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Inovação em inoculantes de silagem

Uma silagem inoculada com a associação de bactérias heteroláticas (LB + LH) ajuda a ter silagem mais higiênica, o que melhora seu consumo.

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Artigo escrito por Lucas Mari, médico-veterinário, mestre e doutor em Ciência Animal e Pastagens e gerente de Suporte Técnico para América do Sul – Lallemand Animal Nutrition

As inovações em microrganismos usados em inoculantes de silagem não são tão comuns e levam tempo para aparecerem. Isso ocorre em virtude de necessidade de seleção de espécies ou cepas, estudos de segurança e eficácia, até que o produto, com sua fórmula final possa ser colocado no mercado. Pelo menos é isso que se espera de empresas sérias e que tenham responsabilidade no desenvolvimento de produto.

Até pouco tempo atrás a grande novidade em bactérias de inoculantes era o Lactobacillus buchneri, que já havia sido lançado há mais de 25 anos, desde a seleção e isolamento deste microrganismo de silagens de milho estáveis, em um instituto no interior da Holanda, chamado ID-DLO. Essa cepa foi nomeada NCIMB 40788 e é a mais estudada no mundo.

Este lapso ocorreu até 2009, quando pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (sim, no nosso Brasil!) apresentaram uma seleção de bactérias inovadoras no que se refere à estabilidade de silagens. Alguns dos microrganismos selecionados demonstraram uma grande vantagem. Enquanto as cepas de L. buchneri necessitariam de 45 a 60 dias para que a abertura da silagem não prejudicasse a estabilidade aeróbia da silagem, uma das cepas, posteriormente identificada como L. hilgardii CNCM I-4785 permitia a abertura antecipada em até 15 dias, sem que houvesse prejuízo da silagem ser instável. Isso ocorreu pois o L. hilgardii consegue agir e produzir ácido acético antes mesmo do L. buchneri ter seu efeito.

Esta não é a única vantagem, quando se associou L. buchneri NCIMB 40788 e L. hilgardii CNCM I-4785, a estabilidade aeróbica foi ainda maior a longo prazo, ou seja, mesmo a silagem tendo ficado muito mais tempo fechada. Ou seja, é a segurança de ter forragem estável, sem perdas após a abertura. Tudo isso demonstrado nas mais diversas forragens e em diferentes condições.

Como pode-se observar a silagem inoculada com ambas as bactérias heteroláticas associadas (L. buchneri + L. hilgardii), apresentou maior estabilidade aeróbica tanto precoce, quanto tardiamente, como pode-se observar na figura 1.

Mas o que isso significa em termos práticos?

Falamos em silagem instável quando ela aquece acima da temperatura ambiental, mas isso é apenas o “sintoma clínico”, ou seja, o que é visível e mensurável. Silagem estável aerobicamente significa menores perdas após a abertura do silo. O aquecimento da silagem no silo ou no cocho representa energia sendo queimada e, consequentemente, energia que não será consumida pelos animais.

Isso representa também maior higiene da silagem, já que microrganismos indesejáveis como leveduras e fungos são os principais responsáveis pela instabilidade. Em especial a alta população de leveduras deterioradoras. Estes microrganismos também interferem em diminuição do consumo da silagem, menor digestibilidade da fibra e, como resultado, menor produção de leite.

O que mais podemos esperar dessa nova bactéria em inoculantes L. hilgardii CNCM I-4785?

Além da questão relacionada a estabilidade aeróbica, qualidade higiênica da silagem, mais alimento disponível para alimentar os animais em função das menores perdas de MS, o L. hilgardii CNCM I-4785, associado ao L. buchneri NCIMB 40788 trouxe um parâmetro muito importante relacionado ao aspecto nutritivo: demonstrou melhorar a digestibilidade do amido de silagens de espiga (snaplage).

Em um estudo de 2023 publicado na maior reunião de nutrição e produção de gado leiteiro do mundo, a reunião da Sociedade Americana de Ciência em Gado Leiteiro (ADSA) de 2023, um grupo de pesquisa da Universidade de Lavras publicou um estudo em que demonstrou que a silagem de espiga de milho inoculada com L. buchneri e L. hilgardii melhorou nove pontos percentuais a degradabilidade do amido quando incubado em 7h no rúmen (Figura 2).

Qualidade

Essa nova descoberta traz vantagens ainda maiores, pois a inoculação com L. buchneri e L. hilgardii não se restringe a melhor estabilidade aeróbica, mas também a diminuição de perdas de qualidade e maior valor nutritivo devido ao aumento da degradação de amido.

