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Incubatório e Abatedouro de Aves da Levo são inaugurados em Iporã
Os dois empreendimentos vão gerar mais de 1.500 vagas de emprego para a cidade e região


Norberto Ortigara, Lauri Paludo, Sérgio Borges e Alfredo Lang durante descerramento da faixa inaugural do frigorifico de aves
Na quarta-feira, dia 27 de julho, a Levo Alimentos inaugurou duas unidades em Iporã, no noroeste do Paraná, sendo um incubatório de ovos, considerado o maior do país, e um frigorífico de frangos. Os novos empreendimentos estão movimentando a economia da cidade e de toda a região. Mais de 1.500 postos de trabalho serão gerados.

Lauri Paludo, presidente da Plusval e da Pluma
“Hoje estamos aqui para comemorar, com orgulho e satisfação, a inauguração de um empreendimento de estrutura forte, competitivo e que, sem sombra de dúvidas, trará benefícios para Iporã e região, com a criação de novos postos de trabalho, geração de recursos por meio de tributos e desenvolvimento para o noroeste do Paraná”, afirma o presidente da Levo Alimentos e do Grupo Pluma, Lauri Paludo.

Alfredo Lang, presidente da C.Vale e vice-presidente da Plusval
Entre salários de funcionários e pagamento a produtores, a Levo Alimentos vai injetar R$ 123 milhões por ano em Iporã e municípios vizinhos, nesta primeira etapa. Serão mais de R$ 10,3 milhões por mês circulando na economia regional. “A avicultura vai representar o início de uma nova era para essa região. Estamos trazendo um bom problema para o noroeste do Paraná: mais empregos do que pessoas disponíveis para trabalhar”, enfatizou o vice-presidente da Levo e presidente da C.Vale, Alfredo Lang.
Autoridades

Gestores da Plusval com lideranças do agronegócio
Diversas autoridades estiveram presentes no evento, entre elas, o secretário de Agricultura do Paraná, Norberto Ortigara, que destacou os impactos social e econômico dos empreendimentos. “Receber um investimento dessa dimensão por uma cooperativa e por uma empresa privada vai agregar valor e colaborar muito para a geração de renda e empregos para as pessoas viverem bem. É um impulso fantástico para a geração de riquezas.” O presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, seguiu na mesma linha de Ortigara. “É maravilhoso ver esta aliança entre uma cooperativa e uma empresa privada e o resultado ficando aqui na região. Vai dar condição de as pessoas levarem uma vida melhor”, projetou.

Os convidados visitaram as novas instalações do abatedouro de aves
O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, fez questão de comparecer à inauguração e contextualizou a importância da avicultura nacional. “Eu ando pelo mundo afora e vejo o respeito que o mundo tem pela avicultura brasileira. E a C.Vale e a Pluma fazem parte disso. O Brasil está se mostrando um grande parceiro do mundo na busca pela segurança alimentar”, ponderou. Marcaram presença também o prefeito de Iporã, Sérgio Luiz Borges e o presidente da Câmara de Vereadores, Adão Alves Pimentel, que agradeceram os investimentos.
Além de prefeitos, vereadores, empresários e representantes de segmentos organizados das regiões oeste e noroeste, prestigiaram o evento os secretários de Estado, Darlan Scalco (Chefe de Gabinete), Augustinho Zucchi (Desenvolvimento Urbano), Everton Souza (Desenvolvimento Sustentável e Turismo), e os deputados estaduais Marcel Micheletto e Márcio Nunes.
Público

O público teve a oportunidade de conhecer internamente do incubatório
Cerca de 600 pessoas participaram das inaugurações. Os convidados tiveram a oportunidade de visitar as novas instalações e participar de um coquetel. Para o gerente geral da Levo Alimentos, Rodrigo Francisco, esses empreendimentos são um marco na história de Iporã. “O início das atividades, no incubatório e no frigorífico, é um divisor de águas para a cidade e toda a região, pois irá impulsionar o crescimento e a economia, principalmente com a geração de empregos”, conclui Rodrigo.
Incubatório

