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Indústria de bioinsumos busca escalabilidade e segurança jurídica para sustentar crescimento no campo
Segmento movimentou R$ 6,2 bilhões em 2025 e depende de regras mais claras sobre registro, produção própria e fiscalização para avançar.

O mercado brasileiro de bioinsumos movimentou R$ 6,2 bilhões em 2025, segundo dados do CropData, da CropLife Brasil. No cenário internacional, o segmento pode atingir aproximadamente US$ 45 bilhões até 2032, caso mantenha um ritmo anual de crescimento entre 13% e 14%, conforme projeções da entidade.

Foto: Divulgação
Apesar da expansão da adoção de tecnologias biológicas no campo, especialistas avaliam que o próximo ciclo de crescimento dependerá da capacidade de ampliar a produção em escala e estabelecer regras regulatórias que ofereçam segurança jurídica para empresas, produtores e pesquisadores.
O avanço ocorre durante a implementação do marco legal dos bioinsumos no Brasil. A Lei nº 15.070/2024 definiu diretrizes para produção, importação, exportação, registro, comercialização, uso, inspeção, fiscalização e pesquisa de produtos destinados às atividades agrícola, pecuária, aquícola e florestal. A aplicação de parte das normas, no entanto, ainda depende de regulamentações complementares.
Entre os pontos em discussão estão os critérios para registro de produtos, as regras para produção de bioinsumos

Foto: Divulgação/Freepik
dentro das propriedades rurais, prática conhecida como produção on-farm, os mecanismos de fiscalização e a proteção da propriedade intelectual.
Regulamentação é vista como etapa decisiva para o setor
Para o engenheiro agrônomo Luiz Mário Machado Salvi, presidente da Araiby Feiras e Eventos, organizadora do 3º Fórum de Bioinsumos no Agro, o detalhamento das regras será fundamental para equilibrar expansão do mercado, controle de qualidade e estímulo à inovação. “A lei cria uma base importante para dar previsibilidade ao mercado. Agora, é necessário avançar na regulamentação para assegurar qualidade, rastreabilidade e segurança, sem comprometer a inovação e a expansão das tecnologias biológicas”, afirma.

Foto: Enio Tavares
Segundo o dirigente, a definição dos procedimentos regulatórios será determinante para estabelecer parâmetros de funcionamento para uma cadeia que envolve fabricantes, produtores rurais, instituições de pesquisa e órgãos fiscalizadores.
Fórum reúne debate sobre futuro dos bioinsumos
Os impactos da Lei nº 15.070/2024 e os próximos passos para consolidação do mercado estarão entre os temas do 3º Fórum de Bioinsumos no Agro, marcado para 18 de agosto, no Auditório da Ocesp, em São Paulo.
O evento vai reunir representantes do setor produtivo, entidades de pesquisa, empresas e instituições ligadas ao agronegócio para discutir regulamentação, inovação e desenvolvimento das tecnologias biológicas. Inscrições estão abertas e podem ser feitas clicando aqui.
Entre os apoiadores estão a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo), CropLife Brasil, Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGVAgro), Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Insper, Rede Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (Rede ILPF), Sebrae São Paulo, Sindicato da Indústria de Café do Estado de São Paulo (Sindicafé-SP), Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações), Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (SEESP) e União Nacional da Bioenergia (UDOP).

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Super El Niño reforça urgência de adaptação climática no agro
Documento elaborado pela Coalizão Brasil para as eleições de 2026 propõe ampliar práticas conservacionistas, recuperar áreas degradadas e fortalecer políticas de gestão de risco para reduzir os impactos de eventos climáticos extremos sobre a produção agropecuária.

A possibilidade de um Super El Niño nos próximos meses reforça a necessidade de acelerar medidas de adaptação da agropecuária brasileira aos eventos climáticos extremos. A avaliação é da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, que divulgou um documento com propostas voltadas aos candidatos às eleições de 2026, defendendo o fortalecimento do crédito rural, do seguro agrícola, da assistência técnica e da adoção de práticas sustentáveis no campo.

