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Imunonutrição na suinocultura

Veterinários, zootecnistas e agrônomos precisarão trabalhar em conjunto para identificar os melhores momentos para aplicar uma “imunodieta”. Caberá aos produtores e aos extensionistas identificar os momentos de desafio imune no dia a dia.

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Fotos: Shutterstock

A formulação dietética na suinocultura avançou enormemente ao longo dos anos. Atualmente, utilizam-se dietas com maior concentração nutritiva do que no passado, por exemplo. Isso veio para suprir as demandas que foram trazidas com o melhoramento genético. Essas dietas são eficazes: a nutrição contribuiu para o grande sucesso do setor suinícola e o ciclo produtivo se tornou cada vez mais curto. Contudo, como ensinam os livros-texto de nutrição, as dietas usadas na suinocultura são formuladas com base nas demandas de animais em condições de equilíbrio. O que acontece nutricionalmente fora da homeostase é o objeto da imunonutrição.

A imunonutrição nasceu como uma disciplina da saúde humana, com o objetivo de melhorar as taxas de recuperação em doenças com grande demanda imune – UTIs, por exemplo, onde há grande ocorrência de infecções generalizadas, resistentes a antibióticos, etc. O conceito é intuitivo a partir do nome: “imunonutrição” significa melhorar as defesas de um indivíduo por meio do uso de formulações dietéticas específicas.

Há aminoácidos, vitaminas e micronutrientes cuja suplementação nutricional altera respostas imunes de maneiras clinicamente mensuráveis durante situações de estresse ou doença. Isso se dá porque as demandas imunes durante os processos inflamatórios são muito altas. Assim, os padrões dietéticos devem diferentes durante condições de saúde e doença.

As células imunes obtêm seus nutrientes à medida em que são disponibilizados no sangue, como outras células. Contudo, a partição de nutrientes pelo organismo não é homogênea. O sistema nervoso central, por exemplo, demanda e recebe mais carboidratos do que qualquer outro tecido. Essa demanda do sistema nervoso precisa ser suprida sempre, sob o risco de inviabilizar a vida do animal. Da mesma maneira, prover o sistema imune com um equilíbrio de nutrientes sub-ótimo não é aconselhável: as falhas imunes são rotineiramente fatais, ou resultam em infecções prolongadas e perdas produtivas desnecessárias. Deve-se esclarecer que o objetivo da imunonutrição não é atingir respostas imunes mais intensas; o que se busca é a melhor resposta imune, ou seja, uma resposta que “resolva o problema” sem ser excessiva (Figura 1).

Figura 1. Objetivos da imunonutrição. O objetivo central é melhora em resultados clínicos – e produtivos, por consequência. Observe-se que não se trata apenas de incrementar as respostas imunes, mas de executá-las da maneira mais eficiente possível.

A imunonutrição humana iniciou-se com a suplementação de aminoácidos, em especial glutamina e arginina, de ácidos graxos insaturados, de nucleotídeos e de micronutrientes essenciais para a detoxificação do estresse oxidativo. Uma resposta imune intensa gera uma variedade de agentes oxidantes – os “radicais livres”, como eram chamados há alguns anos. A remoção desses radicais acontece constantemente, mas precisa ser intensificada durante a ativação da imunidade, uma vez que os leucócitos os produzem com muita intensidade. Os outros compostos dessa dieta “clássica” de imunonutrientes têm função antiinflamatória (caso dos ácidos graxos insaturados) ou de suporte às células imunes e às células do epitélio das mucosas (caso dos aminoácidos e dos nucleotídeos).

