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Holding familiar contribui para perpetuar patrimônio e gerar sucessores no campo
Para definir o melhor mecanismo de proteção patrimonial é imprescindível contar com o apoio de profissionais especializados.

Como se sabe, a exposição dos bens do produtor rural está atrelada aos riscos da atividade agropecuária, sendo que no agronegócio esses riscos são demasiadamente superiores em razão da relação da produção com fatores climáticos, ausência de planejamento financeiro, ilegalidades e até abusos de operações de financiamentos, além do alto custo de produção, entre tantos outros, sem mencionarmos que, em algum momento de nossas vidas, esbarramos também no desafio da sucessão.
Em se tratado especificamente de agronegócios, a atividade agropecuária geralmente é explorada na pessoa física do produtor rural e em seu nome, ocasionando-se com isso um aumento de acúmulo de patrimônio em nome do produtor rural na condição de pessoa física. Ou seja, todo seu patrimônio é considerado como bens particulares, os quais, desprotegidos, respondem em sua totalidade por todas as obrigações contraídas.
Para aqueles que ainda desconhecem o instituto da holding familiar, esse nada mais é do que a constituição de uma empresa por pessoas da mesma família, cuja sociedade tem por objetivo específico administrar o patrimônio familiar, ou seja, os bens de titularidade das pessoas físicas integrantes do núcleo familiar.
Com isso, todos os bens passam a pertencer a holding, facilitando, assim, a administração do patrimônio e também a sucessão em caso de falecimento, uma vez que as pessoas da família se tornam sócias e cada uma conterá uma quota de participação nesta sociedade, de modo que qualquer lucro obtido com o patrimônio será dividido proporcionalmente de acordo com as peculiaridades estabelecidas em seu estatuto.
Dessa forma, a holding familiar para a atividade rural se torna um instrumento de proteção patrimonial do produtor, assim como de planejamento financeiro e sucessório. Consiste, resumidamente, na adoção de uma estrutura jurídica societária, na qual o patrimônio do produtor rural pessoa física é integralizado em uma pessoa jurídica e, assim, instrumentalizando-se o processo sucessório, através de doação de quotas de participação da sociedade criada.
Esse procedimento visa uma proteção mais eficiente do patrimônio do produtor, assim como, a manutenção de sua gestão pelo doador, haja vista que a doação é gravada com usufruto e cláusulas de restrições, permitindo que o patriarca, ou matriarca, tenha total controle sobre o patrimônio doado até a sua falta, possibilitando não só proteção patrimonial, como ganhos financeiros e emocionais.
São várias as vantagens de uma holding familiar, mas destacamos, dentre elas, o planejamento sucessório, oportunizando a formação de bons sucessores e não apenas de herdeiros, sendo que esse planejamento sucessório evita despesas com inventário. Também, propicia menor incidência de tributos, sendo a economia tributária talvez a mais destacada vantagem de uma holding. Por exemplo, no caso da alíquota do IRPF, ela passa de 27,5% para apenas 11,33%. Ainda, a holding familiar permite uma maior organização e controle do patrimônio e dos negócios da família do produtor, promovendo a capacitação das gerações futuras, a perpetuação do patrimônio e a evolução constante dos negócios, mantendo o desenvolvimento sustentável da atividade produtiva.
Outro exemplo sobre o aspecto financeiro favorável de uma holding se dá no caso do Imposto de Transmissão de Causa Mortis, o chamado ITCMD, que incide em eventual partilha de inventário, que não é exigido em uma holding, uma vez que os bens estão sob a titularidade de uma empresa cujos sócios também são herdeiros.
De outro lado, muito se discute quanto ao pagamento de impostos nas transações patrimoniais, sobretudo quando se deve formalizar sua sucessão em caso de falecimento. E essa discussão decorre basicamente da elevada carga tributária incidente sobre o valor dos imóveis, o que por vezes exige o pagamento de valores vultuosos.
Diante desse cenário, a holding familiar não apenas busca a redução da carga tributária, mas também agregar maior segurança ao patrimônio, seja pelo ponto de vista jurídico, ou sucessório.
Sob o prisma sucessório, a constituição de holding sem dúvidas diminui os conflitos entre os herdeiros, especialmente frente a possibilidade de antecipação da herança mediante a transferências de quotas-parte da holding, as quais, inclusive, podem ser gravadas com cláusula de usufruto vitalício em favor do patriarca.
De tal forma que, quem deseja proteger seu patrimônio e garantir a perpetuação dos negócios, bem como a segurança das gerações futuras, sem despender dos altos valores que envolvem um procedimento de inventário, precisa avaliar a possibilidade da criação de uma holding familiar, seja para as atividades do mercado em geral, seja especialmente para quem atua no agronegócio.
Entretanto, para definir o melhor mecanismo de proteção patrimonial, é imprescindível contar com o apoio de profissionais especializados.

