Conectado com

Bovinos / Grãos / Máquinas

Inativação enzimática é realidade para controle de micotoxinas

Devido à grande variedade química das micotoxinas, o uso de enzimas para inativação se tornou uma ferramenta diferenciada e inovadora cada vez mais aplicada para o real controle de micotoxicoses

Publicado em

em

- Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Fabio Gazoni, coordenador Técnico da Vetanco

Em meados do século 17 já se sabia que secreções estomacais eram responsáveis pela digestão da carne e que a saliva realizava parcialmente a conversão de amido em açúcares. O mecanismo envolvido nestas transformações não era, no entanto, conhecido. Dois séculos mais tarde se descobriu o mecanismo enzimático e apenas na década de 1930 as primeiras enzimas foram isoladas. A partir de então, diversas funções enzimáticas foram descobertas, estas por sua vez indo muito além da digestão de nutrientes.

As enzimas são substâncias orgânicas de natureza normalmente proteica com atividade intra e extracelular, apresentando funções catalisadoras. Essas permitem a ocorrência de reações químicas, tornando possível o metabolismo dos seres vivos. Esta capacidade de catalisar reações favorece o uso de enzimas em diversas aplicações.

Em 1966, pesquisadores testaram aproximadamente mil microrganismos para avaliar a sua capacidade de destruir ou transformar a aflatoxina B1 e G1. Dentre os vários agentes testados, apenas uma das bactérias, Flavobacterium NRRL B-184, removeu a aflatoxina da solução no teste in vitro. Nos testes in vivo em patos, a desintoxicação das soluções de aflatoxina por B-184 estava completa, sem a formação de novas toxinas.

Com a crescente importância do controle de micotoxinas na cadeia de produção animal, visualizou-se uma grande oportunidade de trabalho: a inativação ou detoxificação enzimática das micotoxinas. A detoxificação de micotoxinas é investigada há muito tempo, ainda na década de 60 foram publicados os primeiros relatos de biotransformação de micotoxinas por microrganismos como relatado por exemplo no parágrafo anterior. Do ponto de vista prático, o primeiro resultado importante se deu em meados da década de 80, quando foi demonstrada a capacidade de inativação da toxina T-2. Se demonstrou então, que determinados microrganismos secretam enzimas capazes de clivar as micotoxinas em regiões específicas, transformando as micotoxinas em subprodutos atóxicos ou de baixa toxicidade.

A partir destes estudos, foram desenvolvidos os primeiros produtos enzimáticos para o controle de micotoxinas. Por meio de métodos de fermentação industrial, essas enzimas passaram a ser produzidas em grande escala, permitindo um maior rendimento e, dessa forma, a viabilidade econômica do método de detoxificação de micotoxinas com esta ferramenta inovadora. Além da funcionalidade enzimática (pH, temperatura, especificidade, etc.), outro fator importante no desenvolvimento de um inativador de micotoxinas é a interferência dos microrganismos produtores das enzimas, de metabólitos resultantes da sua biotransformação e do produto completo os quais não devem interferir nas propriedades sensoriais e nas características nutricionais do alimento final.

Existem muitas micotoxinas, mas as principais podem ser divididas em três grupos: as Aflatoxinas; as Ocratoxinas; e as Fusariotoxinas, que possuem como principais representantes os Tricotecenos (exemplo: deoxinivalenol), a Zearalenona e as Fumonisinas. Nos últimos anos, o uso de enzimas para inativação de micotoxinas tornou-se uma ferramenta segura e eficaz, com efeitos sobre uma ampla gama de micotoxinas.

Sendo assim, devido à grande variedade química das micotoxinas, o uso de enzimas para inativação das mesmas se tornou uma ferramenta diferenciada e inovadora cada vez mais aplicada para o real controle de micotoxicoses, que em sua maioria não são adequadamente controladas através de métodos tradicionais.

Mais informações você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

Bovinos / Grãos / Máquinas

Boi gordo enfrenta semanas de instabilidade e pressão nas cotações

Recuo de até R$ 13/@ reflete um mercado mais sensível antes do período de maior consumo.

Publicado em

em

Foto: Ana Maio

A possibilidade de novas medidas protecionistas da China voltou a gerar incerteza no mercado pecuário brasileiro. O país asiático, principal destino da carne bovina do Brasil, estaria avaliando restringir a entrada do produto, mas não há qualquer confirmação oficial até o momento. Mesmo assim, os rumores foram suficientes para pressionar os contratos futuros do boi nas últimas semanas.

As especulações ganharam força no início de novembro, indicando que Pequim poderia retomar o movimento iniciado em 2024, quando alegou excesso de oferta interna para reduzir as importações. A decisão, que inicialmente seria tomada em agosto de 2025, foi adiada para novembro, ampliando a cautela dos agentes e intensificando a queda na curva futura: em duas semanas, os contratos recuaram entre R$ 10 e R$ 13 por arroba.

Foto: Gisele Rosso

Com a China respondendo por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne bovina, qualquer redução nos embarques tende a impactar diretamente os preços do boi gordo, especialmente em um momento de forte ritmo de produção.

Apesar da tensão, o cenário de curto prazo permanece positivo. A demanda doméstica, reforçada pela sazonalidade do fim de ano, e o recente alívio nas barreiras impostas pelos Estados Unidos ajudam a sustentar as cotações. Caso os abates não avancem mais de 10% em novembro e dezembro, a disponibilidade interna deve ficar abaixo da registrada em outubro, movimento que favorece a recuperação dos preços da carne nos próximos 30 dias.

