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Inovações tecnológicas revolucionam e fortalecem a fiscalização agropecuária, apontam especialistas
Uso de inteligência artificial, blockchain e drones moderniza o controle sanitário e combate fraudes, mas especialistas alertam: inovação não pode substituir a atuação pública na defesa dos consumidores e da segurança dos alimentos.

Inteligência artificial, blockchain, sensores e drones estão entre as ferramentas que podem transformar a fiscalização agropecuária no Brasil. Mais do que modernizar processos, essas inovações reforçam o papel intransferível do Estado na defesa da sociedade, dos consumidores e da saúde pública. O tema foi debatido durante o 7º Congresso Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Conaffa), realizado em Bento Gonçalves (RS).
Promovido pelo Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), o evento reúne autoridades, pesquisadores e representantes de instituições públicas e privadas para discutir o futuro da carreira e a importância do serviço público na garantia da segurança dos alimentos e na credibilidade do Brasil no mercado internacional. Um dos painéis mais aguardados do evento abordou os desafios e oportunidades da inovação tecnológica na fiscalização agropecuária.

Painel abordou os desafios e oportunidades da inovação tecnológica na fiscalização agropecuária – Foto: Juliano Dessbesell/Anffa Sindical
O debate contou com a participação do presidente do Fórum Nacional das Entidades Civis de Defesa do Consumidor, Claudio Pires Ferreira; do gerente do Programa de Vigilância em Defesa Agropecuária para Fronteiras Internacionais (Vigifronteira), auditor fiscal federal agropecuário Marcos Eielson Pinheiro de Sá; e do promotor de Justiça do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, Paulo César Zeni. A mediação foi conduzida pelo diretor de Política Profissional do Anffa Sindical, Henrique Pedro Dias, que destacou a importância do Estado como responsável pela fiscalização. “Essa responsabilidade muitas vezes é alvo de tentativa de redução ou delegação indevida sobre o argumento de uma suposta modernização, mas que na verdade pode significar a perda de prerrogativas essenciais e o enfraquecimento de uma atividade típica de Estado. Buscamos justamente olhar para o outro lado da moeda, como envolver a inovação sem abrir mão de nossas responsabilidades, como usar as novas tecnologias como inteligência artificial, o trabalho integrado entre órgãos, o investimento em inteligência e capacitação para fortalecer e não fragilizar as nossas atribuições”, afirmou.
Para Ferreira, vivemos uma nova era tecnológica, comparável a uma revolução, e esse é um caminho sem volta. Ele ressaltou que ferramentas, como sensores e internet das coisas (IoT), têm potencial para revolucionar a vigilância agropecuária, permitindo o monitoramento em tempo real de temperatura e umidade, alertas automáticos para prevenir contaminações e fiscalizações contínuas e preventivas em câmaras frias e no transporte de produtos.
O dirigente também destacou o papel da inteligência artificial e do big data, capazes de analisar grandes volumes de dados agropecuários, identificar padrões de risco e priorizar inspeções com base em evidências. Segundo ele, tecnologias como reconhecimento de imagens e blockchain aumentam a confiabilidade da cadeia produtiva, previnem fraudes e garantem a autenticidade dos alimentos. “A rastreabilidade, para o consumidor, é de extrema importância. Com ela, ele tem a informação adequada e clara, conforme determina o Código de Defesa do Consumidor, de que toda informação deve ser clara, precisa e ostensiva. A gente vê que a rastreabilidade é fundamental para a segurança do consumidor”, destacou Ferreira.
Integração entre órgãos e combate ao crime

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
De acordo com o coordenador do Vigifronteira, o órgão foi criado em 2020 para combater atividades ilícitas envolvendo produtos de origem animal e vegetal. Hoje, o programa atua em cooperação com diferentes órgãos em operações terrestres, aquáticas, aéreas e cibernéticas, utilizando drones e desenvolvendo ferramentas próprias baseadas em inteligência artificial. Mas ainda há muito a avançar.
Segundo Pinheiro de Sá, os produtos agropecuários já são os segundos mais apreendidos pelas polícias no Brasil, atrás apenas da maconha, o que demonstra o interesse crescente de organizações criminosas. “O crescimento do agronegócio brasileiro aumenta demanda por insumos, assim como aumenta a demanda por fiscalização. Porém, o quadro foi reduzido, assim como a capacidade fiscalizatória. A fiscalização ficou direcionada para o regular. E o crime organizado percebeu oportunidade, produtos de alto valor agregado, como agrotóxicos e sementes, e isso aumenta cada vez mais”, afirmou.
O promotor de Justiça Paulo César Zeni destacou que, além de estrutura, é preciso adaptar os métodos de trabalho, já que os ilícitos migraram do ambiente físico para o digital. “O crime é organizado e, se não nos organizarmos, vamos sempre perder”, alertou.
Além do uso de tecnologias que ajudam no dia a dia do serviço público, ele defende maior controle das autoridades sobre o impulsionamento de informações nas redes sociais, com a participação ativa das plataformas na promoção de conteúdo de interesse público. “É preciso cobrar de redes sociais que haja contrapartida por meio do impulsionamento de informações relevantes para a sociedade”, concluiu.

