Notícias
Ibrafe e Apex Brasil firmam acordo de incentivo à exportação de pulses
Novo convênio tem duração de 24 meses e recursos no valor de R$ 3,5 milhões. Meta do projeto para 2025 é que as empresas atendidas alcancem US$ 260 milhões em exportações do setor.

Até 2030, o consumo global de proteínas alternativas às carnes deve crescer substancialmente. Os feijões, as lentilhas, o grão-de-bico e o gergelim, conhecidos como “superalimentos” pela riqueza em nutrientes, serão cada vez mais protagonistas nas dietas mundo a fora. Segundo a Bloomberg, o mercado desses produtos pode chegar a US$ 162 bilhões até o final da década.
Para explorar esse potencial, exportadores e importadores do setor reuniram-se em Brasília para a segunda edição do Brazil SuperFoods Summit, realizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e o Instituto Brasileiro de Feijão e Pulses (Ibrafe). O evento ocorreu nos dias 2 e 3 de abril, atraindo representantes de 12 países em torno de discussões sobre o futuro do Brasil como fornecedor desses superalimentos.
Na ocasião, os presidentes da ApexBrasil, Jorge Viana, e do Ibrafe, Marcelo Lüders, aproveitaram a oportunidade para oficializar um novo convênio entre as entidades para promover a internacionalização do setor, com duração de 24 meses e recursos no valor de R$ 3,5 milhões (R$ 1,76 milhões aportados por cada entidade).
O Brasil é o único país que tem três safras de feijão por ano. De acordo com a FAO, em 2022 foi o segundo maior produtor de feijões secos do mundo, com 2,8 milhões de toneladas, atrás apenas da Índia. Mesmo assim, há forte expectativa de crescimento, tanto na produção como na exportação de excedentes, já que em 2023 as vendas internacionais foram de US$ 127 milhões, abaixo do recorde de US$ 212 milhões registrado em 2021. “Quando a gente firma convênios, o comércio exterior cresce. Atualmente nós estamos 500 mil toneladas [na produção de feijões] atrás do que já estivemos, então há muito o que crescer. Precisamos explorar mais todo esse potencial, que é extraordinário”, destacou Viana.
O objetivo da parceria é expandir o mercado de exportação dos pulses e colheitas especiais brasileiras, desde os tradicionais feijões até o inovador gergelim. A meta do projeto para 2025 é que as empresas atendidas pelo projeto alcancem US$ 260 milhões em exportações do setor. Para alcançar esse objetivo, as iniciativas incluem feiras e missões, especialmente na Ásia, principal mercado consumidor desses produtos, e eventos no Brasil com compradores internacionais. “Essa parceria tem permitido que nós tenhamos uma evolução, ao dar conhecimento ao mundo do que nós podemos produzir no Brasil. Temos hoje a oportunidade de reunir os exportadores, que fazem acontecer o projeto com a ApexBrasil. É um investimento importante, que está levando o marketing do feijão, o conhecimento do feijão para os quatro cantos do mundo”, comemorou Lüders.
Oportunidades globais
Bimal Kothar, chairman da associação de pulses e grãos da Índia, participou do Summit na busca por fornecedores brasileiros para suprir as demandas de consumo indianas. Segundo ele, a Índia é a maior consumidora de pulses do mundo, chegando a a 40 milhões de toneladas por ano em feijões, ervilhas, lentilhas e outras colheitas especiais. Em 2023, a importação total nesses produtos foi de cerca de 4 milhões de toneladas. “Se os fazendeiros brasileiros produzirem mais pulses, terão mercado na Índia. O valor pode chegar a mais de US$ 1 bilhão, porque a Índia pode facilmente importar mais de 1,5 milhões de toneladas do Brasil. Já é uma grande quantidade e vai haver ainda mais oportunidades no futuro, porque o consumo está crescendo. O nível de renda na Índia está aumentando. Nós seremos a terceira maior economia do mundo até 2030, com uma população de 1,4 bilhão, então precisaremos de muito alimento”, explicou Kothar.
Cesar Bruns, corretor da Samba Foods, empresa do setor que exporta há mais de 16 anos, também esteve presente no evento para se conectar com compradores internacionais. Com um portfólio que engloba uma ampla variedade de pulses e colheitas especiais, como feijões, pipoca, gergelim e semente de girassol, a SambaFoods já exporta para 35 mercados, e tem expectativa de seguir abrindo mercados.
de acordo com Bruns, a estratégia da empresa é participar ativamente de feiras no exterior para fechar negócios com importadores do mundo todo. “Participo das principais feiras do mundo, com a ApexBrasil, o Mapa”, explicou, citando grandes eventos como Anuga, SIAL e Gulfood. “Esse ano, a expectativa é grande, porque viemos de dois, três anos de baixa, não só no Brasil, mas no mundo todo, e a expectativa é muito boa, nos feijões principalmente, e na produção de gergelim”, comemorou.

Colunistas
Você está desperdiçando o dinheiro do marketing?
Conheça três pontos que podem contribuir para um melhor desempenho.

