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Inicia em Chapecó o maior evento sulbrasileiro do setor leiteiro
Evento reunirá 23 palestrantes e cerca de 800 participantes
Chapecó recebe nesta quarta-feira (09), o maior evento sulbrasileiro do setor leiteiro: o Interleite Sul 2018. O evento, que segue até a quinta-feira (10), traz em sua programação uma extensa lista de profissionais renomados para debater o que de mais atual existe no mercado do leite. A iniciativa, promovida pela AgriPoint, terá 23 palestras com a participação de aproximadamente 800 pessoas. A abertura oficial está marcada para as 9h30 no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes.
O evento é voltado para empresários, produtores rurais, técnicos, consultores, laticínios, membros do governo e pesquisadores envolvidos com políticas públicas para o leite e estudantes. Discutirá aspectos essenciais para o desenvolvimento da cadeia produtiva do leite na região Sul do país. “Abordaremos casos de sucesso, gestão, sistemas de produção e tecnologia aplicada, relação entre produtores e indústrias, tendências de mercado e competitividade do setor”, explica o fundador da AgriPoint e organizador do evento, Marcelo Pereira de Carvalho.
O Interleite Sul 2018 parte do princípio de que existe um processo de transformação, em que o Sul do país é um dos grandes protagonistas. “Nossa visão é que o Interleite Sul seja o fórum permanente de discussões dessas mudanças, sendo o epicentro do processo de divulgação de informações e de discussões e debates que, em última análise, continuarão a transformar o leite da região em direção a um modelo de grande eficiência técnica, social e econômica”, complementa o coordenador.
Programação
A programação será dividida em painéis. O primeiro abordará o tema “Mercado e organização da cadeia do leite”, nesta quarta-feira (09), às 10 horas. Cinco palestrantes terão 20 minutos cada para explanar sobre diversos aspectos do tema principal. Glauco Rodrigues Carvalho, pesquisador da Embrapa Gado de Leite será o primeiro a falar e explanará sobre “A competitividade do leite brasileiro: o que não estamos olhando?”.
Na sequência, Craig Bell, sócio da Leitíssimo, falará sobre “Oportunidades que o Brasil tem para ser competitivo e não aproveita como deveria”. “O papel e a visão da indústria de laticínios” será o tema abordado por Marcelo Costa Martins da Viva Lácteos. O coordenador da Aliança Sul Láctea Ronei Volpi falará sobre “A Aliança Sul Láctea: agenda de competitividade para o leite do Sul do país”.
O fundador da AgriPoint Marcelo Pereira de Carvalho abordará o tema “É possível termos uma relação melhor coordenada entre produtores e indústria? Uma análise da situação atual e possíveis caminhos”. Encerrando o primeiro painel os questionamentos e debate com o público serão moderados pelo sócio da MilkPoint Mercado Valter Galan.
No período vespertino da quarta-feira, a partir das 14 horas, o segundo painel terá como temática central a “Excelência no Compost Barn”. Ana Luiza Bachmann Shogor da Udesc de Chapecó comentará sobre “A movimentação em direção ao confinamento via compost barn: números e constatações”. Eduardo Pinheiro da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo explanará sobre “Manejo da cama em compost barn: como não errar?”.
O painel 3, “A transformação do leite no Sul do País”, terá como palestrante Christiano Nascif da Labor Rural que falará sobre “Terceirização da atividade como forma de otimizar a propriedade familiar e ganhar eficiência”. O tema “Obtendo o melhor resultado possível a partir da intensificação das pastagens no Sul do país” será comentado por Renato Serena Fontaneli da Embrapa Trigo de Passo Fundo, RS. A “Gestão de pessoas visando o sucesso da atividade” será a temática esclarecida por Márcio Hamm, gerente operacional da Melkstad, de Carambeí, PR.
Quinta-Feira
No segundo dia de evento as atividades serão retomadas a partir das 08h15. A “Assistência técnica visando o novo contexto da produção de leite no Sul do país” será o tema principal do painel 4. Jaime Eduardo Ries explicará A visão e os resultados práticos da Emater/RS. Paulo Tadatoshi Hiroki explanará sobre A visão e os resultados práticos da Emater/PR. Sobre A visão e os resultados práticos da Epagri quem comentará será Carlos Mader Fernandes. Herton Lima demonstrará A visão e os resultados práticos do SENAR/RS.
