Suínos Saúde Animal
Ileíte: novas abordagens para o controle
Perdas econômicas causadas pela Ileíte são estimadas entre R$ 6,50 até R$ 49 por animal de terminação

Artigo escrito por César Feronato, gerente técnico Suinocultura da MSD Saúde Animal
A ileíte causada pela Lawsonia intracellularis continua sendo um problema nos sistemas de produção de suínos em todo o mundo. A L. intracellularis é uma bactéria intracelular Gram-negativa capaz de infectar uma série de espécies de animais. Em suínos, a bactéria causa Enteropatia proliferativa suína ou porcina (ileíte). Os animais clinicamente acometidos exibem diarreia e baixo desempenho de crescimento. Nos suínos jovens e adultos, a infecção pode levar a uma forma hemorrágica aguda da doença, caracterizada por diarreia com fezes pretas tipo “alcatrão”, o que pode culminar no óbito. A L. intracellularis também infecta os suínos de forma subclínica, sem sinais clínicos claros, mas ainda resulta em declínio no desempenho de crescimento.
Um agente mundialmente difundido
A distribuição mundial e a alta prevalência da L. intracellularis foram identificadas desde a caracterização inicial desse patógeno no início dos anos 90; além disso, relata-se que a L. intracellularis afeta 57-100% dos rebanhos mundialmente. Já estudos sorológicos mostraram que a prevalência de rebanhos positivos para Enteropatia proliferativa varia entre 60 a 90% em diferentes países.
Sinais clínicos
Existem três formas distintas da Ileíte: aguda, crônica e subclínica.
A forma aguda acomete suínos de 4 – 12 meses de idade (final de terminação, leitoas de reposição e fêmeas jovens), que apresentam fezes escuras, hemorragia intestinal profusa, palidez e morte súbita.
Já a forma crônica, afeta leitões em crescimento, entre 6-20 semanas de idade, onde os mesmos apresentam fezes pastosas (4 semanas), apatia, anorexia e redução no crescimento.
Na forma subclínica, os animais estão clinicamente normais, porém, apresentam redução no crescimento, piora da CA e desuniformidade. Esta forma subclínica é a considerada a mais prevalente nos dias atuais e os animais são disseminadores silenciosos, que leva a um importante impacto epidemiológico, na maioria das vezes subestimado por produtores e indústrias.
Impacto econômico
A L. intracellularis é a principal causa de problemas de diarreia em animais de crescimento e terminação, não só no Brasil, mas em todos os países de produção suinícola relevante.
As perdas econômicas causadas pela Ileíte são estimadas entre R$ 6,50 até R$ 49,00 por animal de terminação. A redução no GPD pode variar entre 17% – 84%. Um estudo realizado avaliando parâmetros clínicos de desempenho e alterações histológicas e macroscópicas em leitões inoculados com homogenado de mucosa de animais doentes, comprovou uma redução de 37% – 42% no GPD e uma piora de 27% – 37% na CA.
Tratamento e controle
Antes de qualquer apontamento de controle, devemos sempre colocar em primeiro lugar, medidas de biosseguridade, com uma adequada aclimatação de animais de reposição e manejo sanitário integrado para todos os agentes, além de medidas de higiene, limpeza e desinfecção adequadas, adotar medidas de vazio sanitário aplicando all in / all out, e realizar um rigoroso controle de roedores.
Quanto a tratamentos terapêuticos, essa bactéria pode ser tratada com vários antibióticos, particularmente aqueles dos grupos dos macrolídeos, das pleuromutilinas e das quinoxalinas.
Já para controlar preventivamente, existem vacinas disponíveis no mercado. Uma vacina viva modificada (atenuada) recomendada para ser administrada pela via oral e uma vacina inativada (Porcilis® Ileitis – MSD Saúde Animal) recomendada para administração pela via Intramuscular.
Devido à natureza viva da vacina oral, não é possível o uso concomitante com antibióticos eficazes contra a L. intracellularis. A utilização da vacina oral requer práticas rigorosas e estritas de manejo para evitar o uso simultâneo de tratamentos com antibióticos. Contudo, o emprego profilático de uma vacina inativada não é limitado nesse sentido, e por sua vez, pode ser administrada concomitantemente com tratamentos terapêuticos sem restrição alguma. Outro ponto, é a possibilidade de realizar o tratamento individualizado, e com isso, ter a certeza de imunização de todos os animais.
Estudo comprova a robusta proteção contra a infecção pela L. intracellularis com o uso de vacina inativada
Um robusto estudo foi conduzido em 2018, avaliando a eficácia de uma nova vacina intramuscular inativada de célula inteira contra a bactéria L. intracellularis, onde os autores utilizaram 85 animais, divididos em grupo sentinela, vacinado, e placebo com duas fases de avaliação cada. Neste estudo foram avaliados índice de escore de fezes, índice de lesões macro e microscópicas, avaliação da integridade intestinal e índice de excreção de L. intracellularis e avaliação imunológica dos animais.
Constatou-se que essa vacina se mostrou segura em suínos quando administrada sob condições típicas a campo com 3 semanas de vida antes do desmame. Após o desafio, foram observados sinais de ileíte clínica grave em 40% dos controles, mas não nos suínos vacinados. A proteção dos animais vacinados também foi confirmada por meio da observação macroscópica do íleo, bem como através do exame histopatológico. Para cada um desses parâmetros, um número significativamente maior de animais do grupo-controle foi acometido, em comparação com os animais vacinados. Juntos, esses resultados indicam que a vacina reduziu tanto a incidência como a gravidade dos sinais clínicos. A integridade intestinal também foi preservada e comprovada por provas de imuno-histoquímica nos grupos vacinados e houve uma ampla redução na excreção da bactéria pelas fezes.
Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2019.

