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Avicultura Nutrição

Grãos, o novo ouro da nutrição

A nutrição animal responde por cerca de 70% dos custos de produção. Os animais precisam de ração

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Gisele Neri, coordenadora de Produtos – Kemin Saúde e Nutrição Animal – América do Sul

Quem imaginava, ainda que por apenas poucos segundos, pessoas andando pelas ruas com máscaras, cidades decretando lockdown, escolas fechadas, comércios fechados por meses?

E por cima desse cenário, produtores da América do Sul desafiando a matemática dos custos, pagando valores surreais nas principais matérias primas das rações: milho e soja.

Já não é mais novidade, mas é sempre bom registrar: os custos de produção de aves e suínos subiram 36,33% e 40,69% desde o início do ano passado, de acordo com dados da Central de Inteligência de Aves e Suínos da Embrapa. Várias são as razões por detrás desse aumento, mas o mais impactante, seguramente, é o alto custo dos grãos e das fontes de energia para a ração.

De janeiro a outubro de 2020, de acordo com dados da Abiove, o Brasil exportou 88% do volume de farelo de soja exportado em 2019; 10% a mais do volume de soja em grãos exportado em 2019 e 3% a mais do volume de óleo de soja exportado em 2019.

Os principais países produtores de grãos da América do Sul estão exportando como nunca, principalmente para a Ásia (praticamente lê-se China quando dizemos Ásia). É bem verdade que para o Brasil e para o Chile o ano foi recorde de exportação de carnes, também para a Ásia.

Mas como manter a produtividade e a lucratividade nesse cenário cheio de oportunidades (elevadas exportações e constante abertura de novos mercados) associadas com os desafios (custos, sanidade)?

A nutrição animal responde por cerca de 70% dos custos de produção. Os animais precisam de ração. Mas será que eles conseguem aproveitar o máximo dos nutrientes ofertados na ração? E a energia? Será que existe uma forma de maximizar o aproveitamento de nutrientes e energia?

Graças à tecnologia e a ciência aplicadas à nutrição animal, podemos dizer com total segurança: sim, existe. Aliás, existe até mais de uma forma de maximização do aproveitamento dos nutrientes da dieta. E nem todas estão estritamente relacionadas à nutrição animal: aditivos, manejo, qualidade da água, redução do estresse, ambiência, sanidade, etc. são tópicos que podem ser trabalhados para que o animal possa aproveitar ao máximo a dieta para conversão em proteínas de origem animal.

Existem aditivos chamados de emulsificantes, enzimas, butiratos, pré e probióticos, microminerais e todos eles podem atuar, em algum nível no aproveitamento de nutrientes da dieta pelo animal. Seja disponibilizando mais nutrientes para os animais (como os emulsificantes e enzimas), ou melhorando a capacidade absortiva no intestino (como os butiratos), ou promovendo a integridade intestinal (como os pré e probióticos) ou ainda, reduzindo os efeitos do estresse (como o cromo).

Neste artigo vamos aprofundar um pouco sobre os emulsificantes. Eles são aditivos capazes de auxiliar no processo de digestão e absorção dos óleos e gorduras, fonte energética das dietas.

Para o máximo aproveitamento das fontes energéticas da dieta é essencial que os óleos e/ou gorduras passem por 3 fases:

  1. Emulsificação – (é daí que vem o termo “emulsificante” que dá nome a esta categoria de produtos no MAPA). A emulsificação é a primeira fase do processo de digestão e absorção de óleos e gorduras. Nesta fase o óleo presente na ração, após a ingestão do animal, quebra-se em gotículas menores e se mistura ao ambiente aquoso do trato gastrointestinal. É essencial que essa emulsão permaneça estável o máximo possível de tempo, ou o aditivo perde sua eficácia e seu maior propósito de existência. Os produtos existentes no mercado apresentam estabilidade de emulsão diferentes. Fique atento no momento de escolher seu produto! Às vezes o barato pode sair caro.
  2. Hidrólise – já com as gotículas de gordura menores, é o momento para a ação da lipase endógena. Ela age quebrando as gotículas de gordura em ácidos graxos livres e monoglicerídeos. Essa é a importância de um bom processo de emulsificação: com gotículas menores de gorduras a superfície de contato entre a gordura e a lipase aumenta, potencializando a ação desta última. Depois da hidrólise há ainda a formação de micelas. Elas tem uma importância ímpar no processo de absorção das gorduras, já que os ácidos graxos não conseguem passar pelas membranas das células intestinais.
  3. Absorção – A absorção dos óleos e gorduras se dá sempre na forma de micela. As micelas são estruturas formadas durante o processo de digestão. São constituídas principalmente por ácidos graxos e monoglicerídeos. Produtos diferentes têm capacidade de formação de micelas de tamanhos diferentes e isso impacta na absorção. Toda a gordura proveniente da dieta, que, por algum motivo, não conseguiu formar uma micela ao longo do processo digestivo, é excretada através das fezes.

