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Inovação na análise de grãos abre perspectivas para a produção de milho e sorgo no Brasil

Esse novo método é capaz de determinar a composição química de alimentos essenciais à saúde humana e animal com rapidez, precisão, baixo custo e sem destruir o material avaliado.

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Foto: Francine Santos

Uma pesquisa inovadora está revolucionando a forma de avaliar a qualidade de grãos, como o milho e o sorgo. Cientistas da Embrapa e da Spectral Solutions conseguiram aliar a técnica analítica de Espectroscopia do Infravermelho Próximo (NIR, sigla em inglês) em um equipamento portátil ao modelo matemático de calibração multivariada para identificar e quantificar diferentes componentes em amostras de grãos. Esse novo método é capaz de determinar a composição química de alimentos essenciais à saúde humana e animal com rapidez, precisão, baixo custo e sem destruir o material avaliado. O estudo está publicado no Journal of Food Composition and Analysis.

Segundo a pesquisadora da Embrapa Milho e Sorgo (MG) e líder desse projeto, Maria Lúcia Simeone, a NIR (Near-Infrared Spectroscopy) é reconhecida hoje como uma ferramenta poderosa para análises quantitativas e qualitativas de parâmetros químicos e físicos. “Ao interagir com a matéria, gera um espectro característico, semelhante a uma impressão digital molecular. Este espectro contém informações detalhadas sobre a composição química da amostra”, explica.

Por outro lado, é classificada como uma técnica secundária, pois depende de um modelo matemático que correlacione os dados espectrais com resultados obtidos por métodos analíticos convencionais (métodos de referência). “É aí que entra a calibração multivariada, que permite tratar os dados obtidos pela luz NIR”, acrescenta Simeone

Foto: divulgação/Embrapa

Nessa nova prática, os pesquisadores utilizaram um equipamento portátil de espectroscopia NIR para analisar um grande número de amostras de milho e sorgo. Os espectros das amostras moídas foram, então, submetidos a uma análise estatística complexa, conhecida como quimiometria.

Essa análise relaciona as características espectrais das amostras com os valores de referência obtidos por métodos analíticos convencionais. “Os modelos produzidos foram incorporados no Spectral Software para permitir que a avaliação de novas amostras possa ser acompanhada diretamente na tela de um notebook ou celular”, conta a pesquisadora.

Segundo ela, essa nova abordagem com o NIR portátil traz muitos benefícios. Um deles é a rapidez. “A análise por espectroscopia NIR é muito mais rápida do que os métodos tradicionais, permitindo uma avaliação em tempo real da qualidade dos grãos”, destaca.

A precisão também se destaca. A calibração multivariada garante alta precisão na determinação da composição química, com resultados comparáveis aos métodos de referência.

Outra vantagem é não ser destrutiva. A técnica não danifica a amostra, permitindo análises subsequentes. Além disso, o equipamento é portátil, permite a análise dos grãos diretamente na amostra moída, facilitando o controle de qualidade em diferentes etapas da cadeia produtiva.

“Com tudo isso, temos um custo-benefício melhor. A redução do tempo de análise e a eliminação da necessidade de reagentes químicos tornam a técnica mais econômica e sustentável”, pontua a pesquisadora.

Futuro da análise de grãos

Foto: Gustavo Porpino

“A espectroscopia NIR portátil e a calibração multivariada representam um avanço significativo na área de análise de alimentos. Têm o potencial de transformar a forma como avaliamos a qualidade dos grãos, abrindo novas perspectivas para a agricultura de precisão, o controle de qualidade e a segurança alimentar”, considera Simeone.

São diversos benefícios para a indústria de alimentos e para o consumidor, relatados na pesquisa, incluindo a melhoria na qualidade dos produtos. “A avaliação rápida e precisa da composição química dos grãos permite identificar e rejeitar lotes de baixa qualidade, garantindo produtos mais seguros e nutritivos”, acrescenta.