Notícias
Cadeia da soja impulsiona exportações brasileiras em julho
Soja em grão cresceu 16,9% e farelo avançou 52,9%, enquanto carnes de aves também ganharam espaço nas vendas externas até a terceira semana do mês.
Notícias
Produtores rurais terão até 2027 para obter CNPJ na reforma tributária
Decreto do governo federal adia em seis meses a exigência para pessoas físicas com receita anual superior a R$ 3,6 milhões.

O governo federal adiou para 01º de janeiro de 2027 a obrigatoriedade de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) para produtores rurais pessoas físicas enquadrados nas regras da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). A medida foi oficializada pelo Decreto nº 13.075, de 21 de julho de 2026, que amplia em seis meses o prazo de adaptação previsto na reforma tributária.
Inicialmente, a exigência entraria em vigor em julho deste ano. Com a mudança, os produtores rurais continuarão utilizando os atuais mecanismos de identificação fiscal até 31 de dezembro de 2026.

Foto: Divulgação
A obrigatoriedade valerá para produtores rurais com receita bruta anual superior a R$ 3,6 milhões. As regras para os produtores com faturamento abaixo desse limite ainda serão regulamentadas pelo governo.
Segundo a Receita Federal, o adiamento permitirá concluir o desenvolvimento de um sistema simplificado de inscrição no CNPJ e oferecer mais tempo para adaptação dos contribuintes e dos sistemas utilizados para emissão de documentos fiscais.
A proposta é que o cadastro funcione de forma semelhante ao do Microempreendedor Individual (MEI), com processo digital e integrado aos sistemas de emissão de notas fiscais eletrônicas. Também estão previstos um ambiente de testes (sandbox), publicação de manuais técnicos e orientações operacionais para os contribuintes e empresas desenvolvedoras. O novo sistema deve ser disponibilizado em novembro de 2026.
A exigência faz parte da implementação da reforma tributária sobre o consumo, que criou a CBS, administrada pela União, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de responsabilidade de estados e municípios. O objetivo é padronizar a identificação dos contribuintes e integrar os sistemas eletrônicos de fiscalização e emissão de documentos fiscais.
Com a prorrogação, o cronograma prevê o lançamento do sistema simplificado em novembro de 2026 e o início da obrigatoriedade de inscrição no CNPJ e emissão de documentos fiscais, para os casos previstos em lei, em 1º de janeiro de 2027.
Notícias Em Santa Catarina
Cooperalfa anuncia complexo com supermercado e agropecuária em Canoinhas
Empreendimento será o maior da cooperativa no segmento, com previsão de 128 empregos permanentes e inauguração em 2027.

