Suínos
Importância dos fatores ambientais para a prevalência da Coccidiose
Os fatores ambientais avaliados para determinar a correlação com o índice de prevalência de C. suis foram: ausência e presença de diarreia; sistema de climatização automatizado ou não; sistema all-in all-out versus sistema de manejo contínuo; ausência ou presença de tratamento com antimicrobianos; tipos de piso; acompanhamento ao parto; temperatura, entre outros.

Na suinocultura o manejo dos leitões está intrinsicamente associado ao sucesso produtivo. Nessa fase, os neonatos precisam de uma série de manejos para que seja possível manter a sanidade e o bem-estar da leitegada. Por isso, a adoção de estratégias de prevenção contra uma série de agentes infecciosos é indispensável para garantir uma produção equilibrada e com máximo desempenho.
Entre os desafios enfrentados pelos suínos neste período destaca-se a coccidiose. Uma das doenças mais dispendiosas da suinocultura. A coccidiose é uma parasitose causada pelo protozoário Cystoisospora suis, considerado o parasita gastrointestinal mais prevalente na suinocultura mundial. Embora a diarreia represente a manifestação mais comum dessa doença, ela não necessariamente se manifesta em situações de infecção, já que casos subclínicos têm sido observados com frequência. Em ambas as situações, o parasita danifica a mucosa intestinal, levando ao comprometimento da função intestinal e diminuição dos índices zootécnicos nos animais infectados.
O ciclo do Cystoisospora suis possui uma fase exógena e endógena. Os animais infectados eliminam oocistos através das fezes e, sob certas condições ambientais (temperatura, umidade e oxigênio), os oocistos esporulam e adquirem a capacidade de se tornar infecciosos.
Devido à via de infecção fecal-oral, os oocistos são rapidamente transmitidos entre as fêmeas e as leitegadas. As leitegadas desempenham um papel importante na disseminação do agente, uma vez infectadas multiplicam a eliminação de oocistos no ambiente, aumentando o potencial de infecção entre leitegadas do mesmo lote, como também de lotes posteriores. A transmissão é favorecida pela alta resistência dos oocistos no ambiente e pela curta fase endógena, com duração de quatro a sete dias, levando à exposição permanente dos leitões.
O controle da infecção deste parasita mais bem estabelecido na suinocultura é o uso metafilatico de toltrazuril, o qual baseia-se na interrupção oportuna do ciclo de desenvolvimento do Cystoisospora suis no intestino. Prevenindo as lesões intestinais, a manifestação de sinais clínicos e produção de novos oocistos. A desinfecção é uma importante medida preventiva contra muitos patógenos intestinais no sistema produtivo de suínos, no entanto, resultados efetivos são limitados no controle da coccidiose, especificamente, pois os oocistos são resistentes a grande parte dos desinfetantes comumente utilizados nos protocolos de limpeza e desinfecção. Desta maneira torna-se necessária uma melhor compreensão dos fatores ambientais e de manejo que impulsionam a infecção por C. suis nas granjas.
Estudo
Em recente estudo foi avaliada a prevalência de Cystoisospora suis em granjas de suínos no Brasil, e determinados os fatores ambientais correlacionados a ela.
Neste estudo 50 granjas de diferentes regiões do país e 666 leitegadas foram amostradas duas vezes, com uma semana de intervalo entre as duas amostragens (idade média na amostragem: 10,75 e 17,7 dias).
Os fatores ambientais avaliados para determinar a correlação com o índice de prevalência de C. suis foram: ausência e presença de diarreia; sistema de climatização automatizado ou não; sistema all-in all-out versus sistema de manejo contínuo; ausência ou presença de tratamento com antimicrobianos; tipos de piso; acompanhamento ao parto; temperatura, entre outros.
Foi demonstrado que 33,8% das leitegadas foram positivas, e a prevalência de C. suis nas granjas de foi de 32,9%. Oocistos foram mais prevalentes em amostras fecais coletadas de granjas com casos de diarreia. A temperatura ambiente também foi positivamente associada à detecção de oocistos; determinou-se que um aumento de apenas um grau na temperatura ambiente aumentou a chance de uma leitegada ser positiva em 23,2%.
Atualmente esta é a evidência técnica mais abrangente de fatores associados à infecção por C. suis em granjas industriais brasileiras de leitões.
Tendo isto, posto torna-se evidente que apesar de extremamente necessários, apenas o controle ambiental por meio de protocolos de limpeza e desinfecção, investimentos em biosseguridade e em mão de obra qualificada não são suficientes para a diminuição da incidência de coccidiose nas granjas.
As referências bibliográficas estão com os autores. Contato: [email protected].
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Suínos
Recuo em junho não impede exportações recordes de carne suína
Embarques caíram 3,5% no mês, mas o primeiro semestre de 2026 foi o melhor da história para o setor.

