Peixes
IFC Brasil cresce e contribui com avanços do setor de pescado no país
Maior encontro do setor chega em sua sexta edição com sete eventos simultâneos e atinge novos recordes de palestras, trabalhos científicos, empresas participantes e inovando com Net Zero.

Num mundo cada vez mais competitivo, observamos a aquicultura global diante de três megatendências: o aumento do consumo e da produção de pescado, a exigência para seguir padrões sustentáveis e bem-estar animal e inovações tecnológicas capazes de transformar profundamente as formas e os métodos de produção na aquicultura. Pois esses são justamente os pilares centrais das discussões do IFC Brasil 2024, o International Fish Congress & Fish Expo Brasil, que inicia sua programação nesta terça (24) e segue até quinta-feira (26) em Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná.

CEO do International Fish Congress Brasil, Eliana Panty: “A proteína do futuro tem tudo para colocar o Brasil entre os maiores players mundiais”
Consagrado pelo elevado nível dos debates, debatedores e público, o evento registra crescimento em cada edição e agora chega em seu sexto ano em fase de expansão para a América Latina e outros continentes. O objetivo é consolidar a sua internacionalização na região e caminhar para a globalização, pontuou a CEO do International Fish Congress Brasil, Eliana Panty.
Este crescimento também foi impulsionado pelo bom momento da cadeia produtiva, com aumento de produção, consumo e comércio internacional na última década, acredita o presidente do evento, Altemir Gregolin, apontando as oportunidades para o setor. “Com a crescente demanda mundial por pescado, o Brasil pode se consolidar como um grande fornecedor mundial. As condições naturais e a expertise do agro brasileiro colocam o país em condição de ganhar cada vez mais espaço. Nosso potencial de produção chega a mais de 20 milhões de toneladas de pescado por ano, fator decisivo diante do fato de regiões tradicionais de produção, como o Sudeste Asiático, estarem reduzindo o ritmo de crescimento por desafios relacionados à sustentabilidade, matéria-prima para ração e áreas de expansão, entre outros”, pontuou o especialista.
Neste cenário de oportunidades, o evento espera reunir cerca de 4 mil participantes, desde lideranças da indústria e do mercado, passando por aquicultores, pela cadeia de suprimentos e investidores. “Vamos debater os mais diversos assuntos. O foco é oferecer um ambiente capaz de aproximar produtores, empresários e mercado, difundindo novas tecnologias e criando um ambiente estratégico para negócios”, disse Panty.
Para Gregolin, parte desse sucesso se deve ao fato de o IFC Brasil entregar uma experiência imersiva de troca de percepções, insights e networking em um ambiente interdisciplinar com todos os elos da cadeia. “O IFC Brasil tem um tripé: é um evento de cadeia, reúne ao mesmo tempo o setor produtivo, a academia e o governo e é forte em conteúdo, exposição de tecnologias e negócios”, segue o especialista mencionando o crescimento exponencial do encontro.
O crescimento do IFC Brasil
O IFC Brasil surgiu como um evento nacional e se consolidou como um grande evento internacional. Hoje é o maior evento da cadeia de pescado do país e um dos maiores eventos da América Latina.
De acordo com ele, essas características reforçam o IFC Brasil como um evento colocado à realidade do setor e capaz de pensar o futuro, vislumbrando cenários e propondo caminhos para o desenvolvimento e para os negócios”, diz contando que o encontro “começou, em 2019, com pouco mais de 30 expositores, hoje são mais de 150. Começou com pouco mais de 30 conferencistas, hoje são mais de 70 conferencistas nacionais e internacionais. Foram pouco mais de 1 000 participantes na primeira edição, hoje são mais de 4 mil participantes do Brasil e do exterior”.
E, se de um lado, o bom momento do setor contribuiu com a expansão do evento, do outro lado, podemos dizer que as discussões promovidas pelo encontro entre lideranças de todos os elos da cadeia produtiva e as inovações apresentadas contribuíram para este desenvolvimento do setor. Para Gregolin, a expansão de um lado alimentou o crescimento do outro, e vice-versa. “Podemos dizer que o IFC cresceu junto com o setor na mesma medida em que o evento contribuiu com os avanços de toda a cadeia”, disse.

