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Instituto de Zootecnia da Apta celebra 117 anos na vanguarda da sustentabilidade e inovação na produção animal 

IZ comemora a data com dois novos espaços para suporte ao desenvolvimento de novas pesquisas, em Nova Odessa (SP).

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Foto: Divulgação

O Instituto de Zootecnia (IZ-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, completa 117 anos, atuando no desenvolvimento científico e tecnológico para uma pecuária cada vez mais sustentável. Para comemorar a data, o IZ inaugurará dois novos espaços que darão suporte ao desenvolvimento de novas pesquisas – o “Laboratório de Aves e Ovos – Aviário Experimental” e a “Casa de Vegetação e Unidade de Apoio”. O Instituto também fará homenagem a um pesquisador científico de destacado mérito profissional. A cerimônia ocorrerá em 15 de julho, dia do aniversário de fundação da Instituição, às 10h, na Sede do IZ, em Nova Odessa (SP).

As novas estruturas foram modernizadas para ampliar e atender as novas demandas do setor, recebendo um investimento total de R$ 168.547,55, provenientes de recursos do Governo do Estado de São Paulo.

No “Aviário Experimental” serão desenvolvidas pesquisas direcionadas a avicultura comercial e conservacionista, complementado as avaliações laboratoriais já executadas no Laboratório de Aves & Ovos do IZ (LAAVIZ).

O diretor da unidade de pesquisa, José Evandro de Moraes, doutor em epidemiologia, destaca que o novo espaço possibilitará simular os sistemas produtivos convencionais com uso de gaiolas e também os sistemas livres de gaiolas, atendendo demandas de avaliações nutricionais, bem-estar animal, manejo e genética. “O aviário ainda poderá realizar pesquisas com outras espécies de aves de interesse comercial e conservacionista”, afirma.

A adequação e modernização do setor de avicultura nos novos moldes da cadeia produtiva de aves e ovos é uma prioridade nessa área.  Com o aviário, será possível promover e validar produtos, realizar boas práticas de manejo com sustentabilidade e bem-estar animal na avicultura comercial e conservacionista.

A equipe do IZ atua no desenvolvimento de pesquisas em diferentes sistemas de produção avícola. “As pesquisas em avicultura de postura buscam promover mudanças nas práticas de manejo de alojamento, melhorar o bem-estar das poedeiras e seus desempenhos produtivos e econômicos, promover a qualidade dos ovos nas diferentes linhagens comerciais, com expectativa de que os resultados forneçam assessoria segura e relevante aos produtores”, ressalta o pesquisador.

Evandro enfatiza que a produção de ovos é um importante segmento no setor agropecuário. Essa atividade econômica é regrada pela Constituição Federal de 1988, que tem por maior objetivo atuar na erradicação da fome no país, adequando-se à estrutura agrária, conforme parâmetro constitucional disposto no artigo 3º da Carta Magna.

Já a Unidade de Apoio que envolve o Laboratório de preparo de substrato e insumos tem por objetivo dar suporte aos trabalhos desenvolvidos em 400 canteiros de plantas forrageiras provenientes do Banco Ativo de Germoplasma (BAG-IZ) e à casa de vegetação do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Pastagens e Alimentação Animal. A nova área também será utilizada para preparo de mudas e vasos para o desenvolvimento das pesquisas e para as áreas demonstrativas e de exposições

Luciana Gerdes, diretora do Centro de Pastagens, explica que a Unidade atende à demanda científica e tecnológica das várias cadeias de produção do agronegócio, por meio de seu potencial da geração e transferência de conhecimento. “É fundamental a manutenção e adequação das estruturas para pesquisas, possibilitando a continuidade dos trabalhos científicos sempre com excelência na área”, afirma.

Com a finalidade de selecionar as plantas de maior interesse para os diversos solos e eco regiões, e principalmente realizar estudos para lançamento de novas cultivares, variedades ou híbridos superiores, no Centro de Pastagens são realizados estudos em plantas forrageiras nativas e exóticas para caracterização, identificação, biologia, produção de sementes, utilização, valor nutritivo, manejo e conservação.

Os resultados dos trabalhos serão difundidos diretamente as cadeias produtivas, seguindo padrões de sustentabilidade e segurança. Luciana ressalta, ainda, as contribuições frente às demandas vigentes para avaliação de plantas em condições controladas. “Buscaremos novas cultivares, e faremos estudos de materiais resistentes às mudanças climáticas e ao estresse de diversas fontes”, explica a pesquisadora.

