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Infraestrutura une América do Sul por um agro mais competitivo
Na Cúpula Agro Global, parlamentares defendem cooperação logística e criação de frente legislativa latino-americana para impulsionar o escoamento e a integração regional.

No último dia da 2ª Cúpula Agro Global Sul-Americana, realizada na quinta-feira (24), no Congresso Nacional da Argentina, em Buenos Aires, o tema “Infraestrutura para o Desenvolvimento” esteve no centro dos debates. O painel abordou os gargalos logísticos que impactam a competitividade do setor agropecuário e reforçou a necessidade de cooperação entre os países da região.
O senador Marcos Rogério (PL-RO), coordenador político da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) no Senado, destacou a importância de uma articulação regional para garantir a entrega de produtos de qualidade com eficiência e menor custo ao consumidor final. Segundo ele, a superação das deficiências estruturais é um desafio comum a todos os países sul-americanos e deve ser enfrentado por meio do diálogo institucional e da integração das políticas públicas.

Fotos: Divulgação/FPA
“A infraestrutura é a espinha dorsal da competitividade. Não adianta produzir com excelência se não conseguimos escoar com eficiência. Precisamos olhar para a América do Sul como um corredor logístico estratégico e agir em bloco para atrair investimentos e garantir conectividade”, afirmou.
Em sua fala, Marcos Rogério ressaltou o papel estratégico do setor produtivo brasileiro e da FPA na construção de um país mais desenvolvido nos âmbitos econômico, social e tecnológico. Ele destacou ainda a presença expressiva de integrantes da bancada do agro em comissões-chave do Senado Federal, o que, segundo ele, permite fortalecer os laços com outras nações sul-americanas.
“Parlamentares que representam o agro integram e presidem as principais comissões do Senado, como as de Agricultura, Relações Exteriores, Desenvolvimento Regional e Infraestrutura. É nesse ambiente que estamos construindo no Brasil uma nova cooperação voltada ao avanço do comércio exterior”, afirmou.
Atual presidente da Comissão de Infraestrutura do Senado, o senador pontuou que a logística representa um dos maiores desafios comuns aos países da América Latina. De acordo com ele, trata-se de um obstáculo complexo, que exige investimentos elevados e tem impacto direto na capacidade de entrega eficiente ao consumidor final.
“Nossos desafios são comuns. Vimos aqui o potencial de cada país e de cada expositor, mas este painel revela um ponto de convergência: todos sabemos produzir com qualidade — o desafio é fazer esse produto chegar ao consumidor com eficiência e competitividade. Esse é o nosso maior teste”, concluiu.
Gargalos
Na visão do senador Marcos Rogério, embora a questão da infraestrutura muitas vezes pareça ser um obstáculo interno, trata-se de um desafio global. A ausência de uma discussão mais ampla sobre o tema, segundo ele, agrava ainda mais os entraves enfrentados pelos países da região. No caso do Brasil, a principal alternativa adotada tem sido a mobilização do setor privado para enfrentar os gargalos logísticos.
“O que o Brasil tem feito para vencer o gargalo da infraestrutura é chamar o setor privado. No setor ferroviário, por exemplo, 94% das obras em andamento são de responsabilidade da iniciativa privada. Criamos uma legislação específica para esse modal, que é o mais barato, integrador e de menor impacto ambiental. Avançamos muito nesse caminho, mas a mudança não acontece do dia para a noite, e os investimentos ainda estão abaixo do necessário. Precisamos integrar os diferentes modais de transporte”, afirmou.

Rogério também apresentou dados sobre a produção agrícola brasileira. A expectativa é que o país produza cerca de 325 milhões de toneladas de soja e milho, sendo que mais de 60% dessa safra deverá ser escoada da região Centro-Oeste em direção ao Norte. Contudo, o Brasil ainda não conta com um corredor logístico consolidado nessa direção, o que compromete a eficiência do escoamento.
“Essa discussão precisa ser feita em escala multilateral. O corredor Norte é estratégico para o desenvolvimento de toda a nossa região. Estamos diante de uma janela de oportunidade que pode demorar muito tempo para se repetir. Precisamos deixar de lado as disputas e valorizar nossos pontos de convergência. É hora de derrubar muros e construir pontes de cooperação”, concluiu.
Frente Parlamentar Latino-Americana
Ao encerrar sua participação, o senador Marcos Rogério propôs a criação da Frente Parlamentar Latino-Americana com representantes dos países membros. Segundo ele, uma instância comum de articulação legislativa poderá contribuir para o debate e a formulação de políticas voltadas à integração continental, promovendo avanços estruturais em toda a região. “É hora de aproveitar essa janela de oportunidades para avançarmos com segurança, previsibilidade e prosperidade para o nosso povo. Se unirmos o que temos em comum, todos sairemos ganhando”, afirmou.
A proposta foi bem recebida pelo deputado argentino Oscar Agost Carreño, integrante do Espacio Legislativo Interpartidario del Agro (ELIA), que reforçou a importância da atuação legislativa na construção de soluções conjuntas. “Hoje estamos debatendo temas como infraestrutura e conectividade porque há parlamentares engajados em identificar pontos fracos e fortes do nosso setor, independentemente da nacionalidade. Precisamos estar unidos em um diálogo que envolva a classe política e todos os que acreditam em um agro continental mais forte e mais competitivo”, concluiu Carreño.

