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pela iniciativa privada com empresa como SilvaFeed, Alltech e JBS. O NeuTroPec atua no desenvolvimento de bases científicas e tecnológicas para sistemas pecuários de baixa emissão de carbono, com ações voltadas à mensuração e mitigação de Gases de Efeito Estufa, especialmente o metano entérico; avaliação de estratégias nutricionais e aditivos; desenvolvimento de sistemas produtivos integrados e intensificados; estudos em reprodução, programação fetal e genômica; e geração de indicadores técnicos para subsidiar políticas públicas, certificações e acesso a mercados diferenciados.
O Centro abriga ainda o RumenLab, plataforma avançada de pesquisa aplicada em nutrição de ruminantes e fermentação ruminal. O RumenLab atua na avaliação de ingredientes, coprodutos agroindustriais e aditivos nutricionais, estudos de cinética de degradação ruminal, produção de gases e mitigação de metano, integrando sistemas in vitro, ex situ e in vivo. De forma articulada ao NeuTroPec, o RumenLab fortalece a base científica das estratégias de sustentabilidade e contribui para o desenvolvimento de soluções tecnológicas aplicáveis ao setor produtivo.
Complementando essa infraestrutura, o Laboratório de Genômica Animal desempenha papel estratégico na integração entre genética, nutrição e manejo, com foco na identificação e seleção de animais mais eficientes, resilientes e com menor intensidade de emissões. O laboratório desenvolve estudos voltados à caracterização genética de características produtivas, reprodutivas e de eficiência alimentar, bem como à compreensão das interações entre genótipo, ambiente e nutrição. Essas informações subsidiam programas de melhoramento genético orientados à sustentabilidade, contribuindo para o avanço da pecuária de baixo carbono e para o fortalecimento da competitividade da produção animal brasileira.
O Centro de Pecuária Sustentável consolida-se como a unidade do Instituto de Zootecnia com o maior número de parcerias público-privadas ativas, refletindo um modelo de governança orientado à inovação, à transferência de tecnologia e à aproximação entre ciência e mercado. As parcerias com empresas nacionais e internacionais, aliadas ao apoio das agências de fomento, são fundamentais para ampliar a escala dos projetos de pesquisa, acelerar a geração de resultados aplicáveis e posicionar o Brasil como referência global em pecuária sustentável e de baixo carbono. Com infraestrutura laboratorial estratégica e atuação integrada entre pesquisa, inovação e difusão tecnológica, o IZ reafirma, por meio desta unidade, seu papel histórico e estratégico no desenvolvimento da pecuária brasileira, alinhando ciência de excelência, sustentabilidade e competitividade.

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Arroba do boi gordo sobe para R$ 337,10 e reverte perdas de julho
Indicador Cepea/Esalq avançou 1,08% na segunda-feira (20) e voltou a registrar saldo positivo no acumulado do mês.

O preço do boi gordo voltou a registrar alta no mercado brasileiro. Nesta segunda-feira (20), o Indicador Cepea/Esalq fechou cotado a R$ 337,10 por arroba, avanço de 1,08% em relação ao pregão anterior.
O resultado mantém o movimento de recuperação observado nos últimos dias. Na sexta-feira (17), o indicador havia encerrado o dia em R$ 333,50 por arroba. Antes disso, as cotações também apresentaram valorização, passando de R$ 328,10 na terça-feira (14) para R$ 329,20 na quarta-feira (15) e R$ 331,15 na quinta-feira (16).
Com a sequência de altas, o mercado praticamente eliminou as perdas registradas ao longo de julho. No acumulado do mês, a variação do indicador passou a ser positiva em 0,21%.
Em dólar, a arroba do boi gordo foi cotada a US$ 66,23, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).
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Banco de antígenos amplia proteção do rebanho brasileiro contra a febre aftosa
Estoque de 10 milhões de doses permitirá resposta imediata em caso de novos focos da doença e ajudará a preservar o status sanitário do país.

O Brasil deu mais um passo para fortalecer sua defesa sanitária animal com a inauguração, nesta sexta-feira (17), do 1º Banco Brasileiro de Antígenos para resposta emergencial à febre aftosa. Instalada em Buenos Aires, na Argentina, a estrutura manterá um estoque estratégico de antígenos para a fabricação de vacinas em caso de eventual reintrodução da doença no Brasil.
Resultado de uma parceria entre o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a empresa argentina Biogénesis Bagó, a iniciativa representa uma conquista inédita para o país.

Presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette: “O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes” – Foto: Divulgação/Sistema Faep
“O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes. Manter esse status exige vigilância permanente, planejamento e investimentos em prevenção. A criação desse banco representa uma camada adicional de proteção para o nosso rebanho e demonstra o compromisso com a sanidade”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
O Banco Nacional conta, inicialmente, com um estoque de 10 milhões de doses de antígenos correspondentes aos dois sorotipos do vírus da febre aftosa com maior circulação histórica no Brasil. O contrato prevê ainda a possibilidade de fornecimento de mais 10 milhões de doses ao longo dos próximos dez anos, em casos de eventuais surtos. O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas, caso seja identificado algum foco da enfermidade.
“A manutenção desse estoque é um requisito para que o Brasil preserve o reconhecimento internacional concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal. Os produtores rurais podem ficar mais confiantes de que, em surtos localizados da doença, haverá uma resposta rápida”, afirma o diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon.

