Conectado com

Suínos

Inseminação artificial completa 50 anos revolucionando a suinocultura no Brasil

Técnica pioneira aumentou produtividade, aprimorou a genética e consolidou o país como referência global na produção de suínos.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

A inseminação artificial em suínos, hoje consolidada como uma das ferramentas mais importantes do avanço genético e produtivo da suinocultura brasileira, começou a ser escrita há exatos 50 anos, em 1975, em Estrela (RS). Um dos protagonistas dessa história é o médico-veterinário Werner Meincke, responsável por introduzir no país a técnica que mudaria para sempre a forma de produzir suínos no Brasil.

Na época, a suinocultura nacional se espelhava no modelo europeu. “Assim como nós, a Europa possuía granjas menores, com a produção sendo realizada em ciclo completo”, recorda Meincke, que atuou como diretor da primeira Central de Inseminação Artificial em Suínos do país e presidiu a Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs) entre 1983 e 1988.

Esse intercâmbio resultava em importações frequentes de reprodutores europeus, especialmente das raças Landrace e Large White, trazidas da Suécia, Alemanha e Holanda pela Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS). “Esses animais eram multiplicados nas granjas registradas e comercializados em feiras e exposições, numa tentativa de melhorar o rebanho nacional”, menciona.

Enquanto a inseminação artificial em bovinos com sêmen congelado já era uma realidade consolidada, a técnica em suínos era praticamente inexistente. “Exceto por alguns trabalhos experimentais conduzidos pelo professor Mies Filho na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, não havia aplicação prática em escala comercial”, relata Meincke, reconhecido com o Prêmio PorkWorld em 2008 e 2010.

De acordo com o pioneiro da técnica, o contexto sanitário e econômico da época também foi decisivo. “O país vivia uma transição: a gordura suína, chamada de ‘ouro branco’, até então considerada essencial, passava a ser condenada por médicos e nutricionistas, impulsionando o consumo dos óleos vegetais. Precisávamos consolidar o suíno tipo carne, e a inseminação artificial surgiu como uma oportunidade de acelerar essa transformação. O poder de multiplicação dos descendentes é 10 vezes maior que na monta natural”, explica o médico-veterinário.

O convite para implantar a técnica no Brasil veio da Central de Inseminação de Boxtel, na Holanda, à época a maior da Europa. A ponte foi viabilizada pela ABCS e seu então presidente, Hélio Miguel de Rose, em função da estreita relação com criadores europeus. “A inspiração para trazer a inseminação artificial ao Brasil tem tudo a ver com a tecnologia que era praticada com muito sucesso na Europa naquele momento”, pontua Meincke.

Desafios e desconfianças

Médico-veterinário Werner Meincke, responsável por introduzir no país a inseminação artificial que mudaria para sempre a forma de produzir suínos no Brasil: “Cada fase da história da inseminação artificial no Brasil teve um marco decisivo, mas o que permanece constante é a visão de futuro: aplicar ciência e técnica para melhorar a produção e a vida do produtor” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

Os primeiros anos da inseminação artificial em suínos no Brasil foram marcados por desafios técnicos, logísticos e até culturais. “Tudo o que sabíamos sobre inseminação vinha da experiência com bovinos e sêmen congelado, que apresentava excelentes resultados. Em suínos, no entanto, o sêmen era apenas resfriado e tinha durabilidade limitada a 72 horas”, relembra Meincke.

Além da curta viabilidade do material, o país enfrentava a falta de infraestrutura logística. Sem uma malha ferroviária eficiente, o transporte das doses até as granjas era feito de ônibus. “Era fundamental que houvesse boa conexão entre a Central e os municípios interessados. Muitos produtores queriam aderir, mas a ausência de logística inviabilizava o acesso”, recorda.

Com o passar dos anos, o avanço tecnológico trouxe novas soluções. Hoje, diluentes modernos mantêm a duração das doses por até sete dias, e a distribuição é feita por rotas programadas que atendem simultaneamente diversos produtores. “Essa sistemática contribui muito para o sucesso da tecnologia, que alcança resultados semelhantes ou até superiores aos da monta natural, sem contar os inúmeros benefícios produtivos e sanitários”, afirma.

