Empresas
Evonik defende nutrição de aves mais precisa para melhor desempenho, saúde e menor impacto ambiental na cadeia avícola durante PSA
Especialistas em nutrição de aves do Brasil e do exterior participam de simpósio realizado pela companhia na Conferência PSA Latam.

É possível atingir uma nutrição de aves mais precisa e com impacto positivo no desempenho e na saúde dos animais, além de reduzir o impacto ambiental da produção. A ciência da nutrição animal tem avançado para inovações e tecnologias capazes de contribuir com este objetivo através de equações, modelagens e avaliação de matérias-primas, por exemplo. Foi o que defenderam alguns dos principais especialistas nesta área durante um simpósio realizado pela Evonik na 4ª Conferência Científica Latino-Americana da PSA, a Poultry Science Association, em Foz do Iguaçu (PR).
No encontro, o professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Horácio Rostagno, destacou que a nutrição evolui para atender às exigências nutricionais do frango moderno, mas também para maior sustentabilidade na produção e melhor rentabilidade do produtor. “É preciso conhecer com exatidão as exigências nutricionais do frango de corte moderno. Através do desenvolvimento de equações que publicamos nas Tabelas Brasileiras de Aves e Suínos é possível calcular a ração de acordo com o tipo de animal de cada empresa, que pode ser de médio ou alto desempenho ou machos ou fêmeas e ainda calcular as exigências para a próxima geração de frangos”, disse o especialista.
Ele lembra que a genética avança de maneira muito dinâmica e exige que a nutrição acompanhe estes avanços. “A cada dois anos, às vezes até todos os anos, temos um novo frango mais eficiente, então precisamos acompanhar estes avanços. Hoje se fala muito em nutrição de precisão, em ajustar a nutrição de acordo com diferentes períodos. Podemos ter seis dietas até a fase de terminação ou até uma por dia. Isso está previsto e as tabelas brasileiras já contemplam este modelo”, afirmou Rostagno.
O pesquisador chefe Geral da Embrapa Suínos e Aves, Everton Krabbe, reforçou que a cadeia produtiva está caminhando para uma nutrição cada vez mais precisa, mas que ainda esbarra em desafios como a qualidade e a variabilidade das matérias-primas. “Estamos tentando fazer uma nutrição mais precisa, mas as matérias-primas não são precisas. Eu me refiro aos aspectos agronômicos que impactam a composição dos principais ingredientes de origem vegetal, por exemplo. O clima, a fertilidade do solo e todo o aspecto do ambiente repercute na qualidade do produto final. E temos ainda a variabilidade da parte operacional das indústrias”, pontuou Krabbe.
De acordo com ele, o nutricionista precisa compreender toda essa variabilidade e isso precisa ser gerenciado para ter uma nutrição mais precisa para atender às necessidades dos animais. “Tecnologias como análises via NIR conseguem caracterizar melhor a matéria-prima. É uma ferramenta que ajuda a gerenciar a qualidade da matéria-prima, o que significa melhor eficiência de custo e produção mais sustentável”, disse. Ainda falando de tecnologias capazes de ajudar no desafio do nutricionista, a professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp – Campus de Jaboticabal) Nilva Sakomura apresentou um software que prevê o crescimento das aves, o consumo de ração e as necessidades nutricionais. “Nosso laboratório da Unesp tem pesquisado o potencial de crescimento de diversas linhagens de frangos de corte, estabelecendo necessidades de aminoácidos e energia. E estes estudos levaram ao desenvolvimento do Broiler Growth Model (BGM), que possui uma ferramenta de otimização dos níveis de energia, lisina e proteína balanceada para um manejo nutricional preciso e eficiente. É uma ferramenta de otimização econômica que vai ajudar os nutricionistas a tomar decisões para maximizar a rentabilidade e reduzir os custos com a nutrição”.
O consultor da Boreal consultoria, Jeffersson Lecznieski, defendeu uma formulação com níveis menores de proteína bruta. “Os benefícios de utilizar dietas com teores menores de proteína são menor custo de formulação, atender exigências das linhagens atuais menor excreção de nitrogênio, o que representa menor poluição ambiental. Através do uso de aminoácidos sintéticos não convencionais, como Arginina, Valina e Isoleucina, podemos melhorar o desempenho das aves, reduzir custo de formulação e ainda reduzir excreção de nitrogênio”, encerrou o especialista.