Existem dezenas de emulsificantes disponíveis no mercado. Alguns possuem ação temporária apenas na primeira etapa do processo de digestão de óleos e gorduras. Outros possuem uma excelente ação emulsificante, porém são prejudiciais à fase de formação de micelas. Todo aditivo emulsificante cuja fórmula apresente alta concentração de moléculas grandes pode atrapalhar o processo de formação de micelas. Este é o caso, por exemplo, de produtos com altas concentrações de emulsificantes sintéticos em sua fórmula.

Por essas e outras razões é primordial a análise criteriosa dos diferentes produtos disponíveis no momento da tomada de decisão.

Através de uma metodologia específica é possível analisar a estabilidade da emulsão originada pelos diferentes emulsificantes.

A adição de um biossurfactante foi capaz de melhorar a estabilidade da emulsão em 84% comparado ao Controle (sem emulsificante), enquanto a estabilidade da emulsão com lisolectina conseguiu melhorar em 39% quando comparada com o Controle (sem emulsificante), conforme demonstrado na Figura 1.

Já existe no mercado da América do Sul um biossurfactante de 3ª geração, formulado com base nas mais recentes pesquisas e descobertas do mundo. São mais de 3 décadas de pesquisas e mais de uma centena de trabalhos realizados ao redor do globo com diversas espécies animais, com diferentes dietas e distintos desafios para disponibilizar um produto de alto nível de performance como demonstrado a campo. É possível a entrega valor para o cliente, de acordo com sua necessidade específica: seja aumento de performance ou redução do custo da dieta.

O biossurfactante de 3ª geração foi criteriosamente formulado com 3 moléculas principais: lisofosfolipídeos (amplamente utilizado e reconhecido mundialmente como um emulsificante para a nutrição animal), uma pequena porção de emulsificante sintético (para acelerar e otimizar o processo de emulsificação, formando partículas ainda menores de gordura e garantindo estabilidade da emulsão para posterior ação da lipase) e monoglicerídeos (que aceleram o processo de formação de micelas, para maior absorção dos óleos e gorduras oriundos da dieta).

O equilíbrio desses 3 ingredientes principais foi extensivamente estudado e testado para máxima performance do produto em diversas dietas e espécies. Isso resulta em maiores ganhos para o produtor: seja em performance (uso do produto “on top”) ou em redução do custo da dieta (uso do produto com valorização da matriz nutricional).

Existem diversos estudos realizados em múltiplas instituições de pesquisa demonstrando e garantindo os valores da matriz nutricional do biossurfactante.

Nestes estudos foi descoberta a maximização do aproveitamento de outros nutrientes que vão além das porções energéticas da dieta, como os aminoácidos.

Um dos estudos foi conduzido na Univerdidade de Banat, na Romênia, para avaliar os efeitos do biossurfactante em parâmetros de desempenho de frangos de corte.

Neste ensaio 216 frangos de corte machos Ross 308 de 1 dia de idade foram alojados com oito aves por box. As replicatas (box, n = 9) foram alocadas nos tratamentos para uma distribuição homogênea dos tratamentos dentro da sala. Sistema de ventilação dinâmica e de aquecimento proporcionaram a temperatura e a ventilação ideais do aviário. Durante todo o período de teste foi utilizado um esquema de iluminação de 23 horas de luz e 1 hora de escuridão. Ração (farelada) e água potável foi fornecida ad libitum.