Presidente do IFC Brasil, Altemir Gregolin: “Nosso potencial de produção chega a mais de 20 milhões de toneladas de pescado por ano”
Perspectivas para o mercado Aqua
Projeções da FAO, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, apontam a aquicultura e a pesca com papel central no desafio de alimentar um mundo com população crescente que vai demandar alimentos saudáveis, seguros, com menor impacto ambiental e economicamente viável. Para se ter uma ideia, o mundo atingiu novo recorde de produção, que chegou a 223,2 milhões de toneladas. Delas, 185,4 milhões de toneladas de animais aquáticos e outras 37,8 milhões de toneladas de algas.
O consumo também seguiu a tendência de crescimento. Subiu de 20,2 quilos por habitante ao ano em 2020 para 20,7 quilos por habitante ao ano em 2022. O comércio internacional teve uma expansão de 19% em três anos, atingindo US$ 195 bilhões e envolveu 230 países e territórios no mundo. O comércio de pescado é maior que o de todas as demais proteínas de origem animal juntas, lembra Gregolin destacando que a expectativa até 2032 é que a produção e o consumo de pescado continuarão crescendo.
Avanços tecnológicos
Diante deste quadro, a evolução do setor vai passar por transformações importantes e os avanços virão de inovações tecnológicas, aposta Panty. “Recirculação de água, alimentação inteligente e de precisão, produção de peixes baseada em dados. Definitivamente o salto de produtividade que tanto esperamos virá através da tecnologia”, pontuou.
Para ela, a tecnologia será a aliada de primeira hora para atender o projetado aumento de consumo na próxima década e além. “Tudo isso vai acontecer em um cenário de escassez hídrica e emergências climáticas que podem impactar a oferta e o preço dos grãos. A proteína do futuro tem tudo para colocar o Brasil entre os maiores players mundiais”.
Neste cenário, Panty cita tendências que já são realidade em diferentes escalas e em diferentes continentes, como a criação de peixes baseada em dados que acelera o processo de produção, os Recirculating Aquaculture Systems (RAS) e as tendências da aquicultura de precisão avançam em ambiente controlado. “As novas tecnologias viabilizam ao setor cada vez mais acesso a dados que dão suporte para a tomada de decisões mais assertivas com uso de inteligência artificial e big data”, afirmou a executiva.
O IFC Brasil 2024
Para esta edição, o IFC Brasil 2024 vai reunir sete eventos simultâneos:
- Congresso Internacional de Aquicultura: O encontro vai debater algumas das questões mais relevantes da atualidade e traçar cenários para o setor. Entre os temas discutidos estão Economia Azul e o desenvolvimento sustentável para atender a demanda crescente, estratégias para consolidação das exportações brasileiras, acesso ao crédito e inovações do setor, entre vários outros assuntos.
- Feira de Tecnologias e Negócios (VI Fish Expo): A última edição Fish Expo, no ano passado, atingiu a marca de R$ 180 milhões em negócios com uma feira de 150 empresas expositoras e patrocinadoras. “Desta forma, o IFC Brasil se consolidou como plataforma de lançamento para inovações e parcerias estratégicas no mercado global de pescado”, salientou Panty.
- 2ª Aquacultura 4.0: Promovida pela Embrapa Pesca e Aquicultura e Embrapa Digital, a segunda edição do Fórum Aquicultura 4.0 debate tendências e oportunidades em aquicultura digital e de precisão voltadas também à agricultura familiar, startups e com participação de palestrantes do Chile e do Canadá.
- 2ª Rodada Internacional de Negócios: Realizada em parceria com a Apex Brasil e a Abipesca, a Rodada Internacional de Negócios, reúne empresas brasileiras da aquicultura com compradores internacionais. Na última edição, realizada no ano passado, teve seis compradores e 14 empresas vendedoras. Para este ano, importadores dos Estados Unidos, México e Oriente Médio já confirmaram participação.
- Apresentação de Trabalhos Científicos: Organizada pela Unioeste e Unila, a apresentação dos Trabalhos Científicos atinge um novo recorde neste ano, com mais de 130 trabalhos inscritos. Em seis edições são mais de 550 trabalhos científicos que serão publicados em livro.
- 4ª Encontro Mulheres da Aquicultura: Com o com o tema Cooperativismo e Negócios, o objetivo é reunir mulheres que atuam na cadeia produtiva do pescado para debater desafios e oportunidades do segmento e o papel da liderança feminina no desenvolvimento do setor.
- Workshop sobre Sistema de Recirculação de Água: Organizado em parceria com a empresa BluEco Net, a Unioeste e com o Ministério Federal da Educação e Pesquisa da Alemanha, este encontro vai debater os conceitos de RAS e sua aplicabilidade na indústria, especialmente devido à necessidade atual de produção de juvenis em sistemas intensivos.
Net Zero
O maior encontro do setor vai zerar as emissões de gases de efeito estufa na atmosfera e promover ações de compensação pelo impacto ambiental criado para a realização do evento. Para Panty, esta iniciativa faz parte do propósito de produção de proteína com menor pegada de carbono. “Seguimos a linha da sustentabilidade como fio condutor do evento desde a primeira edição”.
Para isso, ela contratou uma empresa de consultoria, a Net Zero. Todo impacto gerado pelo encontro será calculado para que se chegue no valor de carbono equivalente (CO2e) do IFC Brasil 2024, que será certificado pela GPX, empresa que vai neutralizar todo o carbono gerado pelo evento pelo consumo de energia dos três dias.
Patrocínios e apoios
O IFC Brasil 2024 é correalizado pela Fundep (Fundação de Apoio ao Ensino, Extensão, Pesquisa e Pós-graduação), Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná), UFPR (Universidade Federal do Paraná) e a sua Fundação, a Funpar.
Patrocinam o IFC Brasil: CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), Itaipu Binacional, Caixa Econômica Federal, MPA (Ministério da Pesca e Aquicultura), Governo Federal, Sistema CFMV/CRMV`s, Sanepar, Copel Energia, Governo do Paraná, Banco do Brasil, BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul) e Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).
Apoiam o IFC Brasil a APEX Brasil, ABIPESCA (Associação Brasileira das Indústrias de Pescados), PEIXE BR (Associação Brasileira da Piscicultura) e Unila (Universidade Federal da Integração).
Para ficar por dentro de tudo que acontece dos principais assuntos que norteiam o setor aquícola do Brasil acesse a edição digital de Aquicultura clicando aqui. Boa leitura!

