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Indústria do leite se moderniza e capacita produtores para atingir níveis de excelência

Alcançar os índices de alta qualidade do leite que estão sendo exigidos fizeram com que a indústria mudasse rotina e capacitasse produtores

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Alcançar a desejável qualidade do leite que vem sendo exigida pelo consumidor e mercados interno e externo é um serviço que envolve toda a cadeia produtiva. Desde o produtor até a indústria e o transporte é necessário que sejam feitos trabalhos para alcançar os índices de qualidade exigidos e assim oferecer um produto melhor e conseguir melhor remuneração pelo produto. A indústria trabalha diretamente com o produtor, auxiliando nos quesitos necessários para ambos serem beneficiados com os bons resultados alcançados.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) tem lançado ao longo dos anos novas instruções normativas que indicam quais os melhores índices de qualidade e o que deve ser feito tanto pelo produtor, quanto pela indústria. De acordo com o supervisor da Área de Leites da Frimesa, Erivelto Costa, após a publicação de novas IN’s em novembro de 2018 muita coisa mudou na rotina das indústrias laticinistas. “A principal mudança está no campo, onde os processos de produção, armazenamento e coleta do leite estão no foco principal. Trabalhos estão sendo desenvolvidos para qualificar os produtores, assim como ajustar os requisitos de qualidade do leite e temperatura para a coleta no produtor”, conta. Ele acrescenta que outro ponto que tem tido bastante atenção é a temperatura de recebimento do leite na indústria e o requisito de qualidade no momento de armazenamento nos silos.

Costa comenta que olhando para os critérios de qualidade no produtor, hoje mais de 70% estão de acordo com os padrões exigidos. “Então diante disso podemos afirmar que os requisitos são alcançáveis, mas para isso os produtores deverão ter um procedimento diário de higienização em todo o processo de ordenha do leite e de seus respectivos equipamentos, inclusive com utilização de detergentes e sanitizantes”, afirma.

Porém, mesmo sendo possível alcançar os resultados exigidos pela legislação, o profissional diz que um item que pode causar certo desconforto a muitos produtores é a exigência de interrupção de coleta de leite, pelo estabelecimento, quando o leite apresentar, por três meses consecutivos, resultado de média geométrica fora do padrão estabelecido para Contagem Padrão em Placa (CPP).

Para que isso não aconteça, Costa informa que a Frimesa vem desenvolvendo para 2019 um manual de Boas Práticas Agropecuárias junto ao Calendário do Produtor 2019, fornecido para todos os produtores da cooperativa. “Também realizamos encontros técnicos com as áreas de Fomento das cooperativas filiadas (Primato, Copagril, Lar, C.Vale e Copacol) a fim de revisar as INs 76 e 77, tirando as dúvidas e padronizando o conhecimento da equipe”, conta.

Além disso, a Frimesa ainda realiza, em conjunto com a Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (APCBRH), o treinamento obrigatório com toda equipe técnica para a capacitação dos Supervisores de Coleta. “Também fazemos o Treinamento Anual para a capacitação dos freteiros de leite, implementação da Bonificação do Leite por Qualidade (CPP, CCS e EST). E as cooperativas filiadas realizaram Dias de Campo junto a seus produtores, esclarecendo as INs 76 e 77, seus desafios e objetivos”, esclarece.

Alcançar mais qualidade é desafio, mas é possível

Costa comenta que o Brasil é um país continental com diferentes climas, regiões e, principalmente, culturas, sendo que em todas as regiões se produz leite. “As regiões Sul e Sudeste têm estas condições mais favoráveis para a produção de leite, com uma maior possibilidade de alcançar este nível de qualidade. Um exemplo hoje é a região de Castro, no Paraná, que já tem estes índices e é referência no território nacional”, diz.

Porém, mesmo alguns locais do país tendo condições favoráveis e alcançando bons índices, ainda existem desafios que o setor enfrenta no momento da produção. O profissional cita alguns dos maiores desafios enfrentados pela cadeia. “Esta é uma atividade presente em 99% dos municípios brasileiros, é muito capilarizada e de fácil implementação; os produtos comercializados sem fiscalização; indústrias clandestinas; dificuldade em fidelização dos produtores afim de dar continuidade nos processos de qualificação; o consumidor brasileiro com baixo poder de compra; e o leite ainda ser tratado no Brasil como comodities”, menciona.

Costa comenta que alguns quesitos de qualidade de leite podem ser desafiadores, mas que são simples de serem resolvidos. “A Contagem Padrão em Placa (CPP) está relacionada à contagem microbiana presente no leite e tem impacto direto na qualidade dessa matéria-prima, e, principalmente, a segurança alimentar dos consumidores e são amplos seus efeitos negativos na produção de leite e seus derivados”, comenta. “Já a contagem de células somáticas (CCS) indica principalmente a mastite do rebanho e tem influência direta em uma menor produção de leite pelos animais afetados, e baixos rendimentos industriais, além de proporcionar sabor desagradável aos produtos e uma vida de prateleira reduzida”, informa.

