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Avicultura

Incubatório: mais do que eclosão

Etapa decisiva na cadeia avícola influencia desde a qualidade dos pintos até o desempenho final dos frangos e os resultados no frigorífico.

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Artigo escrito por Cristiano Emanuelli Pereira, especialista em Incubação da Cobb LatCan

Entre os objetivos do incubatório, podemos citar os maiores níveis de eclosão possíveis, a melhor qualidade de pintos, considerando cicatrização de umbigo, hidratação, ausência de lesões nos tarsos e bicos, bom nível de vitalidade e sem defeitos aparentes. Com isso, buscamos os menores percentuais de descarte no incubatório e o menor percentual de mortalidade aos 7 dias do frango de corte, podendo ser usado como referência 1,8% a 2% máximo na soma entre descarte de pintos e mortalidade até 7 dias.

Entretanto, os objetivos do incubatório ainda seguem mais adiante. A partir de inúmeras pesquisas publicadas e de observações de campo, sabemos que o impacto da incubação reflete diretamente nos indicadores de mortalidade final do frango de corte. Isso ocorre principalmente a partir dos seus efeitos no processo de maturação do sistema cardiovascular, na fase final de incubação, e também a partir dos seus efeitos no sistema esquelético, que tanto na fase inicial de multiplicação de condrócitos e formação do esqueleto cartilaginoso, quanto na maturação final, trazem consequências inclusive na elevação das condenações por problemas de pernas no frigorífico.

Também podemos citar a influência da incubação no desenvolvimento dos órgãos que compõem o sistema imune, como Bursa de Fabricius e timo, impactando diretamente nas respostas do sistema imunológico a desafios sanitários e respostas aos programas de vacinas.

Há ainda a interferência na produção de importantes hormônios, como os hormônios tireoidianos, T3 e T4, e hormônio de crescimento, fundamentais para o metabolismo, crescimento e ganho de peso, que se estabelece em grande parte nos dias finais de incubação.

E por último, mas não menos importante, o impacto na maturação do sistema digestivo, com interferência no peso de intestino, proventrículo e moela ao nascimento, na formação de estruturas do intestino, como as vilosidades e criptas intestinais, assim como interferência em todo padrão secretório enzimático, também estabelecidos nos últimos dias de incubação.

Indicadores

O elemento físico mais importante para determinar o correto curso do desenvolvimento embrionário é a temperatura. Temperaturas embrionárias acima de 101,5ºF têm o potencial de impactar em todos os sistemas citados e muitos outros já documentados. Também podemos destacar como essenciais para este desenvolvimento a ventilação, umidade, ângulos de viragem e horas de incubação.

A climatização do incubatório traz grande diferença em todos esses indicadores, sendo importante o controle de temperatura e umidade, assim como a capacidade para controle de pressão dos plenuns de ar fresco e exaustão. São fundamentais para boa ventilação das incubadoras e nascedouros o controle de umidade e a redução dos microclimas em incubadoras, isso porque os desequilíbrios de temperatura nas diferentes regiões das máquinas levam a desenvolvimento embrionário desuniforme, mortalidades embrionárias e queda de eclosão dos férteis. Esse indicador é fundamental para determinar a qualidade de incubação, quando avaliados os resultados de nascimento a partir dos níveis de fertilidade, nos indicando as perdas relacionadas ao processo de incubação.

Tecnologias

As tecnologias adotadas nos incubatórios também têm impacto direto na qualidade do desenvolvimento embrionário, eclosão e desempenho do frango. Atualmente estão disponíveis no mercado excelentes máquinas de etapa única, oferecendo temperatura, umidade, níveis de CO2, renovação de ar, ventilação, controle de pressão e frequência de viragem adequadas para cada dia de incubação.

Essa tecnologia tem como benefício imediato os ganhos em eclosão, chegando nas idades de reprodutoras mais velhas em mais de 5% de ganho em comparação com máquinas de etapa múltipla. Os ganhos não se resumem à eclosão, já que a qualidade de pintos também é superior, uma vez que a incubação pode ser ajustada para cada dia de desenvolvimento embrionário, atendendo as necessidades específicas de cada fase, mas também no nascedouro é possível ajustar o perfil de temperatura de maneira uniforme e com potencial de redução de temperatura muitas vezes para menos de 95ºF, nas últimas horas de incubação, mantendo os pintinhos nascidos em conforto térmico, fator determinante para a qualidade de pintos e desempenho do frango de corte. Desempenho esse que também é superior em pintinhos nascidos nessa tecnologia, quando avaliados conversão alimentar, ganho de peso diário e mortalidade.

