Avicultura
Importância da monitoria dos programas vacinais de Gumboro e Newcastle: qual melhor momento da rotação de programa?
Implementação de um programa vacinal pensado para proteção clínica de frangos de corte contra essas duas principais doenças imunossupressoras da avicultura constitui a base para que essas aves possam expressar seu potencial genético produtivo e contribuir para um controle desses agentes infecciosos no ambiente.

A seleção para características produtivas é concorrente a competência de resposta imunológica, de modo que aves de produção (seja para carne, reprodução ou ovos) somente podem expressar seu potencial zootécnico sem que tenha havido comprometimento do status sanitário.
A implementação de um programa vacinal pensado para proteção clínica de frangos de corte contra duas principais doenças imunossupressoras da avicultura, Marek e Gumboro, constitui a base para que essas aves possam expressar seu potencial genético produtivo e contribuir para um controle desses agentes infecciosos no ambiente. A ocorrência de doenças imunossupressoras exerce efeito importante nos resultados zootécnicos, pois a ave depende da integridade do sistema imune para responder aos desafios.
Recentemente, tem crescido o interesse na proteção contra desafios respiratórios decorrentes pela infecção pelo vírus de Newcastle de baixa patogenicidade, seja em decorrência de desafios regionais ou sazonais ou por demandas de mercados importadores de produtos cárneos de frango. Para atender a essa demanda, programas de vacinação para Newcastle passaram a integrar o programa vacinal basal, somado a Marek e Gumboro.
Com a inclusão da doença de Newcastle na lista de agentes importantes de prevenção para frangos de corte, ficou evidente que conhecer a realidade de cada empresa e região para esse fator é determinante para a tomada de decisão do programa vacinal mais adequado. Um bom programa de vacinação deve contemplar as características do desafio e fatores inerentes a patogenecidade do agente, sua relação com o meio ambiente e o nível de risco de infecção do hospedeiro animal.
Tecnologias vacinais
Os programas vacinais para frangos de corte podem ser constituídos de diferentes formas e a vacinação no incubatório para esses agentes passou a ser um marco na história da avicultura, ao passo que traz garantia e uniformidade de aplicação e precocidade de resposta imune quando comparado a vacinação tradicional de Gumboro nas granjas. Com o objetivo de migrar a forma de vacinação do campo para o incubatório, buscando os benefícios supracitados, a primeira geração de vacinas tecnológicas de Gumboro foi desenvolvida na década de 90 e é representada pelas vacinas de complexo imune, capaz de promover a proteção contra a doença de Gumboro mesmo a animais de diferentes níveis de anticorpos maternos. A vacina de complexo imune deve ser administrada juntamente a uma vacina para Marek (HVT) para que a proteção seja conferida às duas importantes doenças imunossupressoras.
Ano mais tarde, a segunda geração tecnológica de vacinas foi apresentada ao mercado em uma disruptiva forma de construção de vacinas com o surgimento de uma vacina vetorizada com vetor de vírus de Marek expressando a proteína VP2 do vírus de Gumboro, combinando desta forma a proteção contra duas enfermidades importantes para a avicultura – Marek e Gumboro – em uma só aplicação.

Figura 1 – Representação do mecanismo de proteção para tecnologias vacinais de Gumboro de complexo imune (à esquerda) e vetorizadas (à direita).
Anos mais tarde, a busca pela conveniência da proteção para múltiplas doenças aliada a evolução da tecnologia em construção de vacinas vetorizadas baseadas em vetor HVT culminou na vacina vetorizada de vetor HVT expressando não só a proteína VP2 do vírus de Gumboro, mas também uma proteína F de um vírus da doença de Newcastle.

