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Suínos / Peixes Saúde Animal

Influenza na suinocultura: saiba como diagnosticar e quais as ferramentas disponíveis para prevenção e controle

É papel de cada um dar sua contribuição epidemiológica, dificultando que rearranjos virais ocorram e novos vírus surjam

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Heloiza Irtes de Jesus Nascimento, mestranda da Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais, Departamento de Medicina Veterinária Preventiva e da Zoetis Indústria Farmacêutica Veterinária; Jovani Antonio Finco, Érico Franco, Dalvan Carlo Veit, Rodrigo Bieleski, da Zoetis Indústria Farmacêutica Veterinária

Em junho de 2009, na América do Norte, ocorreu o primeiro surto de Influenza em anos, declarado pela Organização Mundial de Saúde. O vírus, nunca descrito anteriormente em humanos, era o H1N1 pandêmico (H1N1pdm09), que rapidamente se disseminou mundialmente.

O vírus da Influenza A acomete diversas espécies de animais, como aves, morcegos, cavalos, incluindo ainda suínos e humanos. Em suínos, o vírus causa doença respiratória aguda e é endêmico nas populações dessa espécie ao redor do mundo. Três subtipos da Influenza suína estão presentes nos plantéis: H1N1, H1N2 e H3N2, os quais podem possuir linhagens genéticas distintas.

A Influenza suína faz parte do complexo das doenças respiratórias dos suínos, uma das principais causas de pneumonia viral.  Além de ser um agente primário, o vírus está bem documentado como sendo um fator predisponente para o surgimento de pneumonia bacteriana secundária subsequente.

A patogênese da doença respiratória viral está tipicamente associada à destruição do aparato mucocelular e ao comprometimento da função dos macrófagos alveolares e intravasculares pulmonares.

Os principais problemas associados com a infecção do vírus da Influenza nos plantéis de suínos são as perdas zootécnicas, como diminuição do ganho de peso diário (GPD), mais dias para chegar ao peso de abate e perdas reprodutivas. Predisposição a coinfecção, infecções secundárias com consequente aumento do uso de antibióticos e aumento da mortalidade são desafios comumente encontrados em plantéis infectados pelo vírus da Influenza A (IAV).

A Influenza suína não é uma doença de origem alimentar. O risco de ser infectado com o vírus da Influenza pelo consumo de carne ou produtos suínos é insignificante. Os vírus da gripe são geralmente restritos ao trato respiratório do suíno e não são detectados no músculo, mesmo durante doenças agudas.

O suíno tem um papel importante na epidemiologia da Influenza por possuir receptores celulares capazes de se ligarem ao vírus da Influenza proveniente de várias espécies, como humanos e aves. Ao se contaminar com tipos virais de diferentes origens ou subtipos, pode favorecer o rearranjo genômico, promovendo o surgimento de novos vírus.

Em granjas infectadas pelo vírus da Influenza, a taxa de morbidade pode chegar a 100%, enquanto a taxa de mortalidade é geralmente baixa. Os animais acometidos pela Influenza apresentam com frequência sinais clínicos como hipertermia (40,5 – 41,5 ºC), anorexia, prostração, taquipneia e tosse. O impacto econômico primário está relacionado ao ganho de peso retardado, resultando em um aumento no número de dias para atingir o peso do mercado.

No Brasil ocorrem com maior frequência, na creche, sinais respiratórios provocados pela associação entre Influenza e Haemophilus parasuis. Assim como na transmissão entre humanos, a transmissão entre suínos ocorre através do contato com secreções contaminadas, como descarga nasal e aerossóis, ou seja, pelo ar. A doença causada pela Influenza pode ocorrer de duas formas: epidêmica ou endêmica. Na forma epidêmica, que surge quando um agente infeccioso é introduzido numa população suscetível (ou seja, na ausência de anticorpos), o vírus é transmitido rapidamente para todas as fases de produção de uma unidade, sendo que os suínos se recuperam rapidamente, desde que não haja complicações por infecções bacterianas secundárias. Na forma endêmica, os sinais clínicos são menos óbvios e não são todos os animais que demonstram os sinais clínicos típicos da infecção.