Primeiros resultados

Como toda inovação, os primeiros resultados apresentaram variações. “Era compreensível, diante das limitações do sêmen resfriado e das grandes diferenças entre as granjas, tanto nas instalações quanto no manejo das fêmeas”, recorda Meincke, destacando que, ainda assim, o desempenho dos leitões surpreendeu. “O que mais impressionava os produtores era a uniformidade e o vigor dos animais nascidos”.

Um episódio curioso ajudou a consolidar a confiança na técnica. “Em granjas um pouco maiores, que desmamavam cerca de 10 fêmeas por semana, era comum pedir sêmen para inseminar apenas oito, porque cerca de 20% atrasavam o cio e eram cobertas depois pelo macho. Com o tempo, percebemos que as fêmeas que antecipavam o cio eram, em média, mais férteis e os resultados com inseminação superavam os da monta natural”, relata.

A observação prática virou argumento de convencimento. “O próprio produtor se tornava um marqueteiro da inseminação”, diz Meincke, com um sorriso de quem testemunhou a transição de um método experimental para um instrumento essencial da suinocultura moderna.

Das primeiras centrais ao alcance nacional

Após a introdução da tecnologia, o desafio seguinte não era apenas técnico, mas logístico e social: como levar uma inovação pioneira aos produtores rurais de diferentes regiões? A resposta veio por meio de uma articulação entre Centrais de Inseminação Artificial, prefeituras, cooperativas e sindicatos, criando um modelo de parceria que se mostraria decisivo para a difusão da ferramenta. “Por se tratar de um programa inovador e com muitos benefícios, os municípios e entidades como cooperativas e sindicatos passaram a demonstrar grande interesse na implantação da tecnologia”, expõe Meincke.

O percursor da técnica conta que os convênios firmados detalhavam responsabilidades, entre quais a central cabia produzir e distribuir as doses, planejar a logística de transporte, enviar o sêmen em embalagens que evitassem grandes oscilações térmicas e treinar os futuros inseminadores. Já as entidades conveniadas indicavam os técnicos, organizavam reuniões de produtores, adquiram conservadoras de sêmen e centralizavam os pedidos para envio à central com antecedência. “A temperatura ideal para conservação das doses era de 16 °C, e o envio ocorria duas ou três vezes por semana. A pesquisa sobre resultados era realizada junto a produtores mais organizados, que já mantinham algum controle da produtividade de suas granjas”, menciona.

Expansão da tecnologia

O sucesso da inseminação artificial dependia diretamente da capacitação dos técnicos locais. “Sem os inseminadores treinados, não teríamos tido a expansão que tivemos nem a excelência nos resultados”, ressalta Meincke.

O treinamento compreendia uma parte teórica, abordando anatomofisiologia da fêmea, ciclo estral, comportamento durante o estro e identificação do momento ideal para inseminação. Também havia prática com úteros obtidos em frigoríficos, permitindo demonstrar cuidados com a pipeta e a fixação no colo uterino. Por fim, os candidatos acompanhavam colegas experientes por uma semana, vivenciando a rotina a campo. “Somente na Central de Inseminação Artificial de Estrela (RS) [hoje Central de Coleta e Processamento de Sêmen (CCPS)], mais de 150 técnicos foram capacitados ao longo da história, garantindo a multiplicação do conhecimento e acelerando a adoção da tecnologia”, diz, orgulhoso.

Da novidade à ferramenta estratégica

Para Meincke, a inseminação artificial deixou de ser uma prática experimental e se consolidou como uma ferramenta estratégica da suinocultura em três momentos distintos:

  1. Década de 1980 – com a ascensão da suinocultura industrial, os módulos de produção cresceram e a inseminação artificial passou a ser considerada essencial para novos sistemas produtivos.

  2. Década de 1990 – com a segregação da produção em dois e depois três sítios, a técnica passou a ser uma aliada da biossegurança e do controle sanitário.

  3. Atualidade – empresas de material genético utilizam a inseminação artificial como ferramenta de melhoramento genético, preservando a saúde dos rebanhos e reduzindo o gap genético entre granjas. “Hoje, a inseminação artificial não é apenas uma inovação; é uma estratégia central no manejo e melhoramento genético do suíno no país”, salienta o médico-veterinário.