Figura 2 – Expressão de proteínas VP2, do vírus do Gumboro, e F, do vírus de Newcastle, em vetor HVT para vacina vetorizada HVT+IBD+ND.
Independentemente dos produtos vacinais e diferenças entre eles, principalmente naqueles de mais recente geração, as opções disponíveis trazem flexibilidade ao mercado. As empresas produtoras poderão optar pela tecnologia e espectro de proteção que fizer sentido as exigências de clientes e diferentes características locais.
Monitorias sanitárias como ferramentas de decisão
Uma análise de risco de agentes infecciosos para empresas e regiões pode apontar indicadores para estabeler o programa vacinal mais adequado em cada situação, e as monitorias sanitárias ativas de rotina tem importância crucial para isso. Os laboratórios são fonte de dados e laudos que, junto aos resultados zootécnicos, deveriam servir como suporte à decisão relacionada à manutenção ou as modificações nos programas sanitários.
As monitorias sanitárias podem ser estabelecidas utilizando-se diferentes metodologias analíticas, como sorologias, histologia e biologia molecular. A sorologia pode ser utilizada desde a monitoria da qualidade vacinal até a inferência do nível de pressão de infecção por determinados agentes infecciosos. Já a biologia molecular pode revelar informações referentes aos agentes infecciosos específicos tais como identificação, filogenia e até mesmo quantificação. A histologia tem importância no estudo comparativo de tecidos saudáveis e patológicos, podendo auxiliar no diagnóstico de manifestações clínicas ou de acompanhar o grau de lesão em um tecido.
Com o objetivo de simplificar a análise de dados obtidos com as monitorias laboratoriais combinadas às variações nos resultados zootécnicos, usamos como forma de monitoria ativa em clientes o Programa de Imunização Unificada (Índice PIU), uma ferramenta capaz de traduzir os dados laboratoriais em informações objetivas do potencial de cada empresa, respeitando suas características, auxiliando o produtor a tomar a decisão mais assertiva.
Esta ferramenta está em atuação desde 2020 e alguns exemplos de sua utilização como um indicador da eficácia e eficiência do programa vacinal instituído tem chamado a atenção e aqui trazidos em três casos exemplares.
Em uma empresa do estado do Paraná o Índice PIU de um programa vacinal para Gumboro foi obtido em três momentos ao longo do ano (Figura 3). Percebemos que o mesmo programa vacinal, ao longo do ano, não alterou significativamente o Índice PIU em épocas de maior ou menor temperatura ambiental média.

Figura 3 – Índice PIU ao longo do ano em uma empresa do estado do Paraná. Estão indicados temperaturas máximas e mínimas e índice médio de precipitação para os períodos.
Isso demonstra que um mesmo programa vacinal pode ser utilizado ao longo do tempo sem representar alterações significativa nos indicadores, mesmo que pequenas flutuações desses indicadores ocorrerão naturalmente.
O segundo exemplo demonstra o aumento do Índice PIU comparando-se o momento da primeira análise com a segunda, no mesmo ano, em uma empresa do estado de Minas Gerais. Nota-se, no entanto, que o programa vacinal (B) continou sendo o mesmo.

Figura 4 – Índice PIU ao longo do ano em uma empresa do estado de Minas Gerais. . Estão indicados temperaturas máximas e mínimas e índice médio de precipitação para os períodos.
Neste caso, correções de fatores pontuais com treinamentos de vacinação no incubatório, acompanhamento de práticas de manejo e melhorias do programa vacinal em matrizes possibilitaram a melhora dos índices de um mesmo programa vacinal.
O Índice PIU também pode ser útil para avaliar a situação atual e, em melhor adaptando o programa vacinal a realidade e necessidades de cada empresa, monitorar o desempenho da alteração de programa sugerida, como ocorrido em uma empresa do estado do Paraná diferente daquela do primeiro exemplo (Figura 5).