O painel 5 terá como foco “Mercado, tecnologia e futuro”. A primeira palestra será às 11h15 com João Pedro Bruno da Syngenta que explanará sobre “+ Produtividade + Qualidade de Silagem = + Leite”. Na sequência, Valter Galan, sócio da MilkPoint Mercado, falará sobre “Tendências para o mercado de leite em 2018”.
A terceira palestra será com o sócio da AgriPoint e organizador do Interleite Sul 2018 Marcelo Pereira de Carvalho que abordará o tema “Produzir leite no futuro: as novas demandas e necessidade contínua de capacitação”. Após as explanações será aberto espaço para questionamento e debate com o público e, posterior, almoço e networking.
O painel 6 abordará “Economia da produção de leite”. Paulo Rafael Lemos Amaral, zootecnista da Cifra Leite de Uberlândia, MG, palestrará sobre “O que os melhores do leite estão conseguindo no Sudeste e Centro-oeste? Quais as razões desse sucesso?”. Na sequência, Wagner Beskow da Transpondo abordará o tema “O que os melhores do leite estão conseguindo no Sul do País? Quais as razões desse sucesso?”.
Serão apresentados cases de sucesso dos produtores rurais Renato Acker de Cândido Godoi (RS), Natieli Aparecida Presa Schleder de Chopinzinho (PR), Sedimar Zanquettin de São Lourenço do Oeste (SC) e de Gelso José Zanotto de Cascavel (PR).
Fonte: Assessoria

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Unidades da Embrapa passam a usar IA para gerar recomendações técnicas no campo
Projetos como o SORaIA e o Semear Digital integram dados de solo, clima e genética para gerar recomendações técnicas, simulações produtivas e ferramentas digitais voltadas à decisão no campo e à inclusão da agricultura familiar.

Quatorze unidades de pesquisa da Embrapa ampliam o uso de inteligência artificial (IA) generativa a fim de desenvolver e validar soluções tecnológicas para os sistemas agroalimentares e florestais no Brasil. Estratégica para apoiar a tomada de decisão, a tecnologia se incorpora à construção de modelos integrados nas bases de conhecimento da Empresa, com potencial de escalabilidade, replicação e geração de recomendações prescritivas adaptadas às demandas do setor agropecuário.
Com aplicações que vão da organização e análise de grandes volumes de dados à simulação de cenários produtivos, a tecnologia contribui para agilizar a pesquisa, orientar decisões, qualificar recomendações no campo, impulsionar a inovação em sistemas agropecuários e ampliar o acesso ao conhecimento, em integração com ferramentas da agricultura digital.

Fotos: Shutterstock
O uso de IA na pesquisa agropecuária é uma evolução do que já é feito há décadas na Embrapa na análise de dados históricos para reduzir incertezas sobre a atividade agropecuária pela via da agricultura digital e de precisão.
Segundo Kleber Sampaio, pesquisador da Embrapa Agricultura Digital (SP), o domínio desse conhecimento é também um avanço em relação à IA preditiva, já utilizada no contexto científico da Empresa. “Enquanto a primeira antecipa cenários a partir de dados históricos, a generativa utiliza esses mesmos dados para produzir conteúdos, simulações e recomendações inéditas. É uma inovação no uso de informações geradas pela pesquisa agropecuária”, diz.
Exemplos do uso da IA generativa na agropecuária incluem a aceleração da pesquisa científica ao gerar relatórios técnicos e apoiar a revisão de literatura, além da organização de grandes volumes de dados experimentais. A tecnologia também contribui para a tomada de decisão no campo, por meio da simulação de cenários de clima, produtividade e manejo, da geração de recomendações personalizadas e da integração de dados de solo, clima e genética.
Outros destaques são o desenvolvimento de soluções inovadoras, como a simulação do crescimento de culturas, o apoio ao melhoramento genético e a criação de novos modelos preditivos. E, ainda, a pesquisa que desenvolveu método que usa laser e inteligência artificial para estimar, em uma única análise, a densidade do solo e o teor de carbono.
Inovação nas ferramentas digitais
O pesquisador Kleber Sampaio, que é o líder do projeto Soluções recomendativas e generativas baseadas em IA para aumento da eficiência, qualidade e resiliência produtiva (SORaIA), vê na IA uma aliada cada vez mais estratégica no apoio a decisões.
O projeto prevê o estímulo à produção de artigos científicos e a consolidação de acervos de dados estruturados para treinamento de modelos e reuso. O desenvolvimento de ferramentas digitais acessíveis, associado à qualificação de equipes técnicas e institucionais no uso dessas tecnologias, também é alvo da iniciativa.
