Avicultura Saúde Animal
Infecções subclínicas em frangos de corte: perdas silenciosas de elevado impacto econômico
Existem diversas doenças que têm apresentações subclínicas ou leves que na maioria das vezes não são diagnosticadas

Artigo escrito por Jorge Chacón, M.V. MSc. PhD. dos Serviços Veterinários da Ceva Saúde Animal
Para as diversas doenças infecciosas que afetam os frangos de corte, é possível conhecer seu impacto econômico quando suas manifestações clínicas são evidentes e facilmente observáveis, porque elas permitem sua quantificação.
Para o caso das doenças de Gumboro e coccidiose, se sabe que existem os quadros clínicos e subclínicos, e que ambas formas destas doenças precisam ser controladas e prevenidas devido aos prejuízos econômicos consequentes, mesmo na ausência de sinais clínicos evidentes. Porém, existem outras doenças que também têm apresentações subclínicas ou leves que na maioria das vezes não são diagnosticadas, e com isso, levam a perdas de produtividade silenciosas e não controladas.
Origem das infecções subclínicas
Para a maioria das doenças infecciosas das aves, o tipo do quadro clínico e sua severidade dependem de vários fatores relacionados ao hospedeiro (frango), agente (patógeno) e ambiente (fatores externos).
Quadros clínicos muito severos podem resultar do envolvimento de uma cepa muito virulenta (por exemplo vírus de alta patogenicidade da Influenza aviária ou velogénico do vírus da Doença de Newcastle), mas outras vezes podem ser consequência do envolvimento de patógenos primários e secundários ou condições ambientais inadequadas para a criação do frango (temperatura, umidade, ventilação, qualidade de ar, etc).
Mas, mesmo que as condições ambientais sejam adequadas para o frango, e não existem agentes secundários no aviário, os agentes infecciosos primários podem se multiplicar em aves saudáveis. Nestes casos, quando existe um elevado nível de contaminação com o agente primário, será possível observar sinais clínicos severos.
A multiplicação do patógeno (seja vírus, bactéria ou parasita) na célula do hospedeiro, neste caso, o frango de corte, levará a perda do funcionamento e morte da célula, reação inflamatória e dor. Logo, as consequências são variadas, por exemplo, morte das células do trato digestivo prejudicará a absorção de nutrientes; dano das células do trato respiratório levará a dificuldade da respiração; a resposta inflamatória sistêmica levará à febre e dor que prejudicará a ingestão de ração; dano das células renais encarregadas da eliminação de substancias tóxicas do metabolismo levará a intoxicação e morte.
Desta forma, é fácil entender como a multiplicação dos patógenos, mesmo em casos de baixa pressão de infecção, comprometerá o desempenho zootécnico do lote. Muitos casos de infecções subclínicas, levam a aumento ligeiro da mortalidade final (<1%) que pode passar despercebido, mas se multiplicamos aquele 1% pelo tamanho do lote, ou pelo abate diário da empresa, podemos ter uma ideia clara do custo desta infecção subclínica.
Considerando um exemplo de uma empresa que abate 100 mil aves dia, um aumento de 1% da mortalidade representaria uma redução de mais de 63 toneladas de frangos para processamento, e uma perda direta de mais R$197 mil em receita para empresa (frango vivo).
Diagnóstico das infecções subclínicas
A falta de monitoramento laboratorial dos lotes de frango de corte de forma rotineira impossibilita detectar a circulação de patógenos nos aviários. Mas, como foi mencionado anteriormente, apenas a presença dos patógenos primários já prejudicaria o desempenho produtivo do lote. Desta forma, o impacto econômico das infecções subclínicas pode ser elevado.
Existem dois cenários comuns que acontecem nas empresas com lotes acometidos por infecções subclínicas:
- Primeiro cenário, devido à ausência de manifestações clínicas, os responsáveis pela sanidade dos lotes, não se preocupam com o acompanhamento sanitário nem produtivo do lote. Desta forma o patógeno, mesmo sem causar sinais clínicos evidentes, estará afetando a produtividade dos lotes rodada a rodada, e a empresa estará perdendo toneladas de ração, ou de frango, ou de carne de frango;
- Segundo cenário, quando foi detectado uma queda no desempenho do lote, a ausência de sinais clínicos evidentes leva os profissionais a procurar a causa desta queda de desempenho do lote em outras áreas. Assim, erroneamente, muitas vezes o programa nutricional, ou o sistema de manejo ou até a linha genética é culpada pela queda de desempenho. Mudanças feitas para corrigir esta queda de desempenho em áreas que não são as causadoras do problema levarão a investimentos desnecessários.
Os agentes primários mais comuns que causam doença clínica nos frangos de corte incluem os vírus das doenças de Gumboro, Bronquite Infecciosa, Newcastle, Marek, Anemia infecciosa e Artrite; coccideas e Salmonelas tíficas. Desta forma, a empresa deve ter um programa de monitoria adequado que pesquise a circulação destes patógenos nos lotes e mesure o nível de proteção conferido pelos programas vacinais implementados.
Obviamente, é impossível fazer um diagnóstico clínico na ausência de sinais clínicos, desta forma, se faz necessário o uso de testes laboratoriais para detetar a circulação do agente infeccioso. Para o caso de algumas doenças como a Bronquite Infecciosa, os resultados sorológicos não são definitivos, porque estes testes têm a limitação de poder detectar infecções tardias. Nestes casos, se faz necessário o uso de técnicas moleculares. Pesquisas mostram a detecção de lotes positivos e negativos ao vírus BR usando a sorologia de ELISA e o PCR como testes de diagnóstico. Pode-se observar no gráfico que o PCR é mais sensível e que os testes de ELISA detectam menos de 50% dos lotes realmente positivos.