O evento
Em sua quarta edição no Brasil, a Conferência da Poultry Science Association (PSA) se consolida como um dos eventos técnicos mais relevantes da avicultura latino-americana. O encontro reuniu cerca de 700 participantes, teve 9 simpósios técnicos e 314 resumos científicos inéditos submetidos para apresentações orais e pôsteres. O diretor de Marketing Estratégico de Essencial Nutrition da Evonik na América Latina e presidente da PSA Latam, Nei Arruda, destaca a importância de incentivar a produção científica. “Acreditamos na ciência e no desenvolvimento de pesquisas como uma ferramenta eficaz para beneficiar não apenas a produção de alimentos, como também a vida das pessoas”, afirmou.
A gerente de Serviços Técnicos de Aves da Evonik, Patrícia Tomazini salientou a qualidade técnica do evento. “O board da PSA organizou um programa técnico que trouxe as últimas inovações e pesquisas na área de nutrição de aves. A programação foi muito interessante”, disse.
Um dos destaques do evento, a Evonik não apenas realizou o simpósio, como também teve oito trabalhos selecionados pela comissão científica para apresentação oral e pôsteres. São trabalhos inéditos realizados pela equipe de cientistas da companhia de pesquisas realizadas no Brasil e em outros países, com temas como “Redução de proteína bruta em frangos de corte”, “Fontes de metionina em poedeiras”, “Avaliação de DDG por NIR”, “Ecobiol x baixa proteína em frangos de corte sob estresse térmico”, “Avaliação energética de DDG por NIR”, “Uso do ácido guanidinoacético em frangos de corte”, “Benchmarking global de poedeiras” e “Redução de proteína para poedeiras”.

Empresas Agenda de sustentabilidade
Com reaproveitamento de mais 17,6 mil toneladas de resíduos, GTF reforça sua economia circular em 2025
Relatório de Sustentabilidade destaca modelo produtivo integrado, desenvolvimento de comunidades rurais e alinhamento a padrões internacionais de ESG

A GTF avançou de forma consistente em sua agenda de sustentabilidade em 2025, consolidando práticas de economia circular, eficiência operacional e fortalecimento da governança ESG em suas operações industriais. Ao longo do ano, a companhia destinou aproximadamente 87% dos seus resíduos não perigosos para processos de recuperação e valorização, totalizando 17.638 toneladas reaproveitadas de um volume de 20.245 toneladas processadas. As soluções incluem reaproveitamento de recursos e processos biológicos, reforçando o compromisso da empresa com a hierarquia de redução, reutilização e reciclagem.
Além disso, foram gerenciadas 6.609 toneladas de lodo centrifugado oriundo de abatedouros, com destinação ambientalmente adequada. A GTF também manteve programas de logística reversa e apoio a cooperativas de reciclagem, contribuindo para a inclusão social e para o fortalecimento da cadeia de reciclagem.
Na frente de energia renovável, a empresa deu continuidade ao uso de biodigestão para geração de biogás nas unidades de fecularia. A carga orgânica dos efluentes é direcionada para biodigestores, permitindo a geração de energia renovável utilizada nos próprios processos produtivos, o que reforça a redução da dependência de fontes convencionais de energia.
No eixo de gestão hídrica, a GTF manteve uma abordagem integrada envolvendo captação, monitoramento, tratamento, reuso e destinação de efluentes. Entre as iniciativas de destaque estão a higienização a seco na unidade de Maringá, o reuso de água industrial em Paraíso do Norte e o desenvolvimento de projetos voltados ao aproveitamento de efluente tratado. A empresa também opera estações próprias de tratamento com etapas físico-químicas e biológicas.
