Conectado com

Notícias

Imagens harmonizadas de satélites de última geração oferecem mais detalhes das lavouras no Cerrado

Além da efetiva cobertura do período de safra propiciado pelas imagens e técnicas de análise aplicadas, observou-se a capacidade de mapear sub alvos, como a identificação de plantações de soja sob sistema de irrigação ou sequeiro de forma mais eficaz, com 88% de precisão. 

Publicado em

em

Lavouras no Cerrado em imagem de satélite - Foto: Divulgação/Embrapa

Uma equipe de pesquisadores da Embrapa, Unicamp e Inpe vem utilizando o conjunto de dados do programa Harmonized Landsat Sentinel-2 para identificar o uso e cobertura da terra e separar as áreas com cultivo da soja, a commodity agrícola mais importante do Brasil, de outras culturas anuais encontradas na região em 2022. Esse tipo de abordagem e de resultados, utilizando sensoriamento remoto, pode contribuir em políticas públicas e no monitoramento dos cultivos agrícolas em larga escala ao longo do ano/safra, de forma menos custosa e mais precisa.

Além da efetiva cobertura do período de safra propiciado pelas imagens e técnicas de análise aplicadas, observou-se a capacidade de mapear sub alvos, como a identificação de plantações de soja sob sistema de irrigação ou sequeiro de forma mais eficaz, com 88% de precisão.

De acordo com Édson Bolfe, pesquisador da Embrapa Agricultura Digital e coordenador do projeto Mapeamento Agropecuário no Cerrado via combinação de imagens multisensores, financiado pela Fapesp  – MultiCER, o uso dos dados HLS eleva sobremaneira o tempo de cobertura de dados (resolução temporal), com até 7 cenas por mês nos mesmos locais, e uma resolução espacial, que indica a menor unidade de área representada, de 30 metros.

“No estudo, com o uso desses satélites de forma integrada, tivemos 13 imagens com menos de 50% de cobertura de nuvens, entre outubro e março, para o mapeamento da safra dos cultivos agrícolas de verão, no ano safra 2021/-2022, na área de estudo. Áreas como o oeste da Bahia, especificamente o local do trabalho, que abrange parcialmente os municípios de Barreiras, Luís Eduardo Magalhães e Riachão das Neves, conhecido como ‘Anel da Soja’ devido à intensa produção desse cultivo, são severamente afetadas pela cobertura de nuvens persistentes, principalmente entre dezembro e fevereiro, quando geralmente se perde cerca de 70% das informações contidas nas imagens. Isso se torna um excelente exemplo do desafio de monitoramento de safra no Brasil: grandes áreas, alta produtividade, ciclo rápido e baixa disponibilidade de dados”, comenta Bolfe.

Conforme Taya Parreiras, pesquisadora doutoranda em Geografia no Instituto de Geociências da Unicamp e integrante do projeto, “monitorar a produção agrícola de sequeiro, que responde por aproximadamente 75% da alimentação global, pode ser beneficiada por abordagens multisensor, pois elas aumentam a periodicidade das observações pelo aproveitamento de informações complementares de múltiplas fontes de dados de satélite, otimizando a capacidade de identificação do tipo de cultura”.

“Durante as visitas de campo, também identificamos áreas em processo de conversão de vegetação natural para possível cultivo anual ou pastagem, em processo de regeneração da vegetação nativa, bem como áreas de silvicultura sendo transformadas em pastagens. Considerando a dinâmica de conversões de uso da terra nesta moderna fronteira agrícola, onde as decisões de mudança são impulsionadas principalmente pelo agronegócio, situações como essas são bastante comuns” diz Parreiras.

Desafios

Dentre os desafios para o mapeamento e monitoramento da agricultura brasileira, destacam-se as dimensões continentais do País, a diversidade produtiva e as condições climáticas que se refletem na elevada presença de nuvens nas imagens. “Imagens de satélite são tradicionalmente utilizadas para o monitoramento agrícola, mas com grandes restrições de uso, sendo uma delas a disponibilidade de imagens suficientes num período de safra. Sensores como o Landsat 8 OLI (Operational Land Imager), por exemplo, possuem uma resolução espacial satisfatória, de 30 m, mas fornecem dados a cada 16 dias, o que, somado à cobertura de nuvens, muito densa e constante em regiões tropicais, resulta em pouca disponibilidade de cenas para o efetivo monitoramento agrícola. Outros sensores de larga escala, como o MODIS (Moderate-Resolution Imaging Spectroradiometer), realizam imageamento diário, mas possuem resolução espacial de 250 m, em si uma grande limitação para aplicações agrícolas, sendo esse um dos dilemas desse tipo de instrumento de sensoriamento remoto que o HLS ajuda a resolver”, explica o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente Luiz Eduardo Vicente, também integrante do projeto.

