Bovinos / Grãos / Máquinas
Inovar requer estratégia e perseverança, sugere pecuarista
Pecuarista diz que é importante que outros produtores não confundam inovação com utilização de tecnologia; além do mais, seguir todos os caminhos planejados é mais seguro para sucesso da atividade
Nos dias de hoje é muito difícil o pecuarista não escutar que há a necessidade de investir em novidades na fazenda para alcançar melhores resultados. Porém, quais as melhores escolhas fazer para obter estas respostas é um desafio. O engenheiro agrônomo e pecuarista Gustavo Martini falou sobre a diferença em inovação e tecnologia e como o produtor pode fazer para alcançar bons resultados na propriedade com estas ferramentas durante a InterCorte, que aconteceu em abril, em Cuiabá, MT.
Para Martini, uma dúvida que rodeia todo pecuarista é: “eu preciso inovar”? De acordo com ele, mais importante que isso, é se perguntar quais são os reais problemas na propriedade que estão tirando o sono do pecuarista. “Nós falamos tanto de inovação, que, às vezes, o termo fica fugaz. Por isso, é importante entendermos o que é inovação”, afirma. Segundo ele, muitas vezes existe a confusão entre invenção e inovação. “Basicamente, a diferença entre os dois é que com uma estamos focados em resolver o problema, já a outra não”, informa. Ele explica que a invenção não necessariamente está ligada à resolução de problemas, diferente da inovação, onde o foco é justamente isso. “A gente precisa trazer o conceito de algo que pensamos ser difícil e viabilizar no nosso dia a dia, mas de forma simples. Como eu consigo resolver um problema com uma solução criativa”, comenta.
Segundo o profissional, existem algumas barreiras que impendem o pecuarista de avançar. Entre elas, estão a barreira de processo, que é quando o produtor não testa determinadas ferramentas por acreditar que vai atrapalhar o serviço que é desenvolvido na propriedade. A barreira de orçamento, quando o produtor acredita que não tem o dinheiro necessário para testar a novidade. E a barreira de valores fortificados, quando afirmam que a pecuária é tradicional, que o pecuarista não busca informação para se atualizar e inovar. “São algumas barreiras que nós temos que olhar no nosso dia a dia e que podemos estar dificultando a trazer inovação dentro da atividade”, diz.
Martini afirma que para resolver os problemas na fazenda é preciso que o pecuarista faça isso de forma estruturada. “É aquela ideia que temos de que se vamos testar algo na propriedade, temos que transformar isso de uma forma que realmente traga o resultado que eu espero”, comenta. Mas, ainda assim, para ele, o principal elemento da inovação é o questionamento: “como faço melhor, mais fácil e rápido? São estas as perguntas que movem a inovação e resolvem os nossos problemas diários”, garante.
O pecuarista alerta ainda que o que acontece nas fazendas é que o produtor tem muitas iniciativas, mas poucas acabativas. “A gente começa muita coisa e vamos até a metade, pelo simples fato de não medir ou não ter um acompanhamento. Precisamos ser mais efetivos. Que façamos menos, mas de forma mais efetiva o que nos propusemos a fazer”, reforça.
Mas o que realmente é inovação?
“Muitas vezes nós confundimos muita coisa, principalmente o conceito de inovação. Se eu fizer apontamentos em uma ficha ou no celular, o que será inovação? Os dois, porque se eu tenho uma propriedade em que não faço nenhum apontamento e começo com uma ficha, já estou resolvendo o problema de que não tinha anotações”, explica Martini. O pecuarista reitera que não se pode confundir tecnologia com informação. “As tecnologias são ferramentas que vão proporcionar uma maior agilidade. Mas, dentro de uma propriedade em que eu não faço apontamentos, uma ficha já é uma inovação. Quando inserir o celular, é um passo a mais”, explica.
Outro ponto importante destacado por Martini é sobre a importância de o pecuarista começar as coisas pelo começo. “Pode parecer óbvio, mas é o que precisamos fazer. Começamos com as anotações nas fichas, depois passo a usar o computador e faço o lançamento de dados. Com isso, estou fazendo inovação. Com certeza estamos tendo uma agilidade maior. Mas isso é uma parte, nós temos que continuar o desenvolvimento”, comenta.
Para o profissional é preciso que o pecuarista entenda qual é o problema raiz que ele tem na fazenda. “Nós temos que gerar informação e resolver o nosso problema raiz. Temos que estar muito atentos em entender qual o nosso problema e ir em busca dele”, diz. De acordo com o palestrante, para entender e buscar isso é preciso que o produtor dê um passo de cada vez. “Tudo tem uma etapa e um caminho, para as coisas darem certo é um passo depois do outro. Se dermos um passo além daquilo que conseguimos, cortamos uma etapa e as coisas podem não sair como planejamos”, menciona.
Martini afirma ser importante que o pecuarista busque novidades e informações, mas que faça do início ao fim aquilo que se propõe a fazer. “Tem uma frase que eu gosto muito que diz: ‘O único homem que não comete erros é aquele que não faz nada’. Porque quando nos propomos a fazer algo, com certeza haverá coisas que não vamos prever, porque estamos nos lançando em um caminho novo. Toda novidade tem imprevisibilidades. Por isso é importante que nos permitamos errar, mas de maneira honesta e controlada, sem nos sabotar”, aconselha.
Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2018 ou online.
Fonte: O Presente Rural