Para 2026, as projeções seguem otimistas para a pecuária brasileira. A expectativa é de menor oferta de animais terminados, custos de produção mais competitivos e demanda externa firme, em um contexto de queda da produção e das exportações de concorrentes, especialmente dos Estados Unidos. A principal atenção fica por conta do preço da reposição, que subiu de forma expressiva e exige valores mais ajustados na venda do boi gordo para assegurar a rentabilidade na terminação.

Fonte: O Presente Rural com informações Consultoria Agro Itaú BBA Agro
Continue Lendo

Bovinos / Grãos / Máquinas

Novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável busca impulsionar produção de leite no Noroeste de Minas Gerais

Assistência técnica, pesquisa aplicada e melhorias genéticas a 150 propriedades familiares, com foco em produtividade, sustentabilidade e fortalecimento da cadeia leiteira no Noroeste mineiro até 2028.

Publicado em

em

Foto: Carlos Eduardo Santos

O fortalecimento e a ampliação da produção de leite de produtores de Paracatu (MG), de forma sustentável, eficiente e de qualidade, ganharam impulso com o início do novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável, desenvolvido em parceria entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap).

O projeto é desenvolvido no âmbito do Programa Mais Leite Saudável (PMLS) do MAPA desde 2020. O Programa Mais Leite Saudável é um incentivo fiscal que permite a laticínios e cooperativas obter até 50% de desconto (crédito presumido) no valor de PIS/Pasep e COFINS relativo à comercialização do leite cru utilizado como insumo, desde que desenvolvam projetos que fortaleçam e qualifiquem a cadeia produtiva por meio de ações diretas junto aos produtores.

O treinamento dos técnicos recém-selecionados foi realizado no fim de outubro, e as primeiras visitas às propriedades ocorreram no início de novembro. Essa é a terceira fase do projeto, que conta com o acompanhamento do pesquisador José Humberto Xavier e do analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Carlos Eduardo Santos.

O projeto articula as dimensões de assistência técnica e pesquisa e atuará nessa etapa com uma rede de 150 propriedades rurais familiares, que receberão acompanhamento de três veterinários e dois agrônomos, seguindo o modelo implantado em 2020. A equipe da Embrapa atua na capacitação técnica e metodológica dos técnicos e na condução de testes de validação participativa de tecnologias promissoras junto aos agricultores da rede.

A nova etapa, prevista para ser concluída em 2028, busca desenvolver alternativas para novos sistemas de cultivo com foco na agricultura de conservação, oferecer apoio técnico ao melhoramento genético dos animais de reposição com o uso de inseminação artificial e ampliar o alcance dos resultados já obtidos, beneficiando mais agricultores familiares e contribuindo para o desenvolvimento regional.

Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, José Humberto Xavier, os sistemas de cultivo desenvolvidos até agora melhoraram o desempenho das lavouras destinadas à alimentação do rebanho, mas ainda são necessários ajustes para reduzir a perda de qualidade do solo causada pelo preparo convencional e pela elevada extração de nutrientes advinda da colheita da silagem, além de evitar problemas de compactação quando o solo está úmido. Ele destaca também os desafios de aumentar a produtividade e reduzir a penosidade do trabalho com mecanização adequada.

O analista Carlos Eduardo Santos ressaltou a importância de melhorar o padrão genético do rebanho. “A reposição das matrizes é, tradicionalmente, feita pela compra de animais de outros rebanhos. Isso gera riscos produtivos e sanitários, além de custos elevados. Por isso, a Coopervap pretende implementar um programa próprio de reposição, formulado com base nas experiências dos técnicos e produtores ao longo da parceria”, afirmou.

Fonte: Assessoria Embrapa Cerrados
Continue Lendo

Bovinos / Grãos / Máquinas

Curso gratuito da Embrapa ensina manejo correto de resíduos na pecuária leiteira

Capacitação on-line orienta produtores a adequar propriedades à legislação ambiental e transformar dejetos em insumo seguro e sustentável.

Publicado em

em

Foto: Julio Palhares

Como fazer corretamente o manejo dos dejetos da propriedade leiteira e adequá-la à legislação e à segurança dos humanos, animais e meio ambiente? Agora, técnicos e produtores têm à disposição um curso on-line, disponível pela plataforma de capacitações a distância da Embrapa, o E-Campo, para aprender como realizar essa gestão. A capacitação “Manejo de resíduos na propriedade leiteira” é gratuita e deve ocupar uma carga horária de aproximadamente 24 horas do participante.

O treinamento fecha o ciclo de uma série de outros cursos relacionados ao manejo ambiental da atividade leiteira: conceitos básicos em manejo ambiental da propriedade leiteira e manejo hídrico da propriedade leiteira, também disponíveis na plataforma E-Campo.

De acordo com o pesquisador responsável, Julio Palhares, identificou-se uma carência de conhecimento sobre como manejar os resíduos da atividade leiteira para adequar a propriedade frente às determinações das agências ambientais. “O correto manejo é importante para dar qualidade de vida aos que vivem na propriedade e no seu entorno, bem como para garantir a qualidade ambiental da atividade e o uso dos resíduos como fertilizante”, explica Palhares.

A promoção do curso ainda contribui para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), como as metas 2 e 12. A 2 refere-se à promoção da agricultura sustentável de produção de alimentos e prevê práticas agropecuárias resilientes, manutenção dos ecossistemas, fortalecimento da capacidade de adaptação às mudanças climáticas, etc. O ODS 12 diz respeito ao consumo e produção responsáveis, principalmente no que diz respeito à gestão sustentável.

O treinamento tem oferta contínua, ou seja, o inscrito terá acesso por tempo indeterminado.

Fonte: Assessoria Embrapa Pecuária Sudeste
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.