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Inscrições de animais para 89ª ExpoZebu estão esgotadas
Faltando dois meses para maior feira mundial de raças zebuínas, ExpoZebu atinge capacidade máxima de animais, comprovando força e tradição.

A 89ª edição da maior feira de raças zebuínas do mundo já demonstra sucesso, com o alto número de inscrições de animais confirmadas. Faltando dois meses para a realização da ExpoZebu, as 2.480 vagas disponíveis para animais no Parque Fernando Costa, em Uberaba (MG), já estão preenchidas.
“Vale lembrar que diante da alta procura, reabrimos o Pavilhão Multiuso para acomodar animais durante a ExpoZebu, algo que não acontecia há mais de 10 anos. São 460 argolas a mais, ampliando a capacidade do Parque Fernando Costa. Ainda assim, já atingimos a lotação máxima dos espaços”, destaca o gerente de Exposições da ABCZ, Rodrigo Abdanur.
“É importante ressaltar que a inscrição somente é validada após o pagamento da taxa, e que o número de inscrições pagas não está necessariamente vinculado ao número de argolas – a colocação de mais de um animal por argola fica a critério da ABCZ, conforme a necessidade”, completa Abdanur.
Os criadores que ainda não fizeram o pagamento, devem solicitar a emissão de boleto, exclusivamente, através do e-mail [email protected]
Escolha de jurados
No ato das inscrições, os criadores devem participar do processo de escolha dos jurados para os trabalhos de julgamento da 89ª ExpoZebu. Para as raças Gir Dupla Aptidão, Gir Leiteiro, Nelore, Nelore Mocho, Nelore Pelagens, Sindi e Tabapuã, os julgamentos serão realizados por um jurado titular e um assistente, ambos efetivos e pertencentes ao CJRZ. Os jurados titulares serão definidos a partir das indicações dos expositores.
Nestes casos, o expositor indicará três jurados, escolhidos em lista oficial disponibilizada pela organização do evento. A definição será feita por sorteio, no dia 2 de abril, entre os três jurados mais indicados pelos expositores, seguindo o ordenamento das raças de forma decrescente em função do número de animais inscritos.
Para ordenamento das raças, será considerado o número de inscrições pagas até o dia 1º de abril. Se necessário, em função de não haver mais opções disponíveis nas indicações dos expositores, os jurados serão indicados para sorteio pelo CJRZ. “Só serão computadas as indicações feitas por expositores que inscreveram seus animais e cujos valores estejam devidamente quitados até 1º de abril. Criadores que já fizeram as inscrições e não indicaram jurados, ainda podem voltar na página eletrônica da ABCZ e realizar o processo”, ressalta Abdanur.
Já no caso das raças Brahman e Indubrasil, não haverá indicações. Serão convidados jurados estrangeiros, escolhidos de comum acordo entre o CJRZ e a respectiva associação promocional da raça. Para a raça Guzerá e Guzerá Leiteiro, os jurados serão definidos pelo CJRZ. Os trabalhos de julgamento dos grupos Brahman e Brahman a Campo serão realizados pelo mesmo jurado. Os jurados assistentes serão definidos pelo CJRZ.

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Brasil amplia peso no comércio global de alimentos e pode exportar mais tecnologia, aponta presidente da ABAG
País integra cadeia completa da produção animal, defende Ingo Plöger. Entidade cita potencial da agricultura tropical e da Embrapa para expansão em países da África e outros mercados.

Em meio a tensões geopolíticas, aumento de barreiras comerciais e preocupações com segurança alimentar, o Brasil mantém posição relevante no comércio internacional de alimentos e proteínas e vê espaço para ampliar sua participação com base em competitividade e tecnologia. A avaliação é de Ingo Plöger, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG).

