Peixes No Paraná
IFC Brasil 2024 tem início nesta terça-feira em Foz do Iguaçu
Consagrado pelo elevado nível dos debates, debatedores e público, evento chega em seu sexto ano em fase de expansão para a América Latina.

O mercado de pescados no Brasil tem um enorme potencial de crescimento, impulsionado pela vasta costa marítima, abundância de rios e lagos, além da crescente demanda por alimentos saudáveis e sustentáveis. Com a abundância e água e a biodiversidade de espécies, o país tem a oportunidade de expandir tanto a produção interna quanto as exportações, posicionando-se como um player relevante no cenário global. Investimentos em inovação, tecnologia e infraestrutura, aliados a práticas de aquicultura sustentáveis, podem criar oportunidades que representam oportunidades e renda para a cadeia produtiva, sustentabilidade e alimento saudável na mesa do consumidor.
Consagrado pelo elevado nível dos debates, debatedores e público, o IFC Brasil 2024 chega em seu sexto ano em fase de expansão para a América Latina. A CEO do IFC Brasil, Eliana Panty, acredita que este crescimento foi impulsionado pelo bom momento da cadeia produtiva, com aumento de produção, consumo e comércio internacional na última década.
O presidente do evento, Altemir Gregolin, corrobora apontando as oportunidades para o setor. “Diante da crescente demanda mundial por pescados, o Brasil tem a maior reserva de água doce do mundo e uma costa extensa. A nossa capacidade de produção chega a mais de 20 milhões de toneladas de pescados por ano, o que chega a ser crucial numa era em que regiões tradicionais de produção aquícola, como o Sudeste Asiático, por exemplo, enfrentam desafios de sustentabilidade”, pontuou o especialista.
Neste cenário de oportunidades para o país, o IFC Brasil 2024 espera reunir cerca de quatro mil participantes de todos os elos da cadeia produtiva, desde lideranças da indústria e do mercado, aquicultores, pescadores, cadeia de suprimentos e investidores. “Vamos debater os mais diversos assuntos de caráter conjuntural e estratégico, além de temas técnicos. O foco é oferecer um ambiente capaz de aproximar produtores, empresários e mercado, difundindo novas tecnologias e criando um ambiente estratégico para negócios”, disse Panty.
Para Gregolin, parte desse sucesso se deve ao fato de o IFC Brasil entregar uma experiência imersiva e coletiva de troca de percepções, insights e networking em um ambiente interdisciplinar com representantes de diferentes elos da cadeia. “O IFC Brasil tem um tripé: conteúdo, compradores e vendedores. Ele une essas três pontas com um público bem diverso”, segue o especialista mencionando o crescimento exponencial do encontro.
O crescimento do IFC Brasil
O IFC Brasil surgiu como um evento nacional e se consolidou como um grande evento internacional. Hoje é o maior evento da cadeia de pescados do país e um dos maiores eventos da América Latina. “E isso também se deve ao perfil que nós imprimimos ao evento, que reúne informações e expõem o que tem de melhor em tecnologias no mercado”, disse Gregolin.
De acordo com ele, essa característica reforça o IFC Brasil como uma grande reunião do setor. “Temos juntas a ponta da compra e a da venda, por isso é um evento de cadeia. E isso trouxe notoriedade e foi a grande novidade que o IFC trouxe para o Brasil”, diz contando que o encontro “começou, em 2019, com pouco mais de 30 expositores, hoje são mais de 150. Começou com pouco mais de 30 conferencistas, hoje são mais de 70 conferencistas nacionais e internacionais. Foram pouco mais de um mil participantes na primeira edição, hoje são mais de quatro participantes do Brasil e do exterior”.
“O bom momento do setor contribuiu com a expansão do IFC Brasil. A união e as discussões promovidas pelo encontro entre lideranças de todos os elos do segmento contribuíram para este desenvolvimento do setor de pescados”, finalizou Gregolin.
Perspectivas para o mercado Aqua
Projeções da FAO, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, apontam a aquicultura e a pesca com papel central no desafio de alimentar um mundo com população crescente que vai demandar alimentos saudáveis, seguros, com menor impacto ambiental e economicamente viável. Para se ter uma ideia, o mundo atingiu novo recorde de produção, que chegou a 223,2 milhões de toneladas. Delas, 185,4 milhões de toneladas de animais aquáticos e outras 37,8 milhões de toneladas de algas.
Somando a este quadro, o consumo seguiu a tendência de crescimento. Subiu de 20,2 quilos por habitante ao ano em 2020 para 20,7 quilos por habitante ao ano em 2022. O comércio internacional teve uma expansão de 19% em três anos, atingindo US$ 195 bilhões e envolveu 230 países e territórios no mundo. O comércio de pescados é maior que o de todas as demais proteínas de origem animal juntas, lembra Gregolin destacando que a expectativa até 2032 é que a produção e o consumo de pescado continuarão crescendo.
Avanços tecnológicos
A evolução do setor passa por transformações importantes em um curto espaço de tempo e os avanços virão de inovações tecnológicas, aposta a CEO do IFC Brasil. “Recirculação de água, alimentação inteligente e de precisão, produção de peixes baseada em dados. Definitivamente o salto de produtividade que tanto esperamos virá através da tecnologia”, pontuou Panty.
Para ela, a tecnologia será a aliada de primeira hora para atender o projetado aumento de consumo na próxima década e além. “Tudo isso vai acontecer em um cenário de escassez hídrica e emergências climáticas que podem impactar a oferta e o preço dos grãos. A proteína do futuro tem tudo para colocar o Brasil entre os maiores players mundiais”.
