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Indústria avança com compromissos de bem-estar de suínos, aponta levantamento inédito

Sexta edição do Observatório Suíno destaca aumento de 16,5% no alojamento de porcas em gestação coletiva nos últimos quatro anos.

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A suinocultura brasileira segue como uma das mais relevantes do mundo, tanto em volume de produção quanto em potencial competitivo. Em 2024, o país produziu 5,3 milhões de toneladas de carne suína, com um rebanho estimado em 46,6 milhões de animais abatidos e 2,1 milhões de matrizes ativas, um aumento de 2,9% quando comparado ao ano anterior, e um aumento ainda mais expressivo, de 52,8%, nos últimos 10 anos. Isso mantém o Brasil, desde 2015, na quarta posição entre os maiores produtores e exportadores da proteína, atrás apenas de China, União Europeia e Estados Unidos.

Fotos: Shutterstock

A Ásia segue como principal destino da carne suína brasileira, com destaque para Filipinas, China, Hong Kong, Japão e Singapura, que juntos representam 63,8% das exportações, o equivalente a quase 775 mil toneladas. Neste cenário de alta competitividade, o investimento em bem-estar animal deixou de ser apenas uma demanda ética e passou a ser um fator decisivo para o posicionamento internacional do Brasil, sobretudo diante de regulações cada vez mais rígidas de países importadores.

Na União Europeia, o uso de celas de gestação – estruturas que limitam severamente a mobilidade de porcas prenhas – já é proibido desde 2013, com exceções apenas para os primeiros 28 dias após a inseminação. A prática também já foi banida em países como Noruega, Suécia, Suíça, Reino Unido e Nova Zelândia (com implementação final prevista para 2025), além de 11 estados dos EUA.

É nesse contexto que a 6ª edição do Observatório Suíno, relatório produzido pela Alianima, se consolida como uma das principais ferramentas de monitoramento do setor. Com metodologia técnica e colaborativa, o relatório aplica questionários distintos para produtores de carne suína (fornecedores) e compradores (clientes), como redes de restaurantes e supermercados.

De acordo com a zootecnista e gerente de Relações Corporativas e Bem-estar Animal da Alianima, Maria Fernanda Martin, a proposta do levantamento é identificar gargalos, reconhecer boas práticas e estimular o avanço contínuo do setor em direção a sistemas mais sustentáveis. “Neste ano, observamos um avanço na gestação coletiva por parte da maioria dos fornecedores, assim como nos compromissos públicos com a adoção do sistema cobre e solta para novas instalações”, ressalta.

Levantamento

Pelo segundo ano consecutivo, 100% dos fornecedores convidados responderam ao levantamento, evidenciando transparência e compromisso com a evolução do setor. Dentre as participantes de todas as edições, nomes como Alegra, Alibem, JBS, MBRF e Pamplona se destacaram como empresas que demonstraram constância no reporte, com a apresentação de dados sólidos sobre a transição para sistemas mais éticos de alojamento para as matrizes suínas.

No grupo de fornecedores, a JBS (Seara), que possui prazo até o final de 2025, aumentou sua transição de um ano para o outro, chegando a 98%, o que indica que completará sua transição a tempo. Em 2º lugar em porcentagem de avanço está a Alegra, sendo que na edição anterior havia apresentado um leve recuo. Já a Pamplona apresenta transição avançada, podendo atingir 100% dentro do seu prazo de 2026.

De acordo com o relatório, todos os fornecedores afirmaram que conseguem fornecer informações específicas aos clientes sobre a parcela de carne suína proveniente de granjas livres de celas de gestação, o que reforça a viabilidade técnica e a rastreabilidade da cadeia.

Considerando o número de matrizes ativas alojadas no Brasil, segundo o último relatório anual da ABPA, o total informado pelos fornecedores comprometidos representa 62,2% do plantel nacional.

Confira a proporção de porcas alojadas em baias coletivas entre o total de cada empresa:

Reprodução: 6ª edição do Observatório Suíno, divulgado pela ONG Alianima.

Ao serem questionadas sobre as dificuldades para prosseguir com a transação para alojamento em grupo, 89% dos fornecedores disseram que o financiamento continua sendo a principal dificuldade encontrada, seguida da precificação do produto final (78%) e planejamento das instalações (67%). Pelo terceiro ano consecutivo, a Pamplona não encontrou dificuldades na transição para alojamento coletivo. Além disso, o apoio técnico deixou de ser apontado como barreira pelo grupo. Maria ressalta que isso pode indicar um processo de amadurecimento técnico do setor e busca ativa por qualificação por parte dos produtores.

