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Indústria defende celeridade na votação dos projetos de reforma tributária
Câmara deve votar em julho regras gerais para novos tributos e a regulamentação do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) defende a manutenção do cronograma proposto pela Câmara dos Deputados para a votação dos dois projetos de lei complementares (PLPs) que regulamentam a reforma tributária. O PLP 68/2024 trata das regras gerais do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), dos estados e municípios, da Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS), da União, e o Imposto Seletivo (IS). E o PLP 108/2024 institui o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços.
A expectativa do setor industrial é de que os ajustes finais nos projetos sejam feitos até 04 julho, com votação no plenário da Câmara, em dois turnos, até 12 de julho. Em junho, a CNI participou de três audiências públicas dos grupos de trabalho com os deputados e das chamadas mesas de diálogo, em que apresentou propostas para o aperfeiçoamento da regulamentação. “Existem alguns pontos importantes para o setor produtivo.
O primeiro é o que PLP 68 manteve o bom funcionamento do Imposto sobre Valor Agregado (IBS e CBS). O segundo ponto é o crédito amplo para a indústria. Existe uma grande preocupação para que haja clareza em manter o crédito amplo para vários setores da indústria, por isso, a delimitação do que dá direito a crédito foi um avanço”, afirma o superintendente de Economia da CNI, Mário Sérgio Telles.
Entre os pontos de aperfeiçoamento, o setor produtivo defende a redução do prazo de 75 dias para 45 dias na compensação de tributos de quem está dentro do padrão da média de saldo credor. “Só de termos um prazo na PEC já foi um avanço, mas esse prazo ainda é muito grande, especialmente se você considera que o capital de giro se renova a cada 30 dias”, explica o economista da CNI. Para o caso de empresas que fogem do padrão, a CNI não fará nenhuma sugestão ao projeto que prevê um prazo maior, de até 285 dias, para o pagamento dos créditos.
A indústria defende aperfeiçoamentos nos cálculos históricos do saldo credor das empresas e isonomia para produtos que têm regimes aduaneiros especiais. A alteração no texto é de que os insumos comprados no Brasil tenham o mesmo benefício tributário das importações, quando o produto final for destinado à exportação.
No PLP 108/2024, a CNI defende que o Brasil deve seguir o padrão internacional da regulamentação do Comitê Gestor, que distribui para o governo federal apenas o valor da arrecadação, líquido, depois de devolvido do crédito, o imposto pago a mais pelas empresas. No formato atual o texto, a União recebe todo o valor arrecadado na conta única do Tesouro Nacional. “A nossa proposta é que o valor do saldo credor apurado pelas empresas na CBS fique retido em uma unidade separada na conta do Tesouro e que não possa ser usado para o pagamento de despesas da União”, diz Mário Sérgio Telles.
Imposto Seletivo
A CNI é contra a incidência de Imposto Seletivo sobre qualquer insumo, como combustível e minério de ferro.

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Banco Central reduz Selic a 14,75% e sinaliza cautela diante de cenário externo
Guerra no Oriente Médio, pressão cambial e inflação persistente limitam espaço para novos cortes no Brasil.

No Brasil, a 277ª reunião do Comitê de Política Monetária confirmou o esperado e reduziu a taxa Selic para 14,75% ao ano. A decisão ocorre em um ambiente global mais adverso, marcado pela intensificação dos conflitos no Oriente Médio e pela elevação da volatilidade em ativos e commodities.

Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil
Na avaliação do colegiado, o cenário internacional deteriorado exige maior prudência das economias emergentes, mais sensíveis a choques externos e à oscilação das condições financeiras globais.
Os indicadores domésticos apontam moderação da atividade econômica, ainda que o mercado de trabalho permaneça resiliente. A inflação, medida pelo IPCA, apresentou melhora recente, mas continua acima da meta.
As expectativas seguem desancoradas. Segundo o Boletim Focus, a inflação projetada está em 4,1% para 2026 e 3,8% para 2027. Já as estimativas do Copom indicam 3,3% no terceiro trimestre de 2027, ainda sob incerteza elevada.
Riscos inflacionários aumentam com guerra e câmbio
O Banco Central destaca que os riscos de alta para a inflação se intensificaram. Entre eles, a possibilidade de

