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Avicultura Bem-Estar Animal

Importância da retirada da ração pré-abate e do carregamento para a indústria avícola

Uma vez que as aves alcançam as metas de abate, existem vários fatores que podem impactar significativamente a qualidade da carcaça

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Divulgação/Cobb

 Artigo escrito por Eder Barbon, médico veterinário e especialista em processos de qualidade na Cobb-Vantress

A idade e o peso do frango a ser abatido é variável nos diferentes países e pode estar entre 4 e 10 semanas e pesos entre 1,5 quilo e 3,2 quilos. A programação de abate pelo peso das aves, assim como a uniformidade, deve ser o principal foco a fim de atender o mix de produto de cada mercado, garantir melhor custo de produção e rendimentos.

Uma vez que as aves alcançam as metas de abate, existem vários fatores que podem impactar significativamente a qualidade da carcaça. Um fator importante para reduzir as perdas, melhorar os rendimentos e obter produtos de alta qualidade é a implementação de um programa de retirada de ração pré-abate ideal.

O objetivo principal da retirada de ração é reduzir a probabilidade de contaminação por ingesta fecal e/ou biliar das carcaças durante o processo de evisceração. Esta retirada também minimiza o desperdício de ração não digerida que pode estar no trato gastrointestinal (GI).

A quantidade e consistência do conteúdo no trato GI no processamento estão diretamente relacionadas à ingestão de ração e água antes do carregamento e ao tempo em que o trato GI é esvaziado durante a retirada da alimentação. A taxa de limpeza do trato gastrointestinal é afetada pelas condições ambientais (temperatura ambiental), programas e intensidade de luz, disponibilidade e ingestão de água, saúde geral do lote, composição da dieta e atividade e excitação das aves.

As recomendações para períodos ideais de retirada da ração para frangos de corte antes do abate variam de 8 horas a 12 horas para reduzir a contaminação e as perdas, otimizar o rendimento e a qualidade de carcaça.

Na prática, esse tempo pode ser variável dependendo das características intrínsecas de cada empresa, quanto a logística, ao tipo e a localização dos galpões e equipamentos e o tempo de espera. Considerando a suspenção das linhas de comedouros e o corte de água em todo o galpão, o jejum pode ser ótimo nas primeiras cargas e péssimo nas últimas, ou ao contrário. Portanto, o tempo completo de carregamento de todo o galpão é fundamental para que todas as aves tenham jejum próximos ao ideal. Períodos de jejum pré-abate abaixo de 8 horas são possíveis e utilizados com sucesso por muitas empresas.

No entanto, para períodos mais curtos de retirada da alimentação, atenção especial deve ser dada à ingestão de água, pois ela contribui diretamente para a digestão e limpeza do trato gastrointestinal. A água deve permanecer disponível para as aves após a suspensão da ração por no mínimo de 3 a 6 horas, dependendo da temperatura ambiente.

O maior desafio de campo é fazer com que as aves bebam água suficiente, especialmente em climas mais frios (abaixo de 17°C). Para estimular a ingestão de água, pode-se caminhar lentamente entre as aves. Além disso, se possível, aquecer o galpão 2°C a 3°C acima da temperatura desejada por curtos períodos de 3 a 4 minutos, observando o comportamento das aves e a ingestão de água. Esse procedimento pode ser repetido várias vezes, e quando adotado, deve ser seguido com a máxima atenção para evitar estresse por calor e mortalidades.

Encolhimento

A perda de peso das aves durante o período entre a retirada da ração e o abate é conhecida como encolhimento. O tempo ideal de retirada da alimentação deve ser longo o suficiente para permitir a limpeza adequada do trato gastrointestinal GI, mas curto o suficiente para reduzir o encolhimento o quanto possível. O encolhimento tem impactos econômicos significativos no peso vivo na granja e no rendimento de carcaça na planta de processamento. Para frangos de corte, a perda de peso durante as horas iniciais (5 a 6 horas) da retirada do alimento é atribuída à limpeza do trato gastrointestinal. Esta perda de peso inicial, que é relatada como variando de 0,3% a 0,6% do peso vivo por hora, pode variar com base na hora de início da interrupção da alimentação (jejum). Após 12 horas de jejum considera-se uma perda média de 0,5% por hora.

Captura e carregamento de aves

Devido ao impacto na qualidade da carcaça na planta de processamento, os sistemas de captura de frangos de corte evoluíram rapidamente. Entre todos os procedimentos pré-abate, a apanha é a mais estressante e onde ocorre mais lesões físicas e, consequentemente, maiores perdas. As observações de campo mostram que os impactos da apanha são menores em lotes com melhores condições sanitárias e de manejo.

O equipamento de apanha automatizado pode ser usado e adaptado para aviários com diferentes dimensões, mas requer espaço para movimentação das máquinas.

As comparações de custo dos equipamentos automatizados com o custo, a disponibilidade e a qualidade do trabalho manual variam de acordo com a região do mundo. Em geral, essas máquinas têm capacidade de captura de 8.000 a 12.000 aves por hora, requerem de três a quatro operadores, podendo ser adaptadas a qualquer tipo de galpão ou módulo.

