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IDR-Paraná apresenta benefícios da sustentabilidade na produção de grãos no Show Rural
Para fomentar ainda mais a produtividade dos plantios e promover a adoção de práticas sustentáveis, o IDR-Paraná apresenta no Show Rural Coopavel 2025 o Programa Grãos Sustentáveis, que busca aumentar a eficiência, reduzir custos e minimizar os impactos ambientais da atividade agrícola.

O Paraná é o segundo maior produtor de grãos do Brasil, incluindo as culturas de soja, milho, feijão e trigo. Para fomentar ainda mais a produtividade dos plantios e promover a adoção de práticas sustentáveis, o IDR-Paraná apresenta no Show Rural Coopavel 2025 o Programa Grãos Sustentáveis, que busca aumentar a eficiência, reduzir custos e minimizar os impactos ambientais da atividade agrícola.

Foto: Leoncio Batista
O programa incentiva o uso racional de insumos agrícolas, promovendo um manejo integrado de pragas e doenças. Com a adoção dessas práticas, os agricultores podem reduzir em até 37% o uso de fungicidas e em até 50% o uso de inseticidas químicos, sem comprometer a produtividade.
Outra tecnologia é o monitoramento da ferrugem asiática da soja, uma das principais doenças que afetam a soja. Os produtores que participam dessa iniciativa têm garantido um controle mais eficaz e econômico da doença. O monitoramento é feito com o uso do coletor de esporo. Neste ano os extensionistas vão apresentar a automação da identificação dos esporos com IA (Inteligência Artificial) tecnologia que já está sendo validada a campo.
Para manter a sustentabilidade das lavouras de grãos, os produtores que participam do programa contam com assistência do IDR-Paraná dos plantios até a colheita. Além disso, apreendem práticas mais sustentáveis para reduzir a deriva de produtos fitossanitários.
O programa tem algumas vertentes: Manejo Integrado de Pragas (MIP), Manejo Integrado de Doenças (MID) e Tecnologia de aplicação de agrotóxicos (TAA). O objetivo é aumentar a eficiência no controle de pragas, doenças e plantas daninhas nas lavouras.
Os visitantes também poderão conhecer outras tecnologias que aumentam a produtividade como a utilização de cultivos rotacionados e plantas de cobertura; a utilização dos dejetos de animais na complementação da fertilização do sistema; o manejo de solos e água; o manejo integrado de pragas do feijão e o manejo do complexo de enfezamento do milho.
Produção

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
A estimativa mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas, divulgada em janeiro, aponta para uma colheita de 45,2 milhões de toneladas no Paraná em 2025. Esse volume poderá representar acréscimo de 20,5% em relação às 37,5 milhões de toneladas produzidas em 2024, sendo o maior aumento relativo entre os estados das regiões Sul e Sudeste. O Paraná também deve chegar a 14% da fatia nacional de produção.
A soja, principal item da pauta agrícola estadual, deverá registrar incremento de 20% na produção, saltando de 18,6 milhões de toneladas em 2024 para 22,4 milhões em 2025. Igualmente relevante, a oferta de milho deverá subir de 15,1 milhões para 18,2 milhões de toneladas, o que corresponderá, caso a estimativa seja confirmada, a um crescimento de 20,6%, acima do salto nacional de 4% ou do Mato Grosso, principal produtor nacional, que deve reduzir a produção.
Outras ações
O IDR também tem outras ações no Show Rural. Abordar a fruticultura do ponto de vista técnico e apresentar inovações para o produtor é o objetivo da Vitrine de Fruticultura. O espaço evidencia os avanços na fruticultura e sua relevância no fortalecimento da agricultura familiar.