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desancoragem prolongada das expectativas, a persistência da inflação de serviços e o impacto de políticas que levem à depreciação cambial.
Por outro lado, fatores como desaceleração mais forte da economia doméstica, recessão global e queda das commodities poderiam abrir espaço para novos cortes.
Apesar disso, o Copom reconhece que os dados ainda não capturam integralmente os efeitos do conflito no Irã sobre preços e cadeias globais, o que reforça a opção por um ajuste gradual.
Brasil mais sensível ao choque petróleo-dólar
Diferentemente dos Estados Unidos, onde o Federal Reserve (Fed) aposta em ganhos de produtividade para amortecer choques, o Brasil apresenta maior sensibilidade à combinação entre petróleo e câmbio.
Em um cenário mais extremo, com o Brent acima de US$ 115, o impacto sobre a inflação seria imediato e persistente. Isso ocorre não apenas pelo efeito direto nos combustíveis, mas pelo forte pass-through cambial.

Foto: Divulgação
O fortalecimento do DXY e a busca global por ativos seguros pressionam moedas emergentes. Nesse ambiente, o real tende a se depreciar, amplificando a inflação de bens comercializáveis.
Inflação limita espaço para cortes
Modelagens indicam que a inflação brasileira tem maior persistência do que em economias desenvolvidas. Enquanto os EUA revisam sua taxa neutra para cima com base em ganhos de produtividade, o Brasil convive com juros estruturalmente elevados, influenciados por risco fiscal e prêmio de país.
Esse contexto ajuda a explicar a desaceleração no ritmo de cortes da Selic. A manutenção de um diferencial de juros elevado torna-se necessária para conter a saída de capital e estabilizar o câmbio.
Política monetária
A comparação entre as decisões do Fed e do Copom revela estratégias distintas. Nos Estados Unidos, a política

Foto: Shutterstock
monetária incorpora a expectativa de eficiência tecnológica para mitigar pressões de custo. No Brasil, o desafio é mais imediato: lidar com gargalos estruturais, custos financeiros elevados e maior vulnerabilidade externa.
Modelos econométricos indicam que fatores como trajetória da dívida pública e incerteza geopolítica ganham peso crescente na determinação da volatilidade da Selic.
Cortes adicionais devem ser limitados
Nesse cenário, ganha força a leitura de que haverá espaço apenas para um ou dois cortes residuais de 0,25 ponto percentual até o fim de 2026.
O Banco Central do Brasil sinaliza que o custo de uma flexibilização prematura, especialmente em um ambiente de petróleo elevado e câmbio pressionado, seria superior ao de manter juros restritivos por mais tempo.
A estratégia, portanto, é de calibragem fina: garantir a convergência da inflação sem comprometer a estabilidade financeira.

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Política monetária sob incerteza prolongada
O desfecho desse cenário permanece condicionado a variáveis externas, sobretudo à duração e intensidade dos conflitos geopolíticos. Tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, a condução da política monetária passa a operar sob um grau elevado de incerteza.
O ponto comum entre as duas economias é a redução da margem de erro. No caso brasileiro, com maior sensibilidade a choques externos, o desafio é ainda mais agudo.
No fim, a resposta à principal variável do momento permanece em aberto, quanto tempo esses choques vão durar e qual será seu custo final sobre inflação, crescimento e estabilidade econômica.
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Banco Central dos EUA sustenta juros elevados e reforça cenário de aperto financeiro global
Dólar forte, Treasuries em alta e risco geopolítico ampliam restrição de liquidez e adiam cortes.

O Federal Reserve (Fed) manteve a taxa básica de juros na faixa entre 3,50% e 3,75%, em decisão amplamente esperada pelo mercado, mas marcada por um nível elevado de incerteza. O comunicado oficial e as Projeções Econômicas Trimestrais (SEP) indicam uma autoridade monetária pressionada por choques externos, sobretudo energia, e por mudanças estruturais na economia americana.