Sistema “cobre e solta” avança, mas ainda é exceção

A prática conhecida como “cobre e solta”, que permite que as fêmeas se movimentem livremente em baias logo após a cobertura, promovendo maior conforto e redução de estresse quando comparada aos outros tipos de sistemas de gestação coletiva, também começa a ganhar espaço entre os fornecedores. Embora represente um desafio maior, por exigir mais espaço, adaptação das instalações e manejo mais complexo, os benefícios para a saúde física e mental dos animais já são percebidos por parte das empresas.

De acordo com o relatório, apenas Pamplona e JBS seguem com mais de 50% do plantel alojado nesse sistema. Do ano passado para este, a Alegra, Frimesa e Pamplona foram as únicas empresas que aumentaram a porcentagem de matrizes no sistema “cobre e solta”. Contudo, o relatório aponta que 67% das empresas já assumiram compromissos públicos para que todas as novas instalações sejam baseadas nesse modelo.

Ao serem questionadas sobre as desvantagens do sistema, as respostas das empresas foram semelhantes às do ano passado, com perdas reprodutivas, brigas, dificuldade em manter o escore corporal adequado, maior custo de implementação e necessidade de maior espaço. Já com relação às vantagens, as questões de bem-estar animal, saúde física e mental, foram as mais citadas, além de uma melhor performance das matrizes.

Alojamento na maternidade e manejo

Assim como as celas de gestação, as celas de maternidade representam um sério problema de bem-estar animal, pois restringem os movimentos das porcas e desconsideram um comportamento essencial: a necessidade natural de preparar um ninho em local calmo e recluso para parir com conforto e segurança. Ciente desse cenário, parte do setor começa a se movimentar: 67% dos fornecedores afirmam ter planos para dar mais espaço na maternidade para as matrizes, aumento de 29% quando comparado à edição anterior.

Com relação ao manejo de leitões, pelo segundo ano consecutivo, 100% das empresas produtoras seguem sem realizar a castração cirúrgica, e 78% já baniu o desgaste dos dentes dos leitões. Contudo, práticas como o corte de orelhas e o corte de cauda dos leitões ainda enfrentam barreiras para serem superadas.

As empresas alegam dificuldades em encontrar alternativas viáveis, seja pelo alto custo e risco de perda de identificação com o uso de brincos (no caso da mossa), seja pela persistência dos casos de caudofagia, que é quando os animais mordem a cauda uns dos outros. “É importante notar que há uma diminuição na intenção das empresas em banir o corte de cauda ao longo dos anos, como mostra a edição deste ano, em que apenas uma empresa, a MBRF, assinalou a resposta positiva. O corte de cauda segue sendo o manejo mais complexo para o banimento por conta da causa multifatorial do problema de mordedura entre os leitões”, explica a porta-voz da Alianima.

De acordo com o relatório, todos os produtores que não pretendem banir o corte de cauda relataram experiência prévia negativa. Segundo Maria Fernanda, um ponto positivo é que há interesse do grupo pelo tema, sendo o primeiro ponto na busca por alternativas viáveis.

Fonte: Assessoria Alianima

Suínos

Exigências de mercados externos moldam produção de carne suína no Brasil

Durante 18º SBSS, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Luis Rua, vai destacar que a sustentabilidade, sanidade e eficiência passam a ser determinantes na competitividade do setor.

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Foto: Shutterstock

Os desafios e as oportunidades para a cadeia produtiva da carne suína em um mercado cada vez mais globalizado estarão em pauta durante o 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS). Promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), a palestra “O Futuro da Proteína Suína” será ministrada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Luis Rua, no dia 11 de agosto, às 16h30, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).

Palestra “O Futuro da Proteína Suína” será ministrada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Luis Rua – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural 

A apresentação integra o Painel Produção – A Base e trará uma análise sobre as perspectivas da proteína suína diante das transformações do comércio internacional, das exigências dos mercados consumidores e da crescente demanda global por alimentos produzidos com eficiência, sustentabilidade e segurança sanitária.

Luis Rua assumiu, em 2024, a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária. Natural de Mogi Guaçu (SP), é bacharel em Economia e em Relações Internacionais pela Faculdade de Campinas (Facamp), mestre em Economia Internacional pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP/UP) e pós-graduado em Agronegócios pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP).

