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Importância da saúde hepática em vacas leiteiras

Quando o fígado é cuidado, os animais tendem a responder com um feedback positivo em produção de leite, em desempenho produtivo e reprodutivo, melhora de sistema imune e, em consequência, diminuição nos índices de CCS do rebanho.

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Foto: Divulgação/NutriQuest Brasil

O fígado é um órgão muito importante no organismo animal, responsável por várias funções essenciais, como o metabolismo de moléculas de glicose, lipídeos, proteínas, cetogênese (produção de corpos cetônicos pelo fígado), além de ser responsável pela produção da bile, um produto emulsificante importante para a digestão das gorduras. Ele está localizado no centro do corpo, onde recebe e repassa nutrientes para todo o organismo, é um órgão de ligação entre o sistema digestivo e o sangue.

Nesta simples introdução sobre o fígado, já é possível entender o quanto ele é importante em todos os processos. Os produtos da digestão são repassados para o fígado e distribuídos. Um exemplo é a glicose, que é armazenada no fígado na forma de glicogênio sendo liberado de acordo com a necessidade de energia pelo organismo.

Uma das funções também importante do fígado é o metabolismo intermediário, sendo ele responsável por receber e direcionar as gorduras conforme a necessidade do organismo. Os lipídeos que chegam ao fígado podem seguir algumas rotas, serem metabolizados, oxidados, distribuídos e armazenados.

Nas vacas em período de transição, o fígado se torna ainda mais importante, pois neste momento necessitam de muita energia. Vale lembrar que no ciclo de produção, quando ela está nos últimos 21 dias de gestação, já não tem a capacidade fisiológica para consumir o mesmo volume de matéria seca (MS) consumido anteriormente, e as exigências nutricionais aumentam muito. É nesta fase que ocorre o crescimento fetal final, e em que a vaca precisa de mais energia para o parto, para colostragem e para o início da lactação, sendo a glândula mamaria responsável por receber uma grande quantidade de nutrientes, acelerando os processos metabólicos do fígado.

Um dos problemas que podem ser encontrados devido à alta demanda de nutrientes é a esteatose hepática (gordura no fígado), uma das alterações mais frequentes em vacas leiteiras que tenham um desempenho acelerado, característico também em animais no pós-parto.

No início da lactação ocorre a lipólise dos lipídeos, fornecendo para a vaca um suprimento adequado de energia para o parto. Quando a lipólise é intensa e se prolonga, a vaca pode apresentar doenças metabólicas muito comuns como a cetose, por exemplo, que ocorre devido ao aumento de ácidos graxos não esterificados, podendo eles serem oxidados a corpos cetônicos, dióxido de carbono ou esterificados em triacilgliceróis. No caso da cetose é quando ocorre a oxidação incompleta dos AGNE e o fígado gorduroso é proveniente do excesso de esterificação de triglicerídeos.

Para o bom funcionamento do fígado existe uma molécula chamada fosfatidilcolina, um fosfolipídio predominante (>50%) na maioria das membranas dos mamíferos que é responsável por proteger e recuperar as células do fígado. Entre as suas diversas funções, o transporte de gordura de uma célula para a outra é a principal delas. Esta molécula é responsável por reduzir a entrada de gordura no fígado e atua no transporte da lipoproteína de muito baixa densidade (VLDL) do fígado.

A fosfatidilcolina é uma molécula que pode ser fornecida de forma exógena na dieta de vacas em transição e lactação. A falta de fosfatidilcolina na dieta pode resultar na infiltração de gordura no fígado. A presença desta molécula aumenta a utilização e transporte dos ácidos graxos e colesterol, também é importante no processo de secreção de VLDL pelo fígado. Outra função essencial é o auxilio na absorção de gordura pelo intestino, pois ela se caracteriza como uma molécula emulsificante devido as suas extremidades (polar e apolar), com isso ela aumenta a solubilidade das micelas a nível intestinal.

Quando cuidamos do fígado das nossas vacas, seja esse cuidado via manejo alimentar adequando em todas as fases de transição e lactação, seja ele através do fornecimento de aditivos alimentares que ajudam a auxiliar o fígado nesses processos, os animais tendem a responder com um feedback positivo em produção de leite, em desempenho produtivo e reprodutivo, melhora de sistema imune e, em consequência, diminuição nos índices de CCS do rebanho.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor de bovinocultura, commodities e maquinários agrícolas acesse gratuitamente a edição digital Bovinos, Grãos e Máquinas.

Fonte: Por Juliana Reolon Pereira, doutora em Nutrição Animal e coordenadora técnica de Ruminantes na NutriQuest Brasil.