Imagem criada por chatGPT
A leitura predominante no comitê é que a inflação tende a permanecer pressionada ao longo de 2026, especialmente diante da escalada nos preços de petróleo e gás, em meio à guerra no Irã e às disrupções logísticas no estreito de Ormuz.
Pela sexta reunião consecutiva, a decisão não foi unânime. O economista e membro do Conselho de Governadores do Sistema da Federal Reserve, Stephen Miran, votou contra a manutenção e defendeu um corte de 0,25 ponto percentual.
A posição dissidente reflete preocupação crescente com sinais de desaceleração no mercado de trabalho. Ainda assim, a maioria optou por manter uma postura conservadora, avaliando que o avanço recente dos preços de energia elevou o risco de contaminação inflacionária no curto prazo.
Inflação alta por mais tempo
O Fed revisou para cima sua projeção do Índice de Preços ao Consumidor (PCE) para o fim de 2026, de 2,4% para

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2,7%. Na prática, o movimento reconhece que a convergência para a meta de 2% foi adiada, agora projetada apenas para 2027.
A revisão ocorre em um contexto de pressão simultânea em energia e alimentos, dois componentes altamente sensíveis a choques geopolíticos. Esse cenário reforça a leitura de que a inflação atual não é apenas transitória, mas carrega elementos mais persistentes.
Produtividade sustenta cenário de cortes
Apesar do ambiente inflacionário mais adverso, o Fed promoveu ajustes relevantes em suas estimativas estruturais. O crescimento potencial da economia foi elevado de 1,8% para 2,0%, enquanto a taxa neutra de juros subiu de 3,0% para 3,1%.
Essas revisões indicam uma mudança importante de diagnóstico: a autoridade monetária passa a incorporar o impacto da tecnologia, especialmente da inteligência artificial, como vetor de aumento de produtividade.

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Na prática, isso sugere que a economia americana pode crescer em ritmo mais forte sem gerar pressões inflacionárias proporcionais no longo prazo. Essa leitura ajuda a explicar por que o chamado “gráfico de pontos” (dot plot) ainda indica possibilidade de corte de juros ao longo deste ano, mesmo diante de uma inflação resiliente.
Energia e geopolítica
O pano de fundo da decisão permanece sendo a incerteza global. A alta do petróleo, impulsionada por riscos no fornecimento e gargalos logísticos, atua como principal canal de transmissão inflacionária no curto prazo.
Nesse contexto, o Fed se vê diante de um dilema clássico: preservar a credibilidade no combate à inflação ou responder a sinais de desaceleração econômica. Com o ambiente externo deteriorado, a escolha, por ora, foi pela cautela.
O resultado é um cenário de juros elevados por mais tempo, inflação acima da meta e maior sensibilidade da política

Foto: Divulgação/FED
monetária aos desdobramentos geopolíticos, um quadro que tende a reverberar também sobre economias emergentes e cadeias globais, incluindo o agronegócio.
Credibilidade em teste no pós-meta frustrada
No entanto, a credibilidade do Federal Reserve passa a operar em uma zona de risco. Após anos sem convergir de forma consistente para a meta de 2%, a leitura de que a inflação atual seria novamente transitória, agora atribuída a choques exógenos como guerras e tarifas, encontra resistência crescente entre agentes de mercado.
A repetição desse diagnóstico, ainda que sob justificativas distintas, fragiliza a ancoragem de expectativas. Na prática, quanto mais tempo a inflação permanece acima da meta, maior o prêmio exigido pelos investidores e menor a margem de manobra da política monetária.
Um “dovish hold” sob pressão estrutural
A decisão do Federal Open Market Committee de manter os juros entre 3,50% e 3,75% não se resume a uma pausa convencional. Trata-se de um movimento tático em um ambiente caracterizado por ruído geopolítico elevado e transformações na oferta agregada.