Quatro fases de transformação

Segundo Meincke, a história da inseminação artificial em suínos no Brasil pode ser dividida em quatro grandes fases:

1ª fase – expansão regional inicial: As duas primeiras centrais, em Estrela (RS) e Concórdia (SC), atendiam diretamente produtores locais. O sucesso inicial possibilitou a extensão do programa aos estados de Rio Grande do Sul e Santa Catarina, por meio de convênios com entidades públicas e privadas.

2ª fase – cooperativas e laboratórios internos: Na década de 1990 e início dos anos 2000, cooperativas e agroindústrias privadas construíram centrais próprias. Grandes produtores, com mais de 500 matrizes, também mantinham laboratórios internos para reduzir o número de machos e melhorar a seleção genética. Com o avanço da tecnologia, esses laboratórios internos foram gradualmente desativados.

3ª fase – consolidação tecnológica: As primeiras centrais permanecem ativas, modernizando suas instalações e criando parcerias com empresas de genética, alugando espaço para machos e ampliando atendimento aos clientes. Investimentos em automação, climatização, biossegurança e bem-estar animal passaram a ser prioridade.

4ª fase – integração ao melhoramento genético estratégico: A fase atual envolve o uso da IA como ferramenta de programas de melhoramento, visando acelerar ganhos genéticos em granjas elite e reduzir o gap nas unidades de clientes, consolidando saúde, produtividade e eficiência na cadeia suinícola.

Ao longo de cinco décadas, a inseminação artificial passou de um experimento pioneiro para um recurso estratégico capaz de transformar a suinocultura brasileira. A combinação de capacitação técnica, parcerias estratégicas e avanços tecnológicos permitiu que os ganhos de produtividade fossem replicados em larga escala, criando padrões de eficiência, sanidade e qualidade genética que hoje posicionam o Brasil como referência global na produção de suínos. “Cada fase da história da inseminação artificial no Brasil teve um marco decisivo, mas o que permanece constante é a visão de futuro: aplicar ciência e técnica para melhorar a produção e a vida do produtor”, salienta Meincke.

Consolidação da técnica

Ao longo das últimas cinco décadas, a inseminação artificial em suínos evoluiu de uma prática experimental para uma ferramenta estratégica que sustenta a competitividade da suinocultura brasileira. Nesse processo, o papel das cooperativas e das empresas integradoras foi fundamental. “A participação desses segmentos foi de suma importância para expandir e dar credibilidade à tecnologia”, destaca Meincke.

De acordo com ele, cooperativas e integradoras concentram atualmente cerca de 80% dos suinocultores que utilizam machos altamente eficientes, impactando positivamente toda a cadeia produtiva. “Essa grande concentração de produtores eficientes reduz os custos de produção e torna a suinocultura brasileira altamente competitiva no mercado mundial, sustentando grande parte do crescimento linear das exportações nos últimos anos”, explica.

Ganhos em produtividade e genética

Um dos principais benefícios da inseminação artificial é o incremento da produtividade. “O uso de machos altamente selecionados, superiores em características econômicas como ganho de peso diário, conversão alimentar e qualidade de carcaça, gera impacto direto na eficiência das granjas”, afirma o veterinário.

As Unidades de Disseminação de Genes (UDGs) utilizam apenas animais de alta performance, garantindo que os benefícios econômicos e genéticos sejam replicados por toda a cadeia produtiva. “É sem dúvida uma das razões pelas quais nossa suinocultura se destaca mundialmente, especialmente pela eficiência de crescimento”, acrescenta Meincke.

Sanidade como prioridade estratégica

A combinação de genética superior, controle rigoroso de sanidade e a ampla adoção da técnica por cooperativas e integradoras fortaleceu toda a cadeia produtiva da suinocultura brasileira. Como resultado, o país conquistou uma produção mais eficiente, econômica e capaz de competir globalmente tanto em qualidade quanto em produtividade. “Além da alta produtividade, a inseminação artificial contribui de forma decisiva para a saúde animal. A possibilidade de transmissão de agentes patogênicos via sêmen é extremamente remota, graças ao rigoroso monitoramento sanitário realizado nas UDGs, junto aos doadores e durante todo o processo de industrialização do sêmen”, expõe Meincke.

