Suínos
Importância da água e da prevenção da desidratação em suínos
Especialista destaca como o consumo adequado de água impacta diretamente o crescimento, a sanidade e a sobrevivência dos leitões.


Foto: Divulgação/Vilomix
Artigo escrito por Camila Tofoli Tse, zootecnista, mestre em Nutrição de Suínos, diretora Técnica – Monogástricos – Vilomix
Água é o nutriente mais importante para suínos. Muitas vezes pensamos em nutrientes apenas quanto aos compostos das rações: carboidratos, gorduras, proteínas, minerais e vitaminas. No entanto, água também é um nutriente de alta relevância no metabolismo dos animais.
Para o bom crescimento e produção, os suínos precisam acesso contínuo a água potável fresca, em quantidade adequada. Dentre os papéis importantes que a água desempenha no organismo, temos:
- Regulação da temperatura corporal
- Transporte de nutrientes pelo corpo
- Remoção de toxinas e auxílio na filtragem delas
- Auxílio na digestão
- Lubrificação e proteção dos órgãos do corpo
Atraso no consumo de água
Pesquisas mostram que apenas 51% dos leitões consomem água 25 horas após o desmame. Para animais desafiados, esse atraso na hidratação pode ser mortal. Qualquer atraso no consumo de água pode ser problemático. O peso corporal de um suíno é cerca de 55% de água. Em animais jovens (ao nascer), o peso corporal pode ser de até 80% de água. Se o leitão perder apenas 15% do seu peso de água, as taxas de mortalidade podem aumentar significativamente.
A diminuição no balanço hídrico dos animais impacta diretamente no consumo e digestão dos alimentos, afetando o desempenho e a suscetibilidade às doenças. A desidratação é frequentemente um sintoma de qualquer tipo de estresse. Os fatores estressantes mais comuns ligadas há perda hídrica são:
- Estresse do desmame
- Doenças
- Estresse por calor
- Vacinas ou outros tratamentos
- Transporte
Devido à alta suscetibilidade dos leitões aos quadros de desidratação (clínica ou subclínica), deve-se estar atendo às medidas preventivas e curativas durante todo o processo produtivo, como:
Tratamento da desidratação:
- Fornecer espaço e fluxo de água adequados
- Regular as alturas dos bebedouros
- Usar água de boa qualidade (temperatura e características físico-químicas)
- A vazão deve ser de pelo menos 1 a 1,5 litro por minuto
- Fornecer suporte adicional no desmame, fases de transição, pós transporte ou desafios sanitários. Adicione eletrólitos à água.
Eletrólitos
Os eletrólitos fornecem nutrientes como sódio, cloreto, potássio, cálcio, magnésio e açúcares que podem ajudar a minimizar os impactos do estresse, estimulam os animais a beber água com mais frequência, equilibram a flora intestinal e melhoram o apetite.
Em um estudo conduzido em 2014, o uso de eletrólito na água fez com que os níveis de consumo de água aumentassem significativamente. Leitões desmamados precocemente beberam mais água com eletrólitos nos primeiros três dias pós-desmame (3,748 L/leitão/24 h) do que água da torneira (836 mL/leitão/24 h).
Portanto, sabendo-se da importância da água no metabolismo e desempenho animal, a atenção ao consumo e uso de ferramenta que aumente a ingestão voluntária é necessário para o sucesso da produção suína.
As referências bibliográficas estão com a autora. Contato: rafael.ayafuso@vilomix.com.br.
O acesso à edição digital do jornal Suínos é gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Suínos
Suinocultura discute comportamento do consumidor na primeira Escola de Gestores de 2026
Evento da ABCS abordará tendências de consumo e impactos nas decisões estratégicas do setor de proteínas.