Diagnóstico

Para um diagnóstico bem-sucedido é de extrema importância que se entenda a linha do tempo da infecção pelo IAV e os sinais clínicos. A finalidade do diagnóstico também deve ser levada em conta. Para testes de detecção do vírus, as amostras devem ser coletadas até 7 dias após o início dos sinais clínicos, período em que ainda existe excreção viral.  Para isso, a coleta de material com o auxílio de um suabe nasal e posterior envio para diagnóstico molecular através do PCR (Reação em Cadeira pela Polimerase) nos fornece a identificação dos vírus presentes. Quando a intenção é a detecção da resposta imune produzida pelo animal, ou quando a granja passa por surtos frequentes, a coleta deve ser feita 10-14 dias pós-infecção (PI), momento em que ocorre o pico de soroconversão. Com o teste de inibição da hemaglutinação (HI) podem-se identificar os subtipos virais com os quais o animal teve contato. Também é possível fazer a identificação das lesões características da Influenza à microscopia e, ainda havendo presença de vírus, a imuno-histoquímica pode identificar a presença do vírus na lesão.

Estratégias de controle

Devido à grande capacidade de o vírus da Influenza se propagar pelo ambiente e por ser um vírus em cuja disseminação os humanos têm um papel importante, vários fatores devem ser considerados para o controle.

Biossegurança

Como a Influenza humana pode infectar suínos e as pessoas podem introduzir novos vírus nas granjas, todos os trabalhadores que estão em contato direto com os suínos devem ser vacinados anualmente contra a gripe sazonal. Isso pode reduzir o potencial de as pessoas e os suínos se coinfectarem com ambos os vírus (humano e suíno) e favorecer o rearranjo entre diferentes vírus, o que pode levar ao surgimento de um novo vírus de Influenza A, com uma combinação genética diferente das conhecidas no momento. Bons hábitos de higiene dos funcionários, como lavar sempre as mãos com sabão e ter etiqueta social ao tossir e espirrar, favorecem o controle e a redução da transmissão do vírus. A realização de quarentena dos animais antes de introduzi-los nas granjas, como para outras doenças, é de fundamental importância para evitar a introdução de novos vírus e bactérias no plantel.

Vacina

A vacinação, até o momento, tem sido a única ferramenta para a prevenção contra a Influenza, apesar do grau de proteção variar de acordo com a resposta imune individual do suíno, do momento da vacinação e da correspondência entre os antígenos vacinais e os vírus selvagens. Os protocolos vacinais são bastante variáveis, abrangendo estratégias de vacinação do plantel reprodutivo, dos leitões ou de ambos. Além de proteger a porca, a vacinação antes do parto proporciona o benefício adicional de prover anticorpos passivos e, consequentemente, alguma proteção para os leitões por 8 a 10 semanas após o nascimento.

Estudos realizados após a vacinação das porcas em duas doses, reportaram que após seis semanas, houve redução drástica da excreção de influenza pelos leitões e que a vacinação em massa no plantel reprodutivo pode ter um papel importante na dinâmica de transmissão do vírus.  Tais estudos fornecem evidências de que a vacinação das porcas pode ter um papel importante no controle da excreção do vírus nas granjas de suínos.

Considerações finais

A iniciativa do veterinário de campo de buscar esclarecer quais são os agentes envolvidos nos surtos de doenças respiratórias e de pôr em prática as estratégias de controle da Influenza, são ferramentas indispensáveis para reduzir os prejuízos causados pelo vírus. É papel de cada um dar sua contribuição epidemiológica, dificultando que rearranjos virais ocorram e novos vírus surjam.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Suinocultura

O preço da biosseguridade

No dia a dia da produção animal, os programas de biosseguridade se tornam eficientes ao estarem embasados em normativas e legislações consistentes

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Monalisa Pereira

Artigo escrito por Débora Bernardes, médica veterinária da MS Schippers

Quando falamos de biosseguridade muitas vezes a enxergamos como um investimento, um custo dentro do processo de produção animal, e não como uma medida obrigatória para proteção da sustentabilidade do negócio a longo prazo. A persistência em uma visão de curto prazo sobre a demanda do mercado pode ser fator limitante para a sobrevivência de vários participantes da cadeia de alimentos. O padrão de consumo está mudando a cada ano, e além disso, do ponto de vista de saúde humana, nós sabemos que as próximas décadas exigirão um cuidado maior na utilização de recursos sustentáveis e nas boas práticas de produção, de forma a aumentar a eficiência produtiva e reduzir o uso abusivo de medicamentos. Atualmente vivemos um momento de ascenção da biosseguridade como medida básica de sobrevivência e convívio social, e o desafio pandêmico do coronavírus na saúde humana tende a trazer mais reflexões também dentro da cadeia agropecuária.