Suínos
Núcleo da suinocultura do Paraná reage à autorização para recolha de suínos mortos
Frimesa e Coopavel divulgaram comunicados nos quais reafirmam a manutenção dos protocolos sanitários atuais e rejeitam a retirada de carcaças das propriedades, sob argumento de proteção da biosseguridade e do mercado exportador.

A autorização inédita concedida no Paraná para recolhimento, transporte, processamento e destinação de animais mortos em propriedades rurais provocou reação no centro da suinocultura estadual. Após a formalização, pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), do primeiro credenciamento para esse tipo de operação, Frimesa e Coopavel divulgaram comunicados nos quais informam que não adotam a retirada de suínos mortos das propriedades e defendem a manutenção dos procedimentos sanitários já em vigor. A Adapar oficializou o credenciamento da A&R Nutrição Animal, de Nova Aurora, com base na Portaria nº 012/2026.
Na comunicação assinada pelo presidente executivo Elias José Zydek, a Frimesa informa que o Conselho de Administração decidiu “manter os procedimentos sanitários atuais, dentre os quais, a não retirada dos suínos mortos das criações nas propriedades rurais”. No mesmo texto, a cooperativa afirma que “a sanidade e as normativas de biossegurança no Sistema de Integração Suinícola das Cooperativas Filiadas e Frimesa deverão ser cumpridas em conformidade com a legislação vigente, bem como para garantir as habilitações para as exportações”.
A Coopavel adotou tom ainda mais direto. Em comunicado, a cooperativa afirma que “não autoriza e não adota a prática de recolhimento de carcaças”. Na sequência, lista os motivos para a posição institucional. Segundo o texto, a coleta “facilita a disseminação de vírus e bactérias entre as propriedades”, aumenta o risco sanitário dos plantéis, pode comprometer o status sanitário da região e afeta diretamente a sustentabilidade de toda a cadeia produtiva suinícola”. A orientação da cooperativa é para que “carcaças de suínos devem ser destinadas corretamente na própria propriedade, seguindo as orientações técnicas da Coopavel”.
Resistência
A manifestação das duas cooperativas expõe que, embora o credenciamento tenha sido autorizado pela Adapar, sua adoção prática encontra resistência justamente entre agentes de peso da cadeia integrada de suínos no Paraná. Na prática, o que está em disputa não é a existência do ato regulatório, mas a aceitação, dentro dos sistemas de integração, de um modelo que envolve circulação externa para recolhimento de animais mortos.
Com os comunicados de Frimesa e Coopavel, o tema passa a ter uma nova dimensão. O credenciamento existe, está formalizado e tem respaldo normativo. Ao mesmo tempo, cooperativas centrais da suinocultura paranaense deixam claro que, em seus sistemas, o protocolo permanece sendo a destinação dos animais mortos dentro da própria propriedade, sob a justificativa de biosseguridade, proteção sanitária e preservação das condições exigidas pelos mercados exportadores.
Compostagem
A própria Adapar afirma que a retirada de animais mortos por terceiros continua proibida, sendo permitida apenas para empresas credenciadas, e reforça que o principal destino dos suínos mortos “ainda deve ser a compostagem dentro das próprias propriedades, permanecendo como a prática mais recomendada e utilizada”. O órgão também destacou que o manejo dentro da propriedade reduz riscos sanitários e advertiu que empresas credenciadas não devem adentrar áreas limpas das granjas, para evitar contaminação cruzada.
A autorização concedida pela Adapar prevê que a empresa credenciada poderá recolher, transportar, processar e destinar animais mortos e resíduos da produção pecuária no Estado, com validade de três anos. A portaria também veda o recolhimento de carcaças oriundas de outros estados e proíbe o uso dos produtos gerados no processamento na fabricação de alimentos para consumo animal ou humano. Segundo a publicação, o material processado tem como destino biocombustível, indústria química e fertilizantes.
Suínos
ABCS reúne produtores para discutir integração na suinocultura
Encontro online marca início de agenda voltada ao fortalecimento da relação com agroindústrias.