Desenvolvimento tecnológico 

O IZ cumpre sua missão com o desenvolvimento tecnológico e a inovação na produção animal em três áreas estratégicas de pesquisas – Produção Sustentável de Carne, Produção Sustentável de Leite, e Sistemas Integrados de Produção Agropecuária –, que estão alinhadas aos programas estratégicos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e às políticas públicas paulistas, atendendo às demandas da sociedade e à agricultura familiar.

Desde o início de sua história, o IZ é referência nacional e internacional em produção animal e pastagens. Sendo destaque, na década de 20, como maior instituição técnico-científica em Pecuária Tropical, “gerando até hoje conhecimento e tecnologias em sistemas de produção de bovinos leiteiro, bovinos de corte, búfalos, ovinos [carneiros e ovelhas], suínos, qualidade de ovos, nutrição animal, pastagens, integração lavoura-pecuária, integração pecuária-floresta, sempre almejando a saudabilidade dos alimentos de origem animal”, ressalta Enilson Ribeiro, diretor geral do IZ.

“Todas essas tecnologias geradas pelo IZ e transferidas ao produtor rural, chegam até nós consumidores, diariamente em nossa mesa. O IZ está próximo de você no café da manhã, naquele leite quentinho e no queijo fresco, além do ovo mexido e do iogurte. No almoço ou jantar, ao comer aquele bife saboroso, um bolinho de carne, ou até um ovo estalado. Sem deixar de fora, aquele churrasquinho no fim de semana”, detalha Enilson.

Atualmente, o IZ possui cinco Centros de Pesquisa – Centro Avançado de Pesquisa e Desenvolvimento de Bovinos de Corte, unidade em Sertãozinho/SP, o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Bovinos Leiteiros, o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Genética e Biotecnologia, o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Pastagens e Alimentação Animal, e o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Zootecnia Diversificada, unidades em Nova Odessa/SP –, quatro Núcleos Regionais de Pesquisas situados em Tanquinho/Piracicaba, Registro, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto e 12 Laboratórios, sendo seis deles, Unidades Laboratoriais de Referência (ULR).

Para Enilson, o Instituto de Zootecnia destaca-se no âmbito da Secretaria por desenvolver pesquisas e tecnologias junto a cadeias produtivas do setor pecuário, que possui forte impacto econômico ao Estado de São Paulo. “O desenvolvimento das pesquisas visa gerar conhecimento e desenvolver tecnologias para uma pecuária tecnificada, ambientalmente adequada, socialmente justa e lucrativa”, enfatiza Enilson.

Centro de Pecuária Sustentável

Neste ano de 2022, outra novidade do Instituto é a criação do Centro de Pecuária Sustentável, a expectativa é que o novo centro auxilie o Estado de São Paulo a colaborar com o plano estadual de neutralidade climática. “Desenvolvendo metodologias de mensurações das emissões de GEE na pecuária tropical, pesquisas de dietas que promovam a mitigação do carbono, além de promover a inovação e difusão de novas tecnologias”, declara Enilson.

Outra área importante de projetos de pesquisas foca em Sistemas Integrados de Produção Agropecuária. Os pesquisadores buscam aumentar a produção de alimentos por área 02[animal e vegetal] e a melhoria de renda dos produtores.

Segundo Enilson, com os investimentos de 2021 foram modernizados o Laboratório de Qualidade de Ovos e o Laboratório Móvel da Qualidade do leite, possibilitando aumentar a capacidade de treinamentos de produtores e técnicos nas unidades produtoras, com cursos técnicos e práticos.

“Além disso, vale ressaltar que os laboratórios receberão certificações que permitirão o IZ trabalhar com os órgãos de defesa, para saudabilidade dos produtos pecuários”, completa Enilson.

Homenagem 

Joaquim Carlos Werner ingressou no Instituto de Zootecnia em 02 de março de 1962, como pesquisador científico, ocupou cargos administrativos [incluindo a Chefia da Seção de Nutrição de Plantas Forrageiras e Diretoria da Divisão de Nutrição Animal e Pastagens] e foi presidente do Conselho Editorial das revistas institucionais. Destacou-se pela dedicação, consciência das responsabilidades profissionais, por sua capacidade de trabalho em equipe e, principalmente, pela orientação dos pesquisadores de diversos grupos, sempre atencioso com todos, principalmente, com os iniciantes na pesquisa.