Conforto térmico

Abordando o tema de conforto térmico dos pintinhos nascidos, determinar a correta curva de temperatura do nascedouro, considerando a janela de nascimento e horas de incubação, é vital para o resultado de eclosão e desempenho do frango de corte. É importante ter um perfil de redução ajustado de acordo com o monitoramento da janela de nascimento, através da contagem dos pintinhos nascidos 24h e 12h antes do saque, reduzindo gradativamente a temperatura, evitando pintinhos ofegantes, desidratados e com temperatura de cloaca acima de 105ºF, irá contribuir diretamente para a qualidade de pintos e desempenho do frango.

Investimentos justificáveis

Os incubatórios são a parte determinante do resultado do frango de corte, não terminando seus benefícios no campo, mas seguindo inclusive após a entrega na plataforma, considerando os ganhos em uniformidade de carcaça, rendimento e redução de condenas. Os investimentos em plantas de incubação são justificáveis e estamos vendo um aumento significativo de plantas climatizadas e com tecnologias de etapa única.

Vemos a introdução de equipamentos de sexagem automática, já presentes em outros países e chegando na América do Sul, permitindo o alojamento por sexo, de forma previsível, com acurácia acima de 95%, grande velocidade de execução, aumentando o volume sexado por dia, com todos os ganhos que esse alojamento por sexo confere para o fomento e frigorífico.

Por fim, a fase de desenvolvimento embrionário não se resume apenas aos ganhos em eclosão, determina o desempenho do frango e expressão máxima do potencial genético selecionado pelas casas genéticas.

versão digital está disponível gratuitamente no site oficial de O Presente Rural. A edição impressa já circula com distribuição dirigida a leitores e parceiros em 13 estados brasileiros.

Fonte: O Presente Rural

Avicultura

Frango perde competitividade para carne suína e ganha frente à bovina

Queda de preços das carnes em janeiro reflete a menor demanda interna típica do início do ano e o excesso de oferta no atacado.

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A competitividade da carne de frango apresentou comportamentos distintos frente às principais proteínas concorrentes no início de 2026. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) indica que, em janeiro, a proteína avícola perdeu espaço em relação à carne suína, mas ganhou competitividade frente à bovina no mercado atacadista da Grande São Paulo.

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De acordo com os pesquisadores do Cepea, o movimento foi resultado de uma desvalorização mais acentuada da carne suína quando comparada à avícola. Ambas as proteínas registraram queda de preços ao longo do mês, porém a retração mais intensa da suinocultura reduziu a vantagem relativa do frango na disputa pelo consumidor.

Na contramão desse cenário, a carne bovina apresentou leve valorização no período. As altas observadas até a metade de janeiro foram suficientes para elevar a média mensal dos preços no atacado, o que favoreceu a posição competitiva do frango frente à proteína de maior valor. Segundo o Cepea, o ritmo de negócios com carne bovina, no entanto, perdeu fôlego a partir da última semana do mês.

Os pesquisadores explicam que a pressão baixista sobre as carnes de frango e suína é característica do primeiro mês do ano, quando a demanda interna costuma estar mais enfraquecida. Esse comportamento sazonal tende a gerar uma situação de oferta elevada no atacado, dificultando a sustentação dos preços no curto prazo.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura

Ventania causa destruição em aviários no interior do Paraná

Rajadas de vento atingiram a Linha Felicidade, no interior do distrito de São Clemente, em Santa Helena, destelhando estruturas e provocando prejuízos materiais. Não houve registro de feridos.

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Uma ventania intensa e de curta duração provocou danos significativos em aviários na Linha Felicidade, no interior do distrito de São Clemente, em Santa Helena, no Oeste do Paraná, na tarde de quinta-feira (29). O fenômeno chamou a atenção pelo caráter repentino e  localizado: enquanto duas estruturas foram severamente atingidas, propriedades vizinhas, a cerca de 500 metros, não registraram qualquer dano.

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Segundo relato do produtor, o vento surgiu de forma inesperada, mesmo com apenas alguns pingos de chuva no momento do ocorrido. Em questão de segundos, as rajadas ganharam força suficiente para arrancar telhas e comprometer partes importantes das construções, especialmente os aviários da propriedade. “O vento foi muito forte e aconteceu muito rápido. Só vi telhas voando para todos os lados e ouvi o barulho intenso. Fiquei paralisado e precisei orientar minha filha pequena a se proteger”, contou.

De acordo com o produtor, ao menos dois aviários foram atingidos. Um deles sofreu os danos mais severos, com destelhamento completo na parte central e destruição de estruturas laterais e do fundo.

O outro também teve prejuízos, embora em menor proporção. Apesar da proximidade, outros aviários da região, inclusive alinhados na mesma área, não foram afetados. “Não tem muita explicação, só vendo de perto para entender a força do vento”, comentou.

A avaliação reforça a percepção de que a ventania atingiu uma faixa específica, característica comum de

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fenômenos meteorológicos localizados, como microexplosões ou rajadas descendentes, embora não haja, até o momento, confirmação técnica sobre a natureza do evento.