O profissional explica que não é necessário a indústria se modificar para atender as novas demandas pelo leite de mais alta qualidade. “Isso porque hoje os processos produtivos das indústrias brasileiras com SIF estão nos patamares das indústrias mundiais, ou seja, este leite de melhor qualidade resultará em produtos com melhor qualidade, com melhores rendimentos industriais, melhor desempenho de shelf-life (vida de prateleira) e segurança alimentar aos consumidores”, garante.

Costa lembra que ainda em 2001 foi lançada a primeira normatização para se melhorar a qualidade do leite no Brasil, a IN 51. “Passados 18 anos, continuamos a engatinhar nestes requisitos. A principal mudança deverá ser na conscientização de toda a cadeia de produção do leite, sendo produtor, indústria e consumidor, pois cada elo tem um papel importante para os atingimentos dos resultados”, reitera.

Para o profissional, a maior preocupação das indústrias ainda é a forma que virão as cobranças legais do Ministério da Agricultura, já que houve o regulamento das INs 76 e 77 para todas as esferas de fiscalização (municipal, estadual e federal), mas somente há a fiscalização das indústrias que possuem SIF e SISB. “Iremos passar por um momento turbulento e condições adversas, que somente com o tempo e com muito trabalho iremos buscar os níveis exigidos em toda a cadeia leiteira no Brasil”, expõe Costa.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Exportações de carne bovina batem recorde em 2025

Brasil embarca 3,5 milhões de toneladas, amplia receita para US$ 18 bilhões e fortalece presença em mais de 170 mercados, com liderança da China e avanço expressivo em destinos estratégicos.

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Foto: Shutterstock

Com recordes sucessivos mês a mês, 2025 entra para a história como o maior já registrado nas exportações de carne bovina pelo Brasil. Foram ao todo 3,50 milhões de toneladas, um incremento de 20,9% em relação a 2024. O volume exportado movimentou US$ 18,03 bilhões, cerca de 40,1% a mais do que o faturado no ano anterior. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

A carne bovina in natura respondeu pela maior parte dos embarques, com 3,09 milhões de toneladas, crescimento de 21,4% na comparação anual, e receita de US$ 16,61 bilhões. Somadas todas as categorias: in natura, industrializadas, miúdos, tripas, gorduras e salgadas, os embarques brasileiros alcançaram mais de 170 países, ampliando a presença internacional do setor e diversificando destinos.

A China foi o principal destino da carne bovina brasileira em 2025, respondendo por 48% do volume total exportado, com 1,68 milhão de toneladas, que somaram US$ 8,90 bilhões. Em seguida, destacaram-se os Estados Unidos, com 271,8 mil toneladas e US$ 1,64 bilhão. Na sequência, vêm o Chile (136,3 mil toneladas; US$ 754,5 milhões), a União Europeia (128,9 mil toneladas; US$ 1,06 bilhão), a Rússia (126,4 mil toneladas; US$ 537,1 milhões) e o México (118,0 mil toneladas; US$ 645,4 milhões).

Na comparação com 2024, houve crescimento em volume na maior parte dos principais destinos. As exportações para a China avançaram 22,8% no acumulado do ano, enquanto os Estados Unidos registraram alta de 18,3%. A União Europeia apresentou crescimento de 132,8%, e o Chile, de 29,8%. Também se destacaram os aumentos para a Argélia (+292,6%), o Egito (+222,5%) e os Emirados Árabes Unidos (+176,1%).

Segundo o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, o desempenho de 2025 demonstra a resiliência e a maturidade do setor. “O desempenho de 2025 foi extraordinário. Depois de um 2024 muito positivo, conseguimos ampliar volume, valor e presença internacional. Mesmo com impactos temporários, como o tarifaço dos Estados Unidos, a indústria respondeu com rapidez, mostrou resiliência e saiu ainda mais fortalecida.

Os resultados de 2025 refletem a atuação conjunta da ABIEC, de suas empresas associadas e do setor público, com destaque para a parceria com a ApexBrasil, por meio do Projeto Setorial Brazilian Beef, e para o diálogo permanente e o apoio do Ministérios da Agricultura e Pecuária (Mapa), do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e das Relações Exteriores (MRE), além da interlocução institucional com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

Para 2026, a avaliação da Associação é de otimismo com realismo, com expectativa de estabilidade em patamar elevado após dois anos consecutivos de forte crescimento e ambiente favorável ao avanço em mercados estratégicos. “Entramos em 2026 com negociações ativas e perspectiva concreta de avançar em mercados como Japão, Coreia do Sul e Turquia, que têm alto potencial e vêm sendo trabalhados de forma técnica e contínua, em parceria entre o setor privado e o governo. A visão é de um crescimento mais qualificado, com previsibilidade, competitividade e maior valor agregado, e sempre atento às questões geopolíticas”, conclui Perosa.

