Suínos
Impactos produtivos de duas doenças silenciosas durante a fase de maternidade: anemia ferropriva e coccidiose
A Anemia Ferropriva pode acometer todos os leitões e é associada a um conjunto de fatores.

A anemia ferropriva e a coccidiose são consideradas globalmente grandes desafios pela suinocultura tecnificada. Elas atingem de forma mais relevante os leitões nos seus primeiros dias de vida, impactando negativamente seu desenvolvimento durante a lactação, bem como nas fases subsequentes de crescimento. O controle destas duas enfermidades passa por manejos e intervenções nas primeiras horas de vida do leitão, período que é repleto de manipulações, necessitando de um alto emprego de mão-de-obra, e associado a um alto grau de estresse para os animais.
A Anemia Ferropriva pode acometer todos os leitões e é associada a um conjunto de fatores, incluindo a baixa reserva de ferro que os leitões apresentam ao nascer, o reduzido teor de ferro presente no colostro e a taxa de crescimento acelerada nos primeiros dias de vida. Essa condição, quando não corrigida através de uma eficaz suplementação injetável, pode levar a uma pior taxa de conversão alimentar, redução no ganho de peso, além de apresentar fraqueza, apatia e uma maior susceptibilidade a infecções ao longo da vida. O ideal é que os níveis séricos de Hemoglobina (Hb) estejam acima de 11g / dL, sendo que a redução de 1 g de Hb / dL de sangue pode levar a uma redução de 17,2 g no ganho de peso diário (GPD) nas três semanas seguintes ao desmame (Perri et al., 2016).
Causada pelo protozoário Cystoisospora suis, a Coccidiose que afeta principalmente leitões nos primeiros dias de vida (a partir de 6 dias de vida) e é caracterizada por promover uma diarreia pastosa ou aquosa, de odor fétido e coloração amarelada. Devido as lesões que ocasiona na mucosa intestinal, é considerada uma das principais responsáveis pelas perdas produtivas, interferindo negativamente no ganho de peso diário dos animais e na conversão alimentar. Um estudo recente mostrou que a Coccidiose pode reduzir o ganho de peso entre 400g até 1,5 Kg ao desmame dependendo da pressão de infecção e idade dos leitões. (Ózsvári, 2018).
Por serem extremamente comuns e causarem alto impacto financeiro, devido ao subdesenvolvimento dos leitões, medidas de biosseguridade, de manejo ambiental e medicamentosas são recomendadas para controle do C. suis. Em praticamente todas as granjas, nos leitões entre 2 e 3 dias de vida, observamos como rotina a aplicação de ferro dextrano / gleptoferron (via oral ou intramuscular) para o controle da anemia e de toltrazuril (via oral) para o controle da coccidiose. A adoção destas medidas, bem como a ausência de dados epidemiológicos recentes, gera uma certa tranquilidade nos produtores e veterinários em relação a essas doenças. Todavia, estarão de fato essas duas enfermidades, muitas vezes “silenciosas”, realmente controladas com as estratégias atualmente realizadas?
Para compreender a situação atual da Anemia Ferropriva e da Coccidiose no Brasil, a Ceva Saúde Animal realizou um estudo de prevalência (Calveyra, et al. 2022) em 50 granjas tecnificadas, nas principais regiões produtoras de suínos do país – Sul (33), Sudeste (11) e Centro-Oeste (6). De fevereiro a novembro de 2021, foram coletadas amostras de fezes de 3.325 leitões, oriundos de 665 leitegadas, para realização do exame de OPG, visando identificar a presença do C. suis. Com relação ao status da Anemia Ferropriva, foram amostrados 1.962 leitões, oriundos de 654 leitegadas, para medição do nível de hemoglobina no sangue (g / dL), próximo ao desmame.
Da mesma forma que estudos recentes realizados em diversos países da Europa (Hinney et al., 2020; Sperling et al., 2021) visando verificar o status da Anemia Ferropriva e de Coccidiose, os resultados obtidos neste estudo demonstram que ainda há um alto percentual (82%) de granjas com a presença de animais positivos (34% das leitegadas) para o C. suis e que mais de 50% dos leitões possuíam algum grau de anemia próximo ao desmame, sendo 8% anêmicos e 43% sub-anêmicos. Portanto, estes dados de prevalência de anemia e de coccidiose mostram uma situação de controle muito aquém do desejável, derrubando a já citada tranquilidade em relação a essas enfermidades.
O objetivo de toda granja é ter o controle de ambas as doenças, devido ao seu alto impacto econômico. Para tanto, precisamos redobrar a atenção em relação as medidas de biossegurança e uma melhor limpeza e desinfeção. Além disso, a melhoria contínua dos manejos e a acurácia na administração dos produtos, com o uso de aplicadores específicos, agulhas em tamanho adequado e em ótimo estado de conservação, também fazem parte das ações necessárias para diminuir os impactos dessas duas enfermidades. Por fim, já está disponível no mercado uma associação de gleptoferron + toltrazuril, com aplicação injetável, que visa prevenir a anemia ferropriva e controlar a excreção de oocistos. Dessa forma, podemos melhorar o desempenho dos leitões, otimizar a produtividade, reduzir o risco de doenças infecciosas, economizar mão de obra e melhorar o bem-estar dos leitões.