A otimização dos processos produtivos também é uma vantagem. A técnica pode ser utilizada para monitorar a qualidade das matérias-primas, aperfeiçoar os processos de produção e garantir a consistência dos produtos finais.

“A automatização das análises e a redução do tempo contribuem para a diminuição dos custos de produção e para o aumento da rastreabilidade, uma vez que a tecnologia pode ser utilizada para rastrear a origem e a qualidade dos grãos ao longo de toda a cadeia produtiva, aumentando a confiança do consumidor”, destaca a pesquisadora.

Pós-colheita e qualidade dos grãos armazenados

Foto: Marco Aurélio Pimentel

Alguns gargalos observados nas operações após a colheita dos grãos também podem ser minimizados com a aplicação da espectroscopia NIR portátil e da calibração multivariada nas cadeias de grãos, proteína animal e biocombustíveis, que recebem e processam estes produtos.

“A redução do tempo de análise, mantendo a precisão, é uma grande vantagem, especialmente nas épocas de pico de safra, quando a operação de colheita é rápida e a entrega dos grãos nas indústrias e unidades armazenadoras tem que acompanhar a mesma dinâmica para não reduzir a fluidez e gerar filas, com consequente prejuízo à qualidade dos grãos”, evidencia o pesquisador da Embrapa Marco Aurélio Guerra Pimentel.

Ainda nas etapas de pós-colheita a técnica pode contribuir para reduzir perdas e manter a qualidade dos grãos armazenados. “Além dos resultados relativos à composição química dos grãos, a nova prática pode identificar a presença de insetos, que têm sua fase larval interna, dentro dos grãos, o que dificulta a identificação visual e demanda uma análise demorada para identificar a infestação. Com a espectroscopia NIR portátil e a calibração multivariada, temos condições de identificar lotes infestados de forma rápida e com precisão”, ressalta Pimentel.

Análise em dois segundos

Foto: Francine Santos

O MicroNIR já está disponível no mercado. É um equipamento NIR portátil, de apenas 200 gramas e operação via smartphones (tanto Android quanto iOS),  que analisa grãos em dois segundos com precisão. “A parceria com a Embrapa foi chave para o uso de nosso equipamento no setor de grãos e de nutrição animal”, diz Felipe de Aquino, fundador da Spectral Solutions.

“A Embrapa é uma referência mundial em pesquisa agrícola e seu time de especialistas contribuiu para a qualidade analítica que entregamos com esta solução”, acrescenta.

Aquino observa que, além do milho e do sorgo, o MicroNIR pode receber diversas outras calibrações. A Spectral Solutions tem parcerias com outros centros da Embrapa para o desenvolvimento de aplicações com diferentes culturas agrícolas.

 

34ª edição do Congresso Nacional de Milho e Sorgo

Essa tecnologia será apresentada durante a  34ª edição do Congresso Nacional de Milho e Sorgo. O evento acontece de 9 a 12 de setembro, no Centro de Convenções Arnaud Rodrigues, em Palmas, capital do Tocantins. A promoção e a realização do evento são da Associação Brasileira de Milho e Sorgo (ABMS) e a organização cabe à Embrapa.

Este ano, estão envolvidos dois centros de pesquisa da empresa, a Embrapa Pesca e Aquicultura (TO) e a Embrapa Milho e Sorgo.

Fonte: Assessoria Embrapa

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Produção recorde de soja deve manter mercado pressionado em 2026/27

De acordo com a Consultoria Agro Itaú BBA, oferta elevada no Brasil e nos Estados Unidos pode limitar a recuperação dos preços.

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Foto: Divulgação

A perspectiva de produção elevada no Brasil e nos Estados Unidos deve ampliar a oferta global de soja na safra 2026/27 e manter pressão sobre os preços internacionais. De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, uma eventual recuperação das cotações dependerá principalmente das condições climáticas e do ritmo das compras chinesas.