O resultado prático é evidente: granjas que utilizam exclusivamente a inseminação artificial há mais de 20 anos mantêm o status sanitário, mesmo com alta rotatividade de matrizes. “A inseminação artificial, quando bem conduzida, constitui uma ferramenta estratégica para manter as granjas geneticamente abertas e sanitariamente fechadas”, frisa.

Desafios persistem

Ao completar meio século, a inseminação artificial em suínos no Brasil é uma prática consolidada, reconhecida por sua capacidade de acelerar o melhoramento genético, aumentar a produtividade e proteger a sanidade das granjas. No entanto, a entrega das doses de sêmen segue sendo um ponto crítico. “Com a precariedade da infraestrutura, especialmente a inexistência de malhas ferroviárias eficientes e limitações na área de comunicação, a solução encontrada foi a entrega em domicílio das doses, realizada pelas próprias UDGs ou por empresas terceirizadas especializadas em transporte de material biológico”, ressalta Meincke.

Essa sistemática garante rastreamento completo, manutenção da temperatura adequada e acondicionamento seguro das doses, além de agilidade na entrega. Contudo, o desafio permanece em adequar o custo final de cada dose até chegar às mãos do produtor, sem comprometer a viabilidade econômica da operação.

Outro ponto crítico é o alto investimento necessário para a construção e manutenção de UDGs bem equipadas, com instalações modernas e elevada biossegurança. “Somado a isso a necessidade de um rigoroso e permanente controle de qualidade das doses inseminastes, para garantir que a produtividade esperada pelos produtores seja alcançada”, salienta Meincke.

O manejo adequado das fêmeas e o correto diagnóstico do cio dependem de treinamentos constantes das equipes de inseminadores. “Como as UDGs normalmente ficam em áreas isoladas, atrair e manter profissionais qualificados também é um desafio que precisa ser bem planejado”, complementa.

Evolução contínua

Meincke exalta que o investimento contínuo em tecnologia, capacitação e biossegurança vai permitir que a prática continue a impulsionar a produtividade e a competitividade da suinocultura nacional. “Se há 50 anos a inovação exigiu coragem e persistência, hoje ela demanda atualização constante, adaptação às novas demandas do mercado e à evolução tecnológica. O objetivo continua o mesmo: produzir suínos de alta qualidade, de forma eficiente e segura, mantendo o Brasil na vanguarda mundial da suinocultura”, evidencia Meincke.

Cinco décadas depois, a inseminação artificial está presente em praticamente todas as granjas tecnificadas do país, desempenhando papel decisivo na disseminação de genética superior, no controle sanitário e na eficiência reprodutiva. O legado de Werner Meincke não está apenas na introdução de uma técnica, mas na visão de futuro que ajudou a moldar a suinocultura brasileira. “A inseminação artificial não foi apenas uma inovação técnica, foi uma mudança de mentalidade. E, como toda mudança profunda, exigiu coragem, persistência e fé na ciência”, enfatizou.

Com distribuição nacional nas principais regiões produtoras do agro brasileiro, O Presente Rural – Suinocultura também está disponível em formato digital. O conteúdo completo pode ser acessado gratuitamente em PDF, na aba Edições Impressas do site.

Fonte: O Presente Rural

Suínos

APCS celebra 59 anos destacando força da suinocultura paulista

Entidade reforça atuação na comercialização e compra de insumos, movimentando milhões de reais e fortalecendo a competitividade dos produtores.

Publicado em

em

Foto: Divulgação

A Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS) chega aos seus 59 anos de fundação reafirmando seu compromisso com o desenvolvimento da suinocultura paulista e com a geração de resultados concretos para seus associados.

Por meio de seus principais braços de gestão associativista, a Bolsa de Comercialização de Suínos do Estado de São Paulo “Mezo Wolters” e o Consórcio Suíno Paulista “Vanderlei Bressiani”, a entidade vem demonstrando eficiência, transparência e profissionalismo nas operações que realiza.

