Avicultura Avicultura
Histórico da avicultura no RJ: de polo na América Latina à queda e ressurgimento
Durante os anos de 1950 a 1960 a região de São José do Vale do Rio Preto tinha uma avicultura, produtora de ovos, considerada a mais importante do Brasil

Durante os anos de 1950 a 1960 a região de São José do Vale do Rio Preto, antigo distrito de Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro, tinha uma avicultura, produtora de ovos, considerada a mais importante do Brasil, mas diversos fatores, como o preço dos ingrediente das rações, notadamente do milho, e técnicas de criação e de marketing que se tornaram ultrapassadas levaram ao fracasso da atividade. Mas, a partir da década de 1990 tudo mudou e o investimento de empresários, em capital e tecnologia avançada, produziu um belo renascimento da região, só que agora na produção de frangos de corte de qualidade. Trata-se de um belo exemplo e uma prova prática de que o mesmo renascimento poderá ocorrer em várias outras regiões do Rio de Janeiro.
Avicultura em São José do Vale do Rio Preto
Por:
Antônio Rosmaninho
João Pereira Neto
Juliana Virginio
A cidade de São José do Vale do Rio Preto, localizada na região serrana do Rio de Janeiro, 130km da capital, já foi considerada um dos grandes polos da avicultura do Brasil e da América do Sul. Estes títulos foram alcançados devido à produção em escala de ovos comerciais nas décadas de 50 e 60. Hoje a cidade concentra a maior produção de frangos de corte do estado, sendo uma das alavancas da economia municipal juntamente com a agricultura, tendo produzido, em 2019, aproximadamente 40 mil toneladas de proteína de frango.
Este artigo busca revelar o contexto que colocou São José do Vale do Rio Preto nesta posição de destaque em nível continental, apresentando a avicultura rudimentar da época e alguns nomes que marcaram tal período.
História
No início do Século XX, São José do Vale do Rio Preto era constituída por grandes fazendas de café, que eram a principal fonte econômica e geradora da maioria dos empregos no Município. Com a crise de 1929 e a queda dos preços de venda do café, foram realizadas diversas tentativas de implantação de novas culturas nas fazendas, como a cana-de-açúcar e a pecuária. No entanto, nenhuma das tentativas e experimentos surtiu efeitos satisfatórios. Dessa forma, a fim de apresentar uma alternativa para evitar o êxodo rural e reestruturar a economia, o Interventor Federal do Rio de Janeiro, comandante Amaral Peixoto, idealizou o projeto de implantação da cultura de batata inglesa.
Para tal projeto, foi estabelecido o campo experimental do Camboatá, tendo o engenheiro Frederico Rangel por diretor da Cia, Heitor Quartin como diretor comercial e Rubens Tellechea, por engenheiro agrônomo. Não tendo êxito o projeto de cultura das batatas, em meados de 1940 foi-se idealizado o projeto de criação de galinhas de postura, que contou com o acompanhamento do engenheiro agrônomo Rubens Tellechea, que realizou diversos experimentos com as aves.
Dessa maneira se deu o advento da avicultura de postura comercial de São José do Vale do Rio Preto, onde ao se comprovarem os resultados de sucesso dos experimentos, os fazendeiros começaram a lotear as fazendas em sítios menores, a fim de que se iniciasse a construção dos galinheiros nas propriedades.
Pioneirismo
No ano de 1935, Waldemiro Teixeira de Souza, pai do notável doutor Milton Freitas de Souza, possuía a propriedade Granja Guarany, próxima ao centro da cidade de São José do Vale do Rio Preto, onde hoje é o caminho para o bairro Pedras Brancas. Waldemiro foi por longos anos funcionário do Ministério da Fazenda. Também foi o primeiro a adquirir matrizes de galinhas poedeiras que advieram de São Paulo e depois o próprio, mesmo sem formação acadêmica, mas entusiasta da filosofia e da genética, realizou o melhoramento de suas aves.
Inovação – incubadora
Na década de 30, Waldemiro foi o primeiro a comprar incubadora elétrica no estado do Rio de Janeiro, fenômeno na época. Muitos interessados e curiosos fizeram visitas a fim de conhecer a tecnologia que dispensava as galinhas da função de “chocar os ovos”. A incubadora pioneira tinha capacidade para incubar 11 mil ovos.
A incubadora movida a querosene, com custo mais baixo, também foi uma grande novidade para a época, no entanto, tinha capacidade para apenas 480 ovos.