Foto: Jaelson Lucas/AEN

No relatório divulgado em junho, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos estimou a produção brasileira em 186 milhões de toneladas na safra 2026/27. Para os Estados Unidos, a projeção é de 121 milhões de toneladas, volume 4% superior ao da temporada anterior.

O USDA também prevê esmagamento recorde de soja nos Estados Unidos, estimado em 74,8 milhões de toneladas, impulsionado pela demanda por óleo destinado à produção de biocombustíveis. Em nível global, a expectativa é de um aumento de aproximadamente 14 milhões de toneladas no processamento em comparação com a safra 2025/26.

Apesar da demanda aquecida, o mercado acompanha a capacidade da China de absorver simultaneamente o aumento da oferta de soja produzida por Brasil e Estados Unidos. Segundo a Consultoria Agro Itaú BBA, o acordo comercial anunciado em maio amplia o potencial de compras da soja norte-americana, mas seus efeitos ainda são limitados e dependem de confirmação oficial por parte do governo chinês.

Foto: Aprosoja MT

Nos Estados Unidos, as condições climáticas permanecem favoráveis no Meio-Oeste, e as previsões para o trimestre entre junho e agosto indicam bom desenvolvimento das lavouras. Ao mesmo tempo, a ausência de novas compras chinesas da soja norte-americana e a redução das apostas dos fundos em altas na Bolsa de Chicago (CBOT) continuam influenciando as cotações no curto prazo.

Segundo a consultoria, o cenário para 2026/27 ainda é de pressão sobre os preços diante da possibilidade de produção recorde no Brasil e de uma safra cheia nos Estados Unidos, caso o clima de verão confirme o potencial produtivo das lavouras.

Uma mudança nesse quadro poderá ocorrer caso haja problemas climáticos na produção norte-americana ou na próxima safra brasileira. Além disso, um El Niño de forte intensidade poderá provocar impactos negativos sobre a produção na América do Sul. A Consultoria Agro Itaú BBA também destaca que um aumento das compras chinesas de soja dos Estados Unidos tende a favorecer a valorização dos contratos negociados na Bolsa de Chicago.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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Adapar investe R$ 1 milhão em 27 drones para ampliar fiscalização agropecuária no Paraná

Equipamentos passam a reforçar ações de defesa agropecuária com sensoriamento remoto, redução do tempo de inspeção e formação de 25 novos pilotos entre os servidores.

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Foto: Divulgação/Adapar

A fiscalização agropecuária no Paraná passa a contar com um novo reforço tecnológico. A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) recebeu 27 aeronaves remotamente pilotadas (drones), adquiridas por aproximadamente R$ 1 milhão. Os equipamentos foram cadastrados na última quinta-feira (25), no Escritório Regional de Londrina, e já estão aptos para iniciar as operações após o cumprimento das exigências regulatórias.

Foto: Divulgação/Adapar

O processo de habilitação incluiu o registro das aeronaves no Sistema de Aeronaves Não Tripuladas (Sisant), da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), e a autorização do primeiro voo no Sistema de Solicitação de Acesso de Aeronaves Remotamente Pilotadas (Sarpas), do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), ligado ao Ministério da Defesa.

Segundo o engenheiro-agrônomo Luiz Renato Barbosa, essa etapa permite iniciar a capacitação de uma nova turma de operadores. “Esta etapa regulatória é pré-requisito para a formação da segunda turma de pilotos do quadro da agência que será composta por 25 servidores da autarquia, agora com os novos modelos de Veículos Aéreos Não Tripulados adquiridos”, explica.

A expectativa é que o uso dos drones amplie a capacidade de fiscalização em campo. A tecnologia permitirá aumentar a área monitorada, reduzir deslocamentos das equipes e padronizar o registro de imagens e evidências durante as inspeções. As aeronaves também poderão ser utilizadas em operações integradas com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o Ministério da Justiça e instituições que compõem o Sistema Estadual de Agricultura.

