Bovinos / Grãos / Máquinas
Impacto de quatro doenças reprodutivas da pecuária leiteira
Reprodução é sem dúvida um dos pontos mais importantes que devem ser levados em consideração
Artigo escrito por Giovani Pastre, médico veterinário, especialista em Produção de Leite e Reprodução Bovina, metre em Ciência Animal e gerente Técnico Biológicos – FPA – Virbac Brasil
A pecuária leiteira é sem dúvida um negócio muito rentável. Apesar de ocorrerem continuamente variações de preço pago ao produtor e variações no preço das commodities usados como alimentos para as vacas, a atividade mostra-se ainda assim bem atrativa. Porém seu máximo retorno econômico depende da adequação de inúmeros pontos da “porteira para dentro”.
A reprodução é sem dúvida um dos pontos mais importantes que devem ser levados em consideração. Saber como está o nível de eficiência reprodutiva é fundamental para saber o quanto pode ser melhorado. O intervalo entre partos (IEP) de uma fazenda é um indicativo básico e de fundamental conhecimento para determinar o status de eficiência reprodutiva que fazenda se encontra. Dados da Embrapa nos mostram um aumento de cerca de 8% na produção a cada 30 dias que conseguimos reduzir o IEP.
O aumento de 8% na produção a cada 30 dias de redução no IEP pode nos dar uma ideia de como a produção pode aumentar, em um rebanho com longos intervalos entre partos, com 18 meses de IEP, por exemplo, para um rebanho com 12 (ideal) ou até 13 meses de IEP. O aumento da produção pode ser de até 48% quando saímos de 18 meses para 12 meses de IEP. 48% de aumento é muita coisa para um setor em que o lucro vem em centavos com os ajustes dos mínimos detalhes dentro da fazenda.
Principais causas de falhas reprodutivas e perdas gestacionais
Qual é a saída para chegarmos nos almejados 12 meses de IEP? Ter uma reprodução eficiente é a base para alcançar este patamar. E quando falamos de reprodução em bovinos de leite, inúmeros fatores estão envolvidos nas perdas gestacionais. No campo, em contato com fazendeiros e veterinários, estima-se perdas na ordem de 25% no início da gestação, com repetições de cio e morte embrionária até os 42 dias de gestação. Dos 42 dias até o parto, perdas na ordem de 10% são visualizadas rotineiramente.
Quais os fatores estão envolvidos com estas perdas?
Diversas são as causas envolvidas, sendo as principais descritas a seguir:
- Falha nutricional: A energia é o principal nutriente requerido por vacas em reprodução. A mineralização de vacas no período de transição é muito importante para o desempenho reprodutivo pós-parto.
- Problemas de micotoxinas na dieta: sabe-se alimento má conservados podem trazer micotoxinas em sua composição, o que resulta em falhas reprodutivas.
- Excesso de proteína na dieta: o uso de dieta não balanceada pode resultar em excesso de proteína na dieta, o que leva ao aumento do nitrogênio circulante, sendo este tóxico para o embrião.
- Problemas de estresse térmico, principalmente em regiões e épocas onde as temperaturas são mais altas.
- Falhas de detecção de cio: a falha de detecção de cio é um dos principias problemas para quem usa a inseminação artificial ou monta controlada. Problemas relacionados com manejo de sêmen, como conservação, momento da inseminação, habilidade do inseminador podem resultar em taxas de concepção baixas.
- Metrite e endometrite puerperais são também consideradas causas de falha na concepção.
- Plantas tóxicas: A ingestão de determinadas plantas toxicas pode levar a perdas gestacionais em bovinos.
Doenças Reprodutivas
Dados da Embrapa mostram que o impacto das doenças reprodutivas na pecuária de leite é muito grande. Estima-se que cerca de 40 a 50% de todos os problemas encontrados tem relação com doenças reprodutivas.
Dados de laboratórios especializados em diagnósticos mostram que mais de 90% dos rebanhos tem presença de IBR e BVD, mais de 82% tem presença de leptospiras e entre 23 a 72% dos rebanhos têm presença de campylobacter.
