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Suínos Estrutura de quarentena foi ampliada

Importância da Estação Quarentenária de Cananéia para a manutenção e o progresso da suinocultura brasileira

A equipe de jornalismo de O Presente Rural esteve em Cananeia durante a inauguração da nova estrutura, uma parceria público-privada que era sonho antigo das empresas de genética que operam no Brasil. Entenda um pouco mais sobre como funciona essa quarentena e sua relevância para o país.

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Fotos: Giuliano De Luca/OP Rural

Todos os anos cerca de três mil suínos reprodutores de alto padrão genético chegam de outros países para o Brasil. Eles são os avôs ou bisavôs, que vão para as granjas de empresas de genética e, de maneira geral, são os primeiros encarregados por povoar as granjas de produtores rurais em todo o país. Em sua vida, cada animal pode ser o responsável por cerca de 60 mil leitões, que vão crescer e chegar à fase de terminação para que seja produzida carne suína e derivados da mais alta qualidade. Para garantir todo o sucesso da cadeia suinícola brasileira, esses reprodutores, porém, não precisam ter somente uma excelente genética. Eles precisam estar saudáveis.

Para garantir que estejam com a saúde em dia, livre de patógenos que possam se disseminar ao longo do processo produtivo e causar graves problemas sanitários e econômicos ao setor, os animais ficam em quarentena. O local é a Estação Quarentenária de Cananeia, no litoral de São Paulo. A fazenda, que já foi responsável por detectar e impedir a entrada de suínos contaminados com PRRS, uma doença da qual o Brasil é livre, acaba de ser ampliada, com a inauguração de mais duas unidades, que vai garantir a importação do dobro de reprodutores para sustentar o progresso da suinocultura brasileira e ajudar a manter se não o melhor, um dos melhores status sanitários do mundo.

Descobrimento de placas comemorativas marcou a inauguração oficial da Estação Quarentenária de Cananeia

A equipe de jornalismo de O Presente Rural esteve em Cananeia durante a inauguração da nova estrutura, uma parceria público-privada que era sonho antigo das empresas de genética que operam no Brasil. Entenda um pouco mais sobre como funciona essa quarentena e porque a Estação Quarentenária de Cananeia (EQC) é tão importante para a manutenção e o progresso da suinocultura.

Fortaleza sanitária brasileira

O chefe de Serviço da EQC, Mateus Carvalho Silva Araújo, explica que os suínos são importados de vários países e, do aeroporto em Viracopos, vão direto para a EQC, que fica é uma ilha, o que garante mais segurança para o setor. Lá, passam cerca de 30 dias até que todos exames e checagens sejam feitos. Se tudo estiver de acordo com as exigências sanitárias brasileiras, o suíno segue para as empresas de genética para dar continuidade ao processo. Mas há casos, no entanto, que doenças são detectadas. Nesses casos, os suínos são abatidos e eliminados na própria Estação.

Chefe de Serviço da EQC, Mateus Carvalho Silva Araújo

“O suínos chegam de vários países do mundo, como Estrados Unidos, Canadá, Noruega e Bélgica. Eles chegam por via aérea e desembarcam no aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP). De lá, são deslocados por via terrestre até a Estação Quarentenária. A gente faz o recebimento dos animais, o alojamento das unidades em quarentenas e se iniciam as observações clínicas, que são importantes, como inspeção visual, exames clínicos mais detalhados se o animal apresentar algum sintoma. A gente se preocupa com a saúde do lote. Claro que a gente vamos examinar individualmente, mas estamos preocupados com doenças infectocontagiosos, então a gente olha o lote como um todo, buscando identificar sinais clínicos que possam ser dessas doenças”, destaca Mateus.

 

Por favor corrigir esse trecho: “Claro que a gente vamos examinar individualmente, mas estamos preocupados com doenças infectocontagiosos, então a gente olha o lote como um todo, buscando identificar sinais clínicos que possam ser dessas doenças”…
O entrevistado no caso fui eu mesmo e com certeza houve um erro grotesco na transcrição da minha fala, pois jamais falaria desta forma.

