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ILPF: 6 minutos que fazem a diferença
Informação é relevante para definir estratégias de manejo, já que fêmeas em sombra conseguem sair em busca de alimentos de melhor qualidade

Fêmeas bovinas da raça Canchim monitoradas por 94 dias durante a primavera em sistema integrado lavoura-pecuária-floresta (ILPF) revelaram um nível de atividade mais alto do que aquelas que permaneceram o mesmo tempo em pastos a pleno sol. A pesquisa com esses resultados acaba de ser premiada como melhor trabalho científico do 29º Congresso Brasileiro de Zootecnia – Zootec 2019, realizado em Uberaba (MG) de 13 a 16 de agosto.
O estudo foi desenvolvido na Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos-SP) pela equipe do pesquisador Alexandre Rossetto Garcia. A aluna de doutorado Andréa Barreto, orientada por ele, fez a apresentação no congresso e recebeu o prêmio. O Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal, ao qual ela está vinculada, foi criado por um convênio entre a UFPA (Universidade Federal do Pará), Embrapa e UFRA (Universidade Federal Rural da Amazônia).
O trabalho premiado se chama “Monitoramento eletrônico do comportamento de novilhas de corte mantidas em sistema de ILPF”. A equipe acompanha a rotina de animais por meio de colares eletrônicos com sensores colocados nos bovinos e de receptores que transmitem os dados a computadores da fazenda.
O monitoramento permite acompanhar os períodos em que os animais permanecem em ócio, em atividade ou em ruminação. Neste último caso, de acordo com Andréa, um sensor acústico permite saber se o gado está mastigando ou ruminando. “Também usamos um acelerômetro, aparelho que indica se o animal está em movimento”, disse ela.
Indicação de manejo
A boa notícia vem justamente dos períodos mais quentes do dia, manhã e tarde. Nessas horas, as fêmeas monitoradas sob a sombra das árvores se movimentaram seis minutos a mais em cada hora em comparação com as que estavam expostas ao sol. “Em um dia, isso representa mais de uma hora de movimentação a mais. Isso significa que essas fêmeas desenvolveram outras atividades”, explicou Rossetto.
De acordo com o pesquisador, a informação é relevante para definir estratégias de manejo, já que as fêmeas em sombra conseguem sair em busca de alimentos de melhor qualidade, ficam mais disponíveis para eventos reprodutivos e apresentaram melhores referências biológicas. “Esses eventos refletem na produtividade”, afirmou.
Além da movimentação nas duas áreas, a pesquisa avaliou o tempo de ócio – as fêmeas que estavam a pleno sol permaneceram mais tempo paradas (14%), em comparação com as que estavam sob as árvores, uma atitude típica de animais em desconforto térmico. “O monitoramento permite avaliar também se o ócio era normal ou se indicava algum problema de saúde”, falou Andréa.
Dados do microclima também foram coletados, como temperatura do ar, umidade relativa, velocidade do vento e chuvas. O monitoramento ocorreu em período integral (24 horas por dia). Os dados noturnos e da madrugada não apresentaram diferenças significativas.
Os pesquisadores também calcularam as médias dos índices de temperatura e umidade (ITU) e de globo negro e umidade (ITGU), que apontam quando o animal está em conforto térmico nas condições tropicais. Eles explicaram que quando o ITGU está entre 74 a 78, o animal já apresenta desconforto térmico. Na pesquisa, no período da tarde a pleno sol, esse índice chegou a 79,7, o que caracteriza condição de estresse térmico, enquanto no sistema sombreado as médias variaram de 74,1 a 77,5.
“A ILPF melhora as condições de microclima, atenuando o calor em função da presença das árvores, o que favoreceu a prática de atividades”, disse Andréa. Estudo anterior da equipe de Alexandre Rossetto já apontava que a presença de animais em área sombreada reduzia a procura por água.
As pesquisas vão prosseguir por meio de um projeto recém-aprovado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), que vai avaliar o comportamento de touros no sistema integrado. A pesquisa de doutorado de Andréa, que tem foco em conforto térmico de bovinos a pasto, também continuará sendo desenvolvida na Embrapa de São Carlos.
São parceiros da pesquisa premiada, além das duas universidades do norte do país e Embrapa, a Universidade Federal Fluminense, o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), a empresa Cow Med, a Fapesp, Capes e CNPq.