Entender o comportamento do consumidor se tornou um dos principais diferenciais estratégicos para o mercado de proteínas. Em um cenário de rápidas transformações, antecipar tendências, reduzir riscos e tomar decisões mais assertivas depende, cada vez mais, da leitura qualificada do consumo.
Com esse foco, a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) realiza a primeira edição de 2026 da Escola de Gestores, com o tema “Proteína, Consumo e Decisão de Compra: Tendências que Importam para 2026”, no dia 25 de fevereiro de 14h30 às 16 horas. O encontro será conduzido por Tayara Beraldi, consultora da ABCS e especialista em comunicação estratégica, e tem como objetivo ampliar a capacidade analítica e decisória dos gestores da suinocultura com dados reais e atualizados do comportamento do consumidor em uma época em que o consumo de proteínas tem ganhado destaque.
Voltada aos desafios atuais do setor, a iniciativa propõe uma reflexão aprofundada sobre como o consumidor pensa, quais fatores influenciam suas escolhas e de que forma essas decisões impactam o marketing, o posicionamento e a competitividade das proteínas no mercado. Na suinocultura, compreender esses movimentos deixou de ser uma opção e passou a ser parte central das decisões estratégicas.
Durante o encontro, os participantes irão discutir como interpretar tendências de consumo com mais clareza, transformar comportamento do consumidor em estratégia de mercado, fortalecer o posicionamento da carne suína e tomar decisões mais embasadas, com visão de futuro e impacto real no negócio.
A Escola de Gestores da ABCS é uma iniciativa que busca apoiar lideranças do setor na construção de conhecimento aplicado, conectando dados, comportamento e estratégia. O evento é exclusivo para o Sistema ABCS e contribuintes do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura (FNDS), com o objetivo de fortalecer o poder de decisão dos gestores, ampliando a capacidade de antecipação e a geração de vantagem competitiva no mercado de proteínas. Faça sua inscrição clicando aqui.
Suínos
Suinocultura enfrenta queda nas cotações em importantes estados produtores
Dados mostram retrações diárias e mensais, com exceção do Rio Grande do Sul, que apresenta leve avanço no acumulado do mês.

Os preços do suíno vivo registraram variações negativas na maioria dos estados acompanhados pelo indicador do CEPEA, ligado à Esalq, conforme dados divulgados em 13 de fevereiro.
Em Minas Gerais, o valor do animal posto foi cotado a R$ 6,76 por quilo, com recuo diário de 0,29% e queda acumulada de 4,52% no mês. No Paraná, o preço do suíno a retirar ficou em R$ 6,65/kg, com retração de 0,30% no dia e de 2,06% no comparativo mensal.
No Rio Grande do Sul, o indicador apresentou leve alta no acumulado do mês, com valorização de 0,59%, alcançando R$ 6,80/kg, apesar da pequena queda diária de 0,15%. Já em Santa Catarina, o valor registrado foi de R$ 6,59/kg, com baixa de 0,60% no dia e retração de 1,79% no mês.
Em São Paulo, o suíno posto foi negociado a R$ 6,92/kg, apresentando redução diária de 0,57% e queda mensal de 2,40%.
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Exportações sustentam desempenho da suinocultura brasileira no início de 2026
Embarques crescem mais de 14% e ajudam a equilibrar o setor, conforme análise da Consultoria Agro Itaú BBA, mesmo diante do aumento da oferta interna.

O início de 2026 registrou queda significativa nos preços do suíno, reflexo da expansão da produção observada ao longo do ano anterior. Mesmo com a pressão no mercado interno, o setor manteve resultados positivos, sustentado pelo bom desempenho das exportações e pelo controle nos custos de produção, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA.
As cotações do animal vivo em São Paulo apresentaram forte recuo no começo do ano, passando de R$ 8,90/kg em 1º de janeiro para R$ 6,90/kg em 9 de janeiro, queda de 23% no período. Com o ajuste, os preços retornaram a níveis próximos aos registrados no início de 2024 e ficaram abaixo do observado no começo do ano passado, quando o mercado apresentou maior firmeza nas cotações, com valorização a partir de fevereiro.
O avanço da produção de carne suína ao longo de 2025 foi impulsionado pelas margens favoráveis da atividade. A expectativa é de que esse ritmo tenha sido mantido no primeiro mês de 2026, embora os dados oficiais de abate ainda não tenham sido divulgados.
No mercado externo, o setor iniciou o ano com desempenho positivo. Os embarques de carne suína in natura somaram 100 mil toneladas, volume 14,2% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. Entre os principais destinos, destacaram-se Filipinas e Japão, responsáveis por 31% e 13% das exportações brasileiras no mês, respectivamente.
Mesmo com os custos de produção sob controle, a queda de 5% no preço do animal na comparação entre janeiro e dezembro resultou na redução do spread da atividade, que passou de 26% para 21%. Ainda assim, o resultado por cabeça terminada permaneceu em nível considerado satisfatório, com média de R$ 206.
No comércio internacional, o spread das exportações também apresentou recuo, influenciado pela redução de 0,8% no preço da carne suína in natura e pela valorização cambial. Com isso, o indicador convergiu para a média histórica de 40%, após registrar 42% no mês anterior.