“Passados sete dias do recebimento, a gente faz uma coleta de sangue e fezes. Esse material vai para o Cedisa (Centro de Diagnóstico de Sanidade Animal), em Concórdia, SC, onde são testadas para doenças de importância para a suinocultura nacional, seja de doenças que o Brasil é livre ou que o Brasil controla. A gente busca mitigar o risco desses patógenos causadores de doenças através desses animais importados. Aos 14 dias é feita nova coleta para exames. Os resultados estando negativos e os animais em boa condição clínica, a gente libera após 30 dias do início da quarentena. Caso tenha algum achado clínico relevante ou resultado laboratorial positivo, iniciamos uma investigação sanitária para detalhar melhor essa condição de saúde e confirmar se realmente é doença contagiosa. Caso confirmado, o lote não sai da EQC, é sacrificado aqui mesmo”, menciona o chefe de Serviço da EQC.

Recentemente, o trabalho impediu que uma doença que não está presente na suinocultura brasileira se disseminasse pela cadeia produtiva. “Tivemos um caso no ano passado de Síndrome Respiratória Reprodutiva de Suínos (PRRS), que o Brasil é livre, nunca teve. E a PRRS acabou ingressando em um lote oriundo dos Estados Unidos. Conseguimos identificar com nossa rotina de diagnóstico e esse lote não ingressou (no sistema produtivo)”, lembra o profissional.

O desafio agora, segundo o profissional é trabalhar com quatro lotes simultâneos, em quatro unidades de produção. Para isso, um rígido controle sanitário e de manejo precisa ser adotado. “Nós dobramos a capacidade de quarentena. O desafio agora é maior. Vamos trabalhar com quatro lotes simultâneos, é preciso ter coordenação entre as equipes de trabalho. Quando um profissional adentra uma unidade, não pode entrar em outra por um período mínimo de cinco dias. Todos os materiais de uso são exclusivos de cada unidade, temos processos de desinfecção e descontaminação de tudo que entra e sai da nossa área de biossegurança, onde estão as unidades. Para se ter uma ideia, são dois banhos para entrar e dois banhos para sair das unidades onde estão os animais”, destaca, reforçando que passam a ser “quatro lotes simultâneos, de empresas diferentes, de origens diferentes, totalmente isolados entre si”.

A estrutura conta com baias coletivas e individuais, possuem moderno sistema de filtragem de ar, com acesso exclusivo aos profissionais que atuam diretamente com os animais, como os médico veterinários. Foram investidos R$ 7 milhões nas obras e equipamentos. Durante a inauguração, foi feita uma visita in loco para visitantes e profissionais de imprensa, coisa que não deve acontecer depois dos primeiros alojamentos.

Parceria

De acordo com Serviço de Registro Genealógico de Suínos (SRGS) da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), cerca de três mil animais chegam a Cananeia todos os anos. Com a evolução da atividade no Brasil, explica o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Genética de Suínos (Abegs), Alexandre Furtado da Rosa, o local ficou pequeno e precisa ser ampliado. “Nos últimos dez anos a suinocultura brasileira vem experimentando um crescimento interessante de produtividade, mas também de novos projetos, sendo mais eficiente, com crescimento de exportações. Ainda, em função do alto grau de status sanitário do nosso plantel e da qualidade genética, as empresas que atuam no mercado brasileiro estão começando a exportar material genético para outros países, que é um movimento meio novo. Normalmente você só importa material para multiplicar aqui, mas em função dessa atualização genética agora temos países, especialmente vizinhos da América do Sul, interessados na importação do produto brasileiro”, frisa.