Os quadros subclínicos da doença de Gumboro e Coccideose são bem conhecidos, mas múltiplas pesquisas recentes vêm demostrando que existem infecções subclínicas causadas pelo vírus da Bronquite Infecciosa, agente de maior prevalência e impacto econômico nos plantéis de frango de corte do Brasil.
Erroneamente acreditava-se que as infecções pelo vírus da Bronquite Infecciosa sempre têm que causar sinais ou doença respiratória. Porém, numerosas monitorias consistentes e apoiadas por testes sorológicos e moleculares têm mostrado que existem quadros clínicos não clássicos da Bronquite Infecciosa, onde apenas se observa aumento moderado da mortalidade final e baixo desempenho produtivo. Em muitos destes casos, apenas se observa depressão das aves e diminuição do consumo da ração. Monitorias visando a detecção do vírus da Bronquite Infecciosa, em meses que não apresentam doença respiratória evidentes em granjas do Sul do Brasil, têm encontrado elevadas taxas de positividade que superam os 90%.
Impacto econômico das infecções subclínicas
Os impactos econômicos causados pelas infecções subclínicas não são tão elevados quanto os provocados pelas infecções clínicas, com sinais evidentes. Porém, as infecções subclínicas levam a perdas de produtividade e econômicas expressivas. No caso da doença de Gumboro por exemplo, se conhecem os efeitos causados pelas infecções subclínicas sobre a produtividade. Pesquisas apresentam os resultados de produtividade de lotes de aves com e sem a doença subclínica de Gumboro. Os lotes com programa vacinal que protegia adequadamente contra casos clínicos e subclínicos da doença de Gumboro tiveram melhores resultados zootécnicos e uma receita adicional de mais de R$ 35 para cada mil aves, mesmo na ausência de sinais clínicos, mostrando o efeito subclínico do vírus de Gumboro.
A Bronquite infecciosa com sinais clínicos respiratórios convencionais e aumento de condenações sanitárias no abatedouro leva a perdas milionárias. Estes casos de doença respiratória têm uma apresentação sazonal, com padrão que varia segundo a área geográfica. São conhecidas as perdas produtivas nos casos de doença com sinais clínicos evidentes, mas não existem trabalhos que abordem o efeito das infecções do vírus da Bronquite Infecciosa sobre a produtividade no caso da ausência de sinais clínicos. Numa empresa de São Paulo, foram realizadas monitorias para detectar o vírus BR da Bronquite em meses com e sem apresentação de distúrbios clínicos evidentes. Nestas monitorias, o PCR foi usado para discriminar os lotes positivos e negativos para o vírus BR. Os resultados zootécnicos de lotes positivos e negativos foram comparados nos meses com e sem problemas sanitários evidentes. A monitoria, avaliação e comparação de 127 lotes desta empresa mostrou claramente piores resultados de produtividade nos lotes infectados com o vírus BR. Estas diferenças foram maiores nos meses quando se observavam no campo distúrbios clínicos. Mas, o prejuízo sobre a produtividade em infecções subclínicas também foram elevados: R$ 127,63 para cada mil aves alojadas, mesurando os resultados de Conversão Alimentar ajustada, GPD e mortalidade após os 35 dias.
Monitorias de prevalência do vírus BR, em lotes de seis empresas da região Sul do Brasil, foram conduzidas em meses sem apresentação de doença clínica evidente. A avaliação de 109 lotes das seis empresas mostrou o impacto das infecções do vírus BR da Bronquite infecciosa sobre os principais parâmetros de produtivos e sanitários. Estas monitorias que incluíram a avaliação de mais de 4 milhões de aves mostraram que o vírus BR, mesmo sem causar doença clínica evidente, afeta os principais indicadores de produtividade. Ainda que as empresas não relatavam problemas evidentes nos frigoríficos por terem condenações baixas, a condenação parcial por aerossaculite nos lotes positivos ao vírus BR foi aproximadamente o dobro comparado aos lotes negativos. Os lotes com índices elevados de condenações tiveram maiores custos de processamento devido ao retrabalho causado pelas condenações sanitárias. Estes achados foram observados em todas as empresas avaliadas mostrando que o vírus BR causa perdas econômicas, mesmo na ausência de sinais clínicos evidentes e clássicos e as consequências podem ser mensuradas nas granjas e nos frigoríficos.
Controle das infecções subclínicas
Um programa imunoproxilático consistente e a correta execução de medidas de biosseguridade evitaram a circulação de patógenos, e em consequência a apresentação de quadros clínicos e subclínicos. Essa estratégia tem que ser rigorosamente mantida o ano todo, mesmo na ausência de sinais clínicos severos ou mortalidade, pois um relaxamento destas medidas levará a perdas de produtividade e ao aumento da pressão de infecção para os próximos lotes. Práticas dirigidas a economizar nos programas preventivos como: subdosagem de vacinas, substituição por vacinas mais baratas, porém menos protetivas por exemplo, facilitariam a circulação dos patógenos primários e o estabelecimento de infecções subclínicas.
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Avicultura
Escassez de mão de obra expõe falhas de liderança e gestão na avicultura
Painel no 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura defendeu integração entre tecnologia, propósito e método para reduzir turnover e sustentar a produtividade nas granjas e na indústria.

