Avicultura
Influenza aviária e Salmonella ganham destaque no Simpósio Brasil Sul de Avicultura
Anderlise Borsoi e Nelva Grando explanaram sobre os temas durante evento promovido em Chapecó (SC).

O Brasil é referência mundial na avicultura e o principal exportador de carne de frango, sendo o estado de Santa Catarina o segundo maior produtor e exportador de aves do país. Porém, os recentes casos de Influenza aviária em países vizinhos do Brasil têm preocupado o setor. As ações realizadas para prevenir a entrada da doença no plantel comercial do Brasil foram abordadas na palestra “Influenza aviária – vigilância epidemiológica ativa”, em abril, no 23º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), pela médica veterinária, mestre e doutora em Ciência Animal, auditora fiscal federal agropecuária (AFFA) e coordenadora de Assuntos Estratégicos (CAE/DSA) do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Anderlise Borsoi.
A Influenza aviária (IA) é uma doença provocada por um vírus, muito contagiosa, que pode afetar a saúde de aves domésticas e silvestres. Os vírus apresentam diferentes subtipos (H5N1, H5N2, H5N3, H5N6, H5N8, etc) e têm a capacidade genética de se modificar com grande rapidez. O principal fator de risco de transmissão é a exposição de aves silvestres migratórias infectadas com o vírus às aves domésticas (produção, estimação e silvestres nativas) e, depois, para a avicultura comercial. Nas aves, a doença afeta grande quantidade de animais e provoca mortalidade elevada. Os principais sinais clínicos observados são falta de coordenação motora, torcicolo, dificuldade em respirar e diarreia.

Anderlise Borsoi traz uma visão geral do que o Mapa está fazendo sobre Influenza Aviária durante o SBSA – Foto: Divulgação/MB
Anderlise levou ao evento uma visão geral do que o Mapa está fazendo dentro da Secretaria de Defesa Agropecuária (DAS) e o que os profissionais envolvidos na cadeia produtiva de aves precisam fazer tanto para detecção precoce da IA quanto para conter, em caso de haver contaminação no Brasil. A palestrante também falou sobre como notificar casos de doenças ao Serviço Veterinário Oficial (SVO), apresentou dados de vigilância passiva e de vigilância ativa, sobre os planos de contingência, tanto de campo quanto de laboratório, e as ações que o Ministério acompanha.
Existem dois planos: o de vigilância, para detectar a influenza, e outro de contenção, que aborda ações que devem ser feitas caso a doença entre no Brasil. “Existem dois grandes grupos de vigilância: a passiva que é aquela na qual o produtor notifica que uma ave está doente e o serviço de vigilância oficial vai ao local e coleta uma amostra; e a vigilância ativa, ou seja, o que já está sendo feito, são ações como as coletas de amostras feitas frequentemente pelo serviço de vigilância em todo o país”, descreveu Anderlise.
Desde julho de 2022 até o início de abril já haviam sido coletadas mais de 40 mil amostras pelo Mapa. “As ações visam detectar precocemente casos de influenza, demonstrar a ausência da doença na avicultura comercial e monitorar a ocorrência de cepas com importância para a saúde pública”, explicou Anderlise, ao acrescentar que no site do Ministério, clicando no banner sobre Influenza Aviária, abre uma página com informações sobre a doença, planos de vigilância, notas técnicas, vídeos educativos, entre outros conteúdos.
“A detecção precoce de um caso de Influenza Aviária é o objetivo da vigilância estabelecida pelo Mapa, sendo que as medidas de contingência somente serão eficientes se houver detecção precoce. Toda suspeita de Síndrome Neurológica e Respiratória deve ser notificada para o pronto atendimento pelo SVO”, concluiu Anderlise, ao acrescentar que o setor avícola é mais forte se trabalhar junto ao Mapa.
Salmonella
“Salmonelas – contaminação em alimentos” foi o tema abordado pela médica veterinária, consultora na empresa Vitalis Saúde Integrada, Nelva Grando. Ela explicou que a Salmonella está dispersa no meio ambiente e pode ser ingerida por meio de alimentos contaminados com fezes de animais, o que acontece, por exemplo, ao se comer carnes e ovos crus ou malpassados ou quando não se lava as mãos antes de cozinhar ou manipular alimentos.

Nelva Grando cita que programas nacionais incentivaram a mitigação do risco das Salmonellas – Foto: Divulgação/MB
Os alimentos que mais merecem atenção são carnes bovina, suína, de aves e ovos crus. Porém, produtos não processados como hortaliças, frutas e leite também são veículos frequentes das Salmonella. “A bactéria pode estar presente também no solo e na água contaminados com fezes”, frisou Nelva.
No Brasil, a verificação oficial do controle de Salmonella spp. nos abatedouros é realizada por ciclos de amostragem. “Os programas desenvolvidos pelo Mapa e executados pelas empresas mostram que o número de contaminação é baixo. Os resultados dos ciclos oficiais do governo no frango foi zero no último ano e tudo isso com certeza é resultado do programa bem elaborado e da ação do setor que toma todos os cuidados necessários”, destacou Nelva.
A palestrante enfatizou que o cozimento adequado elimina a Salmonella e outras bactérias e que os programas nacionais incentivaram a mitigação do risco das Salmonellas mais relevantes para a saúde pública. “O incremento das medidas de biosseguridade pelas empresas, focando no controle de cadeia, também reduziu o risco no Brasil. Porém, sabemos que a carne de aves, por ser um produto com pele e amplamente manipulado, tem mais chances de induzir contaminação. Já os ovos por suas características de substrato, armazenagem e modo de consumo também são os mais comprometidos”, comentou, ao mencionar que Salmonella é um indicador de qualidade e de higiene de processos.
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Avicultura
Mercado do frango congelado apresenta pequenas variações em fevereiro
Levantamento do Cepea mostra estabilidade em alguns dias e recuos pontuais no período.