Werner é engenheiro agrônomo pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (1961), mestre em Agronomia pela Universidade de São Paulo (1971) e doutor em Manejo e Fertilidade de Pastagens pela Universidade da Flórida (1979). Exerceu o cargo de Pesquisador Científico de 1962 até 1993, quando se aposentou, porém, ainda voltou contratado durante de 1994 a 1997.

Mesmo aposentado contribuía com o IZ, trazendo seu conhecimento e reunindo-se com os pesquisadores do Centro de Pastagens e Alimentação Animal, além de ser orientador de pesquisadores mais jovens e de diversos estagiários de graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado.

Em 2005, ano do centenário do IZ, Werner recebeu o título de Servidor Emérito do Estado por meio de decreto, por exercer as funções públicas com excepcional zelo e dedicação durante 35 anos que atuou no Instituto. O título possibilitou o prosseguimento dos trabalhos de sua especialidade na Instituição.

As suas contribuições nas atividades de pesquisa foram numerosas principalmente no setor de nutrição mineral de plantas forrageiras, no manejo de gramíneas, condução de pastagens, consorciação de leguminosas e gramíneas, recuperação de pastagens degradadas.

História do IZ 

Em 15 de julho de 1905 foi criado, na Mooca, em São Paulo, o Posto Zootécnico Central, com a contribuição do Doutor Carlos Botelho, que na época ocupava o cargo de Secretário de Agricultura. Lá permaneceu até 1929 e depois se transferiu para o Parque da Água Branca (São Paulo).

Pioneiro em pesquisas zootécnicas, o IZ foi oficialmente criado no dia 19 de janeiro de 1970, passando de Departamento de Produção Animal (DPA) para a denominação Instituto de Zootecnia, órgão público da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

De 1970 a 1975, a sede permaneceu no Parque da Água Branca em São Paulo. Em 1975, foi transferido para o município de Nova Odessa (SP), atendendo aos anseios da comunidade rural local.

Fonte: Ascom IZ-Apta

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Suinocultura encontra na mão de obra estrangeira uma resposta à falta de trabalhadores

Alejandro atravessou sozinho a fronteira para trabalhar em granjas brasileiras. Hoje, a esposa cursa técnico em Enfermagem, a filha sonha com Medicina Veterinária e a família já fala em permanecer no Brasil.

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Milton Melz ao lado de Marlene Cristina Costa e Alejandro Cardoso, que deixaram a Argentina para trabalhar na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, em Iporã do Oeste (SC) - Fotos: Divulgação

Há quatro anos, quando deixou a Argentina para tentar a vida no Brasil, Alejandro Cardoso carregava mais dúvidas do que certezas. Veio sozinho, em busca de trabalho. A esposa, Marlene Cristina Costa, e as filhas Cintia e Guadalupe permaneceram no país de origem. Hoje, a família vive reunida em Iporã do Oeste, no Extremo-Oeste catarinense, trabalha na suinocultura e já cogita um passo que parecia distante quando atravessou a fronteira: vender a casa na Argentina e construir uma nova vida definitivamente em solo brasileiro.

A história da família reflete uma realidade cada vez mais presente nas propriedades rurais do Sul do país. Diante da dificuldade de contratar trabalhadores brasileiros, granjas e agroindústrias passaram a contar com um número crescente de imigrantes para manter as operações.

Marlene Cristina Costa integra atualmente a equipe do setor de amamentação da Granja Barra Grande: “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”

Na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, onde a família trabalha atualmente, seis dos 23 colaboradores são argentinos. “Se não fosse a mão de obra estrangeira, nós estávamos sem mão de obra aqui”, afirma o sócio da granja, o mestre em Administração e especialista em Agronegócio Milton Melz.

A propriedade possui uma Unidade Produtora de Desmamados (UPD) com duas mil matrizes e um crechário para nove mil leitões. Melz também é sócio da Granja Bom Plano, em Vista Gaúcha (RS), igualmente integrada à Cooper A1, que opera outra UPD com duas mil matrizes e mantém 19 funcionários.

Segundo ele, a presença de trabalhadores argentinos deixou de ser exceção e se tornou parte da rotina produtiva da região. “Essa é uma realidade não só da nossa granja. A maioria das granjas do Oeste catarinense está usando mão de obra argentina, principalmente”, ressalta.

Recomeço em outro país

Antes de chegar ao Brasil, Alejandro nunca havia trabalhado na suinocultura. Na Argentina, atuou em serralheria e em atividades rurais. Marlene trabalhou durante anos com venda de passagens e como secretária.

