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Hiperprolificidade: genética e manejo unem forças para maximizar o potencial no campo

Mesa-redonda no 17º SBSS debateu como avanços em genética e manejo permitem que fêmeas suínas hiperprolíficas atinjam todo seu potencial produtivo, aumentando eficiência e rentabilidade nas granjas.

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Fotos: Andressa Kroth/UQ Eventos

“Hiperprolificidade: como a genética está trabalhando para que o potencial genético aconteça no campo” foi tema de mesa-redonda no Painel Genética, realizado na quarta-feira (13) durante o 17º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS), promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), em Chapecó (SC).

O painel reuniu quatro profissionais com consolidada experiência no melhoramento genético e na gestão técnica de grandes sistemas produtivos:  Amanda Pimenta Siqueira, Marcos Lopes, Geraldo Shukuri e Thomas Bierhals. No centro da discussão esteve a hiperprolificidade, conceito que define a capacidade da fêmea suína em parir leitegadas numerosas, com mais leitões nascidos vivos e viáveis a ponto de serem desmamados.

Médica-veterinária, doutora em Ciência Animal com ênfase em Reprodução de Suínos e gerente de serviços técnicos da Agroceres PIC, Amanda Pimenta Siqueira: “Na última década, conforme observamos no relatório da ABPA 2025, vimos uma certa instabilidade no plantel de matrizes suínas”

A médica-veterinária, Doutora em Ciência Animal com ênfase em Reprodução de Suínos e gerente de serviços técnicos da Agroceres PIC, Amanda Pimenta Siqueira, iniciou sua apresentação propondo uma reflexão: se é possível capturar todo potencial genético à campo. Sua abordagem teve como viés mostrar ao público o que a genética tem feito para sustentar esse aumento de produtividade de forma mais eficiente e rentável. Também reforçou a necessidade de os profissionais do setor terem uma visão integrada e sistêmica de todas as áreas da produção para conseguir explorar esse potencial genético.

Ao exemplificar esse potencial genético, Amanda citou que atualmente há granjas com um terço de sua produção com mais de 20 nascidos totais e que produzem mais de 270 quilos de desmamados fêmea por ano. “Na última década, conforme observamos no relatório da ABPA 2025, vimos uma certa instabilidade no plantel de matrizes suínas, mas ao longo desse período tivemos um incremento de 53% da produção de carne. E, de onde veio esse crescimento? Da hiperprolificidade e da eficiência da produção dentro das granjas”, comentou.

Por fim, Amanda ressaltou que a genética obteve muitos avanços, porém é necessário um novo olhar sobre a matriz suína, ou seja, adequar os manejos. “A suinocultura está em constante evolução em todo mundo, com granjas maiores e com desenhos mais práticos, aliado a mais tecnologia e automação como por exemplo de sistemas de alimentação em maternidade e mais sistemas coletivos. Paralelo a isso tem mudanças consideráveis nas celas de maternidade, na idade de desmame e exigências ambientais”, destacou. A fêmea suína está entregando mais, por isso alguns cuidados devem ser diferentes na genética, nutrição, seleção dos animais, inspeção e pessoas.

Progresso

Diretor técnico da Topigs Norsvin no Brasil e pesquisador no Centro de Pesquisa da empresa na Holanda, Marcos Lopes: “O melhoramento genético não é tão antigo assim ele vem da década de 60, quando se começou a montar o estilo e só a partir de 1990 teve um progresso genético maior por tamanho de leitegada”  – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

O diretor técnico da Topigs Norsvin no Brasil e pesquisador no Centro de Pesquisa da empresa na Holanda, Marcos Lopes, abordou a trajetória do melhoramento genético para garantir que a hiperprolificidade nas fêmeas chegue ao campo. “O melhoramento genético não é tão antigo assim, ele vem da década de 60, quando se começou a montar o estilo e só a partir de 1990 teve um progresso genético maior por tamanho de leitegada”, relembrou.

Ao analisar os dados da hiperprolificidade no Brasil, Lopes apresentou dados da Agriness/2024 que compila o cenário nacional e destaca uma expressiva evolução. “A partir de 2008 chegamos a 24 leitões desmamados fêmea/ano e, atualmente temos aproximadamente 30, o que representa uma média geral. Porém, algumas granjas brasileiras já atingiram patamares de 37 desmamados fêmea/ano”, enalteceu.