Está mais evidente que setores essenciais como o de produção de alimentos precisam estar blindados de catástrofes sanitárias e econômicas para garantir a sobrevivência da população mundial. O setor agropecuário, que já viveu diversas epidemias preocupantes ao longo dos anos, dentro de poucos anos precisará suportar novas pressões de redução no uso de antibióticos e agrotóxicos através de práticas de biosseguridade. A produtividade por área precisará aumentar, já que precisaremos alimentar uma população global continuamente crescente com proteína animal e vegetal suficientes.

Para que isso aconteça, esforços multidisciplinares deverão ser combinados entre empresas, universidades, e governos, como já sugerido pelo conceito de “saúde única” (onde seres humanos, animais e meio ambiente são uma só entidade de saúde a ser tratada). No âmbito de da produção pecuária, sabemos que a infra-estrutura de granjas e fazendas ao redor do mundo é extremamente variável, bem como a intensificação dos sistemas de produção e as legislações que os governam. Por isso, o compartilharmento de informações dentro do tema biosseguridade é fundamental para que o próprio setor se prepare para, em um futuro bastante próximo, mudar suas concepções de prioridade em manejo e produção.

Em sistemas de produção mais intensivos (como na avicultura e suinocultura) o desafio e risco sanitário é grande, afinal o confinamento de mais animais em um mesmo espaço é maior. Nesses cenários, quando pensamos nos prejuízos causados por possíveis epidemias, será que conseguimos definir o custo de eventuais falhas de biossegurança? Quanto vale um plantel inteiro de animais? Quanto custa recuperar uma drástica queda em produção devido a altas taxas de mortalidade? Esse raciocínio nos permite entender que, ao invés do preço, precisamos mesmo é enxergar o valor da biosseguridade para os negócios agropecuários.

Biosseguridade na produção intensiva

No dia a dia da produção animal, os programas de biosseguridade se tornam eficientes ao estarem embasados em normativas e legislações consistentes. Além disso, o suporte de profissionais responsáveis como médicos veterinários, zootecnistas, e gerentes técnicos de granjas faz total diferença na adesão aos protocolos de produção em granjas suinícolas e aviários. Citamos abaixo alguns pontos importantes de biosseguridade que devem ser padronizados pelas granjas e inseridos dentro da rotina de funcionários e visitantes.

1- Localização física, construção, e isolamento das instalações

Segundo recomendações da Embrapa, para a construção ou instalação de granjas é necessário escolher um local que esteja distante em, no mínimo, 500m de qualquer outra criação ou abatedouro e pelo menos 100m de estradas por onde transitam caminhões com animais. Isto é importante, principalmente, para prevenir a transmissão de agentes infecciosos por via aérea e através de vetores como: roedores, moscas, cães, gatos, aves e animais selvagens. Além disso é importante cercar a área ao redor dos galpões (com cercas a no mínimo 20 metros de distância das instalações. Um outro ponto importante é qualidade da construção em si, pois dependendo do material utilizado haverá menor ou maior propensão ao aumento da pressão de infecção ambiental após a limpeza das instalações. O uso de revestimentos impermeabilizantes nos pisos e paredes permitirão uma melhor qualidade da lavação feita entre o alojamento dos lotes, enquanto outros materiais (como o concreto) inevitavelmente serão mais porosos, absorvendo a água e a matéria orgânica acumulada dentro das baias, além dos próprios produtos utilizados para limpeza e desinfecção.

2- Controle de vetores

A transmissão de doenças por vetores como roedores, moscas, pássaros, baratas, e animais silvestres também deve ser evitada ao máximo. Entre as medidas gerais também recomendadas pela Embrapa estão: a cerca de isolamento; o destino adequado dos animais mortos, o descarte de restos de parição e de dejetos; e a limpeza da fábrica e depósito de rações. A implementação de armadilhas e iscas (fora do alcance dos animais) também é importante, especialmente nos arredores de galpões com animais e locais onde os alimentos são armazenados. Um exemplo importante para essa compreensão é a relação entre a presença de moscas e roedores com o desenvolvimento de infecções por senecavírus A (SVA), com surtos em granjas ao redor do Brasil. Embora muitos aspectos da epidemiologia do SVA ainda sejam desconhecidos, um recente estudo norte-americano demonstrou a detecção do SVA em ratos e amostras de mosca doméstica, sugerindo que estas pragas possam desempenhar um papel na ocorrência das infecções.

