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Importação de milho não derrubará preços internos
Cereal vindo sobretudo da Argentina atende demanda de curto prazo, até entrada do milho safrinha, dizem analistas
O aumento das importações de milho em março atende a demanda de curto prazo, especialmente de criadores de animais e indústria de ração, mas tem efeito quase nulo sobre os preços internos, segundo analistas e corretores. Para eles, a decisão de recorrer ao mercado externo para abastecimento ainda é pouco expressiva.
Os comentários são de que a contratação começou de fato na virada do mês e navios com milho, sobretudo da Argentina, começarão a chegar nas próximas semanas. Nos dois primeiros meses do ano, a importação ficou abaixo de 2015, com 43,4 mil toneladas ante 83,6 mil toneladas em janeiro e fevereiro do ano passado. Conforme as fontes ouvidas pelo Broadcast Agro (serviço de notícias em tempo real da Agência Estado), a necessidade de reforçar as compras externas dependerá do tamanho da segunda safra de milho, em fase final de plantio no Brasil.
"Como a gente compra pouco milho de outros países, esse movimento de agora mostra um aumento na comparação com os outros anos, mas não acredito em volumes enormes de milho. Por enquanto, são insuficientes para causar grande impacto nos preços (internos)", avaliou Ana Luiza Lodi, analista de mercado da INTL FCStone. Segundo ela, a safrinha poderá equilibrar o quadro de oferta e demanda. "Se houver uma frustração climática da safrinha aí sim teríamos um incentivo à importação de milho."
O corretor Gilberto Toniolo, da Agrogt Investimentos, de Campinas (SP), também minimiza o impacto da importação sobre os preços."Essas compras são importantes para o abastecimento, mas não significam preço mais baixo no mercado interno", disse. Segundo ele, os lotes de origem da Argentina chegam aos portos brasileiros a R$ 42 e R$ 43 a saca de 60 quilos. Somado ao frete, o valor é quase equivalente ao praticado no mercado interno, disse o agente.
O presidente-executivo da ABPA, Francisco Turra, acredita em uma oferta abundante de milho na segunda safra, que chega ao mercado a partir de julho. Para Turra, o dólar mais fraco deve ser um limitador para a exportação do milho brasileiro, o que tende a garantir mais disponibilidade interna e preços menos sustentados como no segundo semestre de 2015.
De acordo com Turra, todos os dias há relatos de acordos para importação de milho. Ele contou que pequenos criadores de animais do Rio Grande do Sul se juntaram para fazer operações cooperativadas de compra. "Há escassez e como empresas estão comprometidas com contratos para exportação (de carnes), esses produtores precisam importar", disse. Além das grandes empresas, como BRF e JBS, que confirmaram as compras, a GTFoods informou no início da semana que pretende importar 90 mil toneladas do cereal entre abril e maio.
Hoje, além das cotações firmes do cereal no mercado doméstico, por causa da menor produção na safra verão e do expressivo volume exportado, a indústria de proteína animal reclama que, mesmo pagando acima da referência, há dificuldade para suprimento imediato. Um corretor de São Paulo disse que essa situação deve continuar até que produtores e mercado tenham uma noção mais clara da safrinha. Se a oferta for expressiva, produtores deverão colocar à venda o produto que mantêm estocado.
A disponibilidade interna é apertada. Segundo projeções mais recentes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), os estoques brasileiros seriam de 10 milhões de toneladas, mas tanto a FCStone quanto o Cepea avaliam que a exportação superou o volume projetado pela estatal, de 30 milhões de toneladas. Tanto o Cepea quanto a FCStone consideram estoques de aproximadamente 4 milhões de toneladas. "A safra de verão tem sido menor a cada ano, a entrada da primeira safra até deu um alívio e reduziu a dificuldade em encontrar milho, mas acredito que só teremos uma definição melhor em relação a preços com a safrinha", explicou a analista da FCStone.
Pequenos criadores
O Ministério da Agricultura vai liberar 160 mil toneladas de milho dos estoques públicos para atender pequenos criadores. Em nota, o coordenador-geral de Grãos, Fibras e Oleaginosas do Ministério da Agricultura, Silvio Farnese, disse que essa era uma demanda criadores das regiões Sul e Nordeste, que usam o milho na alimentação animal, mas que produtores de outras regiões também podem recorrer ao produto do governo. O milho será vendido no mercado de balcão, com limite mensal de 6 toneladas por produtor, a preços abaixo do mercado.
Fonte: Portal DBO

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Seara reposiciona carne suína no Brasil e já captura mais da metade da receita com estratégia de marca
Programa Açougue Suínos Seara Reserva e inovação de portfólio sustentam avanço em categoria historicamente dominada
por produtos sem agregação de valor