Foto: Roberto Dziura Jr.
A publicação ocorre em um momento de preocupação com o cenário climático. Segundo análise recente da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há 81% de probabilidade de que o El Niño atinja intensidade muito forte entre outubro e dezembro deste ano. Caso o cenário se confirme, a expectativa é de aumento na frequência de ondas de calor, estiagens e chuvas intensas, com impactos sobre diferentes regiões produtoras.
Para a Coalizão, o aumento da vulnerabilidade climática exige que políticas públicas voltadas ao setor agropecuário avancem além das ações emergenciais e priorizem medidas estruturantes de adaptação. “A previsão de um El Niño deixa de ser apenas um alerta meteorológico para se tornar um chamado urgente à modernização das nossas políticas públicas para o campo”, afirma Leila Harfuch, integrante do Grupo Estratégico da Coalizão.
Segundo ela, instrumentos como o seguro rural e o crédito agrícola precisam ser aperfeiçoados para reduzir os riscos

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enfrentados pelos produtores. “O fenômeno pressiona a agenda de adaptação climática, exigindo que o seguro e o crédito rural sejam atualizados para oferecer previsibilidade e proteger a renda do produtor diante de quebras de safra cada vez mais frequentes. Não podemos mais tratar eventos extremos como exceções; precisamos de um planejamento territorial robusto e da implementação célere do Código Florestal para reduzir as vulnerabilidades e garantir a segurança hídrica, energética, produtiva e alimentar do país”, salienta.
Práticas conservacionistas
Além do fortalecimento dos instrumentos de gestão de risco, a Coalizão propõe ampliar a adoção de tecnologias já consolidadas no campo, como o plantio direto, o uso de bioinsumos, a recuperação de áreas degradadas e sistemas integrados de produção, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). Segundo a entidade, essas práticas contribuem para melhorar a qualidade do solo, aumentar a eficiência no uso dos recursos naturais e elevar a capacidade de adaptação das propriedades rurais às variações climáticas.

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O documento também defende que o uso sustentável da terra passe a ser tratado como um ativo econômico estratégico para o agronegócio. “A resiliência da agropecuária brasileira depende do reconhecimento do uso sustentável da terra como um ativo econômico”, afirma Rodrigo Castro, integrante do Grupo Estratégico da Coalizão.
De acordo com ele, práticas de agricultura regenerativa, produção de baixo carbono e conservação do solo são fundamentais para manter a competitividade da agropecuária brasileira em um cenário de maior instabilidade climática. “É preciso produzir mais e melhor, o que passa obrigatoriamente pela adoção de práticas de agricultura regenerativa, de baixo carbono e de conservação do solo para criar resiliência diante da irregularidade climática. A agropecuária brasileira contribui para a segurança alimentar de mais de 1 bilhão de pessoas no planeta; garantir a nossa capacidade de adaptação é assegurar o abastecimento de quase 20% da população mundial”, afirma.
Castro acrescenta que a regularização ambiental e a integração da vegetação nativa aos sistemas produtivos também fortalecem a competitividade do setor. “Ao acelerarmos a regularização ambiental e integrarmos a conservação da vegetação nativa aos sistemas produtivos, não estamos apenas protegendo biomas, mas blindando a produtividade contra os efeitos do clima e garantindo a competitividade do Brasil no mercado global”, ressalta.
Para acessar o documento com as propostas completas clique aqui.
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A nova conta do transporte: três fatores que podem elevar custos logísticos em 2027
Agronegócio e indústria estão entre os setores mais expostos ao aumento das despesas com frete.

A partir de 2027, o transporte rodoviário brasileiro poderá enfrentar uma combinação de mudanças regulatórias e tributárias com potencial para elevar os custos logísticos. A obrigatoriedade de cumprimento do piso mínimo do frete, o fim da desoneração do diesel e a transição para o novo modelo da Reforma Tributária formam os três principais fatores que entram no radar de empresas e produtores.