As exportações brasileiras de carne suína (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 132,4 mil toneladas em junho, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O volume é 3,5% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando foram embarcadas 137,2 mil toneladas.
A receita das exportações alcançou US$ 312,8 milhões, resultado 8,4% inferior ao obtido em junho de 2025, quando foram registrados US$ 341,7 milhões.
Apesar do ajuste observado em junho, o setor encerrou o primeiro semestre de 2026 com o melhor desempenho da história das exportações brasileiras de carne suína. Entre janeiro e junho, os embarques alcançaram 794,2 mil toneladas, volume 10% superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando foram exportadas 722 mil toneladas.
Em receita, o crescimento acumulado alcança 7,9%, com US$ 1,859 bilhão entre janeiro e junho deste ano, frente aos US$ 1,723 bilhão registrados no mesmo período do ano passado.
Entre os principais destinos das exportações brasileiras em junho, as Filipinas permaneceram na liderança, com 23,5 mil toneladas embarcadas (-30,4%). Em seguida aparecem Japão, com 17,2 mil toneladas (+33,8%), Chile, com 11,7 mil toneladas (+3,1%), China, com 11,4 mil toneladas (-26,5%), Hong Kong, com 8 mil toneladas (+1,4%), México, com 6,9 mil toneladas (-4,8%), Singapura, com 5,9 mil toneladas (-35,4%), Argentina, com 5,9 mil toneladas (+46,5%), Vietnã, com 5,8 mil toneladas (+1,5%) e Uruguai, com 4,7 mil toneladas (-3,3%).

No desempenho por estados exportadores, Santa Catarina manteve a liderança nacional, com 65,2 mil toneladas embarcadas em junho (-6,9%), seguido por Rio Grande do Sul, com 31,4 mil toneladas (-4,7%), Paraná, com 20,7 mil toneladas (+3,2%), Minas Gerais, com 4,1 mil toneladas (+26,3%) e Mato Grosso, com 4 mil toneladas (+23,3%).
“Embora junho tenha registrado um ajuste pontual em relação ao mesmo período do ano passado, o desempenho do primeiro semestre confirma a solidez das exportações brasileiras de carne suína. O setor segue ampliando sua presença internacional por meio de uma estratégia cada vez mais diversificada, reduzindo a dependência de mercados específicos e fortalecendo sua atuação em destinos de maior valor agregado. Os resultados acumulados reforçam nossa expectativa de um novo ano histórico para a suinocultura brasileira”, destaca o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
Suínos
Suinfair 2026 discute desafios da inovação na suinocultura em Minas Gerais
Palestra de abertura destacou a importância da adaptação em um mercado em constante transformação.

A programação da Suinfair 2026 teve início na tarde da última quarta-feira (01º), às 15 horas, em Ponte Nova (MG), com a palestra de abertura conduzida por Eduardo Shinyashiki. O especialista em desenvolvimento humano, liderança e performance foi o primeiro palestrante do evento e apresentou uma reflexão sobre os desafios da inovação, da ruptura de padrões de comportamento e da formação de lideranças em um cenário de constante transformação.
Diante de produtores e profissionais da cadeia da suinocultura, Shinyashiki afirmou que, embora o setor evolua rapidamente em tecnologia e gestão, o maior desafio continua sendo a mudança de mentalidade. Segundo ele, a capacidade de adaptação será cada vez mais determinante para quem deseja crescer em um ambiente competitivo. “O cérebro não é programado para inovar. Ele é programado para repetir padrões”, explicou. Para o palestrante, esse mecanismo ajuda a entender por que tantas empresas e profissionais resistem às mudanças, mesmo diante de novas oportunidades.
Ao longo da palestra, ele ressaltou que a velocidade das transformações exige uma postura diferente das lideranças. Em vez de esperar que as mudanças aconteçam para então reagir, é preciso antecipar cenários e construir novas soluções continuamente.
Três comportamentos que limitam a liderança