A operação das incubadoras demandava grande mão-de-obra. Na incubadora elétrica, a viragem dos ovos se dava por meio de uma manivela operada manualmente. Já na incubadora movida a querosene, era necessário realizar a viragem dos ovos manualmente, uma bandeja por vez, o que demandava muito tempo e prática, sendo necessário realizar tal procedimento duas vezes ao dia, já que este é um princípio básico que evita a aderência do embrião à membrana interna da casca do ovo.
Desafio – energia elétrica
Um desafio era a energia elétrica da época, que colocava em risco a incubação. Na época existia uma pequena usina elétrica na direção de onde hoje é a Praça da Emancipação. Era comum haver queda da energia, e quando acontecia tal fenômeno, era necessário se deslocar, a pé, rapidamente até a usina, para ajudar o senhor Tardelli a retirar os entulhos e resíduos que impediam a passagem de água pelas turbinas e geração de energia. Dessa forma, se buscava preservar o trabalho e a incubação dos ovos. Destaca-se também o comprometimento dos funcionários da época frente aos desafios que lhes eram apresentados, bem como com o sistema de produção manual que demandava total dedicação.
Sistemas de criação
Configuração dos galinheiros
As aves eram alojadas em galinheiros de alvenaria, com piso de cimento, e com poleiros onde as aves dormiam. Um processo realizado diariamente era a retirada do esterco pela manhã, e vale destacar que na época o esterco ainda não apresentava tamanho valor agregado.
Estes galinheiros possuíam área externa (pequenos piquetes), o que permitia que as aves pastassem durante o dia. Os chamados “parques” de pastagem eram utilizados durante 15 dias, uma vez que se fazia o “rodízio de pastagem”. Os parques eram cercados com tela, produzida manualmente pelos próprios funcionários.
No sistema de criação de Waldemiro, os ninhos eram em bateria, ou seja, uma espécie de “armário com alçapão”. Todas as aves possuíam uma “anilha” com um número de identificação. Conforme subiam nos poleiros e chegavam na entrada do ninho, este possuía um alçapão, lá a galinha caía e ficava trancada. Waldemiro e os funcionários ao verem que a galinha entrou no alçapão, iam até lá para verificar o código da ave e colher os ovos. Esta foi a forma de identificar as aves com melhor postura e assim fazer o melhoramento genético, já que as aves que apresentavam melhor produtividade eram separadas para se tornarem matrizes do próximo lote. Para reprodução eram utilizadas 100 galinhas matrizes para 10 galos reprodutores.
Configuração dos pinteiros
Os pinteiros eram estruturas de alvenaria, com chão de cimento, forrado com palha de milho e sabugo de milho picado. As campânulas eram movidas a carvão, com um cano que conduzia a fumaça para fora do teto. No pinteiro, se fazia um círculo e forrava-se o chão com areia, a campânula era colocada no meio a fim de emitir calor. O conforto térmico era observado constantemente. Na ausência de termômetro, percebia-se que as aves estavam com frio caso ficassem amontoadas perto das campânulas, já que em estado de conforto térmico estas se dispõem de forma espalhada pelo pinteiro. Vale ressaltar que as galinhas permaneciam no pinteiro até os 90 dias de vida.
Genética
As raças utilizadas para os primeiros cruzamentos foram Rhode Island Red e Light Sussex, onde se buscava por resultado aves resistentes e com boa postura. Anos depois foi introduzida a raça New Hampshire. A postura iniciava por volta dos 150 dias, momento em que as galinhas eram transferidas dos pinteiros para os galinheiros.
Nutrição
No que tange a alimentação, até os anos de 1950, todo o processo de produção de ração era manual. Os insumos utilizados eram milho (70%), farelo e remoído de trigo, farinha de carne e micronutrientes, como manganês, cálcio, magnésio, cobre e algumas vitaminas. As “batidas de ração” eram de 1000 quilos, onde os insumos eram levados para um galpão, dispostos no chão e os funcionários faziam a mistura dos ingredientes com uma grande pá, de forma totalmente manual. Uma curiosidade da época, a fim de tornar o processo digestivo mais eficiente, era a colocação de caixas de pedriscos nos galinheiros para estimular o funcionamento da moela e gerar melhor desempenho.
Com o decorrer do tempo e com a evolução das tecnologias, foram criadas pequenas fábricas na cidade e também começou a ser possível o processo de compra de ração ensacada.