Foram comparados os seguintes tratamentos:

CP – Controle Positivo (CP- dieta atendendo 100% dos requerimentos nutricionais dos animais);

CN – Controle Negativo

CP com redução de 60kcal na ração inicial

CP com redução de 80kcal nas rações de crescimento e terminação

T1 – CN + 500g/ton de biossurfactante

Animais recebendo o boissurfactante apresentaram manutenção da performance das aves ainda que com redução do valor energético da ração. O uso do biossurfactante também aumentou o rendimento da carcaça e reduziu a gordura abdominal das aves. Estes resultados demonstraram toda a versatilidade do biossurfactante como ferramenta para nutrição animal. Os dados de desempenho (CA e GP) são apresentados nas Figura 2 e 3.

Os resultados de desempenho de todos os tratamentos para os primeiros 21 dias e durante todo o período experimental (0-42 dias) são mostrados na Tabela 1. A reformulação com biossurfactante proporcionou uma redução do custo da ração com os mesmos resultados do controle positivo.

Nas linhagens de frangos de corte modernas, que são selecionadas para produzir carne magra, desempenhos eficientes estão sempre associados a uma menor deposição de gordura abdominal. Isso foi confirmado pelos resultados deste ensaio, onde a melhora do peso corporal, GP e CA foi associada a manutenção do rendimento de carcaça e da gordura abdominal com redução significativa do rendimento de peito (Tabela 2).

Pesquisas recentes mostraram que alguns biossurfactante melhoram a absorção de diversos nutrientes, independentemente da densidade e composição da dieta. Os dados do presente ensaio estão de acordo com esses achados, considerando que o desempenho e as características de carcaça das aves suplementadas com biossurfactante se igualam ou superam o Controle Positivo na reformulação da dieta.

O ensaio com frangos de corte mostrou vários efeitos benéficos da aplicação do biossurfactante:

  • Conforme esperado, a reformulação da ração com biossurfactante possibilitou a redução da quantidade de óleo adicionado às dietas,
  • A reformulação da ração com biossurfactante resultou em uma redução do custo da ração, ao mesmo tempo em que alcançou desempenho superior ou idêntico às dietas de controle positivo.
  • O biossurfactante exerceu um claro efeito positivo na composição da carcaça, aumentando o rendimento de peito e reduzindo (ainda que numericamente) a gordura abdominal.

Outras notícias você encontra na edição de Avicultura de janeiro/fevereiro de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Inspiração

De professora aos 14 anos a CEO da Seara e mentora de novas líderes

Joanita Maestri Karoleski passou por duas diretorias e foi CEO da Seara e agora encabeça projetos importantes da JBS, como o Fazer o Bem Faz Bem e o Fundo JBS pela Amazônia

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Joanita Maestri Karoleski é o tipo de mulher que está no agro e inspira muitas outras. Líder nata, ela já foi CEO da Seara e hoje ocupa o cargo de presidente do Fundo JBS pela Amazônia. Nascida e criada na pequena cidade de Botuverá, no Leste de Santa Catarina, Joanita começou a trabalhar cedo, ainda com 14 anos, como professora substituta. “Uma professora da minha escola teve que sair de licença e como eu era uma das mulheres alunas o inspetor me convidou para substituí-la por um ano. Aceitei o desafio e dei aulas para estudantes da primeira à quarta série, todos na mesma sala, à maneira como funcionam muitas escolas no interior”, recorda.

Ela conta que apesar dessa primeira experiência em educação, decidiu seguir uma carreira técnica e se formou em Ciências da Computação e Informática pela Universidade de Blumenau. “Talvez pela minha paixão de compartilhar conhecimento e de ajudar a desenvolver pessoas, logo no início da minha carreira identificaram em mim a capacidade de liderar”, afirma. Joanita começou na Bunge, onde trabalhou por 34 anos. “Em 2013 o Gilberto Tomazoni, hoje CEO global da JBS e com quem eu trabalhei na Bunge, me convidou para a equipe da Seara. Cheguei como diretora de Supply Chain, passei pela Diretoria Comercial de Mercado Interno e, em 2015, tornei-me CEO, cargo que ocupei até o início do ano passado”, informa.