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Pronaf Mais Leite destina crédito subsidiado para modernizar pecuária leiteira

Recursos devem beneficiar 40 mil produtores com foco em tecnologia, manejo e eficiência produtiva.

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Fotos: Isabele Kleim

O governo federal anunciou, nesta segunda-feira (27), em Andradina, no interior de São Paulo, a destinação de R$ 450 milhões em crédito rural subsidiado para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar Mais Leite (Pronaf Mais Leite). 

O programa é uma linha de crédito especial do governo federal focado no aumento da produtividade da pecuária leiteira familiar. O objetivo é financiar o melhoramento genético, com foco na transferência de embriões, além de infraestrutura, ordenhadeiras e tanques de resfriamento, visando aumentar a produção por animal.

A previsão é a de financiar até 300 mil embriões e elevar a produção de leite por animal com potencial de 3 a 8 litros por dia para 15 a 30 litros por dia.

Devem ser beneficiados cerca de 40 mil produtores familiares que poderão utilizar o recurso para comprar matrizes de alto valor genético, sêmen, óvulos e embriões, serviços de inseminação e FIV (Fertilização in Vitro), ordenhadeiras e tanques de resfriamento, além de investir no manejo, alimentação e infraestrutura produtiva.

Para acessar o crédito, o produtor precisa ter o Cadastro da Agricultura Familiar (CAF) ativo, procurar os agentes financeiros Banco do Brasil, Sicredi, Cresol, Sicoob e Banrisul e apresentar um projeto técnico que demonstre a viabilidade do investimento.

O programa também inclui apoio da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) para orientar os produtores.

Foto: Arnaldo Alves/AEN

Foram disponibilizadas linhas de crédito para as cooperativas da agricultura familiar com taxas de juros de 3% ao ano, e para as demais cooperativas de leite do país, por meio do Programa Renovagro, com juros de 8,5% ao ano. “No país são 1,150 milhão de famílias que vivem da produção de leite no Brasil. Dessas, 950 mil são famílias da agricultura familiar. O leite é uma cadeia que é constituída majoritariamente nas pequenas propriedades, nos assentamentos da reforma agrária, nas propriedades da agricultura familiar. São eles que garantem a produção de leite que se transforma na diversidade de produtos que alimenta e leva nutrição”, disse a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli.

Foto: Divulgação/OP Rural

A ministra também anunciou a destinação de R$ 15 milhões para a construção da primeira fábrica de leite em pó de cooperados no estado de São Paulo, que também aumentará a produção e a renda para os produtores, e a disponibilização de R$ 28 milhões para a assistência técnica e extensão rural dos produtores com o objetivo de impulsionar a produção de leite. “Além disso, no Programa Terra da Gente mais duas áreas serão desapropriadas pelo governo para o Sítio Boa Vista, em Americana, interior de São Paulo, e a Fazenda Caraúbas, em Santa Quitéria, no Ceará”, anunciou.

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, destacou a importância da agroindústria e do cooperativismo como agregadores de valor. “Temos que ter a agroindústria, pegar o produto da terra e fazer manufatura. Aqui ficam duas lições sobre a importância do associativismo: quando a gente sonha sozinho é só um sonho, mas quando a gente sonha junto é o início de uma nova realidade. A outra é o cooperativismo, quanto mais abelha mais mel”, disse Alckmin.

Fonte: Agência Brasil
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Queijo catarinense conquista título mundial em concurso internacional

Premiação reconhece excelência produtiva e projeta Santa Catarina no cenário global

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Foto: Divulgação

O Queijo Reserva do Vale, da empresa Queijos Possamai, foi eleito o melhor queijo do mundo no 4º Mundial do Queijo do Brasil 2026, competição realizada em São Paulo entre os dias 16 e 19 de abril. 

Produzido em Pouso Redondo (SC) por estabelecimento integrado ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA), o queijo brasileiro superou concorrentes de 30 países. O resultado destaca a qualidade da produção nacional e a importância da certificação sanitária, coordenada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), para a ampliação do acesso a mercados e a garantia de elevados padrões produtivos. 

Além do prêmio principal, a empresa recebeu outras nove medalhas na competição. 

A diretora do Departamento de Planejamento e Estratégia do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária e jurada oficial do concurso, Judi Nóbrega, destacou a relevância do Sisbi-POA para a competitividade das agroindústrias brasileiras. 

“Resultados como esse demonstram, de forma concreta, que a adesão ao Sisbi-POA não é apenas um requisito regulatório, mas um diferencial competitivo. O sistema permite que agroindústrias alcancem novos mercados com segurança sanitária e qualificação dos processos produtivos, ampliando oportunidades sem abrir mão da qualidade. Ver um produto brasileiro, de uma agroindústria de pequeno porte, ser reconhecido como o melhor do mundo reforça a efetividade da política pública e o potencial do nosso sistema de inspeção”, afirmou. 