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Para o advogado tributarista Felipe Azevedo Maia, a soma dessas alterações cria um cenário de incerteza para uma cadeia que depende fortemente das rodovias, especialmente o agronegócio, responsável por grande parte da movimentação de cargas no país.
Segundo ele, a efetiva aplicação do piso mínimo do frete deve provocar uma mudança nos valores praticados pelo mercado, principalmente em operações de subcontratação, nas quais o valor definido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) nem sempre é respeitado. “Com o piso sendo efetivamente cumprido e fiscalizado, o frete sobe, e isso repercute em toda a cadeia, do insumo agrícola ao produto industrializado”, explica.
Fiscalização do frete mínimo pode alterar preços do transporte
A Medida Provisória do Piso Mínimo do Frete, aprovada pelo Senado, amplia os mecanismos de fiscalização sobre operações realizadas abaixo dos valores estabelecidos pela ANTT. Entre as medidas previstas está o bloqueio da emissão do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) e a aplicação de multas que podem chegar a R$ 10 milhões por operação.
Na avaliação de Maia, uma fiscalização mais rigorosa tende a reduzir a prática de valores abaixo da tabela e

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pressionar o preço médio dos serviços de transporte. “Essa mudança pode elevar o custo do frete e, consequentemente, impactar toda a cadeia produtiva. O ICMS que compõe o custo dos fretes tende a aumentar em arrecadação, mas ainda não há diagnóstico claro dos estados sobre o tamanho desse efeito”, observa.
Diesel e reforma tributária entram na composição dos custos
O segundo fator apontado pelo especialista é o fim da desoneração do diesel. A medida que reduziu a cobrança de PIS/Cofins sobre a importação e comercialização do combustível está prevista até 31 de dezembro de 2026.
Segundo Maia, o término desse benefício ocorre justamente no início da implantação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tributo que substituirá o PIS/Cofins a partir de 2027, aumentando as dúvidas sobre o impacto final da tributação sobre combustíveis. “O vencimento da desoneração coincide com a entrada em vigor da CBS, que substitui o PIS/Cofins em 2027, e ainda não há definição sobre como o novo tributo tratará o diesel, o que amplia a incerteza sobre o custo do transporte”, afirma.

Foto: Divulgação
Além da CBS, a Reforma Tributária prevê a criação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que substituirá gradualmente o ICMS. Embora a legislação complementar estabeleça regras específicas para combustíveis, ainda existem dúvidas sobre as alíquotas e os efeitos práticos para o transporte rodoviário. “Mesmo com um capítulo dedicado ao setor, ainda não há clareza sobre as novas alíquotas e sobre o impacto concreto para o transporte rodoviário. Quando você soma isso ao fim da isenção do diesel e ao piso do frete reajustado semestralmente, o risco é de um choque de custos em 2027”, analisa.
Falta de diagnóstico amplia risco para empresas
Além do impacto direto nos custos, o tributarista chama atenção para o risco regulatório e para possíveis disputas judiciais relacionadas às regras de atualização do piso do frete.
Segundo ele, a previsão de reajustes semestrais e a possibilidade de “correções pontuais” podem abrir espaço para

Foto: Márcio Ferreira
questionamentos sobre os critérios utilizados. “A forma como a MP prevê a atualização semestral do piso, com a possibilidade de correções pontuais definidas de maneira genérica, é exatamente o tipo de brecha que costuma virar disputa judicial. Some isso ao fato de que o benefício fiscal do diesel tem prazo para acabar, e você tem um custo represado que ainda não foi precificado por ninguém”, afirma.
Para Maia, o principal ponto de atenção é a ausência de uma análise conjunta dos efeitos dessas mudanças sobre a logística nacional. “Não há estudo consolidado sobre o impacto da MP dos Fretes em conjunto com a Reforma Tributária, o fim da desoneração do diesel e o restabelecimento da tributação sobre combustíveis. Isso pode trazer prejuízos substanciais e aumento de custos para o setor logístico e o agronegócio”, alerta.
Segundo o profissional, a combinação dos três fatores pode pressionar margens de empresas e produtores caso os impactos não sejam antecipados. “A combinação entre diesel mais caro, piso do frete reajustado e maior fiscalização tende a pressionar margens e encarecer insumos, alimentos e produtos industrializados. Sem um diagnóstico sério, o país corre o risco de descobrir esse impacto apenas quando a conta chegar”, enfatiza.
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Frimesa antecipa meta de energia renovável prevista para 2030
Cooperativa alcançou 96,4% de consumo energético proveniente de fontes renováveis em 2025 e reforçou a estratégia de neutralidade de carbono até 2040.