Foto: Divulgação/FED
Ao mesmo tempo em que reage ao choque inflacionário associado ao conflito no Irã e à desorganização do mercado de energia, o Fed revisa para cima o PIB potencial, agora em 2%. Esse ajuste sinaliza uma mudança de regime: a política monetária passa a considerar explicitamente ganhos de produtividade associados à difusão da inteligência artificial para sustentar um crescimento mais robusto sem gerar inflação proporcional.
Essa mudança de diagnóstico altera a função de reação do banco central. Em vez de responder apenas ao ciclo econômico tradicional, o Fed passa a incorporar uma variável estrutural, ou seja, uma tecnologia, como amortecedor de pressões inflacionárias futuras.
Inflação restringe cortes no curto prazo
Mesmo com essa leitura otimista no longo prazo, o quadro corrente impõe limitações. Com o índice PCE projetado

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
em 2,7% ao fim de 2026 e inflação de serviços ainda resiliente, os modelos indicam maior persistência inflacionária do que a precificada anteriormente.
Na prática, isso reduz de forma significativa o espaço para cortes imediatos. A combinação de inflação acima da meta, energia pressionada e mercado de trabalho ainda relativamente firme exige cautela adicional.
Janela para flexibilização é estreita
Embora o “dot plot” ainda sinalize cortes ao longo do ano, a análise técnica, baseada em matrizes de variância e covariância dos principais indicadores, sugere que a probabilidade de redução de juros no curto prazo é limitada.
Junho e setembro aparecem como janelas estatisticamente estreitas, uma vez que o Fed precisa observar a dissipação do choque de oferta antes de iniciar um ciclo de afrouxamento com segurança.

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Nesse contexto, ganha força a hipótese de um único corte de 0,25 ponto percentual apenas em outubro de 2026, condicionado ao comportamento de variáveis financeiras endógenas, como condições de crédito, volatilidade de mercado e expectativas inflacionárias.
Energia segue como variável-chave
A trajetória do petróleo permanece como fator determinante. Caso os preços se mantenham elevados por um período prolongado, o choque deixa de ser temporário e passa a reconfigurar a dinâmica inflacionária global.
Para o Fed, isso significa prolongar o ciclo restritivo. Para o restante do mundo, incluindo economias dependentes de commodities e logística intensiva, como o Brasil, implica um ambiente mais desafiador, com crédito caro, demanda incerta e maior volatilidade nos preços.
O diagnóstico é de transição entre um choque externo ainda em curso e uma aposta estrutural de longo prazo. O risco

Foto: Geraldo Bubniak
está no intervalo entre esses dois vetores, onde a inflação persiste, mas os ganhos de produtividade ainda não se materializaram plenamente.
Aperto financeiro global
O fortalecimento do DXY, índice que mede a força do dólar americano em comparação ao Euro, Iene, Libra Esterlina, Dólar Canadense, Coroa Sueca e Franco Suíço, com alta superior a 2%, e a elevação dos rendimentos das Treasuries de 10 anos vêm funcionando, na prática, como um aperto monetário adicional. Esse movimento encarece o crédito, valoriza o dólar e reduz liquidez global, mesmo sem mudanças formais na taxa básica.
A alta do VIX, índice de volatilidade da Bolsa de Chicago, reforça esse efeito. Em cenários de maior aversão ao risco, a resposta típica da política monetária é adiar movimentos expansionistas. Ou seja, o próprio mercado já incorporou parte do aperto necessário diante do risco geopolítico.

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Esse contexto permite ao Federal Reserve adotar uma postura de ‘paralisia vigilante’: manter juros elevados enquanto observa a dissipação dos choques, sem necessidade imediata de novas altas.
Economia mais resiliente
A revisão da taxa neutra (r*) para 3,1%, combinada com a elevação do PIB potencial para 2%, sugere uma mudança estrutural relevante. Modelos econométricos indicam que a economia americana pode sustentar crescimento mesmo com juros nominais mais elevados, sem entrar em recessão profunda.
O fator central dessa resiliência é o ganho de eficiência associado à incorporação de tecnologia, especialmente inteligência artificial. Na leitura do Fed, esse vetor compensa parcialmente os custos impostos por choques externos, como energia e disrupções logísticas.
Mercado de trabalho
Apesar da resiliência macroeconômica, surgem sinais de fadiga no mercado de trabalho. Dados recentes de folha de

