Suínos
Incidência de prolapso em órgãos pélvicos em porcas: como as empresas de genética podem ser parte da solução deste problema?
Os prolapsos de órgãos pélvicos em fêmeas são classificados em três categorias: renal, uterino e vaginal.

A longevidade e a saúde da porca são essenciais tanto para atender os quesitos de bem-estar animal quanto de viabilidade econômica da produção de suínos. Globalmente tem-se tentado identificar as possíveis causas relacionadas ao prolapso de órgão pélvicos (POP) em matrizes suínas, condição que tem se tornado bastante problemática em alguns plantéis pelo mundo.
Os prolapsos de órgãos pélvicos em fêmeas são classificados em três categorias:
• Prolapso Retal: mais comum após o parto ou no pico de lactação, a mucosa retal torna-se evertida através do ânus;
• Prolapso vaginal: mais comum no pré-parto, a vagina se projeta através dos lábios vaginais com o colo externo visível;
• Prolapso uterino: acontece logo após ou dentro de algumas horas após o parto. O colo do útero fica aberto e os cornos do útero ficam evertidos.
As causas relacionadas ao POP em porcas ainda não estão completamente claras, mas muitos fatores já foram identificados. Estudos identificaram que a qualidade da água nas granjas pode influenciar a ocorrência de POP. Granjas com fonte de água não tratada apresentaram maior risco para POP. Além disso, estes estudos também demonstraram pouca ou nenhuma evidência da influência do tamanho do rebanho, número de nascidos totais e da intensidade de indução ou auxílio do parto na incidência de prolapso. Em contrapartida, a proporção de POP aumenta ligeiramente com a ordem de parto e porcas que tiveram POP após o parto tiveram maior número de natimortos, um indicativo de dificuldade de parir.
Outro fator importante identificado foi a estratégia de alimentação pré-parto, uma vez que a utilização Bump Feeding durante o final da gestação foi associada à redução do POP. Isto foi consistente com a observação de que porcas com pior escore corporal tiveram maior probabilidade de ter POP em comparação a porcas em boa condição corporal ou com excesso de peso.
O fornecimento de ração antes do parto para porcas também teve impacto. Porcas que receberam menos de 2,2kg de ração no pré-parto tiveram aumento significante da incidência de POP quando comparadas às porcas que receberam 2,5 kg ou mais de ração por dia.
Além de aspectos produtivos, características como o comprimento da cauda da porca, inchaço perineal e microbiota vaginal no final da gestação também foram avaliados por pesquisas diferentes. O comprimento médio da cauda das porcas no final da gestação não foi associado com a incidência de POP na granja. No entanto, tendo como base a mensuração individual, porcas que apresentaram prolapso tenderam a ter a cauda mais longa (6,4cm) quando comparadas com animais que não tiveram prolapso (5,8 cm). Porcas com maior inchaço na região do períneo foram associadas com alto risco de apresentar prolapso, mas isso não necessariamente foi classificado como um fator predisponente. Estudos mostraram que a microbiota vaginal da porca se altera no decorrer da gestação, ou seja, os microrganismos que a compõe variam com a evolução da gestação. Isso demonstra que porcas mais propensas ao aparecimento de POP possuem uma microflora vaginal específica.
Fator genético
Nos últimos anos, a atenção ao fator genético também tem sido o foco das investigações científicas. Em 2022 pesquisadores demostraram que o fator genético também pode estar associado à ocorrência de POP no plantel. Neste estudo foi demonstrado que a herdabilidade de POP pode variar de baixa a moderada (0,13 a 0,31), indicando que pelo menos 13% da incidência de prolapso uterino se deve à causas genéticas e os demais 87% restantes são devidos a fatores ambientais, como manejo, nutrição e sanidade. Com este estudo ficou evidenciado que é possível selecionar geneticamente animais contra o prolapso.
Em 2023, usando dados genômicos ao invés de dados de pedigree para estimar o parentesco entre os indivíduos de uma população, estudo demonstrou que o fator genético é ainda mais importante do que se pensava, com herdabilidades de até 0,35. Esse estudo reforça, portanto, que para um progresso genético sustentável da suinocultura, é necessário também incluir a seleção contra a incidência de POP nos objetivos de seleção.
Por meio de um programa de genética moderno e inovador, a suinocultura busca sempre realizar a seleção de animais com maior longevidade e consequentemente que apresentam uma menor incidência de problemas como POP. Diante disso, faz-se necessário que o programa de genética seja balanceado, melhorando o animal como um todo e não somente para uma característica. E fazendo o dever de casa, agindo nos pontos certos, o trabalho de melhoramento genético tem se mostrado eficiente já que temos inúmeras granjas no Brasil que não têm sido afetadas pelo aumento significativo da incidência de POP observado em outras granjas no Brasil e em outros países. Em centenas de granjas no Brasil a mortalidade de fêmeas fica abaixo de 8%, sendo que o POP é a causa de apenas uma pequena parcela dessa mortalidade, demonstrando que POP não é um problema global da suinocultura moderna.
No entanto, mesmo que o aspecto genético seja importante, os fatores ambientais da granja também não podem ser negligenciados. É de grande importância aliar seleção genética com a identificação e mitigação dos gatilhos ambientais para reduzir a incidência de POP em rebanhos comerciais de porcas.
As referências bibliográficas estão com a autora. Contato: heloiza.irtes@topigsnorsvin.com
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Suínos
Faturamento da suinocultura alcança R$ 61,7 bilhões em 2025
Com esse avanço, os suínos passam a responder por 4,37% de todo o VBP do agro brasileiro em 2025, mantendo posição estratégica em meio à cadeia de proteínas animais e reforçando o protagonismo das regiões Sul e Sudeste na produção nacional.