No processo manual, evoluímos de captura pelas pernas, pescoço e dorso (uma a uma ou duas a duas aves). A captura deve ser realizada de forma a minimizar o estresse das aves, não causar ferimentos e garantir o bem-estar.

Na apanha pelo dorso, descendo as gaiolas no galpão e cercando as aves em pequenos grupos com as próprias gaiolas facilita a captura e minimiza o percentual de contusões e fraturas.

Conclusões

O momento da retirada de ração pode impactar os custos de produção de frango vivo em termos de perdas de ração e rendimentos (encolhimento), bem como afetar a qualidade na planta de abate por meio da contaminação da carcaça. Da mesma forma, o processo de captura e carregamento pode ter um impacto direto na qualidade e percentual de perdas. Embora a retirada de ração pré-abate e o carregamento sejam apenas uma fração do período total de criação até o abate, esses processos apresentam grandes oportunidades para a indústria aumentar os rendimentos e produtividade, melhorar a qualidade, reduzir os custos e aumentar a lucratividade.

Outras notícias você encontra na edição de Avicultura de janeiro/fevereiro de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural

Avicultura

Vigilância e biosseguridade definem a linha de defesa contra a Influenza aviária, aponta FAO

Documento técnico detalha como monitoramento contínuo, resposta rápida e integração entre saúde animal e humana reduzem o risco de disseminação do vírus nas granjas.

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Fotos: Shutterstock

A Influenza aviária segue como uma das principais ameaças sanitárias à avicultura mundial, com potencial de provocar mortalidade elevada nos plantéis, embargos comerciais e impactos diretos na renda dos produtores. Em documento técnico recente, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura sistematiza recomendações práticas para vigilância, prevenção e controle da doença, com foco na detecção precoce e na contenção rápida de focos.

A base da estratégia, segundo a entidade, está na vigilância contínua. Isso inclui monitoramento ativo em granjas comerciais, criações de subsistência e mercados de aves vivas, além da observação de aves silvestres, especialmente migratórias, que podem atuar como reservatórios do vírus. A eficácia desse sistema depende de notificação imediata de sinais clínicos suspeitos e de capacidade laboratorial para diagnóstico rápido e confiável.

A biosseguridade aparece como o principal filtro para impedir a entrada do vírus nas propriedades. O controle rigoroso de acesso de pessoas, veículos e equipamentos, a separação física entre aves domésticas e silvestres, a desinfecção sistemática de instalações e o manejo correto de resíduos e carcaças são medidas consideradas críticas. A origem da água e da ração também é citada como ponto sensível.

Quando há suspeita ou confirmação da doença, a orientação é agir sem atraso: isolamento imediato da propriedade, abate sanitário das aves infectadas e expostas, desinfecção completa das instalações e restrição de movimentação na área afetada. A comunicação rápida entre produtores e autoridades sanitárias é tratada como componente operacional do controle.

A vacinação é descrita como ferramenta complementar, aplicável conforme o cenário epidemiológico local. A decisão de utilizá-la deve considerar a circulação do vírus, a capacidade de monitorar a eficácia da imunização e os possíveis efeitos sobre o comércio internacional.

O documento também reforça a dimensão transfronteiriça da Influenza aviária. O compartilhamento de dados epidemiológicos e laboratoriais entre países é apontado como condição para respostas regionais mais eficazes. Algumas cepas do vírus podem infectar humanos, o que exige integração entre saúde animal e saúde pública dentro do conceito de Uma Só Saúde.

Para a FAO, sistemas de vigilância bem estruturados, protocolos rígidos de biosseguridade e coordenação entre os diferentes níveis do serviço veterinário oficial são os elementos que determinam a capacidade de um país em reduzir riscos sanitários, econômicos e de saúde pública associados à Influenza aviária.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura

Monoglicerídeos na avicultura: ação antimicrobiana e integridade intestinal como pilares da eficiência produtiva

Moléculas com mecanismos complementares ganham espaço como estratégia nutricional frente aos desafios entéricos e respiratórios em frangos de corte.

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Foto: Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Mariane Marques, mestre em Nutrição, Coordenadora Técnica da Feedis

A interação entre microbiota e resposta imune é determinante para a manutenção da integridade funcional das aves ao longo do ciclo produtivo. Desafios entéricos associados a Clostridium perfringens e Escherichia coli, assim como agentes respiratórios como o vírus da bronquite infecciosa (IBV), impõem pressão inflamatória constante, redirecionando energia metabólica e comprometendo eficiência produtiva e uniformidade de lote.

Nesse contexto, tecnologias nutricionais baseadas em monoglicerídeos são ferramentas estratégicas no controle do desafio microbiano e na manutenção da eficiência produtiva.

Ação direcionada: o papel da α-MONOLAURINA

A α-monolaurina é um monoglicerídeo derivado do ácido láurico com elevada afinidade por membranas lipídicas, especialmente de bactérias Gram-positivas e vírus envelopados. Sua estrutura anfipática permite a inserção na bicamada celular, promovendo desorganização da membrana e consequente inativação do patógeno.