O preço do frango congelado no Estado de São Paulo foi cotado a R$ 7,29 o quilo na última sexta-feira (20), segundo dados do Cepea. No dia, houve recuo de 0,14%, enquanto a variação acumulada no mês está em 4,29%.
Na quinta-feira (19), o produto foi negociado a R$ 7,30/kg, também com queda diária de 0,14% e avanço mensal de 4,43%.
Na quarta-feira (18), a cotação ficou em R$ 7,31/kg, sem variação no dia e com alta de 4,58% no acumulado do mês.
Já no dia 13 de fevereiro, o preço foi de R$ 7,31/kg, com elevação diária de 0,69% e variação mensal de 4,58%. No dia 12, o valor registrado foi de R$ 7,26/kg, estável no dia e com avanço de 3,86% no mês.
Os dados são divulgados pelo Cepea, referência no acompanhamento de preços agropecuários.
Avicultura
Preços do frango podem reagir após período de demanda enfraquecida no início do ano
Custos equilibrados de milho e competitividade frente à carne bovina reforçam cenário mais positivo.

Com o fim do período tradicionalmente mais fraco para o consumo, o mercado de frango pode entrar em uma fase de estabilização e recuperação de preços nas próximas semanas. A expectativa é de que a queda observada nos valores da ave seja interrompida após o feriado de Carnaval, acompanhando a melhora da demanda doméstica.
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, o ambiente segue favorável para o setor, sustentado por exportações aquecidas, elevada competitividade da carne de frango em relação à bovina e custos equilibrados de ração.
No campo da oferta, o ritmo de crescimento pode perder força a partir deste período, dependendo do volume de alojamentos realizados em janeiro. Caso tenham sido menores do que a forte colocação registrada em dezembro, a disponibilidade de aves tende a se ajustar gradualmente. As aves alojadas no fim de dezembro influenciam diretamente a oferta até meados de fevereiro.
As exportações continuam com perspectiva positiva e devem seguir contribuindo para o equilíbrio entre oferta e demanda, reforçando o suporte aos preços no mercado interno.
Em relação aos custos, o cenário também é considerado favorável. A primeira safra de milho apresentou resultado acima das expectativas e, até o momento, a safrinha mantém boas perspectivas. No entanto, o plantio da segunda safra ainda está em fase inicial no Cerrado, e não há definição sobre o percentual que poderá ficar fora da janela ideal, que se encerra no fim do mês.
Mesmo com expectativa de boa oferta de milho e demanda doméstica firme, a tendência é de um mercado equilibrado para o cereal, sem espaço para oscilações expressivas. Ainda assim, as condições climáticas nos meses de março e abril continuarão sendo determinantes para o comportamento dos preços.
Avicultura
Ovos retomam alta e frango mantém preços estáveis no pós-Carnaval
Equilíbrio entre oferta e demanda sustenta cotações dos ovos, enquanto setor avícola monitora consumo para possível reação em março.

O mercado de ovos voltou a registrar alta após cinco meses consecutivos de queda nos preços. Levantamentos do Cepea indicam que, em algumas regiões acompanhadas, a média parcial até 18 de fevereiro apresenta avanço superior a 40% em relação a janeiro.
Segundo o Centro de Estudos, o equilíbrio entre oferta e demanda tem sustentado a recuperação das cotações, mesmo na segunda quinzena do mês, período em que as vendas costumam perder ritmo. Apesar da recente reação, os preços ainda seguem abaixo dos verificados no mesmo período do ano passado, acumulando retração real superior a 30% nas regiões monitoradas.
A expectativa do setor agora está voltada para a Quaresma, iniciada no último dia 18. Pesquisadores do Cepea destacam que, durante os 40 dias do período religioso, o consumo de ovos tende a aumentar gradualmente, já que a proteína ganha espaço como alternativa às carnes. A perspectiva é de que a demanda mais aquecida continue dando sustentação aos preços.
No mercado de frango, a semana de recesso de Carnaval registra estabilidade nas cotações, reflexo da demanda firme. Ainda assim, na média mensal, o valor da proteína congelada negociada no atacado da Grande São Paulo está em R$ 7,00/kg até o dia 18 de fevereiro — o menor patamar real desde agosto de 2023, quando foi de R$ 6,91/kg, considerando valores deflacionados pelo IPCA de dezembro.
Os preços mais baixos refletem as quedas intensas observadas nas primeiras semanas do ano, movimento que já se estende por pouco mais de três meses. O cenário mantém os agentes cautelosos.
De acordo com participantes consultados pelo Cepea, uma possível recuperação dos preços do frango pode ocorrer apenas a partir do início de março, diante da expectativa de maior consumo no começo do mês. Para esta segunda metade de fevereiro, a liquidez deve permanecer no ritmo atual, limitando avanços mais expressivos nas cotações.