Durante a conversa com um grande amigo, lembrei, recentemente, de uma experiência que tive no agronegócio. Uma empresa de nutrição animal precisava aumentar a visibilidade junto a potenciais clientes e entrou em contato com a Ação Estratégica – Comunicação e Marketing no Agronegócio.
O gerente de marketing compartilhou o briefing de forma clara e objetiva: “precisamos aparecer em mídias estratégicas, locais e nacionais, e também ampliar a nossa presença em canais digitais. A concorrência está grande e precisamos ser mais reconhecidos no campo. Isso vai ajudar a fechar negócios”.
Após algumas reuniões, finalizamos o planejamento de assessoria de imprensa e de redes sociais, definindo a linguagem, os temas e os principais objetivos a serem atingidos em curto e médio prazo.
Rapidamente, os porta-vozes foram definidos e participaram de um media training, no qual a Ação Estratégica apresentou dicas para os executivos terem um desempenho ainda melhor nas futuras entrevistas com jornalistas.
Como próximo passo, a mídia recebeu sugestões de notícias sobre a empresa e as redes sociais foram abastecidas com conteúdo relevante sobre o ecossistema em que a empresa atua.
Em poucos meses, os materiais divulgados causaram um grande impacto, maior do que o esperado. Potenciais clientes fizeram vários comentários nos posts publicados, mandaram mensagens em privado e também entraram em contato com a empresa via WhatsApp.
O sucesso desta ação teve três pontos centrais:
1) Análise
O cliente compartilhou importantes informações, na etapa do planejamento, sobre os perfis dos potenciais clientes. Essas informações propiciaram uma análise consistente de cenário.
2) Integração
O movimento foi realizado em total sintonia com o departamento de vendas, com o objetivo de potencializar as oportunidades de negócios.
3) Correção
Com frequência, realizamos reuniões para a correção de rotas, o que contribuiu para as divulgações serem sempre relevantes.
A importância desses três pontos (Análise, Integração e Correção) vai além do sucesso de uma ação específica. Se bem utilizados, eles contribuem diretamente para uma melhor utilização dos recursos, evitando, de forma contínua, o desperdício de dinheiro, e também propiciam um rico aprendizado a ser utilizado nas próximas atividades.
Afinal, com experiência, informação e estratégia adequada, melhoramos o nosso desempenho, não é mesmo?
Notícias
Mercado de fertilizantes no Brasil mantém forte dependência de importações
Volume soma 40,9 milhões de toneladas até outubro de 2025, com Mato Grosso liderando o consumo nacional.

As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro somaram 5,08 milhões de toneladas em outubro de 2025, alta de 2,1% frente ao mesmo mês do ano anterior, quando foram comercializadas 4,98 milhões de toneladas, segundo a Associação Nacional para a Difusão de Adubos (ANDA). No acumulado de janeiro a outubro foram registradas 40,94 milhões de toneladas entregues, com alta de 8,4% em comparação a igual período de 2024, quando o total foram entregues 37,78 milhões de toneladas.
O Estado de Mato Grosso manteve a liderança no consumo, com participação de 22,1% do total nacional, o equivalente a 9,05 milhões de toneladas. Na sequência aparecem Paraná (4,97 milhões), São Paulo (4,35 milhões), Rio Grande do Sul (4,21 milhões) Goiás (3,99 milhões), Minas Gerais (3,90 milhões) e Bahia (2,75 milhões).
A produção nacional de fertilizantes intermediários encerrou outubro de 2025 em 631 mil toneladas, registrando uma queda de 2,2% em relação ao mesmo mês de 2024. No acumulado de janeiro a outubro, o volume chegou a 6,20 milhões de toneladas, avanço de 5,7% em relação com as 5,87 milhões de toneladas no mesmo período de 2024.
As importações alcançaram no mês de outubro de 2025, 4,38 milhões de toneladas, redução de 1,1% sobre igual período do ano anterior. De janeiro a outubro, o total importado somou 35,88 milhões de toneladas, com crescimento de 7,1% em relação as 33,49 milhões de toneladas no mesmo período de 2024.
O Porto de Paranaguá consolidou-se como principal ponto de entrada do insumo, foram importadas 8,89 mil toneladas no período, crescimento de 5,8% frente a 2024 (8,40 milhões de toneladas). O terminal representou 24,8% do total de todos os portos, segundo dados do Siacesp/MDIC.
Notícias
Produtores têm até 31 de janeiro para regularizar inconsistências fiscais
Receita Federal intensifica fiscalização sobre rendimentos rurais e alerta para risco de autuações e multas após o prazo.

A Receita Federal do Brasil intensificou as orientações voltadas à conformidade fiscal no setor rural, com atenção especial aos rendimentos oriundos de arrendamentos de imóveis rurais. A iniciativa integra uma ação nacional de conformidade cujo objetivo é estimular a autorregularização dos contribuintes, permitindo a correção de inconsistências até janeiro de 2026, antes do avanço para etapas de fiscalização mais rigorosas.
Segundo o órgão, é recorrente a subdeclaração ou o enquadramento incorreto dos valores recebidos com arrendamentos, seja por desconhecimento da legislação tributária, seja por falhas no preenchimento das declarações. Para identificar divergências, a Receita Federal tem ampliado o uso de cruzamento de dados, recorrendo a informações de cartórios, registros de imóveis rurais e movimentações financeiras, em um ambiente de fiscalização cada vez mais digital e integrado.

Foto: Jonathan Campos/AEN
O advogado tributarista Gianlucca Contiero Murari avalia que o atual movimento do Fisco representa um ponto de atenção relevante para produtores rurais e proprietários de terras. “A autorregularização é uma oportunidade valiosa para o contribuinte rural corrigir falhas, evitar autuações, multas elevadas e até questionamentos mais complexos no futuro. A Receita Federal tem adotado uma postura cada vez mais preventiva, mas com fiscalização altamente tecnológica”, afirma.
Murari ressalta que os rendimentos provenientes de arrendamento rural exigem cuidado específico no enquadramento e na declaração, de acordo com as regras do Imposto de Renda. Isso inclui a avaliação sobre a tributação como pessoa física ou jurídica, conforme a estrutura da operação. “É fundamental que o produtor ou proprietário busque orientação especializada para avaliar contratos, natureza dos rendimentos e a forma correta de declarar. Um ajuste feito agora é muito menos oneroso do que uma autuação depois”, completa.