A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) realizou, na última quarta-feira (16), a 1ª Reunião do Departamento de Integração, reunindo representantes de diferentes regiões do país em um encontro online voltado ao fortalecimento da relação entre produtores integrados e agroindústrias.
A abertura foi conduzida pelo presidente da ABCS, Marcelo Lopes, e pelo conselheiro de Integração e Cooperativismo da entidade, Alessandro Boigues. Ambos destacaram o papel estratégico do departamento para 2026 e reforçaram a importância da organização dos produtores por meio das Comissões para Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (CADECs). Segundo Boigues, a ABCS está à disposição para apoiar demandas específicas das comissões, fortalecendo o diálogo e a troca de experiências entre os produtores.
“O distanciamento entre a alta gestão de algumas agroindústrias e a realidade enfrentada na base da produção é uma realidade. Por isso, aproximar esses dois níveis deve ser uma prioridade para avançarmos nas relações de integração no país”, destacou o conselheiro.
Contratos de integração exigem atenção técnica e jurídica
A primeira agenda teve como prioridade o debate sobre os contratos de integração, com base na Lei nº 13.288/2016. Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, a questão contratual é hoje um dos pontos mais sensíveis da suinocultura brasileira. “Precisamos garantir que os contratos reflitam, de fato, equilíbrio e transparência na relação entre produtores e agroindústrias. A Lei de Integração existe para dar segurança jurídica, mas ela só se efetiva quando é compreendida e aplicada na prática. O fortalecimento das CADECs é fundamental nesse processo, porque é na base que os desafios aparecem e precisam ser enfrentados com organização e diálogo”, destacou.
A reunião contou ainda com a participação da advogada da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Karoline Cord Sá, que reforçou a necessidade de maior clareza nos critérios técnicos que definem a remuneração dos produtores, além de alertar sobre cláusulas que podem gerar desequilíbrio contratual. O encontro foi encerrado com espaço para troca de experiências entre os participantes, reforçando a importância da atuação coletiva para garantir maior equilíbrio, transparência e segurança jurídica nas relações de integração.
A iniciativa marca o início de uma agenda estruturada do Departamento de Integração da ABCS para 2026, com foco em ampliar o protagonismo dos produtores e consolidar boas práticas nas relações contratuais do setor suinícola.
Suínos
Startup desenvolve tecnologia inédita para reduzir natimortalidade na suinocultura
Equipamento em fase de protótipo auxilia o parto e busca reduzir perdas nas granjas.

A Pigma Desenvolvimentos, startup com sede em Toledo, desenvolveu uma cinta massageadora voltada a matrizes suínas para auxiliar no trabalho de parto.
O projeto, chamado PigSave, utiliza estímulos físicos que favorecem a liberação natural de ocitocina, contribuindo para a redução dos índices de natimortalidade. O equipamento também busca diminuir o estresse e a dor dos animais, além de aumentar a produção de colostro. A proposta é substituir ou otimizar a massagem que normalmente é realizada de forma manual durante o parto.
Segundo o CEO Marcelo Augusto Hickmann, o desenvolvimento da solução passou por um processo de reestruturação, com foco no aprimoramento do produto e na validação por meio de pesquisa aplicada. A iniciativa tem como objetivo ampliar o bem-estar animal e melhorar a usabilidade da tecnologia no campo.
O equipamento ainda está em fase de prototipagem, com ajustes e testes para mensurar os resultados. A empresa também mantém parceria com a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) para o desenvolvimento de pesquisas relacionadas ao projeto.
Fundada em 2020, a Pigma Desenvolvimentos atua na criação de soluções tecnológicas voltadas a demandas industriais e do agronegócio, com foco em automação e ganho de produtividade. Seus projetos integram hardware e software para atender necessidades específicas de produtores e empresas do setor.