O empreendimento, que reunirá supermercado e agropecuária em uma única estrutura, representa um dos investimentos mais relevantes da cooperativa na região e reforça seu compromisso com o crescimento econômico, o fortalecimento do agronegócio e a melhoria dos serviços oferecidos aos associados e à comunidade. De acordo com o presidente Romeo Bet, o investimento representa a continuidade do crescimento na região, com impacto diferenciado para Canoinhas, que é a chegada do Superalfa, ampliando o atendimento tanto aos clientes do campo quanto da cidade. “A previsão é concluirmos a obra para o aniversário dos 60 anos da Cooperalfa, em outubro de 2027”, revelou o presidente.
O novo complexo será construído em uma área estratégica da cidade, em um terreno de 13.522,18 metros quadrados localizado entre as ruas Saulo de Carvalho, Álvaro Soares Machado e João Allage. A localização privilegiada contribuirá para consolidar um importante eixo de desenvolvimento urbano e comercial em Canoinhas.
Planejado com base em modernos conceitos de engenharia, mobilidade e funcionalidade, o empreendimento foi projetado para oferecer conforto, praticidade e uma experiência diferenciada aos clientes. A estrutura contará com amplas áreas de estacionamento distribuídas em todo o perímetro e também no subsolo. Ao todo, serão disponibilizadas 261 vagas para veículos, sendo 139 externas e 122 no estacionamento subterrâneo. Destas, 159 vagas serão cobertas, proporcionando mais comodidade e segurança aos usuários.
Áreas amplas de vendas
O supermercado ocupará uma área de vendas de 2.800 metros quadrados e contará com setores completos de açougue, padaria, câmaras frias, depósito de mercadorias e docas independentes para carga e descarga. O espaço também incluirá uma área exclusiva para café, 19 pontos de atendimento ao cliente, além de recursos de acessibilidade e sistemas de esteiras e elevadores para circulação entre os pavimentos.
Já a agropecuária terá uma área de vendas de 1.800 metros quadrados, oferecendo amplo mix de produtos voltados ao setor agropecuário, além de escritórios destinados ao atendimento técnico e comercial dos associados e produtores rurais.
A estrutura foi concebida utilizando tecnologias construtivas modernas, com concreto pré-fabricado, estrutura metálica de cobertura, placas termoacústicas e acabamentos em granito e concreto, garantindo eficiência, durabilidade e conforto acústico.
Bem-estar dos colaboradores
Além das áreas destinadas ao atendimento do público, o projeto contempla espaços voltados ao bem-estar dos colaboradores, incluindo vestiários, refeitório e sala de descanso, proporcionando melhores condições de trabalho para as equipes que atuarão no local.
Todos os processos de desenvolvimento do empreendimento seguem rigorosamente os critérios técnicos e legais exigidos pelos órgãos competentes. O projeto inclui aprovações complementares, licenciamento ambiental e sanitário, além do Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), já protocolado junto ao município, e a integração com as concessionárias responsáveis pelos serviços de água, energia e saneamento.
Desenvolvimento econômico e geração de empregos
O investimento também terá reflexos significativos na economia local. Durante a fase de construção, a expectativa é gerar aproximadamente 150 empregos diretos. Após a inauguração, o complexo deverá manter cerca de 128 empregos diretos permanentes entre as operações do supermercado e da agropecuária.
O impacto positivo se estenderá ainda a diversos setores da economia regional, com a criação estimada de aproximadamente 68 empregos indiretos relacionados a fornecedores, transportadoras e prestadores de serviços.
A Cooperalfa projeta que o novo empreendimento receba cerca de 50 mil pessoas por mês, fortalecendo o comércio local, ampliando a arrecadação municipal por meio de tributos como IPTU, ISS e ICMS, além de contribuir para a valorização imobiliária da região e estimular novos investimentos em Canoinhas.
Investimento com olhar para o futuro
O novo complexo comercial reafirma a estratégia da Cooperalfa de investir em infraestrutura, ampliar sua presença regional e oferecer soluções cada vez mais completas para associados, produtores rurais e consumidores.
Mais do que uma nova unidade, o empreendimento representa um importante impulsionador de desenvolvimento para Canoinhas e para todo o Planalto Norte Catarinense, gerando oportunidades, fortalecendo a economia local e consolidando a presença da Cooperalfa como agente de transformação e crescimento sustentável nas comunidades onde atua.
Desafios e oportunidades
O gerente de Engenharia da Cooperalfa, Andrísio Bet, informa que os trabalhos de terraplanagem terão início neste mês de julho, enquanto a execução das obras está prevista para iniciar em agosto de 2026. De acordo com ele, o projeto apresenta desafios significativos em razão de sua complexidade, do cronograma desafiador e das características do terreno, que possui acentuado desnível. “Temos consciência da grandiosidade deste empreendimento e estamos empenhados em conduzir cada etapa com excelência, qualidade e segurança”, destaca.
Andrísio ressalta que a expectativa é elevada em torno da construção do maior supermercado e da maior loja agropecuária da Cooperalfa, em um único complexo integrado. A proposta permitirá otimizar a operação por meio do compartilhamento de áreas de estacionamento, expedição, depósitos e sanitários, gerando maior eficiência e comodidade aos clientes. O empreendimento contará ainda com quatro acessos destinados ao público. “Essa integração fortalece a sinergia entre os negócios, reunindo em um mesmo espaço tanto os moradores da cidade quanto os produtores rurais, ampliando as oportunidades de atendimento e relacionamento com nossos cooperados e clientes”, explica.