Ascensão da produção
Waldemiro, pioneiro na região, possuía 5 galinheiros com capacidade para aproximadamente 1000 aves/cada. Este entusiasta da pesquisa preferiu manter um lote de volume reduzido a fim de conseguir monitorar seus dados e pesquisas.
Em sequência, Heitor Quartin Pinto César, sobrinho de Waldemiro, iniciou sua trajetória na avicultura de postura em 1940, no Sítio Torrão de Ouro. Buscando novas alternativas e redução dos custos com construção dos galinheiros, desenvolveu um sistema onde os galinheiros eram cercados com taquaras, madeiras encontradas na propriedade e cobertas com palha e sapê. A prática dos parques de pastagem foi mantida, o que hoje novamente vem sendo uma prática na avicultura. Heitor chegou a possuir um plantel com mais de 40 mil aves, grande número para a época.
Nas proximidades com o município havia outros criadores, como Mr Franklin, que iniciou sua criação em meados da década de 40. A propriedade de Franklin era localizada perto da antiga linha de trem, onde hoje passa a represa de Tristão Câmara.
Personagens emblemáticas
Em outubro de 1957 foi publicada na Revista O Mundo Agrário, nº 56, a reportagem feita por Jorge Vaitsman, que relatou o sucesso da produção no Município, sendo de 25 mil dúzias de ovos por dia, e 10 toneladas de carne por dia, recordes para a época.
Dentre os produtores dos anos áureos da avicultura, serão destacados alguns nomes dos pioneiros, que eram entusiastas da atividade e realizaram os primeiros experimentos. No entanto, na década de 50 e 60 havia mais de 200 avicultores no município e todos foram responsáveis por São José do Vale do Rio Preto receber o título de Polo Avícola da América do Sul, não podendo ser esquecidos na história da avicultura.
- Waldemiro Teixeira de Souza, Centro, subida das Pedras Brancas (Ari Pereira atualmente)
- Heitor Quartin Pinto César, Torrão de Ouro
- Fernando Gouvêa, Fazenda do Capoeirão
- Eugênio Ruotulo Neto, Fazenda Belém
- Bianor Esteves, Boa Vista
- Antenor Rodrigues, Contendas
- Marcelo Brasileiro de Almeida, Poço Fundo
- Vitor Pellegrini, Parada Morelli
Comissão Nacional de Avicultura
Nos anos 50, o município recebeu a visita da Comissão Nacional de Avicultura, composta por Mário Vilhena (Presidente), Renato Brogiolo, João Moojen, Gilberto Mendes Carneiro, Carlos Mendes de Oliveira (Técnico) e Jorge Vaitsman (médico veterinário e repórter).
Economia
O município recebeu na década de 60 constantes visitas do governador do Estado da Guanabara, Carlos Lacerda. Os produtores reivindicavam a necessidade de facilitar o transbordo do milho e criação de silos para armazenagem dos grãos, uma vez que a distância do polo produtor das matérias-primas tornava a produção muito onerosa.
A necessidade de importação de matérias-primas se deu decorrente de alguns fatores, como a queda de produção de milho no norte e o noroeste do estado do Rio de Janeiro, que apresentavam considerável produção de milho até os anos 60. Outro fator relevante foi a expansão da avicultura nos anos 70 para outros municípios, como Resende, Bom Jardim e o Rio de Janeiro. Logo, a demanda de grãos se configurou maior que a capacidade de abastecimento do estado.
A partir dos anos 80 iniciou-se o processo de queda da avicultura de postura, que se estendeu até 1995. Uma série de acontecimentos envolveu tal período. Houve a queda progressiva do preço de venda dos ovos, devido ao elevado custo de produção da ração, ocasionado da necessidade de importar matéria-prima de regiões distantes, bem como distância dos principais mercados consumidores. Ademais, deu-se o advento da produção de ovos por parte de outros estados, como São Paulo, que tinha o custo de produção mais baixo, o que dificultava a competitividade do município de São José do Vale do Rio Preto.
Renascimento
No entanto, em 1995, ao perceber tal cenário, os avicultores com alta percepção e vocação empreendedora, observaram oportunidade para um novo negócio e, em substituição à avicultura de postura, foi implantado no município um novo ciclo, a avicultura de corte.
A avicultura de corte se perpetua até os dias atuais, sendo caracterizada por frangos especiais, resfriados, com tamanho padrão para assadeiras e cortes para supermercados, comercializados por todo Estado do Rio de Janeiro, gerando centenas de emprego e renda para a cidade.