“Também tivemos a entrada de novas empresas de genética globais que vieram para o Brasil e a EQC começou a ficar

Presidente da Abegs, Alexandre Furtado da Rosa

apertada. Nós tínhamos dois galpões cada um com capacidade para 500 animais, um galpão antigo que foi reformado e um novo construído em 2015, e não estava mais permitido o ingresso de animais. Permitia no máximo 12 introduções por ano. Como aumentou o número de empresas dentro da Abegs, que representa o segmento genético, além desse da questão das exportações de material genético, a gente achou que precisava aumentar o espaço. Nós procuramos o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, na atual gestão da ministra Tereza Cristina, e renovamos o acordo de cooperação técnica. É uma parceria entre Abegs, que é a financiadora dos investimentos, a ABCS (Associação Brasileira de Criadores de Suínos), que é responsável pelo registro genealógico dos animais importados, e o Ministério Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que detém toda a parte oficial da gestão de Cananéia e também dos protocolos de investigação sanitária”, justifica Alexandre Furtado da Rosa, que também é presidente da Agroceres PIC.

“Iniciamos em fevereiro e hoje aqui estamos conseguindo inaugurar esses dois novos galpões para 460 animais cada um, totalmente climatizados para dar conforto térmico aos animais, com filtro de ar que dá uma proteção adicional em relação aos outros galpões. Agora podemos fazer 24 introduções por ano. Estamos muito contentes porque isso vai possibilitar aumentar o fluxo de importação. A gente vai aumentar a qualidade genética do plantel brasileiro e possibilitar a exportação de material para outros países”, menciona.

Para ele, a estrutura é diferenciada em relação a outros países produtores. “Não adianta nada você ter um status sanitário elevadíssimo se você não tem uma genética boa. Cananéia possibilita isso, poucos países no mundo tem algo como essa estrutura, totalmente isolada fisicamente, com poder público instalado nessa parceria público-privada”, frisa.

“O melhor status sanitário do mundo”

Para o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes, a Estação Quarentenária de Cananeia é decisiva para manter o status sanitário. “O status sanitário da suinocultura brasileira sem dúvida

Presidente da ABCS, Marcelo Lopes

nenhuma é o melhor do mundo. O país é livre de diversas doenças que acometem o mundo inteiro, e essa Estação vem de encontro a isso, traz mais segurança nas importações dos reprodutores. Além disso, torna o país exportador de genética. A EQC abriu as portas para que a gente começasse a exportar genética. Temos uma estrutura maravilhosa, do governo federal, onde uma parceira público-privada vem dando certo. Há alguns anos inauguramos o primeiro sítio como experiência dessa PPP e hoje estamos inaugurando os sítios 3 e 4. É um exemplo de parceria a ser seguido”, destaca.

Para proteger esse status, lembra que outras fontes carreadoras de patógenos podem entrar por portos e aeroportos, em alimentos industrializados ou mesmo em ingredientes para a ração dos animais. “Os portos, os aeroportos, enfim, todas as entradas do país precisam ser fiscalizadas, e esse investimento (EQC) fica como exemplo. A cadeia de suínos não pode ter surpresas dessa natureza. Existe um esforço da ABCS, da Abegs e do Mapa para termos mais investimento em biossegurança. Existem diversos protocolos trabalhados com Mapa, caso haja esse tipo de surpresa, para a gente estar preparado, isolar e não acometer o país inteiro”, destaca Lopes.

O secretário de Defesa Agropecuária, do Mapa, José Guilherme Leal, destacou a relação de genética e sanidade, ambos temas centrais da Estação Quarentenária de Cananeia, para o desenvolvimento do setor. “Todo o desenvolvimento da suinocultura brasileira passa por aqui. Garantia os avanços na genética, com a proteção

Secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, José Guilherme Leal

necessária da sanidade”, frisou.

