Avicultura
Indústria avícola amplia uso de matérias-primas alternativas para reduzir custo de ração
Com alimentação representando cerca de 70% do custo do frango vivo, empresas avaliam dietas multi-ingredientes para mitigar a volatilidade de milho e soja. Tema será debatido em maio durante Reunião Anual do CBNA.

O atual cenário de instabilidade geopolítica e a volatilidade nos preços de grãos e insumos tem levado empresas da cadeia avícola a buscar novas estratégias para reduzir custos de produção. Uma das alternativas em discussão na indústria é a diversificação de matérias-primas na formulação das rações, tradicionalmente baseadas em milho e farelo de soja.
O zootecnista Especialista em Nutrição de Aves da Seara, Bruno Reis de Carvalho, lembra que cerca de 70% do custo de produção do frango vivo está associado à alimentação das aves. “A base da ração ainda é milho e soja, e o preço desses ingredientes acaba determinando grande parte do custo do frango. O papel do nutricionista é justamente encontrar ajustes na formulação que permitam manter o desempenho das aves e, ao mesmo tempo, melhorar a eficiência econômica”, afirma.
O tema será debatido pelo especialista durante a 36ª Reunião Anual do CBNA – Aves, Suínos e Bovinos, encontro técnico que reúne especialistas da academia, da agroindústria e da indústria de nutrição animal para discutir avanços e desafios do setor, entre os dias 12 e 14 de maio no Distrito Anhembi, em São Paulo (SP).
O uso de dietas multi-ingredientes

O zootecnista Especialista em Nutrição de Aves da Seara, Bruno Reis de Carvalho. “A base da ração ainda é milho e soja, e o papel do nutricionista é justamente encontrar ajustes na formulação que permitam manter o desempenho das aves e, ao mesmo tempo, melhorar a eficiência econômica”.
Quando falamos de dietas multi-ingredientes é importante investir pensando na aplicabilidade prática. Ferramentas nutricionais, como aditivos que melhoram o aproveitamento dos nutrientes, também podem contribuir para aumentar a eficiência da dieta, defende Carvalho. “Quando falamos em ROI (o retorno sobre o investimento), estamos falando de dinheiro aplicado na estratégia nutricional”, reforça.
Assim, a adoção de dietas mais diversificadas, com inclusão de matérias-primas alternativas quando o cenário de preços se torna desfavorável para os insumos tradicionais, deve levar em consideração o investimento em dinheiro. “Em determinados momentos é possível utilizar ingredientes com melhor custo, como sorgo, trigo ou outros cereais, sem perder desempenho. A ideia é sair de uma dieta baseada apenas em milho e soja e trabalhar com formulações mais diversificadas, sempre avaliando o custo e o resultado produtivo”, explica.
Desafios técnicos e logísticos
Apesar das oportunidades, a adoção de novas matérias-primas envolve desafios técnicos e logísticos. A disponibilidade de volume, a adaptação das fábricas de ração e a confiabilidade dos dados nutricionais dos ingredientes são fatores que influenciam as decisões da indústria. “Para utilizar novos ingredientes é preciso ter escala e garantir fornecimento. Além disso, as fábricas precisam estar preparadas para trabalhar com mais matérias-primas, o que pode exigir estrutura adicional de armazenagem e manejo”, diz.
Na avaliação do especialista, decisões nutricionais têm impacto direto na rentabilidade da cadeia produtiva, já que a formulação da ração influencia tanto o custo quanto o desempenho zootécnico das aves. “Quando desenhamos uma dieta, buscamos manter o desempenho com o menor custo possível. Em alguns casos, pode valer a pena investir em nutrientes para acelerar o crescimento das aves e reduzir o tempo até o abate. Em outros cenários, o foco pode ser reduzir o custo da dieta mantendo o mesmo resultado produtivo”, afirma.
O desafio de equilibrar diferentes objetivos
Para Carvalho, o desafio da produção animal moderna está justamente em equilibrar diferentes objetivos ao mesmo tempo. “O grande desafio é entregar carcaça de qualidade com baixo custo e alta eficiência zootécnica. Muitas vezes melhorar um desses fatores impacta outro, e encontrar esse equilíbrio é o que define a competitividade da produção”, diz o executivo que, durante a Reunião Anual do CBNA, pretende discutir estratégias práticas para aumentar o retorno econômico da nutrição animal, incluindo o uso de dietas multi-ingredientes e ferramentas que permitam melhorar a eficiência de utilização dos nutrientes.
Debate na Reunião Anual do CBNA
Confirmado no Painel Retorno do investimento na nutrição, ele vai ministrar a palestra Custo de produção de aves com foco na diversidade de matérias-primas, no dia 13 de maio, no Distrito Anhembi, em São Paulo. Este painel terá ainda a participação de especialistas da agroindústria e da academia, como o médico veterinário e Nutricionista Animal da MBRF, Keysuke Muramatsu, o professor da FMVZ/USP, Cesar Augusto Garbossa e o pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Marcelo Miele.
A 36ª Reunião Anual do CBNA – Aves, Suínos e Bovinos vai reunir especialistas da cadeia produtiva para discutir o futuro da nutrição animal. Além da Reunião Anual, o CBNA vai promover outros dois eventos técnicos no mesmo local. Um deles é o 9º Workshop sobre Nutrição e Nutrologia de Cães e Gatos, no dia 12 de maio, e outro é o 25º Congresso CBNA Pet, nos dias 13 e 14 de maio.
Toda essa programação será paralela à Fenagra, feira internacional dedicada à tecnologia e processamento da agroindústria Feed & Food, apoiadora da iniciativa.

