Bovinos / Grãos / Máquinas
Homeopatia é opção para diminuir casos de mastite
Produtor do Paraná reduz de quatro para um caso ao mês depois que começou a utilizar homeopatia
Há aproximadamente oito meses a rotina mudou um pouco na propriedade da família Heck, principalmente porque a utilização de medicamentos e as visitas de veterinários ficaram mais raras. Neste período o produtor Gione Roberto Heck, do interior de Marechal Cândido Rondon, PR, vem trabalhando com a homeopatia em seus 92 animais na propriedade entre bezerras, novilhas, vacas secas e vacas em lactação, sendo holandesas, jersey e a mistura das duas raças. Vários pontos podem ser citados que foram melhorados, porém, um bastante notável foi a diminuição e severidade dos casos de mastite.
A pecuária leiteira é desenvolvida pela família Heck há três gerações. O avô de Gione já trabalhava com a atividade, porém, como segunda opção de renda. Foi em 2009 que ele e a esposa passaram a cuidar da atividade na propriedade. “Nós estamos nesse processo de sucessão familiar aqui. Eu e meu pai fizemos um acordo de que todas as bezerras que nasciam a partir daquele período passariam a ser minhas. Então, as vacas dele com o tempo foram sendo descartadas e as minhas passaram a ser as utilizadas. Foi uma forma que encontramos de fazer essa sucessão de forma gradativa, ele saindo aos poucos e eu entrando aos poucos”, conta.
Porém, diferente da família, Gione e a esposa escolheram o leite como atividade principal. Ele explica que família da esposa também trabalhava com leite, então, depois que se casaram, decidiram os dois dar continuidade para a atividade, mas desta vez como carro-chefe da propriedade rural. “Dessa forma, eu e minha esposa trabalhamos somente com leite. A nossa renda vem exclusivamente das vacas”, informa. Atualmente, a propriedade possui 39 vacas em lactação. Já a produção está em uma média de 750 litros/dia.
Como o leite é a principal fonte de renda da família, os cuidados para sempre conseguir lucros são prioridade para a família Heck. “Nós já tínhamos um manejo diferenciado, para sempre termos uma qualidade melhor no leite”, conta. O pecuarista diz que a ideia sempre foi produzir um leite com excelente qualidade, porque eles sabem que o rendimento industrial não é o mesmo se o produto tem uma contagem de células somáticas mais alta. “Nós sempre tentamos pensar assim: o que eu estou vendendo é também o que eu quero consumir. Eu não tenho nenhum problema em pegar o leite do meu resfriador e consumir ou dar para os meus filhos”, diz.
Nesta preocupação de ter o melhor produto que coincidiu com a utilização da homeopatia na propriedade. “A longo prazo a utilização da homeopatia se tornou muito mais barata. A resposta imunológica dos animais melhorou consideravelmente, e os casos de mastite diminuíram”, informa. Gione comenta que se antes na propriedade havia quatro casos de mastite por mês, agora registra somente um ou até nenhum caso no mês. “Além do mais, quando os casos aparecem, eles não são mais tão severos como antes, então são mais fáceis de tratar”, conta.
Dessa forma, o produtor ainda teve economia na propriedade, isso porque se antes ele tinha que tratar quatro casos de mastite, agora trata somente um. Sem contar que com menos animais doentes, a quantidade de leite que deveria ser descartado é bem menor. “Esse é um ganho que você também tem no final do mês, de não precisar utilizar tantos tratamentos”, comenta. “Se, por exemplo, eu tiver um animal que produz 20 litros de leite/dia e tiver que tratar por mastite, vou fazer o tratamento convencional com a bisnaga durante três dias, e tem mais os três a quatro dias posteriores de carência da última bisnaga. Então, a mastite é uma enfermidade em que você perde aproximadamente sete dias de leite. Mais o custo de manejo – de deixar o animal para o final, ordenhar separado, esgotar esse leite – neste período de uma semana são 140 litros de leite que você perde. É uma conta simples de quanto custa uma mastite em um animal”, menciona.
Para Gione, a homeopatia fez a diferença na propriedade. Ele comenta que os resultados são a longo prazo, mas perceptíveis e que valem o investimento. De acordo com ele, o produtor deve ser persistente no uso. “A utilização de homeopatia deve ser algo contínuo. Não usar um tempo e depois parar, porque isso só vai fazer com que todos os problemas que você tinha resolvido voltem”, diz.
Manejo diferenciado
A homeopatia, mas também o manejo sempre diferenciado e primando pelo bem-estar dos animais faz a diferença para os poucos casos de mastite na propriedade de Heck. O sistema utilizado é de semiconfinamento, sendo que a dieta das vacas é toda feita no coxo, mas elas têm um espaço para caminhar e descansar. “Nós fazemos o possível para dar o maior conforto ao animal, além de nos preocuparmos sempre com o bem-estar, porque sabemos que com isso ela responde em produtividade”, comenta. Para Gione, quem tem a visão de tentar diminuir custos se atenta a questões diversas, como imunidade e qualidade do leite.
Teste de qualidade
A partir de homeopatia, Gione e a família viram também a diferença na qualidade do leite a partir dos testes que fazem. Ele conta que há tempos faz a análise individual de cada animal. “Além da análise mensal do laticínio, eu ainda faço outra individual de cada animal. Isso é um custo a parte que eu tenho, onde faço a coleta – sendo que tenho uma ordenha específica para isso – e mando as amostras para serem analisadas em Curitiba, pela Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa”, conta.
O pecuarista coleta o leite e manda em uma caixa lacrada para a capital paranaense. “Eu tenho um cadastro lá, e depois de quatro ou cinco dias eles me mandam o laudo das análises por e-mail”, informa. Gione explica que todos os frascos são identificados, sendo que são separados por cada animal. Entre os pontos analisados estão a composição do leite, quantidade de células somáticas, extrato seco e teor de gordura. “O resultado de tudo isso eu recebo no meu e-mail”, reitera.
Com as análises, o produtor consegue realizar a segregação na ordenha e fazer o cuidado diferenciado necessário para os animais que precisam de mais atenção. “As vacas mais ‘infectadas’ eu deixo por último na ordenha, para que as mais sadias não sejam contaminadas. Já nas doentes, eu faço um tratamento de choque. Por exemplo, se a dosagem recomendada normal por animal sadio para prevenir doenças é de 10 a 15 gramas, nas contaminadas eu entro com uma dose maior, de 40 a 45 gramas, durante um mês até a próxima análise”, conta. O pecuarista diz que as amostras são mandadas para análise em intervalos entre 40 e 50 dias.
Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2018 ou online.
Fonte: O Presente Rural

