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Hiperprolificidade expandida: uma nova forma de entender a prolificidade dentro do melhoramento genético

Do aumento de nascidos vivos à entrega de suínos de valor cheio, o conceito amplia a visão sobre produtividade e rentabilidade.

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Fotos: Shutterstock

Artigo escrito por Mariana Anrain Andreis Geneticista-chefe DNA South America

Há muito se discute o conceito da prolificidade e seu impacto positivo no volume de animais abatidos nas últimas décadas. O aumento do número de leitões nascidos, e consequentemente desmamados, foi um forte impulsionador do aumento do volume de animais que chegaram ao abate, com melhoria da rentabilidade global do sistema, pois com o mesmo número de fêmeas alojadas houve a possibilidade de aumentar de forma consistente o número de abatidos e, portanto, o volume de carne produzida. Como a pressão de seleção para características de que levaram a um aumento considerável em leitões nascidos vivos foi intensa por vários programas de melhoramento genético nas últimas décadas, os ganhos obtidos foram expressivos, consistentes e permanentes. Há cerca de 20 anos atrás, tínhamos média de nascidos vivos cerca de 10, atualmente, a média nacional ultrapassou 14 leitões.

Muito desse ganho em número de leitões nascidos vivos e desmamados foi fruto de intensa seleção para estas características, o que gerou ganhos genéticos que se verificam atualmente. Porém, o que foi se percebendo com o passar do tempo é que não bastava apenas aumentar o número de leitões nascidos vivos. O peso médio ao nascimento dos leitões caiu, e a viabilidade da leitegada também, tanto pelo aumento no número de leitões quanto pelo aumento da variabilidade de peso ao nascimento destes animais. As matrizes também não estavam prontas para receber um aumento tão importante na demanda por leite, e com isso a mortalidade de maternidade subiu de forma gradual e aumentaram as porcentagens de perdas no processo. Estas oportunidades foram identificadas por alguns programas de melhoramento que responderam de formas variadas, selecionando para número de leitões vivos ao quinto dia, sobrevivência pré-desmame, ganho de peso pré-desmame, número de tetos e de várias outras formas. O resultado foi que o aproveitamento dos leitões já nascidos começou a aumentar, e, desde então, os ganhos em leitões desmamados estão sendo consistentes.

E normalmente aí se encerrava a questão da prolificidade: o número de leitões desmamados era a variável praticamente determinante para avaliar o desempenho nos plantéis. Porém, passado essa primeira resposta do melhoramento em aumentar o número de leitões desmamados, em um trabalho conjunto com o manejo e nutrição, que conseguiram evoluir para atender essa matriz agora sob forte demanda, começou-se a buscar entender as perdas que ainda aconteciam em maior volume nas fases posteriores: creche e terminação. Essas perdas, se tornaram cada vez mais desafiadoras, decorrente dos efeitos de queda na qualidade dos leitões e, também, da maior competição por colostro entre os leitões dentro de leitegadas cada vez mais numerosas. As respostas aos crescentes desafios também precisaram vir tanto do melhoramento genético quanto da nutrição e manejo, para assegurar que os leitões que agora já chegavam ao desmame, fossem capazes de chegarem até o abate como suínos de preço cheio, representando um aumento substancial na rentabilidade da cadeia produtiva. E com isso surge esse conceito de hiperprolificidade expandida, ou seja, a quantidade de leitões que chegam ao abate a preço cheio.

Sobrevivência pós-desmame

Uma das características que exigiu respostas do melhoramento foi a sobrevivência pós-desmame. Como essa característica necessita de um volume grande de animais avaliados, a obtenção de dados dentro da estrutura de granjas núcleos fica limitada, pois o volume de animais é sempre reduzido em comparação com grandes estruturas comerciais – que é onde estes animais precisam mostrar seu desempenho. Por isso, as avaliações genéticas evoluíram para modelos incluindo dados de granjas comerciais, especialmente de sobrevivência e de características ligadas ao frigorífico. Avaliar os animais em granjas comerciais e trazer estes dados para os programas de melhoramento tem várias vantagens, e uma delas é a de testar diretamente o potencial genético dos animais no ambiente comercial, ou seja, onde eles serão efetivamente utilizados, com todos os desafios a nível sanitário, de manejo e nutricional que acontece de forma normal nas granjas comerciais.

A inclusão de dados de granjas comerciais nas avaliações genéticas é ainda mais eficaz, em termos de ganhos genéticos, quando a linhagem macho é uma raça pura. A vantagem de se ter uma linhagem pura é que o mesmo macho é utilizado como bisavô ou macho comercial ao mesmo tempo, acelerando a velocidade da inclusão das informações e das decisões do melhoramento genético, e, portanto, do próprio ganho genético.

Essa modelagem de incluir dados de granjas comerciais em avaliações genéticas das linhagens puras permite aumentar muito o volume de observações para outras características, como é o caso de defeitos genéticos como hérnia umbilical, escrotal ou criptorquidismo, que precisam estar sob enfoque do melhoramento genético de forma constante.