3- Uso de EPIs

Os equipamentos de proteção individual (EPIs) são considerados elementos de contenção primária ou barreiras primárias. Eles podem reduzir ou eliminar a exposição da equipe e do meio ambiente a patógenos e microorganismos em geral. O uso de luvas descartáveis deve ser feito para prevenir a contaminação da pele com material biológico durante os cuidados com os animais e para a manipulação de produtos químico. As máscaras com ou sem válvula de filtragem são, por sua vez, o EPI indicado para a proteção das vias respiratórias contra a possibilidade de respingos ou aspiração de químicos nocivos e eventuais agentes patogênicos. O tipo de máscara deve ser escolhido conforme o tipo de exposição, devendo-se somente utilizar as máscaras de tripla proteção no atendimento de animais com infecção ativa. Os óculos de segurança devem ser usados em atividades que possam produzir respingos e/ou aerossóis, projeção de estilhaços pela quebra de materiais, bem como em procedimentos que utilizem fontes luminosas intensas e eletromagnéticas, que envolvam risco químico, físico ou biológico. Os macacões descartáveis ou higienizáveis devem ser adotados para a proteção de funcionários contra respingos de água, material químico ou biológico, e durante procedimentos como o manejo de animais e a lavação das baias. As botas e/ou calçados utilizados dentro das salas, departamentos, e instalações em geral devem ser higienizados ou trocados ao se transitar de um local para o outro, e a utilização de propés também pode ser associada a essa estratégia, reforçando a proteção contra sujidades carreadas nas solas.

4- Banhos, lavagem de mãos, fluxo de pessoas

Além dos banhos ao se entrar e sair das instalações, a lavagem das mãos é, sem sombra de dúvidas, a ação mais importante na prevenção da transmissão cruzada entre departamentos e salas da granja. As mãos de funcionários devem ser lavadas antes e após atividades que eventualmente possam contaminá-las; ao início e término do turno de trabalho; entre o atendimento de animais; antes de calçar luvas e após a remoção das mesmas; e quando as mãos forem contaminadas com material biológico e/ou químico. Na ausência de pia com água e sabão, o funcionário deverá realizar anti-sepsia com álcool etílico a 70% de concentração. De forma semelhante ao raciocínio da lavagem de mãos, o fluxo de pessoas e visitantes deve seguir (sempre que possível) uma sequência lógica começando por áreas menos contaminadas para áreas mais sujas, para que se evite carrear sujidades no sentido oposto. Além disso, o controle de materiais, equipamentos, uniformes, e sapatos utilizados em cada área da produção também deve ser feito de forma a evitar esse carreamento de patógenos de uma área para a outra. Para tanto, é possível adotar estratégias simples como o uso de cores separadas por departamento da granja (vide exemplo abaixo).

5- Limpeza, desinfecção e vazio sanitário

A rotina de limpeza e desinfecção das baias durante a troca de lotes ainda é muito negligenciada do ponto de vista de metodologia, dosagem dos produtos aplicados, e tempo de vazio sanitário adequado. As recomendações em geral seguem a sequência de limpeza seca, umidificação das instalações, limpeza úmida, desinfecção úmida, e desinfecção por pulverização ou nebulização. O uso de detergentes e desinfetantes deve ser feito seguindo dosagens e tempo de aplicação específicos para cada granja e desafio sanitário. Recomenda-se a exposição dos protocolos em quadros ou placas à vista para maior adesão e consistência do lavador. É importante salientar, mais uma vez, que a qualidade da limpeza e desinfecção realizadas será profundamente dependente do tipo de material de construção das instalações. Pisos e paredes mais porosos não só vão absorver mais água e microorganismos em suas frestas e ranhuras, como também uma maior quantidade dos próprios produtos químicos utilizados na limpeza. O objetivo final é sempre a remoção da maior quantidade possível de matéria orgânica e contaminantes para reduzir a pressão de a níveis próximos de 1 unidade formadora de colônia por cm². A recomendação de vazio sanitário da Embrapa Suínos é de pelo menos 5 dias, isto é, o período entre a desinfecção das baias e o alojamento de novos animais.