Na área de comercialização, a Bolsa de Suínos movimenta semanalmente cerca de 29.000 suínos, com peso médio de 116 kg e preço médio registrado na última bolsa de R$ 7,09/kg. Considerando uma média de 4,2 semanas por mês, o volume financeiro envolvido na formação de preços pode alcançar aproximadamente R$ 100.173.192,00 mensais, demonstrando a relevância da Bolsa para o mercado paulista.

Valdomiro Ferreira Júnior, presidente na Associação Paulista de Criadores de Suínos

Já no Consórcio Suíno Paulista, apenas na compra de aminoácidos, realizada por meio de licitação e analisada pela comissão responsável, foi adquirido para entrega no mês de abril um volume de R$ 3.512.681,54.

Ainda ao longo do mês, serão incorporadas novas aquisições, incluindo farelo de soja, macros, antibióticos, injetáveis, material de inseminação e produtos de limpeza, ampliando significativamente o volume negociado.

Somente nos dois primeiros meses do ano, o Consórcio já registrou compras próximas de R$ 47.843.000,00, números que refletem o alto nível tecnológico e produtivo das granjas paulistas, sempre em busca de insumos de qualidade para a melhor nutrição e desempenho dos suínos.

Todo esse trabalho reforça o compromisso da gestão da Bolsa de Comercialização e do Consórcio Suíno Paulista com os princípios de transparência, organização e profissionalismo, fundamentais para o fortalecimento do setor.

Por isso, o Presidente das instituições, Ferreira Júnior, convida todos os associados para, no próximo dia 27 de março, após o evento ETC/TOPIGS, nas dependências do Hotel Premium, em Campinas, participarem do almoço de confraternização que marcará a comemoração dos 59 anos da APCS.

Fonte: APCS/ BCSSP/CSP
Continue Lendo

Suínos

Suinocultura inicia ciclo de maior estabilidade em 2026, aponta ABCS

Desempenho contrasta com o ambiente de incertezas no cenário internacional, em que se acumulam notícias desfavoráveis ao comércio de proteínas animais.

Publicado em

em

Fotos: Shutterstock

O ano começou com relativa estabilidade na suinocultura brasileira, especialmente no mercado doméstico. O desempenho contrasta com o ambiente de incertezas no cenário internacional, em que se acumulam notícias desfavoráveis ao comércio de proteínas animais, como a taxação da carne bovina brasileira pela China, a imposição de cotas à carne suína nacional pelo México, além do avanço da Peste Suína Africana (PSA) na Espanha e das tensões geopolíticas que seguem pressionando a economia global.

No Brasil, entretanto, o setor apresenta sinais de maior equilíbrio entre oferta e demanda. De acordo com, a atividade começou 2026 com bases mais equilibradas entre oferta e demanda, o que tende a reduzir oscilações bruscas de preços ao longo do ano, desde que não ocorram problemas sanitários ou econômicos.

No Brasil, entretanto, a atividade iniciou 2026 em um ambiente de maior equilíbrio, após um ano de ajustes graduais entre oferta e demanda. Diferentemente de 2025, marcado por oscilações mais intensas e um cenário internacional mais volátil, o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes, destaca que o setor começou o ano com perspectivas de crescimento moderado e bases mais sustentáveis.

Segundo projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nas quais a entidade se baseia, o abate deve alcançar cerca de 62,7 milhões de animais em 2026, avanço de 4% em relação a 2025. A produção também deve crescer, chegando a aproximadamente 5,87 milhões de toneladas, ritmo mais contido que o observado no ano anterior, refletindo uma estratégia de expansão mais alinhada à capacidade de absorção do mercado.

O mercado interno segue como pilar central da atividade. Após superar 20 quilos de carne suína consumidos por habitante em 2025, a expectativa é de novo avanço em 2026, com o consumo podendo atingir 21 quilos per capita, sustentado por preços mais competitivos em relação a outras proteínas e maior presença do produto na dieta do brasileiro.

A maior disponibilidade interna, estimada em 4,50 milhões de toneladas neste ano, deve contribuir para a manutenção de preços mais estáveis ao produtor, reduzindo o risco de movimentos bruscos ao longo de 2026.