A Seara, da JBS, está consolidando uma mudança estrutural no mercado brasileiro de carne suína ao avançar sobre um dos principais gargalos da categoria: a ausência de marca e padronização no ponto de venda. Combinando inovação de portfólio, inteligência de mercado e transformação do varejo, a companhia já captura mais da metade da receita do segmento com um modelo baseado em valor agregado.
O movimento ocorre em um momento de crescimento consistente do consumo. A carne suína deve atingir 19,5 kg per capita no Brasil, consolidando-se como uma das proteínas que mais avançam no país, presente hoje em 93% dos lares. Ainda assim, cerca de 80% do volume vendido em açougues segue sem identificação de marca ou procedência, espaço que a Seara tem ocupado com uma estratégia estruturada para descomoditizar a categoria.
João Campos, presidente da Seara, avalia que o crescimento recente do consumo abre espaço para uma nova fase, em que qualidade percebida, conveniência e confiança passam a orientar a decisão de compra. “O brasileiro redescobriu a carne suína, e o nosso objetivo é liderar essa nova fase. Investimos na inovação para oferecer soluções de consumo, aliando qualidade à praticidade exigida pelo dia a dia”, afirma.
No centro dessa estratégia está o Açougue Suínos Seara Reserva, programa estruturado para transformar o ponto de venda e profissionalizar o varejo. A iniciativa atua sobre gargalos históricos do setor, como falta de padronização, perdas operacionais e escassez de mão de obra qualificada, e combina capacitação, consultoria técnica e fornecimento de produtos certificados.
Presente em mais de 1.300 lojas e apoiado por uma rede de mais de 130 consultores, o programa registra 93% de retenção entre os clientes e vem sustentando ganhos de margem, redução de perdas e aumento de fluxo nas lojas. Na prática, funciona como uma alavanca de crescimento para o varejo e, ao mesmo tempo, como uma plataforma de inteligência para a indústria.
Além do impacto operacional, o Açougue Suínos Seara Reserva se consolidou como um ativo estratégico para a companhia, ampliando a previsibilidade de demanda, fortalecendo a fidelização do varejo e funcionando como canal de testes e inteligência de mercado.
“Nosso foco é liderar a evolução da carne suína no Brasil, saindo de um mercado pouco diferenciado para um modelo baseado em marca, padronização e valor agregado. O Açougue Suínos Seara Reserva é um ativo estratégico nesse movimento, porque conecta indústria e varejo, melhora a eficiência da cadeia e cria uma experiência de compra mais qualificada para o consumidor”, afirma João Victor Bobsin, diretor executivo comercial da Seara.
Em paralelo, a Seara acelera a inovação no portfólio para capturar novas ocasiões de consumo. Produtos diferenciados, como cortes porcionados, itens temperados e soluções prontas para preparo em forno ou air fryer, já representam 49% da receita da categoria, com meta de chegar a 60% até 2027.
A companhia também aposta na valorização de cortes premium, como prime rib suíno e medalhões de filé mignon suíno, além de linhas como Suculentíssimo e Seara Reserva, voltadas a conveniência e maior valor agregado.
Ao combinar marca, inovação e transformação do ponto de venda, a companhia avança para capturar o crescimento da categoria e consolidar sua posição em um dos mercados mais promissores do setor de alimentos no Brasil.
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Após investir R$ 650 milhões, Porto de Paranaguá cobra avanço das ferrovias para evitar perda de competitividade
Presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia, afirma que terminal está preparado para crescer, mas alerta que infraestrutura terrestre ainda limita a eficiência logística.

O modelo de gestão adotado pelo Porto de Paranaguá e os desafios da logística do agronegócio estiveram no centro dos debates do lançamento do Movimento Agroportos, realizado na quinta-feira (25), em Curitiba. Durante o evento, o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia, apresentou medidas implementadas nos últimos anos para ampliar a eficiência operacional do terminal e defendeu investimentos em infraestrutura como caminho para reduzir o chamado “Custo Brasil”.

Diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia: “Somos o único porto do país com 100% das áreas arrendáveis regularizadas. Fizemos a concessão do canal de acesso e estamos prestes a entregar a maior obra de infraestrutura do setor portuário do Brasil, que é o Moegão” – Foto: Claudio Neves/GCOM Portos do Paraná
Garcia, que também preside a Associação Brasileira das Entidades Portuárias e Hidroviárias (Abeph), participou do painel “Regulação, Segurança Jurídica e Eficiência Portuária nos Portos do Sul”, mediado pelo diretor-presidente do IBI, Mário Povia. Ele expôs medidas exitosas adotadas nos portos paranaenses ao longo dos últimos anos, que podem servir de exemplo para outros portos em todo o Brasil. O Porto de Paranaguá é o primeiro do país a ter 100% de suas áreas portuárias arrendadas, garantindo segurança jurídica aos operadores. “Com nossas concessões, somos o único porto do país com 100% das áreas arrendáveis regularizadas. Fizemos a concessão do canal de acesso e estamos prestes a entregar a maior obra de infraestrutura do setor portuário do Brasil, que é o Moegão. São mais de R$ 650 milhões em investimentos, em uma obra que está 95% concluída”, disse Garcia.
As regularizações das áreas arrendáveis promovidas pela Portos do Paraná a partir de 2019 trazem justamente a segurança jurídica discutida no painel. A partir de leilões públicos realizados na Bolsa de Valores do Brasil (B3), as empresas têm a garantia de que poderão investir, pois estão resguardadas por contratos robustos que protegem tanto o arrendante quanto a arrendatária.
Preparado
Ao mencionar a sustentabilidade, Luiz Fernando lembrou que o Porto de Paranaguá se tornou o primeiro porto público brasileiro a conquistar o selo internacional EcoPorts, a mais importante certificação mundial que reconhece as boas práticas de gestão ambiental portuária.
Com as obras mencionadas, o diretor-presidente assegura que o Porto de Paranaguá estará preparado para esse aumento de capacidade e produção no futuro. “O

Diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia: “As empresas precisam ter vantagem comercial e operacional. A partir do momento em que isso deixar de existir, elas vão para outros portos” – Foto: Claudio Neves/GCOM Portos do Paraná
Paraná fez as concessões rodoviárias e R$ 90 bilhões serão aplicados nos contratos vigentes. E o vencimento da concessão da Malha Sul, em 2027, é a oportunidade que temos para discutir com o setor ferroviário, importantíssimo para que o Moegão funcione com sua capacidade plena”, completou.
Indagado sobre os problemas observados para uma discussão mais ampla por parte do Movimento Agroportos, Garcia destacou o custo logístico das cargas até o porto. Para ele, é preciso enfrentar essas deficiências para ganhar mais eficiência. “As empresas precisam ter vantagem comercial e operacional. A partir do momento em que isso deixar de existir, elas vão para outros portos”, disse.
Alex Sandro de Ávila, secretário nacional de Portos do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e presidente do Conselho de Administração da Portos do Paraná (Consad), também foi um dos painelistas. Ele ressaltou a gestão da Portos do Paraná, destacando a requalificação de áreas e os leilões, que geraram maior capacidade de investimento no Porto de Paranaguá. “A Região Sul ainda tem protagonismo no escoamento de cereais, até porque conta com portos extremamente preparados e especializados para essa atividade. Então, buscamos uma sinergia e harmonização, que já deram muito certo aqui no Sul e servem de bom exemplo para desenvolvermos projetos de crescimento nas regiões Norte e Nordeste do país”, disse Ávila.
Notícias Cooperativismo
Edição Especial Cooperativismo 2026 de O Presente Rural já está disponível
Publicação reúne reportagens exclusivas sobre o papel das cooperativas no agronegócio e destaca como a escassez de mão de obra e a contratação de imigrantes estão transformando o mercado de trabalho no setor.

A nova Edição Especial Cooperativismo 2026 de O Presente Rural já está disponível gratuitamente em versão digital no site. Publicada todos os anos próxima ao Dia Internacional das Cooperativas, celebrado em 04 de julho, a edição reúne reportagens, análises e conteúdos especiais sobre a força econômica, social e produtiva do cooperativismo no agronegócio brasileiro.
Nesta edição, a reportagem especial aborda um dos temas mais relevantes para o futuro das cooperativas agroindustriais: a geração de empregos, a escassez de mão de obra e a presença crescente de trabalhadores estrangeiros nas operações. O conteúdo mostra como imigrantes de diferentes nacionalidades passaram a ocupar funções decisivas em agroindústrias, supermercados, unidades operacionais e estruturas produtivas de cooperativas do Sul do país.
A reportagem apresenta casos de cooperativas em que estrangeiros já representam parcela expressiva da força de trabalho. Em algumas unidades, eles chegam a formar a maioria dos colaboradores. Mais do que um dado demográfico, esse movimento revela uma mudança estrutural no mercado de trabalho do agronegócio, com reflexos diretos sobre produção, escalas, expansão industrial, automação, qualificação, moradia, integração cultural e desenvolvimento regional.
Além da reportagem especial, a edição traz conteúdos sobre o impacto do cooperativismo na economia, na geração de renda, na organização das cadeias produtivas, atuando como agentes de desenvolvimento nas comunidades onde estão.
A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.