Outro desafio é a alta heterogeneidade de culturas que, com até três safras anuais em pivôs centrais, aumenta a variação espaço temporal dos alvos, dificultando sua detecção. “Na região do Cerrado, além do aumento das áreas com culturas como soja, milho, algodão e cana-de-açúcar, a diversidade de sistema produtivos também é crescente, a exemplo da integração lavoura-pecuária, que tem sido cada vez mais adotado, principalmente a associação entre milho e braquiária”, destaca Bolfe.

A despeito do novo acesso simplificado a esse tipo de dado “harmonizado”, o processamento das imagens HLS não é algo trivial, demandando algoritmos específicos e testes de aplicação, considerando ajustes de parâmetros como: dados adquiridos em diferentes resoluções, espacial, espectral e radiométrica, bem como distintos ângulos de visão e relações sinal-ruído. Esses procedimentos têm sido realizados por pesquisadores de forma independente, mas a agência espacial norte-americana NASA disponibiliza os dados praticamente prontos para as análises, o que torna o uso do HLS um processo relativamente simples e acessível”, comenta Parreiras.

Em geral, as aplicações de ferramentas de sensoriamento remoto na agricultura ainda requerem informações locais, e a obtenção dessas informações é um dos principais desafios para mapear e monitorar com precisão as principais culturas em escala regional e nacional no Brasil.

“Adquirir dados de campo com volume e equilíbrio necessários nem sempre é possível. Nesse sentido, adotamos uma estratégia de amostragem híbrida, utilizando imagens de alta resolução para agregar informações de alvos cuja identificação é menos complexa, como a vegetação natural, por exemplo,  e dados sistematicamente coletados em campo utilizando o aplicativo AgroTag, que forneceu rapidez e robustez no treinamento e validação dos algoritmos de processamento de classificação, etapas fundamentais para a geração de mapas agrícolas a partir de imagens de satélite”, explica Vicente.

Portanto, os diferentes projetos de mapeamento de uso agrícola no Brasil podem se beneficiar dos dados Harmonized Landsat Sentinel-2 e da metodologia proposta no projeto, potencializando o monitoramento da dinâmica no meio rural e a melhor compreensão de processos como expansão, integração, diversificação, conversão e intensificação agrícola, enfatiza Bolfe.

Programa da Nasa para produzir uma constelação virtual de imagens harmonizadas prontas para análise, com frequência temporal de dois a quatro dias, em valores de refletância de superfície, adquiridas pelos sistemas sensores Landsat Operational Land Imager (OLI) e Sentinel-2 Multispectral (MSI), sendo o primeiro de responsabilidade da NASA (National Aeronautics and Space Administration), e o segundo, da ESA (European Space Agency).

Fonte: Assessoria Embrapa Meio Ambiente

Notícias

Produtores do Paraná poderão ampliar subvenção ao seguro rural com boas práticas de manejo do solo

Projeto-piloto do governo federal oferece descontos maiores no prêmio do seguro para áreas enquadradas em níveis superiores de manejo agrícola.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

Os produtores rurais paranaenses podem obter subvenção federal maior, com base em critérios de manejo e conservação do solo nas culturas da soja e milho safrinha. Para isso, as áreas agrícolas a serem seguradas devem ser enquadradas em Níveis de Manejo (NM) estipulados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM). O projeto-piloto conta com recursos específicos para execução (R$ 1 milhão para cada cultura) e beneficia produtores rurais com percentual maior de desconto nos valores do seguro pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Foto: Divulgação

A ferramenta considera critérios de qualidade do manejo de solo como redutor do risco climático de áreas agrícolas com maior capacidade de infiltração e retenção de água. O NM1 é a condição de risco base e o NM4, a melhor condição de cultivo que garante benefício maior.

“Em tempos de queda nas contratações de seguro rural, toda proposta que venha melhorar a subvenção ao prêmio é bem-vinda”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos técnicos estão à disposição para auxiliar os produtores rurais neste processo”, complementa.

Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com metodologia da Embrapa, o ZarcNM teve o projeto-piloto iniciado na safra 2025/26, somente no Paraná, quando 28 áreas de produção foram classificadas em níveis de subvenção diferenciada. Na temporada 2026/27, o projeto iniciará a fase II, com possibilidade de participação dos produtores de soja do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e milho safrinha no Paraná e Mato Grosso do Sul.

Como acessar

O primeiro passo para ter acesso à subvenção diferenciada é buscar a análise de solo em um laboratório credenciado no Estado. A metodologia das análises não difere das normalmente utilizadas, mas os laboratórios participantes conseguem registrar os dados da área diretamente no sistema (SiNM) da Embrapa.

