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Início da safra de soja exige atenção redobrada às pragas de solo
Percevejos, lagartas, corós e besouros podem estar presentes no momento da semeadura e causar prejuízos com o consumo de sementes, raízes e plântulas, sucção de seiva e introdução de patógenos. Redução do estande e vigor das plantas são algumas das consequências e causam reflexos na produtividade

Com o fim do vazio sanitário da soja, mais um ciclo da cultura teve início nos estados produtores. O período de semeadura e a fase de emergência das plantas são cruciais para o desenvolvimento da safra e exigem muitos cuidados, entre eles o controle de pragas e doenças. Em Mato Grosso, é importante que os produtores rurais fiquem atentos à incidência, principalmente, de corós, percevejo castanho-da-raiz (Scaptocoris castanea e S. carvalhoi), lagarta elasmo (Elasmopalpus lignosellus), Spodoptera frugiperda e coleópteros como o cascudinho (Myochrous armatus), além das espécies desfolhadoras (Diabrotica speciosa / Cerotoma arcuata / Megascelis sp e Maecolaspis sp).

Doutora em Entomologia e pesquisadora da Fundação MT, Lucia Vivan
Lucia Vivan, doutora em Entomologia e pesquisadora da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT), orienta que para corós e percevejo castanho-da-raiz é importante ter o histórico das áreas, pois esses insetos se mantêm nelas e podem abranger áreas maiores no decorrer dos anos. O mesmo tem sido observado para o cascudinho, espécie com população e abrangência de ocorrência cada vez maior.
Para S. frugiperda, a especialista explica que a população presente na área está relacionada à cultura na entressafra, sendo que essa espécie apresenta grande número de plantas hospedeiras. No entanto, de forma geral, áreas com tigueras de milho, milheto e gramíneas podem ter populações altas e lagartas residentes. “Estas terão o hábito de lagarta-rosca, causando corte de plantas na emergência”, pontua.
Há ainda mais uma espécie que pode estar presente no início de desenvolvimento da cultura da soja, o percevejo barriga-verde (Diceraeus melacanthus). A praga está relacionada a tigueras de milho, plantas de cobertura e daninhas. A pesquisadora orienta que o tratamento de sementes pode ser eficaz no controle, mas o manejo de invasoras auxilia na redução de populações iniciais que serão potenciais problemas para o período reprodutivo da soja e para o milho segunda safra. “Nesse caso, trata-se de um manejo no sistema de produção”, acrescenta.
Controle no pré-plantio
Para a lagarta elasmo é importante acompanhar as condições climáticas, pois anos com distribuição irregular e períodos de veranico no momento de plantio da soja podem favorecer essa população. Áreas com plantio de sorgo na segunda safra também podem ter infestações superiores. Lucia explica que o tratamento de sementes deve ser utilizado, mas ainda assim, em períodos secos, é possível que ocorram ataques e perdas de plantas.

Lagarta Spodoptera frugiperda, que causa corte de plantas na emergência
Segundo a entomologista, para S. frugiperda o monitoramento no pré-plantio é importante, pois lagartas maiores, a partir de segundo instar, não serão controladas pelo tratamento de sementes. “Nesse caso, deve-se fazer um controle pré-plantio com manejo na palhada, com dessecação antecipada ou uso de produtos recomendados para esse momento”, esclarece.
Já para o cascudinho, o tratamento de sementes minimiza os danos, no entanto, essa população apresenta fluxos de emergência de adultos, sendo necessário o monitoramento para decisão de aplicações foliares. “Pode-se dizer o mesmo para os coleópteros desfolhadores”, completa a pesquisadora.
Importante
As culturas hospedeiras podem proporcionar fontes de alimento e sobrevivência das pragas (ponte verde), resultando em maior número de gerações/ano. Portanto, de acordo com a especialista, o tratamento de sementes, o acompanhamento das previsões de precipitações e o histórico da área e populações presentes na palhada para a decisão de dessecação antecipada, são fundamentais para minimizar os problemas.
O clima tem grande influência e períodos com baixa precipitação merecem mais atenção, pois as plantas se desenvolvem menos e ficam mais suscetíveis ao ataque de pragas. Além disso, quando o clima está mais seco diminui a eficiência dos produtos em geral. Outro ponto importante, conforme orienta a especialista, é que podem ocorrer surtos de lagartas, uma vez que a precipitação é um regulador natural dessas populações.