Ingo Plöger, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG): “O milho é um exemplo claro de como podemos produzir energia renovável, proteína animal e alimentos de maneira integrada e eficiente” – Foto: Divulgação
Segundo ele, a estrutura produtiva brasileira permite integração completa da cadeia de produção animal, o que facilita o atendimento a diferentes exigências de mercado. “Somos um dos poucos países com capacidade de integrar toda a cadeia de produção animal e atender mercados internacionais com produtos alinhados às preferências dos mais variados consumidores”, ressaltou.
De acordo com o dirigente, a expansão do agro brasileiro passa menos por aumento de volume e mais pela agregação de conhecimento. Ele cita a internacionalização da Embrapa como um vetor estratégico para levar tecnologia tropical desenvolvida no país a outras regiões. “Acredito que um dos próximos passos estratégicos do país será a internacionalização da Embrapa, levando a experiência brasileira em agricultura tropical para outras regiões do mundo. A África, pelas suas características e potencial produtivo, deve ser um dos principais destinos dessa expansão do conhecimento e da cooperação tecnológica brasileira”, destacou.
O executivo também destacou a integração entre produção de alimentos e biocombustíveis como uma característica do modelo brasileiro. No caso do milho, ele afirma que o sistema permite múltiplos usos da produção agrícola. “Temos defendido na Europa que, quanto mais combustível renovável produzimos, mais alimentos também geramos. O milho é um exemplo claro de como podemos produzir energia renovável, proteína animal e alimentos de maneira integrada e eficiente”, salientou.
Plöger relaciona ainda o desempenho do setor ao dinamismo de municípios de médio e pequeno porte, onde cadeias do agronegócio sustentam renda e atividade econômica. Segundo ele, cerca de metade da população brasileira vive em cidades com até 400 mil habitantes, muitas delas fortemente vinculadas ao agro. “O agronegócio é uma questão de Estado. Quando pensamos no Brasil dos próximos 20 ou 30 anos, é impossível dissociar o desenvolvimento econômico e social do papel desempenhado pelo agro”, afirmou.
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Qual o potencial bloqueado pela morosidade na regulamentação da Lei dos Bioinsumos?
Falta de decreto e portarias mantém em aberto regulamentação prevista na Lei de Bioinsumos de 2024 e trava decisões de investimento no setor.

A resposta à pergunta que trago no título deste artigo é: o potencial é enorme. A substituição dos agrotóxicos e fertilizantes químicos por bioinsumos, naquilo que é possível substituir, pode ser considerado o principal tema da política agrícola brasileira atual. A ampliação do uso dos bioinsumos nas lavouras brasileiras provoca impactos positivos de vários aspectos e de longo prazo.

Artigo escrito por Reginaldo Minaré, advogado, mestre em Direito e diretor-executivo da Associação Brasileira de Bioinsumos (ABBINS).
O primeiro deles é a redução da dependência de insumos químicos importados. Temos uma dependência histórica e progressiva da importação de aproximadamente 90% dos fertilizantes químicos e agrotóxicos utilizados em nossas lavouras. Ao contrário dos insumos químicos, que provocam acidificação, salinização e perda de organismos vivos benéficos, os bioinsumos não degradam o solo ao longo do tempo. Restauram a saúde do solo, preservam e aumentam a diversidade da biota, melhoram a fertilidade ao longo do tempo, a retenção de água e a resiliência às mudanças climáticas.
Além disso, os bioinsumos são mais objetivos com relação à praga-alvo, preservando polinizadores, predadores naturais e a biologia do solo, e apresentam menor toxicidade para agricultores, trabalhadores rurais, consumidores e meio ambiente.
No plano econômico, a produção de bioinsumos para uso próprio é uma poderosa ferramenta de administração e redução dos custos de produção que o agricultor possui, além de criar empregos especializados espalhados pelo Brasil. Aliás, seu uso fomenta o surgimento de pequenas e médias indústrias, inclusive com caráter regional, pois a produção perto ou no local de uso reduz o custo com transporte, promove o trabalho de bioprospecção e valoriza a nossa biodiversidade.

Foto: Divulgação/Grupo GIROAgro
No entanto, todos esses benefícios estão parcialmente bloqueados pelo fato de que nosso cenário regulatório atual para os bioinsumos é o de “estrutura normativa incompleta”. Temos uma excelente Lei de Bioinsumos que foi publicada em 2024, mas faltam ainda, um decreto regulamentador e as portarias que irão detalhar e garantir a fiel aplicação da lei vigente.
O prazo previsto na lei para publicação do decreto regulamentador se esgotou em dezembro de 2025 e, até o momento, o Ministério da Agricultura não enviou uma proposta de decreto à Casa Civil da Presidência da República para avaliar o texto e, posteriormente, colher nele a assinatura do Presidente da República.
Ter uma estrutura normativa incompleta é pior do que o cenário de ausência total de regramento, pois levanta a dúvida a respeito de como o tema será regulado e isso afugenta investimentos. A questão que se instalou no Brasil é se teremos uma regulamentação objetiva e funcional ou se receberemos um emaranhado burocrático destinado a criar reservas de mercado para um ou outro segmento.

Foto: Freepik
Enquanto a regulamentação não se apresenta, o potencial de aumento de adoção dos bioinsumos segue parcialmente bloqueado, pois muitos ficam em compasso de espera. A instalação da dúvida também prejudica o setor agrícola em um nível mais profundo, pois a insegurança provoca o fechamento da abertura intelectual para o desapego das antigas formas de pensar e fazer agricultura.
O uso de bioinsumos exige um manejo diferente do praticado com os insumos químicos, e a insegurança jurídica pode ser uma ótima justificativa para o agricultor ficar na zona de conforto cultivando o apego total aos agrotóxicos e fertilizantes químicos. Isso é péssimo, pois pode distanciar o Brasil da agricultura do século XXI, que já indica um movimento forte em direção à agricultura regenerativa, onde os bioinsumos são fundamentais.
Nós, na Associação Brasileira de Bioinsumos, trabalhamos com o cenário de que a agricultura regenerativa será a agricultura convencional do amanhã.
Notícias
Estratégia do produtor pode reduzir perdas por frio e geadas no trigo no Sul
Com El Niño em curso e maior instabilidade no inverno, fertilizantes foliares, bioestimulantes e biológicos ganham espaço em estratégias para fortalecer lavouras e preservar o potencial produtivo.