Peixes
Tilápia registra queda nas cotações em todas as principais regiões produtoras
Levantamento do Cepea mostra retração semanal entre 0,10% e 0,61% nos preços pagos ao produtor.

Os preços da tilápia apresentaram recuo em todas as principais regiões produtoras monitoradas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) na semana de 13 a 17 de julho.
O maior valor foi registrado no Norte do Paraná, onde o quilo da tilápia foi negociado a R$ 10,31, apesar da retração semanal de 0,61%. Em seguida aparecem o Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, com cotação de R$ 10,04 por quilo e queda de 0,50%, e a região dos Grandes Lagos, onde o preço fechou em R$ 9,80, recuo de 0,52%.
Em Morada Nova de Minas, o quilo da tilápia foi comercializado a R$ 9,48, com desvalorização de 0,26% na comparação com a semana anterior.
No Oeste do Paraná, a cotação ficou em R$ 8,70 por quilo, a menor entre as regiões pesquisadas. Apesar disso, o mercado registrou a menor variação negativa da semana, com queda de 0,10%.
Os dados são do levantamento semanal do Cepea, que acompanha a evolução dos preços da tilápia nas principais regiões produtoras do país.
Peixes
Seguro-defeso pode passar a ser pago durante todo o período de proibição da pesca
Mudança também prevê cadastro nacional de pescadores artesanais e regras mais rígidas para combater fraudes na concessão do benefício.

Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados prevê que o Seguro-Desemprego do Pescador Artesanal seja pago durante todo o período em que a pesca estiver proibida por medidas de preservação ambiental.
O Projeto de Lei 806/2026 altera a Lei nº 10.779/2003, que regulamenta o seguro-defeso, benefício concedido aos pescadores artesanais durante a paralisação temporária da atividade para garantir a reprodução das espécies.

Foto: Claudio Neves
Segundo o texto, o objetivo é evitar situações em que o pescador permanece impedido de exercer a atividade por determinação legal, mas deixa de receber o benefício durante parte do período de restrição.
Além da ampliação da cobertura, a proposta cria o Cadastro Nacional de Pescadores Artesanais e Marisqueiras. A ferramenta deverá reunir informações para registro, controle e cruzamento de dados, permitindo maior fiscalização na concessão e no acompanhamento do seguro-defeso.
O projeto também endurece as regras contra fraudes. Pela proposta, quem obtiver ou tentar obter o benefício mediante fraude ou má-fé ficará impedido de participar ou receber benefícios de programas sociais.
Autores da proposta, os deputados Carla Dickson (PL-RN) e Sargento Gonçalves (PL-RN) afirmam que a medida busca garantir que os recursos do seguro-defeso sejam destinados exclusivamente aos profissionais que dependem da pesca artesanal como fonte de renda.
Tramitação
O projeto será analisado, em caráter conclusivo, pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Para entrar em vigor, a proposta ainda precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.
Peixes
Ruído de embarcações compromete comunicação dos peixes, aponta estudo
Pesquisa da UFPE indica que a poluição sonora pode afetar alimentação, reprodução e defesa de território, com reflexos para a saúde dos recifes e da pesca.

O ruído de motores de embarcações, como lanchas e motos aquáticas, e de banhistas afeta a comunicação sonora entre os peixes, o que pode causar impactos negativos na alimentação, reprodução e defesa de território de várias espécies. A poluição sonora encobre os sons emitidos pelos peixes e representa risco para a saúde de recifes de corais.
A constatação faz parte de um artigo de pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), publicado nesta segunda-feira (20), na revista científica Neotropical Ichthyology e divulgado pela Agência Bori, voltada a estudos científicos.

Foto: MPA
Apesar de a publicação ser em inglês, o periódico é editado pela revista oficial da Sociedade Brasileira de Ictiologia (SBI). A ictiologia é o ramo da zoologia dedicado ao estudo científico dos peixes.
De acordo com um dos autores do estudo, Túlio Freire Xavier, do Laboratório de Pesquisa em Ictiologia e Ecologia de Recifes da UFPE, a análise mostrou que “houve uma redução clara na ocorrência dos sons produzidos pelos peixes”.
Segundo ele, a diminuição foi identificada “justamente” onde havia maior presença de ruído causado pela ação humana. “Isso pode acontecer porque os sons ficam mascarados pelo barulho das embarcações, tornando-se mais difíceis de detectar, ou porque alguns peixes realmente reduzem ou alteram sua produção sonora em resposta ao ruído”, diz.
Ele detalha que muitos peixes utilizam sons durante comportamentos como reprodução, defesa de território e alimentação. “Se essa comunicação for prejudicada, esses comportamentos também podem ser afetados”, assinala.
Praias turísticas
O estudo monitorou ruídos produzidos pela atividade humana, como de motores de embarcações, de parapentes e da própria movimentação de banhistas no mar. Ao mesmo tempo, os pesquisadores acompanharam os sons emitidos por peixes nessas áreas.