Coleóptero Myochrous armatus (cascudinho)
É possível evitar danos ainda maiores?
Com o monitoramento das áreas, o produtor saberá qual ou quais pragas estão presentes e a dimensão do ataque, assim, poderá fazer a escolha das ferramentas. Para pragas de solo como corós e percevejo castanho-da-raiz, a entomologista explica que a única ferramenta é o tratamento de sementes ou a pulverização no sulco de plantio, “pois não há produtos aplicados na parte aérea que atinja as raízes, que é onde os insetos se alimentam e causam danos”.
O mesmo se aplica para lagarta elasmo, pois esta praga penetra na planta de soja à altura do colo, cavando uma galeria ascendente no interior do caule, alimentando-se do mesmo, e as pulverizações na parte aérea não são efetivas devido a esse hábito. “Por isso, é tão importante conhecer o histórico da área, pois essas medidas devem ser tomadas no momento do plantio”, acrescenta a doutora.
Com relação aos coleópteros desfolhadores, devem ser combinadas as ferramentas tratamento de sementes e pulverizações foliares. Isso porque ocorrem fluxos de emergência de adultos dessa espécie ao longo do tempo e o tratamento de sementes apresenta um período curto de atuação, porém, muito importante para o estabelecimento da cultura.
Por fim, para a lagarta S. frugiperda é necessário o monitoramento semanal a fim de identificar aumentos populacionais e tomar a decisão de controle em relação à população e danos em plantas. “As ferramentas para seu manejo são uso de feromônio para interrupção de acasalamento, uso de produtos biológicos e produtos químicos”, finaliza a pesquisadora da Fundação MT.

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Sementes sem comprovação de origem são apreendidas durante fiscalização no Rio Grande do Sul
Produtos permanecem retidos até julgamento dos autos de infração e podem ser condenados.

OMinistério da Agricultura e Pecuária (Mapa) realizou, na última semana, operação conjunta em Dom Pedrito (RS), que resultou na apreensão de 368 toneladas de sementes de azevém com irregularidades documentais e operacionais.
Durante a fiscalização, duas empresas produtoras de sementes de espécies forrageiras de clima temperado e duas empresas cerealistas foram inspecionadas. As irregularidades constatadas motivaram a autuação dos responsáveis e a apreensão de produtos avaliados em mais de R$ 1,5 milhão.
Além da apreensão, motivada pela ausência de comprovação de origem e procedência da produção e pela prestação irregular de serviço de beneficiamento, os estabelecimentos foram devidamente autuados pelos órgãos de defesa agropecuária. Como, a princípio, as irregularidades constatadas não podem ser sanadas, os produtos permanecem apreendidos até o julgamento dos autos de infração, podendo ser condenados.
A operação ocorreu em conjunto com a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (SEAPI) e com a Polícia Civil do Rio Grande do Sul (PCRS), por meio das Delegacias de Polícia Especializadas de Combate aos Crimes Rurais e de Abigeato (DECRABs) de Bagé e Alegrete.
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Gargalos logísticos pressionam custos e desafiam a qualidade da produção no Mato Grosso
Pressão no corredor logístico da BR-163 tem aumentado preços dos fretes e prejudicado o escoamento de grãos.

A pressão operacional já aparece no frete e, para o produtor, isso significa menor margem em um cenário de preços internacionais mais comprimidos. Para a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), o quadro reforça a necessidade de melhorias estruturais de capacidade e previsibilidade logística.