Suínos
ACCS alerta para insegurança jurídica mesmo com retomada nos preços da suinocultura
Mercado de suínos dá sinais de recuperação com exportações aquecidas, mas a Associação Catarinense de Criadores de Suínos cobra segurança no campo e critica entraves trabalhistas e o chamado custo Brasil.

O cenário para a suinocultura brasileira desenha-se com otimismo nas granjas, impulsionado pelo reequilíbrio de preços e recordes de exportação previstos para este ano. No entanto, fora da porteira, o setor produtivo acende um forte sinal de alerta para os desafios políticos, trabalhistas e de segurança jurídica no campo. A avaliação é do presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi, que traçou um panorama detalhado sobre as projeções de mercado e os entraves que o agronegócio enfrenta atualmente.
Retomada de preços e exportações em alta

Presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi: “Eu acredito que o mercado vai estar voltando à sua normalidade. A partir de agora, nós vemos um mercado mais promissor”
O ano começou com a tradicional oscilação de preços, mas a perspectiva de estabilização já é uma realidade. Segundo o presidente da ACCS, a queda registrada na primeira quinzena de janeiro está sendo superada pela reação das bolsas do setor. “Eu acredito que o mercado vai estar voltando à sua normalidade. A partir de agora, nós vemos um mercado mais promissor”, projeta Losivanio.
A expectativa de alta nos valores pagos ao produtor é sustentada por uma combinação de fatores: a menor oferta de suínos no mercado, a manutenção do peso normal de abate e o ritmo acelerado das exportações, que em fevereiro devem ultrapassar a marca de 100 mil toneladas.
Outro elemento que protegeu a margem do suinocultor independente durante a recente baixa foi a queda no preço do milho. Além disso, não houve um crescimento desordenado da produção nos últimos dois anos. O principal freio para novas expansões foi a taxa de juros, já que, segundo o dirigente da ACCS, iniciar um projeto robusto na suinocultura hoje exige um investimento mínimo de R$ 10 milhões, tornando a captação de recursos cara e, muitas vezes, inviável.
O ciclo da carne bovina e a sanidade
O bom momento da carne suína também encontra respaldo no ciclo da pecuária de corte. Com as exportações de carne bovina batendo recordes e o volume de abates superando o de nascimentos de bezerros, a recuperação da oferta de bovinos será lenta — um ciclo que leva cerca de quatro anos. Essa dinâmica mantém a carne suína em um patamar competitivo e altamente atrativo.
Apesar dos ventos comerciais favoráveis, a ACCS reforça que o dever de casa sanitário é inegociável para garantir a estabilidade do setor. “Nós temos que olhar muito a questão da biosseguridade, da sanidade, para que a gente não seja acometido por alguma intempérie de doença, como aconteceu em vários países, e que a gente possa perder esses mercados importantes”, alerta.
Preocupações políticas e a escala 6×1
Se o mercado responde bem, o ambiente regulatório gera apreensão. Losivanio classifica como “populismo” a possibilidade de o governo intervir limitando as exportações de carne bovina para forçar a queda dos preços no mercado interno, especialmente em um ano eleitoral. Para ele, a solução real seria fomentar o poder de compra e a renda da população, e não proibir embarques.
No campo trabalhista, a proposta de alteração da jornada para a escala 6×1, reduzindo de 44 para 36 horas semanais — é vista com grande preocupação. A dinâmica do agronegócio não se adequa a expedientes engessados, e o peso da carga tributária sobre a folha de pagamento já asfixia quem produz. “A gente vê que o vilão não é o empresário, e sim é o sócio que nós temos, que é o governo”, pontua o presidente.
Ele contrasta a situação brasileira com a de países vizinhos: enquanto a Argentina avança no Congresso com propostas de jornadas de até 12 horas diárias e o Paraguai atrai indústrias brasileiras oferecendo redução de impostos, logística eficiente e segurança jurídica, o Brasil onera cada vez mais o empreendedor com mudanças legislativas constantes.
Insegurança jurídica e a defesa do produtor
O alerta final da entidade recai sobre a insegurança no campo. O aumento da criminalidade e as tensões envolvendo áreas indígenas estão impactando diretamente quem produz. Produtores com histórico de gerações em suas terras e documentação legal estão perdendo acesso ao crédito rural e correndo o risco de perderem suas propriedades. “Nós estamos à beira de um caos muito forte”, desabafa.
Para Losivanio, falta ao poder público uma visão estratégica que valorize o agronegócio, setor que levou o Brasil ao posto de maior exportador de proteína animal do mundo, mesmo operando sob as legislações ambientais mais rigorosas do planeta. “Para dar emprego, nós temos que dar segurança para o nosso empreendedor, para que ele possa continuar acreditando e fazendo esse país crescer”, finaliza o presidente, pedindo uma mudança urgente de postura e de entendimento para garantir o futuro da produção nacional.
Suínos
Demanda interna e exportações reforçam perspectiva de alta para o suíno vivo
Diversificação de mercados e consumo aquecido no pós-férias impulsionam mercado, enquanto produção e custo da ração exigem atenção no médio prazo.

