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Notícias De olho na tilápia

IFC Brasil 2022 tem palestras focadas na principal espécie da produção aquícola do país

De 31 de agosto a 02 de setembro, várias palestras sobre o desenvolvimento, potencial produtivo e econômico da tilápia integram a programação científica do evento.

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Foto: Arquivo/Jonathan Campos/AEN

O Brasil é conhecido mundo afora pela qualidade das proteínas bovina, suína e de frango. No entanto, o boi, o suíno e o frango brasileiro já começam a perceber a disputa por espaço por parte da tilápia.

Nos últimos anos, a tilápia vem puxando a produção e as exportações nacionais de pescado – Fotos: Divulgação/IFC Brasil

Nos últimos anos, a espécie vem puxando a produção e as exportações nacionais de pescado. Segundo dados publicados pela Embrapa, divulgados no inicío de agosto, o Brasil dobrou, em valores, as exportações de tilápia de janeiro a junho deste ano. Os embarques totalizaram de 4,931 mil toneladas, com uma receita de US$ 14,3 milhões, conforme Informativo de Comércio Exterior da Piscicultura, publicado pela Embrapa e PeixeBR.

“O fato de já termos um pacote tecnológico, empresas, inclusive de outras cadeias investindo, mercado interno e externo e um crescimento acima da média mundial nos últimos anos, colocando o Brasil como o quarto maior produtor a nível global, nos dá a certeza do potencial e das oportunidades que a tilápia proporcionará ao Brasil”, afirma Altermir Gregolin, ex-ministro da pesca e presidente do International Fish Congress. O evento internacional será realizado nos dias 31 de agosto, 01 e 02 de setembro, em Foz do Iguaçu, Paraná. O IFC Brasil reúne mais de 2000 participantes e mais de 100 expositores.

De olho no desenvolvimento e potencial produtivo e econômico da espécie, a programação científica do IFC Brasil apresenta várias palestras tendo a tilápia como foco.

O que há de mais recente na genética da tilápia? 

No dia 02 de setembro, a palestra Desenvolvimento genético recente para o melhoramento de tilápias e suas implicações para a produção sustentável, será ministrada pela especialista da Colombia, Marcela Salazar, M.D – Diretor Científico Benchmark Genetics Colombia. O Benchmark Genetics integra o Benchmark Group, a principal companhia de biotecnologia para a aquacultura com extensiva atividade em genética aquícola, nutrição avançada e saúde animal ao redor do mundo.

Marcela Salazar, é MD pela Pontificia Universidad Javeriana na Colômbia, especializada em Imunogenética no laboratório Dr Edmond Yunis na Harvard Medical School. A especialista estuda a genética da resposta imune contra infecções virais e bacterianas em humanos, camarões e linhagens de camundongos há mais de 20 anos. Desde 2001 ela trabalha como Diretora Científica do Centro de Pesquisa em Aquicultura no CENIACUA, e desde 2016 ocupa o mesmo cargo agora para Benchmarrk Genetics Colombia. Seu principal campo de pesquisa é a resposta imune de P vannamei contra infecções virais usando o vírus da síndrome da mancha branca como modelo, bem como na criação seletiva de P vannamei. Ela é ainda membro do conselho da Corporacion CorpoGen, uma organização de pesquisa em biotecnologia sem fins lucrativos na Colômbia. Marcela é autora e coautora de mais de 50 publicações científicas e três capítulos de livros.

Produção de tilápias em tanques-rede de grande volume 

A palestra Tanques-rede de grande volume: inovação tecnológica na criação de tilápias será ministrada pela Dra. Daniela Castellani, pesquisadora do Instituto de Pesca de São Paulo e Alexandre Masocatto Pulino, Sócio fundador e atual CEO da Fisher Piscicultura no International Fish Congress no dia 01 de setembro.

A Piscicultura em tanques redes de grande volume tem sido uma tendência nos últimos anos e a Fischer, em conjunto com o Instituto de Pesca de São Paulo, tem inovado incorporando tecnologias de inteligência artificial para dar mais eficiência, praticidade e facilidade no manejo dos tanques.