Leal também destacou a parceria entre governo federal e empresas e entidades como um pontos fundamentais para a realização das obras. “Estamos comemorando com muita justiça. Fazer uma parceria entre público e privado nem sempre é fácil. Precisamos primeiro ter disposição para fazer e entender que estamos fazendo as coisas corretas. E isso é que estamos fazendo aqui, (a parceria) que permitiu essa construção. Em pouco tempo, conseguimos fazer um trabalho muito importante para nossa suinocultura”, lembrou.

O secretário do Mapa lembrou “toda a magnitude da suinocultura brasileira, que tem papel importantíssimo para abastecer nossa população, mas também para gerar divisas com as exportações”. Ele reforçou a importância de atender a demanda do setor privado e o trabalho em conjunto com as empresas. “Com essa ampliação, temos condição de atender a demanda do setor privado, pois a limitação física estava estrangulando (as empresas de genética). Temos que comemorar essa parceria reforçada agora com essa ampliação”, mencionou o secretário.

Mais velocidade no progresso genético

O diretor da Topigs Norsvin, André Costa, explica que mais animais importados, com maior frequência, vão acelerar o progresso genético no Brasil. “As empresas de genética têm seus planteis de alto potencial genético localizado em outros países, então é necessário realizar a importação frequente de material genético. Hoje temos a possibilidade de duplicar a importação de nossas granjas núcleo principais, que estão Estados Unidos, Noruega e Canadá. Isso representa não somente mais volume, mas a velocidade com que o melhoramento genético é aplicado”, pontua Costa.

O diretor de Negócios e Marketing da mesma empresa, Adauto Junior Canedo, amplia, exemplificando que esse avanço está em caraterísticas que o mercado quer. “A ampliação do Quarentenário de Cananeia vai possibilitar a importação de um maior número de animais por ano para continuar fazendo nosso melhoramento genético. Somos players de produção e exportação, mas precisamos nos manter competitivos em relação a ganho de peso, conversão alimentar, entre outras características. Aumentando o número de animais importados, você faz uma aceleração nesse melhoramento genético”.

EQC

De acordo com o Mapa, a EQC encontra-se edificada na Ilha de Cananeia, litoral sul do estado de São Paulo, distante 261 km da capital, com acesso 17 km após a cidade de Registro, no sentido São Paulo-Curitiba. A EQC foi construída em área isolada no sul da Ilha, distando aproximadamente 6 km da cidade de Cananéia. As edificações existentes somam uma área construída de cerca de 6,5 mil metros quadrados, dividida entre prédios administrativos, alojamentos, oficinas, estábulos, lavanderia, estação de tratamento de efluentes e outros.

“Além das quarentenas, a estação foi preparada para ser um importante centro brasileiro para a realização de cursos e treinamentos em defesa sanitária animal de interesse do próprio Mapa, de Secretarias de Estado da Agricultura, de universidades e outros.  Para isso, procedeu-se à construção de auditórios, alojamentos e demais instalações para a adequada recepção de participantes e instrutores.

Suínos

Rentabilidade da suinocultura preocupa produtores de Mato Grosso

Apesar do avanço da produção e das exportações brasileiras, preços em queda e margens apertadas desafiam o setor no Estado.

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Foto: Divulgação

Apesar do crescimento da produção e dos recordes nas exportações brasileiras de carne suína, a rentabilidade dos produtores de Mato Grosso vive um dos momentos mais delicados dos últimos anos. A combinação entre preços em queda, custos de produção ainda elevados e dificuldades para ampliar o consumo interno foi um dos principais temas debatidos durante o 5º Simpósio da Suinocultura de Mato Grosso, realizado pela Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat).

Durante o evento, o superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), Cleiton Gauer, apresentou um panorama atualizado da cadeia produtiva e destacou que o Estado segue ampliando seu rebanho e sua produção. Entretanto, esse crescimento não tem se refletido na renda do produtor.

Pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Franco Muller Martins

Segundo ele, após a virada do ano, os preços pagos pelo quilo do suíno apresentaram forte retração, reduzindo significativamente a margem da atividade. “Mesmo com uma leve redução nos custos, principalmente do milho, esse alívio não chegou de forma suficiente ao produtor. Hoje estamos observando alguns dos menores resultados econômicos da série histórica da suinocultura em Mato Grosso”, afirmou.