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Boi gordo enfrenta semanas de instabilidade e pressão nas cotações
Recuo de até R$ 13/@ reflete um mercado mais sensível antes do período de maior consumo.

A possibilidade de novas medidas protecionistas da China voltou a gerar incerteza no mercado pecuário brasileiro. O país asiático, principal destino da carne bovina do Brasil, estaria avaliando restringir a entrada do produto, mas não há qualquer confirmação oficial até o momento. Mesmo assim, os rumores foram suficientes para pressionar os contratos futuros do boi nas últimas semanas.
As especulações ganharam força no início de novembro, indicando que Pequim poderia retomar o movimento iniciado em 2024, quando alegou excesso de oferta interna para reduzir as importações. A decisão, que inicialmente seria tomada em agosto de 2025, foi adiada para novembro, ampliando a cautela dos agentes e intensificando a queda na curva futura: em duas semanas, os contratos recuaram entre R$ 10 e R$ 13 por arroba.

Foto: Gisele Rosso
Com a China respondendo por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne bovina, qualquer redução nos embarques tende a impactar diretamente os preços do boi gordo, especialmente em um momento de forte ritmo de produção.
Apesar da tensão, o cenário de curto prazo permanece positivo. A demanda doméstica, reforçada pela sazonalidade do fim de ano, e o recente alívio nas barreiras impostas pelos Estados Unidos ajudam a sustentar as cotações. Caso os abates não avancem mais de 10% em novembro e dezembro, a disponibilidade interna deve ficar abaixo da registrada em outubro, movimento que favorece a recuperação dos preços da carne nos próximos 30 dias.
Para 2026, as projeções seguem otimistas para a pecuária brasileira. A expectativa é de menor oferta de animais terminados, custos de produção mais competitivos e demanda externa firme, em um contexto de queda da produção e das exportações de concorrentes, especialmente dos Estados Unidos. A principal atenção fica por conta do preço da reposição, que subiu de forma expressiva e exige valores mais ajustados na venda do boi gordo para assegurar a rentabilidade na terminação.
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Novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável busca impulsionar produção de leite no Noroeste de Minas Gerais
Assistência técnica, pesquisa aplicada e melhorias genéticas a 150 propriedades familiares, com foco em produtividade, sustentabilidade e fortalecimento da cadeia leiteira no Noroeste mineiro até 2028.