O novo incubatório tem capacidade para produzir 13,5 milhões de ovos/dia
No incubatório, que é considerado o maior do país, com capacidade para 13,5 milhões de ovos/mês, foram investidos em torno de R$ 76 milhões. A área tem 10 mil metros quadrados. Para este ano, a meta é atingir a incubação de 10,5 milhões de ovos/mês. Mais de 20 granjas produzirão ovos férteis, para atender a demanda do local. Os pintinhos serão enviados para as granjas da Levo, C.Vale e Pluma Agroavícola de todo o Paraná.
Frigorífico
O frigorífico tem 21 mil metros quadrados e teve investimentos de cerca de R$ 180 milhões, em uma estrutura moderna, com equipamentos de alta tecnologia. Inicialmente, o abate será de 40 a 60 mil frangos/dia, com expectativa de atingir 90 mil aves/dia até outubro deste ano. A unidade industrial tem capacidade para abater 200 mil aves/dia e esse número deve ser atingido em 2023. Cerca de 230 aviários fornecerão as aves ao frigorífico. A produção atenderá aos mercados interno e externo.
Levo Alimentos

A Levo vai gerar mais de 1.500 postos de trabalho na região
A Levo Alimentos nasceu em 2020 de uma parceria entre a Pluma Agroavícola e a Cooperativa C.Vale, quando foi inaugurada a primeira unidade em Umuarama, no noroeste do Paraná. A empresa também tem filiais em Capanema, Tupãssi e Brasília. Atualmente, fornece produtos para o mercado interno e exporta para vários países.

Notícias
Virada de chave entre soja e milho exige precisão técnica e rapidez no campo
Transição para a segunda safra concentra decisões sobre nutrição, manejo fitossanitário e escolha de híbridos, com risco de ponte verde e janela de plantio curta determinando o potencial produtivo e a rentabilidade do sistema.

A transição da soja para o milho segunda safra marca um dos períodos mais relevantes da agricultura nacional. Conhecida como virada de chave, essa fase concentra decisões técnicas, desafios operacionais e impactos diretos na rentabilidade do sistema produtivo. “O sucesso dessa sucessão depende de uma leitura integrada do sistema, aliando nutrição, manejo fitossanitário, escolha tecnológica e agilidade operacional”, salienta o engenheiro agrônomo Marcos Boel Júnior.

Engenheiro agrônomo Marcos Boel Júnior: “O sucesso dessa sucessão depende de uma leitura integrada do sistema, aliando nutrição, manejo fitossanitário, escolha tecnológica e agilidade operacional” – Foto: Arquivo pessoal
A atenção ao sistema produtivo como um todo é fundamental, já que soja e milho apresentam exigências nutricionais distintas. Após a colheita, a soja contribui com parte do nitrogênio disponível no solo para a cultura seguinte, ainda que em volume insuficiente para sustentar altas produtividades do milho, o que demanda a complementação da adubação. Em contrapartida, o milho deixa uma palhada de boa qualidade, rica em potássio, que, ao se decompor, disponibiliza nutrientes para a soja na safra seguinte. Essa troca fortalece todo o sistema.
Outro ponto de atenção nessa transição é o risco da chamada ponte verde, caracterizada pela migração de pragas, doenças e plantas daninhas da soja para o milho recém-emergido. “Na virada de chave, o produtor tem, ao mesmo tempo, soja ainda em maturação, soja seca, áreas sendo colhidas, milho sendo plantado e milho emergindo. Nesse cenário, a praga vai buscar o alimento mais fácil, especialmente a migração de percevejos e do complexo de lagartas da soja para as novas plantas de milho”, alerta Boel Júnior.
Manejo bem conduzido na soja sustenta potencial produtivo do milho
Para mitigar esses riscos, o agrônomo reforça a importância de práticas bem executadas ainda na soja. Ele destaca que uma boa dessecação pré-colheita, por exemplo, facilita a mecanização, melhora a uniformidade da maturação e já permite entrar com o milho em uma área mais limpa. “Em alguns casos, a aplicação de inseticida nesse momento também é recomendada, pois ajuda a reduzir a população de percevejos e lagartas”, pontua.