Antes de ingressar no Mapa, atuou como diretor de mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), onde participou diretamente das estratégias de promoção internacional da avicultura e da suinocultura brasileiras. Ao longo da carreira, também acumulou experiências em empresas como BRF S.A. e INDG, construindo sólida trajetória nas áreas de comércio exterior, agronegócio e relações internacionais.

Presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin: “A suinocultura brasileira vem conquistando cada vez mais espaço no mercado internacional e enfrenta desafios importantes relacionados à competitividade, sustentabilidade e abertura de novos mercados” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

Para a presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, discutir o futuro da proteína suína é fundamental em um momento de expansão e transformação do setor. “A suinocultura brasileira vem conquistando cada vez mais espaço no mercado internacional e enfrenta desafios importantes relacionados à competitividade, sustentabilidade e abertura de novos mercados. Trazer essa visão estratégica para dentro do SBSS contribui para que os profissionais compreendam as tendências que irão impactar o setor nos próximos anos”, destaca.

O presidente da comissão científica do SBSS, Lucas Piroca, ressalta que a palestra amplia o olhar dos participantes para além da porteira. “O produtor e os profissionais da cadeia precisam entender não apenas os desafios dentro das granjas, mas também os movimentos que acontecem no mercado global. Questões econômicas, comerciais e geopolíticas influenciam diretamente a competitividade da proteína suína brasileira. Esse é um tema estratégico para quem busca planejar o futuro da atividade”, afirma.

SBSS

As inscrições já estão disponíveis no site: www.nucleovet.com.br. O investimento do segundo lote, até o dia 30 de julho, é de R$ 750 para profissionais e R$ 450 para estudantes. O valor para participar somente da 17ª Brasil Sul Pig Fair é de R$ 100. Associados do Nucleovet, profissionais de agroindústrias, órgãos públicos e grupos universitários terão condições diferenciadas.

Tecnologia e negócios

Realizada simultaneamente ao Simpósio, a 17ª Brasil Sul Pig Fair reunirá empresas dos segmentos de sanidade, genética, nutrição, equipamentos, ambiência, tecnologia e serviços voltados à suinocultura.

O espaço será destinado à apresentação de lançamentos, soluções inovadoras e fortalecimento do networking entre empresas, profissionais, pesquisadores e produtores, ampliando as oportunidades de negócios e troca de experiências durante o evento.

Programação geral do  18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura e da 17ª Brasil Sul Pig Fair

Terça-feira (11)

13h30 – Abertura da Programação Científica

Painel Produção – A BASE
13h40 às 14h10 – Primíparas: Gestão Estratégica e Longevidade
Palestrante: Rafael Ulguim

14h15 às 14h45 – Fluxo Produtivo: Da Matriz ao Abate (Visão da Sanidade)
Palestrante: Paulo Eduardo Bennemann

14h50 às 15h20 – Fluxo Produtivo: Da Matriz ao Abate (Visão da Nutrição)
Palestrante: Cesar Augusto Pospissil Garbossa

15h25 às 15h55 – Mesa Redonda

16h00 às 16h30 – Coffee break

16h30 às 17h10 – O Futuro da Proteína Suína
Palestrante: Luis Rua

17h10 às 17h30 – Perguntas

17h30 – Solenidade de Abertura Oficial do SBSS

18h30: Palestra de Abertura

20h00: Coquetel de Abertura na PIG FAIR

Quarta-feira (12)

Painel Biovigilância – Gestão Integrada
08h às 8h40: Biomanagement e Defesa Sanitária: Estratégias de Mitigação
Palestrante: Jordi Baliellas Capdevila

08h45 às 09h15: Vigilância e controle de Vetores: Roedores e Insetos como disseminadores de Patógenos
Palestrante: Alisson Mezzalira

09h20 as 09h50 – Mesa Redonda

09h50 às 10h20: Coffee Break

Painel Alimentação – Desafios e Oportunidades
10h20 às 10h50 – Eixo Imuno-Nutricional: Programação Metabólica da Matriz ao leitão
Palestrante: Jose Soto

10h55 às 11h25 – Imunonutrição: Estratégias Não Farmacológicas para a Resiliência Sanitária
Palestrante: Andres Gomez