No comércio exterior, após forte expansão em 2025, com o Brasil superando o Canadá e assumindo a terceira posição entre os maiores exportadores mundiais de carne suína, atrás apenas dos Estados Unidos e da União Europeia, a tendência para 2026 é de crescimento mais moderado, em torno de 3%, com embarques projetados em 1,36 milhão de toneladas, sustentado por uma demanda internacional mais firme e pela perda de competitividade da União Europeia, que enfrenta custos crescentes, redução de capacidade produtiva e entraves regulatórios.

O presidente da ABCS explica que o cenário de carnes precisa ser observado de forma integrada. “Enquanto a oferta de carne suína tende a crescer, a bovinocultura deve passar por uma virada de ciclo, com redução no abate e possível aumento das cotações do boi gordo. Esse movimento pode sustentar o preço do suíno em 2026”, analisa.

Crédito caro, logística e sanidade no radar

Presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes: “É fundamental que o produtor aproveite as sobras financeiras para aperfeiçoar processos, elevar produtividade e reforçar atributos de qualidade exigidos pelos mercados consumidores” – Foto: Divulgação/ABCS

Apesar do cenário relativamente equilibrado, os desafios permanecem. Para Lopes, o principal gargalo hoje é o acesso ao crédito. “Com juros muito elevados e valores limitados, o produtor encontra extrema dificuldade de expandir ou melhorar sua estrutura”, afirma.

Outro desafio é a concentração da produção no Sul e a oferta de grãos no Centro-Oeste, o que encarece o transporte, enquanto a malha ferroviária segue mais voltada às exportações do que ao abastecimento interno. “Há ainda o crescimento das usinas de etanol de milho, que concorrem com vantagens logísticas pelo cereal”, observa.

No campo sanitário, a preocupação é cada vez maior diante do avanço da Peste Suína Africana na Europa. De acordo com Lopes, a biosseguridade passou a ocupar papel central nas estratégias de produção, como forma de preservar o status sanitário brasileiro e evitar impactos que poderiam comprometer tanto o mercado interno quanto as exportações.

Em meio a um ambiente internacional instável, a suinocultura brasileira entrou em 2026 apoiada no consumo doméstico, em uma produção mais ajustada e em exportações diversificadas. O desafio, segundo Lopes, será manter esse equilíbrio diante de crédito restrito, custos logísticos elevados e riscos sanitários crescentes.

Exigências internacionais pressionam investimentos

Com mercados cada vez mais atentos à rastreabilidade, sustentabilidade e bem-estar animal, o setor deve intensificar ajustes em 2026. A avaliação de Lopes é de que a suinocultura brasileira avance, mas de forma heterogênea. “Há sistemas de produção e empresas bastante avançadas na rastreabilidade e certificação, mas também existem outras com carências nestes quesitos”, salienta.

Ainda assim, o dirigente reforça que o progresso é contínuo. “Toda suinocultura brasileira tem evoluído muito nos últimos anos, incorporando vários conceitos relativos a bem-estar animal, sustentabilidade e economia circular, numa maior ou menor velocidade conforme o mercado que acessam ou nível de tecnificação e capacidade de investimento de cada um”, menciona.

Projeções para 2026

Ao projetar o desempenho da suinocultura para 2026, Lopes reforça que o momento é positivo, mas exige prudência. Ele observa que o setor entrou em trajetória sustentável de recuperação ao longo de 2025, mas adverte para o risco de excessos. “Precisamos estar atentos para que o aumento demasiado da produção não provoque um descompasso entre oferta e procura, o que poderia gerar uma nova crise”, adverte.

Apesar da melhora da rentabilidade em todas as regiões produtoras, Lopes destaca que o setor deve evitar movimentos de expansão acelerada e priorizar investimentos estruturais. “É fundamental que o produtor aproveite as sobras financeiras para aperfeiçoar processos, elevar produtividade e reforçar atributos de qualidade exigidos pelos mercados consumidores”, recomenda.