Foto: Jaelson Lucas
A escassez hídrica, típica da segunda safra, reforça a corrida contra o tempo. “O que está sob nossa influência é plantar o máximo possível dentro da janela ideal. Em regiões tradicionais, o plantio até 25 de fevereiro aumenta muito as chances de o milho florescer com boa disponibilidade hídrica e aproveitar as últimas chuvas”, afirma, destacando que quanto mais o plantio avança fora dessa janela, maior é o risco produtivo.
Nesse contexto, tecnologias e inovações que tragam flexibilidade de manejo se tornam aliadas do produtor. “Toda inovação e boa prática que permita maior eficiência é bem-vinda, porque você não tem tempo para corrigir erros. A escolha correta do híbrido, uma boa biotecnologia que suprime determinadas pragas e um tratamento de sementes profissional trazem mais tranquilidade para o produtor focar em outras operações”, ressalta Boel Júnior.
Além dos aspectos técnicos, a virada de chave é marcada por elevada complexidade operacional e forte impacto econômico, uma vez que o milho segunda safra tem assumido papel decisivo na rentabilidade das propriedades. Neste cenário, a sucessão soja-milho se mostra como um modelo amplamente adotado no País por maximizar o uso da área e promover equilíbrio técnico e econômico no longo prazo, contribuindo para a construção de sistemas produtivos mais resilientes e sustentáveis.
Notícias
Degradação do solo compromete produtividade e amplia custo no campo
Áreas com perda de matéria orgânica e avanço da erosão desafiam modelo baseado em insumos químicos, enquanto bioinsumos ganham espaço como estratégia de reconstrução biológica e redução da dependência externa.

O solo agrícola brasileiro dá sinais claros de esgotamento. A perda de matéria orgânica, o desequilíbrio biológico e a redução da fertilidade natural já impactam a produtividade das lavouras e elevam o custo de produção em diferentes regiões do país, colocando em xeque a eficiência do atual modelo produtivo. Esse processo, que muitas vezes avança silenciosamente, já é sentido diretamente no campo e no bolso do produtor.
Na prática, a degradação se traduz em menor disponibilidade de nutrientes, queda da atividade microbiana e aumento da suscetibilidade à erosão. “Estamos vendo solos que produzem menos, exigem mais investimento e entregam menor retorno ao produtor. Esse desequilíbrio pressiona a rentabilidade e compromete a sustentabilidade do sistema produtivo”, afirma administradora, que atua no mercado de bioinsumos e fertilizantes especiais, Sheilla Albuquerque.

Administradora, que atua no mercado de bioinsumos e fertilizantes especiais, Sheilla Albuquerque: “Estamos vendo solos que produzem menos, exigem mais investimento e entregam menor retorno ao produtor”
Estudos conduzidos pela Embrapa apontam que os solos brasileiros apresentam, em média, erodibilidade moderada, com áreas de maior risco concentradas principalmente no Nordeste, onde já se observam processos de desertificação. O levantamento reforça a necessidade de ações prioritárias de conservação e manejo para evitar a perda de terras produtivas.
O desafio é ainda mais evidente nas pastagens. Levantamentos recentes indicam que cerca de 109 milhões de hectares apresentam algum nível de degradação, demandando investimentos elevados em recuperação e manejo adequado para manter a atividade pecuária viável no longo prazo.
Para Sheilla, esse cenário expõe os limites do modelo baseado na intensificação química, com uso crescente de fertilizantes e corretivos para compensar a perda da qualidade do solo. “A dependência de insumos importados torna o produtor mais vulnerável à volatilidade cambial e a choques geopolíticos. Ao mesmo tempo, a degradação física e biológica reduz a eficiência desses insumos, criando um ciclo de mais gasto e menor resposta agronômica”, avalia.
Diante desse contexto, ganha espaço a discussão sobre a reconstrução biológica do solo. O Programa Nacional de Bioinsumos, coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, busca ampliar o uso de insumos de base biológica como estratégia para reduzir a dependência externa, fortalecer a sustentabilidade e elevar a eficiência produtiva da agropecuária brasileira. O programa prevê estímulos à pesquisa, apoio a biofábricas e disseminação dessas tecnologias em diferentes regiões do país.
Os bioinsumos incluem microrganismos benéficos, biofertilizantes e soluções voltadas à nutrição do solo e ao controle biológico, com foco na recuperação da microbiota, na melhoria da estrutura física do solo e no fortalecimento dos ciclos naturais de nutrientes. “Essas tecnologias contribuem para maior resiliência das lavouras, especialmente em cenários de estresse hídrico e climático”, explica Sheilla.
Nesse movimento, o solo deixa de ser visto apenas como suporte físico da planta e passa a ser tratado como um organismo vivo: condição considerada essencial para a competitividade do agronegócio brasileiro no longo prazo.
Notícias
Calor extremo amplia risco sanitário e pressiona cadeias de proteína animal
Com temperaturas acima da média e maior variabilidade climática, setor reforça biossegurança para proteger produção e preservar exportações recordes de carne bovina.