Neste cenário, Panty cita tendências que já são realidade em diferentes escalas e em diferentes continentes, como a criação de peixes baseada em dados que acelera o processo de produção, os Recirculating Aquaculture Systems (RAS) e as tendências da aquicultura de precisão avançam em ambiente controlado. “As novas tecnologias viabilizam ao setor cada vez mais acesso a dados que dão suporte para a tomada de decisões mais assertivas com uso de inteligência artificial e big data”, afirmou a executiva.
O IFC Brasil 2024
Para esta edição, os organizadores terão conferências com mais de 70 especialistas de quatro continentes em mais de 20 horas de conteúdo exclusivo. O IFC Brasil 2024 vai reunir sete eventos simultâneos:
- Congresso Internacional de Aquicultura: Um dos pontos altos do encontro, vai debater algumas das questões mais relevantes da atualidade e traçar cenários para o setor. Entre os temas discutidos estão Economia Azul e o desenvolvimento sustentável para atender a demanda crescente, estratégias para consolidação das exportações brasileiras, acesso ao crédito e inovações do setor, entre vários outros assuntos.
- Feira de Tecnologias e Negócios (VI Fish Expo): A última edição Fish Expo, em 2023, atingiu a marca de R$ 180 milhões em negócios com uma feira de 150 empresas expositoras e patrocinadoras. “Desta forma, o IFC Brasil se consolidou como plataforma de lançamento para inovações e parcerias estratégicas no mercado global de pescados”, salientou Panty.
- 2ª Aquacultura 4.0: Promovida pela Embrapa Pesca e Aquicultura e Embrapa Digital, a segunda edição do Fórum Aquicultura 4.0 debate tendências e oportunidades em aquicultura digital e de precisão voltadas também à agricultura familiar, startups e com participação de palestrantes do Chile e do Canadá.
- 2ª Rodada Internacional de Negócios: Realizada em parceria com a Apex Brasil e a Abipesca, a Rodada Internacional de Negócios, reúne empresas brasileiras da aquicultura com compradores internacionais. Na última edição, realizada no ano passado, teve seis compradores e 14 empresas vendedoras. Para este ano, importadores dos Estados Unidos, México e Oriente Médio já confirmaram participação.
- Apresentação de Trabalhos Científicos: Organizada pela Unioeste e Unila, a apresentação dos Trabalhos Científicos é outro ponto forte do encontro, que neste ano atinge um novo recorde, com mais de 150 trabalhos inscritos. Em seis edições são mais de 550 trabalhos científicos que serão publicados em um livro.
- 4ª Encontro Mulheres da Aquicultura: Com o com o tema Cooperativismo e Negócios, o encontro tem o objetivo de reunir mulheres que atuam na cadeia produtiva do pescado para debater os desafios e oportunidades do segmento e o papel da liderança feminina no desenvolvimento do setor, além de promover a maior união entre as mulheres do segmento.
- Workshop sobre Sistema de Recirculação de Água: Organizado em parceria com a empresa BluEco Net, a Unioeste e com o Ministério Federal da Educação e Pesquisa da Alemanha, este encontro vai debater os conceitos de RAS e sua aplicabilidade na indústria, especialmente devido à necessidade atual de produção de juvenis em sistemas intensivos.
Net Zero
O maior encontro do setor vai zerar as emissões de gases de efeito estufa na atmosfera e promover ações de compensação pelo impacto ambiental criado para a realização do evento. Para Panty, esta iniciativa faz parte do propósito de produção de proteína com menor pegada de carbono. “Seguimos a linha da sustentabilidade como fio condutor do evento desde a primeira edição”, disse a executiva.
Para isso, ela contratou uma empresa de consultoria, a Net Zero. Todo impacto gerado pelo encontro será calculado para que se chegue no valor de carbono equivalente (CO2e) do IFC Brasil 2024, que será certificado pela GPX, empresa que vai neutralizar todo o carbono gerado pelo evento pelo consumo de energia dos três dias.
Trabalhos científicos
A Comissão Científica do IFC Brasil anuncia recorde de trabalhos submetidos: 175 trabalhos científicos relacionados à aquicultura e pesca, envolvendo 380 pesquisadores de cinco países. No dia 25 de setembro pela manhã, na Sala Minueto, os autores apresentam os 12 trabalhos selecionados para exposição oral.
Lançamentos
Maior vitrine do setor de pescados no país, o IFC Brasil 2024 é palco de pelo menos seis lançamentos de soluções e tecnologias. Os lançamentos são da Brazilian Pet Foods, que lança a linha de rações para peixes Brazilian Aqua Tech. A AquaGenetics apresenta os dados produtivos e o diferencial competitivo da nova genética recém-lançada no Brasil, a GenoMar 1000. A Têxtil Sauter lança nova linha de produtos para o agronegócio, que conta com soluções como telas de sombreamento, antiafídeos, entre outros. A BSF Aquicultura estreia no IFC Brasil trazendo uma novidade para o setor: o misturador e aplicador de cal em calda (MAC) BFS. A Bernauer Aquacultura realiza o lançamento de aeradores com potências exclusivas durante o IFC Brasil 2024. A Safeeds Nutrição Animal, apresenta ao mercado sua mais nova solução, o Aquabloco.
IFC Brasil 2024 em números:
- Cerca de 4 mil participantes
- Mais de 150 empresas expositoras
- 175 trabalhos científicos inscritos
- Mais de 70 conferencistas
- Mais de 20 horas de conteúdo
- 7 Eventos simultâneos
- Especialistas de 4 continentes
Patrocínios e apoios
O IFC Brasil 2024 é correalizado pela Fundep (Fundação de Apoio ao Ensino, Extensão, Pesquisa e Pós-graduação), Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná), UFPR (Universidade Federal do Paraná) e a sua Fundação, a Funpar.
Patrocinam o IFC Brasil: CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), Itaipu Binacional, Caixa Econômica Federal, MPA (Ministério da Pesca e Aquicultura), Governo Federal, Copel Energia, Sanepar, Governo do Paraná, BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul) e Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).
Apoiam o IFC Brasil a APEX Brasil, ABIPESCA (Associação Brasileira das Indústrias de Pescados), PEIXE BR (Associação Brasileira da Piscicultura) e Unila (Universidade Federal da Integração).