Ante o exposto ocorrido na década de 80 e 90, com queda expressiva da produção de ovos, é necessário ressaltar que de forma vagarosa, a avicultura de postura vem novamente adquirindo robustez, o que traduz a vocação avícola do município.
Este advento da ascensão da avicultura de postura comercial se dá por conta de alguns fatores decisivos, como a maior receptividade dos produtores às orientações técnicas, a aquisição de aves de maior potencial genético, o investimento em equipamentos com mais tecnologia e adequação das instalações, buscando garantir maior conforto e o bem-estar para as aves.
No que tange à biosseguridade, a profilaxia contra as principais doenças avícolas, a preocupação com o controle de insetos e roedores, o controle da qualidade da água, o vazio sanitário, a desinfecção de instalações e equipamentos e as boas práticas de manejo são determinantes para o sucesso da produção.
Em relação à comercialização, a proximidade com grandes centros consumidores, como a cidade do Rio de Janeiro e a região metropolitana, permite que o produtor venda sua produção de forma direta ao consumidor, agregando valor à atividade.
Dessa forma, o sucesso da avicultura se dá devido ao esforço e empenho de todos que fazem parte desta cadeia, onde devem atentar, ao longo de toda produção, para os fatores genéticos, nutricionais, sanitários e ambientais que refletem no desempenho das aves.
Há de se considerar a necessidade da produção ser conduzida aliada à gestão, com análise constante dos resultados zootécnicos e financeiros, e implantação de melhorias contínuas aliadas à tecnologia e inovação, a fim de permitir que as aves manifestem todo seu potencial e que o produtor tenha satisfação em seu negócio.
Antônio Rosmaninho
Médico veterinário da Emater do Rio de Janeiro
João Pereira Neto
Popularmente conhecido como Zinho, nasceu em 23 de julho de 1940, filho de Manoel Pereira e Maria Ernestina da Conceição. Nasceu na propriedade de Sr. Waldemiro, Granja Guarany. Começou a trabalhar desde os 5 anos de idade auxiliando seu pai no trabalho nos galinheiros. Com impressionante memória relata os atos marcantes da história da avicultura.
Juliana Virginio
Médica veterinária, MBA Gestão de Processos e Lean Six Sigma, secretária municipal de Agricultura e Desenvolvimento Econômico de São José do Vale do Rio Preto.
Outras notícias você encontra na edição de Aves de setembro/outubro de 2020 ou online.

Avicultura
Tributação no meio da cadeia avícola eleva custos e pressiona preços do frango
Sindiavipar alerta que LC nº 224/2025 mantém desoneração do frango, mas reintroduz custos em elos estratégicos da produção, com impacto indireto no preço final.

Apesar de preservar a carne de frango na lista de produtos desonerados da cesta básica, a Lei Complementar nº 224/2025 traz efeitos econômicos relevantes para a cadeia produtiva avícola, sobretudo ao reintroduzir tributação em etapas intermediárias consideradas estruturais para o setor. A avaliação consta em comunicado divulgado nesta segunda-feira (12) pelo Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), que aponta risco de aumento indireto de custos ao longo do sistema produtivo.

Foto: Ari Dias
Segundo a entidade, a nova legislação mantém a isenção na etapa final, mas altera o tratamento tributário de operações fundamentais, como a comercialização de ovos férteis e a venda de pintinhos de um dia destinados a incubatórios e à integração. Esses insumos estão na base da cadeia industrial e, ao serem tributados, fazem com que a carga fiscal passe a incidir antes da fase de abate e industrialização.
O principal ponto de atenção, de acordo com o Sindiavipar, está na combinação entre a oneração dessas etapas intermediárias e a ausência ou limitação do direito ao crédito nos elos seguintes. Nesse formato, o tributo pago ao longo da cadeia não é integralmente compensado, se transformando, total ou parcialmente, em custo definitivo de produção.
Esse mecanismo, destaca a entidade, compromete o princípio econômico da não cumulatividade. Na prática, cria-se um custo tributário cumulativo disfarçado, especialmente sensível em cadeias longas e altamente integradas, como a avicultura industrial brasileira.
Mudanças na sistemática de alíquotas e créditos
O comunicado também chama atenção para mudanças específicas na sistemática de alíquotas e créditos. Produtos que antes operavam

Foto: Divulgação/Copacol
com alíquota zero passam a ser tributados em 10% da alíquota padrão. Além disso, os créditos presumidos, anteriormente integrais, sofrem redução de 10%, passando a 90% do valor, o que amplia a parcela de imposto não recuperável ao longo do processo produtivo.