A temporada de verão mantém e tende a intensificar o padrão de calor extremo observado no último ano no Brasil. Em 2025, as temperaturas ficaram acima da média em grande parte do território nacional, e os primeiros meses da estação já registram episódios de calor intenso combinados com maior instabilidade climática. O ambiente favorece a proliferação de vírus, bactérias e vetores, elevando o risco sanitário nas propriedades rurais.

Foto: Luiza Biesus
O cenário impõe um desafio direto ao agronegócio, especialmente às cadeias de proteína animal, cuja competitividade externa depende do controle rigoroso de sanidade. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), indicam que, em 2025, as exportações brasileiras de carne bovina alcançaram recorde de 3,5 milhões de toneladas embarcadas.
O aumento das temperaturas intensifica o estresse térmico nos animais, amplia a carga microbiana nos ambientes de produção e eleva o risco de contaminação durante transporte e manejo. Para o engenheiro eletricista Vinicius Dias, com especialização em Qualidade da Energia Elétrica, a resposta precisa ser estrutural. “Eventos climáticos extremos favorecem o avanço de patógenos. As altas temperaturas aceleram a multiplicação microbiana e pressionam todo o sistema produtivo. Depender apenas de higienização manual já não basta. A tecnologia se tornou prioridade para garantir padronização, rastreabilidade e resposta ágil a ameaças sanitárias”, ressalta Dias.

Engenheiro eletricista Vinicius Dias, com especialização em Qualidade da Energia Elétrica: “O Brasil só manterá sua posição no comércio global se conseguir comprovar, com dados, que adota práticas preventivas e consistentes. O controle sanitário deixou de ser um custo operacional e se tornou uma garantia de continuidade do negócio” – Foto: Arquivo pessoal
Soluções automatizadas de biossegurança permitem hoje monitorar etapas críticas, como limpeza de veículos, desinfecção de equipamentos, circulação de pessoas, controle de temperatura e fluxo de animais. A digitalização desses processos gera registros auditáveis, que facilitam a comprovação de conformidade perante mercados exigentes, como União Europeia, China e países do Oriente Médio. “O Brasil só manterá sua posição no comércio global se conseguir comprovar, com dados, que adota práticas preventivas e consistentes. O controle sanitário deixou de ser um custo operacional e se tornou uma garantia de continuidade do negócio. Com verões mais quentes e instabilidade climática crescente, a prevenção precisa ser contínua, integrada e cada vez mais tecnológica”, destaca Dias.
A combinação entre aquecimento global, maior frequência de eventos climáticos extremos e exigências sanitárias mais rigorosas desloca a proteção sanitária para o centro da estratégia de competitividade do setor. Para a pecuária brasileira, o desafio vai além da estação: trata-se de estruturar sistemas resilientes capazes de assegurar produtividade e acesso a mercados ao longo de todo o ano.