A escassez de mão de obra e os desafios relacionados à gestão de pessoas na cadeia produtiva pautaram o debate do painel “Capital humano em crise: o futuro da mão de obra na avicultura” durante o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), que contou com a participação dos especialistas Delair Bolis, Joanita Maestri Karoleski e Vilto Meurer, além da coordenação de Luciana Dalmagro, na última terça-feira (07), no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).

Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
Os palestrantes abordaram os impactos da carência de profissionais no campo e na indústria, destacando a necessidade de repensar estratégias de atração, formação e retenção de talentos na avicultura. O debate também trouxe reflexões sobre as transformações tecnológicas e a necessidade de integração entre gestão de pessoas e inovação como caminho para manter a competitividade do setor.
A executiva Joanita Maestri Karoleski, conselheira, mentora e ex-CEO da Seara, iniciou o Painel Gestão de Pessoas com uma análise estratégica sobre as transformações estruturais que impactam a disponibilidade e o perfil da mão de obra na avicultura e no agronegócio. Segundo ela, o cenário atual vai além da escassez de profissionais. “Nós estamos vivendo uma mudança estrutural. Não é um fenômeno pontual. Temos o envelhecimento da população, a queda nas taxas de natalidade e, ao mesmo tempo, uma transformação profunda na forma como as novas gerações enxergam o trabalho”, destacou.
A palestrante explicou que os profissionais mais jovens chegam ao mercado com expectativas diferentes, valorizando propósito, desenvolvimento e flexibilidade. “As novas gerações não estão apenas buscando emprego, mas sim significado no que fazem. Isso exige adaptação das empresas e, principalmente, das lideranças”, afirmou.
Nesse contexto, Joanita trouxe uma provocação central do painel: o problema pode não estar na falta de pessoas, mas na forma como as