O primeiro contato com a atividade ocorreu já em território brasileiro, quando o casal começou a trabalhar em outra granja. Há quase um ano, ambos ingressaram na Granja Barra Grande. Hoje, Alejandro atua como tratador de animais. Marlene trabalha no setor de amamentação.

Alejandro Cardoso trabalha como tratador na Granja Barra Grande: “A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”

A mudança foi motivada pela busca de condições econômicas mais favoráveis. Embora possuam casa própria na Argentina, o casal afirma que o alto custo de vida dificultava a construção de uma vida mais confortável. “Estamos muito felizes no Brasil. Eu vejo meus pais felizes, conseguem pagar as contas e ainda sobra dinheiro. Estamos vivendo melhor aqui”, relata a filha mais velha, Cintia, de 16 anos.

A adaptação, porém, não ocorreu sem obstáculos. Apesar de o casal já utilizar o chamado ‘portunhol’ no cotidiano, o idioma representou uma barreira importante para as filhas. A dificuldade foi tão significativa que as duas retornaram temporariamente para a Argentina e permaneceram cerca de um ano no país enquanto os pais continuavam trabalhando no Brasil. “Na Argentina a gente falava portunhol, então não tivemos problemas em nos comunicar aqui. A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”, conta Alejandro.

Escola, trabalho e novas oportunidades

Com a família completa no Brasil, a rotina começou a se estabilizar. Cintia atualmente cursa o segundo ano do Ensino Médio em escola pública. A irmã Guadalupe, de oito anos, também está matriculada na rede de ensino.

A adolescente diz perceber diferenças significativas entre os sistemas educacionais dos dois países. “Eu vejo muita diferença nos estudos. Os professores têm paciência para nos entender e para explicar os mais diversas assuntos. Na Argentina é muito difícil que um professor explique bem, porque lá os professores faltam muito na escola. Às vezes ficam uma semana inteira sem dar aula”, relata.

Além do trabalho na suinocultura, a família argentina encontrou espaço para o lazer e faz das viagens uma forma de conhecer melhor a região onde decidiu construir uma nova vida

Ela também destaca aspectos práticos da rotina escolar. “Lá na Argentina tem que pagar o transporte e o lanche na escola. Aqui no Brasil é ofertado de forma gratuita”, conta, entusiasmada.

Animada com a nova fase, Cintia já traçou objetivos para o futuro. “Quero continuar estudando e fazer faculdade de Medicina Veterinária”, destacou.

A busca por qualificação também faz parte dos planos da mãe. “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”, menciona Marlene, contando que iniciou um curso técnico em Enfermagem e pretende continuar os estudos após a conclusão da formação. “Na Argentina eu já tinha feito curso de agente de saúde. Depois de concluir este curso, quero fazer faculdade de Enfermagem. Meu objetivo é seguir neste ramo”, enfatizou.

Reconhecimento e qualidade de vida

Na avaliação da família, a experiência na Granja Barra Grande trouxe mais do que estabilidade financeira. Eles destacam reconhecimento profissional, respeito nas relações de trabalho e melhores condições para planejar o futuro.

A jornada ocorre das 07 às 11 horas e das 13 às 17 horas. “É um horário bom de trabalhar. Sempre dá para a gente sair e conhecer lugares novos. Gostamos muito disso”, relata Alejandro.

O trabalhador lembra que uma das primeiras conquistas veio poucos meses após chegar ao Brasil. “Com três meses trabalhando aqui já consegui comprar um carro. Era simples, mas nos levava para todos os lugares”, relembra, contando que tinha um Gol e agora conseguiu trocá-lo por um Siena.

Além do salário, o casal recebe benefícios como vale-alimentação, almoço na granja, auxílio para combustível e participação a cada três meses nos resultados da atividade. “À medida que o resultado melhora, eles também ganham mais”, frisa Melz.

Integração além da porteira

Para Melz, a contratação de estrangeiros exige muito mais do que oferecer uma vaga de trabalho. “A gente tem que ter uma acomodação para eles, uma casa digna, inserir na sociedade”, pontua, ressaltando que a integração precisa envolver também o poder público e a comunidade local. “Estamos conversando com o governo municipal de Iporã do Oeste para estruturar uma formação para esses estrangeiros, até por uma questão de inserção social, tanto para quem é do município quanto para quem chega”, frisa.