Figura 5 – Índice PIU em dois momentos distintos: na monitoria de situação e logo após a troca do programa vacinal e dois anos após a troca do programa, na monitoria de acompanhamento no longo prazo em uma empresa do estado do Paraná. Estão indicados temperaturas máximas e mínimas e índice médio de precipitação para os períodos.
Durante a primeira monitoria foi observado que o programa vacinal adotado pela empresa não estava condizente com a necessidade e o potencial produtivo que ela tinha naquele momento. Houve então uma mudança do programa vacinal e acompanhamento contínuo de monitorias e treinamento de equipes. Após dois anos com o mesmo programa vacinal A ininterruptamente, o Índice PIU mostrou uma melhora significativa, corroborando com os melhores resultados zootécnicos.
Considerações finais
E afinal, qual o melhor momento para rotacionar o programa vacinal? Cada tecnologia vacinal traz seus benefícios e, devido às particularidades de cada uma, também seus impactos. Qual a necessidade referente ao equilíbrio entre proteção para Marek, Gumboro e Newcastle e produtividade? O fator de sazonalidade é importante para a região e empresa?
Perguntas como essas merecem atenção e devem ser respondida com base em uma monitoria sanitária bem estabelecida e robusta, que possa trazer informações ao longo do tempo e que, de forma clara, demonstre os impactos e potenciais de forma rotineira.
Para cada necessidade, sendo ela no tempo ou no espaço, as empresas devem contar com a flexibilidade dos melhores produtos vacinais para melhor adaptá-los à sua estratégia. Fica claro que, em se respeitando os fundamentos básicos das boas práticas de vacinação, os programas vacinais não tem um prazo de vencimento pré-estabelecido. Ou seja, determinar antecipadamente um prazo máximo para que um programa vacinal seja utilizado a campo parece ser mera especulação.
Com a implementação de um programa de monitoria sanitária rotineira de maneira correta deixamos de lado os achismos e pré-conceitos para deixarmos as aves responderem “Como está meu programa vacinal? Será que tenho que mudá-lo?”. As decisões produtivas e estratégicas são tomadas com base em dados, então porque a decisão do momento de adaptação do programa vacinal deve ser deixado ao acaso.
As referências bibliográficas estão com os autores. Contato via: thaynara.costa@boehringer-ingelheim.com.
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Avicultura
Escassez de mão de obra expõe falhas de liderança e gestão na avicultura
Painel no 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura defendeu integração entre tecnologia, propósito e método para reduzir turnover e sustentar a produtividade nas granjas e na indústria.

A escassez de mão de obra e os desafios relacionados à gestão de pessoas na cadeia produtiva pautaram o debate do painel “Capital humano em crise: o futuro da mão de obra na avicultura” durante o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), que contou com a participação dos especialistas Delair Bolis, Joanita Maestri Karoleski e Vilto Meurer, além da coordenação de Luciana Dalmagro, na última terça-feira (07), no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).

Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
Os palestrantes abordaram os impactos da carência de profissionais no campo e na indústria, destacando a necessidade de repensar estratégias de atração, formação e retenção de talentos na avicultura. O debate também trouxe reflexões sobre as transformações tecnológicas e a necessidade de integração entre gestão de pessoas e inovação como caminho para manter a competitividade do setor.
A executiva Joanita Maestri Karoleski, conselheira, mentora e ex-CEO da Seara, iniciou o Painel Gestão de Pessoas com uma análise estratégica sobre as transformações estruturais que impactam a disponibilidade e o perfil da mão de obra na avicultura e no agronegócio. Segundo ela, o cenário atual vai além da escassez de profissionais. “Nós estamos vivendo uma mudança estrutural. Não é um fenômeno pontual. Temos o envelhecimento da população, a queda nas taxas de natalidade e, ao mesmo tempo, uma transformação profunda na forma como as novas gerações enxergam o trabalho”, destacou.
A palestrante explicou que os profissionais mais jovens chegam ao mercado com expectativas diferentes, valorizando propósito, desenvolvimento e flexibilidade. “As novas gerações não estão apenas buscando emprego, mas sim significado no que fazem. Isso exige adaptação das empresas e, principalmente, das lideranças”, afirmou.
Nesse contexto, Joanita trouxe uma provocação central do painel: o problema pode não estar na falta de pessoas, mas na forma como as

