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InovaPork integra startups, pesquisa e mercado
30 finalistas, de nove equipes, assistiram a palestras de especialistas de diversas áreas vinculadas à suinocultura e à inovação

Durante três dias, de 31 de maio a 2 de junho, a inovação na cadeia de suinocultura foi o tema de um desafio de ideias. A discussão marcou o InovaPork – Fuçando ideias, promovido pela Embrapa Suínos e Aves, em Concórdia, SC, onde 30 finalistas, de nove equipes, assistiram a palestras de especialistas de diversas áreas vinculadas à suinocultura e à inovação, visitaram uma granja e aproveitaram para fazer contatos.
“Esse foi o propósito do evento, reunir aqui ideias, juntar a ciência, o mercado e possibilitar a inovação”, frisou a chefe geral da Embrapa Suínos e Aves, Janice Zanella. “Estamos transformando um sonho em realidade, especialmente porque podemos ver a motivação das pessoas que participaram aqui, não somente nossos parceiros, mas as equipes que se inscreveram e trouxeram ideias maravilhosas”, enfatizou, ainda no primeiro dia de evento. “A proposta do InovaPork foi a de fomentar a inovação de impacto na suinocultura e atrair pessoas inovadoras com ideias em qualquer estágio de maturidade, colaborando para que se tornem negócios e soluções para a cadeia produtiva de suínos”, disse ela. No domingo, após a final, ela destacou que as expectativas com o evento foram todas superadas e que a inovação encontrou a porta aberta na Embrapa.
Para o diretor de Inovação da Embrapa, Cleber Soares, que foi palestrante no primeiro dia, o InovaPork cumpre uma agenda de inovação que a Embrapa está buscando junto a novos parceiros. “Foi contagiante ver a energia e a alegria dos jovens empreendedores em aproximar, dialogar e desenvolver novos ativos tecnológicos com a equipe da Embrapa. Ganham os empreendedores, ganham as startups, ganha a Embrapa, ganham os produtores e a sociedade”, destacou o diretor Cleber.
O InovaPork foi realizado em três etapas – inscrição das equipes, seleção dos finalistas e a final. As duas primeiras ocorreram de modo online e a final foi presencial na sede da Embrapa Suínos e Aves nestes três dias. Na primeira etapa, 46 equipes inscreveram suas ideias, avaliadas por 12 especialistas cada. Destas, dez equipes foram selecionadas para a final, quando teriam a oportunidade de contato com mentores, visita a campo e estruturar suas propostas.
Para os participantes, este momento presencial foi importante e marcou a virada das startups. “O evento foi excelente! Eu, que sou da área, fiquei muito feliz em conhecer pesquisadores tão importantes para o país, pessoas que talvez o mais próximo que chegaria seria nas referências bibliográficas… E, poder sentar com eles e trocar ideias foi demais”. A conexão com grandes companhias e com startups já consolidadas que são nossas inspirações marcaram e serão história da LebenLog”, declarou Vitor Hugo Pereira, integrante da equipe que levou o segundo lugar com a proposta “Monitoramento e rastreabilidade no transporte de suínos da granja ao frigorífico – TransPORK”.
Matheus Parmagnani, da startup que apresentou a “Solução para inseminação artificial de precisão – Agro 4.0” e levou o terceiro lugar, disse que o InovaPork foi uma quebra de paradigma na suinocultura. “Está sendo possível mostrar que tecnologia é para todos, incluindo especialmente os pequenos produtores”, destacou ele.