Durante os três dias do evento haverá palestras focadas na tilápia

A Dra. Daniela Castellani, pesquisadora do Instituto de Pesca de São Paulo, possui graduação em Ciências Biológicas, mestrado em Conservação e Manejo de Recursos pelo Centro de Estudos Ambientais – UNESP, Rio Claro, SP e doutorado em Aqüicultura pelo Centro de Aqüicultura da Unesp, UNESP, Jaboticabal, SP. Atualmente exerce o cargo de Pesquisadora Científica e Diretora do Centro Avançado do Pescado Continental – Instituto de Pesca – APTA – SAA, atuando principalmente nos seguintes temas: piscicultura continental, tanques-rede de grande volume e limnologia aplicada à aquicultura.

Alexandre Masocatto Pulino é sócio fundador e atual CEO da Fisher Piscicultura. A Fisher tem chamado atenção e ocupado espaço em noticiários nacionais pelas novidades implantadas e os resultados colhidos. E inovação tem que estar no IFC Brasil.

Um dos maiores especialistas em tilápia do mundo no IFC Brasil 

No dia 02 de setembro, o IFC Brasil recebe o Dr. Rajesh Joshi – Pesquisador Sênior da GenoMar Genetics – Noruega, para a palestra: Inovação na criação seletiva para uma indústria rentável de tilápia do Nilo.

O Dr. Rajesh Joshi atua como Pesquisador Sênior na GenoMar Genetics e trabalha no departamento de P&D da empresa localizada em Ås, Noruega. Como Pesquisador Sênior da empresa, Dr. Joshi é responsável pelo planejamento e implementação de diferentes atividades no núcleo de criação de tilápia do Nilo nas Filipinas e no Brasil (com as marcas Genomar, Aquabel e AquaAmerica). O Dr. Joshi também é responsável pelo planejamento de produtos e implementação de diferentes atividades de benchmarking e documentação em vários países da Ásia e da América Latina.

Além disso, o Dr. Joshi também é co-supervisor de alunos de mestrado e doutorado na Noruega e é autor de vários artigos técnicos revisados por pares em genética de tilápias, genômica e resistência a várias doenças. Além disso, ele também está trabalha como professor associado visitante na faculdade HICAST, no Nepal.

Dr. Joshi é bacharel em medicina veterinária e mestre em melhoramento animal e genética. O Dr. Joshi é PhD pela Universidade Norueguesa de Ciências da Vida (NMBU) em Ciência Animal e Aquacultural, onde esteve envolvido no desenvolvimento do primeiro conjunto de chips SNP para a Tilápia.

Como o mercado paga a tilápia? 

No dia 31 de agosto, a palestra Indicadores de Preços da Tilápia – CEPEA, com Juliana Ferraz – Gestora das cadeias de suínos, frangos, ovos e tilápia no CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) da ESALQ/USP tratará do levantamento semanal dos preços médios da tilápia em algumas regiões do país, um importante avanço para o setor. A metodologia utilizada no processo de formação de preços da tilápia, a importância destes indicadores e o que eles apontam serão discutidos no IFC Brasil 2022.

Como enfrentar os desafios na produção de tilápia brasileira? 

No dia 31 de agosto, o IFC Brasil apresenta o painel “Produção de Tilápia – Desafios e ações para elevar a competitividade e ampliar a participação no mercado interno e externo”.

A produção de tilápia é a que mais cresce no Brasil. Caiu no gosto do brasileiro e bate recordes em exportações. Já somos o quarto maior produtor mundial. No IFC 2022, o debate sobre como a competitividade da tilápia brasileira no mercado interno e externo terá um espaço privilegiado. O painel reúne: Nicolas Landolt – CEO da Tilabrás Aquacultura; Ramon Amaral – CEO do Grupo Amaral, Brazilian Fish e Juliano Kubitza – Gerente Geral da Fider Pescados – Grupo MCassab para discutir o tema.

Somando forças

O 4º International Fish Congress tem coorganização da Fundação de Apoio ao Ensino, Extensão, Pesquisa e Pós-Graduação (Fundep) e da Unioeste. Patrocinam o IFC Brasil 2022: Itaipu Binacional, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Fomento Paraná, Companhia Paranaense de Energia (Copel), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Confederação Nacional da Agricultua (CNA, Federações e Sindicatos, Tilabrás, Cooperativa Copacol, Sistema Faep/Senar-PR e Cooperativa C.Vale.