Não houve registro de feridos, apenas prejuízos materiais. O caso chama atenção pela violência do vento em um curto intervalo de tempo e pela ausência de outros danos relevantes em Santa Helena e região, contrastando com o impacto concentrado observado na propriedade atingida.

Fonte: O Presente Rural com Correio do Lago
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Avicultura

Cúpula Latino-Americana de Avicultura reforça papel estratégico da proteína avícola durante IPPE 2026

Evento reuniu líderes e especialistas para discutir segurança alimentar, sustentabilidade, inovação e os desafios da produção avícola na América Latina.

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Foto: Divulgação/IPPE

A Cúpula Latino-Americana de Avicultura de 2026 reforçou durante a International Production & Processing Expo (IPPE) o papel estratégico da proteína avícola como um dos principais pilares da segurança alimentar, da sustentabilidade e da inovação na região. Com o lema “Proteína de aves: não podemos viver sem ela”, o encontro reuniu na terça-feira (27) líderes empresariais, especialistas técnicos e representantes da indústria para discutir os caminhos da produção avícola diante de desafios econômicos, sociais e tecnológicos cada vez mais complexos.

Foto: Divulgação/IPPE

Logo na abertura, uma mesa redonda com CEOs deu o tom das discussões. Participaram Lorenzo Martín, do grupo mexicano El Gran Chaparral, e Juan Felipe Montoya, da colombiana Huevos Kikes, com moderação de Mauricio Sanabria, da Hy-Line International, da Colômbia. Representando empresas familiares multigeracionais, os executivos compartilharam experiências sobre temas sensíveis ao setor, como o enfrentamento de doenças, a concorrência com mercados informais, gargalos na infraestrutura de transporte, sucessão geracional e a necessidade urgente de aprimorar a comunicação com os consumidores.

Segundo os participantes, aproximar o campo dos centros urbanos e ampliar a transparência da cadeia produtiva é fundamental para gerar confiança e fortalecer a imagem da avicultura perante a sociedade.

Ao longo da programação, o manejo das aves foi apontado tanto como um risco crítico quanto como uma oportunidade de avanço. Exemplos práticos ilustraram esse contraste, como a disseminação da gripe aviária associada ao manejo inadequado de dejetos no México e, em sentido oposto, o uso de biodigestores na Colômbia para a produção de metano destinado ao transporte, agregando valor ambiental e econômico à atividade.

A sustentabilidade esteve no centro das discussões, assim como o desenvolvimento de produtos à base de ovos voltados à exportação. Os

Foto: Jonathan Campos 

números de consumo per capita reforçaram a relevância da proteína avícola na América Latina: cerca de 400 ovos por habitante ao ano no México, 375 na Colômbia e 287 no Brasil, com expectativa de o país superar a marca de 300 ovos ainda neste ano. Os palestrantes destacaram que o ovo permanece como a proteína mais acessível para todas as faixas socioeconômicas.

Desafios técnicos na produção avícola

Questões técnicas também tiveram espaço de destaque na Cúpula. Bianca Martins, da Alltech México, apresentou um panorama sobre a presença de micotoxinas na América Latina, ressaltando os impactos diretos na conversão alimentar. De acordo com a especialista, a vomitoxina é atualmente a micotoxina mais prevalente no milho em todo o México e em partes da América Central e do Sul.

Carlos Martínez, da DCL México, abordou a importância da integridade intestinal das aves, explicando como desequilíbrios na microbiota comprometem a produtividade. Já José Ramírez, da Anitox, tratou do controle da Salmonella em fábricas de ração, chamando atenção para os pontos críticos de contaminação e para o uso de tecnologias modernas de monitoramento e testes.

Foto: Shutterstock

Gestão ambiental e comunicação com o consumidor

A gestão ambiental e o bem-estar animal também foram debatidos. Cristabel Huerta, da Hato Lighting, explicou como o espectro de luz e o fotoperíodo influenciam diretamente o comportamento e o desempenho das aves, apresentando exemplos práticos de aplicação em granjas comerciais.

O encerramento ficou a cargo de Mauricio Simental, da Bachoco, do México, que destacou as estratégias de comunicação e branding adotadas pela empresa para fortalecer o engajamento do consumidor e valorizar a proteína avícola no mercado.

Cobertura do O Presente Rural

O Jornal O Presente Rural participa mais uma vez da IPPE, considerada o maior evento anual do mundo dedicado às indústrias de aves,

Foto: O Presente Rural

ovos, carnes e alimentos de origem animal, que segue com programação até quinta-feira (29), em Atlanta, nos Estados Unidos. O diretor Selmar Frank Marquesin e a jornalista Eliana Panty acompanham de perto os debates e as principais tendências do setor.

A cobertura completa do evento pode ser acompanhada nas redes sociais do jornal, com informações em tempo real, bastidores e análises sobre os temas que impactam a avicultura latino-americana.

Fonte: O Presente Rural com IPPE
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