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Boi gordo enfrenta semanas de instabilidade e pressão nas cotações
Recuo de até R$ 13/@ reflete um mercado mais sensível antes do período de maior consumo.

A possibilidade de novas medidas protecionistas da China voltou a gerar incerteza no mercado pecuário brasileiro. O país asiático, principal destino da carne bovina do Brasil, estaria avaliando restringir a entrada do produto, mas não há qualquer confirmação oficial até o momento. Mesmo assim, os rumores foram suficientes para pressionar os contratos futuros do boi nas últimas semanas.
As especulações ganharam força no início de novembro, indicando que Pequim poderia retomar o movimento iniciado em 2024, quando alegou excesso de oferta interna para reduzir as importações. A decisão, que inicialmente seria tomada em agosto de 2025, foi adiada para novembro, ampliando a cautela dos agentes e intensificando a queda na curva futura: em duas semanas, os contratos recuaram entre R$ 10 e R$ 13 por arroba.

Foto: Gisele Rosso
Com a China respondendo por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne bovina, qualquer redução nos embarques tende a impactar diretamente os preços do boi gordo, especialmente em um momento de forte ritmo de produção.
Apesar da tensão, o cenário de curto prazo permanece positivo. A demanda doméstica, reforçada pela sazonalidade do fim de ano, e o recente alívio nas barreiras impostas pelos Estados Unidos ajudam a sustentar as cotações. Caso os abates não avancem mais de 10% em novembro e dezembro, a disponibilidade interna deve ficar abaixo da registrada em outubro, movimento que favorece a recuperação dos preços da carne nos próximos 30 dias.
Para 2026, as projeções seguem otimistas para a pecuária brasileira. A expectativa é de menor oferta de animais terminados, custos de produção mais competitivos e demanda externa firme, em um contexto de queda da produção e das exportações de concorrentes, especialmente dos Estados Unidos. A principal atenção fica por conta do preço da reposição, que subiu de forma expressiva e exige valores mais ajustados na venda do boi gordo para assegurar a rentabilidade na terminação.
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Novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável busca impulsionar produção de leite no Noroeste de Minas Gerais
Assistência técnica, pesquisa aplicada e melhorias genéticas a 150 propriedades familiares, com foco em produtividade, sustentabilidade e fortalecimento da cadeia leiteira no Noroeste mineiro até 2028.