O IFC Brasil tem o apoio da Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO), Associação das Indústrias de Pesca (Abipesca), Associação de Produtores de Peixes do Brasil (Peixe BR), Club de Innovación Aquícola do Chile, Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Associação Brasileira dos Criadores de Camarão (ABCC), Sindicato dos Armadores e das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região (Sindipi), Associação Brasileira de Reciclagem Animal (Abra) e Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Como parceiro o evento tem a Caixa Econômica Federal, que lançou recentemente linhas de crédito exclusivas para o agronegócio.

O Presente Rural é o jornal oficial do evento e fará a cobertura, que você confere nas nossas mais diversas plataformas digitais.

Fonte: Ascom

Notícias

Capacitação apresenta novas exigências sanitárias para granjas de suínos no Rio Grande do Sul

Evento reuniu técnicos do serviço veterinário e responsáveis por granjas para detalhar critérios de certificação e biosseguridade.

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Foto: Marcelo Borba/ Fundesa

A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), por meio do Programa Nacional de Sanidade dos Suídeos (PNSS), realizou entre os dias 09 e 11 de março um ciclo de treinamentos sobre a Portaria nº 1.358/2025 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A normativa regulamenta as Granjas de Reprodutores Suídeos Certificadas (GRSCs) e estabelece critérios atualizados para certificação, biosseguridade e monitoramento sanitário desses estabelecimentos.

O treinamento ocorreu na Casa do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa), no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS), e reuniu técnicos do Serviço Veterinário Oficial (SVO) e responsáveis técnicos (RTs) de granjas de reprodutores. Nos dias 09 e 10 de março, a capacitação foi destinada aos profissionais do SVO. Já no dia 11, o treinamento foi direcionado aos responsáveis técnicos das granjas.

Foto: Shutterstock

Especialistas do Mapa apresentaram as principais mudanças previstas na portaria, com orientações sobre a aplicação das novas exigências sanitárias e a padronização dos procedimentos entre o serviço oficial e a iniciativa privada.

Durante os dois primeiros dias, os técnicos do SVO receberam atualizações sobre os critérios técnico-sanitários para certificação das GRSCs, além das responsabilidades relacionadas às auditorias e supervisões nas granjas. Também foram abordados os novos parâmetros para verificação documental e de biosseguridade, com o objetivo de padronizar os procedimentos no Rio Grande do Sul e garantir a correta aplicação da normativa.

No terceiro dia, o treinamento foi voltado aos responsáveis técnicos das granjas registradas como GRSCs ou que pretendem se adequar às novas exigências. A programação abordou aspectos práticos da portaria, incluindo requisitos de infraestrutura, procedimentos de biosseguridade e rotinas de notificação e registro de informações sanitárias.

A Portaria nº 1.358/2025 também reforça medidas de prevenção e controle de enfermidades de alto impacto sanitário e econômico, como a Peste Suína Africana (PSA), a Peste Suína Clássica (PSC) e a Síndrome Reprodutiva e Respiratória Suína (PRRS). A normativa estabelece ainda a classificação das granjas em três níveis de biosseguridade: A, B e C.

De acordo com a coordenadora do Programa Nacional de Sanidade Suína da Seapi, Gabriela Cavagni, o treinamento teve foco na aplicação prática das exigências previstas na portaria, especialmente nos requisitos de biosseguridade e nas responsabilidades dos responsáveis técnicos no processo de certificação das granjas.

Durante a capacitação, também houve espaço para esclarecimento de dúvidas e troca de experiências entre os participantes. Técnicos da Seapi, especialistas do Mapa e responsáveis técnicos discutiram exemplos observados em supervisões, orientações para adequação das estruturas físicas das granjas e práticas recomendadas para garantir a biosseguridade e a qualidade sanitária dos reprodutores.

Os participantes receberam ainda informações sobre os prazos e o processo de adaptação às novas regras, além das responsabilidades compartilhadas entre os estabelecimentos, os responsáveis técnicos e o serviço oficial.