Principais doenças reprodutivas dos bovinos
Leptospirose
É uma importante zoonose com presença forte em fazendas de leite e corte. A doença está presente no rebanho, oriunda de contato dos bovinos com roedores e animais silvestres. A contaminação pode ser direta ou indireta, onde temos diferentes maneiras de contaminação:
- Contato de roedores com ração que será destinada ao consumo dos bovinos
- Roedores com acesso livre em saleiros
- Roedores com acesso a aguadas usadas pelos bovinos
- Presença de capivaras em aguadas
- Presença de roedores nos cochos de fornecimento de silagens e rações
A partir da contaminação de uma única vaca, vemos o problema relacionado com reprodução, repetição de cio, morte embrionária ou aborto nesta vaca, porém ela passa para o estado de “portador renal”, em que toda vez que urinar estará jogando no ambiente urina com presença de leptospira, o que pode agravar ainda mais os problemas reprodutivos da fazenda, pois esta vaca tem alto risco de contaminar outras vacas presentes no rebanho.
Para o controle de leptospirose ser eficiente, diversas ações são necessárias dentro da fazenda.
1. Controle de roedores para evitar que tenham contato com alimentos e contaminem mais vacas
2. Bloqueio de acesso a áreas alagadas: áreas alagadas acabam sendo uma das formas mais comuns de contaminação de vaca para vaca.
3. Tratamento de animais positivos: é uma medida importante a ser tomada, pois nenhuma vacina tem poder de curar uma vaca portadora renal, então, uma estratégia boa de controle é:
3.1 O tratamento de casos pontuais (vacas que apresentam problemas de repetição de cio, morte embrionária ou abortos) imediatamente após a ocorrência.
3.2 Tratar todas as vacas na secagem, até passar pelo tratamento em todas as vacas
4. Vacinação de todos os animais em reprodução: de nada adianta fazermos as medidas relacionadas com meio ambiente e tratamento dos animais se não pensarmos em uma proteção efetiva. Existem várias vacinas disponíveis no mercado, com número variável cepas presentes. O objetivo da vacinação é obter proteção para um maior número de leptopiras.
O Programa de vacinação para leptospirose deve ser intensificado de acordo com o desafio de cada fazenda. Sempre converse com seu veterinário para ajustar o melhor programa.
BVD – Diarreia viral bovina
A BVD é uma doença que causa importante impacto econômico na atividade leiteira. Nos animais gestantes, podem ocorrer os sintomas reprodutivos, como abortos, natimortos, má formação fetal e absorção embrionária.
Além desses sintomas reprodutivos, a doença pode levar os animais a um quadro de imunossupressão, deixando-os vulneráveis a outras enfermidades e, ainda, reduzir a produção de leite. Os animais persistentemente infectados (PI) são procedentes de mães que tiveram contato com o vírus, entre 40 e 120 dias de gestação. Estes animais são a fonte de transmissão viral, pois são responsáveis pela manutenção do vírus no rebanho. “Apesar de muitos animais PI nascidos terem algum problema visual relacionado com deficiência ou desenvolvimento reduzido, muitos deles nascem com aspecto normal e acabam fazendo parte do rebanho, o que aumenta o impacto negativo da doença no plantel.
As principais vias de eliminação do vírus são: secreções nasais, saliva, sangue, fezes e urina. Em rebanhos onde os animais não tiveram nenhum contato prévio com o vírus e não possuem qualquer tipo de imunização, podem ocorrer surtos esporádicos com altas taxas de aborto após a infecção inicial.
Para controle de BVD, o ideal é a identificação e eliminação de animais PI, uma técnica ainda pouco disponível no campo, com o uso paralelo de vacinação sistemática de todo rebanho. Os intervalos de aplicação devem ser ajustados de acordo com o médico veterinário, podendo ser intensificadas em casos de presença forte de BVD, identificada através de exames sorológicos.
IBR – Rinotraqueíte Infecciosa Bovina
A IBR é uma doença causada pelos herpes vírus bovino tipos 1 e 5. A vaca se contamina com o vírus quando exposta a animais portadores. Uma vez contaminados, os animais permanecem positivos por toda sua vida, ficando o vírus em estado de latência. Quando ocorre queda de imunidade dos animais, o vírus reativa e causa problemas relacionados com a reprodução e problemas respiratórios nos animais afetados.
Os sintomas reprodutivos visualizados são repetições de cio, morte embrionária e abortos. A manifestação clínica do vírus no sistema reprodutivo compreende lesões herpéticas em todo sistema reprodutivo, levando a infertilidade temporária nos animais acometidos. Os sintomas respiratórios visualizados são ocorrência de corrimento nasal, tosse e secreção ocular nos animais acometidos.