“É improvável que alcancemos a fronteira do conhecimento utilizando um instrumental metodológico ou técnico já superado”, avalia Inamasu. Segundo ele, é importante que tanto as ferramentas de softwares e de hardwares quanto os especialistas estejam constantemente atualizados.
Vale destacar que as pesquisas nessa área na Embrapa asseguram que os algoritmos sigam padrões éticos em âmbito nacional e internacional em questões como a privacidade de dados sensíveis, prevista na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Patrimônio intelectual
A expansão planejada por meio de iniciativas como os projetos SORaIA e Semear Digital encontra respaldo nas análises do grupo de trabalho que apresentou recomendações para o avanço da IA generativa na instituição, como pontua Viviane Cavalcanti, que liderou o grupo de trabalho no âmbito da GCI.
De acordo com Cavalcanti, aliar inovação tecnológica à segurança jurídico-institucional, implantar governança permanente, além de investir em um processo dinâmico de curadoria e validação de dados também foram recomendados. “Essa visão estratégica inclui a proposta de um marketplace de contexto para proteger o patrimônio intelectual da Embrapa de forma soberana.”, argumenta.
O digital na agricultura familiar
Explorar a transformação digital em seu potencial de reduzir assimetrias de mercado é o propósito do projeto de inclusão socioprodutiva e digital da Embrapa e parceiros, o Semear Digital, criado em 2023 e idealizado pela presidente da Embrapa, Silvia Massruhá. A iniciativa apoia a chegada de tecnologias emergentes a dez municípios brasileiros, denominados Distritos Agrotecnológicos (DATs).
O projeto é coordenado pela Embrapa Agricultura Digital com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). As equipes são constituídas por especialistas de 13 centros de pesquisa da Embrapa e de sete instituições fundadoras, além de 24 parceiros, somando 90 pesquisadores, incluindo 43 bolsistas. O trabalho já resultou em 160 publicações técnico-científicas que envolvem 15 cadeias produtivas.
Arte: Alexandre Adas
Entre os eixos de atuação estão: conectividade; IA e sensoriamento remoto; automação e agricultura de precisão; rastreabilidade e certificação digital. Também inclui parcerias e comunicação para constituir o ecossistema local necessário para a continuidade das ações.
O robô SEEmear (foto), baseado em imageamento georreferenciado para a contagem automatizada de frutos em pomares, é um exemplo. A automação de etapas da colheita é a expectativa de pequenos produtores de maçã em Vacaria (RS), para reduzir os impactos da escassez da mão de obra e da penosidade da atividade. “As pessoas têm a percepção de que os produtores são muito refratários. Isso não é verdade. Se a tecnologia, de fato, trouxer benefícios, eles ficarão muito felizes por adotá-la,” avalia Barbedo. O pesquisador instalou experimento com antenas de monitoramento climático para detectar doenças do trigo no DAT de São Miguel Arcanjo.
Em 2025, a metodologia de atuação do Semear Digital começou a ser replicada na Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai em iniciativa com duração de três anos, no âmbito do Programa de Cooperação Internacional para a Agricultura do Cone Sul (Procisur).
A agricultura digital também apoiará a retomada econômica da área rural na bacia do Rio Doce, junto a comunidades rurais atingidas pelo rompimento da Barragem de Fundão, ocorrido em 2015 em Mariana (MG). A ação compõe o Rio Doce Semear Digital, um dos braços do principal projeto. Nesse caso, a atuação da Embrapa está vinculada à Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), que executa quatro eixos do Novo Acordo do Rio Doce.
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Moatrigo 2026 reúne 450 participantes e aprofunda debate sobre desafios da cadeia do trigo
Workshop destacou tendências globais, retração produtiva no Brasil e impactos diretos para a indústria moageira.

O Moatrigo 2026 reuniu cerca de 450 participantes da cadeia moageira em um encontro dedicado a debates estratégicos, análises de mercado e conteúdo técnico. O workshop foi realizado na segunda-feira (13), pelo Sinditrigo-PR, em Curitiba, e reforçou a posição do evento entre os principais fóruns do setor do trigo no Brasil, com aumento de participação e densidade técnica a cada edição.
Na avaliação dos especialistas que compartilharam suas análises no Moatrigo, há consenso sobre o momento desafiador vivido pelos moinhos, com um cenário internacional atual de oferta elevada, redução expressiva da área plantada no Brasil e desafios de qualidade na safra argentina. No curto prazo, os contratos futuros já indicam alta, sustentados por uma safra mundial menor, pela redução histórica da área plantada nos Estados Unidos e pelo aquecimento dos preços na Argentina.