Conselheira, mentora e investidora, com mais de 30 anos de experiência em posições de alta liderança, Joanita Maestri Karoleski: “Talvez não estejamos diante de um apagão de mão de obra, mas de um apagão de liderança. As pessoas não desapareceram, elas estão menos dispostas a trabalhar em ambientes mal estruturados, com gestão fraca ou sem uma proposta clara de valor” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
organizações estão estruturadas. “Talvez não estejamos diante de um apagão de mão de obra, mas de um apagão de liderança. As pessoas não desapareceram, elas estão menos dispostas a trabalhar em ambientes mal estruturados, com gestão fraca ou sem uma proposta clara de valor”, pontuou.
Ela destacou ainda que um dos principais desafios está na capacidade de integrar diferentes gerações dentro das organizações. “Pela primeira vez, temos três ou até quatro gerações convivendo simultaneamente dentro das mesmas empresas, com expectativas e formas de trabalhar muito distintas entre si. Isso exige líderes preparados para lidar com essa complexidade”, explicou.
Outro ponto abordado foi a necessidade de reposicionar o capital humano como elemento central da estratégia empresarial. “Ainda vemos empresas que dão mais atenção à compra de equipamentos do que ao desenvolvimento das pessoas. O capital humano precisa estar na agenda estratégica, inclusive nos conselhos administrativos, porque é ele que sustenta o crescimento no longo prazo”, afirmou.
Joanita também apresentou caminhos para enfrentar o desafio, estruturados em diferentes níveis organizacionais, desde o conselho até a operação. Segundo ela, o desenvolvimento de lideranças, especialmente na média gestão, é um dos fatores mais críticos para transformar a realidade das empresas.
A mentora também deixou uma reflexão sobre o futuro do trabalho na avicultura. “A pergunta não é mais onde estão as pessoas. A