A suinocultura brasileira deve encerrar 2025 com faturamento de R$ 61,7 bilhões no Valor Bruto da Produção (VBP), segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), divulgados em 21 de novembro. O resultado representa um crescimento expressivo frente aos R$ 55,7 bilhões estimados para 2024, ampliando em quase R$ 6 bilhões a renda gerada pela atividade no país.
Com esse avanço, os suínos passam a responder por 4,37% de todo o VBP do agro brasileiro em 2025, mantendo posição estratégica em meio à cadeia de proteínas animais e reforçando o protagonismo das regiões Sul e Sudeste na produção nacional. A tendência confirma a força exportadora do setor e a capacidade das agroindústrias de ampliar oferta, produtividade e eficiência em um ambiente competitivo.
O ranking dos estados revela a concentração típica da atividade. Santa Catarina se mantém como líder absoluto da suinocultura brasileira, com VBP estimado de R$ 16,36 bilhões em 2025, bem acima dos R$ 12,87 bilhões registrados no ano anterior. Na segunda posição aparece o Paraná, que cresce de R$ 11,73 bilhões para R$ 13,29 bilhões, impulsionado pela expansão das integrações, investimento em genética e aumento da capacidade industrial.

O Rio Grande do Sul segue como terceira principal região produtora, alcançando R$ 11,01 bilhões em 2025, contra R$ 9,78 bilhões em 2024, resultado que reflete a recuperação gradual após desafios sanitários e climáticos enfrentados nos últimos anos. Minas Gerais e São Paulo completam o grupo de maiores faturamentos, mantendo estabilidade e contribuição relevante ao VBP nacional.
Resiliência
Além do crescimento nominal, os números da suinocultura acompanham uma trajetória de evolução contínua registrada desde 2018, conforme mostra o histórico do VBP. O setor apresenta tendência de ampliação sustentada pelo avanço tecnológico, por sistemas de produção mais eficientes e pela sustentabilidade nutricional e sanitária exigida pelas indústrias exportadoras.
A variação positiva de 2025 reforça o bom momento da cadeia, que responde não apenas ao mercado interno, mas sobretudo ao ritmo das exportações, fator decisivo para sustentar preços, garantir e ampliar margens e diversificar destinos internacionais. A estrutura industrial integrada, característica das regiões Sul e Sudeste, segue como base do desempenho crescente.
Com crescimento sólido e presença estratégica no VBP nacional, a suinocultura consolida sua importância como uma das cadeias mais dinâmicas do agronegócio brasileiro.
A edição de 2025 figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.
Suínos
Exportações recordes sustentam mercado do suíno no início de 2026
Em meio à estabilidade das cotações internas, vendas externas de carne suína alcançam volumes e receitas históricas, impulsionadas pela forte demanda internacional.

As cotações do suíno vivo registram estabilidade neste começo de ano. Na praça SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba), o animal vivo posto na indústria foi negociado a R$ 8,87/kg na terça-feira (06), com ligeira queda de 0,3% em relação ao encerramento de 2025.
No front externo, o Brasil encerrou 2025 com novos recordes no volume e na receita com as exportações de carne suína. Em dezembro, inclusive, a quantidade escoada foi a maior para o mês e a quarta maior de toda a série histórica da Secex, iniciada em 1997, evidenciando, segundo apontam pesquisadores do Cepea, uma aceleração da demanda internacional pela carne brasileira no período.
De janeiro a dezembro de 2025, foram embarcadas 1,5 milhão de toneladas de carne, o maior volume escoado pelo Brasil em um ano, com crescimento de 11,6% frente ao de 2024, dados da Secex.
Em dezembro, foram exportadas 136,1 mil toneladas, quantidade 29,4% acima da registrada em novembro/25 e 26,2% maior que a de dezembro/25. Com a intensificação nas vendas, a receita do setor também atingiu recorde em 2025.
No total do ano, foram obtidos cerca de R$ 3,6 bilhões, 19% a mais que no ano anterior e o maior valor da série histórica da Secex. Em dezembro, o valor obtido com as vendas externas foi de R$ 322 milhões, fortes altas de 30% na comparação mensal e de 25% na anual.
Suínos
Primeiro lote de inscrições ao Sinsui 2026 encerra em 15 de janeiro
Evento acontece entre os dias 19 e 21 de maio, no Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre (RS). o Simpósio chega à sua 18ª edição consolidado como um espaço técnico de discussão sobre produção, reprodução e sanidade suína, em um momento de crescente complexidade para a cadeia produtiva.