Em relação às mudanças climáticas, o relatório aponta redução das emissões de CO₂ do Escopo 2 em comparação ao ano anterior, impulsionada por ganhos de eficiência energética e melhorias operacionais. A companhia também ampliou seu inventário de emissões, incorporando novas fontes do Escopo 3 e fortalecendo o monitoramento ambiental. A empresa também iniciou o fortalecimento da avaliação ESG de fornecedores, ampliando a rastreabilidade e o controle ambiental em toda a cadeia de suprimentos.
“Em 2025, a GTF avançou de forma consistente em sua agenda de sustentabilidade, consolidando práticas de economia circular e eficiência operacional. Destinamos aproximadamente 87% dos nossos resíduos não perigosos para recuperação e valorização, além de avançarmos em iniciativas de energia renovável, gestão hídrica e redução de emissões. Esses resultados reforçam nosso compromisso com a inovação, a responsabilidade ambiental e o fortalecimento contínuo da nossa governança ESG em toda a cadeia produtiva”, disse Rafael Tortola, CEO da GTF.
Empresas Suinocultura
Da versatilidade à nutrição: como a carne suína tem conquistado o paladar dos brasileiros
A qualidade da carne está diretamente ligada ao processo produtivo no campo; o setor de suinocultura é um dos motores do superávit da balança comercial do agronegócio nacional

A carne suína segue ganhando destaque na mesa do brasileiro. Segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Anual (ABPA), o consumo alcançou a marca de aproximadamente 19,1 quilos por habitante em 2025, o que representa um aumento de 19% nos últimos cinco anos. Esse cenário promissor é reflexo de uma produção nacional que ultrapassa 5,5 milhões de toneladas anuais e exportações que atingiram cerca de 1,51 milhão de toneladas no ano passado.
Por trás desses números expressivos está o trabalho de produtores de alimentos, empenhados em atender às exigências do consumidor moderno, com transparência, bem-estar animal e segurança alimentar. Para alcançar padrões elevados e conquistar a confiança do consumidor em atributos como maciez, suculência e cor, a cadeia produtiva se profissionalizou e se modernizou.
“A qualidade da carne suína que chega à mesa do consumidor é resultado de uma cadeia produtiva altamente complexa e integrada, na qual manejos sanitários, estratégias nutricionais, melhoramento genético, ambiência e bem-estar animal atuam de forma sinérgica. No Brasil, essa cadeia é considerada uma das mais modernas do mundo, sustentada por avanços contínuos em tecnologia, manejo e ciência aplicada”, afirma a médica-veterinária Amanda Daniel, coordenadora técnica da unidade de Suinocultura da MSD Saúde Animal.
A trajetória de consolidação da carne suína
Historicamente, o consumo de carne suína no Brasil foi impactado por mitos relacionados à saúde, alguns deles baseados em sistemas produtivos antigos que já não representam a realidade atual. “A associação da carne suína a altos teores de gordura, colesterol ou riscos sanitários ainda persiste em parte do imaginário coletivo, embora essas percepções venham sendo progressivamente desconstruídas com o avanço da ciência e da produção moderna”, destaca Amanda.
Essa mudança de percepção está diretamente relacionada à evolução tecnológica da suinocultura e ao maior acesso à informação por parte da população. “Atualmente, a carne suína apresenta perfil nutricional significativamente diferente daquele observado há décadas, com maior magreza, melhor padronização e maior controle sanitário, reflexo do melhoramento genético, da nutrição de precisão e das práticas modernas de manejo”, complementa a profissional.
A força que a carne suína tem hoje no mercado brasileiro é justamente consequência do trabalho sério e dedicado de diversos produtores e profissionais do agro. Para que o consumidor final possa ter acesso a cortes saborosos e de alta qualidade, existe uma ampla cadeia produtiva, com processos rigorosos e muito cuidado.
No Brasil, toda a carne suína comercializada passa por um sistema oficial de inspeção veterinária para assegurar a qualidade e segurança do alimento, a fim de proteger o consumidor e permitir que apenas produtos próprios cheguem ao mercado. “Durante o abate, cada animal e carcaça são avaliados. Caso seja identificado qualquer problema de saúde ou lesão que possa comprometer o consumo, a carne pode ser condenada parcialmente ou até totalmente descartada”, pontua Ísis Pasian, coordenadora técnica de Suinocultura da MSD Saúde Animal.