Segundo a Seapi, a iniciativa reforça o trabalho conjunto entre o setor público e a iniciativa privada para fortalecer a sanidade da suinocultura no Estado. O alinhamento técnico durante a transição para as novas exigências busca contribuir para a segurança sanitária, a sustentabilidade e a competitividade da cadeia suinícola no Rio Grande do Sul.

Fonte: Assessoria Seapi
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Colunistas

Reduzir jornada sem elevar produtividade pode afetar emprego e competitividade

Estrutura produtiva brasileira ainda depende fortemente do trabalho humano e enfrenta baixo investimento em modernização.

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Foto: Shutterstock

O debate sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 ganhou força no Congresso Nacional sob uma justificativa que, embora sedutora no discurso, carece de aderência à realidade produtiva brasileira. Sustenta-se que as novas tecnologias e supostos ganhos de produtividade justificariam a diminuição das horas trabalhadas. Entretanto, quando se observam os dados concretos da estrutura produtiva nacional, percebe-se que a automação ainda está longe de constituir uma base sólida capaz de sustentar tal mudança.

Indicadores internacionais desse avanço evidenciam o tamanho do desafio. Enquanto economias líderes operam com centenas de robôs e redesenham seus processos produtivos, o Brasil permanece na base da pirâmide tecnológica, com apenas 10 robôs por 10 mil trabalhadores, muito abaixo da média mundial de 162 robôs. O Brasil está muito distante de países como Estados Unidos, Alemanha, China e Coreia do Sul.

Artigo escrito por José Velloso é engenheiro mecânico, administrador de empresas e presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ).

Essa lacuna tecnológica é parte de um problema estrutural mais profundo: o reduzido estoque de capital produtivo por trabalhador. Estimativas comparativas indicam que o Brasil dispõe de apenas cerca de 35% do capital produtivo observado nos Estados Unidos, o que ajuda a explicar por que a produtividade do trabalho brasileira equivale a aproximadamente um quarto da norte-americana. Em um ambiente marcado por baixo investimento, custo de capital elevado e incertezas que inibem a modernização, a produção contínua fortemente dependente do fator humano, o que limita ganhos de eficiência e torna arriscada qualquer redução de jornada dissociada do aumento efetivo de produtividade.

Esse quadro estrutural ajuda a entender o desempenho historicamente baixo da produtividade no país, mantendo o Brasil em posições pouco favoráveis nos rankings internacionais. O Brasil ocupa o 100º lugar no ranking da OIT (Organização Internacional do Trabalho) da produtividade do trabalho. Reduzir a jornada sem alterar esse fundamento não configura política social sustentável: o acréscimo de custos de mão de obra para as empresas poderá, no médio e no longo prazo, resultar em redução de postos de trabalho em setores expostos à concorrência internacional, em razão da perda adicional de competitividade. Estudos empíricos também indicam que a estrutura do mercado de trabalho brasileiro revela forte presença de jornadas superiores a 40 horas justamente entre ocupações de menor qualificação e remuneração, muitas delas localizadas em serviços pessoais, comércio e atividades operacionais. Nesses segmentos, a elevação do custo do trabalho tende a gerar pressões sobre preços, margens ou nível de formalização, exigindo continuidade da política monetária contracionista e medidas que visem evitar efeitos adversos sobre emprego e renda, sobretudo nas pequenas empresas, que reúnem milhões de trabalhadores e possuem menor capacidade de absorver mudanças abruptas.

Diante desse cenário, impor a redução da jornada sem enfrentar previamente os determinantes estruturais da baixa produtividade nacional significa atacar o sintoma, não a causa. O verdadeiro caminho para jornadas menores e salários maiores passa pela expansão do investimento produtivo e pela modernização tecnológica. Um país em que a indústria de transformação possui maior participação de bens complexos tende a absorver serviços mais sofisticados e, portanto, remunera melhor a sua mão de obra. Esse é o caminho para tirar o país da armadilha da renda média — o caminho para o desenvolvimento.

Avanços sociais duradouros não nascem de decretos, mas do aumento consistente da capacidade de produzir mais e melhor. Países que hoje trabalham menos horas chegaram a esse estágio após décadas de acumulação de capital, difusão tecnológica e elevação sustentada da produtividade. O Brasil ainda precisa percorrer esse caminho. Somente ao remover os entraves que limitam investimento, eficiência e formalização será possível reduzir jornadas de forma responsável, ampliando bem-estar sem comprometer emprego, competitividade ou crescimento econômico.