Conselheira, mentora e investidora, com mais de 30 anos de experiência em posições de alta liderança, Joanita Maestri Karoleski: “Talvez não estejamos diante de um apagão de mão de obra, mas de um apagão de liderança. As pessoas não desapareceram, elas estão menos dispostas a trabalhar em ambientes mal estruturados, com gestão fraca ou sem uma proposta clara de valor” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
organizações estão estruturadas. “Talvez não estejamos diante de um apagão de mão de obra, mas de um apagão de liderança. As pessoas não desapareceram, elas estão menos dispostas a trabalhar em ambientes mal estruturados, com gestão fraca ou sem uma proposta clara de valor”, pontuou.
Ela destacou ainda que um dos principais desafios está na capacidade de integrar diferentes gerações dentro das organizações. “Pela primeira vez, temos três ou até quatro gerações convivendo simultaneamente dentro das mesmas empresas, com expectativas e formas de trabalhar muito distintas entre si. Isso exige líderes preparados para lidar com essa complexidade”, explicou.
Outro ponto abordado foi a necessidade de reposicionar o capital humano como elemento central da estratégia empresarial. “Ainda vemos empresas que dão mais atenção à compra de equipamentos do que ao desenvolvimento das pessoas. O capital humano precisa estar na agenda estratégica, inclusive nos conselhos administrativos, porque é ele que sustenta o crescimento no longo prazo”, afirmou.
Joanita também apresentou caminhos para enfrentar o desafio, estruturados em diferentes níveis organizacionais, desde o conselho até a operação. Segundo ela, o desenvolvimento de lideranças, especialmente na média gestão, é um dos fatores mais críticos para transformar a realidade das empresas.
A mentora também deixou uma reflexão sobre o futuro do trabalho na avicultura. “A pergunta não é mais onde estão as pessoas. A

Com 39 anos de experiência na agropecuária, Vilto Meurer, deu sequência ao Painel: “O grande desafio está na captura e retenção dessas pessoas. Precisamos entender o que as empresas, os gestores e os próprios profissionais podem fazer para reduzir o turnover e tornar o ambiente de trabalho mais atrativo” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
pergunta é: por que alguém escolheria trabalhar aqui e não em outro lugar? Quando conseguimos responder isso, começamos a resolver o problema de forma consistente”, salientou.
Relacionamento empresa x profissionais
Com 39 anos de experiência na agropecuária e trajetória de longa data na BRF, onde encerrou sua carreira como diretor de produção agropecuária, Vilto Meurer, deu sequência ao Painel, demonstrando práticas voltadas à realidade do campo e da indústria, com foco em estratégias de captação e retenção de pessoas.
Segundo o palestrante, o enfrentamento da escassez de mão de obra passa pela forma como as empresas se relacionam com seus profissionais. “O grande desafio está na captura e retenção dessas pessoas. Precisamos entender o que as empresas, os gestores e os próprios profissionais podem fazer para reduzir o turnover e tornar o ambiente de trabalho mais atrativo”, afirmou.
Vilto destacou que, diante da escassez de mão de obra, o papel da liderança ganha ainda mais relevância dentro das organizações. Segundo ele, o gestor precisa ir além do conhecimento técnico e assumir uma atuação estratégica na condução das equipes. De acordo com o especialista, três pilares sustentam a atuação de um bom gestor: liderança, conhecimento técnico e método de gestão. “Não basta conhecer o processo produtivo. É preciso saber liderar pessoas, construir confiança, mobilizar equipes e estabelecer uma comunicação clara e eficiente”, enfatizou.
Entre os principais atributos da liderança, Vilto destacou a capacidade de engajar pessoas e gerar senso de pertencimento. “O profissional precisa sentir que faz parte do resultado, desenvolver o sentimento de dono e entender a importância do seu trabalho dentro do sistema produtivo”, explicou.
No campo da motivação, o especialista ressaltou que o engajamento está diretamente ligado a três fatores fundamentais: saber, poder e querer. “Para executar bem uma função, o profissional precisa ter conhecimento, condições adequadas de trabalho e, principalmente, vontade de fazer. É essa combinação que gera engajamento”, afirmou.
Retenção de talentos
Vilto também chamou atenção para a importância do propósito como elemento central na retenção de talentos. “Propósito é o significado do trabalho. Quando a pessoa entende o impacto daquilo que faz no resultado final, ela se envolve mais e permanece na atividade”, destacou.
Outro ponto abordado foi a necessidade de adaptação das estratégias de gestão ao perfil das diferentes gerações presentes nas empresas. Segundo ele, cada geração possui comportamentos, expectativas e formas de relacionamento com o trabalho distintas, o que exige uma liderança mais flexível e preparada para lidar com essa diversidade.
O palestrante enfatizou que a capacitação contínua é essencial para o desenvolvimento das equipes. Ele apresentou práticas como integração estruturada, programas de mentoria, treinamentos progressivos e trilhas de carreira como ferramentas importantes para alinhar aprendizado, produtividade e crescimento profissional.
Vilto também reforçou que a formação de adultos exige metodologia adequada. “O adulto aprende de forma diferente. É necessário utilizar métodos que conectem teoria e prática”, explicou.
O especialista sintetizou que a retenção de pessoas está diretamente ligada à combinação entre gestão eficiente e propósito. “Pessoas motivadas, com clareza de propósito e inseridas em um modelo de gestão simples e bem estruturado, geram melhores resultados e reduzem significativamente o turnover”, concluiu. Vilto também apresentou ferramentas práticas para formação e desenvolvimento de equipes, destacando metodologias utilizadas na extensão rural que podem ser aplicadas na agroindústria. “Existem métodos que funcionam muito bem para capacitação de pessoas, como o método do arco e técnicas de transferência de tecnologia. São ferramentas que ajudam a desenvolver profissionais de forma mais eficiente e que podem ser utilizadas dentro das empresas”, explicou.