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Comissão Europeia anuncia aplicação provisória do acordo Mercosul-UE e enfrenta reação da França
Medida pode antecipar redução de tarifas enquanto ratificação completa segue sob contestação judicial no bloco europeu.

A União Europeia anunciou que aplicará provisoriamente o acordo de livre comércio firmado com o Mercosul, numa tentativa de antecipar os efeitos comerciais do tratado enquanto o processo formal de ratificação segue em curso nos países-membros.

Foto: Divulgação
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a medida busca assegurar ao bloco a “vantagem do pioneirismo”. “Já disse antes, quando eles estiverem prontos, nós estaremos prontos. Nessa base, a Comissão irá agora prosseguir com a aplicação provisória”, declarou.
Pelas regras europeias, acordos comerciais precisam ser aprovados pelos governos nacionais e pelo Parlamento Europeu. A aplicação provisória, no entanto, permite que parte das disposições comerciais — como a redução de tarifas — entre em vigor antes da conclusão de todo o trâmite legislativo. Segundo a Comissão, o acordo poderá começar a valer provisoriamente dois meses após a troca formal de notificações entre as partes.
A decisão ocorre em meio a resistências políticas dentro da própria União Europeia. Parlamentares liderados por deputados franceses aprovaram no mês passado a contestação do acordo no tribunal superior do bloco, movimento que pode atrasar sua implementação integral em até dois anos.
A França tem se posicionado como principal foco de oposição. O presidente Emmanuel Macron afirmou que a iniciativa foi “uma surpresa

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado e Gpoint Studio/Freepik
ruim” e classificou como “desrespeitoso” o encaminhamento do tema. O governo francês argumenta que o acordo pode ampliar as importações de carne bovina, açúcar e aves a preços mais baixos, pressionando produtores locais que já realizaram protestos recentes.
Em janeiro, 21 países da UE votaram a favor do tratado, enquanto Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia se posicionaram contra, e a Bélgica se absteve. Defensores do acordo, como Alemanha e Espanha, sustentam que a ampliação de acesso ao mercado sul-americano é estratégica para compensar perdas comerciais decorrentes de tarifas impostas pelos Estados Unidos e para reduzir dependências externas em cadeias de insumos considerados críticos.
Concluído após 25 anos de negociações, o acordo prevê a eliminação de cerca de 4 bilhões de euros em tarifas sobre exportações europeias, sendo apontado pela Comissão como o maior pacto comercial do bloco em termos de potencial de redução tarifária.
No Mercosul, Argentina e Uruguai ratificaram o texto nesta semana. No Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou o acordo, que ainda depende de aval do Senado para concluir o processo interno de ratificação.
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Acordo Mercosul-UE pode entrar em vigor até o fim de maio
Texto aguarda votação no Senado, enquanto União Europeia sinaliza aplicação provisória e governo prepara regulamentação de salvaguardas comerciais.

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta sexta-feira (27), em São Paulo, que o acordo comercial firmado entre o Mercosul e a União Europeia pode entrar em vigor até o fim de maio.

Vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin: “Aprovado no Senado e assinado pelo presidente Lula, teremos uns 60 dias para a vigência” – Foto: Divulgação
Segundo Alckmin, a expectativa do governo é que o texto seja aprovado pelo Senado Federal nas próximas duas semanas. O acordo já passou pela Câmara dos Deputados nesta semana e, se confirmado pelos senadores, seguirá para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Agora foi para o Senado e nós temos expectativa de que aprove em uma ou duas semanas. Aprovado no Senado e assinado pelo presidente Lula, teremos uns 60 dias para a vigência. Esse é o plano. Então, se a gente conseguir resolver em março, até o fim de maio já pode entrar em vigência o acordo”, declarou o vice-presidente.
No âmbito regional, o Parlamento da Argentina ratificou o texto na quinta-feira (26), movimento já acompanhado pelo Uruguai, ampliando o alinhamento interno no bloco sul-americano.
União Europeia
Do lado europeu, a Comissão Europeia informou nesta sexta-feira que pretende aplicar provisoriamente o acordo de livre comércio com o Mercosul. A medida busca assegurar ao bloco europeu a chamada “vantagem do pioneirismo”, permitindo a implementação de dispositivos comerciais antes da conclusão de todo o processo legislativo.
Em regra, a União Europeia aguarda a aprovação formal dos acordos de livre comércio tanto pelos governos nacionais quanto pelo