Foto: Jaelson Lucas
A Vitrine apresenta uma ampla variedade de espécies frutíferas, entre elas a acerola, a amora-preta, a banana, os citros, o figo, a goiaba, o mamão, o maracujá, a pitaya e a uva. O público poderá conhecer técnicas modernas de manejo e práticas sustentáveis. A Vitrine foi concebida por uma equipe de profissionais, fruto da integração entre especialistas em extensão e pesquisa do IDR-Paraná que estarão à disposição dos visitantes para compartilhar orientações e esclarecer dúvidas sobre o cultivo de frutas.
O público que visitar o espaço do IDR-Paraná durante o Show Rural Coopavel também terá a oportunidade de conhecer a Vitrine Tecnológica de Agroecologia Vilson Nilson Redel (Vital). Trata-se de uma unidade demonstrativa onde os extensionistas e pesquisadores mostram tecnologias voltadas à agricultura orgânica e agroecologia. Já a Feira da Agricultura Familiar dá uma mostra da diversidade e qualidade do que é produzido. Tradicionalmente o espaço é ocupado por empreendedores que expõem novidades em diversos segmentos como o alimentício e o artesanato.

Colunistas
Entre safras recordes e o aperto financeiro
O agronegócio brasileiro convive com produção crescente, crédito mais restrito e aumento das recuperações judiciais.

Não é novidade que o agronegócio brasileiro atravessa um momento desafiador. Soja, milho e algodão, pilares da nossa balança comercial, enfrentam preços pressionados e margens mais apertadas. Para quem se alavancou nos últimos anos, surfando no crédito farto e expansão acelerada, o cenário ficou ainda mais duro.

Imagem criada por Jaqueline Galvão/ChatGPT/OP Rural
Os números confirmam a sensação que se espalha pelo campo. O setor registrou 628 pedidos de recuperação judicial no terceiro trimestre do ano passado, o maior volume desde o início da série histórica, em 2021, segundo o Índice de Recuperação Judicial do Agronegócio, da Serasa Experian. É um salto de 147,2% em relação aos 254 pedidos do mesmo período de 2024, num retrato claro da deterioração do ambiente de crédito.
A inadimplência também avançou. Atingiu 8,3% da população rural no terceiro trimestre de 2025, alta de 0,9 ponto percentual sobre um ano antes. Na comparação com os três meses imediatamente anteriores, a elevação foi mais moderada, de 0,2 ponto, sinal de que o ritmo de piora perdeu intensidade no curto prazo. Ainda assim, desde o terceiro trimestre de 2024, a inadimplência da pessoa física no campo vem subindo gradualmente, de 7,4% até o patamar atual.
No tema das dívidas, a percepção é clara: em muitos casos, a recuperação judicial não é o melhor caminho. Há espaço para soluções consensuais, mais inteligentes e menos traumáticas. Quem está mais estruturado consegue, ainda que com aperto, pagar juros. Quem se alavancou demais mal consegue honrá-los. O desafio é equacionar essa diferença com diálogo e pragmatismo.

Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil
Os investimentos esfriaram. Mas, apesar do recorde nos índices de inadimplência, os bancos mostram disposição para negociar. O crédito não desapareceu, mas ficou mais criterioso. Transparência e consistência viraram pré-requisitos. As duas palavras que mais ouvi ao longo da viagem foram “resiliência” e “transparência”. A primeira, para transformar a dificuldade em ganho de eficiência operacional e aprimoramento de controles; a segunda, para preservar relações entre devedor e credor, algo vital num setor que funciona em rede.
Mesmo com todos esses percalços, os números da produção impressionam. Segundo o mais recente levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra 2025/2026 deve alcançar 353,37 milhões de toneladas de grãos, alta de 0,40% sobre o ciclo anterior. Um novo recorde! A área plantada deve atingir 83,25 milhões de hectares, num avanço de 1,90%, com produtividade média de 4.244 quilos por hectare.