As oportunidades para 2026 seguem concentradas em três eixos: abertura ou ampliação de mercados, diversificação de produtos e agregação de valor. Apesar da grande diversificação de mercados, Lopes ressalta que o Brasil tem muito potencial para atender novas demandas específicas, especialmente cortes premium, produtos processados e itens com atributos de sustentabilidade e rastreabilidade. “O consumo doméstico também pode agregar ganhos, ainda que o crescimento seja gradual. A continuidade da recomposição da renda das famílias e a competitividade relativa da carne suína frente à bovina tendem a favorecer esse movimento”, estima Lopes.

Custos de produção

A evolução dos custos de produção, especialmente milho e farelo de soja, ainda é incerta. As primeiras indicações apontam para uma colheita de milho menor na safra 2025/26, influenciada pelo La Niña e pela descapitalização de agricultores após um ciclo de margens comprimidas. Além disso, o avanço acelerado das usinas de etanol de milho amplia a competição pelo cereal no mercado interno.

Foto: Jaelson Lucas/AEN

Segundo Lopes, esse conjunto de fatores pode pressionar os preços dos insumos ao longo de 2026. “O suinocultor deve acompanhar de perto a evolução da safra brasileira e buscar o melhor momento para antecipar a compra dos insumos”, orienta.

A competitividade internacional ampliada, os ganhos de eficiência e a crescente profissionalização são fatores que fortalecem o país, mas não eliminam riscos. “Temos um setor tecnificado, competitivo e com enorme potencial de expansão, mas precisamos agir com responsabilidade para que o ciclo positivo se mantenha. Crescimento sustentável é aquele que respeita a lógica de mercado e garante longevidade para toda a cadeia”, exalta Lopes.

Á edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Suínos

ABCS participa do lançamento da Agenda Legislativa do Agro 2026

Evento realizado pela CNA em Brasília foi marcado com a presença do presidente da Bancada Ruralista, deputado Pedro Lupion, Senadora Tereza Cristina e outros parlamentares.

Publicado em

em

Foto: Divulgação/ABCS

O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes e a equipe governamental da entidade participaram na última quarta-feira (11), em Brasília, do lançamento da Agenda Legislativa do Agro 2026, iniciativa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O evento foi realizado em sessão solene no plenário da Câmara dos Deputados e reuniu lideranças do setor produtivo e parlamentares.

Para o presidente da ABCS, a participação da suinocultura nesse debate é fundamental para garantir que as demandas do setor estejam contempladas nas discussões do Congresso Nacional.  “A Agenda Legislativa do Agro é um instrumento importante de diálogo com o Parlamento. A presença da suinocultura nesse espaço reforça o compromisso do setor em contribuir para políticas públicas que garantam segurança jurídica, competitividade e condições para que o produtor continue investindo e produzindo no Brasil”, destacou Marcelo Lopes.

Agenda Legislativa do Agro 2026

Presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes: “A presença da suinocultura nesse espaço reforça o compromisso do setor em contribuir para políticas públicas que garantam segurança jurídica, competitividade e condições para que o produtor continue investindo e produzindo no Brasil” – Foto: Divulgação/ABCS

A Agenda Legislativa do Agro reúne a análise de 100 proposições que tramitam no Congresso Nacional e que impactam diretamente a atividade agropecuária no país. O documento é resultado do acompanhamento de mais de 8,7 mil propostas legislativas monitoradas pela Assessoria de Relações Institucionais da CNA.

Dividida em dois grandes eixos: Segurança Jurídica e Estabilidade do Ambiente de Negócios e Sustentação da Competitividade e Participação no Mercado Internacional. A agenda aborda temas estratégicos como direito de propriedade, relações trabalhistas, tributação, política agrícola, meio ambiente, infraestrutura, logística e inovação.

A iniciativa busca orientar o debate legislativo no Congresso Nacional e contribuir para a construção de políticas públicas que fortaleçam o desenvolvimento do agro brasileiro.

Para a gerente de relações governamentais da ABCS, Ana Paula Cenci, o documento funciona como um importante direcionador das prioridades do setor. “A Agenda Legislativa norteia as pautas macro do agro no Congresso. Em um ano eleitoral, esse alinhamento se torna ainda mais estratégico para garantir que temas essenciais ao setor permaneçam no centro do debate político”, destacou.

Fonte: Assessoria ABCS
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.