Foto: RRRufino
O acesso atual aos terminais segue em processo de melhorias emergenciais, enquanto um novo acesso pavimentado, em traçado paralelo, está em construção com previsão de conclusão em novembro de 2026. Até lá, o sistema permanece sensível ao alto volume de caminhões e às limitações físicas do trecho.
De acordo com vice-presidente norte da Aprosoja MT, Ilson José Redivo, o crescimento do volume exportado não foi acompanhado por melhorias proporcionais na infraestrutura. “A produção aumenta ano após ano, mas as condições das rodovias continuam precárias. Há trechos finais de acesso que não são asfaltados e, em períodos de chuva, caminhões precisam ser rebocados um a um em subidas íngremes, formando filas que podem ultrapassar 30 quilômetros”, afirmou.
Segundo ele, o impacto econômico é direto na renda do produtor. “Hoje o frete entre Sinop (MT) e Miritituba (PA) gira em torno de R$ 20 por saca. Com a soja sendo comercializada próxima de R$ 106 bruto, e menos de R$ 100 líquidos após encargos, o custo logístico compromete significativamente a margem e reduz a competitividade do produtor”, destacou. Ilson Redivo também chama atenção para um problema estrutural adicional: a capacidade de armazenamento do estado, estimada em cerca de 52% do volume produzido, o que obriga a comercialização e o escoamento em ritmo acelerado.
A produtora do município de Santa Rita do Trivelato, Katia Hoepers, acrescenta que os custos operacionais e a estrutura insuficiente nos pontos de recebimento agravam o cenário. “Para nós, o que mais impacta a rentabilidade é o frete e o custo do diesel, que pressiona toda a conta do transporte. O problema também está no porto em Miritituba, onde falta estrutura para receber os caminhões e tudo acaba travando. Além disso, houve expansão das áreas plantadas sem crescimento proporcional da armazenagem, o que gera longas filas nas tradings durante a colheita”, relatou.

Foto: Fernando Dias/Seapi
No campo, os efeitos são percebidos no dia a dia da operação. A incerteza quanto a prazos de entrega e a elevação do custo logístico impactam decisões de manejo, armazenamento e comercialização, além de ampliar riscos ao produto até a chegada ao porto.
Produtor no extremo norte do estado, Mateus Berlanda relata que as dificuldades começam ainda nas estradas regionais. “Nossa região tem alto índice de chuvas e solos com muita argila, o que dificulta o tráfego. Há muitos trechos de estrada de chão, pontes e bueiros danificados e, em períodos críticos, os caminhões simplesmente não conseguem avançar”, explicou. Ele acrescenta que o problema se estende à etapa seguinte da cadeia: “Mesmo quando conseguimos transportar a produção, enfrentamos filas de três a quatro dias nos armazéns, reflexo do déficit estrutural de capacidade e da pressão logística sobre toda a região”.
Berlanda, que produz na região de Alta Floresta, ressalta que a combinação entre infraestrutura precária, chuvas intensas e limitações de armazenagem aumenta custos operacionais e amplia o risco de perdas indiretas. “O produtor da ponta do estado enfrenta uma sucessão de obstáculos desde a colheita até a entrega final, o que encarece o processo e aumenta a insegurança da operação”, afirmou.
A expectativa do setor produtivo é que a conclusão do novo acesso pavimentado traga maior fluidez ao corredor, reduzindo o tempo de viagem e contribuindo para estabilizar os custos logísticos. Até que as melhorias estruturais se consolidem, produtores de Mato Grosso seguem absorvendo os efeitos dos gargalos sobre a competitividade da produção destinada ao mercado internacional.
“O produtor contribui com o FETHAB esperando que os recursos sejam destinados à melhoria da logística e da infraestrutura das estradas. No entanto, esse retorno não tem chegado de forma efetiva à ponta. Reconhecemos os avanços promovidos pela atual gestão do governo do estado, mas, em um cenário de margens cada vez mais apertadas, é necessário reavaliar o FETHAB. O produtor não pode seguir arcando com esse custo sem perceber resultados concretos na infraestrutura fundamental para o escoamento da produção”, afirma o diretor administrativo da Aprosoja MT, Diego Bertuol.