Segundo Joanita, a decisão de deixar a posição de CEO foi para se dedicar a antigos sonhos. “Deixei o cargo com a sensação de missão cumprida e orgulho das conquistas do time que tive a honra de liderar”, conta. De acordo com ela, a escolha de se aposentar da Seara veio porque sempre teve vontade de trabalhar com projetos sociais. “Cresci muito próxima da minha avó paterna, pessoa capaz de tirar o próprio casaco para dar a alguém que precisasse. Acredite, não é modo de falar, eu presenciei essa cena. Acho que essa influência também explica meu interesse em ajudar as pessoas a se desenvolver. Após cinco anos intensos à frente da Seara, em que colocamos no mercado um portfólio variado de produtos, fruto de processos e tecnologias inovadoras, senti que tinha cumprido minha missão. Era hora de colocar em prática meus antigos sonhos: dedicar-me a projetos sociais, usando a experiência que adquiri no setor privado, e orientar jovens profissionais como mentora. Naturalmente, ocupando posições de liderança, eu já me dedicava ao desenvolvimento de pessoas, mas era sempre disputando atenção com outras atribuições. Agora, quero doar meu tempo”, afirma.

Porém, durante a transição de CEO para aposentada, engatilhando projetos no terceiro setor, a pandemia do Covid-19 estourou. “A JBS, cumprindo sua missão de contribuir para uma sociedade melhor, estava reforçando suas ações de filantropia e montaria um grande programa. O CEO Gilberto Tomazoni fez um convite para que eu gerenciasse o programa Fazer o Bem Faz Bem, com R$ 400 milhões doados pela JBS”, conta.

Dentro deste projeto, Joanita encabeçou ações de atuação desde saúde pública à pesquisa científica, da educação a projetos assistenciais. “Para entender as necessidades e estipular como o dinheiro deveria ser aplicado, formamos comitês de especialistas em saúde, ciência e tecnologia e projetos sociais. Foi um trabalho muito intenso, mas é uma satisfação saber que fizemos mais do que atender a necessidades pontuais. Deixamos legados permanentes”, diz. Entre as ações desenvolvidas esteve a construção de dois hospitais, a doação de 88 ambulâncias, instalação de wi-fi em escolas, perfuração de poços artesianos no Nordeste e destinação de verbas para centenas de pesquisas para buscar soluções. “O programa Fazer o Bem Faz Bem já atingiu cerca de 77 milhões de pessoas em mais de 310 cidades do Brasil, e me permitiu neste momento fazer um trabalho bastante significativo e ajudar as pessoas a passarem por esse momento crítico”, comenta.

Além do Fazer o Bem Faz Bem, Joanita também está à frente, como presidente, desde setembro de 2020, do Fundo JBS pela Amazônia, iniciativa que financiará projetos de desenvolvimento sustentável e tecnológico das comunidades locais e de conservação e recuperação da floresta. “A JBS aportará R$ 250 milhões nos primeiros cinco anos e igualará a contribuição de cada doação até atingir R$ 500 milhões – nossa intenção é chegar a R$ 1 bilhão. Um Conselho Consultivo e um Comitê Técnico nos ajudam a escolher os projetos contemplados. Estou aprendendo diariamente sobre sustentabilidade em um desafio que aceitei liderar por partir de uma premissa em que acredito: a união da iniciativa privada, do terceiro setor e das autoridades pode transformar a sociedade”, menciona.

Mulheres são parte fundamental do desenvolvimento do agro

Joanita vê que a desvantagem numérica das mulheres na alta liderança pode dar a impressão de que elas se sentem mais isoladas. “O que não é verdade. Uma pesquisa já mostrou que mulheres em posição de liderança costumam colocar mais em prática comportamentos relacionados ao desenvolvimento de pessoas, que ajudam a estabelecer conexões. A meu ver, construir relações verdadeiras é a melhor forma de superar dificuldades porque integra a equipe e cria um ambiente de respeito, em que os resultados aparecem”, diz.