Em frangos de corte, sua atuação é especialmente relevante frente a Clostridium perfringens, agente frequentemente associado às enterites bacterianas, contribuindo para menor pressão microbiana e maior estabilidade intestinal sob desafio.

Além da atividade antimicrobiana direta, evidências recentes indicam efeito modulador sobre a resposta imune. Pesquisadores demonstraram que aves vacinadas contra bronquite infecciosa e suplementadas com α-monolaurina apresentaram aumento na titulação de anticorpos, melhora de parâmetros de imunidade celular e modulação de mediadores pró-inflamatórios. Esses achados sugerem que a molécula atua não apenas no controle do patógeno, mas também no suporte funcional à imunocompetência em condições de desafio sanitário.

Atuação sobre bactérias gram-negativas: o papel da α-MONOBUTIRINA

A α-monobutirina é um monoglicerídeo com atuação mais eficiente contra bactérias Gram-negativas, cuja estrutura celular apresenta maior complexidade devido à presença de membrana externa rica em lipopolissacarídeos. Sua configuração molecular favorece a interação com a membrana bacteriana e facilita a penetração da molécula, permitindo interferência direta na fisiologia celular.

Uma vez no meio intracelular, sua ação está associada à alteração do equilíbrio do gradiente de prótons e à interferência em processos metabólicos essenciais, comprometendo a produção de energia e a manutenção da viabilidade bacteriana. Esse mecanismo assume papel estratégico frente a microrganismos Gram-negativos associados a desafios entéricos na avicultura.

Em estudo conduzido em 2022 com poedeiras comerciais, a suplementação de α-monobutirina resultou em redução significativa do filo Proteobacteria, grupo que reúne diversas bactérias Gram-negativas potencialmente associadas à disbiose intestinal, incluindo gêneros como Escherichia, Salmonella e Enterobacter.

Em sistemas produtivos sob pressão sanitária contínua, alterações na dinâmica da microbiota intestinal repercutem diretamente sobre conversão alimentar e viabilidade de lote. A redução da carga de bactérias Gram-negativas favorece maior previsibilidade de resultados e menor variabilidade produtiva ao longo do ciclo.

Conclusão

A atuação complementar da α-monolaurina e da α-monobutirina amplia o espectro de controle microbiano, abrangendo bactérias Gram-positivas, Gram-negativas e vírus envelopados, além de modular a resposta imune do hospedeiro. Enquanto a α-monolaurina exerce ação direcionada sobre membranas lipídicas e contribui para o suporte imunológico, a α-monobutirina interfere na fisiologia de bactérias Gram-negativas e na dinâmica da microbiota intestinal.

Essa abordagem integrada permite reduzir a pressão microbiana e inflamatória sob diferentes cenários de desafio sanitário, favorecendo maior previsibilidade produtiva em sistemas avícolas modernos.

As referências bibliográficas estão com a autora. Contato: mariane.marques@feedis.com.br

Á edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura

Portos do Paraná concentra quase metade das exportações de frango do Brasil

Terminal de Paranaguá embarcou 819 mil toneladas no 1º trimestre de 2026 e respondeu por quase metade das exportações brasileiras do produto.

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Foto: Shutterstock

De cada dois quilos de carne de frango exportados pelo Brasil no primeiro trimestre de 2026, um saiu pelo Porto de Paranaguá, conforme dados do Comex Stat, sistema do governo federal que reúne dados sobre o comércio exterior, e do centro de estatísticas da Portos do Paraná. Ao todo, o terminal paranaense, que é o maior corredor de exportação de carne de frango congelada do mundo, embarcou 819 mil toneladas, o que corresponde a 47,8% das exportações brasileiras do produto no período.

Foto: Jonathan Campos/AEN

Na comparação com os três primeiros meses de 2025, a movimentação foi 15,4% maior. Somente no mês de março, o volume embarcado superou 215 mil toneladas. Os principais destinos do frango brasileiro são China, África do Sul, Japão e Emirados Árabes Unidos.

A carne bovina também apresentou crescimento nos embarques no primeiro trimestre de 2026. Foram enviadas de janeiro a março deste ano 176.812 toneladas, volume 18% maior que do mesmo período de 2025 (149.462 toneladas). Os embarques pelo porto paranaense representaram mais de 25% das exportações brasileiras realizadas no período.

O terminal atende cargas provenientes de diversas partes do País, incluindo estados da região Norte. “A eficiência nas operações e a estrutura de acondicionamento de contêineres refrigerados tornam o porto altamente competitivo”, destacou o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia.

Para atender à crescente demanda, o Terminal de Contêineres de Paranaguá conta com a maior área de recarga para contêineres refrigerados (reefers) da América do Sul, com 5.268 tomadas. É também o único terminal portuário do Sul do Brasil com ramal ferroviário.

No primeiro trimestre, o volume de cargas conteinerizadas no terminal de Paranaguá somou 2,5 milhões de toneladas em 411 mil TEUs, medida comumente usada para contêineres (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés, ou seis metros de comprimento). Do total movimentado no terminal de contêineres, 42% são mercadorias refrigeradas.

Fonte: AEN-PR
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