A aquisição faz parte do plano de modernização da Adapar. De acordo com o presidente da autarquia, Otamir Cesar Martins, os investimentos abrangem diferentes áreas da infraestrutura tecnológica da agência. “Os investimentos incluem novas viaturas, computadores, notebooks, tablets, um novo sistema institucional, drones e a nova suíte de produtividade com IA para todos os servidores, em consonância com o nosso Plano Diretor de Tecnologia da Informação de 2025”, afirma.

Martins acrescenta que a formação de pilotos será ampliada gradativamente. “Serão formadas turmas de pilotos escalonadas em um cronograma que está sendo elaborado pela Área de Suporte Institucional, oportunizando que todos os fiscais e assistentes de fiscalização agropecuária, agrônomos ou veterinários interessados se tornarem pilotos habilitados pelo Decea”, complementa.

Para o diretor de Defesa Agropecuária da Adapar, Renato Rezende Young Blood, a incorporação da tecnologia fortalece a atuação preventiva da fiscalização no Estado. “Com essa inovação, daremos um passo importante para a proteção ao nosso agronegócio paranaense, com o conceito de uma Defesa Agropecuária com foco preventivo e não mais reativo, principalmente nas culturas de alto Valor Bruto da Produção”, destaca.

Especificações

A nova frota é composta pelos modelos DJI Mavic 4 Pro que é considerado no mercado atual como topo de linha, destacando-se pelo sistema de câmera tripla Hasselblad (até 100 MP), vídeos com capacidade de 6K HDR a 60 fps e tempo de voo de 51 minutos. Eles possuem detecção de obstáculos omnidirecional com tecnologia LiDAR para voos noturnos, e alcance de voo de 41km.

Foto: Divulgação/Adapar

Dos 27 drones todos do modelo DJI Mavic 4 Pro, três possuem sensores multiespectrais com capacidade de cobrir 200 hectares em um único voo de 43 minutos. O asssessor de Inovação da Adapar Alessandro Casagrande destaca as características das aeronaves explica que a composição da aquisição revela a intenção técnica da compra.

“Todos os drones são dotados com câmeras da renomada e centenária marca Hasselblad, mundialmente famosa em 1969, quando foram selecionadas pela NASA para registrar o histórico pouso do homem na Lua no Projeto Apollo, elas possuem a resolução a 50 metros de altura com GSD (Distância de Amostragem do Solo) aproximada de 0,41 cm/pixel (alta definição milimétrica) cuja precisão é necessária para os trabalhos de Defesa Agropecuária de alta precisão e para o conjunto de evidências”, detalha.

Outra característica é a faixa multispectral, é uma faixa de luz específica – como o infravermelho, que as câmeras dos drones capturam. Ao contrário das câmeras comuns que enxergam apenas o que o olho humano vê, esses sensores registram comprimentos de onda invisíveis, revelando o nível de saúde, estresse hídrico e pragas em plantações.

O olho humano percebe apenas a faixa visível do espectro eletromagnético. Uma planta infectada por HLB (Candidatus Liberibacter spp.), cancro cítrico (Xanthomonas citri subsp. Citri), ferrugem asiática da soja (Phakopsora pachyrhizi) e o Moko da Bananeira  causada pela bactéria Ralstonia solanacearum raça 2 geralmente apresenta sintomas visíveis somente semanas após a infecção e após quando o patógeno já se disseminou

Área animal

Foto: Divulgação/Adapar

Os drones possuem sensor termal, que segue outra lógica: capta variações de temperatura em animais, função que aproxima o equipamento das especificidades da área veterinária. É nesse terreno que a Adapar concentra suas primeiras apostas.