6- Qualidade da água

A qualidade da água disponível nas instalações, tanto para consumo dos animais (água de bebida) quanto para a lavação e outros procedimentos, também é profundamente importante na prevenção à entrada de patógenos dentro das granjas. Dentre os vários microorganismos que podem adentrar as granjas via água estão Enterococcus, E-coli, Streptococcus, Salmonella, Clostridium, entre outros. Quando a qualidade da água está comprometida, a sua palatabilidade e odor são alterados, e há maior contaminação intestinal do animal por microrganismos patogênicos. Isso tende a reduzir a conversão alimentar, o ganho de peso, e aumentar ocorrência de diarréias, elevando os custos de produção. A formação do biofilme é um dos principais pontos de preocupação quando falamos da água de bebida dos animais, pois ele se torna uma fonte de constante contaminação da água, mesmo que na fonte ela seja limpa. Caso essa mesma água (ou outra de origem contaminada) seja utilizada também para o enxágue e lavação das baias estaremos em um contrassenso, afinal uma água contaminada estará sendo adicionada às baias e isso comprometerá o efeito dos produtos utilizados, bem como a pressão de infecção após o alojamento de novos animais. É importante tratar a água da granja com o mesmo zelo, ou mais, que a própria ração e genética utilizadas, pois sua influência no bom aproveitamento das duas anteriores é de grande impacto

Embora existam muitos outros aspectos a serem levados em consideração dentro do tema biosseguridade, é importante que todos os envolvidos na cadeia agropecuária primeiramente a entendam como um fator limitante de competitividade no mercado em vários sentidos. O olhar atual que vemos sobre o tema devido à COVID-19 é apenas mais um indicativo da sua importância, no entanto sabemos que dentro da saúde animal as enfermidades e epidemias representam um dos principais pontos de prejuízo e redução de performance desde sempre, com potencial para impactar os negócios e, claro, a própria condição de saúde humana.

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Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Mercado

Exportações brasileiras de carne suína crescem 50,4% em junho

Número supera em 50,4% o volume embarcado no sexto mês de 2019, com total de 63,9 mil toneladas

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As exportações brasileiras de carne suína (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 96,1 mil toneladas em junho, informou a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) nesta terça-feira (07). O número supera em 50,4% o volume embarcado no sexto mês de 2019, com total de 63,9 mil toneladas. Em receita, o desempenho mensal registrou alta de 43,4%, com US$ 198 milhões de saldo registrado em junho deste ano, frente a US$ 138,1 milhões em 2019.

No acumulado do ano, as vendas de carne suína seguem 37,01% maior este ano, em comparação com 2019. Foram 479,4 mil toneladas entre janeiro e junho de 2020, contra 349,9 mil toneladas exportadas nos seis primeiros meses do ano passado. Em receita, houve elevação de 52,5% no mesmo período comparativo, com US$ 1,076 bilhão este ano e US$ 705,6 milhões em 2019.

Carro-chefe das exportações brasileiras, as vendas para a Ásia chegaram a 374,5 mil toneladas no primeiro semestre deste ano, saldo 83,1% superior ao registrado em 2019. A China, maior importadora de carne suína do Brasil, foi destino de 230,7 mil toneladas no período (+150,2%). Hong Kong, no segundo posto, importou 18,6% a mais, com 92,9 mil toneladas. Outro mercado de destaque foi Singapura, com 27,8 mil toneladas (+51,6%).

“Os impactos gerados na Ásia pela Peste Suína Africana desde 2018 continuam a ditar o ritmo das importações da região. O Brasil mantém sua posição como parceiro pela segurança alimentar da China e das demais nações que impulsionaram suas compras neste ano”, destaca Francisco Turra, presidente da ABPA.

Fonte: ABPA
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Suínos / Peixes Nutrição

Enzimas auxiliam na redução de custos com rações, sustenta nutricionista

Formulação com o uso de enzimas tem se apresentado como uma ferramenta econômica e eficaz

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As incertezas em relação a disponibilidade e custos das matérias primas, gerados pelo impacto do Coronavírus (Covid-19) estão trazendo preocupações e dúvidas para os produtores e empresas do setor de produção animal. A avicultura e a suinocultura, em especial, sofrem com a escassez e o aumento nos preços dos insumos, especialmente das principais fontes de proteína e energia das rações, farelo de soja e milho. E, como estratégia para minimizar este cenário de dificuldades e equilibrar as contas, uma das maneiras de superar estes desafios é a redução dos custos com ração.

 Segundo o gerente de mercado de monogástricos da Safeeds, Francisco Bertolini, a formulação com o uso de enzimas tem se apresentado como uma ferramenta econômica e eficaz, pois possibilita um melhor aproveitamento dos nutrientes, por aumentar a digestibilidade dos alimentos e minimizar os custos. “O uso de enzimas na formulação de dietas ajuda o nutricionista a ter flexibilidade na escolha dos ingredientes da ração”, comenta o médico veterinário.