Para ela, as mulheres são muito importantes no agronegócio. “Como em outros setores da economia, a participação feminina na liderança é cada vez maior. Mais de 15% das granjas integradas à Seara são propriedades lideradas diretamente por mulheres. Se considerarmos as que lideram indiretamente, esse número é ainda maior. As mulheres criam oportunidades no campo, estão se preparando para processos de sucessão. Elas são parte fundamental do desenvolvimento do agronegócio”, afirma.

Além disso, Joanita comenta que levantamentos mais recentes sobre diversidade nas empresas comprovam que a presença feminina nos cargos da alta gestão se intensificou nas últimas décadas. “É um avanço que acontece ano a ano, mas as mulheres ainda são minoria. Como mulheres na alta liderança, temos a chance de contribuir para a formação de futuros líderes que valorizem a diversidade. Podemos criar um círculo virtuoso” menciona.

A participação de mais mulheres em cargos de liderança também é por pessoas como Joanita, que inspiram aquelas que sonham em estar em cargos de decisão. “As mulheres que chegam a altos cargos de gestão mostram às novas gerações que elas podem – e devem – aspirar à alta liderança. Ao longo da minha carreira, sempre busquei referências e tive a preocupação de dividir o que eu sabia. Acredito que devemos oferecer apoio às gerações que nos sucederão e construir relações de cooperação, que tornam o ambiente de trabalho mais respeitoso, produtivo e inovador. Nesse meu novo momento, reservei espaço para compartilhar um pouco do conhecimento e da experiência que adquiri. Tenho desenvolvido projetos paralelos de mentoria e me tornei Conselheira Consultiva do Instituto Mulheres do Varejo, onde atuo como mentora para formar novas gerações de executivas”, conclui.

Outras notícias você encontra na edição de Avicultura de abril/maio de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Mercado

ABPA celebra viabilização de vendas de ovos in natura para Argentina e Chile

As exportações brasileiras de ovos do Brasil têm obtido bons resultados em 2021

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Divulgação/AENPr

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) celebrou a dupla autorização de exportações ocorrida na última quinta-feira (08), com a publicação de Certificados Sanitários Internacionais (CSI’s) para a exportação de ovos in natura para a Argentina e o Chile.

Os CSI’s foram publicados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento brasileiro, e são válidos para todos os estados, no caso da Argentina;  e para todos os estabelecimentos localizados no Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e São Paulo, no caso do Chile.

As exportações brasileiras de ovos do Brasil têm obtido bons resultados em 2021. No primeiro bimestre, o setor acumulou alta superior a 150%, índice que deve se manter com os resultados de março, conforme dados preliminares calculados pela ABPA.  Com a abertura da Argentina e do Chile – mercados geograficamente mais próximos que o atual principal destino do setor, os Emirados Árabes Unidos – há boas expectativas quanto ao incremento ainda maior das vendas do setor.

“A proximidade dos mercados são facilitadores para as vendas do setor.  O Brasil se consolidou como grande produtor e agora busca novas fronteiras para as vendas de ovos produzidos no país.  Com estes dois mercados viabilizados ontem, há boas expectativas de expansão dos negócios”, avalia Ricardo Santin, presidente da ABPA.

Fonte: Assessoria ABPA
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Avicultura Saúde Animal

O que fazer quando a salmonella se torna uma realidade no plantel?

Além do conhecimento dos vírus e bactérias que podem afetar a criação, saber como evitar esses patógenos é de extrema importância

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Artigo escrito por Rafael Soares, médico veterinário, mestrando em Produção Animal e coordenador Técnico da Divisão Animal da BTA Aditivos

A primeira preocupação dos criadores de frangos de corte, antes mesmo do alojamento, é combater os problemas sanitários do lote futuro. Além do conhecimento dos vírus e bactérias que podem afetar a criação, saber como evitar esses patógenos é de extrema importância.

A Salmonelose é uma das principais doenças das aves, causada por bactérias de um gênero de duas espécies, a Salmonella bongori e a Salmonella entérica. Esta última apresenta seis subespécies: salamae, arizonae, diarizonae, indica, houtenae e enterica.