Estes nove pontos percentuais representam um retorno muito favorável para a inoculação com L. buchneri associado a L. hilgardii. Nos preços atuais o retorno sobre o investimento é superior 5:1.

Considerações finais

Uma silagem inoculada com a associação de bactérias heteroláticas (LB + LH) ajuda a ter silagem mais higiênica, o que melhora seu consumo. Os níveis reduzidos de leveduras e fungos e diminuem a carga negativa de microrganismos no rúmen.

Há benefícios conhecidos de maior estabilidade aeróbica, mas novos dados demonstram ainda a maior degradabilidade do amido no rúmen.

Referências bibliográficas disponíveis se solicitadas. Contato: [email protected].

Para ficar atualizado e por dentro de tudo, acesse a versão digital de Nutrição e Saúde Animal clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural com Lucas Mari

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Arroba do boi gordo sobe para R$ 337,10 e reverte perdas de julho

Indicador Cepea/Esalq avançou 1,08% na segunda-feira (20) e voltou a registrar saldo positivo no acumulado do mês.

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Foto: Divulgação/Connan

O preço do boi gordo voltou a registrar alta no mercado brasileiro. Nesta segunda-feira (20), o Indicador Cepea/Esalq fechou cotado a R$ 337,10 por arroba, avanço de 1,08% em relação ao pregão anterior.

O resultado mantém o movimento de recuperação observado nos últimos dias. Na sexta-feira (17), o indicador havia encerrado o dia em R$ 333,50 por arroba. Antes disso, as cotações também apresentaram valorização, passando de R$ 328,10 na terça-feira (14) para R$ 329,20 na quarta-feira (15) e R$ 331,15 na quinta-feira (16).

Com a sequência de altas, o mercado praticamente eliminou as perdas registradas ao longo de julho. No acumulado do mês, a variação do indicador passou a ser positiva em 0,21%.

Em dólar, a arroba do boi gordo foi cotada a US$ 66,23, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

Fonte: O Presente Rural com Cepea
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Banco de antígenos amplia proteção do rebanho brasileiro contra a febre aftosa

Estoque de 10 milhões de doses permitirá resposta imediata em caso de novos focos da doença e ajudará a preservar o status sanitário do país.

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O Brasil deu mais um passo para fortalecer sua defesa sanitária animal com a inauguração, nesta sexta-feira (17), do 1º Banco Brasileiro de Antígenos para resposta emergencial à febre aftosa. Instalada em Buenos Aires, na Argentina, a estrutura manterá um estoque estratégico de antígenos para a fabricação de vacinas em caso de eventual reintrodução da doença no Brasil.

Resultado de uma parceria entre o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a empresa argentina Biogénesis Bagó, a iniciativa representa uma conquista inédita para o país.

Presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette: “O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes” – Foto: Divulgação/Sistema Faep

“O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes. Manter esse status exige vigilância permanente, planejamento e investimentos em prevenção. A criação desse banco representa uma camada adicional de proteção para o nosso rebanho e demonstra o compromisso com a sanidade”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

O Banco Nacional conta, inicialmente, com um estoque de 10 milhões de doses de antígenos correspondentes aos dois sorotipos do vírus da febre aftosa com maior circulação histórica no Brasil. O contrato prevê ainda a possibilidade de fornecimento de mais 10 milhões de doses ao longo dos próximos dez anos, em casos de eventuais surtos. O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas, caso seja identificado algum foco da enfermidade.

“A manutenção desse estoque é um requisito para que o Brasil preserve o reconhecimento internacional concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal. Os produtores rurais podem ficar mais confiantes de que, em surtos localizados da doença, haverá uma resposta rápida”, afirma o diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon.

O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas

Por questões de biossegurança, esse material permanece armazenado fora do território brasileiro. Países como Estados Unidos e Reino Unido também adotam esse modelo, mantendo estoques estratégicos na unidade da Biogénesis Bagó, na Argentina.

Segundo o presidente do Sindicato Rural de Guarapuava e da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Corte do Sistema Faep, Rodolpho Botelho, que acompanhou a cerimônia de inauguração, o Paraná tem histórico de protagonismo nas ações de defesa agropecuária e colhe os resultados desse trabalho por meio da abertura de mercados e da valorização da produção estadual.