A Frimesa, uma das maiores cooperativas de alimentos do Brasil, alcançou, em 2025, o índice de 96,4% de energia proveniente de fontes renováveis em suas operações industriais, superando com antecedência a meta prevista no Roadmap ESG 2040 de atingir 95,7% até 2030. O resultado reforça o compromisso da cooperativa com a sustentabilidade e a transição para uma matriz energética limpa, alinhada à meta de neutralidade de carbono até 2040.

Presidente executivo da Frimesa, Elias José Zydek: “Esse resultado demonstra nossa capacidade de integrar inovação e sustentabilidade na operação industrial” – Foto: Divulgação/Frimesa
O desempenho foi impulsionado pelo uso de biomassa, biogás e energia solar, que têm contribuição significativa na matriz energética da cooperativa. O consumo total de energia da cooperativa atingiu 1.986.067 GJ em 2025, com destaque para a predominância de combustíveis renováveis como biomassa e biogás, que juntos responderam por 61,5% do total de energia consumida.
Um exemplo prático está na Unidade Frigorífica de Assis Chateaubriand, que mesmo com a expansão da produção em 2025, manteve a operação majoritariamente abastecida por energia renovável.
Para isso, projetos como a ampliação de usina fotovoltaica, estudos para incorporação de biometano e eletrificação da frota estão no pipeline, visando aumentar de forma contínua a participação de renováveis e reduzir o uso de combustíveis fósseis. “Esse resultado demonstra nossa capacidade de integrar inovação e sustentabilidade na operação industrial. A sustentabilidade não é apenas uma meta a ser alcançada, mas a nossa própria razão de ser. Como uma cooperativa, o impacto social, a governança ética e o respeito ao campo e ao meio ambiente estão no nosso DNA desde a fundação”, afirma o presidente executivo da Frimesa, Elias José Zydek.

Foto: Divulgação/Frimesa
Para ele, o percentual de energia renovável alcançado cinco anos antes da meta é um passo decisivo para a neutralidade de carbono e para o fortalecimento da competitividade da empresa em mercados cada vez mais exigentes. “Seguiremos investindo na diversificação da matriz e na eficiência energética de nossas unidades”, finaliza.
Roadmap ESG 2040
A conquista integra o conjunto de avanços do Roadmap ESG 2040, que orienta as metas ambientais, sociais e de governança da Frimesa. Com o resultado alcançado em 2025, a cooperativa reforça seu posicionamento como referência na agroindústria pelo uso

Foto: Divulgação/Frimesa
responsável de recursos e pelo compromisso efetivo com a sustentabilidade.
Emissões da frota quase 50% menores
Complementando a estratégia de transição energética, a Frimesa também registrou avanços significativos em seu inventário de Gases de Efeito Estufa. Por meio de uma política corporativa iniciada em 2024 para substituir progressivamente a gasolina pelo etanol na frota leve, a cooperativa reduziu em 44,6% as emissões de CO2 por combustão móvel, o que representa cerca de 200 toneladas de carbono a menos na atmosfera.
O movimento se consolidou em 2025 com a redução de 238 GJ (Gigajoules) no consumo de gasolina. “A substituição do combustível fóssil por um de origem renovável demonstra como atitudes simples e de baixo custo geram grande impacto “, finaliza Zydek.
A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.