Além dessa expressiva evolução, segundo Lopes, a genética precisa ter uma visão de futuro, ou seja, multiplicar o conhecimento com os produtores. “Se nessa trajetória os animais mudaram, então, a prática que se usava antigamente, provavelmente não funcionará mais”, argumentou. Ele também elencou as tecnologias disponíveis, a exemplo da nutrição de precisão, tomografia computadorizada e utilização de câmeras para investigar as fêmeas, sua estrutura óssea, sua longevidade e seu comportamento para que a habilidade materna seja adequada.

De acordo com Lopes, a hiperprolificidade não é sinônimo de problemas, mas precisa de manejado adequado. “Esse é o grande ponto. E, as empresas de genética, são responsáveis por um melhoramento genético sustentável. Precisamos aumentar o tamanho de leitegada, mas também entregar essa habilidade materna para evitar perdas ao longo do sistema”, finalizou.

Desempenho

A abordagem do diretor técnico da DanBred Brasil, Geraldo Shukuri, foi dividida em três tópicos principais: potencial produtivo de fêmeas hiperprolíficas, como o melhoramento genético trabalha para equilibrar as características de grandes leitegadas em busca da sobrevivência e do desempenho e influência do manejo e ambiência para explorar o máximo potencial.

Diretor técnico da DanBred Brasil, Geraldo Shukuri: “Depois de todo o trabalho feito em relação à habilidade materna da fêmea e a própria característica de sobrevivência do leitão, registramos evolução, principalmente com a entrada da seleção genômica” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

Segundo ele, a hiperprolificidade é um assunto discutido há muitos anos, em virtude de uma demanda mundial por proteína animal, que cada vez mais tem margens de lucro menores. De acordo com Shukuri, a suinocultura tem se esforçado através do melhoramento genético para produzir o máximo de animais possíveis com o melhor desempenho e o menor custo.

Para contextualizar apresentou a realidade atual do setor. “Depois de todo o trabalho feito em relação à habilidade materna da fêmea e a própria característica de sobrevivência do leitão, registramos evolução, principalmente com a entrada da seleção genômica. Hoje vemos o sucesso das empresas de genética em relação a produtividade dos animais com eficiência, com baixa mortalidade, e entregando até 5 mil quilos de carne por matriz”. Segundo ele, manejar animais hiperprolíficos envolve a compreensão das capacidades reais geradas pelo melhoramento genético em cada linhagem, somadas às aplicações corretas de manejo específico para a extração do seu máximo potencial.

Desafios atuais

O médico veterinário, diretor técnico da DNA South America, Thomas Bierhalscomentou sobre as evoluções do setor suinícola nos últimos 20 anos que contribuíram para a maior rentabilidade da cadeia. Segundo ele, lideraram esse movimento o melhoramento genético, as pesquisas e a diluição dos custos fixos. “Na prática as ferramentas chaves foram plantel de qualidade, ou seja, preparação da futura matriz que ingressará na granja, manejo de colostro para aproveitar esse potencial e mães de leite”, explicou.

Médico veterinário, diretor técnico da DNA South America, Thomas Bierhals: “O próximo passo é o melhoramento contribuir cada vez mais para a rentabilidade da suinocultura, que é de chegar ao máximo de animais com um valor cheio ao abate por matriz” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

Bierhals discorreu sobre como as granjas com melhores resultados se diferenciaram, o que elas aprenderam, o que podem nos ensinar e como exploraram mais o potencial genético no comparativo com as demais. “O próximo passo é o melhoramento contribuir cada vez mais para a rentabilidade da suinocultura, que é de chegar ao máximo de animais com um valor cheio ao abate por matriz. Para denominar isso utilizamos o conceito de melhoramento de hiperprolificidade estendida, ou seja, o pensamento vai além do aumento do número de nascidos e compreende ter um animal mais eficiente”.