Gauer explicou que a situação é ainda mais preocupante para produtores que possuem financiamentos e investimentos em andamento, já que a redução da rentabilidade compromete a capacidade de cumprir esses compromissos. Outro ponto destacado foi o comportamento das exportações. Embora o Brasil registre embarques recordes de carne suína, esse desempenho ainda não é suficiente para equilibrar o mercado interno.

“Quando analisamos Mato Grosso, apenas cerca de 15% da produção é destinada à exportação. Ou seja, a maior parte permanece no mercado interno, o que limita o impacto positivo das vendas externas sobre os preços recebidos pelos produtores”, explicou.

Gestão eficiente será decisiva

O pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Franco Muller Martins, reforçou que o cenário exige dos produtores uma gestão ainda mais eficiente das granjas. Durante sua palestra sobre custos de produção e perspectivas para 2027, ele apresentou a metodologia utilizada pela Embrapa para calcular os custos de produção em seis estados brasileiros, entre eles Mato Grosso, disponibilizando informações que servem de referência para produtores.

Superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), Cleiton Gauer

Segundo o pesquisador, embora o Brasil viva um excelente momento nas exportações, esse avanço não foi suficiente para garantir margens satisfatórias aos produtores. “O setor enfrenta hoje preços reduzidos em relação aos custos de produção. Isso exige que o produtor olhe cada vez mais para dentro da propriedade, buscando eficiência, redução de desperdícios e melhoria da gestão”, destacou.

Para Martins, além do trabalho realizado dentro das granjas, será fundamental que toda a cadeia continue investindo em ações de estímulo ao consumo da carne suína. “A ampliação da demanda é um caminho importante para que, no médio prazo, o setor consiga recuperar melhores níveis de rentabilidade”, afirmou.

Além da economia, o pesquisador também abordou a importância da biosseguridade como fator estratégico para manter a competitividade da suinocultura brasileira, tema que também ganhou destaque durante o simpósio.

Para o presidente da Acrismat, Frederico Tannure Filho, a discussão sobre custos de produção, mercado e rentabilidade tornou-se indispensável diante do atual cenário da atividade. “A suinocultura vive um momento de grande evolução tecnológica, mas também de margens cada vez mais apertadas. Por isso, a Acrismat fez questão de reunir especialistas que apresentassem um diagnóstico econômico do setor e apontassem caminhos para que o produtor possa tomar decisões mais seguras. Conhecimento é uma ferramenta essencial para manter a atividade competitiva”, afirmou.

Segundo ele, um dos principais objetivos do 5º Simpósio da Suinocultura de Mato Grosso foi aproximar os produtores das informações técnicas e econômicas que impactam diretamente a rentabilidade das granjas, fortalecendo o setor para enfrentar os desafios dos próximos anos.

Fonte: Assessoria Acrismat
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Suínos

Da creche à sustentabilidade, 6º Encontro Técnico Abraves-SP apresenta estratégias para aumentar eficiência das granjas

Evento em Pirassununga (SP) vai discutir manejo de leitões leves, sanidade, nutrição e sistemas de produção para apoiar decisões técnicas na suinocultura.

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Melhorar a produtividade sem comprometer a sanidade do rebanho exige decisões técnicas em todas as etapas da produção. Manejo de leitões, nutrição, biosseguridade e gestão dos sistemas de criação estão entre os fatores que determinam o desempenho das granjas e influenciam diretamente os custos e os resultados da atividade.

Diante desse cenário, a atualização técnica tornou-se uma ferramenta cada vez mais importante para médicos-veterinários, zootecnistas, consultores e produtores, que precisam incorporar novos conhecimentos à rotina das granjas.