O fortalecimento e a ampliação da produção de leite de produtores de Paracatu (MG), de forma sustentável, eficiente e de qualidade, ganharam impulso com o início do novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável, desenvolvido em parceria entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap).
O projeto é desenvolvido no âmbito do Programa Mais Leite Saudável (PMLS) do MAPA desde 2020. O Programa Mais Leite Saudável é um incentivo fiscal que permite a laticínios e cooperativas obter até 50% de desconto (crédito presumido) no valor de PIS/Pasep e COFINS relativo à comercialização do leite cru utilizado como insumo, desde que desenvolvam projetos que fortaleçam e qualifiquem a cadeia produtiva por meio de ações diretas junto aos produtores.
O treinamento dos técnicos recém-selecionados foi realizado no fim de outubro, e as primeiras visitas às propriedades ocorreram no início de novembro. Essa é a terceira fase do projeto, que conta com o acompanhamento do pesquisador José Humberto Xavier e do analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Carlos Eduardo Santos.
O projeto articula as dimensões de assistência técnica e pesquisa e atuará nessa etapa com uma rede de 150 propriedades rurais familiares, que receberão acompanhamento de três veterinários e dois agrônomos, seguindo o modelo implantado em 2020. A equipe da Embrapa atua na capacitação técnica e metodológica dos técnicos e na condução de testes de validação participativa de tecnologias promissoras junto aos agricultores da rede.
A nova etapa, prevista para ser concluída em 2028, busca desenvolver alternativas para novos sistemas de cultivo com foco na agricultura de conservação, oferecer apoio técnico ao melhoramento genético dos animais de reposição com o uso de inseminação artificial e ampliar o alcance dos resultados já obtidos, beneficiando mais agricultores familiares e contribuindo para o desenvolvimento regional.
Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, José Humberto Xavier, os sistemas de cultivo desenvolvidos até agora melhoraram o desempenho das lavouras destinadas à alimentação do rebanho, mas ainda são necessários ajustes para reduzir a perda de qualidade do solo causada pelo preparo convencional e pela elevada extração de nutrientes advinda da colheita da silagem, além de evitar problemas de compactação quando o solo está úmido. Ele destaca também os desafios de aumentar a produtividade e reduzir a penosidade do trabalho com mecanização adequada.
O analista Carlos Eduardo Santos ressaltou a importância de melhorar o padrão genético do rebanho. “A reposição das matrizes é, tradicionalmente, feita pela compra de animais de outros rebanhos. Isso gera riscos produtivos e sanitários, além de custos elevados. Por isso, a Coopervap pretende implementar um programa próprio de reposição, formulado com base nas experiências dos técnicos e produtores ao longo da parceria”, afirmou.
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Curso gratuito da Embrapa ensina manejo correto de resíduos na pecuária leiteira
Capacitação on-line orienta produtores a adequar propriedades à legislação ambiental e transformar dejetos em insumo seguro e sustentável.

Como fazer corretamente o manejo dos dejetos da propriedade leiteira e adequá-la à legislação e à segurança dos humanos, animais e meio ambiente? Agora, técnicos e produtores têm à disposição um curso on-line, disponível pela plataforma de capacitações a distância da Embrapa, o E-Campo, para aprender como realizar essa gestão. A capacitação “Manejo de resíduos na propriedade leiteira” é gratuita e deve ocupar uma carga horária de aproximadamente 24 horas do participante.
O treinamento fecha o ciclo de uma série de outros cursos relacionados ao manejo ambiental da atividade leiteira: conceitos básicos em manejo ambiental da propriedade leiteira e manejo hídrico da propriedade leiteira, também disponíveis na plataforma E-Campo.
De acordo com o pesquisador responsável, Julio Palhares, identificou-se uma carência de conhecimento sobre como manejar os resíduos da atividade leiteira para adequar a propriedade frente às determinações das agências ambientais. “O correto manejo é importante para dar qualidade de vida aos que vivem na propriedade e no seu entorno, bem como para garantir a qualidade ambiental da atividade e o uso dos resíduos como fertilizante”, explica Palhares.
A promoção do curso ainda contribui para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), como as metas 2 e 12. A 2 refere-se à promoção da agricultura sustentável de produção de alimentos e prevê práticas agropecuárias resilientes, manutenção dos ecossistemas, fortalecimento da capacidade de adaptação às mudanças climáticas, etc. O ODS 12 diz respeito ao consumo e produção responsáveis, principalmente no que diz respeito à gestão sustentável.
O treinamento tem oferta contínua, ou seja, o inscrito terá acesso por tempo indeterminado.