Sem crédito pleno, o tributo incorporado tende a se propagar por todas as etapas seguintes – incubatórios, integração, engorda, abate e industrialização – pressionando margens das empresas ou induzindo repasses ao preço final. Com isso, embora a carne de frango permaneça formalmente desonerada, o custo embutido ao longo da cadeia pode resultar em elevação de preços ao consumidor.
Na avaliação do Sindiavipar, esse efeito indireto acaba onerando produtos classificados como cesta básica, uma vez que os custos tributários acumulados nas fases anteriores não são passíveis de recuperação. O alerta reforça a necessidade de análise sistêmica da tributação, considerando não apenas o produto final, mas toda a estrutura produtiva que sustenta a oferta de alimentos essenciais.
Avicultura
Brasil entra pela primeira vez no top 10 mundial de consumo per capita de ovos
Brasileiro nunca consumiu tantos ovos e as estimativas apontam que o consumo per capita deverá atingir 287 unidades, podendo ultrapassar a marca de 300 ovos em 2026.

A avicultura de postura encerra 2025 em um ciclo de expansão, sustentado sobretudo pelo avanço do consumo doméstico e por uma mudança clara no comportamento alimentar da população. O brasileiro nunca consumiu tantos ovos e as estimativas apontam que o consumo per capita deverá atingir 287 unidades, podendo ultrapassar a marca de 300 ovos em 2026, segundo projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Caso isso se confirme, o Brasil vai integrar, pela primeira vez, o ranking dos 10 maiores consumidores per capita de ovos do mundo.

Essa escalada do consumo é resultado da maior oferta nacional, que deve chegar a 62,250 bilhões de unidades em 2025, com perspectiva de atingir 66,5 bilhões de ovos em 2026, da combinação entre preço competitivo, conveniência e maior confiança do público no valor nutricional do alimento. “O consumidor busca alimentos nutritivos, com boa relação custo-benefício e que se adaptem ao dia a dia. O ovo entrega exatamente esses três pilares, por isso que deixou de ser apenas um substituto de outras proteínas e consolidou espaço definitivo no cotidiano das famílias. Hoje, participa muito mais do café da manhã dos brasileiros. É uma mudança cultural motivada pela acessibilidade do produto e por seu preço extremamente competitivo frente a outras proteínas, como a bovina”, evidencia o diretor comercial do Instituto Ovos Brasil (IOB), Anderson Herbert, destacando que a expansão também se deve do ciclo recente de investimentos dos produtores em aviários mais modernos, mecanização e tecnologias de automação, que têm elevado eficiência e produtividade em várias regiões do País.
O profissional reforça que a maior segurança do consumidor em relação ao alimento tem base em evidências científicas mais robustas, aliadas ao esforço de comunicação do setor e do próprio IOB na atualização de informações e combate a mitos históricos. “Há quase duas décadas, o Instituto Ovos Brasil atua na promoção do consumo e na educação nutricional, período em que registrou avanço significativo na percepção pública sobre o alimento. Contudo, as dúvidas relacionadas ao colesterol ainda existem”, pontua, acrescentando: “A ciência evoluiu e já demonstrou que o impacto do colesterol alimentar é diferente do que se acreditava no passado. Essa informação vem ganhando espaço de maneira consistente”, afirma Herbert.
Preço competitivo sustenta consumo
O preço segue como um dos principais vetores da expansão do consumo. Para Herbert, a combinação entre custo acessível, praticidade de preparo e alto valor nutricional reforça a competitividade do produto. “É um alimento versátil, de preparo rápido e com uma lista extensa de aminoácidos. Essa soma faz com que o ovo esteja cada vez mais presente nas mesas dos brasileiros”, avalia.
Exportações sobem mais de 100% em 2025

Diretor comercial do Instituto Ovos Brasil (IOB), Anderson Herbert: “Nosso foco é estar onde o consumidor está, com informação clara, acessível e confiável”- Foto: Arquivo OP Rural
Embora ainda representem uma fatia pequena da produção nacional, as exportações ganham tração. A ABPA projeta até 40 mil toneladas exportadas em 2025, um salto de 116,6% frente às 18.469 toneladas embarcadas em 2024. Para 2026, o volume pode avançar a 45 mil toneladas, alta de 12,5% sobre o previsto para este ano.