Foto: Denis Ferreira Netto/SEDEST
O trabalho de campo foi conduzido em duas regiões turísticas no litoral de Pernambuco: as praias de Carneiros, na Área de Proteção Ambiental (APA) de Guadalupe; e Tamandaré, na APA Costa dos Corais.
Essas duas praias foram selecionadas por serem destinos turísticos populares com dinâmicas diferentes, o que permitiu comparar os impactos sonoros.
Carneiros é um destino popular durante o ano todo, enquanto Tamandaré apresenta variações sazonais, com pico no verão.
Em cada praia, os pesquisadores mediram os sons tanto em pontos perto da costa, mais influenciados pela atividade humana; e pontos abrigados, onde a estrutura de recifes serve como barreira para o som.
Forma de medição
Para chegar aos resultados, os pesquisadores instalaram nos pontos de monitoramento um sistema de gravação subaquática. Cada sessão de monitoramento teve dez horas contínuas de gravação diária, somando 80 horas de dados acústicos.
Além de captura dos sons, mergulhadores fizeram uma espécie de censo visual, contando a quantidade e espécie de peixes. Foram encontradas de 18 a 23 espécies. Em Carneiros, eles localizaram quase 1,4 mil peixes.
Os registros foram realizados em janeiro e fevereiro de 2022, período de alta temporada, e em abril de 2023.
Sons dos peixes
A pesquisa identificou nove diferentes tipos de sons de peixes. Três deles deixaram de ser emitidos em locais expostos à presença de pessoas.
A ictiologia explica que os peixes produzem grande diversidade de sons, que são fundamentais para sua comunicação e sobrevivência nos recifes, que se manifestam por meio de pulsos, às vezes únicos, às vezes repetidos e formando sequências. Alguns peixes não produzem sons.

Foto: Divulgação
Os sons emitidos pelos peixes são relacionados a comportamentos específicos e famílias de peixes. Biologicamente, são essenciais para localização de parceiros e reprodução, defesa de território contra invasores, interações em grupo, e alimentação e detecção de predadores.
A poluição sonora humana foi relacionada também à redução na complexidade acústica – índice que mede a variação de padrões sonoros dos peixes ao longo do tempo.
Os ruídos causam um fenômeno chamado “mascaramento acústico”, quando o som contínuo dos barcos esconde sinais acústicos dos peixes. Outro impacto é a supressão de comportamento, quando o ruído pode levar os peixes a reduzir ou cessar vocalizações.
Consequências
O pesquisador Túlio Freire Xavier destaca que os peixes da região são fundamentais para a saúde dos recifes de corais, contribuindo para o equilíbrio de cadeias alimentares. “Os peixes recifais desempenham papéis importantes no controle de algas, na manutenção dos corais e na produtividade desses ambientes.”
Ele ressalta que os recifes sustentam atividades importantes para a economia da região, como o turismo e a pesca artesanal. “Quando a poluição sonora interfere no comportamento desses peixes, existe o potencial de afetar, ainda que de forma indireta, os serviços ecossistêmicos que esses ambientes oferecem”, diz.
Outras regiões
O especialista da UFPE aponta que, apesar de o experimento ter sido realizado no litoral pernambucano, o impacto de sons da atividade humana na vida dos peixes não é “exclusivo desses locais”. “Sempre que houver intenso tráfego de embarcações, turismo náutico ou outras fontes de ruído subaquático que coincidam com as frequências utilizadas pelos peixes, existe potencial para impactos semelhantes”, afirma.
“A intensidade desses efeitos provavelmente varia de acordo com a quantidade de embarcações, as características do recife e as espécies presentes, mas o problema pode ocorrer em outros importantes recifes brasileiros, como Abrolhos e Fernando de Noronha”, complementa.
Limites sustentáveis
Túlio Xavier explica que ainda não existem limites universalmente aceitos para níveis seguros de ruído em ambientes recifais voltados à proteção dos peixes. “Esse é um campo que ainda precisa avançar bastante. Estudos como o nosso ajudam justamente a construir esse conhecimento”, diz.
Ele destaca que o conhecimento científico gerado é compartilhado com gestores e comunidades locais, para contribuir com políticas públicas de manejo das regiões.
O especialista em biologia marinha da UFPE sustenta que turismo e conservação não precisam ser incompatíveis, mas que o componente acústico deve passar a ser considerado no planejamento das atividades. “O ruído subaquático é uma forma de poluição que normalmente passa despercebida”, avalia.
Ele aponta que medidas “relativamente simples”, como organizar rotas de embarcações, reduzir a velocidade em áreas sensíveis e evitar concentração excessiva de atividades sobre determinados recifes, podem contribuir para diminuir esse impacto. “Proteger a paisagem sonora significa também ajudar a preservar o funcionamento ecológico desses ecossistemas e os benefícios que eles oferecem à sociedade.”