Para ele, os desafios atuais da hiperprolificidade estão relacionados a fadiga da produção, uma vez que 11% dos nascidos vivos não chegam ao desmame; ao aumento de custos nutricionais e sanitários; os desafios estruturais e a menor quantidade e qualidade disponível da mão de obra. “Tudo começa pelo melhoramento genético. O setor tem oportunidades em nutrição, ambiência e manejo, porém elas demandam extensão, treinamento de pessoas e infraestrutura. O trabalho do melhoramento provê animais que sejam autossuficientes, que dependam menos de estrutura, de manejo rigoroso e atenção. Então, o propósito é deixar a vida do campo mais fácil”.

Fonte: Assessoria Nucleovet

Suínos

Congresso de Suinocultores do Paraná coloca biosseguridade no centro dos debates da atividade

Coordenador de Suinocultura da Lar afirma que falhas na proteção sanitária podem comprometer toda a produção e defende maior alinhamento entre produtores e assistência técnica.

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Fotos: Shutterstock

A biosseguridade continua sendo um dos maiores desafios da suinocultura moderna e será um dos temas centrais do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho, em Marechal Cândido Rondon (PR). O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados em Marechal Cândido Rondon (PR) e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.

Técnico em Agropecuária e coordenador de suinocultura na Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin: “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”

Em uma região que concentra uma das maiores densidades de produção de suínos do país, o técnico em Agropecuária e coordenador de Suinocultura da Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin, ressalta que prevenir a entrada e disseminação de doenças é uma condição indispensável para garantir a sustentabilidade da atividade.

O profissional destaca que os avanços em gestão, treinamento e qualificação profissional podem ser conquistados com investimentos e capacitação. Já a biosseguridade exige vigilância permanente. “O principal gargalo que nós temos hoje é a biosseguridade. Outros pontos relacionados à gestão técnica podem ser trabalhados com treinamento, qualificação e especialização das equipes. Porém, quando a biosseguridade da granja é comprometida, não existe mais como remediar”, afirma.

Segundo Beraldin, o desafio se torna ainda maior em regiões com elevada concentração de granjas e intensa movimentação de pessoas e veículos. “Estamos numa região muito adensada, com instalações mais antigas, propriedades muito próximas umas das outras, rodovias passando perto das granjas e diferentes integradoras atuando no mesmo território. Tudo isso aumenta a complexidade do controle sanitário”, ressalta.

Uniformidade das carcaças segue como desafio

Além das questões sanitárias, Beraldin aponta que a busca por uniformidade dos lotes continua sendo uma das principais dificuldades enfrentadas dentro das granjas.

De acordo com ele, mesmo com os avanços genéticos e nutricionais registrados nas últimas décadas, ainda existem diferenças significativas de desempenho entre os animais. “O principal ponto de desalinhamento entre o que a indústria exige e a realidade da granja está relacionado à uniformidade das carcaças. Esse é um desafio que atravessa décadas e continua presente. O peso de nascimento é naturalmente diferente entre os indivíduos e, ao longo das fases de crescimento e terminação, essas diferenças acabam reaparecendo”, explica.

O coordenador destaca que o agrupamento dos animais por tamanho ajuda a reduzir essa variabilidade, mas exige manejo constante e nem sempre é suficiente para manter a uniformidade desejada até o abate.

Outro fator apontado por ele envolve as exigências relacionadas à conformação das carcaças. “Qualquer hérnia ou problema semelhante pode levar à classificação daquele animal como não conforme. Muitas vezes isso resulta na condenação da carcaça. É uma exigência que não parte diretamente da indústria, mas dos órgãos fiscalizadores, e que acaba gerando perdas importantes ao longo da cadeia”, observa.

Produtor e técnico devem atuar lado a lado

Para Beraldin, a velocidade na identificação dos problemas dentro da granja é um dos fatores que mais influenciam os resultados produtivos. Por isso, ele defende uma relação próxima entre produtores e equipes técnicas. “O principal conhecimento que o produtor pode ter na tomada de decisão é entender a dinâmica do mercado e manter uma relação muito próxima com o técnico. No primeiro sinal de qualquer anormalidade dos animais, a assistência técnica deve ser acionada”, enfatiza.