11h30 às 12h: Vigilância Analítica e Gestão de Micotoxinas: Estratégias para Blindar a Performance e a Sanidade
Palestrante: Ricardo Rauber

12h às 12h30 – Mesa Redonda

12:30 às 14h – Intervalo para almoço

12h30 às 13h30 – Eventos Paralelos

Painel Sanidade – Saúde Respiratória
14h às 15h – Erradicação de M. hyopneumoniae: Protocolos de Exposição, Estabilização e Eliminação
Palestrantes: Gustavo Silva e Paul Yeske

15h às 15:30 – Sincronia Sanitária: O Impacto da Aclimatização de Leitoas na estabilidade do plantel
Palestrantes: Luciano Brandalise

15h30 às 16h: Coffee Break

16h às 16h40 – Influenza em Foco: impactos e alternativas de controle
Palestrante: Ricardo Yuti Nagae

16h45 às 17h25 – Ambiência 4.0: Conectividade, Bem-Estar e Eficiência Energética na Suinocultura
Palestrante: Lederson Trindade de Lima

17h35 às 18h – Mesa Redonda

18h30 às 19h30 – Evento Paralelo Exclusivo (MSD)

20h: Happy Hour na PIG FAIR

Quinta-fera (13)

08h30 às 09h10 – Alimentação de Precisão: Sensores, Conectividade e Eficiência Nutricional
Palestrante: Bruno Silva

09h10 às 09h30 – Perguntas

9h30 às 10h – Coffee Break

Painel Pessoas – Gestão e Performance
10h às 10h30 – Percepção vs. Realidade: Comunicação Estratégica para Mitigar Erros e Maximizar Resultados
Palestrante: Creici Lamonato

10h35 às 11h05 – Capital Humano e Sucessão: Preparando a Próxima Geração e as Equipes de Alta Performance
Palestrante: Rogério Facin

11h10 às 11h40 – O Apagão de Mão de Obra e o Desafio da Qualificação
Palestrante: Anderson Queirós

11h45 às 12h15 – Mesa Redonda

12h15 – Sorteio de brindes e encerramento

Fonte: Assessoria Nucleovet
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Suínos

Indústria da carne suína deve mudar forma de se comunicar com o consumidor, afirma Netão Bom Beef

Empresário do setor de carnes e fundador do Grupo Bom Beef, ressaltou durante sua participação na Suinfair 2026 que foco em gastronomia e experiência pode ser decisivo para ampliar o consumo e agregar valor à proteína.

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Foto: Divulgação

A Suinfair 2026 encerrou a programação de palestras com uma apresentação de Netão Bom Beef, empresário do setor de carnes e fundador do Grupo Bom Beef. Durante a palestra Mercado e valorização da proteína, ele defendeu que a cadeia da carne suína precisa mudar a forma de se comunicar com o consumidor, deixando de lado campanhas focadas em combater antigos preconceitos e investindo em estratégias que despertem interesse pelo produto. Segundo ele, essa mudança pode contribuir para ampliar o consumo e agregar valor à proteína.

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Ao compartilhar a trajetória da própria empresa, Netão contou que enfrentou dificuldades para vender cortes bovinos considerados diferentes em uma época em que poucos consumidores conheciam esse mercado.

Sem recursos para investir em grandes campanhas, ele apostou na produção de conteúdo nas redes sociais para mostrar a qualidade da carne e explicar o processo por trás de cada corte.

A estratégia começou com o envio de carnes para participantes de programas de churrasco, sem orientar o que deveria ser publicado. A intenção era que a divulgação acontecesse de forma espontânea. Depois, passou a produzir vídeos mostrando desde a desossa até o preparo dos cortes, usando apenas um celular.

Segundo o empresário, esse trabalho ajudou a criar uma conexão entre o consumidor e o produto. “A gente não vende corte. A gente vende história”, afirmou durante a palestra.

Construção de valor

Para Netão, apresentar a origem da carne, o processo de produção e as características de cada corte faz com que o consumidor compreenda melhor o valor do produto. Na avaliação dele, quando existe uma história por trás da carne, o preço deixa de ser o único fator considerado na decisão de compra.

O empresário também destacou a importância de construir relações com chefs de cozinha, churrasqueiros e criadores de conteúdo. Em vez de investir em campanhas com roteiros prontos, ele defendeu que esses profissionais tenham liberdade para compartilhar suas experiências de forma natural.

Segundo ele, esse tipo de divulgação gera mais credibilidade e aproxima o público da marca.