O objetivo da vacinação do rebanho para IBR é manter as vacas positivas com alto status imunitário frente aos vírus, impedindo que ocorra a manifestação clínica nestes animais, e também proteger as vacas negativas, impedindo a contaminação de um eventual contato com animais portadores. A vacinação usada de forma continua no rebanho proporciona a quebra da cadeia epidemiológica da doença, em que vacas positivas acabam sendo eliminadas do rebanho por diferentes critérios e substituídas por novilhas negativas que já entraram no esquema de vacinação desde bezerra.
Campilobacteriose
Campylobacter é uma bactéria que tem presença nas criptas prepuciais de touros. Os touros, no momento da monta, transmitem a bactéria para as vacas, ocasionando problemas desde repetições de cio ou até mesmo abortos entre 5 e 6 meses de gestação.
O controle ideal é a avaliação dos touros frequentemente, fazendo testes de raspado prepucial e cultura de campylobacter. Este controle acaba sendo pouco usado no campo, diante disso a melhor forma de prevenção é a vacinação das vacas, protegendo contra a bactéria, e a vacinação também dos touros.
O que é importante fazer para obter o máximo controle das doenças reprodutivas
A utilização de um programa de vacinação do rebanho é fundamental para obtenção de proteção dos principais agentes envolvidos. A vacina mais completa e mais moderna disponível no mercado tem efetiva proteção para 15 agentes que causam perdas reprodutivas, sendo 2 cepas de IBR, 2 cepas de BVD, 3 cepas de Campylobacter e 8 cepas de Leptospira.
Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2018 ou online.
Fonte: O Presente Rural

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Boi gordo enfrenta semanas de instabilidade e pressão nas cotações
Recuo de até R$ 13/@ reflete um mercado mais sensível antes do período de maior consumo.

A possibilidade de novas medidas protecionistas da China voltou a gerar incerteza no mercado pecuário brasileiro. O país asiático, principal destino da carne bovina do Brasil, estaria avaliando restringir a entrada do produto, mas não há qualquer confirmação oficial até o momento. Mesmo assim, os rumores foram suficientes para pressionar os contratos futuros do boi nas últimas semanas.
As especulações ganharam força no início de novembro, indicando que Pequim poderia retomar o movimento iniciado em 2024, quando alegou excesso de oferta interna para reduzir as importações. A decisão, que inicialmente seria tomada em agosto de 2025, foi adiada para novembro, ampliando a cautela dos agentes e intensificando a queda na curva futura: em duas semanas, os contratos recuaram entre R$ 10 e R$ 13 por arroba.

Foto: Gisele Rosso
Com a China respondendo por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne bovina, qualquer redução nos embarques tende a impactar diretamente os preços do boi gordo, especialmente em um momento de forte ritmo de produção.
Apesar da tensão, o cenário de curto prazo permanece positivo. A demanda doméstica, reforçada pela sazonalidade do fim de ano, e o recente alívio nas barreiras impostas pelos Estados Unidos ajudam a sustentar as cotações. Caso os abates não avancem mais de 10% em novembro e dezembro, a disponibilidade interna deve ficar abaixo da registrada em outubro, movimento que favorece a recuperação dos preços da carne nos próximos 30 dias.
Para 2026, as projeções seguem otimistas para a pecuária brasileira. A expectativa é de menor oferta de animais terminados, custos de produção mais competitivos e demanda externa firme, em um contexto de queda da produção e das exportações de concorrentes, especialmente dos Estados Unidos. A principal atenção fica por conta do preço da reposição, que subiu de forma expressiva e exige valores mais ajustados na venda do boi gordo para assegurar a rentabilidade na terminação.
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Novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável busca impulsionar produção de leite no Noroeste de Minas Gerais
Assistência técnica, pesquisa aplicada e melhorias genéticas a 150 propriedades familiares, com foco em produtividade, sustentabilidade e fortalecimento da cadeia leiteira no Noroeste mineiro até 2028.

O fortalecimento e a ampliação da produção de leite de produtores de Paracatu (MG), de forma sustentável, eficiente e de qualidade, ganharam impulso com o início do novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável, desenvolvido em parceria entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap).