Com a chegada do inverno, produtores de trigo no Sul do Brasil voltam a enfrentar um dos principais fatores de risco da cultura: a geada. Associada à queda acentuada de temperatura, o fenômeno não afeta apenas o desenvolvimento das plantas, mas também a qualidade tecnológica dos grãos, com impacto em indicadores como peso hectolítrico e rendimento industrial.
A preocupação se intensifica em um contexto de safra estimada em 6,38 milhões de toneladas em 2026, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com redução da área cultivada para cerca de 2,14 milhões de hectares. Com margens mais estreitas e maior exposição a riscos climáticos, decisões de manejo ganham peso direto sobre a rentabilidade.

Foto: Roberto Dziura Jr/AEN
O engenheiro agrônomo e especialista em fitossanidade Gustavo Rubim avalia que a geada segue entre os principais riscos da cultura no país, especialmente pela capacidade de comprometer lavouras em estágios críticos de desenvolvimento. “A preparação para enfrentar eventos de frio intenso exige planejamento antecipado e manejo criterioso da lavoura. Mesmo em um inverno sob influência do El Niño, o produtor não deve descuidar do risco de geadas, sendo fundamental adotar estratégias de manejo bem definidas para reduzir possíveis impactos sobre o desenvolvimento e a produtividade das plantas”, afirmou.
Segundo ele, o frio extremo raramente atua de forma isolada. Excesso de umidade, maior pressão de doenças e limitações operacionais também fazem parte do cenário típico do inverno no Sul. “Por isso, manejo de solo, nutrição, sanidade, biológicos e monitoramento climático devem atuar de forma integrada. Aliados à escolha adequada da época de semeadura e de cultivares adaptadas à região, esses fatores ajudam a reduzir os riscos de que estágios críticos da cultura coincidam com períodos de maior ocorrência de geadas”, mencionou.
Os efeitos variam conforme o estágio fenológico. Na fase vegetativa, os danos tendem a ser reversíveis, com queima foliar e redução temporária do crescimento. Já no período reprodutivo – espigamento, florescimento e enchimento de grãos – o impacto pode ser mais severo, com esterilidade de espiguetas, falhas de formação e perda de produtividade e qualidade.

Foto: Divulgação
Nesse contexto, fertilizantes foliares e bioestimulantes têm sido incorporados ao manejo como ferramentas de suporte fisiológico. Nutrientes como potássio, cálcio, magnésio e micronutrientes ajudam na manutenção da estrutura celular, enquanto aminoácidos e extratos vegetais contribuem para a resposta ao estresse térmico.
Os bioestimulantes também atuam na ativação de mecanismos naturais de defesa, com aumento da atividade antioxidante e redução de danos celulares, além de acelerar processos de recuperação após eventos de frio intenso.
Rubim destaca que essas tecnologias não substituem estratégias agronômicas estruturais, como escolha de cultivar e definição da época de semeadura, mas funcionam de forma complementar no manejo de risco. “Não é possível controlar o clima, mas contribuir para que a planta esteja mais equilibrada nutricionalmente antes do evento e tenha melhores condições de recuperação”, afirmou.

Foto: Divulgação/Unesp
Os insumos biológicos também ganham espaço dentro do manejo integrado. Inoculantes e microrganismos promotores de crescimento podem contribuir para o desenvolvimento radicular, eficiência no uso de nutrientes e maior estabilidade fisiológica das plantas.
O impacto econômico das geadas depende da intensidade e do estágio da lavoura, mas pode ser significativo quando ocorre em fases reprodutivas. Por isso, o foco do manejo está na construção de sistemas mais resilientes, combinando nutrição, biológicos e monitoramento climático ao longo do ciclo.
Mesmo em anos sob influência do El Niño, quando há maior nebulosidade e redução na frequência de massas de ar polar, episódios de geada ainda ocorrem. Nesse contexto, o planejamento passa a ser determinante para reduzir perdas e preservar produtividade.
Como reduzir riscos de perdas por geada no trigo
• Planejar a semeadura conforme o zoneamento agrícola
• Evitar coincidência entre espigamento/floração e períodos de geada tardia
• Escalonar o plantio e usar cultivares de ciclos distintos
• Garantir equilíbrio nutricional e desenvolvimento radicular adequado
• Integrar biológicos ao manejo, sem uso isolado
• Monitorar a lavoura após eventos de geada
• Integrar manejo climático, nutricional e sanitário ao longo do ciclo