Médico-veterinário Delair Bolis: “A diminuição da mão de obra é uma realidade que tende a escalar. Não é um problema que vai passar, exige mudanças estruturais na forma como trabalhamos” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
Ele reforçou, ainda, que a combinação entre pessoas, propósito e gestão é determinante para o futuro do setor. “Pessoas motivadas, com propósito claro e inseridas em um modelo de gestão eficiente geram melhores resultados. Esse é o caminho para aumentar a produtividade e reduzir os impactos da escassez de mão de obra”, destacou.
Uso estratégico da tecnologia
O médico-veterinário Delair Bolis, presidente da MSD Saúde Animal no Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia, com mais de 25 anos de atuação na indústria de saúde animal, seguiu o debate salientando que a escassez de mão de obra é uma realidade estrutural e crescente na avicultura, tanto do ponto de vista quantitativo quanto qualitativo. De acordo com Bolis, o setor precisa compreender que esse não é um problema temporário. “A diminuição da mão de obra é uma realidade que tende a escalar. Não é um problema que vai passar, exige mudanças estruturais na forma como trabalhamos”, afirmou.
Bolis chamou atenção para a defasagem dos modelos de trabalho frente às transformações do mercado. “Nós ainda operamos, muitas vezes, com estruturas que não acompanharam a evolução do setor. A questão não é só falta de pessoas, mas se o modelo de trabalho ainda é competitivo e atrativo para elas”, destacou.
Diante desse cenário, o especialista reforçou que as principais ferramentas de transformação estão no uso estratégico da tecnologia e no desenvolvimento de lideranças. “O que está sob nosso controle é como tecnificar os processos e preparar pessoas com maior capacidade de utilizar essa tecnificação para melhorar sistemas, processos e a própria liderança”, pontuou.
O palestrante alertou que a tecnificação precisa ser aplicada com critério. “Não se trata de tecnificar tudo que é possível, mas sim aquilo que precisa ser modernizado. A tecnologia precisa estar conectada à estratégia e às pessoas, não apenas à automação indiscriminada”, explicou.
Outro ponto comentado foi a mudança no perfil das funções dentro da cadeia produtiva. “Com menos pessoas no campo, cada profissional passa a ser responsável por mais processos. Não é mais sobre executar tarefas isoladas, mas sobre entender e gerir o processo como um todo”, ressaltou.
Bolis também abordou a importância do fator humano na eficiência operacional. “Quem entende de pessoas melhora processos. A liderança passa a ter um papel ainda mais decisivo, porque ela conecta tecnologia, pessoas e resultados. O futuro não será definido pela disponibilidade de mão de obra, mas pela nossa capacidade de reinventar o trabalho dentro da avicultura”, evidenciou.
A mediação do painel foi conduzida pela produtora rural, empreendedora e referência em liderança e sustentabilidade no agronegócio, Luciana Dalmagro, que contribuiu para integrar diferentes visões sobre o tema. “Foram grandes ensinamentos, falando de aspectos de liderança, habilidades que as pessoas que estão iniciando no mercado precisam desenvolver e, para quem está há mais tempo, os profissionais mostraram a importância do olhar humanizado para os colaboradores”, acrescentou.
Avicultura
“Conhecimento técnico só gera valor quando entra na rotina de quem executa”, apontam especialistas no SBSA
Kali Simioni e João Nelson Tolfo detalharam durante o evento como diagnóstico, comunicação e liderança técnica determinam a adoção de boas práticas nas granjas.