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pagamento apontam desaceleração nas contratações, o que eleva o risco de deterioração mais ampla caso o aperto financeiro persista.
Diante disso, o Fed sinaliza disposição de relativizar a volatilidade de curto prazo nos preços de energia para evitar um ajuste mais abrupto no emprego. Trata-se de uma calibragem delicada: conter a inflação sem provocar um desaquecimento excessivo da economia.
O cenário ganha complexidade com a transição na presidência do banco central norte-americano, de Jerome Powell para Kevin Warsh em 15 de maio. O processo adiciona incerteza institucional e tende a aumentar a inércia decisória no curto prazo.
Em momentos de sucessão, a tendência histórica é de maior cautela, com decisões menos disruptivas até que a nova liderança consolide sua estratégia.

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Janela técnica para corte
Dentro desse quadro, outubro de 2026 aparece como a principal janela para uma eventual flexibilização monetária. A combinação entre desaceleração gradual do mercado de trabalho, evidenciada pelos dados mais fracos de payroll, e a expectativa de alívio nos preços de energia no segundo semestre cria condições mais favoráveis.
A hipótese mais consistente, neste momento, é de um corte isolado de 0,25 ponto percentual.
Corte pontual preservaria credibilidade
Um ajuste dessa magnitude funcionaria como movimento de calibragem, e não como início de um ciclo agressivo de

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afrouxamento. O objetivo seria validar a leitura de que a inflação, embora persistente, retomou trajetória de convergência.
Ao mesmo tempo, preservaria a credibilidade do Fed diante de choques ainda presentes, especialmente no custo de energia. O equilíbrio buscado é claro: iniciar a normalização sem comprometer o controle inflacionário.
O pano de fundo permanece inalterado: um ambiente em que política monetária, geopolítica e transformação tecnológica operam de forma simultânea, reduzindo a margem de erro da autoridade monetária e elevando o grau de incerteza global.
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Trigo avança lentamente no mercado interno durante a entressafra
Negociações seguem em ritmo contido, com produtores priorizando a soja, enquanto os preços reagem de forma gradual mesmo no período típico de valorização.

O mercado de trigo no Brasil apresentou reação lenta durante a entressafra, com comportamento distinto entre os estados do Sul e ritmo de negócios mais moderado. Em fevereiro, os preços no Rio Grande do Sul registraram alta de 1,2%, com média de R$ 55,61 por saca de 60 quilos. No início de março, a valorização continuou, atingindo R$ 58,16/sc no dia 13.
Apesar do período de entressafra, quando normalmente os preços internos se aproximam da paridade de importação, a recuperação das cotações ocorre de forma gradual e abaixo do ritmo habitual. A comercialização também segue mais lenta, com produtores e agentes priorizando as negociações da safra de soja.

Foto: Fábio Carvalho
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, no mercado internacional o movimento é de alta. Em fevereiro, os contratos de trigo avançaram 6,1% em Chicago e 3,4% em Kansas. Em março, a valorização se manteve: o trigo soft chegou a 609 centavos de dólar por bushel no dia 9, enquanto o trigo hard foi negociado a 611 centavos, acumulando altas de 7,6% e 6,1% no mês, respectivamente.
A sustentação dos preços no exterior está ligada principalmente ao período de entressafra no Hemisfério Norte e às preocupações com o clima, como a seca nos Estados Unidos e o frio intenso na Europa e na Rússia. Além disso, fatores geopolíticos, como o aumento das tensões no Oriente Médio, e a redução de posições vendidas por fundos especulativos também contribuem para o cenário de valorização.
Apesar disso, o conflito internacional não deve provocar, neste momento, um choque direto na oferta global de trigo. O impacto ocorre de forma indireta, elevando custos logísticos e de frete, o que aumenta a volatilidade do mercado.