Com a melhora sazonal da demanda interna e um cenário externo considerado favorável, os preços do suíno vivo devem apresentar reação nas próximas semanas. A expectativa é de recuperação no curto prazo, após o fim do período de férias escolares e do Carnaval.
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, a diferença de preços entre as proteínas também pode contribuir para esse movimento. A carne bovina segue em patamar mais elevado em relação à suína, o que tende a favorecer o consumo da carne de porco no mercado interno.
No comércio exterior, a diversificação de destinos observada desde o ano passado ajuda a reduzir a dependência de mercados específicos. Apesar disso, chama atenção o aumento da participação das Filipinas entre os principais compradores. Ainda assim, o cenário das exportações é considerado positivo e deve continuar colaborando para o equilíbrio da oferta e da demanda.
Para o médio prazo, dois fatores exigem monitoramento: o ritmo de crescimento da produção e os custos com ração.
No caso da produção, a tendência é de continuidade na expansão do envio de animais para abate, movimento sustentado pelas boas margens registradas na suinocultura nos últimos dois anos e pela demanda externa aquecida. Eventuais problemas no fluxo de embarques, embora não sejam o cenário principal, poderiam pressionar o mercado interno, elevando a oferta doméstica e impactando os preços, já que a produção não pode ser ajustada rapidamente no curto prazo.
Em relação aos custos, o cenário também é considerado favorável, mas com pontos de atenção. A previsão de clima positivo para o milho safrinha nos próximos dois meses indica potencial para boa produção. No entanto, parte relevante da área ainda precisa ser semeada, e não há definição sobre quanto ficará dentro da janela ideal de plantio, fator decisivo para o desempenho produtivo.
Suínos
Suinocultura discute comportamento do consumidor na primeira Escola de Gestores de 2026
Evento da ABCS abordará tendências de consumo e impactos nas decisões estratégicas do setor de proteínas.

Entender o comportamento do consumidor se tornou um dos principais diferenciais estratégicos para o mercado de proteínas. Em um cenário de rápidas transformações, antecipar tendências, reduzir riscos e tomar decisões mais assertivas depende, cada vez mais, da leitura qualificada do consumo.
Com esse foco, a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) realiza a primeira edição de 2026 da Escola de Gestores, com o tema “Proteína, Consumo e Decisão de Compra: Tendências que Importam para 2026”, no dia 25 de fevereiro de 14h30 às 16 horas. O encontro será conduzido por Tayara Beraldi, consultora da ABCS e especialista em comunicação estratégica, e tem como objetivo ampliar a capacidade analítica e decisória dos gestores da suinocultura com dados reais e atualizados do comportamento do consumidor em uma época em que o consumo de proteínas tem ganhado destaque.
Voltada aos desafios atuais do setor, a iniciativa propõe uma reflexão aprofundada sobre como o consumidor pensa, quais fatores influenciam suas escolhas e de que forma essas decisões impactam o marketing, o posicionamento e a competitividade das proteínas no mercado. Na suinocultura, compreender esses movimentos deixou de ser uma opção e passou a ser parte central das decisões estratégicas.
Durante o encontro, os participantes irão discutir como interpretar tendências de consumo com mais clareza, transformar comportamento do consumidor em estratégia de mercado, fortalecer o posicionamento da carne suína e tomar decisões mais embasadas, com visão de futuro e impacto real no negócio.
A Escola de Gestores da ABCS é uma iniciativa que busca apoiar lideranças do setor na construção de conhecimento aplicado, conectando dados, comportamento e estratégia. O evento é exclusivo para o Sistema ABCS e contribuintes do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura (FNDS), com o objetivo de fortalecer o poder de decisão dos gestores, ampliando a capacidade de antecipação e a geração de vantagem competitiva no mercado de proteínas. Faça sua inscrição clicando aqui.