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado e Gpoint Studio/Freepik
Parlamento Europeu. No entanto, parlamentares europeus,liderados por deputados franceses, aprovaram no mês passado uma contestação judicial ao acordo no tribunal superior do bloco, o que pode retardar sua implementação integral em até dois anos.
Mesmo com a necessidade de aprovação pela assembleia europeia, o mecanismo de aplicação provisória permite que União Europeia e Mercosul iniciem a redução de tarifas e coloquem em prática outros compromissos comerciais enquanto o processo de ratificação completa seu curso institucional.
Salvaguardas
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo encaminhou nesta sexta-feira proposta à Casa Civil para regulamentar as salvaguardas previstas no acordo entre Mercosul e União Europeia. Esses mecanismos permitem suspender a redução de tarifas caso haja aumento expressivo das importações que provoque desequilíbrios no mercado interno.
Após a análise da Casa Civil, o texto ainda deverá passar pelos ministérios da Fazenda e das Relações Exteriores antes de seguir para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A expectativa, segundo Alckmin, é concluir essa regulamentação nos próximos dias, antes mesmo da votação do acordo pelo Senado. “O acordo prevê um capítulo sobre salvaguarda. A gente espera que nos próximos dias, antes ainda da votação do Senado [sobre o acordo], que a salvaguarda seja regulamentada”, disse.

Foto: Divulgação
Ele afirmou que a abertura comercial prevista no tratado parte da premissa de ganhos para consumidores e empresas, com acesso a produtos de melhor qualidade e preços mais baixos. Ressaltou, contudo, que o instrumento de salvaguarda funcionará como mecanismo de proteção em caso de desequilíbrio. “Agora, se tiver um surto de importação, você precisa de uma salvaguarda, que suspende aquela redução de impostos. Isso está previsto para os europeus também e é isso que será regulamentado.”
Sobre o acordo
Pelo cronograma negociado, o Mercosul eliminará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos. A União Europeia, por sua vez, zerará tarifas sobre 95% dos bens exportados pelo bloco sul-americano em até 12 anos.
O tratado abrange um mercado de mais de 720 milhões de habitantes. A ApexBrasil estima que a implementação do acordo pode elevar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões, além de ampliar a diversificação da pauta externa, com potencial impacto também sobre segmentos industriais.
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Mercosul e Canadá realizam oitava rodada de negociação para acordo comercial em Brasília
Blocos avançam em capítulos técnicos e preparam nova etapa em abril. Comércio bilateral Brasil-Canadá somou US$ 10,4 bilhões em 2025.

O Mercosul e o Canadá concluíram nesta sexta-feira (27), em Brasília, a oitava rodada de negociações do acordo de livre comércio entre as partes. As tratativas, retomadas em outubro de 2025 após período de menor dinamismo, sinalizam a intenção de ambos os lados de acelerar a construção de um marco jurídico para ampliar o fluxo de comércio e investimentos.

Foto: Divulgação
De acordo com nota conjunta divulgada pelos ministérios das Relações Exteriores, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e da Agricultura, a rodada reuniu os negociadores-chefes e promoveu encontros presenciais dos grupos técnicos responsáveis pelos capítulos de comércio de bens, serviços, serviços financeiros, comércio transfronteiriço de serviços, comércio e desenvolvimento sustentável, propriedade intelectual e solução de controvérsias.
A estratégia brasileira é avançar simultaneamente na consolidação de textos e na troca de ofertas, etapa considerada sensível em acordos dessa natureza por envolver redução tarifária, regras de acesso a mercados e compromissos regulatórios. Uma nova rodada está prevista para abril, quando os grupos técnicos deverão aprofundar a convergência em áreas ainda pendentes.
Para o governo, o acordo com o Canadá se insere no esforço de diversificação de parceiros comerciais em um cenário internacional
marcado por maior fragmentação geoeconômica e disputas tarifárias. A avaliação é que a integração produtiva com a economia canadense pode ampliar oportunidades em setores como agroindústria, mineração, energia e serviços.
Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Canadá alcançou US$ 10,4 bilhões, com superávit brasileiro de US$ 4,1 bilhões, segundo dados oficiais. O saldo favorável reforça o interesse do país em consolidar acesso preferencial ao mercado canadense, ao mesmo tempo em que busca ampliar a previsibilidade regulatória para empresas dos dois lados.