Foto: Gilson Abreu
O que vi em minha viagem confirma as projeções da Conab. A soja apresenta boas perspectivas de produtividade. No algodão, o plantio começa com redução de área e permanecem as fazendas historicamente mais eficientes. O etanol de milho ajuda a sustentar preços e margens, cuja tendência dependerá da velocidade de expansão das usinas, que será decisiva para o futuro. Em paralelo, produtores buscam melhor relação custo-benefício nos insumos. Orçamento e gestão deixaram de ser diferencial e se tornaram condição de sobrevivência.
A percepção geral é de que os preços das commodities tendem a permanecer pressionados, salvo algum evento disruptivo no cenário global, hipótese que não pode ser descartada diante do aumento de tarifas internacionais e do acirramento das disputas comerciais. Há, também, a consciência de que o risco é sistêmico. Ele percorre toda a cadeia, da indústria de máquinas e equipamentos aos prestadores de serviço e instituições financeiras, tendo o produtor como elo central.
O mais instigante é constatar que, mesmo no cenário de endividamento e recuperação judicial, o agronegócio brasileiro mantém seu dinamismo, alta produção e protagonismo global, demonstrando mais uma vez sua força, capacidade de superação e muita resiliência.
Notícias
Embrapa lança projeto para antecipar riscos climáticos e reduzir perdas na agricultura
Com investimento inicial de R$ 2 milhões, iniciativa vai desenvolver sistemas de alerta, monitoramento de perdas e uma plataforma digital para apoiar decisões de produtores, seguradoras e gestores públicos.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) iniciou neste mês um projeto voltado à antecipação e ao monitoramento de riscos climáticos na agricultura. Batizada de “Do risco à decisão: soluções inteligentes para antecipação e monitoramento de riscos climáticos na agricultura”, a iniciativa terá duração de 48 meses e reúne 39 pesquisadores e analistas de 15 unidades da instituição, sob coordenação da Embrapa Agropecuária Oeste.
O projeto recebeu investimento inicial de R$ 2 milhões da Embrapa e permanece aberto à cooperação técnica e financeira com outras instituições.
Segundo o pesquisador e coordenador da iniciativa, Danilton Luiz Flumignan, o objetivo é ampliar a capacidade de resposta do setor agropecuário diante dos eventos climáticos extremos. “Queremos fortalecer a capacidade do setor agrícola brasileiro de prevenir perdas e tomar decisões mais assertivas diante de eventos climáticos adversos”, aponta.
As ações terão foco em culturas estratégicas para o agronegócio brasileiro, como soja, milho e trigo, além de arroz, feijão-comum, feijão-caupi, mandioca, uva e maçã. Entre os principais riscos avaliados estão a seca e as geadas, fenômenos que figuram entre as principais causas de perdas de produtividade no campo.
Três frentes de atuação
O projeto está estruturado em três eixos. O primeiro prevê o desenvolvimento de indicadores e metodologias para análise de risco climático, incluindo sistemas de alerta precoce capazes de antecipar eventos adversos e subsidiar a tomada de decisões.
A segunda frente será dedicada ao monitoramento das perdas agrícolas por meio de modelos biofísicos de simulação, que permitirão estimar, em tempo quase real, os impactos do clima sobre a produtividade das lavouras.
Já a terceira etapa reunirá bases de dados, ferramentas analíticas e modelos de simulação em um ambiente digital, que servirá de base para uma plataforma de gestão de riscos climáticos.
Segundo Flumignan, a expectativa é que a ferramenta ofereça painéis de visualização e análises para apoiar produtores rurais, gestores públicos e instituições financeiras. “Uma das metas é criar uma plataforma digital integrada para gestão de riscos climáticos na agricultura brasileira, fundamentada em dados e ciência”, ressalta.
De acordo com o pesquisador, a proposta é adotar uma abordagem preventiva, antecipando possíveis impactos climáticos e contribuindo para a adaptação dos sistemas produtivos. A expectativa é que os resultados também possam subsidiar políticas públicas voltadas ao seguro rural, ao crédito agrícola e ao acompanhamento do desempenho da agropecuária.
O projeto será integrado a iniciativas já existentes, como o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), ampliando a capacidade de análise e resposta aos efeitos das mudanças no clima.
Rede reúne 15 unidades da Embrapa
Para o diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, Clenio Pillon, o aumento da frequência de eventos climáticos extremos exige ferramentas capazes de transformar dados em informações para a tomada de decisão.
Segundo ele, a integração de especialistas de diferentes áreas permitirá desenvolver soluções voltadas à redução de perdas, ao aperfeiçoamento de políticas públicas e ao fortalecimento da sustentabilidade da produção agropecuária.
O projeto reúne pesquisadores das unidades Agropecuária Oeste, Agricultura Digital, Agrossilvipastoril, Arroz e Feijão, Cerrados, Clima Temperado, Mandioca e Fruticultura, Meio Ambiente, Meio-Norte, Milho e Sorgo, Soja, Solos, Trigo, Uva e Vinho, além da Gerência-Geral de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa.
Notícias
Brasil reduz em US$ 310 milhões as importações de defensivos químicos
Compras externas recuaram 6,8% em valor e 6,5% em volume, enquanto produtos genéricos ganham participação no mercado.