Com 39 anos de experiência na agropecuária, Vilto Meurer, deu sequência ao Painel: “O grande desafio está na captura e retenção dessas pessoas. Precisamos entender o que as empresas, os gestores e os próprios profissionais podem fazer para reduzir o turnover e tornar o ambiente de trabalho mais atrativo” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
pergunta é: por que alguém escolheria trabalhar aqui e não em outro lugar? Quando conseguimos responder isso, começamos a resolver o problema de forma consistente”, salientou.
Relacionamento empresa x profissionais
Com 39 anos de experiência na agropecuária e trajetória de longa data na BRF, onde encerrou sua carreira como diretor de produção agropecuária, Vilto Meurer, deu sequência ao Painel, demonstrando práticas voltadas à realidade do campo e da indústria, com foco em estratégias de captação e retenção de pessoas.
Segundo o palestrante, o enfrentamento da escassez de mão de obra passa pela forma como as empresas se relacionam com seus profissionais. “O grande desafio está na captura e retenção dessas pessoas. Precisamos entender o que as empresas, os gestores e os próprios profissionais podem fazer para reduzir o turnover e tornar o ambiente de trabalho mais atrativo”, afirmou.
Vilto destacou que, diante da escassez de mão de obra, o papel da liderança ganha ainda mais relevância dentro das organizações. Segundo ele, o gestor precisa ir além do conhecimento técnico e assumir uma atuação estratégica na condução das equipes. De acordo com o especialista, três pilares sustentam a atuação de um bom gestor: liderança, conhecimento técnico e método de gestão. “Não basta conhecer o processo produtivo. É preciso saber liderar pessoas, construir confiança, mobilizar equipes e estabelecer uma comunicação clara e eficiente”, enfatizou.
Entre os principais atributos da liderança, Vilto destacou a capacidade de engajar pessoas e gerar senso de pertencimento. “O profissional precisa sentir que faz parte do resultado, desenvolver o sentimento de dono e entender a importância do seu trabalho dentro do sistema produtivo”, explicou.
No campo da motivação, o especialista ressaltou que o engajamento está diretamente ligado a três fatores fundamentais: saber, poder e querer. “Para executar bem uma função, o profissional precisa ter conhecimento, condições adequadas de trabalho e, principalmente, vontade de fazer. É essa combinação que gera engajamento”, afirmou.
Retenção de talentos
Vilto também chamou atenção para a importância do propósito como elemento central na retenção de talentos. “Propósito é o significado do trabalho. Quando a pessoa entende o impacto daquilo que faz no resultado final, ela se envolve mais e permanece na atividade”, destacou.
Outro ponto abordado foi a necessidade de adaptação das estratégias de gestão ao perfil das diferentes gerações presentes nas empresas. Segundo ele, cada geração possui comportamentos, expectativas e formas de relacionamento com o trabalho distintas, o que exige uma liderança mais flexível e preparada para lidar com essa diversidade.
O palestrante enfatizou que a capacitação contínua é essencial para o desenvolvimento das equipes. Ele apresentou práticas como integração estruturada, programas de mentoria, treinamentos progressivos e trilhas de carreira como ferramentas importantes para alinhar aprendizado, produtividade e crescimento profissional.
Vilto também reforçou que a formação de adultos exige metodologia adequada. “O adulto aprende de forma diferente. É necessário utilizar métodos que conectem teoria e prática”, explicou.
O especialista sintetizou que a retenção de pessoas está diretamente ligada à combinação entre gestão eficiente e propósito. “Pessoas motivadas, com clareza de propósito e inseridas em um modelo de gestão simples e bem estruturado, geram melhores resultados e reduzem significativamente o turnover”, concluiu. Vilto também apresentou ferramentas práticas para formação e desenvolvimento de equipes, destacando metodologias utilizadas na extensão rural que podem ser aplicadas na agroindústria. “Existem métodos que funcionam muito bem para capacitação de pessoas, como o método do arco e técnicas de transferência de tecnologia. São ferramentas que ajudam a desenvolver profissionais de forma mais eficiente e que podem ser utilizadas dentro das empresas”, explicou.

Médico-veterinário Delair Bolis: “A diminuição da mão de obra é uma realidade que tende a escalar. Não é um problema que vai passar, exige mudanças estruturais na forma como trabalhamos” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
Ele reforçou, ainda, que a combinação entre pessoas, propósito e gestão é determinante para o futuro do setor. “Pessoas motivadas, com propósito claro e inseridas em um modelo de gestão eficiente geram melhores resultados. Esse é o caminho para aumentar a produtividade e reduzir os impactos da escassez de mão de obra”, destacou.
Uso estratégico da tecnologia
O médico-veterinário Delair Bolis, presidente da MSD Saúde Animal no Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia, com mais de 25 anos de atuação na indústria de saúde animal, seguiu o debate salientando que a escassez de mão de obra é uma realidade estrutural e crescente na avicultura, tanto do ponto de vista quantitativo quanto qualitativo. De acordo com Bolis, o setor precisa compreender que esse não é um problema temporário. “A diminuição da mão de obra é uma realidade que tende a escalar. Não é um problema que vai passar, exige mudanças estruturais na forma como trabalhamos”, afirmou.
Bolis chamou atenção para a defasagem dos modelos de trabalho frente às transformações do mercado. “Nós ainda operamos, muitas vezes, com estruturas que não acompanharam a evolução do setor. A questão não é só falta de pessoas, mas se o modelo de trabalho ainda é competitivo e atrativo para elas”, destacou.
Diante desse cenário, o especialista reforçou que as principais ferramentas de transformação estão no uso estratégico da tecnologia e no desenvolvimento de lideranças. “O que está sob nosso controle é como tecnificar os processos e preparar pessoas com maior capacidade de utilizar essa tecnificação para melhorar sistemas, processos e a própria liderança”, pontuou.
O palestrante alertou que a tecnificação precisa ser aplicada com critério. “Não se trata de tecnificar tudo que é possível, mas sim aquilo que precisa ser modernizado. A tecnologia precisa estar conectada à estratégia e às pessoas, não apenas à automação indiscriminada”, explicou.
Outro ponto comentado foi a mudança no perfil das funções dentro da cadeia produtiva. “Com menos pessoas no campo, cada profissional passa a ser responsável por mais processos. Não é mais sobre executar tarefas isoladas, mas sobre entender e gerir o processo como um todo”, ressaltou.
Bolis também abordou a importância do fator humano na eficiência operacional. “Quem entende de pessoas melhora processos. A liderança passa a ter um papel ainda mais decisivo, porque ela conecta tecnologia, pessoas e resultados. O futuro não será definido pela disponibilidade de mão de obra, mas pela nossa capacidade de reinventar o trabalho dentro da avicultura”, evidenciou.
A mediação do painel foi conduzida pela produtora rural, empreendedora e referência em liderança e sustentabilidade no agronegócio, Luciana Dalmagro, que contribuiu para integrar diferentes visões sobre o tema. “Foram grandes ensinamentos, falando de aspectos de liderança, habilidades que as pessoas que estão iniciando no mercado precisam desenvolver e, para quem está há mais tempo, os profissionais mostraram a importância do olhar humanizado para os colaboradores”, acrescentou.
Avicultura
“Conhecimento técnico só gera valor quando entra na rotina de quem executa”, apontam especialistas no SBSA
Kali Simioni e João Nelson Tolfo detalharam durante o evento como diagnóstico, comunicação e liderança técnica determinam a adoção de boas práticas nas granjas.