Na saúde animal, podemos estender o conceito de imunonutrição para além de substâncias que têm propósito nutritivo. Há substâncias que, mesmo não sendo utilizadas como nutrientes, podem ser adicionados à dieta de suínos com o propósito de melhorar as barreiras de defesa do animal, sejam elas células imunes ou outros mecanismos de resistência, como a qualidade das mucosas. A maior parte das infecções ocorrem através da mucosa digestória ou da mucosa respiratória. Se o epitélio mucoso estiver revestido de uma camada protetora de bactérias comensais, reduz-se a chance de uma infecção por essa via, por exemplo. É possível prover nutrientes para enriquecer a microbiota – esses compostos são os chamados prebióticos. É também possível alterá-la por meio da administração dietética de bactérias – usando-se probióticos. Observe-se que a administração de pre/probióticos não tem caráter nutritivo para o animal: essas substâncias não são absorvidas como os nutrientes da ração. Contudo, o objetivo do seu uso é o mesmo, melhorar a defesa contra desafios.

Leveduras

Há, portanto, vários compostos dietéticos com finalidade de modificar a imunidade. Dentre esses, citaremos também os derivados de leveduras. A suplementação dietética com leveduras pode beneficiar a defesa animal de maneiras diretas (atuando diretamente sobre as células imunes) e de maneiras indiretas (atuando sobre a microbiota, sobre as barreiras epiteliais etc.).

A administração de leveduras pode prover nutrientes, como nucleotídeos. Esses são os “tijolos” que compõem o DNA e o RNA, e são muito demandados em fases de proliferação celular, como ocorre durante a expansão das células imunes para combater um patógeno. O intestino também se prolifera com intensidade quando é lesionado, e suas células passam a demandar nucleotídeos para manterem esse processo.

Ademais, leveduras podem interferir com bactérias patogênicas. A parede das leveduras contém compostos, as mananas, que aglutinam bactérias, aprisionando-as à levedura e as impedindo de se replicarem. Esse é um mecanismo natural que as leveduras usam para não sucumbirem às bactérias ao seu redor. A aglutinação bacteriana é extremamente eficaz. Estando imobilizadas, bactérias não podem migrar, invadir o hospedeiro ou competir por nutrientes.

Por fim, citamos os β-glucanos, um segundo componente da parede de leveduras. Essa substância é tratada como o “padrão-ouro” na indução de um mecanismo imune denominado de “treinamento celular”. O termo faz referência à possibilidade de se induzir algo similar à memória imune mesmo em células em que se acreditava ser impossível fazê-lo. Como se sabe, “memória” é a capacidade imune de se aperfeiçoar no combate a um patógeno. Até recentemente, acreditava-se que apenas processos como a vacinação – ou a infecção – podiam induzir memória.

Macrófagos e neutrófilos são os leucócitos mais utilizados durante infecções. Essas células migram para os locais de entrada de patógenos e realizam fagocitose, eliminando os agentes infecciosos. Crucialmente, também cabe aos macrófagos realizar a ativação dos linfócitos, os quais produzirão anticorpos, células de memória, etc. Contudo, acreditava-se que os macrófagos e neutrófilos não eram capazes, eles próprios, de terem memória, o que equivale a não ser possível prepará-los para uma situação desafiante. β-glucanos modificam o metabolismo dessas células fagocíticas de modo a torná-las mais eficazes em combater patógenos. Esse processo perdura por dias e até semanas, representando, assim, um modo de memória dos fagócitos.

Conclusão

Na saúde humana, há já várias situações nas quais o uso de imunonutrição é uma recomendação clínica, ou seja, o conceito já se tornou prática corrente. Na saúde animal, a proposta da imunonutrição ainda engatinha – ainda vamos desenvolver essa ciência ao longo dos anos que virão. Em especial, devemos aprender a implementar dietas específicas de acordo com a demanda do rebanho. Mesmo na Medicina essa área da nutrição é nova: há situações em que imunonutrientes podem gerar respostas imunes muito intensas, por exemplo. Contudo, parece que temos muito a ganhar ao aplicarmos a imunonutrição na prática: em condições de produção, os desafios imunes são inúmeros e constantes. Provavelmente não há fase produtiva em que não haja um estímulo imune elevado durante a criação de suínos.