O fortalecimento e a ampliação da produção de leite de produtores de Paracatu (MG), de forma sustentável, eficiente e de qualidade, ganharam impulso com o início do novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável, desenvolvido em parceria entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap).
O projeto é desenvolvido no âmbito do Programa Mais Leite Saudável (PMLS) do MAPA desde 2020. O Programa Mais Leite Saudável é um incentivo fiscal que permite a laticínios e cooperativas obter até 50% de desconto (crédito presumido) no valor de PIS/Pasep e COFINS relativo à comercialização do leite cru utilizado como insumo, desde que desenvolvam projetos que fortaleçam e qualifiquem a cadeia produtiva por meio de ações diretas junto aos produtores.
O treinamento dos técnicos recém-selecionados foi realizado no fim de outubro, e as primeiras visitas às propriedades ocorreram no início de novembro. Essa é a terceira fase do projeto, que conta com o acompanhamento do pesquisador José Humberto Xavier e do analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Carlos Eduardo Santos.
O projeto articula as dimensões de assistência técnica e pesquisa e atuará nessa etapa com uma rede de 150 propriedades rurais familiares, que receberão acompanhamento de três veterinários e dois agrônomos, seguindo o modelo implantado em 2020. A equipe da Embrapa atua na capacitação técnica e metodológica dos técnicos e na condução de testes de validação participativa de tecnologias promissoras junto aos agricultores da rede.
A nova etapa, prevista para ser concluída em 2028, busca desenvolver alternativas para novos sistemas de cultivo com foco na agricultura de conservação, oferecer apoio técnico ao melhoramento genético dos animais de reposição com o uso de inseminação artificial e ampliar o alcance dos resultados já obtidos, beneficiando mais agricultores familiares e contribuindo para o desenvolvimento regional.
Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, José Humberto Xavier, os sistemas de cultivo desenvolvidos até agora melhoraram o desempenho das lavouras destinadas à alimentação do rebanho, mas ainda são necessários ajustes para reduzir a perda de qualidade do solo causada pelo preparo convencional e pela elevada extração de nutrientes advinda da colheita da silagem, além de evitar problemas de compactação quando o solo está úmido. Ele destaca também os desafios de aumentar a produtividade e reduzir a penosidade do trabalho com mecanização adequada.
O analista Carlos Eduardo Santos ressaltou a importância de melhorar o padrão genético do rebanho. “A reposição das matrizes é, tradicionalmente, feita pela compra de animais de outros rebanhos. Isso gera riscos produtivos e sanitários, além de custos elevados. Por isso, a Coopervap pretende implementar um programa próprio de reposição, formulado com base nas experiências dos técnicos e produtores ao longo da parceria”, afirmou.
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Curso gratuito da Embrapa ensina manejo correto de resíduos na pecuária leiteira
Capacitação on-line orienta produtores a adequar propriedades à legislação ambiental e transformar dejetos em insumo seguro e sustentável.

Como fazer corretamente o manejo dos dejetos da propriedade leiteira e adequá-la à legislação e à segurança dos humanos, animais e meio ambiente? Agora, técnicos e produtores têm à disposição um curso on-line, disponível pela plataforma de capacitações a distância da Embrapa, o E-Campo, para aprender como realizar essa gestão. A capacitação “Manejo de resíduos na propriedade leiteira” é gratuita e deve ocupar uma carga horária de aproximadamente 24 horas do participante.
O treinamento fecha o ciclo de uma série de outros cursos relacionados ao manejo ambiental da atividade leiteira: conceitos básicos em manejo ambiental da propriedade leiteira e manejo hídrico da propriedade leiteira, também disponíveis na plataforma E-Campo.
De acordo com o pesquisador responsável, Julio Palhares, identificou-se uma carência de conhecimento sobre como manejar os resíduos da atividade leiteira para adequar a propriedade frente às determinações das agências ambientais. “O correto manejo é importante para dar qualidade de vida aos que vivem na propriedade e no seu entorno, bem como para garantir a qualidade ambiental da atividade e o uso dos resíduos como fertilizante”, explica Palhares.
A promoção do curso ainda contribui para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), como as metas 2 e 12. A 2 refere-se à promoção da agricultura sustentável de produção de alimentos e prevê práticas agropecuárias resilientes, manutenção dos ecossistemas, fortalecimento da capacidade de adaptação às mudanças climáticas, etc. O ODS 12 diz respeito ao consumo e produção responsáveis, principalmente no que diz respeito à gestão sustentável.
O treinamento tem oferta contínua, ou seja, o inscrito terá acesso por tempo indeterminado.