Segundo ele, a experiência acumulada pelos profissionais que acompanham diferentes granjas permite respostas mais rápidas e eficientes diante de possíveis problemas sanitários ou produtivos. “Aquele lote é único para o produtor, mas o técnico observa diversos lotes ao longo da semana. Isso permite agir rapidamente e tomar decisões com mais segurança. O principal é que o produtor conheça bem seu plantel e esteja alinhado com a assistência técnica”, ressalta.

Congresso reforça protagonismo do produtor

Na avaliação de Beraldin, um dos diferenciais do Congresso de Suinocultores do Paraná é justamente manter o foco no produtor e na realidade das propriedades rurais. “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”, destaca.

Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná

08h – Café de boas-vindas Sicredi

08h30 – Abertura

09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira

  • Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa

09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026

  • Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)

10h10 – Coffee break

10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva

  • Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar

11h10Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade

  • Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR

11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias

  • Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale

12h10 – Almoço

13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras

  • Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep

14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo

  • Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios

14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura

  • Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL

15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor

  • Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural

15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios

  • Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
  • Moderação: Eliana Panty

16h20 – Encerramento

Somando forças com O Presente Rural 

Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.

O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos

Sanidade, mão de obra e tecnologia desafiam a suinocultura, afirma gerente da Primato

Temas estarão entre os destaques do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho em Marechal Cândido Rondon (PR).

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Foto: Shutterstock

A sanidade dos rebanhos, a dificuldade de contratação de mão de obra e a necessidade de ampliar o uso de informações em tempo real dentro das granjas estão entre os principais desafios enfrentados atualmente pela suinocultura brasileira. Os temas estarão no centro das discussões do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que reúne no próximo dia 09 de junho produtores, técnicos, cooperativas, agroindústrias e lideranças do setor em Marechal Cândido Rondon (PR).

Zootecnista e gerente Pecuário na Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck: “Participar do Congresso é uma oportunidade única para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura” – Foto: Divulgação/Primato

O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.

Para o zootecnista e gerente Pecuário da Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck, a sanidade segue como a principal preocupação das granjas da região. “Vejo como principal gargalo técnico a sanidade. Nos últimos cinco anos estamos enfrentando um desafio sanitário muito grande no Oeste do Paraná e encontramos dificuldades para melhorar esse status sanitário”, afirma.

Na área de gestão, ele destaca que os desafios passam tanto pela escassez de profissionais quanto pelas diferenças entre gerações que hoje convivem dentro da cadeia produtiva. “Temos poucas pessoas disponíveis para o mercado de trabalho e isso todos estão sentindo na pele. Além disso, existe o desafio de conectar profissionais jovens, que chegam ao setor com cerca de 20 anos, com produtores que muitas vezes estão próximos dos 65 anos. São gerações com visões e experiências bastante diferentes”, observa.

Exigências do mercado exigem respostas rápidas

Segundo Wesendonck, a demanda dos consumidores por alimentos produzidos com atenção ao meio ambiente, ao bem-estar animal e à rastreabilidade tem provocado mudanças importantes dentro da cadeia produtiva.

Na avaliação dele, o desafio está na velocidade com que essas adaptações precisam ocorrer para manter a competitividade da carne suína brasileira no mercado internacional. “O consumidor vem exigindo mudanças no formato de produção, com foco em valor agregado, sustentabilidade e bem-estar animal. Muitas vezes essas exigências chegam de forma rápida à indústria e precisam ser implementadas em toda a cadeia”, explica.

Para o gerente, atrasos na adoção de protocolos e critérios exigidos pelos compradores podem comprometer oportunidades comerciais. “O Brasil disputa mercados altamente competitivos. Entre fechar ou perder uma venda para determinado país, muitas vezes a diferença está em já ter os critérios exigidos implantados. Quando a demanda surge, a indústria precisa repassar rapidamente e o produtor precisa acompanhar esse movimento para que todos ganhem dinheiro juntos”, ressalta.

Gestão baseada em dados

Outro ponto destacado por Wesendonck é a crescente necessidade de os produtores dominarem informações ligadas à nutrição, genética e sanidade dos animais.