Peixes
Brasil leva tilápia e tecnologia de aquicultura para feira internacional no Chile
Pavilhão brasileiro na Aquasur 2026 apresentou produtos, equipamentos e soluções para pesca e crustáceos, atraindo empresários de 34 países.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com apoio da Embaixada do Brasil em Santiago, participou da 13ª edição da Aquasur 2026, realizada na última semana em Puerto Montt, Chile. Considerada uma das principais feiras de aquicultura da América Latina, o evento reuniu mais de 550 expositores de 34 países e teve a abertura oficial com a presença do presidente chileno José Antonio Kast.

Foto: Divulgação/Mapa
No Pavilhão Brasil, representantes do Mapa, da Embaixada do Brasil, da Embrapa, do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), da Abipesca, do Sindipi-SC e da ABRA apresentaram produtos, serviços, máquinas e equipamentos voltados à aquicultura. O espaço também destacou peixes e crustáceos destinados à exportação, com ênfase na produção de tilápia.
Além da exposição, o pavilhão sediou reuniões entre instituições brasileiras e chilenas, promovendo encontros com empresários interessados em tecnologias e serviços brasileiros para a produção de pescado. A participação reforça a estratégia do Brasil de fortalecer a presença no mercado internacional de aquicultura, ampliar oportunidades de negócios e consolidar a imagem do setor como competitivo e inovador.

Foto: Divulgação/Mapa
Um dos destaques da participação brasileira foi o lançamento do 8º International Fish Congress & Fish Expo Brasil 2026, marcado para os dias 2 a 4 de setembro, em Foz do Iguaçu. O evento deve reunir representantes de toda a cadeia produtiva do pescado para fomentar negócios, promover a troca de experiências e discutir inovação no setor.
Realizada a cada dois anos, a Aquasur é hoje uma das principais vitrines da aquicultura no hemisfério sul. Em 2026, o evento recebeu mais de 30 mil visitantes e registrou crescimento de 37% em relação à edição anterior. A programação incluiu congresso internacional, espaços de networking e apresentação de novas tecnologias para o setor.
Brasil e Chile mantêm uma relação comercial sólida no agro, apoiada por instrumentos de