Dos mais de 1.500 sorovares da espécie entérica está a Salmonella Gallinarum (Tifo aviária) que causa anemia e deixa a ave com cristas e barbelas pálidas ou arroxeadas e penas arrepiadas. Além disso provoca apatia, anorexia, diarreia amarelo-esverdeada e febre. Já a Salmonella Pullorum (Pulorose) pode apresentar sinais subclínicos como diarreia, desidratação, queda de consumo de ração, perda de peso e diminuição da produção de ovos. Tanto a S. Gallinarum como a S. Pullorum causam doenças clínicas nas aves, mas sem impacto sobre seres humanos.

A subespécie Enterica ainda tem maior importância para a saúde pública. Isso porque a Salmonella enteritidis e a Salmonella typhimurium, presentes nesta subespécie, estão entre as doenças mais prevalentes em aves e que podem contaminar os humanos caso haja o consumo de alimentos de origem animal. Os sintomas mais comuns são diarreia, vômito, dor abdominal, cansaço e perda de apetite nas pessoas.

Barreiras para evitar contaminação externa

Ciente deste desafio, o produtor deve estar municiado de barreiras para diminuir a presença de salmonella atuando já no momento do recebimento de pintinhos que devem estar livres de salmonelas. A garantia da sanidade destas aves vai depender de como está o processo de biosseguridade tanto nas granjas matrizeiras como no incubatório.

O primeiro ponto a ser avaliado pelos produtores é o isolamento das granjas. O ideal é ter um único portão de acesso, evitando desta forma, o livre trânsito de pessoas, veículos e animais no interior do núcleo de produção. As construções devem ser sempre protegidas por barreiras naturais e físicas, tendo o conhecimento da direção do vento no momento da construção. Isso é importante para que haja diminuição de contaminações por vias aéreas.

O cuidado com o ambiente de produção é muito importante. Para isso, é preciso observar as ações de higienização no local. Logo após a saída do último lote é preciso entrar com a limpeza e a desinfecção das instalações, que visam diminuir os riscos de infecções e realizar a quebra do ciclo de agentes infecciosos. Nesta fase, a limpeza é tão importante quanto a desinfecção. A remoção de detritos e gorduras dos lotes passados é imprescindível para o sucesso da desinfecção.

É importante destacar que o vazio sanitário ideal é de, no mínimo, 15 dias após concluídos todos os procedimentos de limpeza e desinfecção. Um controle da biosseguridade adequado nas granjas deve abranger o controle de tráfego e fluxo, ou seja, a observação de tudo que venha de fora e que entrará na granja para eliminar todo risco de contaminação.

O programa de vacinação é outro ponto de atenção. É necessária a elaboração de um programa de vacinação com foco no controle dos desafios sanitários da região e basear-se em resultados técnicos e laboratoriais. A vacinação deve dar proteção suficiente contra doenças intercorrentes na região, além da vacinação obrigatória em pintos de um dia contra a doença de Marek.

A vacinação nos programas de controle de S.enteritidis tem um grande efeito para redução da contaminação dentro dos lotes de matrizes e contribui eficazmente para eliminar a transmissão vertical. Para o êxito da vacinação é necessário:

  • Seguir o cronograma proposto
  • Respeitar os prazos de validade das vacinas, as vias de aplicação e as diluições indicadas
  • Realizar treinamento sistemático e educação contínua da equipe sobre boas práticas de vacinação
  • Manusear e conservar as vacinas de forma adequada
  • Manter a qualidade da água na vacinação (T °C e pH)
  • Limpar e desinfetar os utensílios utilizados pelos vacinadores

O programa de biosseguridade precisa ser averiguado e monitorado para que ocorra a identificação dos pontos críticos e dos níveis de contaminação. Assim, será possível estabelecer as estratégias de controle e as monitorias que devem ser feitas nos animais, no ambiente e nos insumos que são utilizados no sistema de produção. A água e as rações oferecidas as aves devem ser enviadas para laboratórios de patologia animal credenciados pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento (MAPA), com o acompanhamento do Médico Veterinário Oficial do Ministério da Agricultura. O principal objetivo desta análise deve ser a identificação de Salmonella spp. e outras enterobactérias patogênicas.

Além das monitorias oficiais são utilizados métodos de swabs estéreis e plaqueamentos para avaliação dos desafios e avaliação da eficiência de um programa de limpeza e desinfecção. Esses monitoramentos podem analisar a carga microbiológica de enterobactérias e presença de salmonela. Com esses resultados é possível fazer um plano de ação para erradicação dessas doenças.