O Bloco “Conexões que Sustentam o Futuro” colocou em pauta a conversão do conhecimento técnico em resultados práticos no campo durante o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura. O encontro integrou a programação do evento promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas, realizado no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).
A palestra “Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura”, reuniu os especialistas Kali Simioni e João Nelson Tolfo, com reflexões sobre gestão, comportamento e eficiência na produção.
Com mais de 18 anos de experiência na avicultura industrial, Tolfo destacou o papel estratégico dos profissionais que atuam diretamente no campo. “Quem leva orientação para o campo faz extensão do conhecimento. Esse trabalho exige conexão, engajamento e capacidade de gerar significado para o produtor, para que as orientações realmente se transformem em resultado”, afirmou.

Engenheira agrônoma Kali Simioni: “Não basta levar métodos ou padrões. É preciso entender a realidade de cada propriedade” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
A engenheira agrônoma Kali, com mais de 22 anos de atuação no setor, reforçou que a chave está na conexão entre pessoas. “Não basta levar métodos ou padrões. É preciso entender a realidade de cada propriedade, o processo de decisão e conectar-se com o produtor para que a orientação se torne prática no dia a dia”, explicou.
Segundo os palestrantes, um dos principais gargalos da produção está na falta de conexão e comunicação assertiva, o que dificulta a adoção de tecnologias e boas práticas. Cada propriedade deve ser entendida como um sistema único. “Resultados diferentes acontecem porque as pessoas fazem de formas diferentes. Onde existe variabilidade, existem oportunidades de melhoria”, destacaram.
A palestra também trouxe uma abordagem prática sobre como transformar teoria em ação, destacando a importância de diagnósticos estruturados, identificação de gargalos e intervenções direcionadas. Métodos de extensão rural, como o arco, foram apresentados como ferramentas para acelerar a tomada de decisão e gerar mudanças efetivas no campo.
Outro ponto central foi o papel do profissional de alta performance. “Para gerar resultado, é preciso desenvolver três pilares: conhecimento técnico, domínio de método e liderança. O profissional precisa se tornar interessante e isso começa sendo interessado, ouvindo e entendendo o processo”, reforçaram.
Os especialistas também destacaram que toda decisão no campo é influenciada por fatores como experiência, cultura, histórico produtivo e percepção de risco, exigindo uma abordagem individualizada e focada na realidade de cada produtor. “Conhecimento técnico só gera valor quando entra na rotina de quem executa”, ressaltaram os profissionais.
Avicultura
SBSA reúne mais de 2,5 mil profissionais e reforça debate técnico sobre sanidade, nutrição e mercado avícola
Evento do Nucleovet teve público recorde, feira com mais de 70 empresas e programação focada em biosseguridade, gestão e competitividade internacional do frango brasileiro.