Foto: Ari Dias/AEN

Segundo ele, a produção moderna exige conhecimento muito mais detalhado do que há alguns anos. “O produtor precisa estar alinhado com a integradora em relação à nutrição, genética e sanidade. Hoje trabalhamos com várias fórmulas de ração, diferentes genéticas e desafios sanitários distintos. O produtor precisa conhecer essas informações para tomar decisões mais assertivas”, enfatiza.

O profissional também defende uma maior incorporação de tecnologias capazes de fornecer indicadores produtivos em tempo real. “O produtor necessita urgentemente de tecnologias que mostrem os indicadores da granja em tempo real. Não adianta terminar um lote para descobrir depois que houve excesso de consumo ou uma conversão alimentar ruim. É preciso acompanhar isso durante o processo”, salienta, reforçando: “O produtor precisa saber durante o ciclo se está conduzindo um lote bom ou se existem pontos que precisam ser corrigidos”.

Espaço para discutir o futuro da atividade

Wesendonck avalia que o Congresso de Suinocultores do Paraná tem papel importante justamente por reunir todos os elos da cadeia em um único ambiente de debate. “A importância do Congresso está no fato de podermos reunir todos os elos envolvidos na cadeia em um único dia e em um só local. Vamos discutir temas fundamentais para a suinocultura, como nutrição, sanidade e sucessão familiar, com profissionais que vivem o setor diariamente”, destaca.

Segundo ele, a troca de experiências entre produtores, técnicos, cooperativas e empresas contribui para fortalecer a atividade e acelerar a adoção de soluções dentro das granjas. “Ficamos muito felizes em participar desse momento. É uma oportunidade para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura”, exalta.

Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná

08h – Café de boas-vindas Sicredi

08h30 – Abertura

09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira

  • Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa

09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026

  • Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)

10h10 – Coffee break

10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva

  • Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar

11h10Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade

  • Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR

11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias

  • Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale

12h10 – Almoço

13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras

  • Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep

14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo

  • Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios

14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura

  • Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL

15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor

  • Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural

15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios

  • Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
  • Moderação: Eliana Panty

16h20 – Encerramento

Somando forças com O Presente Rural 

Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.

O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.

Fonte: O Presente Rural
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Suinfair 2026 deve impulsionar economia regional e destacar força da suinocultura independente em Minas Gerais

Feira realizada no Vale do Piranga reunirá produtores, técnicos e empresas do setor, movimentando negócios e fortalecendo um dos principais polos suinícolas do país.

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Foto: Divulgação

A realização da Suinfair 2026, nos dias 01º e 02 de julho, em Ponte Nova (MG), deve gerar impactos econômicos e técnicos para o Vale do Piranga, região reconhecida como o maior polo da suinocultura independente do Brasil. A expectativa é de que a feira atraia produtores, técnicos, empresas e profissionais de diferentes estados, ampliando as oportunidades de negócios e fortalecendo a cadeia produtiva regional.

Além de reunir os principais agentes ligados à atividade suinícola, o evento tende a impulsionar diversos segmentos da economia local. A maior circulação de visitantes durante os dois dias da feira deve beneficiar setores como hotelaria, alimentação, transporte e comércio, tanto em Ponte Nova quanto em municípios vizinhos.

A programação da Suinfair também busca fortalecer a competitividade da produção regional por meio da difusão de conhecimento, apresentação de novas tecnologias e promoção de conexões estratégicas entre produtores, fornecedores e demais participantes do setor. O ambiente de negócios criado pela feira favorece a troca de experiências e a identificação de oportunidades para ampliar a eficiência e a rentabilidade das granjas.

O evento ocorre em uma região que concentra aproximadamente 35% do rebanho suíno de Minas Gerais, fator que reforça a relevância do Vale do Piranga para a produção estadual. A expressiva participação da região na atividade coloca o território em posição estratégica dentro da suinocultura brasileira, especialmente no segmento independente.

Ao consolidar a aproximação entre produção, mercado e inovação, a Suinfair reforça o protagonismo do Vale do Piranga na cadeia suinícola nacional e amplia a visibilidade de uma atividade que desempenha papel importante no desenvolvimento econômico regional.

Fonte: O Presente Rural
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