Esses temas estarão em debate no 6º Encontro Técnico Abraves-SP, que será realizado em 09 de setembro, no campus da Universidade de São Paulo (USP), reunindo profissionais da cadeia suinícola para discutir soluções aplicáveis aos sistemas de produção.

Entre os destaques da programação está a palestra do médico-veterinário Vinícius Cantarelli, que abordará estratégias de manejo de leitões leves na fase de creche, uma etapa decisiva para o desempenho dos animais ao longo do ciclo produtivo.

O médico-veterinário Caio Abércio da Silva discutirá a sustentabilidade dos sistemas de produção, apresentando abordagens voltadas à eficiência técnica, econômica e ambiental da suinocultura.

Promovido pela regional paulista da Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos (ABRAVES), o encontro busca aproximar pesquisa científica e prática de campo, oferecendo aos participantes ferramentas para aprimorar a tomada de decisão nas granjas.

A programação completa e as inscrições estão disponíveis aqui.

Fonte: Assessoria ABRAVES
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Suínos

Redução das granjas de reprodutores acende alerta para a genética suína

Artigo destaca a queda no número de GRSCs e defende medidas para preservar a base genética da suinocultura brasileira.

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Foto: Jonathan Campos/AEN

Ao nos referirmos às Granjas de Reprodutores Suínos no Brasil, as chamadas GRSCs, há que se ressaltar, de pronto, o fundamento histórico e a relevância dessas granjas à atividade suinícola nacional, assim como sua relação direta com a organização da classe dos produtores de suínos do Brasil, haja vista que elas deram origem à Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), fundada por um grupo de 48 produtores em 13 de novembro de 1955 no município gaúcho de Estrela, dando-se assim início a um significativo e intenso trabalho de melhoramento do rebanho de suínos no Brasil. E a criação da ABCS tornou possível organizar o registro genealógico e os programas de melhoramento genético no país, em se tratando de suinocultura comercial. É possível afirmar que as GRSCs são os verdadeiros centros de seleção genética, controle de origem e de avaliação do desempenho dos animais.

De fato, foram o pilar da transformação da suinocultura brasileira, ajudando a tornar o Brasil uma potência global na produção de carne suína, ocupando hoje o 4° lugar na produção mundial de suínos, pelo fato de as GRSCs garantirem a autossuficiência genética nacional, impulsionarem a adoção da inseminação artificial e elevarem a sanidade e a produtividade brasileira a padrões internacionais. De tal forma que essas granjas tiveram e ainda têm um papel fundamental no desenvolvimento da suinocultura brasileira moderna, dentro de uma cadeia altamente tecnificada e competitiva.

Não há como não se observar esse aspecto histórico da importância das granjas de produção de reprodutores suídeos, desde a criação da ABCS e de suas associações afiliadas estaduais, para a sustentação da atividade suinícola do Brasil nos últimos 70 anos, período em que o consumo interno de produtos derivados de suínos dobrou, passando de uma média nacional de 10kg para 20 kg, per capta, justamente a partir do uso de reprodutores dessas granjas. Aliás, em 2025, a média foi de 20,2 kg/habitante/ano (segundo a ABCS), consolidando um crescimento de cerca de 35% na última década.

Redução drástica das GRSCs no Brasil

Artigo escrito por Cesar da Luz é especialista em agribusiness, consultor da Associação Paranaense de Suinocultores e pesquisador da cadeia suinícola nacional. E-mail: [email protected].

Mesmo diante de todo esse contexto histórico, levantamento feito com base na literatura brasileira e com dados obtidos junto ao Relatório de 2025 do Registro Genealógico de Suínos da Associação Brasileira de Criadores de Suínos, ABCS, indica que houve uma redução muito significativa no número dos criadores de suínos da raça Landrace, com afixo registrado pelo produtor na entidade que representa o sistema suinícola brasileiro. Afixo é o nome oficial dado ao criatório, ou granja, certificada na ABCS.