Durante a apresentação, Eduardo Shinyashiki afirmou que existem três “vírus” capazes de comprometer o desenvolvimento de líderes e equipes.
O primeiro é a necessidade constante de agradar e atender às expectativas dos outros. Segundo ele, muitos gestores deixam de exercer a própria liderança porque tentam apenas se encaixar em ambientes e situações.
O segundo está relacionado à dificuldade de pedir ajuda. Para o especialista, muitos profissionais assumem todas as responsabilidades sozinhos, acreditando que essa postura demonstra força. No entanto, essa resistência acaba tornando o trabalho mais desgastante e reduzindo as possibilidades de alcançar melhores resultados.
Já o terceiro comportamento é o perfeccionismo excessivo. Na avaliação de Shinyashiki, a busca constante pela perfeição faz com que muitas pessoas adiem decisões importantes e deixem de colocar projetos em prática. “O feito é melhor do que o perfeito”, destacou, ao incentivar os participantes a agir com mais rapidez e confiança.
Resistência à mudança pode custar caro
Outro ponto abordado pelo palestrante foi a resistência às transformações. Segundo ele, muitas empresas enfrentam dificuldades não por falta de estratégia ou recursos, mas porque seus líderes permanecem presos a antigas formas de pensar.
Shinyashiki lembrou que esse cenário ficou evidente durante a pandemia, quando organizações que conseguiram adaptar rapidamente seus processos responderam melhor aos desafios do mercado.
Para ele, a inovação começa antes da tecnologia. Ela nasce da disposição para rever crenças, abandonar hábitos antigos e experimentar novos caminhos.
Suinocultura precisa acompanhar novas demandas
Ao relacionar os conceitos ao agronegócio, Eduardo Shinyashiki destacou que a suinocultura passou por mudanças profundas nos últimos anos e continuará evoluindo.
Segundo o especialista, fatores como genética, manejo, bem-estar animal, uso de medicamentos e as exigências dos consumidores vêm transformando o setor de forma acelerada. Por isso, produtores e empresas precisam estar preparados para atender a um mercado que valoriza cada vez mais sustentabilidade, qualidade e inovação.
Nesse contexto, ele citou o economista austríaco Joseph Schumpeter, considerado um dos principais estudiosos da inovação. A ideia central apresentada foi que o novo não substitui imediatamente o antigo, mas surge ao lado dele até se tornar o novo padrão do mercado.
Criar tendências em vez de apenas acompanhar
Shinyashiki incentivou os participantes a deixarem de apenas reagir às mudanças e passarem a criar novas oportunidades.
Para ilustrar esse conceito, mencionou empresários como Steve Jobs, Bill Gates, Jeff Bezos e Elon Musk, que transformaram mercados ao desafiar modelos tradicionais e propor soluções inéditas.
Segundo ele, esse mesmo comportamento pode ser aplicado à suinocultura. Em vez de esperar que o mercado imponha mudanças, produtores e lideranças podem desenvolver uma postura mais inovadora, questionando processos, buscando melhorias contínuas e criando novos caminhos para o crescimento do setor.
A mensagem final reforçou que inovação não depende apenas de tecnologia ou investimentos, mas principalmente da mentalidade das pessoas. Para Eduardo Shinyashiki, quem desenvolve a capacidade de aprender, adaptar-se e liderar mudanças estará mais preparado para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades da suinocultura nos próximos anos.
Suínos
Carne suína é tema de palestra em evento de alimentação escolar no Nordeste
Nutricionista da ABCS apresentou informações sobre valor nutricional da proteína durante encontro com mais de 500 profissionais em Maceió (AL).

A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) participou no dia 25 de junho, do III Encontro Regional de Alimentação Escolar do Nordeste, realizado em Maceió (AL). A iniciativa, promovida pelo Conselho de Alimentação Escolar (CAE), um órgão ligado ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), reuniu mais de 500 profissionais entre nutricionistas, merendeiras, gestores e representantes de Secretarias de Educação e autoridades ligadas ao setor. Representando a entidade, a nutricionista Thaliane Dias ministrou uma palestra para os profissionais responsáveis pela elaboração dos cardápios escolares.

Durante a apresentação, Thaliane destacou os benefícios nutricionais da carne suína e seu potencial para compor uma alimentação escolar equilibrada, sendo uma excelente fonte de minerais, vitaminas e proteínas. “A ABCS estar aqui é um privilégio, falamos do potencial desse setor no agronegócio brasileiro, mostramos a nova realidade do consumo e da produção, e buscamos impulsionar a carne suína que atende todos os critérios para ser inserida na alimentação escolar”, conclui.
A participação da ABCS no circuito teve origem a partir de um trabalho realizado junto a Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (ACRISMAT), em Cuiabá. Os resultados obtidos evidenciaram a importância estratégica da aproximação com esse público, levando a entidade a ampliar sua atuação para as demais etapas do circuito nacional.

Foto: Freepik
A ação integra a estratégia da ABCS de fortalecer o diálogo com os profissionais que atuam no ecossistema do PNAE, política pública coordenada pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), responsável por garantir alimentação escolar e promover ações de educação alimentar e nutricional para estudantes da educação básica pública. Durante o evento, o Vice-Presidente Nacional do Fórum Nacional dos Conselhos de Alimentação Escolar (FNCAE), agradeceu a ABCS pela presença e destacou a importância de contar com o setor de suínos nessa iniciativa.
Ao participar do encontro, a entidade ampliou a visibilidade da cadeia produtiva da suinocultura junto aos profissionais que elaboram e executam os cardápios escolares, promovendo informações técnicas sobre a carne suína, esclarecendo dúvidas e reforçando atributos como qualidade nutricional, versatilidade e adequação da proteína para a alimentação de crianças e adolescentes. A iniciativa é parte de um trabalho realizado pela ABCS junto de suas afiliadas para a inserção da carne suína na merenda escolas, e abre caminho para novas oportunidades de atuação da cadeia suinícola em programas públicos de alimentação, contribuindo para ampliar o conhecimento técnico sobre a proteína e consolidar sua presença nas discussões relacionadas à alimentação escolar.
Após a etapa realizada em Maceió, a ABCS dará continuidade à participação no Circuito Nacional dos Conselhos de Alimentação Escolar, que terá novas edições previstas para agosto, em Minas Gerais, e setembro, em Brasília, ampliando o diálogo com os profissionais responsáveis pela alimentação escolar em diferentes regiões do país.