Ao passo que animais de alto ganho de peso possam ter maior tendência a expressar defeitos, especialmente se a característica está sob deriva genética – ou seja, sem seleção – animais de maior ganho de peso diário tem tendência a terem ganhos mais eficientes, melhorando a conversão alimentar do rebanho, pela própria correlação genética positiva que existe entre ambas as características – ganho de peso e eficiência alimentar. Com esse aumento de eficiência alimentar em animais de alto ganho de peso, foi possível levar os abates a pesos mais elevados e com menor mortalidade, pois é bem conhecida a relação entre consumo de ração mais alto e saúde dos animais de forma geral. O ponto que faltava nessa questão era que o consumo de ração fosse efetivamente convertido em ganho de carne magra, o que aconteceu por meio da seleção genética para eficiência alimentar. Hoje é seguro, do ponto de vista de resultado de conversão alimentar do lote, fornecer ração à vontade para os animais em praticamente toda fase de terminação, explorando todo o potencial de ganho de peso, pois os genótipos recentes são muito eficientes em aproveitar esta ração. O resultado: é um lote mais saudável, pois consumo alimentar tem alta correlação com resistência a doenças, e, também, mantendo a eficiência necessária para o bom resultado econômico.

Animais de valor cheio ao final do ciclo

O melhoramento genético, juntamente com a evolução na nutrição e adequação nos manejos, está sendo capaz de conduzir os plantéis para aumentos graduais e consistentes em número de animais entregues de valor cheio ao final do ciclo, que é realmente o número que importa. Entregar mais animais, com maior peso e a valor cheio é hoje a meta final de bons programas de melhoramento, mostrando que a atenção deve estar voltada, sempre, para rentabilidade global da cadeia produtiva. Afinal de contas, a hiperprolificidade só se mantém importante, geneticamente, se ela trouxer mais rentabilidade ao produtor e indústria e mais alimento saudável aos consumidores.

Referências: mariana.andreis@dnasouthamerica.com

O acesso à edição digital do jornal Suínos é gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

Suínos

Exportações sustentam desempenho da suinocultura brasileira no início de 2026

Embarques crescem mais de 14% e ajudam a equilibrar o setor, conforme análise da Consultoria Agro Itaú BBA, mesmo diante do aumento da oferta interna.

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Foto: Shutterstock

O início de 2026 registrou queda significativa nos preços do suíno, reflexo da expansão da produção observada ao longo do ano anterior. Mesmo com a pressão no mercado interno, o setor manteve resultados positivos, sustentado pelo bom desempenho das exportações e pelo controle nos custos de produção, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA.

As cotações do animal vivo em São Paulo apresentaram forte recuo no começo do ano, passando de R$ 8,90/kg em 1º de janeiro para R$ 6,90/kg em 9 de janeiro, queda de 23% no período. Com o ajuste, os preços retornaram a níveis próximos aos registrados no início de 2024 e ficaram abaixo do observado no começo do ano passado, quando o mercado apresentou maior firmeza nas cotações, com valorização a partir de fevereiro.

O avanço da produção de carne suína ao longo de 2025 foi impulsionado pelas margens favoráveis da atividade. A expectativa é de que esse ritmo tenha sido mantido no primeiro mês de 2026, embora os dados oficiais de abate ainda não tenham sido divulgados.

No mercado externo, o setor iniciou o ano com desempenho positivo. Os embarques de carne suína in natura somaram 100 mil toneladas, volume 14,2% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. Entre os principais destinos, destacaram-se Filipinas e Japão, responsáveis por 31% e 13% das exportações brasileiras no mês, respectivamente.

Mesmo com os custos de produção sob controle, a queda de 5% no preço do animal na comparação entre janeiro e dezembro resultou na redução do spread da atividade, que passou de 26% para 21%. Ainda assim, o resultado por cabeça terminada permaneceu em nível considerado satisfatório, com média de R$ 206.

No comércio internacional, o spread das exportações também apresentou recuo, influenciado pela redução de 0,8% no preço da carne suína in natura e pela valorização cambial. Com isso, o indicador convergiu para a média histórica de 40%, após registrar 42% no mês anterior.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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Suínos

Brasil intensifica ações para ampliar reconhecimento internacional como país livre de Peste Suína Clássica

Estratégia envolve monitoramento epidemiológico e integração entre serviços veterinários e entidades do setor.

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Foto: Ari Dias

A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) e a Associação Brasileira das Empresas de Genética Suína (ABEGS) participaram, na última terça-feira (10), de reunião híbrida no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), com foco no debate sobre a erradicação da Peste Suína Clássica (PSC) no Brasil.

Foto: Divulgação/ABCS

O encontro ocorreu na sede do Mapa, em Brasília, no âmbito do Departamento de Saúde Animal (DSA), vinculado à Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), e foi conduzido pelo diretor do DSA, Marcelo Motta.

Entre as prioridades debatidas estiveram as estratégias de intervenção nos municípios dos estados do Piauí e do Ceará que compõem a Zona Não Livre (ZnL) de PSC e que registraram ocorrência da doença nos últimos cinco anos, com o objetivo de erradicar a circulação viral.