Para se ter uma ideia da grande redução no número desse tipo de granjas e da grande erosão da variabilidade genética de suínos no Brasil, enquanto na década de 1970 o número de afixos registrados na ABCS era de 271, no ano passado, esse número caiu drasticamente para apenas 34. Portanto, atualmente, essas granjas representam apenas 12,5% do total existentes na década de 1970, em um ambiente em que as fontes de material genético das principais raças comerciais de suínos, como Landrace, Large White, Duroc e Pietrain, já são bastante escassas.

O fato é que o número de Registros Genealógicos vem reduzindo substancialmente desde a década de 1970 para a década de 1990 e para o período posteriormente aos anos 2000, enquanto o número de afixos de Empresas Integradoras e de Empresas de Genética vem crescendo sua participação no mercado de reprodutores Landrace, no Brasil.

Raça Landrace

No caso específico da raça Landrace, ela é uma das mais importantes para a evolução da atividade suinícola brasileira moderna, principalmente pela sua elevada capacidade reprodutiva e pelo excelente desempenho materno. Originária da Dinamarca, a raça foi introduzida no Brasil para contribuir no melhoramento genético dos rebanhos comerciais e se tornou fundamental nos sistemas intensivos de produção de carne suína.

A participação da raça Landrace foi decisiva para a modernização da suinocultura brasileira, especialmente a partir da intensificação da atividade nas regiões Sul, nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul,0 Sudeste, nos estados de São Paulo e Minas Gerais, sendo que as GRSCs passaram a utilizar amplamente a genética Landrace em programas de seleção, contribuindo para a disseminação de animais superiores e para o controle sanitário dos plantéis.

É importante destacar, ainda, que a raça Landrace é uma das principais raças de suínos utilizada na produção de suínos no Brasil, compondo 50% do genótipo na maioria das fêmeas F1 utilizadas na produção comercial de suínos, o que muito bem representa o que está ocorrendo com os Registros Genealógicos de Suínos no país, algo que requer muita atenção, especialmente dos órgãos governamentais, especialmente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Ressalte-se, ainda, que as Granjas Independentes de Produção de Reprodutores, no caso da raça Landrace, elas são fundamentais também para a produção do mercado livre de suínos no país, composto por granjas de pequeno e médio porte que não pertencem aos sistemas integrados e cooperados. São tais granjas independentes que abastecem grande parcela do mercado interno nacional com produtos derivados de suínos, mas que estão reduzindo ano após ano, colocando o Brasil na dependência de reprodutores de Empresas de Genética que atuam no país, mas cujos Núcleos Genéticos Primários se encontram no exterior, o que implica no aumento do volume de “royalties” enviados para fora do Brasil.

Portanto, as GRSCs continuarão sendo extremamente importantes para suprir o mercado interno de reprodutores suínos, bem como fundamentais para o resgate e manutenção das raças nacionais de suínos e mesmo para a manutenção das raças importadas que já estão adaptadas para uso comum na suinocultura brasileira. Sem dúvida, as granjas de reprodutores foram a base do avanço genético, sanitário e tecnológico da suinocultura nacional, sem as quais o setor dificilmente teria alcançado os níveis atuais de eficiência, qualidade e competitividade internacional que se encontram hoje.

Olhando para esse histórico e para a importância das Granjas de Reprodutores de Suínos para a suinocultura brasileira, vê-se, inclusive, a própria necessidade de que uma fonte pública proporcione recursos, inclusive a fundo perdido, para a implementação das novas medidas exigidas pelo MAPA, integrantes da Portaria DAS/MAPA nº 1.358/2025, permitindo que as GRSCs consigam continuar cumprindo seu papel no contexto da suinocultura e como salvaguardas do banco genético nacional.

Fonte: Artigo escrito por Cesar da Luz é especialista em agribusiness, consultor da Associação Paranaense de Suinocultores e pesquisador da cadeia suinícola nacional. E-mail: [email protected].
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