Foto: Divulgação/Mapa
cooperação e facilitação de comércio, como o Acordo de Livre Comércio entre os dois países, em vigor desde 2022, que contribui para dar mais previsibilidade, segurança e agilidade às trocas comerciais. No último ano, o Chile importou mais de US$ 2,2 bilhões em produtos agropecuários brasileiros, com destaque para carnes, cacau, café, rações para animais, soja e produtos florestais. Já o Chile fornece ao Brasil produtos como vinhos, pescados, especialmente salmão, além de frutas frescas e secas.
Saiba como participar
Empresas interessadas em participar de feiras internacionais e dos pavilhões brasileiros podem acompanhar o calendário de eventos e as oportunidades de inscrição nos canais oficiais do Ministério da Agricultura e Pecuária e de entidades parceiras. A participação varia de acordo com o perfil de cada feira e com os critérios definidos para cada ação de promoção comercial. O Mapa também tem incentivado a presença de cooperativas e de empresas de pequeno porte com interesse em ampliar sua atuação no mercado internacional.
Peixes
Édipo Araújo assume Ministério da Pesca e Aquicultura
Engenheiro de pesca terá desafios regulatórios e estruturais para fortalecer a piscicultura e políticas do setor no Brasil.

A nomeação de Rivetla Édipo Araújo Cruz para o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) é vista com otimismo por parte do setor de piscicultura. Engenheiro de Pesca formado pela Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Araújo integra uma geração que ajudou a transformar o extrativismo predatório no Norte do país em uma cadeia produtiva mais estruturada e sustentável.
Para a Peixe BR, associação que representa produtores de pescado, a experiência do novo ministro reforça a expectativa de uma gestão técnica e alinhada às demandas do setor.
Entre os principais desafios apontados estão questões regulatórias consideradas urgentes. A entidade destaca a necessidade de parecer da Consultoria Jurídica do MPA sobre a atuação da Conabio na definição da lista de espécies exóticas invasoras sem análise de impacto regulatório; a articulação com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para garantir a realização da Análise de Risco de Importação (ARI) da tilápia proveniente do Vietnã; e a prorrogação por três anos da obrigatoriedade da Licença de Aquicultor.
A Peixe BR afirma que pretende acompanhar e colaborar com o Ministério para avançar em políticas que fortaleçam a piscicultura no país, equilibrando crescimento produtivo e sustentabilidade.
Peixes
Curso de sanidade aquícola será destaque na Aquishow Brasil 2026
Capacitação ocorre em junho, em Uberlândia, com foco nas principais doenças da tilapicultura

A Aquishow Brasil 2026 firmou parceria com a Aquivet Saúde Aquática para a realização do Curso de Sanidade Aquícola, marcado para os dias 9 e 10 de junho, no Castelli Master, em Uberlândia. O tema desta edição será “Doenças na Tilapicultura: patógenos, imunidade e competitividade”.
O curso vai abordar a epidemiologia das principais doenças bacterianas que afetam a criação de tilápia no Brasil, com foco em informações voltadas à gestão sanitária nas propriedades. Entre os temas, está a expansão de agentes como Streptococcus agalactiae sorotipo III, em avanço sobre Minas Gerais e Espírito Santo, e Lactococcus petauri, com novas linhagens identificadas em expansão global.
A presidente da comissão organizadora da Aquishow Brasil 2026, Marilsa Patrício Fernandes, afirma que o curso reforça a programação técnica do evento ao tratar de pontos considerados críticos para a cadeia produtiva da tilapicultura e para a competitividade do setor.
Segundo Santiago Benites de Pádua, da Aquivet Saúde Aquática, a iniciativa reúne produtores e empresas fornecedoras de insumos para nivelar informações sobre doenças e estratégias de controle sanitário com profissionais do setor.
A programação contará com palestras do próprio Santiago Benites de Pádua e do professor Henrique Figueiredo, da Universidade Federal de Minas Gerais. O curso também terá a participação do pesquisador Francisco Yan Tavares Reis, da Embrapa Amazônia Ocidental, com discussões sobre epidemiologia e imunidade da tilápia. A pesquisadora e empresária Paola Barato, da Corpavet Colômbia, abordará a gestão de doenças emergentes, como Streptococcus agalactiae sorotipo Ia e o vírus TiLV na Colômbia.
- Santiago Benites de Pádua
- Henrique Figueiredo
A organização destaca que o curso integra a programação técnica da Aquishow Brasil e busca promover a troca de conhecimento entre pesquisa, setor produtivo e indústria, com foco nos desafios sanitários da tilapicultura.