A equipe vencedora, Kemia, que apresentou a solução “Tecnologia verde de eletrofloculação e eletro-oxidação para o tratamento de águas residuárias”, encerrou o evento com muito entusiasmo e compartilhou o sentimento com todos os envolvidos. “Gostaríamos de agradecer e parabenizar a todos os colaboradores da Embrapa envolvidos no InovaPork, porque nos deram exemplo de uma instituição organizada, comprometida e que trabalha em equipe! Parabéns a todos os envolvidos! Parabéns a todos as startups participantes! Todos nós estamos orgulhosos de ter feito parte de tudo isso”, destacou Ricardo Leidens.
Para a equipe B.Tools, outra startup participante, o agradecimento foi pela oportunidade de poder mostrar o trabalho que eles vêm desenvolvendo. “Só temos a agradecer pela grande oportunidade que nos foi dada de mostrar nosso trabalho, bem como pelo imenso aprendizado durante os três dias do evento”, comentou um dos integrantes.
A motivação também contagiou a equipe de patrocinadores e apoiadores do evento. “Estamos presenciando efetivamente uma revolução tecnológica no nosso setor. Foi impressionante a quantidade de sinergias disponíveis. Parabéns a todos”, declarou Luís Fernando Sarmento Rangel, da APC do Brasil.
“A Embrapa Suínos e Aves criou um ambiente de conexão entre as startups e o mercado”, enfatizou Everton Gruber, Diretor de Inovação da Agriness. Clóvis Rossi, CEO da Granter, também pontuou a abertura da pesquisa para o mercado da inovação. “Os resultados deste evento não cessaram no domingo, quando o InovaPork terminou. A semente foi plantada e os frutos ainda serão colhidos. Foi muito bom ver que cada vez mais pessoas estão dispostas a fazer a diferença. Vocês, Embrapa, fizeram essa diferença com a iniciativa”.
“O InovaPork 2019 foi um evento incrível. A dinâmica da imersão em aspectos da cadeira agropecuária, em atenção a suinocultura e dos aspectos voltados para a cadeia de negócios foram fundamentais para o evento. A mentoria teve uma visão multifocal, com diversos atores expressando diversas opiniões e fazendo com que os competidores tivessem uma visão complementar das ideais originais. Tenho certeza que o InovaPork 2019 começou a criar o sentimento de inovação na cadeia da suinocultura, não somente do estado de Santa Catarina, mas sim por todo o Brasil”, expressou Ricardo Fonseca Araujo, da Secretária de Inovação da Embrapa.
O analista Cássio Wilbert, supervisor do SIPT e um dos organizadores do evento, avaliou o evento como uma grande abertura de parcerias e de mudanças no cenário de inovação da Embrapa e destacou o potencial das propostas apresentadas.
Premiação
A premiação entregue as equipes selecionadas foi a classificação direta para a final do Pontes da Inovação – para as três classificadas, participação na AveSui EuroTier 2019 com espaço no Digital Farm – para o primeiro colocado e cursos da Academia Suína para as três equipes, além de troféu e certificado. Os parceiros e patrocinadores também foram homenageados com um troféu.
Equipes vencedoras
1º lugar: Tecnologia verde de eletrofloculação e eletro-oxidação para o tratamento de águas residuárias
Rafael Celuppi, Ricardo Leidens, Fabio Luiz Araldi Petik, Maria Melz Celuppi e João Pedro Zardo Gonçalves, de Chapecó-SC
2º lugar: Monitoramento e rastreabilidade no transporte de suínos da granja ao frigorífico – TransPORK
Vitor Hugo Pereira, Luiz Antonio de Souza Fernandes, Luiza Reck Munhoz e Matheus de Castro Diori, de Londrina-PR
3º lugar: Solução para inseminação artificial de precisão – Agro 4.0
Jeferson Rodrigo Gatti, Charles Savaris, Gustavo Guimarães, Matheus Parmagnani e Camilla Raldi Gatti, de Videira-SC