Fonte: Artigo escrito por José Velloso é engenheiro mecânico, administrador de empresas e presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ).
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Transição para economia de baixo carbono pode redefinir empregos no agro em Mato Grosso

Estudo aponta que cinco municípios concentram mais de 22 mil empregos na agropecuária extensiva e alerta que adaptação tecnológica e ambiental será decisiva para manter competitividade.

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A transição global para uma economia de baixo carbono já começa a produzir efeitos concretos em uma das regiões mais estratégicas do agronegócio brasileiro. Um estudo da Agenda Pública indica que municípios do estado de Mato Grosso, maior polo de agropecuária extensiva do país, podem enfrentar impactos relevantes sobre emprego e competitividade nos próximos anos.

A pesquisa Empregos do Futuro analisou dados entre 2018 e 2024 e identificou forte dependência econômica da agropecuária em cinco municípios mato-grossenses: Diamantino, Sorriso, Campo Novo do Parecis, Nova Ubiratã e Sapezal. Juntas, essas cidades concentram mais de 22 mil vínculos formais ligados à agropecuária extensiva.

Foto: Jonathan Campos

Em algumas localidades, a dependência é ainda mais expressiva. Em Nova Ubiratã e Sapezal, por exemplo, mais da metade dos empregos formais e da massa salarial estão diretamente vinculados ao setor agropecuário.

Segundo o estudo, essa concentração torna as economias locais mais vulneráveis a oscilações do mercado internacional, eventos climáticos extremos e às novas exigências ambientais impostas por mercados compradores, especialmente nas cadeias voltadas à exportação.

Sem estratégias de adaptação, o risco é perda de competitividade e dificuldade de acesso a mercados cada vez mais exigentes em relação a critérios ambientais e de sustentabilidade.

Caminhos para modernização

Ao mesmo tempo em que aponta riscos, o levantamento também identifica oportunidades de transformação produtiva no campo. Tecnologias e práticas sustentáveis podem impulsionar ganhos de produtividade e criar novas demandas por mão de obra qualificada.

Entre as soluções citadas estão a agricultura de precisão, o uso de bioinsumos e a expansão de sistemas integrados lavoura–pecuária–floresta (ILPF), modelo produtivo que combina diferentes atividades agrícolas em uma mesma área.

A estimativa apresentada pela pesquisa é de que cerca de 2 milhões de hectares com sistemas ILPF sejam implementados até 2030, ampliando o potencial de geração de empregos e fortalecendo a sustentabilidade da produção agropecuária.

Juventude rural no centro da transformação

Outro ponto destacado no estudo é o papel da juventude rural nesse processo de transição. Os municípios analisados concentram uma parcela significativa da população com idade entre 15 e 29 anos, grupo que pode desempenhar papel decisivo na modernização do setor.

A pesquisa alerta, no entanto, que o potencial dessa geração depende de políticas de qualificação profissional e de criação de oportunidades ligadas à chamada economia verde. Sem essas iniciativas, existe o risco de ampliação da exclusão econômica em áreas rurais.

Políticas públicas em curso

O relatório também analisa iniciativas já em andamento que buscam estimular uma produção mais sustentável no estado, entre elas os programas Mato Grosso Sustentável, MT Mais Verde e o Plano Estadual de Educação Profissional Rural.

No âmbito federal, são citadas políticas como o Plano de Transformação Ecológica e a estratégia industrial Nova Indústria Brasil, que incluem medidas voltadas à descarbonização da economia e ao fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis.

Potencial de liderança

A conclusão do estudo aponta que Mato Grosso reúne condições estratégicas para liderar a transição sustentável no agronegócio brasileiro. No entanto, o sucesso desse processo dependerá da capacidade de integrar inovação tecnológica, qualificação da mão de obra e coordenação entre setor público e iniciativa privada.

Nesse cenário, especialistas destacam que a adaptação às novas demandas ambientais e de mercado não será apenas um desafio, mas também uma oportunidade para redefinir o futuro do trabalho no campo e fortalecer a competitividade do agro brasileiro no cenário internacional.

Fonte: O Presente Rural
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