Melz acredita que o acolhimento é um dos fatores que explicam a permanência de muitos trabalhadores. “São funcionários dedicados. Eles passaram muitas dificuldades. Hoje têm uma qualidade de vida melhor aqui no Brasil e uma educação melhor para os filhos”, salienta.

O incentivo à formação profissional também faz parte da estratégia adotada na propriedade. “Nós estimulamos todos a estudar. Temos colaboradores cursando Administração e Ciências Contábeis”, diz.

Planos para ficar

Mesmo sentindo saudades dos familiares que permaneceram na Argentina, Alejandro e Marlene enxergam o futuro cada vez mais próximo do Brasil. A principal preocupação ainda envolve a casa que possuem no país de origem. “Foi difícil conseguir comprar aquela casa. A economia está complicada e ela não está alugada”, relata Alejandro.

Por isso, a família já discute uma mudança definitiva. “Estamos gostando muito daqui. Estamos pensando em vender nossa casa na Argentina e comprar nossa casa própria no Brasil”, adianta Alejandro.

Para Melz, histórias como essa ajudam a explicar por que os trabalhadores estrangeiros passaram a ocupar papel relevante na sustentação das granjas da região. “É uma família com caráter, não são aventureiros. São pessoas que vestem a camisa e cumprem horário”, ressalta.

A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.

Fonte: O Presente Rural
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Fundesa-RS fecha semestre com R$ 196,3 milhões em caixa e amplia investimentos em sanidade animal

Fundo aprovou as contas do primeiro semestre, destinou recursos para rastreabilidade bovina e indenizou produtores por abates sanitários.

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Foto: Divulgação

O Conselho Deliberativo do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do RS aprovou, em assembleia realizada na última quarta-feira (15), a prestação de contas do primeiro semestre do ano. O balancete consolidado indica receitas de quase R$ 21 milhões e o saldo disponível de R$ 196.3 milhões. As saídas, que correspondem ao pagamento de indenizações e investimentos em infraestrutura, capacitação, equipamentos e insumos, foram de  R$ 6,38 milhões.

Só as indenizações referentes à pecuária leiteira totalizaram R$ 1,9 milhão nos primeiros seis meses do ano. O maior valor foi registrado no segundo trimestre, com R$ 1,34 milhão.  O pagamento de indenizações é referente ao abate sanitário de bovinos em atendimento ao Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose.

Também foram homologadas liberações de recursos para aquisição de equipamentos de identificação eletrônica (brincos e bastão de leitura), que integram o Projeto Piloto de rastreabilidade bovina no estado. O valor aportado foi de R$ 86 mil.

Desafios para o segundo semestre

Durante a assembleia, os conselheiros debateram sobre os impactos da medida da União Europeia para o setor de proteína animal do estado. O presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos, José Roberto Goulart, pontuou que os compradores europeus estão correndo para comprar toda a carne bovina brasileira antes do prazo se esgotar em 3 de setembro.

O presidente da Associação Gaúcha de Avicultura, José Eduardo dos Santos, destacou o investimento de R$ 183 mil  do Fundesa para o evento Conbrasfran, que será realizado em novembro em Gramado. Segundo Santos, será uma oportunidade para debater esse e outros temas importantes para a avicultura que vem enfrentando muitos desafios nos últimos anos.

Os conselheiros trataram ainda sobre a programação do setor durante a Expointer, que erá como base a Casa do Fundesa.

Fonte: Assessoria Fundesa-RS
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Tecnologia acelera análise genética e desenvolvimento de novas cultivares de trigo

Plataforma reduz de dias para cerca de 12 horas o preparo de amostras de DNA e amplia a identificação de genes ligados à produtividade e à resistência a doenças.

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Foto: Paulo Kurtz

Uma nova plataforma de genotipagem automatiza o preparo de amostras de DNA na Embrapa Trigo (RS) e amplia a capacidade de análise genética da cultura do trigo. A tecnologia reduz de dias para cerca de 12 horas o tempo necessário para essa etapa, reduzindo os custos da pesquisa e acelerando a identificação de marcadores genéticos ligados à produtividade e à resistência a doenças.

Esse avanço foi possível graças à evolução do processo de genotipagem, técnica que permite identificar variações no DNA de um indivíduo. “Em duas décadas, o protocolo foi modernizado, com a substituição das análises manuais em gel por sistemas de eletroforese, que usam campo elétrico para separar moléculas e, mais recentemente, pelo sequenciamento, que permite a genotipagem em larga escala e com alta precisão”, conta o laboratorista Jordalan Muniz.