O Bloco “Conexões que Sustentam o Futuro” colocou em pauta a conversão do conhecimento técnico em resultados práticos no campo durante o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura. O encontro integrou a programação do evento promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas, realizado no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).
A palestra “Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura”, reuniu os especialistas Kali Simioni e João Nelson Tolfo, com reflexões sobre gestão, comportamento e eficiência na produção.
Com mais de 18 anos de experiência na avicultura industrial, Tolfo destacou o papel estratégico dos profissionais que atuam diretamente no campo. “Quem leva orientação para o campo faz extensão do conhecimento. Esse trabalho exige conexão, engajamento e capacidade de gerar significado para o produtor, para que as orientações realmente se transformem em resultado”, afirmou.

Engenheira agrônoma Kali Simioni: “Não basta levar métodos ou padrões. É preciso entender a realidade de cada propriedade” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
A engenheira agrônoma Kali, com mais de 22 anos de atuação no setor, reforçou que a chave está na conexão entre pessoas. “Não basta levar métodos ou padrões. É preciso entender a realidade de cada propriedade, o processo de decisão e conectar-se com o produtor para que a orientação se torne prática no dia a dia”, explicou.
Segundo os palestrantes, um dos principais gargalos da produção está na falta de conexão e comunicação assertiva, o que dificulta a adoção de tecnologias e boas práticas. Cada propriedade deve ser entendida como um sistema único. “Resultados diferentes acontecem porque as pessoas fazem de formas diferentes. Onde existe variabilidade, existem oportunidades de melhoria”, destacaram.
A palestra também trouxe uma abordagem prática sobre como transformar teoria em ação, destacando a importância de diagnósticos estruturados, identificação de gargalos e intervenções direcionadas. Métodos de extensão rural, como o arco, foram apresentados como ferramentas para acelerar a tomada de decisão e gerar mudanças efetivas no campo.
Outro ponto central foi o papel do profissional de alta performance. “Para gerar resultado, é preciso desenvolver três pilares: conhecimento técnico, domínio de método e liderança. O profissional precisa se tornar interessante e isso começa sendo interessado, ouvindo e entendendo o processo”, reforçaram.
Os especialistas também destacaram que toda decisão no campo é influenciada por fatores como experiência, cultura, histórico produtivo e percepção de risco, exigindo uma abordagem individualizada e focada na realidade de cada produtor. “Conhecimento técnico só gera valor quando entra na rotina de quem executa”, ressaltaram os profissionais.
Avicultura
SBSA reúne mais de 2,5 mil profissionais e reforça debate técnico sobre sanidade, nutrição e mercado avícola
Evento do Nucleovet teve público recorde, feira com mais de 70 empresas e programação focada em biosseguridade, gestão e competitividade internacional do frango brasileiro.