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Paraná atualiza regras para licenciamento de poços e agiliza processos
Nova norma dispensa a outorga prévia em parte dos casos, integra etapas do licenciamento e muda o fluxo para captação de água subterrânea no Estado.

O Instituto Água e Terra (IAT) atualizou o procedimento de licenciamento ambiental para a captação de água subterrânea por meio de poços no Paraná. A Instrução Normativa nº 09/2026 aprimora o processo, integrando-o de forma mais eficiente com a emissão de outorgas, documentos obrigatórios para o uso de recursos hídricos no Estado.
Além de tornar mais claro o fluxo de documentos que devem ser requisitados, a medida estabelece algumas mudanças no procedimento, como a remoção da necessidade da Outorga Prévia (OP) para algumas modalidades de licenciamento, agilizando os trâmites. “É mais um passo que damos para agilizar, de maneira segura e eficaz, esse processo tanto importante para o desenvolvimento sustentável do Paraná”, diz a diretora de Licenciamento e Outorga do IAT, Ivonete Coelho da Silva Chaves.
Para os empreendimentos monofásicos, que requerem apenas a emissão de uma licença por possuírem um potencial poluidor ou degradador menor, a norma determina que a Outorga Prévia não é mais necessária para os processos que envolvem poços ainda não perfurados, necessitando apenas da obtenção de uma anuência prévia pelo órgão responsável por iniciar o licenciamento. No entanto, o documento ainda é imprescindível para o uso de poços já perfurados.
Após essa etapa inicial, deve ser solicitada a licença apropriada ao empreendimento (seja ela Declaração de Dispensa de Licenciamento Ambiental, Licença Ambiental por Adesão e Compromisso, ou Licença Ambiental Simplificada), e em seguida a Outorga de Direito, que autoriza o uso da água no poço.
O gerente de Outorga do IAT, Tiago Bacovis, acrescenta que com esse novo fluxograma os produtores rurais podem obter o licenciamento ambiental apenas com a apresentação da anuência prévia ou da outorga prévia, trazendo uma série de benefícios. “Isso permitirá um acesso mais rápido ao financiamento e aos recursos necessários para a implantação do empreendimento e do poço. Na sequência, poderá ser realizada a perfuração, bem como os testes de bombeamento e a análise da qualidade da água, para, então, solicitar a outorga de direito de uso”, explica.
“Também é muito importante que os proprietários levem em conta a demanda de água do empreendimento antes de solicitar a outorga. Caso o poço não consiga atender a necessidade, será preciso procurar outras fontes de abastecimento”, acrescenta a chefe da Divisão de Demanda e Disponibilidade Hídrica do IAT, Gláucia Tavares Paes de Assis
A Outorga Prévia também deixou de ser exigida em processos de empreendimentos com alto potencial poluidor e degradador. Nesses casos, o processo funciona de forma trifásica, com a emissão de três licenças, seguindo a seguinte sequência de requisições: Anuência Prévia, Licença Prévia, Outorga de Direito, Licença de Instalação, e por fim a Licença de Operação.
Já nos casos em que o responsável estiver com a portaria de outorga em processo de renovação, poderá requisitar a prorrogação da licença ambiental com condicionante, o que reduz o tempo necessário para a solicitação.
Outorga
A outorga é um documento essencial para delimitar o uso da água em ações comerciais e de geração de energia. Assim, qualquer pessoa ou empreendimento com interesse em aproveitar recursos hídricos superficiais ou subterrâneos deve solicitar uma Portaria de Outorga ou uma Declaração de Uso Independente de Outorga, quando aplicável. Passar por esse procedimento é o que assegura que a alocação da água foi feita conforme as orientações estabelecidas pelo IAT.
Para solicitar o documento, o requerente deve acessar a página do SIGARH no site do IAT. Lá, o usuário deve fazer tanto o registro pessoal do usuário quanto o cadastro completo do empreendimento. Feito isso, o proprietário deve enviar os documentos e as informações necessárias para a formulação do requerimento seguindo as orientações expostas no site.
Licenciamento
O Licenciamento Ambiental é um procedimento administrativo emitido pelo IAT que autoriza a localização, instalação, ampliação e a operação de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras, ou aquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental, considerando as disposições legais e regulamentares e as normas técnicas aplicáveis ao caso.
Para mais informações sobre o processo de licenciamento ambiental no Estado do Paraná, é possível consultar o site do Instituto Água e Terra.
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Cooperja firma acordo com cinco países e amplia presença no comércio global
Negociação inclui exportação de grãos e ração com foco em qualidade e logística eficiente.