Chapecó, no Oeste catarinense, foi ponto de encontro de debates que movimentam a avicultura no Brasil e no mundo. Durante três dias, conhecimento, inovação e conexões movimentaram o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), que encerrou na quinta-feira (09), no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, com um público recorde de mais de 2,5 mil participantes.

Durante três dias, conhecimento, inovação e conexões movimentaram o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
Promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), o Simpósio reuniu profissionais de diferentes regiões do Brasil e do exterior em uma programação intensa, que percorreu temas estratégicos como gestão e mercado, sanidade, nutrição, abatedouro e sustentabilidade. Em paralelo, a 17ª Brasil Sul Poultry Fair ampliou o ambiente de negócios e relacionamento, reunindo mais de 70 empresas em um espaço voltado à apresentação de tecnologias, lançamento de soluções e troca de experiências, fortalecendo a integração entre indústria, pesquisa e campo.

Na avaliação da presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, o evento superou as expectativas – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
Foram três dias de debates técnicos, painéis estratégicos e momentos de interação que aproximaram ciência, campo e indústria, promovendo um ambiente de construção coletiva do conhecimento. Na avaliação da presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, o evento superou as expectativas. “Encerramos a 26ª edição do SBSA com um público recorde de mais de 2.500 pessoas. Tivemos discussões relevantes e muitas conexões importantes, tanto na feira quanto na programação científica. Isso mostra a força do setor e a importância do Simpósio como espaço de atualização e relacionamento”, afirmou.
Ela também destacou que o evento acompanha um setor em constante transformação. Ao longo da programação, temas como sanidade, inovação nutricional, gestão de pessoas e cenários globais evidenciaram que a avicultura vai além da produção, exigindo cada vez mais estratégia, tecnologia e qualificação profissional.
Programação científica

Em paralelo, a 17ª Brasil Sul Poultry Fair ampliou o ambiente de negócios e relacionamento, reunindo mais de 70 empresas em um espaço voltado à apresentação de tecnologias – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
A programação científica percorreu os principais desafios e avanços da avicultura moderna, reunindo especialistas em debates que conectaram teoria e prática. Temas como sanidade avícola, controle de doenças emergentes, nutrição de precisão e saúde intestinal evidenciaram a importância do monitoramento constante, do uso de tecnologias e da evolução das estratégias produtivas para garantir desempenho, biosseguridade e sustentabilidade no setor.
Além dos aspectos técnicos, o Simpósio também ampliou a discussão para temas estratégicos, como gestão de pessoas, cenário global e aplicação do conhecimento no campo. As palestras reforçaram que a competitividade da avicultura passa pela qualificação profissional, pela capacidade de adaptação às transformações do mercado e, principalmente, pela conexão entre pessoas, processos e inovação. “O SBSA também mostrou o papel do Brasil no cenário internacional, como maior exportador mundial de carne de frango, com presença em mais de 150 mercados. Isso demonstra a responsabilidade do setor e a necessidade de estarmos sempre atualizados e preparados para os desafios globais”, completou Aletéia.
Ação social

Parte das inscrições será revertida à Rede Feminina de Combate ao Câncer de Chapecó – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
O SBSA também teve espaço para ações sociais. Nesta edição, o lucro da NúcleoStore (loja de artigos personalizados que, a cada Simpósio, beneficia uma instituição de Chapecó. Os participantes puderam adquirir bótons, camisetas de diferentes estampas com uma comunicação mais lúdica sobre o setor, meias, lixocar e mousepads), será destinado à Associação de Voluntários do Hospital Regional do Oeste (Avhro), enquanto parte das inscrições será revertida à Rede Feminina de Combate ao Câncer de Chapecó. A iniciativa destaca o compromisso do Nucleovet em transformar seus eventos em plataformas de impacto social, aproximando os participantes da realidade das instituições e incentivando novas formas de contribuição. “Essas ações mostram que o nosso trabalho vai além da técnica. Queremos contribuir com a comunidade e fortalecer o papel social da entidade, conectando conhecimento com propósito”, enalteceu a presidente.