Chapecó, no Oeste catarinense, foi ponto de encontro de debates que movimentam a avicultura no Brasil e no mundo. Durante três dias, conhecimento, inovação e conexões movimentaram o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), que encerrou na quinta-feira (09), no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, com um público recorde de mais de 2,5 mil participantes.

Durante três dias, conhecimento, inovação e conexões movimentaram o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
Promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), o Simpósio reuniu profissionais de diferentes regiões do Brasil e do exterior em uma programação intensa, que percorreu temas estratégicos como gestão e mercado, sanidade, nutrição, abatedouro e sustentabilidade. Em paralelo, a 17ª Brasil Sul Poultry Fair ampliou o ambiente de negócios e relacionamento, reunindo mais de 70 empresas em um espaço voltado à apresentação de tecnologias, lançamento de soluções e troca de experiências, fortalecendo a integração entre indústria, pesquisa e campo.

Na avaliação da presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, o evento superou as expectativas – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
Foram três dias de debates técnicos, painéis estratégicos e momentos de interação que aproximaram ciência, campo e indústria, promovendo um ambiente de construção coletiva do conhecimento. Na avaliação da presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, o evento superou as expectativas. “Encerramos a 26ª edição do SBSA com um público recorde de mais de 2.500 pessoas. Tivemos discussões relevantes e muitas conexões importantes, tanto na feira quanto na programação científica. Isso mostra a força do setor e a importância do Simpósio como espaço de atualização e relacionamento”, afirmou.
Ela também destacou que o evento acompanha um setor em constante transformação. Ao longo da programação, temas como sanidade, inovação nutricional, gestão de pessoas e cenários globais evidenciaram que a avicultura vai além da produção, exigindo cada vez mais estratégia, tecnologia e qualificação profissional.
Programação científica

Em paralelo, a 17ª Brasil Sul Poultry Fair ampliou o ambiente de negócios e relacionamento, reunindo mais de 70 empresas em um espaço voltado à apresentação de tecnologias – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
A programação científica percorreu os principais desafios e avanços da avicultura moderna, reunindo especialistas em debates que conectaram teoria e prática. Temas como sanidade avícola, controle de doenças emergentes, nutrição de precisão e saúde intestinal evidenciaram a importância do monitoramento constante, do uso de tecnologias e da evolução das estratégias produtivas para garantir desempenho, biosseguridade e sustentabilidade no setor.
Além dos aspectos técnicos, o Simpósio também ampliou a discussão para temas estratégicos, como gestão de pessoas, cenário global e aplicação do conhecimento no campo. As palestras reforçaram que a competitividade da avicultura passa pela qualificação profissional, pela capacidade de adaptação às transformações do mercado e, principalmente, pela conexão entre pessoas, processos e inovação. “O SBSA também mostrou o papel do Brasil no cenário internacional, como maior exportador mundial de carne de frango, com presença em mais de 150 mercados. Isso demonstra a responsabilidade do setor e a necessidade de estarmos sempre atualizados e preparados para os desafios globais”, completou Aletéia.
Ação social

Parte das inscrições será revertida à Rede Feminina de Combate ao Câncer de Chapecó – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
O SBSA também teve espaço para ações sociais. Nesta edição, o lucro da NúcleoStore (loja de artigos personalizados que, a cada Simpósio, beneficia uma instituição de Chapecó. Os participantes puderam adquirir bótons, camisetas de diferentes estampas com uma comunicação mais lúdica sobre o setor, meias, lixocar e mousepads), será destinado à Associação de Voluntários do Hospital Regional do Oeste (Avhro), enquanto parte das inscrições será revertida à Rede Feminina de Combate ao Câncer de Chapecó. A iniciativa destaca o compromisso do Nucleovet em transformar seus eventos em plataformas de impacto social, aproximando os participantes da realidade das instituições e incentivando novas formas de contribuição. “Essas ações mostram que o nosso trabalho vai além da técnica. Queremos contribuir com a comunidade e fortalecer o papel social da entidade, conectando conhecimento com propósito”, enalteceu a presidente.