Essa é uma ciência que deverá agregar todos os profissionais envolvidos na produção. Veterinários, zootecnistas e agrônomos precisarão trabalhar em conjunto para identificar os melhores momentos para aplicar uma “imunodieta”. Caberá aos produtores e aos extensionistas identificar os momentos de desafio imune no dia a dia. A suinocultura é uma indústria organizada e voltada às inovações. Por isso, já há no mercado brasileiro uma gama de aditivos voltados para essa finalidade. Portanto, as ferramentas para usar a imunonutrição já estão nas nossas mãos. Cabe a nós aplicá-las e contribuir para a evolução dessa nova ciência – e com isso, contribuiremos para levar a suinocultura para seu próximo patamar.

As referências bibliográficas estão com o autor. Contato: karoline.honorio@iccbrazil.com.br.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor suinícola e da piscicultura acesse gratuitamente a edição digital Suínos e Peixes. Boa leitura!

Fonte: Por Breno Castello Branco Beirão, professor de microbiologia, imunologia e vacinologia na Universidade Federal do Paraná.

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Exportações recordes sustentam mercado do suíno no início de 2026

Em meio à estabilidade das cotações internas, vendas externas de carne suína alcançam volumes e receitas históricas, impulsionadas pela forte demanda internacional.

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Foto: Jonathan Campos/AEN

As cotações do suíno vivo registram estabilidade neste começo de ano. Na praça SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba), o animal vivo posto na indústria foi negociado a R$ 8,87/kg na terça-feira (06), com ligeira queda de 0,3% em relação ao encerramento de 2025.

No front externo, o Brasil encerrou 2025 com novos recordes no volume e na receita com as exportações de carne suína. Em dezembro, inclusive, a quantidade escoada foi a maior para o mês e a quarta maior de toda a série histórica da Secex, iniciada em 1997, evidenciando, segundo apontam pesquisadores do Cepea, uma aceleração da demanda internacional pela carne brasileira no período.

De janeiro a dezembro de 2025, foram embarcadas 1,5 milhão de toneladas de carne, o maior volume escoado pelo Brasil em um ano, com crescimento de 11,6% frente ao de 2024, dados da Secex.

Em dezembro, foram exportadas 136,1 mil toneladas, quantidade 29,4% acima da registrada em novembro/25 e 26,2% maior que a de dezembro/25. Com a intensificação nas vendas, a receita do setor também atingiu recorde em 2025.

No total do ano, foram obtidos cerca de R$ 3,6 bilhões, 19% a mais que no ano anterior e o maior valor da série histórica da Secex. Em dezembro, o valor obtido com as vendas externas foi de R$ 322 milhões, fortes altas de 30% na comparação mensal e de 25% na anual.

Fonte: Assessoria Cepea
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Suínos

Primeiro lote de inscrições ao Sinsui 2026 encerra em 15 de janeiro

Evento acontece entre os dias 19 e 21 de maio, no Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre (RS). o Simpósio chega à sua 18ª edição consolidado como um espaço técnico de discussão sobre produção, reprodução e sanidade suína, em um momento de crescente complexidade para a cadeia produtiva.

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Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

A suinocultura brasileira e internacional tem encontro marcado em maio, na Capital gaúcha, com a realização do Simpósio Internacional de Suinocultura (Sinsui). O evento ocorre de 19 a 21 de maio, no Centro de Eventos da PUCRS, e chega à sua 18ª edição consolidado como um espaço técnico de discussão sobre produção, reprodução e sanidade suína, em um momento de crescente complexidade para a cadeia produtiva. O Jornal O Presente Rural é mais uma vez parceiro de mídia do Simpósio e toda a cobertura você pode acompanhar pelas nossas redes sociais.

Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

Faltando pouco mais de quatro meses para a abertura do simpósio, a organização avança em etapas-chave da preparação. A programação científica será divulgada a partir de fevereiro, mas já está em andamento o processo de submissão de trabalhos, um dos pilares do evento. Pesquisadores, técnicos e profissionais do setor têm até 23 de março para inscrever estudos científicos ou casos clínicos, que deverão se enquadrar em uma das áreas temáticas definidas pela comissão organizadora: sanidade, nutrição, reprodução, produção e manejo, One Health e casos clínicos.