A aplicação de programas de 5S e auditorias são fundamentais para checar o programa de biosseguridade e, se existirem erros, agir rapidamente realizando planos de ações e ajustes nos procedimentos. O 5S auxilia na obtenção de padrões operacionais que contribuem para maior eficiência e excelência na realização das tarefas de biosseguridade. Aliado a isso, as auditorias constantes, com uma frequência mensal ou bimestral, permitem identificar quais os processos ou pontos que necessitam de ajustes ou correções.

A educação continuada deve fazer da produção desde o momento da admissão dos funcionários. É indicada a aplicação das instruções já no processo de integração, mostrando uma visão geral das políticas da empresa, englobando neste momento, a importância da biosseguridade para o setor de produção avícola.

Aditivos para o controle da salmonella

A ração utilizada na granja também pode servir como meio de disseminação de contaminação, pois possui em sua formulação matérias-primas de origem animal e vegetal que servem de atrativos para aves e roedores intrusos, que podem trazer contaminações externas para a fábrica, e consequentemente, para a ração. Por este motivo, atualmente as fábricas de ração utilizam a associação de três pontos principais para controle de contaminantes em sua produção e controle do produto final: através de sistemas de segurança alimentar (BPF e APPCC), tratamentos térmicos como extrusão e peletização (atendendo os parâmetros de umidade, temperatura e tempo de condicionamento) e utilização de aditivos antissalmonelas.

Os aditivos mais utilizados nas formulações de rações para o controle microbiológico são os ácidos orgânicos, sais orgânicos e o formaldeído, que atuam na diminuição do pH intracelular. Com isso, podem causar alteração na permeabilidade da membrana microbiana com o bloqueio do substrato do sistema de transporte de elétrons, eliminando bactérias patogênicas como a Salmonella. A ação dos ácidos orgânicos nas aves ocorre de diversas formas, como na alteração da microbiota intestinal por ação bactericida ou bacteriostática, na melhora das atividades das enzimas digestivas e na redução do pH do trato gastrintestinal que reduz a presença de Salmonella no papo e no ceco. Observa-se ainda um benefício na flora intestinal que leva ao equilíbrio da imunidade, onde os nutrientes e a energia da fórmula da ração serão aproveitadas pelas aves, levando a melhora dos índices zootécnicos.

Treinamentos e planos de contingência

É necessário oferecer treinamentos aos funcionários das normas de biosseguridade pertinentes às suas atividades. E outras atualizações também precisam ser repassadas com periodicidade semestral no tocante às normas de biosseguridade, de acordo com a matriz de treinamento. Quando identificada uma oportunidade ou necessidade o ideal é realizar treinamentos extras com o intuito de oferecer capacitação adicional aos interessados.

É indicado que as empresas avícolas onde o produtor entrega seu produto tenham um plano de contingência para as possíveis emergências nos lotes. Este plano deve contemplar procedimentos extras a serem realizados, até que se tenham os resultados de laboratório se o lote está positivo ou negativo. Com este plano, pode-se bloquear a disseminação da doença para outros lotes até que se elimine as aves, se for o caso.

Em caso de positividade em qualquer uma das análises, oficial ou de rotina da empresa, devem ser adotadas medidas mínimas que incluem:

  • Isolamento do galpão
  • Isolamento dos funcionários por aviário
  • Controle rígido de tráfego e fluxo de veículos e caminhões (deve ser sempre o último a entregar insumos)
  • Fluxo de pessoas deve ser proibido
  • Calçados e roupas devem ser lavados e desinfectados diariamente
  • Adotar a inclusão de pedilúvios extras
  • Controle especial de destino das aves mortas

A prevenção e o controle sanitário são condições fundamentais para diminuir os problemas sanitários nos lotes, tendo em vista que a salmonelose é um desafio para a saúde pública e para a indústria avícola. Portanto, colocar em prática todos os procedimentos de biosseguridade nas granjas é essencial para que se tenha maiores garantias de efetividade.

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Fonte: O Presente Rural
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