No Brasil, o quadro é mais sensível. A temporada 25/26 deve fechar com cerca de 7,1 milhões de toneladas importadas, e a estimativa é que a nova safra 2026/27 deve produzir apenas 6,5 milhões, volume muito inferior ao potencial já demonstrado pelo país. O Paraná, perdendo área para milho safrinha e cevada, também deve precisar importar em 2026/27, algo em torno de 1,8 milhão de toneladas. No ciclo 2026/27, a projeção da necessidade nacional de importação pode chegar a 8,2 milhões de toneladas.
A Argentina permanece como principal origem, mas sua safra, embora volumosa, apresentou proteína média de 11,2% e glúten úmido de 20,9%, exigindo complementar blends com trigos de outras origens, mais caros. Como país estruturalmente importador, o Brasil não forma preço e convive com custos elevados mesmo quando há oferta global confortável. Os debatedores destacaram ainda uma projeção de dois anos pela frente de aumento estrutural de custos, agravado pelo risco climático, pela baixa atratividade ao produtor e pela limitação de investimentos.
Espaço necessário para debate e atualização
“A cada edição, percebemos o quanto o Moatrigo se fortalece como um espaço necessário. O que torna o evento especial é a combinação entre público técnico, discussões estratégicas e a troca qualificada de experiências. Reunir quase 450 profissionais neste ano confirma que o setor está empenhado em buscar caminhos consistentes, atualizados e colaborativos para enfrentar um cenário cada vez mais complexo”, afirmou Paloma Venturelli, presidente do Sinditrigo-PR.
O encontro também evidenciou a importância do networking qualificado, um dos pontos mais valorizados pelos participantes. Profissionais de diferentes regiões aproveitaram o ambiente para trocar percepções, aprofundar relações institucionais e ampliar conexões que fortalecem toda a cadeia. “No Moatrigo, essas interações não acontecem à margem da programação: elas fazem parte do valor do evento e contribuem diretamente para a construção de soluções e parcerias em um momento em que a indústria demanda cooperação e leitura conjunta de cenário”, ressaltou Paloma, que já confirmou a realização da edição 2027 do evento, provavelmente em março do ano que vem.
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Rio Grande do Sul inicia censo para mapear agroindústrias familiares
Levantamento deve alcançar mais de 4 mil empreendimentos e orientar políticas públicas.

O governo do Rio Grande do Sul iniciou, nesta terça-feira (14), a aplicação do Diagnóstico Socioeconômico do Programa Estadual de Agroindústria Familiar (Peaf), com o objetivo de mapear a realidade de mais de 4 mil agroindústrias familiares no Estado. A primeira entrevista foi realizada em Estância Velha, na agroindústria Sabores do Rancho Laticínio Artesanal.

Secretário Gustavo Paim realizou a aplicação do primeiro censo na Agroindústria Sabores do Rancho em Estância Velha
Batizado de Censo das Agroindústrias Familiares, o levantamento vai reunir informações sobre gestão, sucessão familiar, qualidade de vida, nível de inovação e perspectivas futuras dos empreendimentos rurais.
A ação é coordenada pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), em parceria com a Emater-RS/Ascar e o Departamento de Economia e Estatística (DEE). A proposta é gerar uma base de dados que auxilie na formulação de políticas públicas voltadas ao fortalecimento do setor.
Segundo o secretário de Desenvolvimento Rural, Gustavo Paim, o diagnóstico permitirá identificar demandas específicas dos produtores. A partir dessas informações, o governo pretende direcionar ações com maior precisão, focadas na qualificação da produção e no desenvolvimento das agroindústrias familiares.
O presidente da Emater-RS/Ascar, Claudinei Baldissera, destacou que o levantamento também deve aprimorar o atendimento técnico no campo. Com dados mais detalhados, a expectativa é ampliar a atuação da assistência técnica e identificar novas oportunidades para os produtores.
A primeira entrevista foi realizada com a produtora Rafaela Jacobs, proprietária da Sabores do Rancho, agroindústria que produz queijos coloniais, iogurtes e sorvetes artesanais. Ela ressaltou que iniciativas como o censo contribuem para dar visibilidade ao setor e incentivar a permanência das famílias no meio rural.
O Programa Estadual de Agroindústria Familiar (Peaf) reúne empreendimentos que podem participar de feiras promovidas pelo governo estadual. Em 2025, o programa atingiu a marca de 2 mil agroindústrias certificadas, consolidando sua atuação no fortalecimento da agricultura familiar no Rio Grande do Sul.