Novo caminho para a carne suína

Ao direcionar a palestra para a suinocultura, Netão afirmou que o setor evoluiu em genética, manejo, tecnologia e qualidade da produção, mas ainda mantém uma comunicação baseada na defesa da carne suína.

Na avaliação dele, o foco das campanhas deveria estar nos atributos do produto, como sabor, maciez, suculência e versatilidade, em vez de insistir em esclarecer antigos mitos sobre o consumo da proteína. “A gente precisa parar de fazer um marketing de defesa da carne suína e começar a fazer um marketing de encanto”, afirmou.

Para o empresário, aproximar produtores da gastronomia também pode ajudar a fortalecer essa mudança. Ele citou chefs, churrasqueiros e influenciadores como parceiros capazes de apresentar novos cortes, receitas e formas de preparo ao consumidor.

Comunicação como ferramenta

Ao encerrar a palestra, Netão afirmou que a cadeia produtiva já reúne condições para entregar um produto de qualidade, mas ainda precisa comunicar esse diferencial de forma mais eficiente.

Segundo ele, despertar o interesse do consumidor antes da compra é um dos principais caminhos para aumentar o valor da carne suína e fortalecer toda a cadeia, do produtor ao consumidor final.

Fonte: Assessoria Suinfair
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Notícias

Aurora Coop amplia frigorífico em Mato Grosso do Sul e eleva abate de suínos em 60%

Com investimento de R$ 350 milhões, unidade de São Gabriel do Oeste passa a abater 5 mil suínos por dia, cria 1.050 empregos e amplia a presença da cooperativa no Centro-Oeste.

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Presidente da Aurora Coop, Neivor Canton, destacou o impacto social da obra na cidade e no estado sul-mato-grossense e sinalizou novos investimentos. Fotos: Geter Neto/MB Comunicação

Com investimento de R$ 350 milhões, unidade de São Gabriel do Oeste passa a abater 5 mil suínos por dia, cria 1.050 empregos e amplia a presença da cooperativa no Centro-Oeste

A Aurora Coop inaugurou nesta quinta-feira, 2 de julho, a ampliação do Frigorífico Aurora São Gabriel do Oeste, em Mato Grosso do Sul. O investimento de R$ 350 milhões eleva em 60% a capacidade de abate da unidade, de 3,2 mil para 5 mil suínos por dia, e consolida a planta como uma das principais estruturas industriais de processamento de carne suína do Centro-Oeste brasileiro.

Neivor Canton recebeu título de Cidadão Sul-Mato-Grossense, a maior honraria do Estado, entregue pelo deputado estadual Junior Mochi

O evento reuniu dirigentes da cooperativa, autoridades estaduais e municipais, lideranças do cooperativismo, produtores rurais, fornecedores, colaboradores e representantes da imprensa.

A ampliação ocorre no ano em que o frigorífico completa três décadas de operação. A unidade, considerada a principal estrutura da Aurora Coop para abate e processamento de suínos no Centro-Oeste, passa a combinar aumento de escala, maior automação industrial e expansão da produção de itens de maior valor agregado.
O presidente da Aurora Coop, Neivor Canton, afirmou que o investimento amplia a oferta de produtos processados para o mercado interno e fortalece a presença da cooperativa no exterior. A planta está habilitada para exportar cortes e miúdos suínos para mercados como Vietnã, Uruguai, Singapura, Paraguai, Moldávia, Hong Kong e Emirados Árabes, além de países da lista geral.

Segundo Canton, a diversificação do portfólio é decisiva para a competitividade da cooperativa. A estratégia inclui produtos cozidos, defumados, frescais, presuntaria, hambúrgueres e cortes in natura, com foco em valor agregado, eficiência produtiva e aproveitamento industrial. “Investir em produção, tecnologia e inovação é uma forma de gerar valor para produtores cooperados, colaboradores, clientes e consumidores. O crescimento da Aurora Coop sempre esteve ligado ao desenvolvimento das comunidades onde estamos presentes”, afirmou.

Canton também agradeceu o apoio recebido em Mato Grosso do Sul e indicou que a cooperativa avalia novos investimentos no Estado. “Encontramos em Mato Grosso do Sul um ambiente de grande apoio aos investimentos da Aurora Coop, tanto do governo do Estado quanto da prefeitura municipal. A Aurora acredita no potencial sul-mato-grossense e, muito provavelmente, fará novos investimentos aqui”, adiantou.