A Cooperja deu um importante passo rumo à internacionalização ao firmar um contrato de marco integrado de fornecimento com El Salvador, Nicarágua, Guatemala, Costa Rica e Honduras na América Central. O acordo prevê a exportação de arroz, milho e ração.
A cerimônia de assinatura aconteceu na manhã de terça-feira (14), no auditório da Unidade de Santo Antônio da Patrulha/RS, com a presença do presidente Vanir Zanatta, do vice-presidente Antonio Moacir Denoni, diretor Carlos Roberto Wilk e do Conselho Administrativo da cooperativa. Também participaram Omar Salazar Castro, representante da empresa Cemersa, que atua como compradora internacional, importadora, distribuidora regional e operadora comercial para a América Central e Panamá.

O evento contou ainda com a presença de Rodrigo Veiga, representante da Origrains, empresa responsável pela integração e estruturação das operações internacionais, conectando produção, logística e mercado global com eficiência e segurança.
A parceria estabelece uma relação comercial de longo prazo, garantindo condições estruturadas de fornecimento, com foco na qualidade dos produtos e na eficiência logística. O contrato fortalece a presença da Cooperja no mercado internacional e evidencia a competitividade do agronegócio brasileiro.
Para El Salvador, o acordo representa acesso a produtos de alto padrão, contribuindo diretamente com a qualidade ofertada a população e o desenvolvimento da economia daquele país.
Durante a solenidade, Omar Salazar Castro destacou a relevância da parceria e o papel dos agricultores. “A Cooperja é mais do que um negócio, é uma parceira estratégica, comprometida com o desenvolvimento a longo prazo. É uma cooperativa que acredita em construir, dia após dia, resultados sólidos e duradouros. Valorizamos cada conquista e, principalmente, cada pessoa que faz parte dessa história”, ressaltou.
Além de ampliar mercados, a iniciativa reforça o papel das cooperativas brasileiras como agentes estratégicos no cenário global, promovendo geração de renda, inovação e desenvolvimento sustentável no campo.
Para o presidente Vanir Zanatta, o momento representa um marco na trajetória da cooperativa. “Estamos levando a qualidade da produção dos nossos cooperados para além das fronteiras, abrindo novas oportunidades e agregando valor ao que produzimos. A internacionalização é um caminho estratégico que fortalece a Cooperja e gera desenvolvimento para todos”, destacou.
A Cooperja segue avançando, conectando o produtor rural às oportunidades do mercado internacional e consolidando sua atuação como protagonista no agronegócio.
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Economia brasileira cresce 0,6% em fevereiro, aponta Banco Central
Alta é puxada pela indústria, enquanto serviços e agro registram avanço moderado.

A atividade econômica brasileira teve crescimento em fevereiro deste ano, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (16) pelo Banco Central (BC). O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) subiu 0,6% em fevereiro em relação ao mês anterior, considerando os dados dessazonalizados (ajustados para o período).

As altas foram de 0,2% na agropecuária, 1,2% na indústria e 0,3% em serviços.
Já na comparação com fevereiro de 2025, houve recuo de 0,3%, sem ajuste para o período, já que a comparação é entre meses iguais. Em 12 meses acumulados até fevereiro deste ano, o índice acumula uma alta de 1,9%.
O IBC-Br é uma forma de avaliar a evolução o ritmo da economia do país e incorpora informações sobre o nível de atividade na indústria, comércio e serviços e agropecuária, além do volume de impostos.
O índice ajuda o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC a tomar decisões sobre os juros básicos da economia, a Taxa Selic, definida atualmente em 14,75% ao ano. A Selic é o principal instrumento do BC para alcançar a meta de inflação.
Produto Interno Bruto

Divulgado mensalmente, o IBC-Br emprega metodologia diferente da utilizada para medir o Produto Interno Bruto (PIB), que é o indicador oficial da economia brasileira divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o BC, o índice “contribui para a elaboração de estratégia da política monetária” do país, mas “não é exatamente uma prévia do PIB.”
O PIB é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos por um país. Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,3%, com expansão em todos os setores e destaque para a agropecuária, o resultado representa o quinto ano seguido de crescimento.