Notícias Cooperativismo
Lar Cooperativa celebra 62 anos
Evento comemorativo contou com Santa Missa em Ação de Graças e homenagem a São José

A Lar Cooperativa celebrou, na manhã de quinta-feira (19), 62 anos de fundação com uma Santa Missa em Ação de Graças realizada no Lar Centro de Eventos, em Medianeira (PR). A celebração reuniu associados, funcionários e a comunidade em um ato de espiritualidade e gratidão. O momento também homenageou São José, patrono dos trabalhadores e padroeiro da cooperativa, reafirmando o compromisso com os valores do trabalho e da fé.
“A Lar está celebrando 62 anos em um bom período, apesar das dificuldades externas advindas de grandes guerras. Então, temos muito que agradecer e fazemos isso com a celebração da missa, que nos trouxe reflexão e muitos ensinamentos. Esses momentos são importantes para seguirmos com o nosso propósito de cooperar para melhorar a vida das pessoas”, afirmou o diretor-presidente da Lar, Irineo da Costa Rodrigues.
A cerimônia foi marcada por orações, cânticos e reflexões que envolveram o público do início ao fim. Conduzida pelo Padre Leandro Blasius, a celebração destacou a importância da fé e da resiliência diante dos desafios globais, estabelecendo um paralelo entre a dedicação de São José e a trajetória da Lar.
“Foi um momento especial para reunir a família e a equipe de trabalho para agradecer por toda a trajetória vitoriosa da cooperativa. Quando olhamos para a figura de São José e a história da Lar, recebemos muitos ensinamentos, mas a grande mensagem que reforçamos é que aprendamos, a cada dia mais, a ser perseverantes e justos, vivendo com fidelidade a Deus, evitando conflitos e sendo mais ouvintes”, destacou o Padre Leandro Blasius.
A celebração religiosa faz parte das tradições da Lar e reafirma suas raízes históricas. Fundada no dia de São José, em 19 de março de 1964, a cooperativa nasceu sob a liderança do Padre José Backes, primeiro presidente da associação e pioneiro na colonização da “Gleba dos Bispos” (atual Missal). Ao se conectar com esse legado, a cerimônia une fé e cooperativismo em um único ato de profunda gratidão e espiritualidade.
Sob as bênçãos de São José e impulsionada pela força do cooperativismo, a Lar segue sua trajetória com solidez e resiliência. A cooperativa projeta o futuro com foco em crescimento sustentável, sem perder suas raízes e a fé presente desde a fundação.
“Vamos continuar com o nosso trabalho. É claro que, nesse caminho, precisamos superar desafios internos e externos, mas com resiliência e pessoas cada vez mais capacitadas, não temos dúvidas de que o melhor está por vir”, finalizou Irineo da Costa Rodrigues.
Notícias
Nova plataforma da Embrapa integra dados sobre produção e mercado do trigo
Solução traz mapas, cenários e estimativas inéditas para o setor.
Notícias
Justiça reconhece atribuições exclusivas de auditores no Vigiagro
Decisão envolve fiscalização em pontos de entrada no país; sindicato defende ajuste com governo para evitar impacto nas operações.

Uma decisão da Justiça Federal da 1ª Região, na Seção Judiciária do Distrito Federal, reconheceu que parte das atividades de fiscalização no Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) é de atribuição privativa dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (AFFAs). A ação foi proposta em 2019, em meio a questionamentos sobre o cumprimento da legislação que define as competências da carreira, especialmente em operações nos pontos de entrada de produtos agropecuários no país.
Em nota, o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) informou que irá conduzir diálogo com o Ministério da Agricultura e Pecuária para tratar dos desdobramentos da decisão. A entidade defende a construção de uma solução que permita a implementação do entendimento judicial sem comprometer a continuidade e a eficiência das atividades de fiscalização.

Foto: Mapa
As discussões devem envolver a coordenação do Vigiagro, o Departamento de Serviços Técnicos (DTEC) e a ANTEFFA, entidade que representa os técnicos da fiscalização agropecuária. Um dos pontos em análise é a adequação das atribuições atualmente exercidas por diferentes carreiras dentro do sistema.
O sindicato também admite a possibilidade de ajustes normativos ou alterações legislativas, caso sejam necessários para compatibilizar a decisão judicial com a operação cotidiana do Vigiagro. A avaliação será feita em conjunto com a assessoria jurídica da entidade, uma vez que a sentença ainda pode ser objeto de recurso.
O Vigiagro atua na inspeção e fiscalização de produtos agropecuários em portos, aeroportos e fronteiras, sendo considerado um dos principais instrumentos de proteção sanitária e de controle do comércio internacional do agronegócio brasileiro.