Impacto regional

Com a nova estrutura, a receita operacional bruta do frigorífico deve crescer R$ 733 milhões e alcançar R$ 2,399 bilhões ao ano. A expansão representa aumento de 45% na receita da unidade e deve acrescentar R$ 237,5 milhões ao movimento econômico do centro-norte de Mato Grosso do Sul.

Evento reuniu dirigentes da cooperativa, autoridades estaduais e municipais, lideranças do cooperativismo, produtores rurais, colaboradores e representantes da imprensa

O projeto também amplia o quadro de empregos diretos. A unidade, que contava com 2.650 colaboradores, passará a reunir cerca de 3.700 postos de trabalho. A maior parte das 1.050 novas vagas será preenchida com trabalhadores de São Gabriel do Oeste e municípios vizinhos.

Para o governador do Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, a cooperativa ajudou a consolidar a força do agronegócio brasileiro e construiu, no Estado, um modelo produtivo com impacto econômico e social. “É um dia feliz para Mato Grosso do Sul. Ao longo desses 30 anos, a Aurora Coop contribuiu para fazer do Brasil não apenas o país do futebol, mas também uma referência mundial no agro. Esse crescimento tem muito a ver com o cooperativismo, com um modelo único, que organiza a produção, gera renda e transforma a vida das pessoas. A suinocultura coloca cerca de R$ 100 milhões por ano nas mãos dos produtores da região. Por isso, Mato Grosso do Sul estará sempre ao lado da Aurora. Produzir alimento é também contribuir para a paz no mundo, e vamos seguir trabalhando juntos por esse desenvolvimento”, destacou Riedel.

O prefeito de São Gabriel do Oeste, Leocir Montagna, afirmou que a presença da Aurora Coop redesenhou a geografia econômica do município e abriu um novo ciclo de desenvolvimento local. Segundo ele, a expansão da unidade amplia a geração de empregos, renda e oportunidades, mas também exige planejamento do poder público para acompanhar o crescimento populacional e social provocado pela indústria. “A cooperativa movimentou a economia e passou a fazer parte da vida da cidade. A prefeitura sempre esteve ao lado desse projeto e também tem ampliado a oferta de serviços sociais para atender os trabalhadores e as famílias que chegam a partir desse crescimento”.

Indústria mais automatizada

As obras no FASGO começaram em julho de 2023, após serviços preliminares iniciados em dezembro de 2022. No pico da construção, mais de 15 empresas e 250 operários atuaram no projeto. A área construída foi ampliada em 9,5 mil metros quadrados, além dos 38,6 mil metros quadrados já existentes.

Presidente da Aurora Coop, Neivor Canton, com o governador do MS, Eduardo Riedel

Parte relevante dos recursos foi destinada à modernização tecnológica. Do total investido, cerca de R$ 125 milhões foram aplicados em máquinas e equipamentos, R$ 130 milhões em construção civil e R$ 95 milhões em instalações industriais. A linha de abate foi substituída para atender à nova escala produtiva, com maior precisão operacional e condições ergonômicas mais adequadas.

A nova configuração permitirá acréscimo diário de 20 toneladas de presuntaria, 36,3 toneladas de cozidos e defumados, 44 toneladas de produtos frescais e 6,9 toneladas de banha. A capacidade total de industrializados passa a 432 toneladas por dia.

Homenagem a Canton

Durante a solenidade, Neivor Canton recebeu o título de Cidadão Sul-Mato-Grossense, a maior honraria do Estado. A homenagem foi concedida pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, por meio de projeto de resolução aprovado em 2025 e proposto pelo deputado estadual Junior Mochi, em reconhecimento à contribuição do presidente da Aurora Coop ao desenvolvimento econômico e social do Estado.

Ao justificar a homenagem, Junior Mochi destacou a trajetória de Canton à frente de uma das maiores cooperativas de alimentos do País e a influência da Aurora Coop na expansão da agroindústria sul-mato-grossense. “O título simboliza a gratidão do Estado a quem acreditou no nosso potencial”, ressaltou.

A distinção ocorreu no ano em que Mato Grosso do Sul celebra 49 anos. Para a Aurora Coop, a homenagem também marca o vínculo construído com São Gabriel do Oeste e com a cadeia produtiva local desde a instalação da unidade.

Fonte: Assessoria Aurora Coop
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