Notícias
Produtores do Paraná poderão ampliar subvenção ao seguro rural com boas práticas de manejo do solo
Projeto-piloto do governo federal oferece descontos maiores no prêmio do seguro para áreas enquadradas em níveis superiores de manejo agrícola.

Os produtores rurais paranaenses podem obter subvenção federal maior, com base em critérios de manejo e conservação do solo nas culturas da soja e milho safrinha. Para isso, as áreas agrícolas a serem seguradas devem ser enquadradas em Níveis de Manejo (NM) estipulados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM). O projeto-piloto conta com recursos específicos para execução (R$ 1 milhão para cada cultura) e beneficia produtores rurais com percentual maior de desconto nos valores do seguro pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Foto: Divulgação
A ferramenta considera critérios de qualidade do manejo de solo como redutor do risco climático de áreas agrícolas com maior capacidade de infiltração e retenção de água. O NM1 é a condição de risco base e o NM4, a melhor condição de cultivo que garante benefício maior.
“Em tempos de queda nas contratações de seguro rural, toda proposta que venha melhorar a subvenção ao prêmio é bem-vinda”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos técnicos estão à disposição para auxiliar os produtores rurais neste processo”, complementa.
Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com metodologia da Embrapa, o ZarcNM teve o projeto-piloto iniciado na safra 2025/26, somente no Paraná, quando 28 áreas de produção foram classificadas em níveis de subvenção diferenciada. Na temporada 2026/27, o projeto iniciará a fase II, com possibilidade de participação dos produtores de soja do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e milho safrinha no Paraná e Mato Grosso do Sul.
Como acessar
O primeiro passo para ter acesso à subvenção diferenciada é buscar a análise de solo em um laboratório credenciado no Estado. A metodologia das análises não difere das normalmente utilizadas, mas os laboratórios participantes conseguem registrar os dados da área diretamente no sistema (SiNM) da Embrapa.
“Antes mesmo de contratar o seguro, o produtor deve realizar a coleta da amostra de solo, seguindo as orientações do item 7, da Instrução Normativa 2/2025, do Mapa, e encaminhá-la a um laboratório credenciado, solicitando a análise Níveis de Manejo”, orienta Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.
Na sequência, o produtor deve procurar um operador de contrato para providenciar a análise de sensoriamento remoto e incluir as informações no sistema da Embrapa. Então, a plataforma calcula o nível de manejo do talhão e as informações são repassadas pelo operador ao governo federal para que seja definida a subvenção conforme os seis indicadores avaliados para a definição do nível de manejo: tempo sem revolvimento do solo; cobertura do solo com palhada; saturação por bases (V%); teor de cálcio; saturação por alumínio; e histórico de diversidade de cultivos. Três são verificados pela análise de solo e os demais por ferramentas de sensoriamento remoto utilizadas pelos operadores especializados. Para os níveis 2, 3 ou 4, segundo a Embrapa, “áreas com declividade superior a 3% devem, obrigatoriamente, adotar semeadura em nível ou contorno em pelo menos 75% da gleba”.
“Para subvenção maior, ou seja, além do padrão definido pelo PSR, os níveis devem ser de 2 em diante”, comenta Ana Paula. Na cultura de milho segunda safra, para Nível de Manejo (NM) 1, a subvenção será de 40%; NM2, 45%; e para NMs 3 e 4, 50%. Já para a cultura de soja, os cálculos são 20% para NM1; 30%, NM2; 35%, NM3; e 40%, NM4.
A lista de operadores credenciados está disponível no site embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo
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Tarifas dos EUA deve impactar 21% das exportações brasileiras
Governo avalia ampliar parcerias comerciais enquanto negocia para evitar a aplicação das tarifas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.
“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.
“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.
Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay.
Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.
“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.
Negociação

Foto: Divulgação/Porto de Santos
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.
O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.
Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.
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EUA propõem tarifas a 60 países, incluindo o Brasil
Escritório de Comércio norte-americano sugere sobretaxas de até 12,5% sobre importações e abre consulta pública antes da decisão final.

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na ampliação de sua política comercial protecionista ao propor novas tarifas sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil. A iniciativa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e prevê uma sobretaxa de até 12,5% para produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano.

Foto: Divulgação
A proposta está vinculada a investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento legal que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país e, eventualmente, adotar medidas de retaliação.
Segundo o USTR, a nova rodada de tarifas está relacionada à avaliação das políticas adotadas pelos países investigados para prevenir e combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na avaliação do órgão, falhas nesses mecanismos podem criar distorções competitivas e restringir o comércio norte-americano.
Brasil entre os países com maior alíquota proposta
Enquanto parte dos países investigados foi enquadrada em uma alíquota adicional de 10%, o Brasil aparece no grupo sujeito à tarifa de 12,5%.
A proposta brasileira está inserida em um conjunto de medidas que alcança outros 44 países analisados pelo governo

Foto: Divulgação
dos Estados Unidos. Já Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, Guatemala, Malásia, Taiwan, Equador e El Salvador integram o grupo que poderá ser submetido à tarifa adicional de 10%.
Caso seja implementada, a medida poderá aumentar os custos de acesso ao mercado norte-americano para diversos produtos exportados pelo Brasil, reduzindo a competitividade frente a concorrentes internacionais.
Instrumento de pressão comercial
A Seção 301 é considerada uma das principais ferramentas de política comercial dos Estados Unidos. O mecanismo ganhou destaque nos últimos anos durante disputas comerciais com diferentes parceiros internacionais e permite ao governo norte-americano impor restrições tarifárias mesmo sem a intermediação de organismos multilaterais.
A atual iniciativa também ocorre em um contexto de retomada de medidas emergenciais defendidas pelo governo Donald Trump. Parte dessas tarifas havia sido anulada anteriormente por decisão da Suprema Corte norte-americana, levando a administração federal a buscar novos caminhos regulatórios para restabelecê-las.
Consulta pública antes da decisão final
As tarifas ainda não estão em vigor. O USTR abriu período de consulta pública para receber contribuições de empresas, entidades e governos potencialmente afetados pelas medidas.
As manifestações poderão ser apresentadas até 06 de julho. No dia seguinte, 07 de julho, está prevista uma audiência pública para discussão das propostas.
Somente após a análise das contribuições o governo norte-americano decidirá se as tarifas serão implementadas e em quais condições, etapa que será acompanhada com atenção por exportadores e setores produtivos dos países envolvidos.