Fundada em 1984, a Queijos Possamai mantém tradição familiar no município de Pouso Redondo, a cerca de 264 quilômetros de Florianópolis. Antes da adesão ao sistema, a empresa processava cerca de 3,5 mil litros de leite por dia. Atualmente, conta com rebanho de aproximadamente 600 animais e capacidade superior a 7 mil litros diários, crescimento acompanhado por investimentos em boas práticas produtivas e rigoroso controle sanitário. 

A conquista projeta Santa Catarina no cenário internacional e reforça o potencial dos produtos de origem animal brasileiros. 

Sisbi-POA 

O Sisbi-POA foi criado em 2006 com o objetivo de integrar os serviços de inspeção de produtos de origem animal no país e ampliar as oportunidades de comercialização para as agroindústrias brasileiras. 

Na prática, significa que o serviço de inspeção municipal ou estadual passa a ter seus procedimentos de fiscalização e controle reconhecidos como equivalentes aos adotados em nível federal. Isso garante padronização e harmonização das ações de inspeção, em conformidade com as normas técnicas estabelecidas pelo Mapa, além de ampliar significativamente as oportunidades de mercado com a comercialização em todo o território nacional.  

Durante os primeiros 16 anos do sistema, entre 2006 e 2022, foram integrados 331 municípios em todo o Brasil. Entre 2023 e março de 2026, esse processo ganhou novo ritmo, com a integração de 1.184 novos municípios, elevando o total nacional para 1.515 municípios. 

Grande parte desse crescimento tem sido impulsionada pelo fortalecimento dos consórcios públicos municipais, modelo que permite compartilhar estrutura técnica, otimizar recursos e estruturar serviços de inspeção mais robustos e eficientes. 

Fonte: Assessoria Mapa
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Importações de leite atingem 235 milhões de litros em março

Cenário ainda é marcado por custos elevados e recomposição parcial de preços no Brasil, segundo a Embrapa.

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Foto: Juliana Sussai

O mercado lácteo iniciou 2026 sob um ambiente de incertezas no cenário internacional e ajustes de preços no Brasil. Fatores como tensões geopolíticas, variação nos custos de insumos e volatilidade cambial seguem influenciando a dinâmica do setor, de acordo com levantamento da Embrapa Gado de Leite, com base em dados da Serasa.

No mercado global, a produção de leite continua em expansão, porém em ritmo mais moderado. Os preços internacionais seguem em patamares inferiores aos observados no início de 2025, com o índice GDT acumulando queda de 10,35% entre janeiro e abril de 2026.

Foto: Divulgação/IDR-Paraná

No Brasil, o setor iniciou o ano com pressão sobre margens, após um período de baixa rentabilidade ao longo de 2025. Esse movimento levou a reajustes ao longo da cadeia produtiva, refletindo tentativas de recomposição econômica em diferentes elos do setor.

O leite UHT no atacado de São Paulo, por exemplo, encerrou o período em cerca de R$ 3,27 por litro em janeiro, com avanço para pouco acima de R$ 5,00 no início de abril. No mercado spot, os valores chegaram a aproximadamente R$ 3,60 por litro no mesmo período. O leite pago ao produtor também apresentou reajuste, passando de cerca de R$ 2,00 por litro em janeiro para R$ 2,39 em março.

Segundo a análise, a recomposição de preços ocorre após um período de forte compressão de margens, com impactos diretos sobre o fluxo de caixa das propriedades e o planejamento da atividade leiteira. Apesar da melhora recente, o cenário ainda é considerado sensível, diante de custos elevados e incertezas sobre a demanda.

Foto: Fernando Dias

No ambiente externo, o aumento das taxas de juros e a valorização do câmbio no Brasil têm influenciado a competitividade das exportações, ao mesmo tempo em que encarecem insumos importados. O volume de leite importado em março alcançou cerca de 235 milhões de litros em equivalente leite, mantendo patamar elevado.

Internamente, o consumo segue pressionado por fatores econômicos. O alto endividamento das famílias e o crescimento econômico mais moderado limitam a recuperação da demanda, mesmo com alguma estabilização recente da produção.

A análise também aponta que o custo de produção deve seguir sensível a variações em insumos como fertilizantes, energia e óleo diesel, além de fatores climáticos que impactam a produção de forragem e silagem. Nesse contexto, o setor segue em ambiente de cautela, com expectativa de ajustes graduais ao longo de 2026.

Fonte: O Presente Rural
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