O sequenciamento de segunda geração foi incorporado à rotina do Laboratório de Biotecnologia da Embrapa Trigo com a chegada de dois novos equipamentos: o ION Chef, responsável pelo preparo das amostras, e o ION GeneStudio S5 Plus, que realiza o sequenciamento. “Podemos dizer que o trabalho de um ano agora pode ser realizado em apenas uma semana. É um ganho de eficiência que reduz custos e acelera a obtenção de dados moleculares em apoio ao programa de melhoramento genético do trigo na Embrapa”, explica o pesquisador Luciano Consoli.

Potencial de uso da plataforma

O genoma do trigo é 5 vezes maior do que o genoma humano. Com o sequenciamento do genoma dessa espécie em 2018, a partir de um consórcio internacional de instituições de pesquisa, foi possível avançar em novas ferramentas de apoio ao trabalho da biotecnologia.

Atualmente, a equipe de Genética Molecular da Embrapa Trigo dispõe de informações de 5 mil marcadores moleculares para o trigo e de 3.500 marcadores para cevada compatíveis com essa plataforma. Segundo a laboratorista Tatiane Crespi, a identificação de marcadores moleculares, associados a genes de interesse, contribui para a seleção de linhagens com características agronômicas desejáveis.

Esse conhecimento resultou no desenvolvimento de um painel de marcadores para serem utilizados na cultura do trigo. Com o uso da plataforma de sequenciamento de segunda geração, é possível fazer a análise simultânea de 384 amostras com 202 marcadores, gerando aproximadamente 80 mil data points.

Além disso, a plataforma de genotipagem possibilita avaliar regiões específicas nas sequências de DNA. “O primeiro resultado do uso dessa tecnologia para a geração de dados moleculares de genotipagem é o aumento da eficiência do processo de geração de novas cultivares e na identificação de alelos ou partes de genes de interesse para os programas de melhoramento. Se antes tínhamos uma representação cartográfica, agora temos algo mais detalhado, com ruas e placas de sinalização”, afirma Consoli.

Avanços para o melhoramento genético

As cultivares ou linhagens de trigo analisadas, que possuem os marcadores moleculares de interesse, poderão ser utilizadas nos blocos de cruzamentos dos programas de melhoramento. No caso do trigo, essas análises já vêm sendo conduzidas, como no trabalho para ampliar a base da resistência genética às doenças, a exemplo da brusone, uma das frentes de trabalho consolidadas com o uso de análises moleculares e seleção assistida na Embrapa Trigo:

“Identificada, numa determinada cultivar, a presença de um marcador molecular associado à resistência, como por exemplo à brusone, suas plantas podem ser incorporadas ao programa de melhoramento para a realização de cruzamentos”, pontua a pesquisadora Gisele Torres. Porém, ela lembra que, no decorrer das avaliações a campo, é fundamental analisar a reação das plantas em condições de exposição ao fungo causador da doença:

Foto: Cleverson Beje

“A simples presença de um determinado marcador, mesmo quando fragmentos do DNA são conhecidos por conferirem resistência, não é suficiente para que as plantas que o possuem sejam resistentes. O trabalho da biotecnologia é complementar ao trabalho do melhoramento. Assim, para verificar a efetividade de um determinado marcador molecular, é essencial que os melhoristas avaliem a reação das plantas frente ao patógeno a campo”, complementa Torres.

Outras potencialidades de uso prático da plataforma de sequenciamento de segunda geração estão sendo exploradas pela equipe. Em solos, por exemplo, é possível fazer a extração do DNA de uma amostra para identificar os microrganismos que podem beneficiar o cultivo do trigo numa determinada região. Em outras palavras, identifica-se um perfil molecular daquele solo, o qual será, então, correlacionado com fatores de produção.

No desafio de desenvolver trigos para celíacos, é possível caracterizar marcadores moleculares associados a genes codificadores de proteínas relacionadas à resposta imunológica ao glúten. Os pesquisadores pretendem, ainda, explorar outras possibilidades de análises em expressão gênica por RNAseq, em sequenciamento de pequenos genomas (microrganismos), entre outras.

Consoli destaca o entusiasmo com o potencial de uso da ferramenta: “Antigamente utilizávamos uma lupa, passávamos para o microscópio e evoluímos para ver o que está dentro das plantas. Agora, conseguimos identificar todo tipo de variação presente nos fragmentos de DNA da planta que estão associados à defesa e ao uso de recursos do ambiente”.

Fonte: Assessoria Embrapa Trigo
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