Foto: Divulgação
Nesse cenário, o fortalecimento de políticas públicas voltadas à armazenagem rural se apresenta como estratégia complementar para reduzir a pressão sobre o sistema logístico. Com maior capacidade de estocagem nas propriedades, o produtor pode planejar melhor o escoamento e evitar a concentração do transporte no pico da colheita, quando a demanda por frete aumenta e o fluxo intenso de caminhões sobrecarrega os principais corredores de exportação.
Em uma perspectiva estrutural, a Ferrogrão, ainda não leiloada e distante da entrada em operação, é apontada pelo setor produtivo como um projeto estratégico e potencialmente disruptivo para o enfrentamento dos gargalos da BR-163. A migração de parte significativa das cargas para o modal ferroviário tende a reduzir o volume de caminhões nos acessos ao distrito de Miritituba, promovendo maior eficiência logística, melhor distribuição do fluxo de transporte e alívio da pressão sobre os principais corredores de exportação com destino aos portos do Arco Norte.
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LCAs alcançam R$ 589 bilhões e lideram financiamento privado do agro
Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária mostram alta de 11% no estoque e avanço de 34% nos recursos reaplicados diretamente no crédito rural.

As Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) seguem como a principal fonte de recursos privados destinados ao financiamento das atividades agropecuárias no país. Em janeiro, o estoque desses títulos alcançou R$ 589 bilhões, crescimento de 11% na comparação anual. Desse total, ao menos R$ 353 bilhões foram reaplicados diretamente no financiamento rural – um avanço expressivo de 34% em relação ao mesmo período do ano passado.
Os dados são da nova edição do Boletim de Finanças Privadas do Agro que já está disponível no site do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A publicação é elaborada pelo Departamento de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário e reúne dados do Banco Central do Brasil, da Comissão de Valores Mobiliários e das registradoras B3, CERC e CRDC.
Outro instrumento relevante para o crédito do setor, as Cédulas de Produto Rural (CPRs), também apresentaram desempenho positivo. O estoque total chegou a R$ 560 bilhões em janeiro, alta de 17% nos últimos 12 meses. Na safra atual, entre julho de 2025 e janeiro de 2026, foram registrados R$ 231 bilhões em CPRs. Apesar do volume significativo, o montante representa queda de 5% frente à safra anterior.

Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) mantiveram a trajetória de crescimento e atingiram R$ 177 bilhões em estoque, com aumento anual de 16%. Embora movimentem valores inferiores aos das LCAs e CPRs, os CRAs exercem papel estratégico ao ampliar a presença dos títulos do agronegócio no mercado de capitais, aproximando cadeias produtivas de investidores institucionais e pessoas físicas.
Na direção oposta, os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCAs) registraram retração. O estoque recuou 15% na comparação anual, totalizando R$ 31 bilhões ao fim de janeiro. Esses títulos são emitidos exclusivamente por cooperativas de produtores rurais ou por entidades que atuam nas cadeias do agronegócio, com foco no financiamento de suas próprias operações.
O boletim mais recente também marca a retomada da divulgação dos dados sobre o desempenho dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio (Fiagro) no financiamento privado do setor. A divulgação havia sido interrompida em março do ano passado, em razão do período de adaptação desses fundos às novas regras do Anexo VI da Resolução CVM 175. Criados em 2021, os Fiagro alcançaram, após quatro anos de operação, um patrimônio líquido de R$ 47 bilhões em dezembro de 2025, distribuídos em 256 fundos em funcionamento.
Os dados podem ser consultados no Boletim de Finanças Privadas do Agro.