O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas
Por questões de biossegurança, esse material permanece armazenado fora do território brasileiro. Países como Estados Unidos e Reino Unido também adotam esse modelo, mantendo estoques estratégicos na unidade da Biogénesis Bagó, na Argentina.
Segundo o presidente do Sindicato Rural de Guarapuava e da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Corte do Sistema Faep, Rodolpho Botelho, que acompanhou a cerimônia de inauguração, o Paraná tem histórico de protagonismo nas ações de defesa agropecuária e colhe os resultados desse trabalho por meio da abertura de mercados e da valorização da produção estadual.
“Sempre fomos referência em sanidade animal. Essa credibilidade abre mercados para a nossa produção e fortalece a competitividade da agropecuária no comércio internacional. Esse banco de antígenos é mais uma etapa no protocolo para o fortalecimento da sanidade”, reforça.
Para o diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Otamir Cesar Martins, o banco representa uma ferramenta estratégica para proteger o rebanho e também preservar o comércio internacional de proteína animal.
“Hoje, a Organização Mundial de Saúde Animal prevê protocolos que permitem isolar a área afetada, fazer a vacinação e controlar o foco sem comprometer o status sanitário do país. O banco de antígenos é uma ferramenta extremamente importante para garantir essa resposta”, esclarece.
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Mercado futuro do leite ganha espaço entre produtores paranaenses
Sistema Faep destaca potencial da ferramenta para garantir maior segurança, transparência e previsibilidade na comercialização.

Desde o dia 13 de maio, a cadeia brasileira do leite conta com o chamado “mercado futuro”, pelo qual os contratos são negociados diretamente entre as partes, no mercado de balcão, sem listagem em bolsa, para uma data futura com preços já definidos. O instrumento financeiro (ferramenta hedge) garante mais proteção, previsibilidade, transparência e rentabilidade ao setor, que sofre com os riscos das oscilações do preço do leite. O avanço desta ferramenta entre os produtores foi tema da reunião da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Leite do Sistema Faep, nesta quinta-feira (16).
“Essa ferramenta traz mais segurança para os nossos produtores de leite. O mercado futuro já é uma realidade para outras commodities agrícolas como soja, milho e boi gordo. É questão de tempo para os pecuaristas se familiarizarem e usufruírem dos benefícios”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Produtores presentes na reunião da CT de Bovinocultura de Leite representaram as principais bacias leiteiras do Paraná
Para auxiliar neste processo, a reunião contou com a participação de Marianne Tufani, gerente de riscos da StoneX Leite Brasil, que detalhou o funcionamento da ferramenta e tirou dúvidas sobre o mercado futuro de leite.
“Todas as demais cadeias, como a da soja, milho e boi gordo, aprenderam a usar. Nós também vamos nos beneficiar com isso”, comenta o presidente da CT de Bovinocultura de Leite e produtor de leite, Eduardo Lucacin. “É preciso conhecer bem o nosso negócio, os nossos custos, para saber o melhor momento de travar o preço”, complementa.
O desenvolvimento da ferramenta teve participação do Sistema Faep, StoneX Leite Brasil, Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea – Esalq/USP) e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Marianne lembrou que, no mercado mundial de leite, 70% dos players já utilizam o mercado futuro.
“O primeiro passo para quem quer saber como funciona é abrir uma conta na corretora. O quanto antes, melhor, pois é um processo burocrático que exige documentação e análises extensas e minuciosas. Não tem custo essa abertura”, explica Marianne.
Temas prioritários
Ainda na reunião do CT de Bovinocultura de Leite do Sistema Faep, outros temas como a questão sanitária, preços e custo de produção, problemas no fornecimento de energia elétrica e oportunidades de capitalização estiveram em discursão. Os produtores relataram, mais uma vez, a preocupação com o custo da energia e a falta de qualidade do serviço da concessionária, que coloca em risco a produção.

O presidente da Comissão, Eduardo Lucacin, conduziu a reunião e mediou os debates sobre os temas prioritários para o setor
“Leite perdido, equipamento queimado. O que mais tem é produtor com situações como essas. O Sistema Faep tem atuado em Brasília e via Ministério Público Estadual, para cobrar da concessionária a qualidade do serviço. Porém, talvez tenhamos que, como comissão, pensar em soluções e outras alternativas para minimizar os danos”, afirma Lucacin.
Quanto à sanidade, o tema do combate à Brucelose apareceu no debate. “O controle da doença é pré-requisito básico para nos tornarmos competitivos em nível mundial”, diz o vice-presidente da CT, Roger van der Vinne, que também é médico veterinário e produtor em Carambeí, na região dos Campos Gerais. “Cada um em sua propriedade precisa dar o exemplo, gerindo a saúde do rebanho, realizando os testes e vacinação e buscando a certificação de livre da doença”, destaca.
Outro assunto que também foi discutido na reunião da comissão foi a possibilidade de aumento da rentabilidade com os derivados, em especial os sólidos, a proteína do soro (whey) e o concentrado proteico do leite. “A gente tem que preparar para todas essas tendências. Buscamos isso pela comissão e pelo Conseleite”, conclui o presidente da CT.