Avicultura
Avicultura brasileira projeta produção de 15,8 milhões de toneladas em 2026
Crescimento estimado em 2,3% mantém Brasil entre os maiores produtores globais.

A avicultura brasileira segue operando em um cenário de desafios, mas mantém desempenho estável diante da demanda interna e externa. A expectativa é de menor espaço para novas quedas nos preços da carne de frango no país, que continua competitiva em relação à carne bovina.
No cenário internacional, a produção de carne de frango da China foi revisada para cima pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A estimativa aponta crescimento de 4,8% em 2026, alcançando 17,3 milhões de toneladas, o que deve consolidar o país como o segundo maior produtor global, atrás apenas dos Estados Unidos. Já o Brasil deve registrar aumento de 2,3% na produção, chegando a 15,8 milhões de toneladas, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA.

Entre os exportadores, a China também amplia presença no mercado. As exportações do país asiático devem crescer 29% neste ano, atingindo 1,4 milhão de toneladas e superando a Tailândia, ocupando a quarta posição global.
No Brasil, os custos de ração permaneceram controlados, mas a queda nos preços da carne de frango ao longo de março reduziu a margem da atividade no mercado interno. Ainda assim, o setor segue sustentado pela demanda externa, que continua firme mesmo com o aumento dos custos logísticos, influenciados pelo cenário no Golfo Pérsico.
A carne de frango mantém competitividade frente à bovina, principalmente diante da ausência de expectativa de queda nos preços do boi. Com isso, o mercado indica menor espaço para novas reduções nos preços da proteína avícola.
O setor também monitora riscos no cenário internacional, especialmente ligados ao Estreito de Ormuz, região estratégica para o escoamento das exportações brasileiras de frango. Além disso, há atenção em relação à safra de milho, já que a consolidação da safrinha depende das condições climáticas nas próximas semanas, o que pode impactar os custos de produção.
Avicultura
Após ações de vigilância, Rio Grande do Sul declara fim de foco de gripe aviária
Equipes realizaram inspeções em propriedades e granjas, além de atividades educativas com produtores.