O projeto é desenvolvido no âmbito do Programa Mais Leite Saudável (PMLS) do MAPA desde 2020. O Programa Mais Leite Saudável é um incentivo fiscal que permite a laticínios e cooperativas obter até 50% de desconto (crédito presumido) no valor de PIS/Pasep e COFINS relativo à comercialização do leite cru utilizado como insumo, desde que desenvolvam projetos que fortaleçam e qualifiquem a cadeia produtiva por meio de ações diretas junto aos produtores.
O treinamento dos técnicos recém-selecionados foi realizado no fim de outubro, e as primeiras visitas às propriedades ocorreram no início de novembro. Essa é a terceira fase do projeto, que conta com o acompanhamento do pesquisador José Humberto Xavier e do analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Carlos Eduardo Santos.
O projeto articula as dimensões de assistência técnica e pesquisa e atuará nessa etapa com uma rede de 150 propriedades rurais familiares, que receberão acompanhamento de três veterinários e dois agrônomos, seguindo o modelo implantado em 2020. A equipe da Embrapa atua na capacitação técnica e metodológica dos técnicos e na condução de testes de validação participativa de tecnologias promissoras junto aos agricultores da rede.
A nova etapa, prevista para ser concluída em 2028, busca desenvolver alternativas para novos sistemas de cultivo com foco na agricultura de conservação, oferecer apoio técnico ao melhoramento genético dos animais de reposição com o uso de inseminação artificial e ampliar o alcance dos resultados já obtidos, beneficiando mais agricultores familiares e contribuindo para o desenvolvimento regional.
Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, José Humberto Xavier, os sistemas de cultivo desenvolvidos até agora melhoraram o desempenho das lavouras destinadas à alimentação do rebanho, mas ainda são necessários ajustes para reduzir a perda de qualidade do solo causada pelo preparo convencional e pela elevada extração de nutrientes advinda da colheita da silagem, além de evitar problemas de compactação quando o solo está úmido. Ele destaca também os desafios de aumentar a produtividade e reduzir a penosidade do trabalho com mecanização adequada.
O analista Carlos Eduardo Santos ressaltou a importância de melhorar o padrão genético do rebanho. “A reposição das matrizes é, tradicionalmente, feita pela compra de animais de outros rebanhos. Isso gera riscos produtivos e sanitários, além de custos elevados. Por isso, a Coopervap pretende implementar um programa próprio de reposição, formulado com base nas experiências dos técnicos e produtores ao longo da parceria”, afirmou.
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Curso gratuito da Embrapa ensina manejo correto de resíduos na pecuária leiteira
Capacitação on-line orienta produtores a adequar propriedades à legislação ambiental e transformar dejetos em insumo seguro e sustentável.

Como fazer corretamente o manejo dos dejetos da propriedade leiteira e adequá-la à legislação e à segurança dos humanos, animais e meio ambiente? Agora, técnicos e produtores têm à disposição um curso on-line, disponível pela plataforma de capacitações a distância da Embrapa, o E-Campo, para aprender como realizar essa gestão. A capacitação “Manejo de resíduos na propriedade leiteira” é gratuita e deve ocupar uma carga horária de aproximadamente 24 horas do participante.
O treinamento fecha o ciclo de uma série de outros cursos relacionados ao manejo ambiental da atividade leiteira: conceitos básicos em manejo ambiental da propriedade leiteira e manejo hídrico da propriedade leiteira, também disponíveis na plataforma E-Campo.
De acordo com o pesquisador responsável, Julio Palhares, identificou-se uma carência de conhecimento sobre como manejar os resíduos da atividade leiteira para adequar a propriedade frente às determinações das agências ambientais. “O correto manejo é importante para dar qualidade de vida aos que vivem na propriedade e no seu entorno, bem como para garantir a qualidade ambiental da atividade e o uso dos resíduos como fertilizante”, explica Palhares.
A promoção do curso ainda contribui para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), como as metas 2 e 12. A 2 refere-se à promoção da agricultura sustentável de produção de alimentos e prevê práticas agropecuárias resilientes, manutenção dos ecossistemas, fortalecimento da capacidade de adaptação às mudanças climáticas, etc. O ODS 12 diz respeito ao consumo e produção responsáveis, principalmente no que diz respeito à gestão sustentável.
O treinamento tem oferta contínua, ou seja, o inscrito terá acesso por tempo indeterminado.