“Antes mesmo de contratar o seguro, o produtor deve realizar a coleta da amostra de solo, seguindo as orientações do item 7, da Instrução Normativa 2/2025, do Mapa, e encaminhá-la a um laboratório credenciado, solicitando a análise Níveis de Manejo”, orienta Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.

Na sequência, o produtor deve procurar um operador de contrato para providenciar a análise de sensoriamento remoto e incluir as informações no sistema da Embrapa. Então, a plataforma calcula o nível de manejo do talhão e as informações são repassadas pelo operador ao governo federal para que seja definida a subvenção conforme os seis indicadores avaliados para a definição do nível de manejo: tempo sem revolvimento do solo; cobertura do solo com palhada; saturação por bases (V%); teor de cálcio; saturação por alumínio; e histórico de diversidade de cultivos. Três são verificados pela análise de solo e os demais por ferramentas de sensoriamento remoto utilizadas pelos operadores especializados. Para os níveis 2, 3 ou 4, segundo a Embrapa, “áreas com declividade superior a 3% devem, obrigatoriamente, adotar semeadura em nível ou contorno em pelo menos 75% da gleba”.

“Para subvenção maior, ou seja, além do padrão definido pelo PSR, os níveis devem ser de 2 em diante”, comenta Ana Paula. Na cultura de milho segunda safra, para Nível de Manejo (NM) 1, a subvenção será de 40%; NM2, 45%; e para NMs 3 e 4, 50%. Já para a cultura de soja, os cálculos são 20% para NM1; 30%, NM2; 35%, NM3; e 40%, NM4.

A lista de operadores credenciados está disponível no site embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo

Fonte: Assessoria Sistema Faep
Continue Lendo

Notícias

Tarifas dos EUA deve impactar 21% das exportações brasileiras

Governo avalia ampliar parcerias comerciais enquanto negocia para evitar a aplicação das tarifas.

Publicado em

em

Fotos: Claudio Neves

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.

“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.

Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay. 

Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.

“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.

Negociação

Foto: Divulgação/Porto de Santos

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.

O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.

Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.

Fonte: Agência Brasil
Continue Lendo

Notícias

EUA propõem tarifas a 60 países, incluindo o Brasil

Escritório de Comércio norte-americano sugere sobretaxas de até 12,5% sobre importações e abre consulta pública antes da decisão final.

Publicado em

em

Foto: Allan Santos/PR

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na ampliação de sua política comercial protecionista ao propor novas tarifas sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil. A iniciativa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e prevê uma sobretaxa de até 12,5% para produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano.

Foto: Divulgação

A proposta está vinculada a investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento legal que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país e, eventualmente, adotar medidas de retaliação.

Segundo o USTR, a nova rodada de tarifas está relacionada à avaliação das políticas adotadas pelos países investigados para prevenir e combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na avaliação do órgão, falhas nesses mecanismos podem criar distorções competitivas e restringir o comércio norte-americano.

Brasil entre os países com maior alíquota proposta

Enquanto parte dos países investigados foi enquadrada em uma alíquota adicional de 10%, o Brasil aparece no grupo sujeito à tarifa de 12,5%.

A proposta brasileira está inserida em um conjunto de medidas que alcança outros 44 países analisados pelo governo

Foto: Divulgação

dos Estados Unidos. Já Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, Guatemala, Malásia, Taiwan, Equador e El Salvador integram o grupo que poderá ser submetido à tarifa adicional de 10%.

Caso seja implementada, a medida poderá aumentar os custos de acesso ao mercado norte-americano para diversos produtos exportados pelo Brasil, reduzindo a competitividade frente a concorrentes internacionais.

Instrumento de pressão comercial

A Seção 301 é considerada uma das principais ferramentas de política comercial dos Estados Unidos. O mecanismo ganhou destaque nos últimos anos durante disputas comerciais com diferentes parceiros internacionais e permite ao governo norte-americano impor restrições tarifárias mesmo sem a intermediação de organismos multilaterais.

A atual iniciativa também ocorre em um contexto de retomada de medidas emergenciais defendidas pelo governo Donald Trump. Parte dessas tarifas havia sido anulada anteriormente por decisão da Suprema Corte norte-americana, levando a administração federal a buscar novos caminhos regulatórios para restabelecê-las.

Consulta pública antes da decisão final

As tarifas ainda não estão em vigor. O USTR abriu período de consulta pública para receber contribuições de empresas, entidades e governos potencialmente afetados pelas medidas.

As manifestações poderão ser apresentadas até 06 de julho. No dia seguinte, 07 de julho, está prevista uma audiência pública para discussão das propostas.

Somente após a análise das contribuições o governo norte-americano decidirá se as tarifas serão implementadas e em quais condições, etapa que será acompanhada com atenção por exportadores e setores produtivos dos países envolvidos.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.