Após 28 dias sem aves mortas, a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) encerrou na quinta-feira (16) o foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (gripe aviária) registrado em 28 de fevereiro, em Santa Vitória do Palmar. Na ocasião, foi constatada a morte de aves silvestres da espécie Coscoroba coscoroba, conhecidas como cisne-coscoroba, na Estação Ecológica do Taim.
A partir da confirmação do foco, a Seapi mobilizou equipes para a região de Santa Vitória do Palmar, conduzindo ações de vigilância ativa e educação sanitária em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
As equipes designadas utilizaram barcos e drones para o monitoramento de aves silvestres na Estação Ecológica do Taim, procurando por sinais clínicos nos animais ou aves mortas. Foram realizadas 95 atividades de vigilância em propriedades, localizadas no raio de 10 quilômetros a partir do foco, que contam com criações de aves de subsistência. Adicionalmente, foram feitas 22 fiscalizações em granjas avícolas localizadas em municípios da região, para verificação das medidas de biosseguridade adotadas.
Ações de educação sanitária junto a produtores rurais, autoridades locais e agentes comunitários de saúde e de controle de endemias também integraram o plano de atuação da Secretaria na área do foco. Foram conduzidas 143 atividades educativas.
“Por se tratar de área de risco permanente, continuamos com o monitoramento de ocorrências na Estação Ecológica do Taim, em conjunto com o ICMBio”, complementa o diretor do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Seapi, Fernando Groff.
Sobre a gripe aviária e notificação de casos suspeitos
A influenza aviária, também conhecida como gripe aviária, é uma doença viral altamente contagiosa que afeta, principalmente, aves, mas também pode infectar mamíferos, cães, gatos, outros animais e mais raramente humanos.
Entre as recomendações, estão que as pessoas não se aproximem ou tentem socorrer animais feridos ou doentes e não se aproximem de animais mortos. Todas as suspeitas de influenza aviária, que incluem sinais respiratórios, neurológicos ou mortalidade alta e súbita em aves devem ser notificadas imediatamente à Secretaria da Agricultura na Inspetoria de Defesa Agropecuária mais próxima ou pelo WhatsApp (51) 98445-2033.
Avicultura
Alta nas exportações ameniza impacto da desvalorização do frango
Mesmo com preços mais baixos, demanda externa segura o ritmo do setor.

O mercado de frango registrou queda de preços em março, mas manteve equilíbrio impulsionado pelo desempenho das exportações. Em São Paulo, o frango inteiro congelado recuou para R$ 7/kg, 2,4% abaixo de fevereiro e 17% inferior ao registrado há um ano. Já no início de abril, houve reação nas cotações, que voltaram a R$ 7,25/kg.

Com a desvalorização da proteína ao longo do ano e a alta da carne bovina, o frango ganhou competitividade. A relação de troca superou 3 kg de frango por kg de dianteiro bovino, nível cerca de 30% acima da média histórica para março e acima do pico dos últimos cinco anos, registrado em 2021. Em comparação com a carne suína, que também teve queda de preços, a relação se manteve próxima da média, em torno de 1,3 kg de frango por kg de suíno.
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, março também foi positivo para as exportações brasileiras de carne de frango, mesmo diante das dificuldades logísticas relacionadas ao conflito no Oriente Médio. Os embarques somaram 431 mil toneladas in natura, alta de 5,6% em relação a março de 2025 e de 4,9% no acumulado do primeiro trimestre.

Foto: Ari Dias
O preço médio de exportação, por outro lado, recuou 2,7% frente ao mês anterior, movimento associado ao redirecionamento de cargas que antes tinham como destino países do Oriente Médio, especialmente os Emirados Árabes. Ainda assim, o bom desempenho de mercados como Japão, China, Filipinas e África do Sul compensou as perdas na região.
No lado da oferta, os abates de frango cresceram cerca de 3% em março na comparação anual e 2% no acumulado do primeiro trimestre. Apesar disso, o aumento das exportações, que avançaram 5,4% no período, contribuiu para evitar sinais de sobreoferta no mercado interno.