A diretora técnica da ABCS, Charli Ludtke, reforçou que a agenda foi positiva, com encaminhamentos concretos para a expansão da Zona Livre. Segundo ela, as equipes do DSA/Mapa irão atuar, em conjunto com os Serviços Veterinários Estaduais, na realização de inquéritos soroepidemiológicos para avaliação da circulação viral. “Diversos estados que integram a Zona Não Livre têm a perspectiva de, até 2028, apresentar o pleito de reconhecimento internacional à Organização Mundial de Saúde Animal, avançando no Plano Brasil Livre de PSC”, afirmou.

Para o presidente da ABEGS, Alexandre Rosa, o avanço sanitário é decisivo tanto para o crescimento sustentável da suinocultura brasileira

Diretora técnica da ABCS, Charli Ludtke: “Alguns mercados estratégicos exigem que o Brasil seja reconhecido como livre de Peste Suína Clássica para autorizar a importação de material genético” – Foto: Divulgação/ABCS

quanto para a abertura de novos mercados internacionais, especialmente para a exportação de material genético. “Alguns mercados estratégicos exigem que o Brasil seja reconhecido como livre de Peste Suína Clássica para autorizar a importação de material genético. Por isso, avançar na erradicação da PSC é fundamental para ampliar o acesso a esses mercados, fortalecer a competitividade da genética suína nacional e consolidar, no cenário internacional, a qualidade da sanidade brasileira”, destacou.

Na avaliação das entidades, o alinhamento técnico e institucional entre o Mapa e o setor produtivo é decisivo para consolidar um ambiente sanitário seguro e competitivo para a cadeia suinícola. O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, reforçou que a atuação integrada entre o poder público e a iniciativa privada é essencial para o sucesso do plano de erradicação da PSC. “O trabalho conduzido pelo MAPA, em diálogo permanente com o setor produtivo, é fundamental para avançarmos de forma segura na erradicação da PSC. A construção conjunta de soluções técnicas fortalece a defesa sanitária, dá previsibilidade ao produtor e preserva a credibilidade da suinocultura brasileira nos mercados nacional e internacional”, ressaltou.

Participaram da reunião, de forma online, representantes da ABEGS, da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), da Embrapa Suínos e Aves e da Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos (Abraves). Presencialmente, estiveram presentes representantes da ABCS e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Fonte: Assessoria ABCS
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Show Rural

Show Rural exibe robô alimentador de suínos

Sistema analisa dados zootécnicos e comportamentais para reduzir perdas, ajustar ambiência e apoiar decisões rápidas nas granjas.

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Foto: Divulgação/Show Rural

O 38º Show Rural Coopavel destaca a suinocultura em um pavilhão repleto de inovações que prometem revolucionar a gestão de granjas. A principal atração é a demonstração de um robô alimentador de suínos, uma tecnologia de ponta que integra inteligência artificial e visão computacional para otimizar a produção.

O supervisor de Fomento de Suínos da Coopavel, Gustavo Bernart, ressalta a importância do equipamento. “Esse robô não apenas monitora o consumo de ração nas baias, mas também realiza a pesagem automática dos animais por meio de câmeras. Isso permite uma melhor conversão alimentar e padroniza o peso para a indústria”, ressalta.

Foto: Divulgação/Show Rural

Além disso, o sistema analisa o comportamento dos suínos, permitindo que o produtor, via smartphone ou tablet, tome decisões rápidas e eficazes, como identificar animais doentes ou ajustar a ambiência, reduzindo perdas e otimizando o manejo.

Além do robô, o pavilhão apresenta painéis controladores da qualidade da água, importante para a saúde dos animais e soluções avançadas em ambiência, que garantem o conforto térmico e o bem-estar dos suínos, resultando em melhor desempenho. “Muitas granjas ainda carecem de inovações em ambiência. Trouxemos tecnologias que tornam esse aspecto mais atrativo e eficiente para o produtor”, comenta Bernart.

A receptividade do público tem sido muito boa. “Produtores e até mesmo empresários de outros setores demonstram grande interesse em entender o potencial de investimento e as práticas inovadoras da suinocultura”, expôs.

Como funciona?

O robô faz todo o acompanhamento de consumo de ração nas baias, determinado pela própria Coopavel para a parte de consumo de ração e estímulo dos animais. É dotado de câmeras que fazem a leitura de indicadores importantes sobre a saúde do animal. Isso ajuda tanto no processo para fazer uma melhor conversão alimentar quanto até para a indústria em trazer os animais com um peso padrão. Além disso faz outra leitura, do comportamento desse animal.

O produtor numa tela de celular ou num tablet consegue ver tanto o consumo de ração, peso dos animais e comportamento, fazendo com que ele tome uma ação mais rápida num tratamento mais efetivo, melhorando a ambiência. “Então tudo isso é uma inovação dentro do Show Rural”, menciona Bernart.

Há ainda painéis controladores de qualidade de água oferecida aos animais.

Fonte: Assessoria Show Rural
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