Herbert exalta as aberturas de mercados estratégicos, com os Estados Unidos se destacando no primeiro semestre de 2025, e o Japão se consolidando como comprador regular. Chile e outros países da América Latina mantêm presença relevante, enquanto acordos com Singapura e Malásia ampliam o alcance brasileiro. Um dos marcos de 2025 foi o avanço dos trâmites para exportação à União Europeia, que deve ter peso crescente a partir de 2026. “Mesmo exportando cerca de 1% da produção, o volume é significativo porque o Brasil figura entre o quarto e o quinto maior produtor do mundo. Estamos preparados para ocupar um espaço maior no mercado global”, enaltece Herbert, destacando que a reputação do País em biosseguridade fortalece essa competitividade.
Custos seguem incertos
O cenário para ração, energia, embalagens e logística segue desafiador. Herbert aponta que prever alívio em 2026 é praticamente impossível, dada a forte dependência de insumos dolarizados como milho e farelo de soja. “O câmbio é um dos fatores que mais influenciam o custo dos grãos, tornando qualquer projeção extremamente difícil”, diz.
A estratégia do setor permanece focada em eficiência interna e gestão de custos, enquanto aguarda maior clareza do mercado internacional.
Avanço em programas sociais e políticas públicas
O IOB também fortaleceu ações voltadas ao acesso ao ovo em 2025. A entidade participou de eventos educacionais e doou materiais informativos, reforçando o papel da proteína na segurança alimentar. “A campanha anual do Mês do Ovo ampliou visibilidade e estimulou inserção do produto em programas de alimentação pública, como merenda escolar”, ressalta Herbert, enfatizando que ampliar o consumo em iniciativas sociais é prioridade. “Seguimos trabalhando para facilitar o acesso da população a um alimento completo, versátil e nutritivo”.
Combate à desinformação
A comunicação permanece entre os maiores desafios. Em um ambiente de excesso de informações, o IOB aposta em estratégias digitais e parcerias com nutricionistas, educadores e influenciadores de saúde para alcançar públicos emergentes, como pais de crianças, praticantes de atividade física e pessoas em transição para dietas mais equilibradas. “Nosso foco é estar onde o consumidor está, com informação clara, acessível e confiável”, afirma o diretor.
Um setor mais organizado e unido
Herbert destaca que o IOB vive um momento de fortalecimento institucional, com crescimento no número de associados e maior representatividade dos principais estados produtores. “Estamos no caminho certo. Trabalhamos para estimular a produção legalizada, reforçar cuidados sanitários e aproximar o produtor, além de orientar consumidores e profissionais de saúde”, salienta.
Avicultura
Países árabes impulsionam exportações brasileiras de carne de frango em 2025
Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita figuram entre os principais destinos, contribuindo para novo recorde de volume exportado pelo setor, que superou 5,3 milhões de toneladas no ano.

Dois países árabes, os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, estiveram entre os principais destinos das exportações brasileiras de carne de frango em 2025. Os Emirados foram o maior comprador, com 479,9 mil toneladas e aumento de 5,5% sobre 2024. A Arábia Saudita ficou na terceira posição entre os destinos internacionais, com aquisições de 397,2 mil toneladas e alta de 7,1% sobre o ano anterior.
As informações foram divulgadas na terça-feira (06) pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Segundo a entidade, o Japão foi o segundo maior comprador da carne de frango do Brasil, com 402,9 mil toneladas, mas queda de 0,9% sobre 2024, a África do Sul foi a quarta maior importadora, com 336 mil toneladas (+3,3%), e Filipinas vieram em quinto lugar, com 264,2 mil toneladas (+12,5%).

Foto: Jonathan Campos
A ABPA comemorou o resultado das exportações em 2025, que foram positivas, apesar da ocorrência de gripe aviária no País. As vendas ao exterior somaram 5,324 milhões de toneladas, superando em 0,6% o total exportado em 2024. O volume significou um novo recorde para as exportações anuais do setor, segundo a ABPA. Já a receita recuou um pouco, em 1,4%, somando US$ 9,790 bilhões.
“O ano foi marcado pela resiliência do setor e pela superação de um dos maiores desafios da história da avicultura nacional, com o registro de um foco, já superado, de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade em aves comerciais. Fechar o ano com resultados positivos, conforme previu a ABPA, é um feito a ser celebrado e reforça a perspectiva projetada para 2026, ampliando a presença brasileira no mercado global”, disse o presidente da ABPA, Ricardo Santin, em nota divulgada.