O chefe do Departamento de Saúde Animal, médico-veterinário Rafael Gonçalves Dias, explica como os equipamentos serão úteis para a proteção dos rebanhos paranaenses. “O drone termal será empregado em projetos-piloto, nos quais a assinatura térmica pode auxiliar na identificação de focos de calor ligados a aglomerações de animais, a alterações fisiológicas e a situações de risco sanitário, sem contato direto com os rebanhos”, elucida.

O formato experimental tem a responsabilidade de que, antes de qualquer adoção em escala, a autarquia precisa validar protocolos de coleta, parâmetros de medição e a forma de integrar os dados gerados em campo. “A literatura sustenta com solidez o uso de drones termais para triagem de febre em rebanhos confinados ou semiconfinados, conforto térmico, detecção precoce de zoonoses em granjas, localização de animais e censo de morcegos em locais expostos” complementa.

Histórico

A Adapar iniciou o uso de drones há sete anos por meio do “projeto ASA”, idealizado pela então coordenação de conservação de uso de solos juntamente com coordenação de inovação, expandindo

Foto: Divulgação/Adapar

para outras áreas de Adapar. Segundo o chefe de divisão de Conservação do Solo Agrícola Luiz Renato Barbosa, este momento é um marco para história da autarquia.

“Começamos com um drone doado pela Receita Federal e outro que era recreativo, hoje, temos a frota mais sofisticada do país e acredito que somos a agência de defesa agropecuária com a maior frota de drones no Brasil, com 35 aeronaves cadastradas na Anac. No fim, isto reflete os princípios constitucionais da economicidade e eficiência do serviço público. Nossas ações de campo custarão bem menos ao cidadão graças a estes investimentos da diretoria que acreditaram no projeto”, explica.

O contrato dos drones previu uma inovação nestes bens por meio de manutenções corretivas e preventivas, para que a curva de obsolescência diminua, aumentando-se a eficiência dos equipamentos e dando segurança e tranquilidade aos pilotos durante os voos. A agência está realizando um estudo para fazer o seguro de todas as aeronaves, uma vez que dispositivos são muito suscetíveis a sofrerem quedas e danos.

Fonte: Assessoria Adapar
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Produtores ainda aguardam apoio sete meses após tornado no Paraná

Agricultores de cinco municípios relatam que ficaram de fora de medidas emergenciais e enfrentam dificuldades para reconstruir estruturas produtivas danificadas.

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Foto: Divulgação/Sistema Faep

Sete meses após o tornado que devastou parte da região Central do Paraná, produtores rurais de municípios de Laranjeiras do Sul, Virmond, Porto Barreiro, Candói e Guarapuava seguem sem acesso a medidas de apoio para viabilizar a reconstrução das propriedades atingidas.

Embora Rio Bonito do Iguaçu tenha concentrado a maior parte dos danos e recebido ações emergenciais específicas, produtores das cidades vizinhas relatam que também sofreram perdas expressivas em lavouras, silos, barracões, moradias e estruturas produtivas, mas ficaram de fora das condições especiais anunciadas pelo governo estadual após o desastre climático.

Foto: Jonathan Campos

Diante dessa situação, o Sistema Faep encaminhou, em maio, um ofício à Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa) solicitando a ampliação do suporte emergencial aos produtores afetados. Em resposta, a secretaria informou que não é possível estender administrativamente os benefícios, em razão dos critérios jurídicos e orçamentários vigentes.

Para o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, é necessário encontrar alternativas que permitam atender também os produtores que sofreram prejuízos expressivos fora do município que decretou calamidade pública. “Esses produtores também foram atingidos pelo tornado, registraram perdas milionárias e enfrentam dificuldades para reconstruir suas propriedades. É importante que haja sensibilidade para buscar mecanismos que permitam oferecer condições compatíveis com a dimensão dos prejuízos sofridos”, afirma Meneguette.