Dezembro

No mês de dezembro de 2025, o Brasil exportou 347,4 mil toneladas de carne bovina, com receita de US$ 1,85 bilhão. A China liderou as compras no mês, com 153,1 mil toneladas, seguida pelos Estados Unidos (27,2 mil toneladas), Chile (17,0 mil toneladas) e União Europeia(11,9 mil toneladas).

Fonte: Assessoria ABIEC
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Contribuições ao Fundesa-RS sobem 4,43% com atualização da UPF em 2026

Reajuste eleva valores pagos por produtores e indústrias nas cadeias de carnes, leite e ovos. Nova lei sancionada em dezembro passa a valer a partir de março.

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Foto: Fernando Kluwe Dias

Já estão em vigor os novos valores de contribuição do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do Rio Grande do Sul, atualizados pela Unidade de Padrão Fiscal (UPF). A UPF é um indexador utilizado para a correção de taxas e tributos cobrados pelo Estado, e seu valor é atualizado anualmente pela Receita Estadual com base no IPCA-E.  Para 2026 o reajuste foi de 4,43%, ficando a UPF fixada em R$28,3264, ante R$27,1300 de 2025.

Atualmente, indústria e produtores contribuem em igual parte para o fundo, considerando cabeças abatidas, e produção de ovos e leite. Com a atualização da UPF, a contribuição por bovino abatido, por exemplo, passa de R$1,4324 para R$1,496, sendo R$0,748 cabendo ao produtor e o mesmo valor à indústria, que fica responsável pelo recolhimento e pagamento ao Fundesa. A tabela com todos os valores e respectivas cadeias produtivas está disponível no site.

Esse reajuste considera apenas a atualização da UPF e não é o mesmo que está previsto na Lei 16.428/2025, sancionada pelo governador em 19 de dezembro. Pelo princípio de anterioridade, a lei só poderá ser implementada 90 dias após a sanção. “Neste período, o Fundesa está articulando com a Secretaria da Agricultura o formato para permitir a contribuição dos produtores que não recolhiam, bem como a modificação do sistema de cobrança utilizado pelo fundo”, explica o presidente do Fundesa, Rogério Kerber.

Para saber mais sobre o projeto aprovado na Assembleia legislativa, clique aqui.

Fonte: Assessoria Fundesa-RS
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CooperAliança e Sebrae lançam projeto de ultrassonografia de carcaça

Iniciativa foi apresentada aos cooperados com o objetivo de elevar ainda mais a qualidade da carne produzida pela cooperativa e agregar valor ao produto final.

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Fotos: Divulgação/CooperAliança

A CooperAliança, em parceria com o Sebrae, lançou um novo projeto voltado à utilização da ultrassonografia de carcaça por cooperados de bovinos. A iniciativa foi apresentada aos cooperados com o objetivo de elevar ainda mais a qualidade da carne produzida pela cooperativa e agregar valor ao produto final, desde a propriedade até a indústria.

Segundo o médico-veterinário da CooperAliança, Renan Guilherme Mota, a ultrassonografia de carcaça é uma ferramenta estratégica no processo de melhoramento genético dos rebanhos. “Quando utilizamos a ultrassonografia na matriz, ela permite e viabiliza o melhoramento genético focado em características de carcaça, como área de olho de lombo, espessura de gordura subcutânea e marmoreio. Essas características estão diretamente relacionadas à musculosidade, ao padrão dos cortes, ao rendimento de carcaça e ao desempenho do animal”, explica.

Renan destaca ainda que os dados obtidos vão além da qualidade da carne. Por exemplo, essas informações também estão ligadas à fertilidade, precocidade sexual e ao desempenho reprodutivo. Ou seja, é uma ferramenta que agrega tanto para a indústria, em qualidade, perfil de carcaça, tamanho dos cortes e rendimento de desossa, quanto para o produtor, em desempenho, reprodução e fertilidade.

Para o consultor do Sebrae, Heverson Morigi Miloch, o projeto representa uma oportunidade concreta de evolução na pecuária dos cooperados. “O objetivo é atender esses produtores para que, por meio da seleção genética, eles possam identificar e trabalhar com os animais mais adequados para a produção e para a entrega aqui na CooperAliança.”

Heverson também destaca o apoio financeiro oferecido. O Sebrae vai subsidiar 50% do custo, além de facilitar as formas de pagamento. “Isso garante que mais produtores possam participar, fortalecendo a união, melhorando a produção na ponta e elevando a qualidade da do animal que chega até a CooperAliança.”

Fonte: Assessoria CooperAliança
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