Como funcionam as enzimas

As enzimas são proteínas complexas que ocorrem naturalmente nos sistemas digestivos dos animais, atuando como catalisadores biológicos que aceleram as reações químicas. Essas substâncias possuem a característica de permanecerem sempre ativas após cada catalisação. Em resumo, as enzimas têm como principal função facilitar a digestão.

De acordo com Bertolini, é importante lembrar que as enzimas são substrato/dependente específico, ou seja, elas somente irão atuar na presença do substrato a ser catalisado. “Cada enzima age em seu composto de atuação específico. Por exemplo, as fitases atuam sobre os fitatos, as xilanases nos xilanos etc. Portanto, a escolha da enzima a ser utilizada deve levar em conta a presença dos substratos a serem digeridos e todos os parâmetros de especificidade das enzimas”, orienta o nutricionista.

As enzimas utilizadas na nutrição animal podem ser classificadas de acordo com o tipo de substrato que a mesma irá atuar, entre elas: as fitases, carboidrases, proteases, xilanases, entre outras. Normalmente elas são obtidas por meio de cultura de microorganismos, derivados da fermentação fúngica, bacteriana e de leveduras em reatores especialmente desenvolvidos para este fim.

Porque as enzimas melhoram o aproveitamento dos ingredientes das rações?

Os ingredientes vegetais em sua maioria apresentam digestibilidade variada e podem não ser bem aproveitados pelos animais. Produtos fibrosos e proteicos mal digeridos podem tornar-se substratos para crescimento bacteriano intestinal indesejável. As enzimas fazem a quebra destes produtos indigestos, liberando os nutrientes presos nestes complexos, melhorando a digestibilidade dos ingredientes da dieta, tornando-os mais disponíveis ao animal. Elas maximizam o aproveitamento dos alimentos e reduzem o custo da transformação da ração em proteína animal, também conhecida como Conversão Alimentar (CA).

Como podemos aproveitar os benefícios do uso de enzimas?

Em um cenário de aumento de preços de ingredientes ou ausência de um insumo, muitos acreditam que a solução pode estar no uso de enzimas e, pelo contrário, na indisponibilidade de algum ingrediente, podemos limitar os ganhos que as enzimas podem proporcionar. “Quanto mais opções, mais flexibilidade elas podem proporcionar. O uso de enzima normalmente ‘abre espaço na formulação’ permitindo economias significativas.”

Como as enzimas são usadas na prática?

Temos várias maneiras de se trabalhar com enzimas, sendo:

  1. a) Por custo (Uso de Matriz Nutricional);
  2. b) Desempenho zootécnico (“on top)”; ou
  3. c) Iso-Custo (uma mescla das 2 opções acima).

Na maioria das formulações, se trabalham pelo custo mínimo (opção a:  Uso de Matriz Nutricional). Quando se opta pelo uso da Matriz, o ideal é que se tenha o maior número possível de ingredientes, para se aproveitar ao máximo o potencial das enzimas. Quando temos poucos ingredientes, muitas vezes não se explora o potencial máximo da Matriz.

Por outro lado, na falta de um ingrediente, as dietas podem ficar mais onerosas e, dependendo da situação do mercado, a decisão deve ser para maximizar o desempenho e a CA. Neste caso, as enzimas devem ser exploradas nas outras 2 modalidades (b e c), explorando todo o potencial de digestibilidade das enzimas, mitigando o incremento dos custos com aumento de desempenho.

Como o nutricionista pode decidir pela melhor enzima

Cada empresa tem a sua realidade de custos e de ingredientes, logo as demandas são diferentes. Por isso, o nutricionista tem um papel muito importante na tomada de decisão e adaptação da melhor solução. O bom senso e o uso de ferramentas matemáticas, proporcionadas pelas matrizes nutricionais, permitem que o nutricionista encontre a melhor solução entre substrato existente X enzima e custos X desempenho desejado. Para auxiliar os nutricionistas, há linha de enzimas disponível que compreendem: Fitases, Carboidrases e Proteases. Pode-se escolher entre um produto que contém apenas uma enzima isolada ou um blend de mais de uma enzima. São diferentes combinações que possibilitam versatilidade para o nutricionista. “É possível ainda customizarmos blends enzimáticos específicos, de acordo com as necessidades próprias de cada cliente”, cita o gerente da Safeeds Francisco Bertolini.

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Fonte: O Presente Rural
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