O presidente do Sindicato Rural de Laranjeiras do Sul, Eliseu Fernando Telli, afirma que produtores dos municípios vizinhos aguardam o mesmo tratamento concedido aos atingidos em Rio Bonito do Iguaçu.“Nossa expectativa era que os produtores dos demais municípios atingidos pelo tornado recebessem o mesmo apoio concedido pelo Governo do Estado aos agricultores de Rio Bonito do Iguaçu. No entanto, essas famílias não receberam nenhum tipo de suporte. A linha de financiamento com juros subsidiados que havia sido anunciada também não chegou aos produtores dessas cidades”, expõe.

Foto: Jonathan Campos

Na avaliação do presidente do Sindicato Rural de Guarapuava, Rodolpho Luiz Werneck Botelho, produtores continuam enfrentando dificuldades para recuperar estruturas financiadas justamente para ampliar a produção. “Muitos perderam barracões, silos e pocilgas construídos com financiamento. O que eles pedem agora é a liberação de linhas de crédito em condições diferenciadas, porque essa possibilidade foi apresentada na época, mas acabou não se concretizando”, afirma. “Teve produtor que perdeu mais de R$ 20 milhões, enquanto outros tiveram perdas menores. Quem havia feito investimentos maiores é quem mais precisa desse apoio para reconstruir a estrutura e voltar a produzir”, completa.

Prejuízo de até R$ 12 mi

Em Candói, o produtor rural Rodrigo Queiroz estima prejuízo de R$ 12 milhões. Proprietário de uma área de 1,5 mil hectares com produção de soja, milho, trigo, cevada, aveia e pecuária, parte da estrutura do agricultor precisou ser reconstruída imediatamente, mas outros investimentos continuam paralisados. “Não tivemos ajuda do poder público. Sempre conversamos com o pessoal do BRDE porque esperávamos que fosse criada uma linha de crédito para nos ajudar. Mas, com as taxas atuais, é inviável fazer um investimento desse tamanho. Foi uma situação totalmente fora do nosso controle”, relata.

Presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette: “Esses produtores também foram atingidos pelo tornado, registraram perdas milionárias e enfrentam dificuldades para reconstruir suas propriedades” – Foto: Divulgação/Sistema Faep 

Segundo o produtor, barracões, telhados, silos e casas de funcionários foram destruídos pela força do tornado. “Fomos obrigados a reconstruir a parte estrutural mais urgente, porque era impossível manter a atividade sem os barracões e o alojamento dos funcionários. Agora, o maior problema continua sendo os silos, que sofreram danos muito expressivos”, explica. “Ficamos sem energia, perdemos estruturas e tivemos prejuízos com fertilizantes, sementes e produtos armazenados. Nossos funcionários também passaram pelo tornado. Foi uma situação muito difícil, e qualquer apoio faz diferença”, pontua.

Governo cita critérios legais

Foto: Jonathan Campos

O Governo do Estado informou que apenas Rio Bonito do Iguaçu decretou estado de calamidade pública após o tornado. Desta forma, as linhas especiais atenderam exclusivamente esse município porque os demais não decretaram calamidade nem apresentaram demandas. “As linhas especiais atendem a Rio Bonito do Iguaçu, mas o Estado tem programas regulares para os demais municípios com recursos da Defesa Civil. As prefeituras não solicitaram nem apresentaram demandas. As outras cidades não receberam porque não decretaram estado de calamidade”, informa.

BRDE diz que faltou subvenção

O Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) afirmou que as linhas de financiamento permaneceram disponíveis para atender produtores atingidos, mas reconheceu que não houve a criação de uma subvenção estadual para reduzir os juros das operações. “O banco possui as linhas para atender às demandas. O que não aconteceu foi a criação de uma subvenção das taxas por parte do Governo do Estado. O BRDE não deixou de atender aos pedidos que recebeu. Inclusive há projetos com créditos aprovados, porém os produtores preferiram não contratar com as taxas atuais”, salienta.

Segundo o banco, a ausência da equalização dos juros tornou o crédito pouco atrativo para produtores que já enfrentavam elevados prejuízos provocados pelo tornado.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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