A versatilidade da proteína
Com cortes variados, temperados e de fácil preparo, a proteína suína deixou de ser uma coadjuvante para se tornar, em muitas ocasiões, o prato principal nas refeições das famílias. “A carne suína é uma proteína extremamente versátil, que atende às mais diversas ocasiões de consumo e perfis de consumidores. Hoje, contamos com uma ampla variedade de cortes, desde opções mais magras e práticas para o dia a dia até cortes especiais que agregam sabor e sofisticação às refeições”, destaca Marcelo Lopes, presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS).
Ainda segundo o executivo, a carne suína evoluiu muito nas últimas décadas e, atualmente, destaca-se pelo excelente valor nutricional. “É fonte de proteínas de alta qualidade, vitaminas do complexo B e minerais importantes para a saúde. Essa combinação de versatilidade, sabor e nutrição faz da carne suína uma escolha cada vez mais presente na mesa dos brasileiros.”
Para ressaltar a força dessa proteína, ocorreu em junho a Semana Nacional da Carne Suína (SNCS), organizada pela ABCS e com apoio de empresas parceiras, como a MSD Saúde Animal. Uma ação que promove ainda mais o consumo, valorizando os cortes e desmistificando a carne suína junto aos consumidores.
Empresas
Better Beef produz carne premium em modelo verticalizado de autossuficiência energética e agricultura regenerativa
Na Agropecuária Vista Alegre (Better Beef Confinamento), maior confinamento coberto e com baias concretadas da América Latina, o grupo aplica princípios de agricultura regenerativa e transforma resíduos em insumos agrícolas

O Better Beef, empresa do Better Group, um dos maiores grupos frigoríficos do Brasil, transformou mais de 40 mil toneladas de resíduos industriais em nutrição animal, em apenas um ano. Com base em fatores de emissão de referência do setor (GHG Protocol), esse resultado representa redução de 20.537 toneladas de CO₂ no ambiente.
“Enquanto o mercado discute sustentabilidade, o Better Group pratica esse conceito em cada elo da cadeia. Com nosso propósito de ‘Alimentar Hoje. Cuidando do Amanhã”, construímos um sistema para entregar carne de excelência com impacto ambiental reduzido, em um modelo maduro de economia circular aplicado à pecuária”, informa Everton Gardezan, gerente de marketing do Better Group.
Esse não é o único exemplo. Por meio do processamento e recuperação da levedura oriunda da fermentação de usinas e cervejaria, o Better Beef produziu, no ano passado, mais de 2 milhões de litros de álcool, contemplando álcool industrial, álcool neutro e álcool carburante.
O álcool carburante é utilizado no abastecimento da frota própria, promovendo autossuficiência energética e redução do consumo de combustíveis fósseis. Já o álcool industrial e o álcool neutro atendem aos mercados industriais e domissanitários, agregando valor ao processo e fortalecendo o conceito de economia circular dentro do ecossistema agroindustrial. Baseada em fatores de referência setorial, esse processamento representa economia de aproximadamente 4.000 toneladas de CO₂ equivalente.
Os números crescerão ainda mais com a entrada em operação do Projeto Batata-Doce, que prevê o aproveitamento de descarte agrícola da região para produção de 15.000 litros de álcool, 20 toneladas de WDG (aditivo nutricional) e biogás na ordem de 10.000 Nm³/dia, que será utilizado inicialmente como energia térmica no processo industrial.
Além disso, na Agropecuária Vista Alegre (Better Beef Confinamento), maior confinamento coberto e com baias concretadas da América Latina, o grupo aplica princípios de agricultura regenerativa e transforma resíduos em insumos agrícolas. O esterco produzido por mais de 136 mil animais/ano é reaproveitado para enriquecimento do solo, reduzindo a dependência de adubos químicos e contribuindo para o sequestro de carbono.
“Nosso negócio não é somente produzir carne. Nosso compromisso é restaurar o ecossistema. Estamos provando que é possível ter alta produtividade e, ao mesmo tempo, fortalecer a terra para as próximas gerações”, assinala Everton Gardezan.