A estrutura temática reflete desafios centrais da suinocultura contemporânea, como a integração entre saúde animal, saúde humana e meio ambiente, além da busca por eficiência produtiva em um cenário de custos elevados e maior pressão por biosseguridade. As normas para redação e envio dos trabalhos estão disponíveis no site oficial do evento, o que indica uma preocupação com padronização científica e qualidade técnica das contribuições.

Inscrições no evento

No campo das inscrições, o Sinsui mantém valores diferenciados por perfil de público. Até 15 de janeiro, profissionais podem se inscrever por R$ 650, enquanto estudantes de graduação em Medicina Veterinária, Zootecnia e Agronomia, além de pós-graduandos stricto sensu nessas áreas, pagam R$ 300. Há ainda modalidades específicas para visitantes e para acesso à feira. A inscrição dá direito a material de apoio, certificado, crachá e acesso à programação.

A política de descontos reforça o foco em participação coletiva, especialmente de empresas e instituições de ensino. Grupos de estudantes

Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

ou profissionais vinculados a empresas patrocinadoras têm condições mais vantajosas a partir de dez inscritos, enquanto demais empresas obtêm desconto para grupos acima de vinte participantes. Em ambos os casos, o modelo prevê a emissão de recibo único e a concessão de um código adicional de inscrição.

A organização também detalhou a política de cancelamento, com percentuais de reembolso decrescentes conforme a proximidade do evento, e ressalva para situações de força maior, nas quais o simpósio poderá ser transferido de data sem cancelamento das inscrições.

Termômetro

Ao reunir produção científica, debates técnicos e interação entre diferentes elos da cadeia, o Sinsui 2026 se posiciona como um termômetro dos rumos da suinocultura. Em um setor cada vez mais pressionado por exigências sanitárias, sustentabilidade e competitividade internacional, o simpósio tende a funcionar não apenas como espaço de atualização, mas como arena de construção de consensos técnicos e estratégicos.

Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail contato@sinsui.com.br ou pelos telefones (51) 3093-2777 e (51) 99257-9047.

Fonte: O Presente Rural
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Piauí decreta emergência zoossanitária para prevenção da peste suína clássica

Entre as principais medidas está o controle rigoroso da movimentação de animais e de produtos considerados de risco.

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Foto: Ari Dias/AEN

O governador Rafael Fonteles decretou estado de emergência zoossanitária em todo o território do Piauí, para prevenção e controle da Peste Suína Clássica (PSC). A medida foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) na terça-feira (06), e tem validade de 180 dias. Entre as principais medidas está o controle rigoroso da movimentação de animais e de produtos considerados de risco.

O decreto foi motivado pela confirmação de um foco da doença no município de Porto. A decisão considera laudos do Laboratório Federal de Defesa Agropecuária, vinculado ao Ministério da Agricultura, que confirmaram a ocorrência do vírus.

Ao justificar a medida, o documento destaca a necessidade de resposta imediata para evitar a disseminação da doença. “A movimentação de animais e de produtos de risco deverá observar normas e procedimentos estabelecidos pela equipe técnica, com vistas à contenção e à eliminação do agente viral”, diz o texto publicado no DOE.

O trânsito de animais só poderá ocorrer conforme normas definidas pela equipe técnica responsável pelas operações de campo, com foco na contenção e eliminação do agente viral.

O decreto também autoriza a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Piauí (Adapi) a expedir diretrizes sanitárias, adotar manejo integrado da doença e utilizar produtos já registrados no país, além de seguir recomendações técnicas de pesquisas nacionais.

Cabe ainda à Adapi a aquisição dos insumos necessários às ações de prevenção, controle e erradicação da PSC durante o período de emergência.

Fonte: Assessoria Governo do Piauí
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