“Sempre fomos referência em sanidade animal. Essa credibilidade abre mercados para a nossa produção e fortalece a competitividade da agropecuária no comércio internacional. Esse banco de antígenos é mais uma etapa no protocolo para o fortalecimento da sanidade”, reforça.

Para o diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Otamir Cesar Martins, o banco representa uma ferramenta estratégica para proteger o rebanho e também preservar o comércio internacional de proteína animal.

“Hoje, a Organização Mundial de Saúde Animal prevê protocolos que permitem isolar a área afetada, fazer a vacinação e controlar o foco sem comprometer o status sanitário do país. O banco de antígenos é uma ferramenta extremamente importante para garantir essa resposta”, esclarece.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Mercado futuro do leite ganha espaço entre produtores paranaenses

Sistema Faep destaca potencial da ferramenta para garantir maior segurança, transparência e previsibilidade na comercialização.

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Foto: Isabele Kleim

Desde o dia 13 de maio, a cadeia brasileira do leite conta com o chamado “mercado futuro”, pelo qual os contratos são negociados diretamente entre as partes, no mercado de balcão, sem listagem em bolsa, para uma data futura com preços já definidos. O instrumento financeiro (ferramenta hedge) garante mais proteção, previsibilidade, transparência e rentabilidade ao setor, que sofre com os riscos das oscilações do preço do leite. O avanço desta ferramenta entre os produtores foi tema da reunião da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Leite do Sistema Faep, nesta quinta-feira (16).

“Essa ferramenta traz mais segurança para os nossos produtores de leite. O mercado futuro já é uma realidade para outras commodities agrícolas como soja, milho e boi gordo. É questão de tempo para os pecuaristas se familiarizarem e usufruírem dos benefícios”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Produtores presentes na reunião da CT de Bovinocultura de Leite representaram as principais bacias leiteiras do Paraná

Para auxiliar neste processo, a reunião contou com a participação de Marianne Tufani, gerente de riscos da StoneX Leite Brasil, que detalhou o funcionamento da ferramenta e tirou dúvidas sobre o mercado futuro de leite.

“Todas as demais cadeias, como a da soja, milho e boi gordo, aprenderam a usar. Nós também vamos nos beneficiar com isso”, comenta o presidente da CT de Bovinocultura de Leite e produtor de leite, Eduardo Lucacin. “É preciso conhecer bem o nosso negócio, os nossos custos, para saber o melhor momento de travar o preço”, complementa.

O desenvolvimento da ferramenta teve participação do Sistema Faep, StoneX Leite Brasil, Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea – Esalq/USP) e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Marianne lembrou que, no mercado mundial de leite, 70% dos players já utilizam o mercado futuro.

“O primeiro passo para quem quer saber como funciona é abrir uma conta na corretora. O quanto antes, melhor, pois é um processo burocrático que exige documentação e análises extensas e minuciosas. Não tem custo essa abertura”, explica Marianne.

Temas prioritários

Ainda na reunião do CT de Bovinocultura de Leite do Sistema Faep, outros temas como a questão sanitária, preços e custo de produção, problemas no fornecimento de energia elétrica e oportunidades de capitalização estiveram em discursão. Os produtores relataram, mais uma vez, a preocupação com o custo da energia e a falta de qualidade do serviço da concessionária, que coloca em risco a produção.

O presidente da Comissão, Eduardo Lucacin, conduziu a reunião e mediou os debates sobre os temas prioritários para o setor

“Leite perdido, equipamento queimado. O que mais tem é produtor com situações como essas. O Sistema Faep tem atuado em Brasília e via Ministério Público Estadual, para cobrar da concessionária a qualidade do serviço. Porém, talvez tenhamos que, como comissão, pensar em soluções e outras alternativas para minimizar os danos”, afirma Lucacin.

Quanto à sanidade, o tema do combate à Brucelose apareceu no debate. “O controle da doença é pré-requisito básico para nos tornarmos competitivos em nível mundial”, diz o vice-presidente da CT, Roger van der Vinne, que também é médico veterinário e produtor em Carambeí, na região dos Campos Gerais. “Cada um em sua propriedade precisa dar o exemplo, gerindo a saúde do rebanho, realizando os testes e vacinação e buscando a certificação de livre da doença”, destaca.

Outro assunto que também foi discutido na reunião da comissão foi a possibilidade de aumento da rentabilidade com os derivados, em especial os sólidos, a proteína do soro (whey) e o concentrado proteico do leite. “A gente tem que preparar para todas essas tendências. Buscamos isso pela comissão e pelo Conseleite”, conclui o presidente da CT.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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