As importações brasileiras de defensivos químicos somaram US$ 4,28 bilhões entre janeiro e maio de 2026, queda de 6,8% em relação aos US$ 4,59 bilhões registrados no mesmo período de 2025. Em volume, as compras externas recuaram 6,5%, passando de 537,3 mil para 502,6 mil toneladas, de acordo com levantamento do CropData.

Os produtos formulados responderam por US$ 1,4 bilhão das importações, pouco mais de um terço do valor total negociado no período. Segundo o levantamento, a redução das importações ocorre em um momento de ajuste do mercado, marcado pela queda dos preços médios e pelo avanço dos defensivos genéricos, os chamados produtos pós-patente.
De acordo com o gerente executivo da CropLife Brasil, Renato Gomides, a retração das importações não indica redução na proteção das lavouras, mas uma mudança na composição das compras. Conforme o executivo, produtores têm diversificado o portfólio diante de margens mais apertadas, elevado endividamento e restrições de crédito provocadas pelas recuperações judiciais no setor.
Gomides afirma ainda que a demora na aprovação de novas tecnologias no Brasil, um dos países com maior prazo para registro de defensivos entre as principais potências agrícolas, faz com que o mercado recorra aos produtos já disponíveis. “Quando a inovação chega com atraso, o mercado se orienta para o que já está disponível. O avanço dos genéricos tem também uma leitura regulatória, que precisa de maior previsibilidade”, ressalta.
Herbicidas lideram as importações
Entre os defensivos formulados, os herbicidas lideraram as importações, com US$ 471 milhões e 112 mil toneladas. Apesar da liderança, a categoria registrou retração em valor, volume e preço médio na comparação com os cinco primeiros meses de 2025.

Na sequência aparecem os inseticidas, com US$ 295 milhões em importações, e os fungicidas, com US$ 249 milhões, ambos também em queda.
Segundo Gomides, os herbicidas respondem por 34% do valor e quase 45% do volume dos produtos formulados importados pelo Brasil. O executivo atribui essa predominância à importância do controle de plantas daninhas, especialmente nos sistemas de plantio direto. “O produtor tem ampliado aplicações e o uso de pré-emergentes para garantir eficiência no manejo, especialmente no sistema soja, milho e algodão, onde a proteção nos estágios iniciais é decisiva para a produtividade”, afirma.
China concentra fornecimento

Gerente executivo da CropLife Brasil, Renato Gomides: “O produtor tem ampliado aplicações e o uso de pré-emergentes para garantir eficiência no manejo, especialmente no sistema soja, milho e algodão, onde a proteção nos estágios iniciais é decisiva para a produtividade”
A China manteve a liderança entre os fornecedores de herbicidas formulados ao Brasil, respondendo por 72% do valor importado, o equivalente a US$ 338 milhões, e por 90% do volume, cerca de 100 mil toneladas.
Em valor, os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com US$ 47 milhões (10%), seguidos pela Alemanha, com US$ 26 milhões (5%). Em volume, a China é seguida por Estados Unidos e Índia.
Consumo por hectare
O levantamento também lembra que o Brasil comercializou 826 mil toneladas de defensivos formulados em 2024. Considerando a área cultivada com grãos, café, cana-de-açúcar, hortifrutigranjeiros e florestas plantadas, as vendas corresponderam a 7,73 quilos por hectare.
Esse indicador é utilizado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para estimar o consumo de defensivos agrícolas nos países.



